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(132) – OS DOIS EVANGELHOS

O apóstolo Paulo admitia haver mais de um Evangelho, pois disse: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gl. 1:8). A pergunta é:

Existirão dois evangelhos? O próprio Paulo revela a existência de dois na mesma carta aos Gálatas: “Quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão” (Gl. 2:7). O evangelho da circuncisão era pregado aos judeus por causa da lei de Jeová e do concerto com Abraão (Gn. 17:13-14). O evangelho da incircuncisão era pregado por Paulo e seus companheiros para os gentios, isto é, os outros povos não judeus.

Os dois grupos não concordavam, e houve discussões pesadas, como veremos: “Então alguns que tinham descido da Judeia ensinavam assim os irmãos: Se vos não circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos. Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que Paulo e Barnabé, e alguns dentre eles, subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos sobre aquela questão” (At. 15:1-2). Em Jerusalém foram recebidos pelos apóstolos e pelos anciãos, e aconteceu o seguinte: “Alguns, da seita dos fariseus, que tinham crido, se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés. Congregaram-se pois os apóstolos e os anciãos para considerar o assunto. E havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Varões irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu entre vós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e cressem; e Deus que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós; e não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé. Agora, pois, porque tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também” (At. 15:5-11).

Na realidade existem dois povos: os judeus e os gentios; e dois evangelhos: o de Pedro, cujos adeptos guardavam a lei de Moisés e a circuncisão, e o de Paulo, cujos adeptos só adotaram a graça de Cristo na cruz, sem lei de Moisés e sem circuncisão.

Paulo recebeu a revelação do evangelho da graça, coisa que nenhum dos apóstolos recebeu. “Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios; se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada; como me foi este mistério manifestado pela revelação como acima em pouco vos escrevi; pelo que, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens” (Ef. 3:1-5).

A revelação de Paulo era tão grande que ele pregava contra a lei de Jeová e contra a circuncisão. Leiamos as palavras de Tiago e dos anciãos em Jerusalém, para Paulo acerca dos novos convertidos: “E já acerca de ti foram informados de que ensinar todos os judeus que estão entre os gentios a apartarem-se de Moisés, dizendo que não devem circuncidar seus filhos nem andar segundo a lei de Moisés” (At. 21:21). Quando Paulo entrou no templo, os judeus da Ásia, vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele, clamando: “Varões israelitas, acudi; este é o homem que por todas as partes ensina a todos, contra o povo e contra a lei, e contra este lugar;” (At. 21:28). Ouçamos agora as palavras do próprio Paulo sobre o assunto: “Estai pois firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão. Eis que eu, Paulo, vos digo que se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará: E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei. Separados estais de Cristo, vós, os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído” (Gl. 5:1-4). Pelas palavras de Paulo, quem circuncidasse o filho estava obrigado a guardar toda a lei, e quem guardasse a lei era obrigado a circuncidar o filho. E Paulo afirmava que caía da graça, isto é, caía em condenação. Com estas declarações Paulo está afirmando que o evangelho da circuncisão não salva ninguém, pois a lei não leva ninguém ao Pai, e desgraçadamente é pedra de tropeço. “Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé. Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não chegou a lei da justiça. Por que?  Porque não foi pela fé, mas como que pelas obras da lei; tropeçaram na pedra de tropeço” (Rm. 9:30-32). Paulo, na verdade nunca aprovou o evangelho da circuncisão, isto é, o evangelho de Jeová e do Velho Testamento. Falando da nobreza da sua origem israelita e religiosa assim se expressou: “Se algum cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu, circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu, segundo o zelo perseguidor da Igreja, SEGUNDO A JUSTIÇA QUE HÁ NA LEI, IRREPREENSÍVEL. Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas as coisas, E AS CONSIDERO COMO ESTERCO, para que possa ganhar a Cristo.” (Fl. 3:4-8). Para Paulo, o evangelho da circuncisão é esterco, pois é remendo novo em pano velho, coisa condenada por Jesus (Mt. 9:14-17). Repreendeu Pedro na cara por causa desse evangelho sem valor, pois não retrata a verdade (Gl. 2:7-14). E a verdade, pela sua palavra é: “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura” (Gl. 6:15). Sobre a lei de Jeová, disse: “Porque eu pela lei estou morto para a lei, para viver para Deus” (Gl. 2:19). “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm. 6:14). “Mas agora estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de Espírito e não na velhice da letra” (Rm. 7:6). Falando dos dez mandamentos assim se expressou: “Cristo nos fez capazes de ser ministros de um Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito, porque a letra mata, e o Espírito vivifica. E, se o ministério da morte, gravado em pedra, veio em glória, como não será de maior glória o ministério do Espírito” (2 Co. 3:6-8). O Evangelho da circuncisão é também o da lei, e a lei traz com ela as terríveis maldições. “Todos aqueles pois que são das obras da lei estão debaixo de maldição” (Gl. 3:10). Deus nos livre deste evangelho das maldições, da condenação e da morte. O evangelho revelado a Paulo, é o evangelho da graça, que liberta da lei, do Velho concerto, das trevas, da escravidão e da morte, coisas impostas por Jeová; o deus que não perdoa ninguém, pois é mau e vingativo.

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(131) – CONHECENDO O PAI

 

João 1: 18

A missão de Jesus Cristo ao vir a este mundo foi revelar o Pai. Ele disse: “Eu sou o caminho, e a  verdade e a vida.. Ninguém vem ao Pai senão por mim”  (Jo.  14:6). Ao dizer “ninguém vem ao Pai senão por mim” Jesus estava afirmando que nenhum profeta do Velho Testamento revelou o Pai: Só Jesus pode revelar o Pai, pois só Ele conhece o Pai. Dialogando com os fariseus, Jesus lhes falou: “Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai”  (Jo. 8:19). Falando com Filipe, disse: “Quem me vê a mim, vê o Pai” (Jo. 14:9). Orando ao Pai em favor dos discípulos, assim se expressou: “Eu lhes fiz conhecer o teu nome” (Jo. 17:26). É impossível conhecer o Pai sem conhecer  a Jesus. Como Jesus não foi manifestado no Velho Testamento, o Pai também não foi (Jo. 8:19). Como Jesus não foi visto no Velho Testamento, também o Pai. Como as obras de Jesus não foram feitas no Velho Testamento, as obras do Pai também não foram feitas, pois Jesus declarou: “O Pai, que está em mim, é quem faz as obras” (Jo. 14:10). Em outra ocasião falou assim: “Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais?” (Jo. 10:32). As obras do Pai, feitas através de Jesus, são as obras do amor, pois Deus é amor (Jo. 4:7-8). As obras vistas no Velho Testamento foram as da vingança, do furor, da ira, da destruição, das maldições, das mortes e condenações de pessoas e povos. Estas obras não são obras do amor, mas do ódio; as obras das trevas e não da luz. Um teólogo explicou que o Pai se revelou no Velho Testamento a Israel mas como eles não O conheceram porque estavam cegos, Jesus veio para lhes abrir os olhos, então O conheceram. O problema é que não conheceram e mataram a Jesus. “Falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para a nossa glória, a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu, porque, se a conhecesse nunca crucificariam o Senhor da glória” (1 Co. 2:7-8).

Vejamos qual é o Deus que Israel conheceu, e quais suas obras. Em primeiro lugar, está claro no Velho Testamento que Jeová fazia questão de ser conhecido, não só por Israel, mas por todas as nações. “E a mim clamarão: Deus meu! Nós, Israel, te conhecemos” (Os. 8:2)“Estende a tua benignidade sobre os que te conhecem” (Sl. 36:10). “Conhecido é Jeová em Judá, grande é o seu nome em Israel” (Sl. 76:1). “Jeová é conhecido nos seus palácios por um alto refúgio” (Sl. 48:3).

Vejamos o método usado por Jeová para ser conhecido. Ele os salvou por amor do seu nome, para fazer conhecido o seu poder. Repreendeu o mar Vermelho e este se secou. Livrou-os da mão daquele que os aborrecia. As águas cobriram o seu adversário; nenhum só deles ficou” (Sl. 106:8-11). Mas Jesus não usou o método das pragas do Egito, e as obras do Pai são as que Jesus fez. Jeová foi conhecido pelas pragas, e não pelo amor como o Pai. Josué, o sucessor de Moisés, declarou: “Jeová vosso Deus, fez secar as águas do mar Vermelho, até que passásseis, para que todos os povos da Terra conheçam a mão de Jeová, que é forte, para que o temais” (Js. 4:23-24)“A geração dos israelitas que entrou em Canaã passou, e a outra geração após deles se levantou, que não conhecia a Jeová; nem tampouco a obra que fizera em Israel” (Jz. 2:10). Fica subentendido que a geração que passou, conhecia a Jeová. A nova geração, que não conhecia o seu furor vingativo, pecou e não andou nos estatutos de Jeová, passando a servir Baal e Astarote, pelo que a ira de Jeová se acendeu contra Israel, e os deu na mão dos roubadores, e os roubaram; e os entregou nas mãos dos inimigos ao redor, e não puderam mais estar em pé diante dos inimigos. Por onde quer que saiam, a mão de Jeová era contra eles para mal (Jz. 2:11-15). Jesus não agiu assim sob a ordem do Pai, mas morreu na cruz para salvar a todos, e para que todos fiquem conhecendo o Pai através do amor de Jesus, e não nas vinganças  de Jeová.

Jeová era conhecido pelas terríveis e impiedosas vinganças. “Exercerei a minha vingança sobre Edom, pela mão do meu povo de Israel; e farão em Edom segundo a minha ira e segundo o meu furor; e conhecerão a minha vingança, diz Jeová” (Ez. 25:14). O Pai é conhecido pelo sacrifício de Cristo, obra do seu amor aos perdidos, e não pelo furor de Jeová. Paulo disse: “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará com ele todas as coisas?” (Rm. 8:31-32). Se o Pai fosse o mesmo Jeová matador do Velho Testamento, seria injusto e teria duas caras. Jesus morreu na cruz não somente para salvar os perdidos, mas, acima de tudo, para não deixar dúvida alguma que o Pai é amor, um amor imenso, tão grande que excede nossa compreensão. Jeová foi conhecido pelo furor, mas o Pai pelo amor.

Jeová não só foi conhecido pelo seu povo, mas também por todas as nações: “O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante dos olhos das nações, no meio das quais eles estavam, A CUJOS OLHOS ME DEI A CONHECER A ELES, para os tirar da terra do Egito” (Ez. 20:9). Jeová falando contra Gogue, diz: “E contenderei com ele por meio da peste e do sangue; e uma chuva inundante e grandes pedras de saraiva, fogo, e enxofre farei cair sobre ele, e sobre as suas tropas e sobre muitos povos que estiverem com ele. Assim eu me engrandecerei e me santificarei, E ME FAREI CONHECER AOS OLHOS DE MUITAS NAÇÕES; E SABERÃO QUE EU SOU JEOVÁ” (Ez. 38:22-23). Se Jeová afirma que se deu a conhecer, mas os doutores da religião afirmam que não conheceram, Jeová mentiu ou falou e não conseguiu fazer o que falou. Por outro lado, se o próprio Jeová se fez conhecido sem o concurso de ninguém, e Jesus afirma que só ele pode tornar conhecido o Pai, um dos dois está errado, ou Jeová está comprometendo o Filho Jesus, que disse: “Ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt. 11:27).

Sem a mediação de Jesus, Jeová diz: “Dentre os que me conhecem, farei menção de Raabe e de Babilônia” (Sl. 87:4). Raabe e Babilônia conheciam Jeová quando Jesus ainda não havia revelado o Pai, logo Jeová não é o Pai.

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(130) – A CONCUPISCÊNCIA 4

Pelos estudos anteriores ficou fartamente provado que o homem, a partir do Adão de Gn. 2:7, foi feito do pó da terra, isto é, carne; e foi feito com concupiscência, pois não existe carne sem concupiscência (Gl. 5:24).  Essa concupiscência, componente indispensável a multiplicação das espécies, faz parte da natureza da carne dos homens, e engana os homens em relação ao entendimento e a razão das coisas. Paulo nos diz: “Se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus; que, quanto ao trato passado, vos despojeis do Velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano” (Ef .4:21-22). Esse engano leva os homens às imundícies da carne (2 Pd. 2:10). Essa concupiscência obriga os homens à prática do mal, causando a morte. Paulo afirma que, querendo fazer o bem, não conseguia, e era obrigado a prática do mal por causa da carne de que era feito. “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem, porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço” (Rm. 7:18-19). A concupiscência carnal do homem, concebe o pecado sem o consentimento do mesmo homem, e a consumação do pecado gera a morte (Tg. 1:15). A concupiscência é, portanto, o poder maligno que destrói todos os valores morais e éticos, necessários a verdadeira vida, isto é, a vida espiritual ligada a Deus Pai, e mata espiritualmente.

1.     A concupiscência alimenta a vaidade, e vaidade é coisa vã, fútil, frívola; é desejo de brilhar, aparecer, atrair atenções dos outros; presunção ridícula, vanglória, ostentação. Salomão, o mais sábio e o mais rico dos homens, disse: “Tudo quanto desejaram os meus olhos não lho neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma… E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, e também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito” (Ec. 2:10-11)“. Vanitas vanitatum, et omnia vanitas” (Vaidade das vaidades, tudo é vaidade. Ec. 1:2). E porque Salomão declarou isto? Porque foi derrubado pela concupiscência da carne e dos olhos. Salomão teve setecentas mulheres e trezentas concubinas (1 Rs. 11:1-3).

2.     A concupiscência desconhece o recato, pois recato é cautela, resguardo, honestidade; não se mostrar em público, não se exibir, mesmo estando vestido. Hoje, as mulheres se exibem sem roupa, pois excluíram o recato.

3.     A concupiscência, poder que governa os atos humanos, sufoca o pudor arrastando as mulheres a práticas libidinosas. Uma jovem despudorada se despe diante do namorado. É preciso lembrar que o conceito de pudor desapareceu há mais de quarenta anos. A sociedade moderna é amoral. No tempo dos apóstolos havia falta de pudor e dessas tais Paulo declarou: “Andam ociosas de casa em casa; e não só ociosas, mas também paroleiras e curiosas, falando o que não convêm” (1 Tm. 5:13).

4.     A concupiscência da carne destrói a castidade. Ora, castidade é a abstinência dos prazeres sensuais, pureza. Tem ouvidos castos aquele que não ouve conversas deletérias. Tem olhos castos aquele que não olha cenas indecentes e imorais. As orgias dionisíacas, celebradas no Egito e na Grécia onde imperavam o culto ao sexo, a lascívia e a dissolução de costumes que passaram para a Etrúria, e depois para Roma sob o título de bacanais, com banquetes escandalosos e libertinagem; tudo em honra a Baco, o deus do vinho. A corrupção foi tamanha em Roma que, com o advento do cristianismo, a castidade aliada a fé se tornou ponto fundamental para a vida cristã. Cresceu tanto, tanto, que foram-nos legados vários tratados sobre a virgindade. Na literatura ocidental escreveram Tertuliano, Cipriano, Ambrósia, Jerônimo, Agostinho, e Leandro. No oriente escreveram Metódio, Atanásio, Basílio, Gregório Niceno, João Crisóstomo. Todos eles concordavam num ponto. Quando se perdia a virgindade no corpo, há muito tempo havia perdido na mente e na alma. Já estava contaminada a vontade quando se entrega o corpo.

5.     A concupiscência carnal desenvolve a incontinência. Continência é o ato de se conter. A moderação é virtude, filha da continência. O continente não olha para mulher do próximo, nem para a sua filha. O continente está livre de contrair blenorragia, AIDS, e outras doenças venéreas. Todas as doenças venéreas são para os incontinentes e lascivos. A incontinência do rei Davi foi a causa da destruição da sua linhagem. Se Davi tivesse contido o impulso carnal, não teria cometido adultério com Bat-Seba, esposa de Urias, o Heteu. Também não teria tramado a morte de Urias para se livrar do adultério; e não teria despertado a ira vingativa de Jeová, que lançou tal maldição na sua casa, que Amnom, primogênito de Davi e herdeiro do trono, violentou sua irmã, Tamar, cometendo um incesto monstruoso. Absalão, irmão de Tamar conspirou contra Amnom, e assassinou-o. Por último, Joabe matou Absalão. E isso sem contar que o vingativo Jeová entregou dez concubinas de Davi a Absalão em público. Foi um desastre de conseqüências eternas. Os inocentes morreram pelos pecados do pai, pois essa era a justiça de Jeová (2 Sm. 11 e 12).

