(122) - A LUZ E AS TREVAS
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        Jeová condena aos que fazem da luz trevas, e das trevas luz. "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem da escuridade luz, e da luz escuridade; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!" (Is. 5:20). Este texto revela que há pessoas tão perversas, e têm tanto prazer na prática do mal que trocam as coisas, isto é, fazem o mal achando que fazem o bem, e fazem o bem com intenção maligna, isto é, como laço para pegar o inocente; e depois justificam o mal para continuar fazendo. Salomão declara que estes tais não dormem se não fizerem o mal, e foge deles o sono se não fizerem tropeçar alguém (Pv. 4:16). Quando alguém faz o bem, condenam-no como sendo mau. Jesus, sendo acusado do mal ao praticar o bem, respondeu: "Não me é lÃcito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom? (Mt. 20:15).
        Há pessoas que têm prazer no vÃcio e não na virtude; há injustos que condenam os justos por serem justos; há culpados que condenam e matam inocentes; há sábios imorais que conseguem mudar os conceitos do que é moral, para não serem enquadrados. Uma das suas frases prediletas é: "Imoralidade não é sexo livre, mas polÃtica corrupta".
        Estas coisas não enobrecem o homem, mas admite-se que no homem tudo é possÃvel; um ato nobre ou um baixo e vil.
        De Deus, entretanto, só se espera o bem, a luz, a justiça, o amor, etc. Jeová é o deus que se diz bom, justo e piedoso. Pois para Jeová, a luz e as trevas são a mesma coisa (Sl. 139:12). Vejamos:
        Jeová ordenou a Moisés que dissesse a Faraó: "Deixa ir o meu povo, para que me sirva" (Ex. 8:1, 20; 9:1). Faraó, endurecido pelo próprio Jeová, não deu ouvidos a Moisés, porém, cansado das maldições daquele deus, depois da décima praga, os deixou ir. Jeová tinha dito: "Deixa ir o meu povo para que me celebre uma festa no deserto" (Ex. 5:1). Para que a festa fosse completa, Jeová fez que o povo saqueasse o Egito (Ex. 3:20-22; 12:35-36). As promessas de Jeová eram maravilhosas. "E disse Jeová: tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. Portanto desci para livrá-lo da mão dos egÃpcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, e uma terra que mana leite e mel" (Ex. 3:7-8). A promessa, portanto, era arrancá-los do jugo opressor do Egito, para lhes fazer bem, e para levá-los a liberdade e a fartura. "Far-vos-ei subir da aflição do Egito, a uma terra que mana leite e mel, à terra do cananeu, do heteu, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuzeu" (Ex. 3:17). O povo creu em Jeová, e saiu com os olhos fixos nessa visão gloriosa que Moisés lhes tinha passado. Assim, o povo saiu com alegria, e com danças, e com cânticos de vitória (Ex. 15:1-19). A festa era a páscoa, que foi celebrada para comemorar gloriosamente a grande salvação de Jeová para uma nova vida de liberdade, paz, fartura, segurança e bênçãos. Não lhes foi dito que iriam passar fome e sede, e jugo, piores que os do Egito. Quando o povo sentiu o calor do deserto, vendo suas mulheres e seus filhinhos chorando de fome e sede, reclamou; "E toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés no deserto. E disseram: Quem dera que nós morrêssemos por mão de Jeová na terra do Egito, quando estávamos sentados junto à s panelas de carne, quando comÃamos pão até fartar! Por que nos tendes tirado para este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão?" (Ex. 16:2-3). "Então disse Jeová a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus. E o povo sairá, e colherá cada dia a sua porção" (Ex. 16:4). O maná não satisfez, e o povo pediu carne (Nm. 11:4-6). Jeová mandou também a carne de cordonizes (Nm. 11:31-32). O povo colheu o que pode, e preparou uma mesa no deserto. "Mas, quando a carne estava entre os seus dentes, antes que fosse mastigada, se acendeu a ira de Jeová contra o povo, e feriu Jeová o povo com uma praga mui grande" (Nm. 11:33). No Salmo 78 lemos que Jeová, com essa praga, matou os mais fortes, os escolhidos de Israel (Sl. 78:23-31).
        Jeová fez o bem, e com o bem trouxe em seguida o mal. Com o mal destruiu o bem que fizera, pois onde o bem e o mal andam juntos, o mal sobrepuja o bem. Foi por isso que Davi disse: "Para Jeová, a luz e as trevas são a mesma coisa" (Sl. 139:12). Ora, Jesus revelou que a luz é o bem, e as trevas são o mal. "A condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más, porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas" (Jo. 3:19-20). Paulo disse: "Não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as" (Ef. 5:11). "Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas" (I Ts. 5:5). Para Paulo, a luz e as trevas não são a mesma coisa, e o Novo Testamento de Jesus não concorda com o Velho Testamento de Jeová. "Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo, mas aquele que aborrece a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deve ir, porque as trevas lhe cegaram os olhos" (I Jo. 2:10-11). Ora, Jeová aborreceu Esaú (Ml. 1:1-3) e Jeová aborreceu a seu povo Israel (Sl. 78:58-59). Jeová andava em trevas, e achava que andava na luz. O bem e o mal andam juntos, pois para Jeová são a mesma coisa, isto é, o bem anda junto com o mal, e o mal anda junto com o bem. Na lei de Jeová, o bem e o mal andam de mãos dadas; a bênção e a maldição também. "Eis que hoje ponho diante de vós a bênção e a maldição. A bênção, quando ouvirdes os mandamentos de Jeová vosso deus, que hoje vos mando; porém a maldição, se não ouvirdes, e vos desviardes" (Dt. 11:26-28).
        Para Jesus, enviado a nós pelo Pai, o bem e o mal, as trevas e a luz, não andam juntos. Jesus separou o bem do mal, e a luz das trevas, e nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós (Gl. 3:13). Libertou a todos do jugo da lei. "Mas agora estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de EspÃrito, e não na velhice da letra" (Rm. 7:6). Agora, os cristãos só recebem do Pai o bem, e não o mal de Jeová, pois de Deus Pai só procede o bem. "Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (Tg. 1:17). "Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas" (I Jo. 1: 5).
        O Pai nada tem a ver com as trevas de Jeová, e enviou a este mundo a Jesus Cristo, seu filho Unigênito para revelar que no mundo não há luz. Quando Jesus diz: "Eu sou a luz que vim ao mundo", está dizendo que a luz do Pai está nas obras de Cristo, e que as trevas estão nas obras de Jeová (Jo. 12:46).
        Textos para reflexão: Ex. 20:21; Dt. 4:10-14; 5:22-24; Sl. 18:11; Jó 19:6-8; Lm. 3:1-2; Is. 9:2; Sl. 107:9-10, etc.
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Autoria Pastor Olavo S. Pereira
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