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Home Estudos (043) - O ENDURECIMENTO DE ISRAEL

(043) - O ENDURECIMENTO DE ISRAEL

“O endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado, e assim todo o Israel será salvo” (Rm. 11:25-26). A impressão que o texto dá é que Deus, por amor dos gentios, e desejoso de salvá-los, endureceu o seu povo Israel, e depois que os gentios se salvem, então salvará também o seu povo.

Jeová declara que nunca conheceu os povos gentílicos, senão só Israel (Am. 3:1- 2). Em Dt. 14:2 Jeová declara que escolheu Israel entre todos os povos para ser seu povo próprio. Estas duas declarações chocam com o Sl. 24:1 onde Jeová diz: “De Jeová é a Terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam.” O Egito e Faraó não eram de Jeová. José, vendido pelos maus irmãos como escravo, acabou se tornando governador do Egito. Por ocasião de uma grande fome, José mandou buscar sua família, ao todo setenta (Gn. 46:26-27). No Egito, na terra de Gosen, se multiplicaram formando um grande povo. Após a morte de José, o novo Faraó os escravizou debaixo de um jugo insuportável. Jeová então desce do céu para libertar o seu povo dos que não eram seu povo, isto é, dos egípcios. O varão escolhido foi Moisés, que recebeu poder para atormentar os egípcios com pragas, ao todo dez. Foram tão terríveis as pragas que Faraó decidiu soltar o povo, mas Jeová endurecia o coração de Faraó para retê-los. Faraó não era mau, e muitas vezes propôs deixar ir o povo. Após cada praga Moisés aparecia diante de Faraó e dizia: “Deixa ir o meu povo, para que me sirva” (Ex. 7:16; 8:1) etc. Mas Jeová endurecia Faraó (Ex. 4:21; 7:3; 10:27; 11:10; 14:4, 17). Faraó e seu povo eram gentios. Pois Jeová os endureceu e matou por pestes, pragas, saraivas e morte de todos os primogênitos. Por último afogou no mar o exército de Faraó, e salvou o seu povo, que depois iria morrer no deserto por ter coração duro. Convêm que se diga que os gentios eram abomináveis aos olhos de Jeová por causa de seus ídolos (II Rs. 16:3). No Sl. 59:8 lemos que Jeová zomba dos gentios.

Esta declaração também se choca com Jo. 3:16, onde lemos que o Pai ama "de tal maneira os homens que deu o seu Filho unigênito" para salvar todos os que crêem. Todos, inclui gentios e judeus, pois Deus é Deus de todos, e não somente dos judeus (Rm 3:29). Jeová, porém, era Deus só de Israel, e endureceu o coração dos egípcios para salvar o seu povo, que acabou sendo morto pelo próprio Jeová no deserto (Jd. 5; Nm. 14:28-37).

Jeová começa, então, um novo processo. Endurecer seu próprio povo. Isaías, numa visão fantástica, viu Jeová num trono sublime, cercado de Serafins. Pensou que ia morrer, mas um dos Serafins tocou seus lábios com um brasa do altar e o purificou. Jeová então disse: A quem enviarei? Isaías deslumbrado, respondeu: "Eis-me aqui, envia-me a mim" (Is. 6:6-8). Isaías pensou que iria salvar o seu povo pecador (Is. 6:5). Mas Jeová lhe deu a missão mais tenebrosa que ele poderia imaginar: Cegar os olhos do povo, endurecer os ouvidos para não ouvir, afim de que não se convertam do seu mau caminho (Is. 6: 10). Pobre Isaías, que teve de cumprir tal ordem. O povo ficou cego, surdo, e com coração de pedra (Is. 43:8; Jr. 6:28). Por mais que o povo clamasse a Jeová, este não os ouvia. “PORQUE, Ó JEOVÁ, NOS FAZES DESVIAR DOS TEUS CAMINHOS? PORQUE ENDURECES O NOSSO CORAÇÃO?” (Is. 63:17).

A incoerência está em que Jeová endureceu o seu povo para não crer e não obedecer, e depois reclamava da dureza do coração do povo (Dt. 10:16; II Cr. 30:8-9; Sl. 95:8). Mas foi o próprio Jeová quem os endureceu, e cegou os profetas para que o povo não tivesse ninguém que os esclarecesse (Is. 29:10-12). Jeová afirma que a destruição do reino de Israel teve como causa a dureza de coração (II Rs. 17:14-23). Uma coisa fica bem clara: Jeová endureceu os egípcios para os matar e destruir. Depois endureceu o seu povo para os matar e destruir. Aqueles milhões de almas não tinham valor para Jeová?

Sobre a obra de endurecimento de Jeová, a Bíblia revela mais casos: Jeová aborrecia Hofni e Finéias, filhos de Eli, o sacerdote, e queria matá-los, então tapou seus ouvidos para que não ouvissem a repreensão do pai. “Não, filhos meus, porque não é boa a fama esta que ouço. Fazeis transgredir o povo de Jeová. Pecando homem contra homem, os juizes o julgarão: pecando, porém, o homem contra Jeová, quem rogará por ele? Mas não deram ouvidos a voz de seus pai, por  que Jeová  os queria matar” (I Sm. 2:24-25).

Jeová proibiu que algum hebreu casasse com mulheres estranhas, isto é, dos povos de Canaã (Dt. 7:1-4; Js. 23:12-13; Ed. 9:1-2). No entanto, o espírito de Jeová impeliu Sansão para a região dos filisteus; e lá viu uma bela mulher, que lhe agradou os olhos. Em vão seu pai suplicou para que não pecasse contra a lei de Jeová (Jz. 13:25; 14:1-4). O texto termina dizendo que o pai de Sansão não sabia que isto vinha de Jeová. A sensualidade de Sansão foi obra de Jeová, que lhe endureceu a cerviz.

Jeová endureceu Roboão, para que este aumentasse o jugo sobre o povo. O que Jeová queria era dividir o reino em dois, por causa do pecado de Salomão. Absurdo. Que tem a ver o povo com o pecado de Salomão? Jeová deveria colocar talvez um rei menos sábio (I Rs. 11:29-40). Neste texto, o profeta Aías, profetizou da parte de Jeová a divisão do reino. Mais tarde, Roboão, filho de Salomão, agiu estupidamente, porque a profecia tinha de ser cumprida (I Rs. 12:15).No Velho Testamento as cartas eram marcadas marcadas.

Os povos de Canaã eram todos gentios. E Jeová os endureceu para que não deixassem Israel entrar. “Porquanto de Jeová vinha, que os seus corações endurecessem, para saírem ao encontro de Israel na guerra, para os destruir totalmente, para se não ter piedade deles, como Jeová tinha ordenado a Moisés” (Js. 11:20).

Quando Israel começou a entrar em Canaã, o rei Siom se opôs com seus exércitos, mas Josué os venceu matando homens, mulheres e crianças. Quem causou esta carnificina? Jeová, que endureceu o coração do rei Siom, com intuito de destruir aquela cidade (Dt. 2:30-34). Qual era o objetivo de Jeová? Aterrorizar os povos em redor (Dt. 2:24-25).

Jesus, certamente, mandaria um exército de missionários para salvá-los (Mc. 16:15-16). Pois Jesus veio ao mundo para salvar aos pecadores (I Tm. 1:15). E Jesus afirma que essa é a vontade do Pai (Jo. 6:38-40).

Jesus é contra as matanças de Jeová, o destruidor das almas. Quando Jesus ia a Jerusalém, no caminho manda os discípulos prepararem pousada. O povo daquela aldeia não quis recebê-lo. Tiago e João disseram: "Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como fez Elias? Jesus lhes disse: Vós não sabeis de que espírito sois. Eu não vim para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las" (Lc. 9:51-56).

Paulo, no entanto, revela que o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para não crerem no Evangelho de Jesus Cristo (II Co. 4:4). Interessante, o que Jeová fazia no Velho Testamento, o deus deste século faz hoje!

Autoria Pastor Olavo S. Pereira