(035) - A CIRCUNCISÃO
“Este é o meu concerto, que guardareis entre mim e vós, e a tua semente depois de ti: Que todo macho será circuncidado” (Gn. 17:10). A circuncisão era feita ao oitavo dia do nascimento do menino (At. 7:8).
O valor que Jeová deu a circuncisão era tanto, que os meninos não circuncidados eram condenados a morte sem piedade. “E o macho com prepúcio, cuja carne do prepúcio não estiver circuncidada, aquela alma será extirpada dos seus povos; quebrantou o meu concerto” (Gn. 17:14). A circuncisão era um concerto eterno (Gn. 17:8).
Quatrocentos anos depois do pacto feito com Abraão, Moisés, já com 80 anos, apresentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Midian, no sopé do monte de Jeová em Horebe. O anjo de Jeová aparece a Moisés em uma chama de fogo do meio de uma sarça e convoca para a grande tarefa de libertar o povo de Israel, que estava cativo no Egito, Moisés, então, volta ao Egito, e no caminho Jeová quis mata-lo. O texto é confuso “E aconteceu no caminho, numa estalagem, que Jeová o encontrou e o quis matar. Então Zípora tomou uma pedra aguda , e circuncidou o prepúcio de seu filho, e o lançou aos seus pés, e disse: Certamente me és um esposo sanguinário” (Ex. 4:24-25). Quem lê o texto não sabe se era o menino ou Moisés que Jeová queria matar. De acordo com o pacto com Abraão em Gn.17:14, parece que era o filho de Moisés e Zípora que Jeová queria matar.
Vamos esclarecer pela escritura o significado da circuncisão. Os circuncidados eram uma casta de eleitos, e eram os únicos dignos de receber de Deus a revelação da Palavra (Rm. 3:1-2). Paulo declara que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais (Rm. 15:8). Os incircuncisos eram imundos e indignos de entrar em Jerusalém, logo a circuncisão santificava os imundos (Is. 52:1). O incircunciso é o que tem coração endurecido e ouvidos fechados para ouvir a palavra de Deus e resiste ao Espírito Santo (At. 7:51; Jr. 6:10). O incircunciso tem boca pesada para falar. Moisés não queria aceitar a incumbência de Jeová; e se confessava incircunciso de lábios (Ex. 6:12, 30). O incircunciso de olhos é o malicioso no olhar, ou maligno no olhar. Jó declara que circuncidou os olhos para não cobiçar uma mulher (Jó 31:1). Nas traduções lemos: Fiz concerto com os meus olhos, mas no hebraico está escrito, Brit-Hadashá (circuncidar). Os incircuncisos no órgão genital são os lascivos, voluptuosos, lúbricos, insaciáveis (Cl. 2:13).
O problema da circuncisão de Jeová é que era só exterior. Saul, o ungido de Jeová, era circuncidado, mas era rebelde e afrontoso (I Sm. 15:23-24).
Acabe era circuncidado e era perverso (I Rs. 16:30). Davi, o eleito e ungido de Jeová, foi adúltero e homicida (II Sm. 11:2-18). Salomão, filho de Davi e predestinado por Jeová para ser o maior de todos os tempos e o construtor do templo onde habitaria a glória de Jeová, era circuncidado, como seu pai Davi o foi, mas era lúbrico, lascivo e insaciável no sexo, pois teve mil mulheres. Além disso foi o maior idólatra de todos os tempos, edificando templos a todos os ídolos dos moabitas, amonitas e cananeus (I Rs. 11:1-9). E isso tudo com a grande sabedoria dada por Jeová (I Rs. 3:12).
O apóstolo Paulo, diante dessas realidades contraditórias, declara que aquela circuncisão, tão importante para Jeová, não tinha valor algum. “A CIRCUNCISÃO É NADA E A INCIRCUNCISÃO NADA É”(.I Co. 7:17). Aqui Paulo compara a circuncisão com a incircuncisão. Estaria Paulo blasfemando? Olhando para o comportamento dos grandes homens do Velho Testamento, que eram circuncidados por fora e não por dentro, isto é, na carne e não no espírito, Paulo conclui que aquela circuncisão era nada, e acrescenta: “Porque em Jesus Cristo, nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma ” (Gl. 5:6). Com isto Paulo insinua que a circuncisão de Jeová, que não operava retidão de coração, não tinha virtude alguma. E se não tinha virtude, por que Jeová matava a criança que não era circundada? Matava por capricho? Por que Jeová dava tamanha importância ao que para Cristo não tem valor? O grande apóstolo dos gentios dá o seu testemunho pessoal: “Circuncidado ao oitavo dia da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus, fariseu, segundo a lei” (Fl. 3:5). E em seguida declara que ao conhecer a Cristo lançou fora todo aquele patrimônio tribal e religioso, e considerou tudo como esterco (Fl. 3:8) . O grande pacto da circuncisão, feito por Jeová com Abraão e descendentes, considerado por Paulo como esterco? Se Paulo estivesse no Velho Testamento seria fulminado por Jeová, ou apedrejado (Lv. 24:10-16). Paulo, porem, estava coberto pelo sangue de Cristo.
Jeová era o Deus dos circuncidados, e os circuncidados, no Novo Testamento eram uma casta maligna. Diz Paulo: “Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão”(Fl. 3:2). “Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão” (Tt. 1:10). Para Paulo, quem circuncidasse deixaria de pertencer a Cristo (Gl. 5:2). A respeito de Deus Pai de Jesus, Paulo revela : “É porventura Deus somente dos Judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios certamente. Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão” (Rm. 3:29-30). Mas Jeová era Deus só dos judeus e da circuncisão (Gn. 17:13).
Autoria Pastor Olavo S. Pereira
