(285) - CIRCUNCISÃO - II
(285) - CIRCUNCISÃO - II
Jeová declara ser o criador do homem sobre a terra. “Assim diz Jeová, o santo de Israel, aquele que o formou... Eu fiz a terra, e criei nela o homem; eu o fiz. As minhas mãos estenderam os céus, e a todos os seus exércitos dei as minhas ordens” (Is. 45:11-12). “Eu fiz a terra, o homem e os animais que estão sobre a terra, pelo meu grande poder” (Jr. 27:5).
Jeová declara também que o esperma do homem criado por ele é imundo. “Também o homem, quando sair dele a semente da cópula, toda a sua carne banhará com água, e será imundo até à tarde” (Lv. 15:16). Alguém dirá: O esperma ficou imundo depois da queda de Adão. Nós contra argumentamos lembrando que o texto revela que o homem fica imundo quando sai a semente da cópula, isto é, antes de sair a semente o homem não era imundo; logo o homem estava limpo, mas a semente era imunda. O caso se repete no verso dezoito. “E também a mulher, com quem o homem se deitar com semente da cópula, ambos se banharão com água, e serão imundos até à tarde” (Lv . 15:18). A mulher estava limpa e se tornou imunda por causa do esperma do homem; logo, o esperma é imundo por natureza. Foi criado imundo por Jeová. É por isso que as crianças nascem imundas, tanto do sexo masculino como do feminino; pois a semente donde nascem é, por natureza imunda (Lv. 12:1-8). É por isso também, que no livro de Jó lemos: “Quem do imundo tirará o puro? Ninguém” (Jó 14:4). Jó não esta dizendo que a mãe é imunda. A mãe é limpa, mas a semente é imunda, e o filho vai nascer imundo. Tanto o homem como as mulheres se tornam imundos quando se corrompem. “Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um” (Sl. 14:3). Ficaram imundos porque se desviaram. O verso um diz: “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazendo-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem” (Sl. 14:1). Concluímos que a imundície decorreu da corrupção. O fim da análise é a seguinte. Todos os homens são limpos, mas são portadores de uma semente imunda (esperma). E também o homem e a mulher tornam-se imundos pela corrupção de costumes.
Jeová tomou a descendência de Jacó por povo: “Agora, pois ouve ó Jacó, servo meu, e tu Israel, a quem escolhi. Assim diz Jeová; que te criou e te formou desde o ventre, e que te ajudará” (Is. 44:1-2). A esse povo chama de filhos: “Filhos sois de Jeová vosso Deus; não vos darei golpes, nem poreis calva entre vossos olhos por causa de algum morto, porque é povo santo a Jeová teu deus, e Jeová te escolheu de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu povo próprio” (Dt. 14:1-2). Antes, porém, de Jeová tomá-los por filhos, os levou ao Egito, e lá o povo se corrompeu, portanto era imundo. O profeta Ezequias declarou: “Veio a mim a palavra de Jeová dizendo: Filho do homem houve duas mulheres, filhas de uma mãe. Estas prostituíram-se no Egito; prostituíram-se na sua mocidade; ali foram apertados os seus peitos, e ali foram apalpados os seios da sua virgindade. E os seus nomes eram: Aolá, a mais velha, e Aolibá, sua irmã; e foram minhas, e tiveram filhos e filhas; e, quanto aos seus nomes, Samaria é Aolá, e Jerusalém é Aolibá” (Ez. 23:1-4). Fica assim bem claro que Jeová gera filhos imundos, pois os levou ao Egito para serem corrompidos. Como pode Jeová gerar e tomar para si filhos imundos?
No Novo Testamento é totalmente diferente. Para alguém ser filho de Deus Pai tem de nascer de novo. “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” (I Pd. 2:2). Esse novo nascimento é operado pelo Evangelho, isto é, as boas novas de Cristo, e pelo Espírito Santo. Jesus disse a Nicodemos: “Na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo. 3:5-6). É por isso que Paulo nos diz: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas passaram; eis que tudo se fez novo” (II Co. 5:17). No Novo Testamento aqueles filhos de Jeová não são filhos de Deus.
Mas Jeová inventou um jeito para diferenciar os seus filhos carnais dos outros povos, a quem rejeitava. Foi a circuncisão. Tudo começou com Abraão. Disse Jeová ao patriarca: “Este é o meu concerto, que guardareis entre mim e vós, e a tua semente depois de ti: Que todo o macho será circuncidado aos oito dias. E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal do concerto entre mim e vós” (Gn. 17:10-11). Esse concerto será eterno (Gn. 17:13). “A criança que não for circuncidada na carne do seu prepúcio, aquela alma será extirpada dos seus povos; quebrantou o meu concerto” (Gn. 17:14). Os incircuncisos eram imundos para Jeová; logo a circuncisão santificava. “Desperta, desperta, veste-te da tua fortaleza, ó Sião; veste-te dos teus vestidos formosos, ó Jerusalém, cidade santa; porque nunca mais entrará em ti nem incircunciso nem imundo” (Is. 52:1). É óbvio que os circuncidados eram santificados na carne. Jeremias revela que havia carne santa (Jr. 11:15). Eram os circuncidados de Jeová.
Mas o Novo Testamento traz à luz uma revelação surpreendente sobre a circuncisão. “A circuncisão é nada, e a incircuncisão nada é” (I Co. 7:19). Se a circuncisão é nada, por que Jeová dava tanto valor? Se for nada, perdeu o valor. Por que Jeová declarou que era uma aliança perpétua? As coisas perpétuas não cessam. Paulo quebrantou o concerto de Jeová, e tinha de morrer (Gn. 17:14). Mas Paulo continua falando: “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura” (Gl. 6:15). A circuncisão da carne é para a velha criatura carnal e sujeita as concupiscências da carne, o que Pedro chama de concupiscências de imundície (II Pd. 2:10). Paulo declara que a concupiscência engana o cristão em Ef. 4:22-24, pois o homem nascido de novo é criado em verdadeira justiça e santidade.
A fé acabou com a circuncisão. “Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão” (Rm. 3:30). E Paulo termina dizendo: “Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão o que o é exteriormente na carne, mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, e não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus” (Rm. 2:28-29).
Para os espirituais da fé em Cristo, Paulo diz: “Estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne; a circuncisão de Cristo” (Cl. 2:11).
Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira
