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(053) - O TUTOR

O TUTOR

 

       Que é um tutor? É a pessoa responsável, legalmente constituída para tutelar alguém, em geral menores de idade ou irresponsáveis. A diferença entre o tutor e o tutelado é enorme. Na ausência do pai, o tutor, se quiser, pode corromper a criança por interesse, pois o tutor não é o pai.

       O aio é o preceptor de meninos, como as aias são preceptoras de meninas, e preceptor é aquele que dá preceitos e instruções. É o mestre, o mentor das crianças. Curador é aquele que, por decisão judicial, administra os bens e dirige pessoas não habilitadas, isto é, menores de idade ou loucos, débeis mentais, etc.

       Israel, no início da sua história, era criança aos olhos de Jeová  —“Quando Israel era menino, eu o amei” (Os. 11:1).  Paulo, apóstolo, confirma que Israel era menino — “Digo, pois, que todo o tempo que o herdeiro é menino em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo; mas está debaixo de tutores e curadores até o tempo determinado pelo Pai” (Gl. 4:1-2).

       Quem foram os tutores e curadores de Israel? Israel era a vinha de Jeová — “Porque a vinha de Jeová dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias” (Is. 5:7).  O sacerdócio levítico, estabelecido por Jeová, não poderia compor os tutores ou curadores, pois eram iguais ao povo, sendo da mesma massa e cometendo os mesmos pecados — “Porque tanto o profeta, como o sacerdote, estão contaminados; até na minha casa achei a sua maldade, diz Jeová” (Jr. 23:11).  Os profetas e sacerdotes não eram melhores que o povo, e os tutores ou curadores têm de ser superiores aos tutelados. Os tutores e curadores não podiam ser homens, pois Jeová disse: “Jeová olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia alguém que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um” (Sl. 14:2-3). Nenhum homem pode ser tutor ou curador de outro homem, seu igual. Se os tutores de Israel fossem os sacerdotes ou os reis, Jeová estaria condenando o seu povo a perdição, pois "um cego, guiando a outro cego, ambos cairão no abismo" (Mt. 15:14). Por outro lado, Jeová estaria fazendo uma distinção violenta e injusta, pois no Novo Testamento, o tutor dos filhos de Deus é o Espírito Santo. É o Espírito Santo quem ensina todas as coisas (Jo. 14:26). Põe as palavras na boca dos crentes neófitos (Mt. 10:19-20). O Espírito Santo guia (Rm. 8:14; Jo. 16:13). O tutor, na ausência do pai, estabelece padrões de comportamento, isto é, leis apropriadas para instrução do tutelado. Foi o Espírito Santo que deu os novos mandamentos do Novo Testamento (At. 1:2).

       Lá, No Velho Testamento, quem ensinava era o próprio Jeová, e não o Espírito Santo; e quem punha as palavras na boca era Jeová. “Disse Jeová a Moisés: Quem fez a boca do homem? Ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, Jeová? Vai pois agora, e eu serei com a tua boca, e te ensinarei o que hás de falar” (Ex. 4:11-12).  “Então disse Jeová a Moisés: Sobe a mim no monte e fica lá; e dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para os ensinar”(Ex. 24:12). “A ti te foi mostrado para que soubesses que Jeová é deus. Desde os céus te fez ouvir a sua voz, para te ensinar” (Dt. 4:35-36). “Assim diz Jeová, o teu redentor, o santo de Israel: Eu sou Jeová, o teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar” (Is. 48:17).  Jeová era o guia de Israel: “Assim só Jeová o guiou, e não havia com ele deus estranho” (Dt. 32:12). “E os guiaste de dia por uma coluna de nuvem, e de noite por uma coluna de fogo, para os alumiares no caminho por onde haviam de ir” (Ne. 9:12). “Amarás pois a Jeová teu deus, e guardarás os seus preceitos, e os seus estatutos, e os seus juízos, e os seus mandamentos, todos os dias. E hoje sabereis que falo, não com vossos filhos, que o não sabem, e não viram a instrução de Jeová vosso Deus, a sua grandeza, a sua mão forte, e o seu braço estendido” (Dt. 11:1-2).

       Tudo o que no Novo Testamento é feito pelo Espírito Santo, no Velho Testamento foi feito por Jeová. Ora, o Espírito Santo procede do Pai; o Pai não iria fazer pessoalmente obra inferior a do Espírito Santo. A lei e os preceitos de Jeová não aperfeiçoaram (Hb. 7:19). E por isso foi abrogada, isto é, anulada por ser inútil (Hb. 7:18). Foi mudada a lei e foi mudado o sacerdócio (Hb. 7:12). Foi mudado o testamento (Hb. 9:15), pois o Velho Testamento foi abolido por ser transitório (II Co. 3:13-14).

       O apóstolo Paulo revela que os israelitas estavam nas mãos de tutores e curadores até a vinda de Jesus Cristo, mas era Jeová o tutor, e o tutor não é o Pai (Gl.4:1-3). E o que agrava a atuação de Jeová, é que com todos os preceitos, mandamentos, juízos e estatutos, o povo estava reduzido à servidão e debaixo dos primeiros rudimentos do mundo. Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, teria forçosamente de dizer que Israel estava debaixo dos cuidados do Pai, e não debaixo de tutores. O tutor jamais cuidará tão bem quanto o pai. Mas foi Jeová que guiou e ensinou o povo, logo foi tutor, e assim não é nem o Pai e nem Jesus, mas um mau tutor, pois o povo se corrompeu e se perdeu, pois só o remanescente será salvo (Rm. 9:27).

       Sendo Jeová tutor, e não o próprio Pai, nem o Filho, só poderia ser anjo. Vejamos a declaração de Estevão: “Este é aquele Moisés que disse aos filhos de Israel: O Senhor vosso Deus vos levantará entre vossos irmãos um profeta como eu; a ele ouvireis. Este é o que esteve entre a congregação no deserto, COM O ANJO QUE LHE FALAVA NO MONTE SINAI” (At. 7:37-38). Esta declaração de Estevão se refere a Ex. 19:19, onde se lê: “Moisés falava, e Deus lhe respondia em vós alta.”

       Como o Pai estabeleceu o tempo para enviar ao mundo o seu Filho unigênito, e ninguém vai ao Pai a não ser através de Jesus, o tutor que veio antes fez-se passar pelo Pai, enganando o povo (Gl. 4:1-4; Jo. 14:6).       

Autoria Pastor Olavo S. Pereira