6.     A concupiscência é a essência do velho homem e tem como finalidade alimentar a prostituição, multiplicar a cobiça, alastrar a malícia e a intemperança, fomentar a licenciosidade e a pornografia, aceitar todas as aberrações—todas as coisas que a própria Palavra de Deus condena (1 Co. 6:10; Ef. 5:3-5; 1 Tm. 1:9-11).

7.     Em 1 Jo. 2:15-17, lemos que a concupiscência não é do Pai, nem é conforme a vontade do Pai. Todos que andam pela concupiscência não se salvam. Mas o homem foi formado com concupiscência, e Jeová afirma que foi ele que fez o homem (Is. 45:12; Jr. 27:5). E Jeová se declara Deus de toda a carne (Jr. 32:27). Ora, a vontade do Pai é criar em Cristo um novo homem sem concupiscência (Cl. 3:5-10; Ef. 4:22-24).  Seria incoerente que o mesmo Deus criasse os homens programados para fazer o mal, e os condenasse por isso, e por último mandasse o Filho para concertar o homem. Os milhões que viveram antes estão todos condenados, e depois de Cristo a porta do céu se abriu para os homens, tão concupiscentes como os que foram condenados.

Qualquer cego pode ver que Jeová interferiu na criação para desviar o propósito de Deus Pai. Então Jesus desceu para salvar e recriar o homem como o Pai queria no princípio, e provar que o Pai é amor. O espantoso é que Jeová, mandando pragas, pestes e maldições, promovendo guerras e mortandades, seja tido como bonzinho.

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(129) – A CONCUPISCÊNCIA 3

        Já vimos, por definição, que concupiscência é : “GRANDE DESEJO DE BENS OU GOZOS MATERIAIS. APETITE SENSUAL”. Sendo assim, a concupiscência é o inimigo mais poderoso do reino espiritual revelado por Jesus Cristo. Ora, a vida espiritual do cristão é regida, guiada, alimentada e fortalecida pelo Espírito Santo; e o apóstolo Paulo declara: “Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro para que não façais o que quereis” (Gl. 5:16-17). É uma guerra entre a carne e o Espírito Santo que vai definir a vida eterna ou a morte eterna. A carne, inflamada pela concupiscência, busca de forma irresistível à vontade humana os bens materiais e seus gozos, ou os gozos sensuais das paixões carnais. O poder da concupiscência é tão grande, que no Velho Testamento está escrito que é impossível a um homem não pecar. “Na verdade, que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque” (Ec. 7:20).

A grande verdade é que o pecado é filho da concupiscência. Cada um é tentado, quando atraído e enganado pela própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, da a luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg. 1:14-15). O Espírito Santo luta contra a carne para anular o poder da concupiscência, e assim libertar do pecado. A concupiscência, isto é, o desejo dos bens e gozos materiais, e o apetite sensual, é contra o Espírito Santo.

Em segundo lugar, as concupiscências carnais, são inimigas mortais da alma humana, pois diz o apóstolo Pedro: “Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma” (1 Pd. 2:11). As coisas que regem o comportamento humano neste mundo são: desejo de riqueza e conforto; desejo de viajar, ter casa na praia, ter bons carros; desejo de ter status, ser respeitado e ter o seu círculo de amigos; assistir a grandes espetáculos; e desejo de desfrutar os deleites sensuais com a mulher que ama e formar os filhos para viver bem neste mundo, dando-lhes cultura, cursos técnicos para direção de grandes empresas, etc. Na realidade, não se comportam como peregrinos e forasteiros neste mundo; muito pelo contrário, tanto os pais como os filhos são genuínos cidadãos deste mundo, e não seguem o conselho do apóstolo Pedro. Vejamos o parecer do apóstolo Paulo: “Os que têm mulheres sejam como se não as tivessem” (1 Co. 7:29). “Os que querem ser ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e na ruina” (1 Tm. 6:9). Vejamos o que diz São Tiago: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constituí-se inimigo de Deus” (Tg. 4:4). E o apóstolo João? Ele escreveu: “Não ameis o mundo nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 Jo. 2:15-17). Leiamos agora o Senhor dos senhores, Jesus Cristo. Jesus sugeriu a um mancebo riquíssimo, que guardava toda a lei de Jeová, esperando com isso entrar no reino de Deus: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu, e vem, e segue-me” (Mt. 19:21). A outro Jesus falou: “Aquele que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo” (Lc. 14:33).

Em terceiro lugar, a concupiscência é contra a verdade de Deus. Paulo, o apóstolo, que teve a revelação do mistério do Evangelho da graça (Tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada; como me foi este ministério manifestado pela revelação como acima vos escrevi” Ef. 3:2-3.), nos escreveu dizendo: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade voltando as fábulas” (2 Tm. 4:3-4).

Se a concupiscência tem o poder de produzir doutrinas contrárias à verdade de Deus, ela é contra a verdade, contra Deus e contra Cristo. Que fábulas serão as que Paulo se refere? Genealogias para provar que faziam parte da linhagem escolhida de Israel (1 Tm. 1:4). Alegorias do Velho Testamento, a que os velhos estavam apegados (1 Tm. 4:7). – Paulo revela que fábulas são coisas do judaísmo ligadas à lei (Tt. 1:14). Pedro, o príncipe da Igreja disse: “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas” (2 Pd.1:16). Alguém poderá argumentar que as fábulas foram as tradições apócrifas dos Judeus apóstatas. Vejamos algumas fábulas do Velho Testamento. A lei de Jeová e os sacrifício da lei foram ordenados para salvar os israelitas. Jeová falou pela boca de Moisés: “Os meus estatutos e os meus juízos guadrareis; os quais, fazendo-os o homem, viverá por eles” (Lv. 18:5). Ezequiel repete no capítulo 20:11, 13, 21.

O problema é que Paulo afirma que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, logo a lei e os sacrifícios eram fábulas artificialmente compostas (Rm. 3:20). Em Rm. 9:30-33, Paulo afirma que Israel buscava a lei da justiça, não chegou à lei da justiça, pois não foi pela fé, mas pela lei. O texto não fala de pessoas, mas da nação de Israel, ou reino de Israel, logo não se dirige a homens injustos ou justos. Falando de reino, Paulo fala de tudo o que Jeová ordenou.

Outra fábula, foi a circuncisão. Para Jeová, a circuncisão era tão importante quanto o sábado. A criança não circuncidada era sacrificada a Jeová. (Gn. 17:13-14). Para surpresa e espanto nosso, Paulo afirma que em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim a fé (Gl. 5:6; 6:15). Se é assim, a circuncisão só servia para alimentar a soberba religiosa, logo foi fábula. A circuncisão, até hoje, é feita com fins terapêuticos e higiênicos, mas sem valor espiritual nenhum, portanto, fábula, como o sábado, pois segundo Jesus, o Pai continua trabalhando, e nunca descansou, pois é Deus, mas Jeová cansou, e descansou para restaurar as forças (Ex. 31:17).  O espírito de Jeová também enfraquece (Is. 57:16). No livro dos juizes lemos que Jeová, o Senhor dos Exércitos, o todo poderoso El Shaddai, precisa de socorro, e os que não o socorrem são amaldiçoados por ele (Jz. 5:23).

O grande problema que os cristãos javistas não conseguem resolver é o seguinte: Se a concupiscência, isto é, os desejos e apetites carnais e sensuais são contra o reino de Deus, se são contra o Espírito Santo, por isso os combatem, e se são contra a verdade de Deus, porque o homem foi criado por Deus com concupiscência carnal? Antes de cair em pecado, lemos que o homem era de carne (Gn. 2:21-24). E toda carne tem concupiscência (2 Pd. 2:10; Gl. 5:24; Ef. 4:22-24; Cl. 3:5). Deus criou um inimigo? O homem foi criado para se opor a Deus, ao Espírito Santo, a Jesus Cristo e ao Evangelho? Pelo menos, Israel, o povo criado por Jeová, até hoje é contra. Cristo veio provar que houve interferência do mal na criação. Por isso faz uma nova criação (2 Co. 5:17).

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(128) – CONCUPISCÊNCIA 2

Que é que exerce mais força nos atos dos homens? A mente pelo conhecimento do certo e do errado, ou a concupiscência pelo desejo? O apóstolo Paulo, numa frase, deixa claro que a concupiscência tem mais poder nos atos dos homens do que a mente, a razão e a vontade. “Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço” (Rm. 7:15). “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem, porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm. 7:18-19). Paulo era um israelita instruído pelo sábio Gamaliel, um grande pensador, profundo conhecedor das Escrituras (At. 22:3; Fl. 3:5-6). Pois se o maior dos apóstolos, que  sabia escolher entre o bem e o mal, discernia entre o certo e o errado, e separava tão bem as obras da carne dos frutos do Espírito, confessa que a concupiscência da carne tinha tanta força no seu comportamento  que, querendo praticar o bem, não conseguia, e não querendo praticar o mal, era arrastado contra a vontade ao mal, fica de forma insofismável provado que a concupiscência é mais forte que a mente e a vontade. O poder da concupiscência é tão grande, que Paulo, condenando o mal, o praticava. Pode alguém praticar atos vergonhosos contra sua própria vontade? É o que Paulo afirma em Romanos 7.  Paulo esclarece que isto acontecia com ele porque era carnal e vendido sob pecado (Rm. 7:14). A concupiscência é o fruto da carne, e todo carnal está vendido sob o pecado.

A concupiscência independe, portanto, da mente ou da vontade, pois a carne tem vida própria. É por isso que todo homem tem duas vidas, a interior e a exterior, ou, homem interior e homem exterior (Rm. 7:22-23). O interior é o homem espiritual, guiado pela razão, pelo intelecto, pelo entendimento. O exterior é o homem animal, carnal, guiado pelos sentidos e pelo instinto. Pois esse homem exterior de Paulo, tinha supremacia sobre o espiritual e interior, e por isso praticava o mal apesar de desaprová-lo (Rm. 7:24-25). Paulo fez esta confissão terrível, e afirma que com o entendimento servia a lei de Deus, mas com a carne a lei do pecado.

Pobres cristãos, mendigos espirituais, escravos das paixões da carne, e da concupiscência, que apesar de instruídos, apesar de serem batizados com Espírito Santo, apesar de terem sepultado o velho homem no batismo, praticam o mal pelo poder da concupiscência satânica.

Analisemos nossos primeiros pais, Adão e Eva. Em Gn. 2:25 lemos que ambos estavam nus e não se envergonhavam. Que nudez era essa? — Não conheciam nem o bem e nem o mal, e sem a malícia; estavam desprovidos de conhecimento e discernimento. Eram como crianças inocentes. Mas não estavam inteiramente desprovidos. Jeová soprou neles o espírito da concupiscência. Em Gn. 2:7 o sopro de Jeová deus era fedido. A palavra hebraica naquele sopro é fedido. No texto está assim: E SOPROU EM SEUS NARIZES O FÔLEGO DA VIDA. A palavra sopro usada é IPAH — Sopro fedido. Fedido porque foi o sopro da concupiscência, Adão e Eva foram vestidos com a carne (Jó 10:8-11; Gn. 2:21-24). Foi soprada a concupiscência carnal, e eles não conheciam nem o bem e nem o mal, pois eram como crianças. Que chance teriam eles para não cair em pecado? Nenhuma. Adão foi criado para cair. A morte que herdamos de Adão foi planejada e premeditada por Jeová.

É fácil corromper uma criança, pois tem concupiscência, mas não tem entendimento e não discerne entre o bem e o mal, nem o certo do errado. As crianças são guiadas nos seus atos pelo desejo e pela concupiscência, pois não tendo maturidade para rejeitar o mal e escolher o bem, devem ser guiadas e ensinadas pelos pais ou tutores no caminho da retidão, e preservadas do mal até a idade da razão. Adão e Eva eram como crianças, por isso estavam nus, mas carregados de concupiscência, foram entregues nas mãos da serpente (Satanás). Podemos chamar isso de plano diabólico para destruir o homem. Os pobres incautos caíram, foram responsabilizados pela desobediência, expulsos da presença de Jeová, e do Jardim do Éden; proibidos de tocar na árvore da vida; condenados a cultivar uma terra maldita com dor e aflição, e condenados à morte com toda a sua descendência. O caso de Adão e Eva pode ser comparado a de um pai destituído de amor, que larga duas crianças inocentes nas mãos de um facínora corruptor, proíbe comer um fruto apetitoso sem instruí-los e preservá-los do mal até que fossem adultos e maduros. As crianças desobedecem movidas pelo desejo e são condenadas à morte pelo próprio pai, debaixo de maldições e castigos.

O Jardim do Édem era particular de Jeová e por isso, fechado (Gn. 2:8). Jeová gostava de passear no seu jardim (Gn. 3:8). Jeová colocou Adão no seu jardim para o lavrar e guardar (Gn. 2:15). Como poderia Adão guardar o jardim se não discernia entre o bem e o mal? (Gn. 2.:15). Adão era o guarda do jardim, e Jeová era o guarda de Adão como está escrito em Jó 7:20-21.

Jeová permitiu que Satanás, na forma de serpente, despertasse a concupiscência de Eva para comer do fruto proibido, sugerindo que aquele fruto os tornaria mais maduros, a ponto de se tornarem semelhantes a Jeová. Os dois eram cegos, e iludidos pelo destruidor, comeram e caíram em desgraça total. Satã disse: “Jeová sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Jeová sabendo o bem e o mal” (Gn. 3:5).

A pergunta que fazemos é a seguinte: Se o jardim era particular de Jeová, e era fechado para o mal, por que Jeová permitiu que Satanás entrasse e contaminasse o homem? A resposta é: Porque era plano de Jeová e não da serpente, pois Isaías disse: “Ainda antes que houvesse dia eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?” (Is. 43:13). “Porque Jeová deus dos exércitos o determinou; quem pois o invalidará? e a sua mão estendida está, quem pois a fará voltar atrás?” (Is. 14:27). Após o pecado de Adão e Eva, Jeová castigou a serpente, mas não a impediu de entrar na sua casa, isto é no jardim? (Gn. 3:14).

Porque era exatamente o que Jeová queria. Era este o seu plano, e permanece até hoje. De uma coisa todos podemos ter certeza. “A concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, e a soberba da vida, não é do pai” (1 Jo. 2:16).  Se não vêm do Pai, e Adão e Eva tinham esse três defeitos, não foi o Pai quem os fez assim, mas Jeová: “Vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, (concupiscência da carne), e agradável aos olhos (concupiscência dos olhos), e árvore desejável para dar entendimento(soberba da vida), tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gn. 3:6).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(127) – O MESSIAS 4

 

O Messias profetizado  seria um rei dominador, que viria restaurar o reino de Israel e submeter todas as nações da Terra pela força. O Salmo dois revela que os povos deste mundo com seus príncipes são contra Jeová e o seu ungido. Jeová, enfurecido, unge o Messias como rei sobre o monte Sião. Então Jeová diz: tu és meu filho, eu hoje te  gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçaras como a um vaso de oleiro” (Sl. 2:7-9). As profecias indicam um Messias tirano e sanguinário. “De repente virá ao seu templo o Senhor, a quem buscais, o anjo do concerto, a quem vós esperais. Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros” (Ml. 3:1-2). Os povos das nações da terra seriam escravos de Israel: “Os filhos dos estrangeiros edificarão os teus muros, e os seus reis te servirão”(Is. 60:10)“Haverá estrangeiros que apascentarão os vossos rebanhos; e estranhos serão os vossos lavradores e os vossos vinheiros” (Is. 61:5). João Batista viu a Jesus e testificou dizendo: “Eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, vim eu por isso, batizando com água. E João testificou dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba, e repousar sobre ele”  (Jo. 1:31-32). “E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se, e lança-se ao fogo” (Lc. 3:9).

Pelas mãos de João Batista foi introduzido Jesus Cristo o ungido de Jeová, o Messias esperado, que deveria se assentar no trono de Davi (Lc. 1:32). Jesus deveria pedir a Jeová as nações por herança e possessão, para esmigalhá-las com a vara de ferro, de acordo com o Sl. 2:8-9. E quem foi o portador desta grande oferta? FOI SATANÁS, que mostrou-lhe numa visão todos os reinos do mundo, e a sua glória, dizendo: Tudo será teu se prostrado me adorares”(Lc. 4:5-7). Jesus não aceitou, e a profecia de Jeová falhou. Satanás foi o emissário de Jeová, e afirmou que tudo lhe fora dado por Jeová, o legítimo dono (Sl. 24:1). Quando Jesus estava diante de Pilatos, três anos depois, este lhe perguntou: “És tu o rei dos judeus? Jesus respondeu: O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO” (Jo. 18:33-36). Com esta resposta, Jesus deixou claro que não era o Messias de Jeová, pois o Messias de Jeová seria rei de Israel e rei deste mundo com as características de Jeová, isto é, guerreiro, dominador, vingativo e destruidor, exaltando Israel sobre todos os outros reinos.

Como Jesus pregou o reino dos céus, e não o reino de Israel (Mt. 4:17; 10:7) e esta mensagem é totalmente estranha às profecias de Jeová, e também porque Jesus viveu em humildade (Mt. 11:29), viveu como servo de todos (Mc. 10:44-45) e em pobreza extrema (Mt. 8:20; Lc. 9:51-53), foi rejeitado e morto como impostor, Pedro afirmou isso “SAIBA POIS COM CERTEZA TODA A CASA DE ISRAEL QUE A ESTE JESUS, A QUEM VÓS CRUCIFICASTES, DEUS O FEZ SENHOR E CRISTO”  (At. 2:36). Como fica? Jesus é o Ungido de Deus Pai, e foi rejeitado e crucificado como impostor? Qual a explicação? Os judeus esperavam o Messias na carne. O Cristo nascido em carne não foi declarado Messias pelo Pai. Somente após sua crucificação, Deus, o Pai, o ressuscitou, e Jesus foi feito Messias. Enquanto estava na carne não era o Messias do Pai. “Sendo pois Davi profeta, e sabendo que deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, SEGUNDO A CARNE, LEVANTARIA O CRISTO (MESSIAS), para o assentar no seu trono (At. 2:30). Este foi o testemunho de Pedro. Agora o de Paulo: Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, DECLARADO FILHO DE DEUS EM PODER, SEGUNDO O ESPÍRITO DE SANTIFICAÇÃO, PELA RESSURREIÇÃO DOS MORTOS – JESUS CRISTO NOSSO SENHOR” (Rm. 1:3-4). Jesus não foi declarado Filho de Deus enquanto vivia na carne, mas só depois da ressurreição. Isto é, só foi declarado Filho de Deus Pai, após renunciar a carne do trono de Davi, após ter crucificada a carne; após renunciar todas as promessas referentes ao Messias da carne.

Os sacerdotes e os religiosos, escribas e fariseus negaram que Cristo fosse o Messias e incitaram o povo a pedir a sua morte na cruz (Mt. 26:59; 27:20-22). Os sacerdotes e os príncipes, e o povo, rejeitaram a Jesus Cristo, e o mataram pelas mãos dos soldados romanos (At. 2:36; 5:30-31).

E Jesus disse aos apóstolos: “QUEM VOS OUVE A VÓS, A MIM ME OUVE; E, QUEM VOS REJEITA A VÓS, A MIM ME REJEITA; E, QUEM A MIM ME REJEITA, REJEITA AQUELE QUE ME ENVIOU”  (Lc. 10:16). Os sacerdotes e príncipes, os fariseus e saduceus, e a massa do povo cego rejeitaram a Cristo e o mataram, e assim foram todos condenados ao inferno. Ficaram sem Jesus, sem o Pai, e sem a vida eterna por defenderem o Messias de carne, prometido por Jeová. Em outras palavras, ficaram com Jeová e sem Jesus e o Pai (At. 4:11; 13:46).

Os apóstolos testificaram posteriormente que Jesus é o Messias e não há outro. Pedro disse: “Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina, e em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At. 4:11-12).

Se Jesus é o Messias, e não há outro, e Jesus não assumiu as características do Messias guerreiro anunciado por Jeová, só podemos concluir que Jeová pintou uma imagem oposta ao Espírito de Jesus Cristo, para que fosse rejeitado e morto. Mas o Pai o ressuscitou dentre os mortos e o plano destruidor fracassou.

Todos os que estão  amarrados ao Velho Testamento (que foi abolido por Jesus Cristo em 2 Co. 3:4, pregam que Jesus vai voltar e assumir o reino de Israel, vai dominar as nações com vara de ferro, mas na carta aos hebreus temos a luz sobre o assunto: “JESUS CRISTO É MESMO ONTEM, HOJE, E ETERNAMENTE” (Hb. 13:8). Jesus Cristo é o que revelou nas suas obras durante sua passagem neste mundo. “As obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou” (Jo. 5:36). “Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai” (Jo. 10:32). “Eu sou a luz do mundo”  (Jo. 8:12). Jesus não condenou e matou, não oprimiu, não ordenou pragas e pestes, só amou e nunca odiou ninguém. Se Jesus, ao voltar assumir aquele Messias despótico, não é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Na 2 Carta aos Tessalonicenses 1:7-8, lemos que Jesus vai voltar como labareda de fogo, tomando vingança. No original grego, a palavra é EKDIKHSIS, cuja tradução é punir e não tomar vingança. Foi colocada a palavra vingança para vincular Jesus a Jeová, o vingativo, e separá-lo do Pai que é só amor e misericórdia, mas Cristo não vai mudar (2 Co. 1: 3-4; 1 Jo. 4:7-8).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(126) – MOISÉS E O MESSIAS 3

        O batismo de Moisés foi figura. “E todas foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar” (1 Co. 10:2).E no verso seis lemos: “Estas coisas foram-nos feitas em figuras” (1 Co. 10:6). Podemos concluir que o próprio Moisés foi uma grande figura. Moisés predisse que Jeová deus iria levantar um profeta superior a ele. “Jeová teu deus te despertará um profeta no meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis” (Dt. 18:15; Jo. 1:41-45).

Sendo Moisés figura, pelo que ele fez a mandado de Jeová, podemos traçar o perfil exato do Messias de Israel.

1.     Moisés foi o grande libertador de Israel da escravidão. “Eis que o clamor dos filhos de Israel chegou a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem. Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo (os filhos de Israel) do Egito” (Ex. 3:9-10). O Messias prometido viria para restaurar Israel e submeter as nações. “Eis que eu envio o meu anjo, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o anjo do concerto, a quem vós desejais; eis que vem, diz Jeová dos exércitos. MAS QUEM SUPORTARÁ O DIA DA SUA VINDA? E QUEM SUBSISTIRÁ, QUANDO ELE APARECER? PORQUE ELE SERÁ COMO O FOGO DO OURIVES E COMO O SABÃO DOS LAVANDEIROS, E ASSENTAR-SE-Á, AFINANDO E PURIFICANDO A PRATA; E PURIFICARÁ OS FILHOS DE LEVI” (Ml. 3:1-3). Este texto de Malaquias é dirigido aos judeus e não a Igreja. O profeta Ageu concorda com Malaquias. “Porque assim diz Jeová dos exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, e farei tremer os céus, e a terra, e o mar, e a terra seca: E FAREI TREMER AS NAÇÕES, E VIRÁ O DESEJADO DE TODAS AS NAÇÕES, E ENCHEREI ESTA CASA DE GLÓRIA, DIZ JEOVÁ DOS EXÉRCITOS” (Ag. 2:6-7). A restauração de Israel implica no rebaixamento dos povos. “Porque te restaurarei a saúde, e te sararei as tuas chagas, diz Jeová; pois te chamam a enjeitada, dizendo: É SIÃO. Assim diz Jeová: Eis que acabarei o cativeiro das tendas de Jacó, e apiedar-me-ei das suas moradas; e a cidade será reedificada sobre seu montão, e o palácio permanecerá como antes. E sairá deles o louvor e a voz de Júbilo; e multiplicá-los-ei, e não serão diminuídos, e glorificá-los-ei, e seus filhos serão como na antiguidade, e a sua congregação será confirmada perante o meu rosto; E PUNIREI TODOS OS SEUS OPRESSORES” (Jr. 30:17-20).  No verso 16 Jeremias diz: “TODOS OS QUE TE DEVORAM SERÃO DEVORADOS, E TODOS OS TEUS ADVERSÁRIOS IRÃO, TODOS ELES, PARA O CATIVEIRO; E OS QUE TE ROUBAM SERÃO ROUBADOS, E TODOS OS QUE TE DESPOJAM ENTREGAREI AO SAQUE” (Jr. 30:16).

2.     O anjo Gabriel anunciou a Maria o nascimento de Jesus, como aquele que se assentaria no trono de Davi, para restaurar Israel, e submeter os povos de acordo com as profecias de Jeová (Lc. 1:31-33). No capítulo dois, Lucas afirma que Jesus é o Messias dizendo aos pastores: “Na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que e Cristo, o Senhor” (Lc. 2:11). Jesus, entretanto, não aceitou o trono de Davi, afirmando que o seu reino não é deste mundo (Jo.18:36). Em lugar de submeter os povos sob o tacão de Israel, Jesus ordenou aos discípulos, dizendo: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt. 28:18-20). Moisés foi figura de um messias carnal e terreno, que libertaria Israel de um jugo político, para torna-la a nação mais poderosa deste mundo. Jesus foi e é o Messias espiritual e celestial, que liberta todos os homens de um jugo satânico e tenebroso, para torna-los cidadãos do reino de Deus Pai no céu, e não na terra, por isso pregou, dizendo: “É CHEGADO O REINO DOS CÉUS” (Mt. 4:17).

3.     Jesus é o Messias, o único Messias, mas não o messias tribal e exclusivo de Israel, anunciado por Jeová, mas o Salvador de todos os homens condenados pelo mesmo Jeová a extinção; não o deus particular de um povo mau e pecador, mas um Deus cheio de amor para com todos e Salvador de todos (Rm. 3:29; Jo. 3:16-17; 2 Tm. 4:18; 1 Pd. 1:3-5). Jesus não disse que Jeová não é o Pai; simplesmente não revelou na sua vida e nas suas obras, o messias que Jeová preconizou, e afirmou categoricamente: “As obras que eu faço em nome de meu Pai, essas testificam de mim” (Jo. 10:25). E em outra ocasião: “Quem me vê a mim, vê o Pai” (Jo. 14:9). “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo. 6:38). Jesus, com a sua vida, seu caráter, e suas obras, aniquilou com as profecias de Jeová sobre um Messias guerreiro, rei das nações e protetor de Israel, e foi por isso crucificado pelo seu povo. Os judeus creram no messias do Velho Testamento, de Jeová, que não veio, e não virá. A Igreja crê que Jesus acumula duas funções, isto é, é o Salvador de todos os homens, revelando o amor do Pai na dispensação da graça, mais vai voltar diferente, para restaurar Israel, e reinar sobre as nações com vara de ferro (Sl. 2:8-9; Ap. 2:26-27). Se Jesus, ao nascer em carne, se manifestou manso e humilde, e servo de todos, (Mt. 11:29; Mc. 10:44-45) e ao voltar, revelar outra face do seu caráter, então Jesus muda como Jeová mudava, mas na carta aos hebreus lemos: “JESUS CRISTO É O MESMO ONTEM, E HOJE, E ETERNAMENTE” (Hb. 13:8).

4.     O segundo ponto que identifica Moisés com o messias de Jeová é a vara. Quando Jeová chamou Moisés para a grande obra da libertação de Israel, este temeu ser rejeitado pelo povo. Então Jeová lhe disse: “Que é isso na tua mão? E ele disse: É uma vara” (Ex. 4:2). Pois aquela vara não era uma vara comum, e sim  a vara de Jeová, com a qual Moisés ia destruir os egípcios, um povo que o Pai ama e quer salvar (1 Tm. 2:3-4). “Tomou pois Moisés, sua mulher, e seus filhos, e os levou sobre um jumento, e tornou à terra do Egito; E MOISÉS TOMOU A VARA DE JEOVÁ NA SUA MÃO” (Ex. 4:20). “Pelo que, disse Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, e peleja contra Amaleque; amanhã eu estarei sobre o cume do outeiro, E A VARA DE JEOVÁ ESTARÁ NA MINHA MÃO” (Ex. 17:9).

5.     Moisés tirou o povo de Israel do cativeiro egípcio com vara de ferro, pois os exércitos e o poder de Faraó sucumbiram diante do poder da vara de Jeová, que é figura da vara do Messias esperado, que iria com ela reger as nações. “Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro” (Sl. 2:8-9). Felizmente, os planos do verdadeiro Deus e Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo são outros, isto é, arrancar os que creem deste mundo cão e tenebroso, e pior que o inferno, pois vivendo aqui os homens pensam que estão no céu, até que a morte chegue por um enfarte, por um câncer, pela AIDS, por um crime, ou pela senilidade, etc. Mas Jesus, em obediência ao Pai, liberta os cativos do poder satânico, dos vícios, do mal, da morte, curando as doenças do corpo e da alma, enchendo-os de amor e paz, fazendo-os seus discípulos, e dando-lhes um ideal para a vida, recheado de dons e virtudes, para que os homens desfrutem no presente as glórias da ressurreição futura.

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(125) – O MESSIAS 2

A vara de ferro mencionada no Sl. 2:8-9 simboliza o governo violento do Messias sobre os povos deste mundo. O Salmo começa assim: “Porque se amotinam as gentes, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos se mancomunam contra Jeová e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas” (Sl. 2:1-3). A reação de Jeová não revela o amor do Pai para com os pecadores, mas uma ira contrária a graça salvadora, como lemos no Novo Testamento: “A graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt. 2:11). Como dissemos, a reação de Jeová é humana e vingativa, por isso vociferou: “Aquele que habita nos céus se rirá, Jeová zombará deles. Então lhes falará na sua ira, e no seu furor os consumirá” (Sl. 2:4-5). O Deus Pai de Jesus não caçoa, nem zomba dos pobres terráqueos, nem lança confusão por estar cheio do furor de Jeová, o deus antropomórfico; a reação do Pai diante da vaidade, do orgulho, e da cegueira dos reis deste mundo é definida pelo apóstolo Paulo com as seguintes palavras: “Onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm. 5:20). Seria ridículo Deus descer do céu para medir forças com paranóicos, esquizofrênicos, loucos e cegos, coisas próprias de Jeová, por isso ele se intitula JEOVÁ DOS EXÉRCITOS (Is. 8:13; 9:19). Cheio de furor Jeová promete o Messias. “Recitarei o decreto: Jeová me disse: tu és meu filho, eu hoje te gerei. Pede-me e eu te darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro” (Sl. 2:7-9). O Salmo dois deixa bem claro que o Messias é o fruto do furor de Jeová para esmigalhar as nações. Jesus Cristo é o fruto do amor de Deus Pai. Como Deus não muda, e a vida e o ministério de Jesus foram opostos às predições de Jeová, pois Jesus foi crucificado para salvar aqueles que Jeová queria despedaçar no seu furor, qualquer um pode concluir que Jeová lançava confusão nas profecias, pois um profeta predizia pelo Espírito de Cristo, que o Messias seria humilde, manso e sofredor, como lemos em Isaías 53, e outro predizia pelo espírito de Jeová um Messias tirano e destruidor, como Ml. 3:1-3; Ag. 2:6-7; Jr. 30:16-20. Entretanto, o Messias manso, humilde, pobre e sofredor, foi predito pelo Espírito de Cristo e não pelo espírito de Jeová. “Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas, da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, indagando que tempo ou que ocasião de tempo, o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava,  anteriormente, testificando os sofrimentos que a Cristo (Messias) haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir” (1 Pd. 1:9-11).

Moisés, pertencendo a Jesus, como lemos em Hb. 11:23-27, foi usado por Jeová como figura do Messias tirano, por isso declarou que as obras de  Jeová não procediam do seu coração, e se defrontou com Jeová diversas vezes obrigando-o a mudar o plano assassino e destruidor (Nm. 16:28; 14:11-20; Ex. 32:9-14). É absurdo que o Deus que se declarou criador do universo, dos animais e dos homens, da natureza tão bela e do perfume das flores, seja chamado a atenção por um homem e se arrependa de um gesto impensado. Pois aconteceu com Jeová diversas vezes. E fique bem claro que Moisés foi obrigado a ser o líder de Israel, e o fez a contragosto (Nm. 11:11-15). Moisés foi, nas obras de Jeová, figura do Messias que não veio.

1.   Moisés foi o libertador só de Israel num plano político e material; Jesus é o libertador e salvador de todos os homens, num plano celestial e eterno.

2.   Moisés realiza o plano de Jeová por meio de pestes e pragas (Ex. 7 a 14). Jesus realiza o plano do Pai por meio do amor (Jo. 15:13; 3:16).

3.   Moisés deu uma lei que mata (Ez. 18:4) “A alma que pecar morrerá”. Cristo deu uma lei que salva: “Um novo mandamento vos dou, que vos ameis uns aos outros como eu vos amei a vós” (Jo. 13:34). Pois aquele que ama o próximo cumpriu a lei (Rm. 13:8-10).

4.   A lei de Moisés responsabiliza o homem pelo pecado (Ez. 18:20). Cristo assume os pecados dos homens anulando o poder da lei (1 Pd. 2:24).

5.   Moisés guiou o povo no deserto por 40 anos até que morreram (Nm. 14:26-38). Jesus dá a vida eterna a suas ovelhas, e nenhuma se perde (Jo. 10:27-30).

6.  Moisés ordenou as maldições monstruosas da lei (Dt. 28:15-68). Jesus resgatou das maldições (Gl.3:13).

7.   A vontade de Jeová era destruir seu povo pelas mãos de Moisés (Ex. 32:10;  Ex. 22 24; Dt. 9:13-14; Nm. 14:12; 16:49). A vontade do Pai é salvar todos os povos pelas mãos de Jesus (Jo. 6:38-40).

8.   Moisés ordenou que guardassem o sábado de Jeová sob pena de morte (Nm. 15:32-36). Cristo não guardava o sábado, antes o violava (Jo. 5:16-18; 9:16).

9.   Moisés ordenou a circuncisão de Jeová (At. 15:1; Js. 5:1-9). Jesus anulou a lei da circuncisão de Jeová (Gl. 5:6; 6:15).

10.  Moisés estabeleceu o divórcio por qualquer motivo (Dt. 24:1-4). Pois até o próprio Jeová se divorciou do seu povo que salvara (Is. 50:1; Jr. 3:8). Jesus Cristo não aceita divórcio (Mt. 19:9).

11.  Moisés admitia a poligamia por orientação de Jeová (Dt. 21:15). Jesus acabou com a poligamia (1 Co. 7:2-4; 1 Tm. 3:2-12; Tt. 1:6).

12.  Moisés libertou o povo de Jeová pela violência, isto é, com a vara de ferro de Jeová (Ex. 4:20; 17:9; Nm. 20:7-9). Jesus Cristo liberta a todos sem violência, mas pelo amor (Rm. 5:8-10).

13.  No batismo de Moisés, os israelitas, que não foram imergidos nas águas viveram, e os egípcios que foram imergidos, morreram (Ex.  14:21-22). No batismo de Cristo, os pecadores, quando são imergidos, passam da morte para a vida, e os israelitas que se negam a imergir por não aceitarem Cristo, morrem.

14.  Vemos que Moisés foi figura, mas não de Jesus Cristo. Ele foi figura de um Messias que não existe, pois não existiu no coração do Pai.

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(124) – PRÍNCIPE DESTE MUNDO

O que é um príncipe? É aquele que pertence a uma família de soberanos. É título de nobreza em algum estado. Príncipe é o filho do rei e herdeiro do trono e do reino. Jesus declara que antes dele encarnar já havia o príncipe deste mundo. “Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim” (Jo. 14:30). Jesus não disse um príncipe, mas o príncipeSe tivesse dito, um príncipe deste mundo, deixaria margem para se concluir que havia diversos príncipes; mas ao dizer o príncipe, deixava claro que este mundo só tem um herdeiro. Ora, Jesus, antes de ser crucificado não era príncipe, pois Deus, o Pai, só o fez príncipe após a ressurreição. “O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro, Deus com a sua destra o elevou a príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados” (At. 5:30-31). Em Jó 14:30, Jesus revelou que o príncipe herdeiro deste mundo nada tem a ver com Ele, nem com o Pai, e nem com o plano salvador de Jesus. O Senhor disse: “Nada tem em mim”  isto é, o príncipe deste mundo é completamente estranho a Jesus e ao Pai, mas como herdeiro deste mundo é o herdeiro de Jeová, pois Davi, o amado de Jeová, declarou: “DE JEOVÁ É A TERRA E A SUA PLENITUDE, O MUNDO E OS QUE NELE HABITAM” (Sl. 24:1). Moisés também declara o mesmo: “Eis que os céus e os céus dos céus são de Jeová teu deus, a terra e tudo o que nela há” (Dt. 10:14). O próprio Jeová se declara dono deste mundo no Sl. 50:12 – Jeová é também o rei deste mundo. “PORQUE JEOVÁ ALTÍSSIMO É TREMENDO E REI GRANDE SOBRE TODA A TERRA” (Sl. 47:2). Como no Sl. 82:8 está escrito que todas as nações deste mundo lhe pertencem, lemos também no Sl. 47:8 que Jeová reina sobre todas as nações. Sendo assim, Jeová reinava sobre as nações que destruiu no dilúvio. Reinava também em Sodoma e Gomorra, Adina e Zeboim (Dt. 29:23). Reinava sobre as sete nações que Israel recebeu ordem de Jeová para destruir totalmente (Js. 11:20). Agora dá para entender porque Jeová chamava Nabucodonozor de “MEU SERVO” (Jr. 25:9; 43:10). Jeová reinava com Faraó sobre o Egito, e é claro que reinava junto com Osiris, deus dos mortos, com o boi Apis, reinava com Bel e Milita, deuses babilônicos, e reinou no Monte Olimpo dos gregos, juntamente com Júpiter, ou Zeus, que roubou o reino de seu pai Saturno. Damos mais alguns textos provando que Jeová reina sobre este mundo (Sl. 22:28; 99:1; 96:10; Jr. 10:7; 1 Cr. 16:30-31, etc).

O príncipe deste mundo é o herdeiro dos reinos deste mundo, e toda a glória deles, que o diabo mostrou a Jesus (Lc. 4:5-8). Mas Jesus disse a Pilatos: “Meu reino não é deste mundo”, logo Jesus não é o herdeiro de Jeová (Jo. 18:36). O príncipe deste mundo é o príncipe de Jeová, que existia antes de Jesus ser constituído príncipe pelo Pai. Satanás se apresentou a Jesus como o soberano deste mundo, e declarou que recebeu todos os reinos, e que podia dar a quem quisesse. Jeová foi quem entregou tudo a Satanás como herdeiro legítimo. Ninguém tinha autoridade para dar o mundo de Jeová ao diabo. Jesus disse aos discípulos: “Não são do mundo, como eu não sou do mundo”  (Jo. 17:14). O que surpreende é Jeová ser o dono deste mundo e reinar sobre ele, e Jesus afirmar que não é deste mundo, e também o seu reino não é deste mundo.

Jesus também disse: “Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça em trevas” (Jo. 12:46). Os que criam em Jeová estavam em trevas, e os que crêem em Jesus saem das trevas. Israel, o reino particular de Jeová, vivia em trevas até o surgimento de Jesus (Is. 9:2; Mt. 4:12-17). Paulo revela qual a obra de Jesus Cristo: “Abrir os olhos dos cegos, das trevas os converter a luz, e do poder de Satanás a Deus” (At. 26:18). Foi Jeová que cegou o povo (Is. 6:10); foi Jeová que lhes fechou os olhos e os ouvidos; e endureceu o coração; e Jesus liberta do diabo? É estranho !! Jeová afirma que os israelitas são seus filhos, e Jesus fala que os fariseus tinham por pai o diabo? (Jo. 8:44; Dt. 14:1-2; 32:19-20; Is. 1:2; 30:9, etc). Se os judeus adoravam a Jeová, e o serviam, Jesus jamais poderia chamá-los de filhos do diabo, pois hoje, os cristãos são carnais, mundanos, correm atrás de dinheiro e da política, uma grande parte é adúltera, outra é fornicária; existe Igreja gay e ninguém os chama de filhos do diabo. Os fariseus eram zeladores da lei, e Paulo era um deles (Fl. 3:5). Quando Jesus os chama de filhos do diabo, não era por causa dos seus atos, mas porque não conheciam o Pai, e sim Jeová. Jesus lhes disse: “Não me conheceis a mim nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim também conheceríeis a meu Pai” (Jo. 8:19; 8:54-55; 15:21).

Jeová falou: “Assim diz o Senhor Jeová: No dia em que escolhi Israel, levantei a minha mão para a descendência da casa de Jacó, e me dei a conhecer a eles na terra do Egito” (Ez. 20:5). Se Jeová afirma que era conhecido, não temos o direito de afirmar que Jeová se deu a conhecer, mas o povo era cego e não conheceu, por isso Jesus disse que não conheciam o Pai (Jo. 8: 19).

Para terminar, anjo caído não é príncipe, e se foi, agora é demônio. Quando lemos que há um príncipe herdeiro de Jeová, devemos crer; mas esse príncipe é o príncipe das potestades do ar, cujo espírito opera nos filhos da desobediência (Ef. 2:2).

Os fariseus acusaram Jesus de expulsar demônios por Belzebu, príncipe dos demônios (Mt. 12:24). Na sua resposta, Jesus declarou que o tal príncipe não era Belzebu, mas Satanás (Mt. 12:25-26). Com esta resposta Jesus revela que Satanás é o príncipe deste mundo.

Jesus foi feito príncipe pelo Pai, mas não deste mundo. Jesus não aceita herdar o inferno. Ele é herdeiro do reino dos céus, e nós, os cristãos, herdaremos com ele ao sermos arrebatados deste abismo (1 Ts. 4:16-17).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(123) – A CONCUPISCÊNCIA 1

 

         Que é concupiscência? No dicionário lemos que concupiscência é GRANDE DESEJO DE BENS OU GOZOS MATERIAIS, APETITE SENSUAL. Vamos ver o que a Bíblia fala sobre a concupiscência.

1.     A concupiscência é um vício próprio da carne e se opõe à obra do Espírito Santo na vida do cristão. O apóstolo Paulo nos exorta dizendo: “Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne, porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro para que não façais o que quereis” (Gl. 5:16-17).

2.     A fonte da corrupção deste mundo é a concupiscência. Ouçamos Pedro: “Jesus nos deu grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiquemos participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” (2 Pd. 1:4).

3.     A concupiscência é coisa vil, e não poderia ser colocada no homem por Deus. “Mortificai pois os vossos membros, que estão sobre a Terra; a prostituição, a impureza, o apetite desordenado, A VIL CONCUPISCÊNCIA, e a avareza, que é idolatria” (Cl. 3:5).

4.     A concupiscência é escarnecedora do próprio Deus. “Nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda?” (2 Pd. 3:3-4). Os apóstolos predisseram que no último tempo haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências. “Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito” (Jd. 17-19).

5.     A concupiscência é um cativeiro carnal e satânico, e não há no homem condições para se livrar dela. Só Jesus Cristo pode livrar o homem desse poder corruptor. Paulo declarou: “Porque também nós éramos noutro tempo insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros” (Tt. 3:3). “Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências” (2 Tm. 3:6).

6.     A concupiscência faz o pecado reinar sobre nós. “Assim também vós, considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. Não reine portanto o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obecedecerdes em suas concupiscências, nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade” (Rm. 6:11-13).

7.     A concupiscência é assassina da alma, Pedro é quem afirma essa verdade: “Amados, peço-vos como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma” (1 Pd. 2:11). Quando o povo de Israel murmurou contra Jeová pela falta de comida, durante a peregrinação no deserto, o seu deus mandou o maná, e também codornizes. O povo saciou a sua fome, mas diz o texto sagrado que, estando a carne entre os seus dentes, antes que fosse mastigada, se acendeu a ira de Jeová, e os feriu com uma praga mui grande. E o nome daquele lugar se chamou Quibrote-Hataavá, que traduzido é: SEPULCRO DA CONCUPISCÊNCIA (Nm. 11:1-7, 31-35)“Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois havendo a concupiscência concebido, dá a luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg. 1:14-15). A concupiscência faz das pessoas sepulcros ambulantes, pois quem a tem está condenado a morte. Se Deus é amor; se Deus é justo; se Deus não quer a morte do homem, não poderia tê-lo criado com a concupiscência assassina. Esta procede de Jeová, que em rebelião alterou a ordem de Deus Pai, e formou o Adão da rebelião, portanto conforme a sua imagem. O último Adão, Jesus Cristo, cria o novo homem, sem concupiscência e à sua imagem santa (Ef. 4:22-24; Cl. 3:9-10).

8.     As coisas imundas da carne estão ligadas a concupiscência. “Os injustos estão reservados para o dia do juízo, para serem castigados; mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia” (2 Pd. 2:9-10).

9.     O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo é contra a concupiscência. “Para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus, porque já é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachisses, glutonarias, bebedices, e abomináveis idolatrias” (1 Pd. 4:2-3). Sendo o Pai contra a concupiscência, não é ele que entrega os maus às imundícias da concupiscência. O deus que entrega é Jeová, o deus deste mundo: Pelo que, também, deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si” (Rm. 1:24). O Pai quer que todos se salvem, logo não entrega o homem ao mal (1 Tm. 2:3-4). No Salmo 81 Jeová afirma que entrega o homem à concupiscência (Sl. 81:12).

10.    Se Deus, o Pai, é contra a concupiscência, como ela surgiu no homem? A concupiscência é o fruto da carne, e Jó revela que Jeová vestiu o homem de carne: “DE PELE E DE CARNE ME VESTISTE, E DE OSSOS E NERVOS ME ENTRETECESTE” (Jó 10:11). Paulo revela que a carne e o sangue são corrupção, e a corrupção não herda o reino de Deus Pai (1 Co. 15:50). E Jeová se declara o deus de toda a carne em Jr. 32:27.

O apóstolo João faz a seguinte recomendação à Igreja: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo, e o mundo passa, e a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 Jo. 2:15-17). Estas três coisas estão presentes na queda de Adão e Eva. O diabo apenas despertou o mal que já estava no homem, pela tentação. “E vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer (CONCUPISCÊNCIA DA CARNE), e agradável aos olhos  (CONCUPISCÊNCIA DOS OLHOS), e árvore desejável para dar entendimento (SOBERBA DA VIDA), tomou do seu fruto, e comeu, e deu também ao seu marido, e ele comeu com ela” (Gn. 3:6). A concupiscência não surgiu por causa da desobediência, mas ela causou a desobediência, pois Adão e Eva foram formados com a concupiscência corruptora e mortal. A lei que Jeová ordenou a Adão (Gn. 2:16-17) despertou a concupiscência. “Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum; mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência se a lei não dissesse: Não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, obrou em mim toda a concupiscência” (Rm. 7:7-8). Ora, Jeová deu uma lei a Adão, dizendo: “Da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás” (Gn. 2:17).  Como Adão e Eva já tinham concupiscência, o mandamento despertou a concupiscência, e a serpente só jogou lenha na fogueira. Jeová queria a morte de Adão e Eva, mas o Pai quer que todos vivam, por isso Jesus disse: “E a vida eterna é esta, que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo. 17:3).

O que complica é que Jeová vestiu Adão de carne concupiscente, e Jesus despe essa vestimenta imunda. “Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito do vosso sentido; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef. 4:22-24). Jeová formou um homem com concupiscência carnal e corrupta, e o Pai através de Cristo, despe o homem desse mal, para ser novamente criado sem a carne e a concupiscência de imundícia. Jeová criou o homem para pecar, se corromper, e morrer; Jesus compra esse homem, despe a roupagem mortal, e o cria a sua imagem e semelhança (Cl. 3:9-10). Como fazer para sair das mãos de Jeová para as mãos de Cristo?

1º) Temos de crer em Jesus e ser batizados (Mc 16: 15, 16).

2º) Temos de ser batizados com o Espírito Santo, pois é o Espírito que destrói a concupiscência.

3º) O Espírito Santo nos conduz à cruz com Cristo, onde seremos libertados. “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl.5:24).

A diferença entre a criatura de Jeová e a do Pai é que a do Pai é criada sem a concupiscência, para ser igual a Cristo (Ef. 4:13).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(122) – A LUZ E AS TREVAS

  

         Jeová condena aos que fazem da luz trevas, e das trevas luz. “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem da escuridade luz, e da luz escuridade; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Is. 5:20). Este texto revela que há pessoas tão perversas, e têm tanto prazer na prática do mal que trocam as coisas, isto é, fazem o mal achando que fazem o bem, e fazem o bem com intenção maligna, isto é, como laço para pegar o inocente; e depois justificam o mal para continuar fazendo. Salomão declara que estes tais não dormem se não fizerem o mal, e foge deles o sono se não fizerem tropeçar alguém (Pv. 4:16). Quando alguém faz o bem, condenam-no como sendo mau. Jesus, sendo acusado do mal ao praticar o bem, respondeu: “Não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom? (Mt. 20:15).

Há pessoas que têm prazer no vício e não na virtude; há injustos que condenam os justos por serem justos; há culpados que condenam e matam inocentes; há sábios imorais que conseguem mudar os conceitos do que é moral, para não serem enquadrados. Uma das suas frases prediletas é: “Imoralidade não é sexo livre, mas política corrupta”.

Estas coisas não enobrecem o homem, mas admite-se que no homem tudo é possível; um ato nobre ou um baixo e vil.

De Deus, entretanto, só se espera o bem, a luz, a justiça, o amor, etc. Jeová é o deus que se diz bom, justo e piedoso. Pois para Jeová, a luz e as trevas são a mesma coisa (Sl. 139:12). Vejamos:

Jeová ordenou a Moisés que dissesse a Faraó: “Deixa ir o meu povo, para que me sirva” (Ex. 8:1, 20; 9:1). Faraó, endurecido pelo próprio Jeová, não deu ouvidos a Moisés, porém, cansado das maldições daquele deus, depois da décima praga, os deixou ir. Jeová tinha dito: “Deixa ir o meu povo para que me celebre uma festa no deserto” (Ex. 5:1). Para que a festa fosse completa, Jeová fez que o povo saqueasse o Egito (Ex. 3:20-22; 12:35-36). As promessas de Jeová eram maravilhosas. “E disse Jeová: tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, e uma terra que mana leite e mel” (Ex. 3:7-8). A promessa, portanto, era arrancá-los do jugo opressor do Egito, para lhes fazer bem, e para levá-los a liberdade e a fartura. “Far-vos-ei subir da aflição do Egito, a uma terra que mana leite e mel, à terra do cananeu, do heteu, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuzeu” (Ex. 3:17). O povo creu em Jeová, e saiu com os olhos fixos nessa visão gloriosa que Moisés lhes tinha passado. Assim, o povo saiu com alegria, e com danças, e com cânticos de vitória (Ex. 15:1-19). A festa era a páscoa, que foi celebrada para comemorar gloriosamente a grande salvação de Jeová para uma nova vida de liberdade, paz, fartura, segurança e bênçãos. Não lhes foi dito que iriam passar fome e sede, e jugo, piores que os do Egito. Quando o povo sentiu o calor do deserto, vendo suas mulheres e seus filhinhos chorando de fome e sede, reclamou; “E toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés no deserto. E disseram: Quem dera que nós morrêssemos por mão de Jeová na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar! Por que nos tendes tirado para este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão?” (Ex. 16:2-3). “Então disse Jeová a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus. E o povo sairá, e colherá cada dia a sua porção” (Ex. 16:4). O maná não satisfez, e o povo pediu carne (Nm. 11:4-6). Jeová mandou também a carne de cordonizes (Nm. 11:31-32). O povo colheu o que pode, e preparou uma mesa no deserto. “Mas, quando a carne estava entre os seus dentes, antes que fosse mastigada, se acendeu a ira de Jeová contra o povo, e feriu Jeová o povo com uma praga mui grande” (Nm. 11:33). No Salmo 78 lemos que Jeová, com essa praga, matou os mais fortes, os escolhidos de Israel (Sl. 78:23-31).

Jeová fez o bem, e com o bem trouxe em seguida o mal. Com o mal destruiu o bem que fizera, pois onde o bem e o mal andam juntos, o mal sobrepuja o bem. Foi por isso que Davi disse: “Para Jeová, a luz e as trevas são a mesma coisa” (Sl. 139:12). Ora, Jesus revelou que a luz é o bem, e as trevas são o mal. “A condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más, porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas” (Jo. 3:19-20). Paulo disse: “Não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as” (Ef. 5:11). “Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” (1 Ts. 5:5). Para Paulo, a luz e as trevas não são a mesma coisa, e o Novo Testamento de Jesus não concorda com o Velho Testamento de Jeová. “Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo, mas aquele que aborrece a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deve ir, porque as trevas lhe cegaram os olhos” (1 Jo. 2:10-11). Ora, Jeová aborreceu Esaú (Ml. 1:1-3) e Jeová aborreceu a seu povo  Israel (Sl. 78:58-59). Jeová andava em trevas, e achava que andava na luz. O bem e o mal andam juntos, pois para Jeová são a  mesma coisa, isto é, o bem anda junto com o mal, e o mal anda junto com o bem. Na lei de Jeová, o bem e o mal andam de mãos dadas; a bênção e a maldição também. “Eis que hoje ponho diante de vós a bênção e a maldição. A bênção, quando ouvirdes os mandamentos de Jeová vosso deus, que hoje vos mando; porém a maldição, se não ouvirdes, e vos desviardes” (Dt. 11:26-28).

Para Jesus, enviado a nós pelo Pai, o bem e o mal, as trevas e a luz, não andam juntos. Jesus separou o bem do mal, e a luz das trevas, e nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós (Gl. 3:13). Libertou a todos do jugo da lei. “Mas agora estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de Espírito, e não na velhice da letra” (Rm. 7:6). Agora, os cristãos só recebem do Pai o bem, e não o mal de Jeová, pois de Deus Pai só procede o bem. “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg. 1:17). “Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas” (1 Jo. 1: 5).

O Pai nada tem a ver com as trevas de Jeová, e enviou a este mundo a Jesus Cristo, seu filho Unigênito para revelar que no mundo não há luz. Quando Jesus diz: “Eu sou a luz que vim ao mundo”, está dizendo que a luz do Pai está nas obras de Cristo, e que as trevas estão nas obras de Jeová (Jo. 12:46).

Textos para reflexão: Ex. 20:21; Dt. 4:10-14; 5:22-24; Sl. 18:11; Jó 19:6-8; Lm. 3:1-2; Is. 9:2; Sl. 107:9-10, etc. 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(121) – A CRIAÇÃO DO MAL

 

        No livro do profeta Isaías está escrito que Jeová é o criador do mal e das trevas (Is. 45:7). Que é criar trevas? É produzi-las onde antes havia luz. Jeová revelava aos profetas, seus servos, todos os seus projetos e segredos. Os profetas eram, portanto, a luz do povo hebreu. Quando Jeová fechou os olhos dos profetas, e derramou sobre eles o espírito do sono, para que, tendo os olhos fechados não pudessem entender as visões e as Escrituras, Jeová criou o mal, pois antes não estavam de olhos fechados, mas agora conduzem o povo pelas trevas e sem rumo. O povo também teve os olhos fechados, e os ouvidos tapados, pelo próprio Jeová; assim, um cego, guiando outro cego, ambos cairão no abismo (Mt. 15:14). Leiamos as ordens de Jeová a Isaías. “Engorda o coração deste povo, e endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhes os olhos; não venha ele a ver com os seus olhos, e a ouvir com os seus ouvidos, e a entender com o coração, e a converter-se, e a ser sarado” (Is. 6:10). “Porque Jeová derramou sobre vós, um espírito de profundo sono, e fechou os vossos olhos, os profetas; e vendou as vossas cabeças, os videntes, pelo que toda a visão vos é como as palavras de um livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Ora, lê isto; e ele dirá: Não posso porque está selado. Ou dá-se o livro ao que não sabe ler, dizendo: Ora, lê isto; e ele dirá: Não sei ler” (Is. 29:10-12).

Uma pessoa, crendo em Jesus Cristo, será salva (Mc. 16:15-16). “Disse-lhes Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo; andai enquanto tendes luz, para que as trevas vos não apanhem, pois quem anda em trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. E ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele; para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? e a quem foi revelado o braço do Senhor? Por isso não podiam crer, pelo que Isaías disse outra vez: Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, afim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure” (Jo. 12:35-40). Ora, o povo, vendo os sinais que Jesus fazia, ia se converter e ser salvo, mas porque Jeová os cegou, e lhes endureceu o coração, não creram, e foram todos condenados ao inferno. É assim que Jeová sabe criar mal onde antes havia o bem. E hoje, na Igreja, Jeová continua sua obra de cegar as pessoas, para que sejam condenadas. “O deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” (2 Co. 4:4).

Analisemos outro mal, criado por Jeová. Uma pessoa só é criminosa depois de praticar um crime; também só se torna mau quando pratica o mal, pois antes de praticá-lo não poderia ser chamado de mau. Lemos na Bíblia que Jeová mudou o coração dos egípcios para que aborrecessem Israel. Se Jeová não mudasse o coração deles, não aborreceriam, logo não eram maus. “Israel entrou no Egito, e Jacó peregrinou na terra de Cão. E ele multiplicou sobremodo o seu povo, e o fez mais poderoso do que os seus inimigos. MUDOU O CORAÇÃO DELES PARA QUE ABORRECESSEM O SEU POVO” (Sl. 105:23-25). Se eram maus e odiosos, não era preciso mudar seus corações. O ódio partia do coração daquele deus sanguinário e odioso. Os egípcios foram, portanto, os instrumentos do seu ódio. A prova disso é que, alguns dias depois, odiou seu próprio povo, quando pecaram. E por que pecaram? Porque lhes faltou comida e água. Então lhes deu comida e água, mas os matou quando comiam (Sl. 78:29-31). Prometeu então abençoar os filhos, dando-lhes Canaã por herança (Nm. 14:29-33). Jeová sabe criar o mal.

Toda a geração dos filhos que entraram em Canaã passou, e os netos, isto é, a terceira geração, diz a Escritura, não conhecia a Jeová (Jz. 2:10). Mas tudo o que aconteceu estava escrito (Ex. 34:27; Dt. 31:24; Js. 8:32; 24:26). Nós, os cristãos, conhecemos a Deus pelas Escrituras. Eles tinham o início das Escrituras, portanto conheciam. Por que está escrito que não conheciam? Porque não sentiram na pele o furor vingador e impiedoso de Jeová. O livro dos Juízes relata como ficaram conhecendo: quando deixaram a Jeová: “Eles deixaram a Jeová, e serviram a Baal e a Astarote, pelo que a ira de Jeová se acendeu contra Israel, e os deu nas mãos dos roubadores, e os roubaram, e os entregou na mão dos seus inimigos ao redor, e não puderam mais estar em pé diante dos seus inimigos. Por onde quer que saiam, a mão de Jeová era contra eles para mal” (Jz. 2:13-15).

Passemos a outro mal que Jeová deus criou com sua sabedoria. No primeiro livro dos reis de Israel, no capítulo onze, temos a história completa da corrupção de Salomão: sua sensualidade desmedida, sua apostasia e idolatria. Jeová, como castigo, dividiu o reino de Israel em dois (1 Rs. 11:29-35). Ficou a Tribo de Judá com Roboão, filho de Salomão, e dez tribos com Jeroboão, filho de Nebate, e houve guerra entre Roboão e Jeroboão por todos os dias (1 Rs. 14:30). Morreu Roboão e seu filho Abião sentou no trono. E houve guerra entre Abião e Jeroboão, por todo o tempo (1 Rs. 15:7). Baasa conspirou contra Jeroboão e o matou, e também toda a sua descendência (1 Rs. 15:28). Também morreu Abião em Judá, e seu filho Asa começou a reinar (1 Rs. 15:8). E houve guerra entre Asa e Baasa por todos os seus dias (1 Rs. 15:32).

Quando Jeová dividiu o reino, estava criando o mal, isto é, a guerra entre os dois povos irmãos. Foi Salomão que pecou e deveria ser punido. O reino nada tinha a ver com o pecado de Salomão. Também Jeová anuncia que pretendia restaurar o reino de Israel, para nunca mais serem duas nações. Se o projeto final era ser um só reino, ao dividi-lo em dois, criou um mal desnecessário e inútil (Ez. 37:21-22).

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(120) – NOÉ

         “Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é: oito) almas se salvaram pela água; que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo” (1  Pd. 3:20-21). Este texto revela que no episódio do dilúvio houve figura, sendo assim, Noé também é uma figura.

Todos entendem que Noé tipificava a Jesus Cristo, isto é, era a figura de Jesus, baseados em Mt. 24:37. Quando Jesus disse: “E como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do filho do homem”, a figura não casa, pois o salvador Noé se salvou e toda a humanidade morreu, e no caso de Jesus, metade dos condenados serão salvos. “Estando dois no campo, será levado um, e deixado outro; estando duas moendo no moinho, será levada uma e deixada outra” (Mt. 24:40-41).

Comparemos, portanto, os dois acontecimentos, para saber com clareza se Noé foi figura de Jesus, ou de outro personagem bíblico.

1.     Noé pregou a justiça da condenação, enquanto Jesus se fez condenar em lugar dos condenados. A respeito de Noé; Pedro declarou: “Jeová não perdoou o mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios” (2 Pd. 2:5). Sobre o sacrifício de Cristo, Paulo disse: “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co. 5:21). Este texto está explicando que Jesus assumiu os pecados dos homens, e em lugar deles morreu, para os tornar justos diante de Deus. A justiça de Noé não é figura da justiça de Cristo, pois são opostas.

2.     A graça de Jeová era só para o justo Noé, pois Jeová falou: “Entra tu e toda a tua casa na arca, por que te hei visto justo diante de mim nesta geração” (Gn. 7:1). “Noé porém achou graça aos olhos de Jeová” (Gn. 6:8).  A graça de Jesus não é para os justos, mas para os pecadores, perdidos e condenados. Paulo declarou: “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores dos quais eu sou o principal” (1 Tm. 1:15). E o próprio Senhor Jesus revelou a sua missão, dizendo: “Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento” (Mt. 9:13). Fica, portanto, provado, que a graça do Pai é para todos, enquanto a graça de Jeová era só para os justos. “Porque a graça do Pai se há manifestado trazendo salvação a todos os homens” (Tt. 2:11). A graça de Jeová era para os justos, e para os pecadores: desgraça. “Jeová guarda a todos os que o amam, mas todos os ímpios serão destruídos” (Sl. 145:20). (Só que não guardou nem Davi, nem Salomão).

3.     Noé, autorizado por Jeová, condenou o mundo todo à morte pelo dilúvio. Lemos isso em Hb. 11:7. Jesus, ao contrário, não condenou a ninguém. “Porque Deus enviou seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas que o mundo fosse salvo por ele” (Jo. 3:17). Ora, se o ministério de Noé foi o da condenação e o de Cristo não foi da condenação, Noé foi figura de outro, mas nunca de Jesus. O apóstolo Paulo deixa bem claro o assunto na carta aos Romanos: “Pois assim como por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para a condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação da vida” (Rm. 5:18). A condenação a que Paulo faz referência foi a do dilúvio universal. Noé não é, portanto, figura de Jesus Cristo.

4.     Noé preparou uma arca para ser salvo da morte com sua família (Gn. 6:13-14; 7:1).  Jesus só pôde preparar a sua igreja morrendo ele e sua família (seus discípulos)! “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e si mesmo se entregou por ela” (Ef. 5:25). “Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos. Ele, porém, respondendo, disse: Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos? E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos” (Mt. 12:47-49). – Seus discípulos foram todos mártires para que a igreja vingasse em meio as perseguições. Noé e a sua arca não são figura de Jesus e a sua igreja.

5.     Conforme o desígnio de Jeová, Noé e sua família  entraram na arca, e também os animais e as bestas, e Jeová fechou a porta por fora para que ninguém se salvasse (Gn. 7:16). Após a morte de Jesus e pelo sacrifício dos apóstolos, a porta da igreja se abriu para todas as gentes. A chave que abriu esta porta universal de salvação é a cruz. Definitivamente fica provado que a arca de Noé não é figura da igreja, assim como o próprio Noé não é figura de Jesus. É óbvio, entretanto, que Noé é figura de um outro salvador que deveria ter vindo e não veio, mas é esperado por muitos.

6.     Houve, no dilúvio, um batismo, e todos os que foram batizados, isto é, foram imergidos nas águas do dilúvio (pois batismo quer dizer imersão), morreram fisicamente. No batismo de Jeová, a forma de liquidar o pecado era matar os pecadores. Leiamos o texto de Pedro: “Os quais, noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucas (isto é: oito) almas se salvaram pela água” (1 Pd. 3:20). Os oito que não foram imergidos se salvaram. No batismo de Cristo, os que são imergidos serão salvos. “Quem crer e for batizado será salvo” (Mc. 16:16). Continuando o texto de Pedro lemos: “Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo” (1 Pd. 3:21). Os objetivos dos dois batismos são diferentes. No de Jeová as almas foram mortas para serem despojadas da imundícia da carne; no batismo de Jesus, as almas adquirem uma consciência pura, para não pecar mais, e Cristo é morto no lugar dos imundos. Se os dois batismos são tão diferentes quanto ao fim, porque está escrito em 1 Pd. 3:21 que o de Noé é figura do de Cristo? O problema é que a tradução não corresponde ao original grego. Vejamos a tradução correta conforme o comentário de Russel Norman Champlin: “Que também agora, por uma verdadeira figura o batismo vos salva, o qual não é o despojamento da imundícia da carne, mas …” não é, portanto, o batismo de Noé figura do de Cristo, mas o batismo de Jesus Cristo é uma figura de salvação, pois o batismo adquire uma consciência pura, em lugar da anterior e imunda.

7.     Noé foi figura de alguém que deveria condenar este mundo, coisa que Jesus não fez, logo era esperado um e veio outro melhor.

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(119) – SACRIFÍCIOS HUMANOS

A mitologia dos povos, em épocas remotas, nos traz notícias de sacrifícios humanos para aplacar a ira e o furor dos seus deuses. As crianças eram vítimas inocentes desse culto medonho. No século XXIV a.C., em muitos lugares (Ur, Mári, Assíria, Ugarit, Amou), era prestado um culto ao deus Molok, com sacrifício de crianças. Essas vítimas inocentes eram queimadas vivas. Esse culto macabro entrou na história de Israel pelas mãos de Salomão, o rei que tinha a sabedoria dada por Javé, ou Jeová, o deus dos Hebreus. Jeová havia proibido esse culto na lei de Moisés. “Da tua semente não darás para a fazer passar pelo fogo perante Molok, e não profanarás o nome do teu deus” (Lv. 18:21). Quem fizesse isso era condenado à morte; e se alguém, amigo ou parente, sabendo, não denunciasse o culpado desse crime, e não o matasse, o tal com toda a sua família estavam condenados à morte e à extinção (Lv. 20:2-5).

Salomão era ninfomaníaco, pois teve mil mulheres, sendo trezentas, concubinas, e todas proibidas por Javé (Moabitas, amonitas, edomitas, heteias, sidonias, e a filha de Faraó). Essas mulheres o corromperam a ponto de construir uma estátua de Molok, abominação dos filhos de Amom (1 Rs.11:1-6). Mas Salomão não morreu, pois era protegido de Jeová. Muitos reis de Israel fizeram seus filhos passar pelo fogo à Molok. O rei Acaz (2 Rs. 16:1-3), Manassés (2 Rs. 21:1-6). Esse culto horripilante se tornou prática do povo de Israel (2 Rs. 17:16-17).

A questão que propomos é a seguinte. Jeová, que matava quem cometesse esse crime de sacrificar os filhos a Molok, aceitava também sacrifícios de crianças, ou não? Analisemos o Velho Testamento.

Israel estava em guerra contra os filhos de Amom, o povo de Molok, e Jefté era o general escolhid(Jz. 11:1-5). Temendo a derrota, Jefté fez um voto a Jeová nestes termos. “Se totalmente deres os filhos de Amom na minha mão, aquilo que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eu em paz, isso será de Jeová, e o oferecerei em holocausto” (Jz. 11:30-31). Jefté tinha uma única filha, e essa foi que saiu de sua casa ao seu encontro. Jefté ao vê-la, rasgou as vestes em pranto, pois iria cumprir a promessa, o que fez 60 dias depois. A pergunta é: Jeová aceita sacrifícios humanos ou não? Jeová aceitou o sacrifício de Jefté? Vejamos.

Quando Israel, chefiado por Josué, estava às portas de Canaã, Acã viu entre os despojos, uma capa babilônica, duzentos siclos de prata, e uma cunha de ouro, e escondeu na terra. Por causa disso Israel começou a perder a batalha, pois morreram trinta e seis soldados israelitas. Josué rasgou os vestidos e se prostrou em terra, orando a Jeová, que lhe disse: Há pecado de anátema. Josué lançou sortes, e foi apontada a tribo de Judá. Da tribo de Judá foi tomada a família dos zeraitas. Entre os homens da família foi tomado Acã. Tudo isto sob orientação de Jeová. Depois de confessado o pecado, todo o povo pegou Acã, e a prata, e a capa, e a cunha de ouro, e os seus filhos, e as suas filhas, e a seus bois, e a seus jumentos, e a suas ovelhas, e a sua tenda, e tudo quanto tinha, e levaram ao Vale de Acor, e ali foram apedrejados com pedras e queimados a fogo. E dessa forma APLACOU-SE A IRA DE JEOVÁ” (Js. 7:1-26). Se a ira se apagou com o sacrifício da família de Acã, Jeová aceita sacrifícios humanos.

O segundo caso é o dos primogênitos. Depois que Jeová libertou Israel do jugo egípcio pela morte dos primogênitos, exigiu como retribuição que todos os primogênitos de Israel, tanto de homens como de animais, lhe fossem entregues. E os primogênitos tinham de ser resgatados por cinco ciclos de prata. Se não fosse resgatado era sacrificado a Jeová (Ex. 13:11-16; Nm. 18:15-16). Deste modo, Jeová aceitava sacrifícios de crianças como Molok. A omissão do resgate implicava no sacrifício. Outro caso é o da circuncisão. A criança que não fosse circuncidada era sacrificada a Jeová (Gn. 17:14).

Durante os quarenta anos de peregrinação no deserto, o povo de Israel se prostituiu com as moabitas. Jeová enfurecido mandou uma praga que matou vinte e quatro mil israelitas. E ia continuar matando, mas Finéias, neto de Arão, atravessou com uma lança, pela barriga, um varão israelita e a mulher moabita. Jeová então disse: “Fineias, filho de Eleazar, o filho de Arão, o sacerdote, desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel” (Nm. 25:11). Jeová aceitou sacrifício humano para acalmar seu furor.

O quinto caso é de Saul. Jeová escolheu Saul e Jeová rejeitou Saul (1 Sm. 9:17; 16:1). A notícia da rejeição foi dada pelo profeta Samuel, mas o anúncio da morte de Saul e seu três filhos, Jeová deu pela boca de uma feiticeira (1 Sm. 13:14; 28:6-19; 31:1-2). A morte de Saul e três de seus filhos não apagou o furor vingativo de Jeová por uns trinta anos ou mais. Então Jeová, irado, mandou três anos de fome sobre Israel. Davi orou e Jeová respondeu que o culpado era Saul e sua casa sanguinária, que quarenta ou cinqüenta anos antes, queria matar os gibeonitas. Davi chamou os gibeonitas para acertar o assunto e acabar com a fome em Israel. Os gibeonitas pediram a Davi sete filhos de Saul, para os enforcar em sacrifício a Jeová. Foram os sete inocentes enforcados a Jeová, e o texto termina assim: “E depois disto Jeová se aplacou para com a terra” (2 Sm. 21:1-14).

Analisaremos o último caso deste artigo. O reino de Israel gozava os anos de glória sob a regência de Davi, pois havia paz. Consolidado o reino, a arca foi levada para Jerusalém e colocada na tenda armada por Davi (1 Cr.16:1) Este disse: “Eu moro em casa de cedros, mas a arca do concerto de Jeová esta debaixo de cortinas.” E Davi decide edificar uma casa para a arca de Deus (1 Cr.17:1-12). E o rei faz uma oração de louvor a Jeová (1 Cr.17:16-27). Nesse tempo de glória do reino de Davi, a ira de Jeová se ascende contra Israel, aparentemente sem motivo. Jeová estava irado, e só os sacrifícios humanos lhe trariam a paz. Como não havia motivo para a realização dos sacrifícios, Jeová incitou a Davi a tomar o número do povo, Davi obedeceu, e isto foi causa de Jeová matar setenta mil israelitas.

Estas setenta mil almas foram sacrificadas para acalmar a alma de Jeová (2 Sm. 24:1;  1 Cr. 21:1-16).

Na realidade, Jeová nunca foi contra os sacrifícios humanos. Quando proibiu esses sacrifícios feitos a Molok, o fez porque esses privilégios, só ele, Jeová, pode receber.

Quando Jesus morreu na cruz, esse sacrifício não foi feito para o Pai, mas a Jeová. O Pai deu o Filho para o sacrifício, e o sangue derramado resgatou-nos de Jeová. Pedro disse: Não foi com ouro ou prata que fostes resgatado, mas com o precioso sangue de Cristo. (1 Pd. 1:18-19). Ninguém resgata a si mesmo.

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(118) – NABUCODONOSOR

Nabucodonosor, Nebucadnezar, no dialeto acádico, o mais poderoso rei da Babilônia, é filho de Nabopalasar, que fundou esse império. Jeová se servia de Nabucodonosor em suas guerras, e o chamava de servo. “Eu tomarei a todas as gerações do norte, diz Jeová; como também a Nabucodonosor, rei de Babilônia, meu servo, e os trarei sobre esta terra, e sobre os seus moradores, e os destruirei totalmente…” (Jr. 25:9). Esta palavra era sobre Israel. Agora Jeová vai profetizar sobre o Egito: “Eis que eu tomarei a Nabucodonosor, rei de Babilônia, meu servo, e porei o seu trono sobre estas pedras, e estenderá a sua tenda real sobre elas, e virá, e ferirá o Egito; quem para a morte, para a morte; e quem para o cativeiro, para o cativeiro” etc. (Jr. 43:10-11). Jeová usou Nabucodonosor, rei de Babilônia, o rei dos reis, com os cavalos, e com carros, e companhias, e muito povo. As suas filhas do campo ele matará à espada… (Ez. 26:7-8).

Em Isaías, capítulo 14, Jeová fala contra o rei de Babilônia, chamando-o de opressor (Is. 14:9)“O inferno desde o mais profundo se turbou por ti, para te sair ao encontro na tua vinha; despertou por ti os mortos”. E continua Jeová a falar pela boca de Isaías: “Já foi derribada no inferno a tua soberba com o som dos teus alaúdes; os bichos debaixo de ti se estenderão, e te cobrirão. Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, da banda dos lados do norte. Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo e contudo serás levado ao inferno, ao mais profundo do abismo” (Is. 14:11-15).

É fantástico, Nabucodonosor  personifica Satanás, e Jeová o qualifica de servo, e o envia para realizar suas guerras? Se Nabucodonozor é figura de Satanás e, em obediência a Jeová, cumpre seus propósitos, não é inimigo, mas aliado e servo. Se Nabucodonosor é a serpente, ou o dragão, ou Satanás, pois estes são nomes do mesmo demônio, as coisas que aconteceram a Satanás aconteceram também a Nabucodonosor. Por exemplo, Satanás, pela soberba, quer ser adorado como Deus, e Nabucodonosor construiu uma estátua de ouro de 30 metros de altura, e todos deveriam se prostrar diante dela em adoração (Dn. 3:5).

Outra comparação: Nabucodonosor reinava absoluto sobre as nações (Dn. 4:1). Como fosse um rei perverso, como castigo, foi tirado de entre os homens, e transformado numa besta, comia a erva do campo, até que se passaram sete tempos. Depois de passados os sete tempos, Nabucodonosor foi restaurado no seu trono, e voltou a reinar (Dn. 4:32-34). Satanás também tinha poder sobre os reinos deste mundo, mas pela sua perversidade, foi cassado e condenado a se alimentar de pó por sete tempos (Gn. 3:14). Os sete tempos são as sete dispensações que compõe a história do homem neste mundo, a saber:

1ª) A dispensação ou da inocência, que abrange o período de Adão e Eva no paraíso. Essa dispensação não durou cem anos, pois Adão, expulso do Jardim, gerou a seu filho Sete, com 130 anos (Gn. 5:3).

2ª) A dispensação da consciência  que durou perto de 1.500 anos, desde a expulsão do Jardim até o dilúvio.

3ª) A dispensação do governo humano, quando os homens edificaram a Torre de Babel, e durou até a chamada de Abraão, esta foi de 300 anos.

4ª) A dispensação da promessa, feita aos patriarcas, a durou de Abraão até o Sinai, quando o povo de Israel recebeu a Lei.

5ª) A dispensação da Lei, que durou 1.600 anos, isto é, de Moisés até Jesus Cristo.

6a) A dispensação da graça, que começou em Jesus Cristo, e já perdura por dois mil anos. Esta é a dispensação da Igreja e do Espírito Santo.

7a) A dispensação do anti Cristo, até o juízo deste mundo.

Pois bem, Jeová declara que vai criar  um novo céu e uma nova terra, quando o seu povo Israel será restaurado e abençoado, e quando Jeová habitará no meio deles (Is. 65:17-25; Jr. 31:33; 32:37-38; Sl. 132:13-14). Pois Satanás será restaurado na nova Terra, depois dos sete tempos, para comer o pó, isto é, para se alimentar dos mortos (Is. 65:25).

A terceira figura fabulosa está em Jeremias. “Eu fiz a terra, o homem, e os animais que estão sobre a face da terra, pelo meu grande poder, e com o meu braço estendido, e a dou aquele que me agrada em meus olhos. E agora eu entreguei todas estas terras na mão de Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo, e ainda até os animais do campo lhe dei, para que o sirvam” (Jr. 27:5-6).

Ora se Nabucodonosor é figura do diabo, e Jeová entregou todas as nações na mão do rei maligno, foi Jeová que entregou os reinos deste mundo a Satanás. Lucas registra o fato: “E o diabo, levando Jesus a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te  Satanás, porque esta escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (Lc. 4:5-8).

Sendo, pois, Nabuconosor, a serpente ou Satanás, e sendo servo de Jeová, e aliado, assim como Nabucodonosor destruiu e oprimiu as nações, assim também o diabo oprime e destrói sob as ordens de Jeová. E quando o povo judeu foi levado ao cativeiro babilônico por Jeová, foi entregue nas mãos do diabo pelo próprio Jeová, por isso Jesus disse aos fariseus: “Vós tendes por pai o diabo” (Jo. 8:44).

         O nosso Deus Pai do Senhor Jesus  não entrega ninguém ao diabo, antes, compra-nos do diabo com o sangue de Cristo ( 1 Pd. 1:18-19; 1 Co. 6:19-20).

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(117) – A IGREJA DOS PRIMOGÊNITOS

  

         “Mas chegastes ao monte de Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos; A UNIVERSAL ASSEMBLÉIA E IGREJA DOS PRIMOGÊNITOS, QUE ESTÃO INSCRITOS NOS CÉUS, E A DEUS, O JUIZ DE TODOS, E AOS ESPÍRITOS DOS JUSTOS APERFEIÇOADOS; E A JESUS, O MEDIADOR DE UMA NOVA ALIANÇA, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel” (Hb. 12:22-24).

Este texto deixa claro que só primogênitos entram na Jerusalém celestial. Numa família de oito filhos, só o primeiro entra no céu? Este é mais um mistério do Novo Testamento. O Espírito Santo revela as profundezas de Deus (1 Co. 2:9-10).  Na vida de Jesus Cristo está a explicação do mistério. O nascimento carnal de uma pessoa não tem valor para o reino de Deus, mas sim o nascimento espiritual, que se dá por obra do Espírito Santo.

O apóstolo João diz: “Mas a todos os que o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; os quais crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo. 1:12-13). João fala claro que ninguém é filho de Deus na carne, e para sê-lo, deve crer em Cristo, recebê-lo como Senhor, e ser gerado pelo Espírito Santo. “Interrogado por Nicodemos, Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo. 3:3). Nicodemos, intrigado, tornou a perguntar: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Por ventura pode entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O QUE É NASCIDO DA CARNE É CARNE, E O QUE É NASCIDO DO ESPÍRITO É ESPÍRITO” (Jo. 3:4-6).  Na realidade, o que Jesus está revelando, é que o seu próprio nascimento carnal no ventre de Maria não o fez Filho de Deus. O apóstolo Paulo explica como Jesus se tornou Filho de Deus. “Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos – Jesus Cristo nosso Senhor” (Rm. 1:3-4). Paulo está revelando que Jesus não nasceu Filho de Deus na carne, mas foi declarado Filho de Deus em santificação do Espírito e pela ressurreição.

Ora, no livro de Hebreus lemos que Cristo ressuscitou duas vezes. “Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do concerto eterno tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus Cristo, grande pastor das ovelhas” (Hb. 13:20).  Por este texto, Jesus ressuscitou duas vezes, e foi declarado Filho de Deus duas vezes. A primeira ressurreição de Cristo foi no batismo, como disse Paulo: “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos” (Cl. 2:12). Ora, se no batismo há sepultamento, há também ressurreição, pois Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos (Lc. 20:38). Examinando o batismo de Jesus nos Evangelhos, a voz de Deus Pai diz: “Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo” (Mt. 3:17; Mc. 1:11; Lc. 3:22). Examinando o original em grego, descobrimos que Lucas falou diferente de Mateus e Marcos. Em Lucas, lemos: “TU ÉS MEU FILHO, HOJE TE GEREI.”  O leitor perguntará: Porque nas Bíblias evangélicas está diferente? A resposta é simples. Os doutores querem que os três Evangelhos fiquem iguais; então mudaram o texto de Lucas alterando a palavra de Deus. A Bíblia de Jerusalém, da Igreja Católica Romana, traz a tradução certa, e uma explicação do grego. Os comentários do Novo Testamento também esclarecem essa verdade.

Se no batismo de Jesus Deus disse: “TU ÉS MEU FILHO, HOJE TE GEREI”, é óbvio que Jesus não era Filho quando nasceu na carne, e também, o Jesus de carne foi morto e sepultado no batismo, para que houvesse ressurreição. Nessa hora foi gerado o FILHO UNIGÊNITO DE DEUS, isto é, Deus só gerou um filho a sua semelhança. Se Jesus permanecesse unigênito, Deus não teria outros filhos.

Jesus sabia que, para que Deus tivesse outros filhos, o unigênito deveria morrer, por isso João diz que “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16). Se Jesus não morresse na cruz, estaria condenando toda a humanidade ao inferno, pois Deus só teria um Filho (I Co. 15:16-20).

Vamos ver a segunda vez que Deus disse: “Meu Filho és tu, hoje te gerei”. Jesus foi crucificado e morto, e ao terceiro dia ressuscitou; e pela segunda vez, o Pai falou (At. 13:27-33). No batismo Jesus sepultou o que poderia pecar, e ressuscitou o Santo impecável. Na cruz foi morto o homem de carne. A primeira foi a ressurreição espiritual, e a segunda a ressurreição física. Na primeira foi gerado o unigênito, e na segunda foi gerado o primogênito. Paulo diz: “Ele é a cabeça do corpo da Igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos” (Cl. 1:18). “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes a imagem de seu Filho, afim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm. 8:29). Fica assim explicado o texto de Hb. 13:20, onde lemos que Deus trouxe Jesus dentre os mortos duas vezes.

Resta agora entendermos porque os salvos por Cristo são todos primogênitos (Hb. 12:22-23). Todo cristão que pensa só na própria salvação, e não na salvação dos outros, se faz unigênito, por isso Jesus disse: “Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a vida por amor de mim, achá-la-á” (Mt. 16:25; Lc. 17:33; Jo. 12:25). E o apóstolo João afirma categoricamente: “Conhecemos a caridade nisto; que Ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos” (1 Jo. 3:16).  João, Pedro, Tiago, Paulo, e os mártires deram suas vidas para que nós sejamos salvos, por isso são primogênitos e membros da Igreja celestial com Cristo. A morte natural não fabrica primogênitos, pois todos os perversos morrem assim. A morte que produz primogênitos é a morte por amor do próximo e dos perdidos. Jesus disse: “Ninguém tem maior amor do que este; de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (Jo. 15:13).

Ora, todo primogênito é cabeça de uma linhagem e o primeiro da linhagem de irmãos, como aconteceu com Jesus (Rm. 8:29). Para se fazer primogênito e membro da Jerusalém celestial, o cristão, com o sacrifício do seu tempo, de seus bens, de seus talentos e de sua própria vida, se torna o primeiro de uma linhagem de Cristãos autênticos, e assim chega a estatura de Cristo, como diz Paulo em Ef. 4:13-14.

Fica também esclarecido neste estudo, que os filhos de Jeová no Velho Testamento não são filhos do Deus Pai de Jesus, pois Deus só teve um Filho, Jesus, e este é, portanto, unigênito. Os filhos de Jeová no Velho Testamento, não conheceram a Jesus, com exceção de Abraão, Moisés e Davi. Os textos dos filhos de Jeová, carnais e perversos, são: Dt. 14:1; 32:19-20; Gn. 6:2; Jó 1:6; 2:1;  Is. 1:2; 30:9; 63:8,16; 64:8; Ml. 1:6, etc.

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(116) – ADÃO 2

Paulo disse: “No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” (Rm. 5:14).

Paulo está revelando que o Adão do Jardim do Éden é figura de outro Adão que havia de vir. Ora, Jesus Cristo é chamado por Paulo: último Adão (1  Co. 15:45). Estaria Paulo revelando que o Adão que caiu no Paraíso, é figura de Jesus Cristo? Toda figura é uma imagem do original. Para que Adão fosse figura de Jesus, deveria exibir os traços do caráter de Jesus. Comparemos os dois para saber se realmente Adão é figura de Cristo:

1. Adão pecou, isto é, cometeu transgressão, como lemos em Rm. 5:14, mas Jesus nunca pecou, como disse Pedro: “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1 Pd. 2:22). E na carta aos hebreus, lemos: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb. 4:15). Em relação ao pecado, Adão nunca foi figura de Jesus Cristo.

2. Adão nos deixou um legado maldito: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos são pecadores” (Rm. 5:12). Jesus, ao contrário de Adão, nos arranca da morte e do pecado. Leiamos suas palavras: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá” (Jo. 11:25-26). E o apóstolo dos gentios declara: “E libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm. 6:18). E o apóstolo do amor conclui dizendo: “Qualquer que permanece em Cristo não peca; e qualquer que peca não o viu nem o conheceu” (1 Jo. 3:6). Em relação ao legado, Adão não é figura de Cristo também.

3. Adão, com a sua desobediência, privou-nos a todos da árvore da vida. Jesus nos transforma nas varas da videira, pois assim será impossível a separação, e é impossível não dar frutos. “Eu sou a videira  verdadeira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo. 15:5).

4. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Adão nos fez perder esta graça de tal forma, que acabamos ficando a semelhança dos brutos. “O que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais; como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego” (Ec. 3:19). Jesus toma nas mãos o cristão, e faz dele uma nova criação, e novamente o homem volta a imagem e semelhança de Deus (Cl. 3:9-10). Parece impossível achar alguma semelhança entre Adão e Jesus, para que o primeiro seja figura do último. Mas continuemos tentando achar.

5. Satanás, a antiga serpente, enganou e seduziu Eva para que esta comesse da árvore da ciência, e Eva fez com que Adão comesse. Então a serpente derrubou Eva, e Eva derrubou Adão (Gn. 3:1-6). Jesus forma a sua Igreja, isto é, a sua Eva, de pecadores caídos e os levanta a todos; e com eles levanta a sua esposa.

6. Adão é o pai dos carnais sujeitos às paixões pecaminosas (Rm. 7:5). Jesus é o pai de todos os que crucificam a carne com suas paixões e concupiscências (Gl. 5:24).

7. Eva se tornou cabeça de Adão, pois foi ela quem decidiu comer do fruto proibido, e depois o deu a Adão para comer também (Gn. 3:6). Jesus é a cabeça da Igreja, pois esta é submissa a Ele (Ef. 5:23).

8. Adão, ao ser arguido por Jeová, lançou a culpa sobre Eva, dizendo: “A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi” (Gn. 3:12). Jesus, por amor aos perdidos, e para salvá-los, assumiu a culpa de todos. “Jesus é propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo mundo” (1 Jo. 2:2). “Levando ele mesmo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para o pecado, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” (1 Pd. 2:24).

9. Vamos reproduzir um trecho da carta de Paulo aos Romanos, que deixa bem claro os aspectos contrários entre Adão e Jesus: “Porque, se pela ofensa de um muitos morreram, muito mais a graça de Deus, e o dom  pela graça, que é dum só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos” (Rm. 5:15). “E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação” (Rm. 5:16). “Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo” (Rm. 5:17). “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” (Rm. 5:18). “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos foram feitos justos” (Rm. 5:19).

Está mais do que provado que Adão não é figura de Cristo, mas Paulo afirma que é figura de alguém que havia de vir, mas até hoje não veio. Israel esperava para os dias de Cristo, a vinda de um libertador, que reinaria com vara de ferro sobre as nações, depois de haver libertado Israel dos cativeiros. Ora, Adão só poderia ser figura de um messias humano e guerreiro, capaz de elevar Israel  como cabeça dos reinos deste mundo. Jesus salva a todos, e os transporta para o reino de seu Pai, que não é deste mundo.

 

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

(115) – AS DUAS CASAS

Casa é família ou linhagem. Quando dizemos: Vou à casa de fulano, incluímos toda a família. A casa de Davi era o reino de Israel. José, marido de Maria era da família de Davi e da casa de Davi, isto é, o reino de Israel (Lc. 2:4). A casa de Davi é a mesma casa de Jacó, pois são a mesma linhagem. “Ouvi a palavra de Jeová, ó casa de Jacó, e todas as famílias da casa de Israel” (Jr. 2:4). “Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz de Jeová” (Is. 2:5). O nome de Jacó foi mudado para Israel, por isso a casa de Jacó é a mesma casa de Israel, ou reino de Israel (Gn. 32:28). Mil anos após a morte de Jacó, Jeová continuava chamando o povo de Israel de Jacó. “Não temas, ó bichinho de Jacó; povozinho de Israel; eu te ajudo, diz Jeová, e o teu redentor é o santo de Israel” (Is. 41:14).

A carta aos Hebreus fala de duas casas diferentes, revelando que a casa espiritual do Velho Testamento não é a mesma casa espiritual do Novo Testamento. São, portanto, duas casas diferentes em essência e em objetivos. Leiamos o texto: “Pelo que, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a Jesus Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão, sendo fiel ao que o constituiu, como também o foi Moisés em toda a sua casa” (Hb. 3:1-2).

É interessante. Quem edificou a casa de Israel foi Moisés, e assim a casa de Israel foi chamada de casa de Moisés (Hb. 3:5). Moisés, era, portanto, a base da fé dos judeus (Jo. 5:45). Qualquer pessoa que quiser firmar a fé no Velho Testamento tem de ter como cabeça Moisés e não Cristo, pois faz parte da casa de Moisés.

Continuando a analisar a carta aos Hebreus: “Porque Jesus é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou” (Hb. 3:3). Este texto fala de duas glórias; uma maior, que é a de Cristo, e outra menor, a de Moisés. A glória da casa de Moisés era a glória do ministério da morte e a glória da lei de Jeová, gravada em pedras. Era também a glória do ministério da condenação (2 Co. 3:7-9). A glória de Moisés existiu em função da casa que edificou. A glória de Jesus, muitíssimo maior, existe em função da casa que edifica. O alicerce da casa de Moisés é a lei e os profetas, e o alicerce da casa de Jesus é o amor, pois o amor ofusca a lei, por isso Paulo disse: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei” (Rm. 13:8). A lei maior, que é a do amor, faz naufragar a lei menor, que é a da vingança. “Um novo mandamento vós dou; que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vós ameis” (Jo. 13:34). Com este único mandamento, Jesus acabou com a lei e os profetas, por isso Paulo nos diz que o Velho Testamento foi abolido, isto é, caiu a casa de Moisés pela força da chuva, pela inundação dos rios, e pela violência dos fortes ventos (Mt. 7:26-27).

Quando Moisés desceu do monte, tinha um véu sobre o rosto, para que os filhos de Israel não olhassem para aquilo que é transitório; isto é, a casa de Moisés não era permanente. Jesus subiu a um alto monte, e transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandecia como o sol, e os seus vestidos se tornaram brancos como a luz, e eis que apareceram Moisés e Elias falando com ele (Mt. 17:1-3). A glória da morte e da condenação estava oculta debaixo de um véu, mas a glória da graça, do amor do Pai e da vida eterna já não precisa de véu, pois deve ser vista por todos.

Os apóstolos ouviram uma voz do céu dizendo: “Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo, a ele ouvi” (Mt. 17:5; Lc. 9:35). Com estas palavras, o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo declarou que, os da casa de Cristo não têm de ouvir a lei e os profetas, mas o Evangelho de Jesus, por isso Lucas disse: “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus” (Lc. 16:16). Não é preciso estudar teologia para entender que o reino de Deus está fora do Velho Testamento.

Em Hb. 3:4 lemos que toda a casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus. Sendo deus o edificador, a casa é de Deus, e assim Jeová deus declara que a casa de Israel é a sua casa e não a casa de Moisés. “Meu servo Moisés é fiel em toda a minha casa” (Nm. 12:7). “Porque, como o cinto está ligado aos lombos, do homem, assim eu liguei a mim toda a casa de Israel, e toda a casa de Judá, diz Jeová, para me serem por povo, e por nome, e por louvor, e por glória; mas não me deram ouvidos” (Jr. 13:11).

Acontece que a casa de Jesus é própria, e não foi edificada por Deus (Hb.3:6); e assim Jesus é autor e consumador da salvação e da fé (Hb.12:2); temos portanto duas casas: a de Jeová, edificada por Moisés como servo, e a casa de Jesus Cristo, edificada pelas suas próprias mãos (Hb. 3:5-6).

A casa de Moisés, isto é, de Jeová, está simbolizada na Jerusalém da terra; e a casa de Jesus está simbolizada na Jerusalém celestial, pois o reino de Jeová é terreno e o de Jesus é celestial (2 Tm. 4:18).

O contexto do capítulo três da carta aos Hebreus gira em torno das duas casas: a de Moisés, e a de Jesus. Continuando a leitura, lemos que a casa de Jeová caiu no deserto quando Jeová disse: “Jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso” (Hb. 3:11). E a casa caiu no deserto (Hb. 3:17). Não durou mil anos pois acabou no ano 600 a.C.

A casa de Jesus, isto é, a Igreja, permanece em pé por dois mil anos. A casa de Moisés ruiu porque estava edificada sobre a lei, e Paulo diz: “Nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm. 3:20). “Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, obravam em nossos membros para darem fruto para a morte” (Rm. 7:5). “Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei” (1 Co. 15:56).

Com este fundamento da lei, a casa de Jeová estava predestinada a ruína, e é o que aconteceu. E quem quiser voltar às fábulas para se firmar no fundamento da morte e da condenação, já começa caído.

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

(114) – SARA E AGAR

         Faraó, rei do Egito, é figura do diabo. O profeta Ezequiel registra no seu livro, que Jeová chama Faraó de grande dragão. “Assim diz o senhor Jeová: Eis-me contra ti, ó Faraó, rei do Egito, grande dragão, que repousa no meio dos teus rios, e que dizes: O meu rio é meu, e eu o fiz para mim” (Ez. 29:3). E o dragão é o próprio diabo. “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada diabo, e Satanás, que engana a todo o mundo” (Ap. 12:9). O Egito é, portanto, figura deste mundo caótico, e do reino de Satanás.

Abrão, quando foi chamado por Jeová e saiu de Harã, levou junto sua mulher Sarai, e Ló, filho de seu irmão. Agar, a egípcia não estava com eles (Gn. 12:4-5). E Abrão passou a habitar em Canaã, entre Betel e Ai (Gn. 12:5-9). Havia naquela terra uma grande fome, e desceu Abrão ao Egito. Como Sarai  fosse mulher formosa, Abrão, com medo de ser morto, combinou com Sarai para ela dizer que era irmã de Abrão. Realmente, os servos de Faraó gabaram-na diante dele; e foi Sarai tomada para a casa de Faraó. E Faraó amou Sarai, e fez bem a Abrão por amor dela. E teve Abraão, pelos favores de Faraó, ovelhas, e vacas, e jumentos, e servos e servas; e camelos (Gn. 12:10-16). Agar, a egípcia, foi presente de Faraó a Sarai, isto é, de acordo com a figura, o dragão, que é também Satanás, deu uma serva sua a Sarai.

Jeová então feriu Faraó com grandes pragas, e a sua casa, por causa de Sarai. Faraó chamou Abrão, devolveu Sarai, e foram-se do Egito, mas Sarai levou Agar, serva do dragão, do grande dragão (Hebraico: Hatanim Gadol).

Passemos agora ao Novo Testamento, onde o grande apóstolo Paulo revela um dos maiores mistérios da Bíblia: “Dizei-me, os que quereis  estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei? Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre, todavia o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas o que era da livre por promessa. O que se entende por alegoria? Por que estes são os dois concertos, um, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos” (Gl. 4:21-25). A base desta alegoria é a lei de Jeová (Gl. 4:21).

Abrão tinha duas mulheres: Sarai, que era sua parente, e Agar, a escrava egípcia, que foi presente de Faraó, o grande dragão. E Abrão teve dois filhos: O primogênito, filho da escrava, e o segundo, filho de Sarai, a livre (Gl. 4:22). O filho da escrava nasceu segundo a carne, isto é, de cópula carnal, mas o que era da livre nasceu por promessa (Gl. 4:23). Paulo, então, revela o mistério, em parte, dizendo: “O que se entende por alegoria? Porque estes são dois concertos. Um do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar” (Gl. 4:24). Se Agar é o monte Sinai, é figura da lei, que foi dada no monte Sinai. O verso 25 diz: “Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde a Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos.” Quem deu Agar foi Faraó, o grande dragão, e quem deu a lei foi Jeová. E Agar, a egípcia, é Sinai, o monte de Jeová. Se nós invertermos a figura, ficará assim: A lei seria figura de Agar, e Jeová, que deu a lei a Abraão, seria figura de Faraó, o grande dragão. Não é difícil concluir, que, Faraó está para Jeová, assim como Agar está para a lei.

Agar é Sinai, e quem fez o concerto do Sinai foi Jeová. Assim Faraó é figura de Jeová. Ismael, filho de Agar é figura do povo hebreu, e, na realidade, Ismael é hebreu, pois é filho de Abrão. Isaque é figura da Igreja, segundo a revelação de Paulo na carta aos Romanos: “Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem, por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é: Não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” (Rm. 9:6-8). E Paulo prossegue dizendo: Mas nós, irmãos, somos filhos da promessa como Isaque. Mas, como então, aquele que era gerado segundo a carne perseguia o que era segundo o Espírito, assim é também agora. Mas que diz a Escritura? Lança fora a escrava com o seu filho, porque de modo nenhum o filho da escrava herdará com o filho da livre” (Sarai) (Gl. 4:28-30). O que Paulo está revelando é que serão lançados fora a lei, e os gerados pela lei, isto é, Agar e Ismael.

Realmente, no tempo em que a Igreja se firmou e expandiu, Ciro marchou contra Jerusalém e destruiu tudo, inclusive o templo; e os judeus foram espalhados pelos quatro cantos do mundo. O judaismo acabou por mil e novecentos anos, isto é, Agar foi mandada embora com o seu filho (Gn. 21:1-21).

Como Sara é figura de Jerusalém celestial, o filho de Agar vai herdar a Jerusalém terrena, e o filho de Sarai, a Jerusalém celestial. São portanto, duas heranças: uma terrena e outra celestial (Gl. 4:25-26).

É preciso frisar também que os sacerdotes judeus perseguiam os cristãos e insuflavam o povo a persegui-los também, e assim o filho da escrava perseguia o filho da livre até que foram expulsos.

Abraão é figura da Cristo, já que Sara é figura da Igreja, e a Igreja é a esposa de Cristo. Faraó possuiu Sarai, e a amou, mas ela, sendo esposa de Abraão, teve de ser devolvida ao legítimo esposo. Do mesmo modo, hoje, Jeová possui a Igreja, mas terá de devolvê-la a Cristo, o legítimo esposo. Cristo vai levar a sua Igreja para o reino celestial de seu Pai, isto é, para a Jerusalém celestial, e os de Jeová vão herdar a Jerusalém terrena, porque optaram pelo concerto do Sinai, feito por Jeová. A casa de Jeová é Israel, e os israelitas têm sofrido nestes dois mil anos todo tipo de flagelos, haja visto o grande holocausto na última grande guerra, quando seis milhões de judeus foram torturados e mortos nos campos de extermínio de Hittler. Em Num. 12:7, Jeová declara que a sua casa é Israel. Os cristãos de nossos dias, fanáticos pelo Velho Testamento que foi abolido por Cristo (2 Co. 3:14), insistem em se fazer filhos de Agar, e assim se tornam escravos com Ismael, e não herdarão a Jerusalém celestial. Isto é o que sugere esta fenomenal alegoria de Paulo.

Por outro lado, Jeová odiava o Egito e seu rei Faraó. O Egito era uma nação gentílica, e Agar a escrava egípcia não era da linhagem de Abraão. Ismael é, portanto, mestiço, e por conseguinte nem Agar poderia ser figura do concerto de Sinai, e nem Ismael figura dos israelitas, mas Paulo fez esta aplicação nesta alegoria de Gl. 4:21-31.

Ora, Abraão gerou a Isaque, Isaque gerou a Jacó, e Jacó gerou doze filhos que são as doze tribos de Israel, e esta é a linhagem de Sara, não de Agar. E foi com Israel que Jeová fez o concerto de Sinai.

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

(113) – O JOIO E O TRIGO 2

            Jesus propôs-lhes uma parábola: “O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo. Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de Família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem então joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo? Porém ele lhes disse: Não, para que ao colher o joio não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos. Até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo ajuntai-o no meu celeiro” (Mt. 13:24-30).

Joio é uma gramínea de aspecto semelhante ao trigo, porém, sem fruto, e que danifica o trigo. Jesus explica que a boa semente são os filhos do reino de Deus, e o joio são os filhos do maligno (Mt. 13:38).

O homem é o que pensa, e assim o joio segue uma doutrina de vida e o trigo segue outra. Jesus disse: “Aquele que escuta as minhas palavras e as pratica” (Mt. 7:24). Os atos e as obras  dependem dos conceitos, logo os conceitos, ou melhor, as doutrinas, caracterizam o joio e o trigo. Nos dias de Jesus havia dois ensinamentos básicos, a saber: A lei e o Evangelho. A lei abrange o Velho Testamento e o Evangelho o Novo Testamento. Como a lei de Moisés não combinava com a graça do Evangelho, vamos considerar a lei como o JOIO.

1. A lei não salva ninguém, pois o apóstolo Paulo diz: “Nenhuma carne será justificada diante de Deus pelas obras da lei; porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm. 3:20). E disse mais o grande apóstolo: “Se Cristo não ressuscitou é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados, e também os que dormiram em Cristo estão perdidos” (1 Co. 15:17-18). A salvação de todos dependeu da ressurreição de Cristo e não da obediência da lei; logo a lei não salva. Muitos pensam que obedecendo a lei serão salvos, mas estão enganados. LOGO, A LEI É JOIO, pois sem a ressurreição de Cristo, os fiéis à lei do Velho Testamento estão perdidos.

2. O trigo produz fruto para Deus, o joio não. Explicando a parábola do trigo e do joio, Jesus afirmou que o joio são os que causam escândalo e cometem iniquidade. Ora, a lei é a força do pecado, e não da santidade, logo a lei é joio (1 Co. 15:56; Mt. 13:41).

3. A corrupção reside na carne (1 Co. 15:50). A lei está ligada à carne, e o Evangelho está ligado ao Espírito Santo, como disse Paulo: “O que era impossível à lei, visto que estava enferma pela carne” (Rm. 8:3). “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito Santo, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm. 8:9). “Jesus não foi feito segundo a lei do mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível” (Hb. 7:16). Se o mandamento é carnal, e a carne se opõe ao Espírito Santo, a lei é joio (Gl. 5:17).

4. O trigo foi plantado antes do joio (Mt. 13:24-25). E o Evangelho foi pregado antes da lei a Abraão.“Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o Evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti; de sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão” (Gl. 3:8-9). Sobre isto, Jesus disse: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o e alegrou-se” (Jo. 8:56). E Paulo fecha com chave de ouro dizendo: “Mas digo isto: Que tendo sido o testamento anteriormente confirmado por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não o invalida de forma a abolir a promessa” (Gl. 3:17). A lei não conseguiu abolir a promessa, mas Cristo aboliu os mandamentos do Velho Testamento na cruz (Cl. 2:14-15)“Por que o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Rm. 10:4). Concluímos que a lei foi o joio lançado pelo inimigo para atrapalhar e confundir. Na carta aos Hebreus lemos que a lei de Moisés é fraca e inútil e não aperfeiçoa o homem para o reino de Deus (Hb. 7:18-19).

5. A lei promove a inimizade entre o homem e Deus. “Jesus na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo, dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” (Ef. 2:15-16) Ora, se a lei de Jeová forjou uma inimizade entre os homens e Deus, que Cristo teve de desfazer na cruz, a lei é joio.

6. Os homens são salvos pela fé, “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom  de Deus, não vem das obras para que ninguém se glorie” (Ef. 2:8-9). “Concluímos pois que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei (Rm. 3:28). As obras da lei são o joio que tornam o homem soberbo, como lemos na parábola do fariseu e o publicano em Lc. 18:9-14. Paulo declara que a lei não faz parte da fé, em Gal. 3:12, logo a lei é joio.

7. Cristo tira do homem o pecado, isto é, liberta do pecado (Rm. 6:18). Para deixar bem claro que o cristão salvo não peca, o apóstolo João diz: “E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. QUALQUER QUE PERMANECE NELE NÃO PECA, QUALQUER QUE PECA NÃO O VIU NEM O CONHECEU” (1 Jo. 3:5-6). Leiamos agora Paulo: “Porque quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, obravam em nossos membros para darem fruto para a morte” (Rm. 7:5). E  continua dizendo: “O aguilhão da morte é o pecado, e a FORÇA DO PECADO É A LEI” (1 Co. 15:56).Que joio terrível é a lei!

8. A lei fabrica escravos e medrosos. “Dizei-me, os que quereis estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei? Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava (Agar), o outro da livre (Sara). Todavia o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas o que era da livre, por promessa. O que se entende por alegoria? Porque estes são os dois concertos; UM DO MONTE SINAI, GERANDO FILHOS PARA A SERVIDÃO, QUE É AGAR” (Gl. 4:21-24). O filho de Agar, Ismael, é a figura dos gerados pela lei que são escravos. Paulo diz que esses têm o espírito de escravidão, falando aos crentes do Novo Testamento. “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos, Abba (PAI)” (Rm. 8:15). E Jesus afirma que os escravos não ficam para sempre em casa;  o filho fica (Jo. 8:35). Cristo quer libertar do joio da lei, para tornar-nos filhos, como ele é Filho. “E CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ” (Jo 8:32). “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo. 8:36).

9. E terminamos citando as palavras de João novamente: “PORQUE A LEI FOI DADA POR MOISÉS, A GRAÇA E A VERDADE VIERAM POR JESUS CRISTO” (Jo. 1:17). Parece que João está revelando que não há verdade na lei; por isso que é joio; e que Jesus Cristo e Jeová têm ministérios diferentes.

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(112) – OS PRIMOGÊNITOS

No Velho Testamento, os primogênitos foram todos marcados pela desgraça, pelas maldições e pela morte. Caim, o primogênito de Adão, trouxe uma oferta a Jeová, e esta foi rejeitada. Caim irou-se, pois a oferta de Abel, seu irmão foi aceita, e, quando estavam no campo, Caim matou a seu irmão, e se tornou maldito de Jeová, e um vagabundo errante (Gn. 4:1-5; 4:8-14).

O primogênito de Abraão foi Ismael, filho de Hagar, a egípcia, e nasceu catorze anos antes de Isaque. Como Sarai era estéril, deu a Abraão sua serva egípcia, dizendo: “Terei filhos dela” (Gn. 16:2). Hagar concebeu, e Sarai, com ciúmes, a despediu. O anjo de Jeová a achou no deserto, determinou que o nome da criança fosse Ismael, que traduzido é: “Quem Deus ouve” e ordenou que ela voltasse para casa. Hagar obedeceu, e ficou submetida à antipatia de Sarai por catorze anos (Gn. 16:5-11).

O anjo de Jeová revelou a Hagar que Ismael, isto é, os árabes, seriam adversários dos judeus, isto é, Isaque (Gn. 16:12). Passados os catorze anos, quando nasceu Isaque, Sara, (pois este é o novo nome de Sarai, Gên.17:15), exigiu que Hagar, a egípcia, e seu filho Ismael, fossem banidos do lar. Abraão não gostou e foi consultar a Jeová, que lhe disse: “Ouça a tua mulher em tudo que te diz” (Gn. 21:1-12). Ismael não herdou a bênção de Abraão, e está fora da promessa. Primogênito destituído.

O terceiro primogênito foi Esaú, filho de Isaque, que foi rejeitado desde o ventre, pois era gêmeo de Jacó, mas nasceu primeiro. “Não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal, para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama” (Rm. 9:11; Gn. 25:24-26). O fato é que foi rejeitado antes de praticar as obras más, mas depois as praticou.

O quarto primogênito que foi destituído chamava-se Rubem, filho de Jacó e Léia (Gn. 29:32; Ex.6:14). Raquel, amada de Jacó, era estéril, e como Léia já estava no quarto filho, Raquel, desesperada para ser mãe, entregou a Jacó sua serva, de nome Bila. Esta deu a Jacó dois filhos, Dan, e Naftali (Gn. 29:32; 30:1-8). Rubem seduziu Bila e cometeu incesto (Gn. 35:22) Por esta causa a sua primogenitura passou aos filhos de José. “Quanto aos filhos de Rubem, o primogênito de Israel; porque ele era o primogênito, mas porque profanara a cama de seu pai, deu-se a sua primogenitura aos filhos de José” (1  Cr. 5:1; Gn. 41:51-52).

O quinto primogênito que caiu em desgraça aos olhos de Jeová foi Manassés, filho de José; Efraim, seu irmão mais novo ficou sendo o primogênito, e portador da bênção de Abraão (Gn. 48:14-20).

O sexto primogênito que perdeu a bênção de Jeová foi Gerson, filho de Moisés e Zípora. O próprio nome GERSON quer dizer “banimento”. Podemos dizer que Gerson foi banido da casa de Moisés, mas como Moisés sempre foi bom, manso e justo, o mal estava em Gerson (Nm. 12:3). Lemos no livro de Êxodo que Jeová quis matar Gerson, que ainda era nenê. “E aconteceu no caminho, que Jeová o encontrou, numa estalagem, e o quis matar. Então Zípora tomou uma pedra aguda, e circuncidou o prepúcio de seu filho, e o lançou aos pés de Moisés” (Ex. 4:24-25). O sucessor de Moisés foi Josué, e não Gerson. Josué recebeu o espírito que estava sobre Moisés, e o substituiu no comando do povo para entrar na posse da terra prometida. “Então disse Jeová a Moisés: Toma para ti a Josué, filho de Num, homem em que há o espírito e põe a tua mão sobre ele” (Nm. 27:18).

Vejamos o que sucedeu ao primogênito de Arão, o sumo sacerdote. “Estes são os nomes dos filhos de Arão: O primogênito Nadabe, depois Abiu, Eleazar e Itamar” (Nm. 3:2). “E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário, e puseram nele fogo, e puseram incenso sobre ele, e trouxeram fogo estranho perante Jeová. Então saiu fogo de diante de Jeová, e os consumiu; e morreram perante Jeová” (Lv. 10:1-2).

Davi era o amado de Jeová. Seu primogênito chamava-se Amnom (1 Cr. 3:1). Davi cometeu adultério com Bat Seba e mandou matar seu marido Urias, o Heteu. Jeová, para castigar Davi, promete trazer maldição à sua casa. E nessa maldição, morreu o primeiro filho de Bat Seba. Amnom, o seu primogênito comete incesto com a irmã, de nome Tamar, irmã de Absalão. Este, para se vingar de Amnom, prepara um banquete, e ali foi assassinado o primogênito de Davi. A linhagem real foi cortada, e a força de Davi se secou (Dt. 21:15-17). E as desgraças e maldições continuaram na casa de Davi.

Que Jeová tinha por objetivo matar e destruir os primogênitos, dá para ver no Egito, por ocasião do Êxodo. A décima praga de Jeová foi a morte de todos os primogênitos do Egito, tanto de homens, como de animais (Ex. 12:29).

Para fechar com chave de ouro, Jeová matou seu próprio primogênito. Ele mandou Moisés dizer a Faraó: “Assim diz Jeová: Israel é meu filho, meu primogênito” (Ex. 4:22). Quando esse filho, que era a força de Jeová, caía, em vez de receber ajuda e instrução, era vendido como escravo às nações idólatras e corruptas. “Tu vendes o teu povo por nada, e não aumenta a tua riqueza com o seu preço” (Sl. 44:12). Esta foi a reclamação do salmista, pela destruição de Israel, que leremos a seguir: “Pelo que Jeová rejeitou a toda a semente de Israel, e os oprimiu, e os deu nas mãos dos despojadores, até que os tirou de diante da sua presença, porque rasgou Israel da casa de Davi” (2 Rs. 17:20-21).

O Deus verdadeiro, o Pai de Jesus Cristo, o Deus que é amor e quer salvar a todos, vendo tanta desgraça sobre todos os primogênitos, para mostrar que é diferente do deus do Velho Testamento, fez a Igreja dos primogênitos, isto é, Jesus, o primogênito dos mortos (Cl. 1:18) nos faz primogênitos com ele pela identificação nos padecimentos, aflições, perseguições, martírio, crucificação. “E os que são de Cristo, crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl. 5:24).

        “Mas chegaste ao monte de Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos; a universal assembléia e Igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e os espíritos dos justos aperfeiçoados; e a Jesus, o mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel” (Hb. 12:22-24). 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(111) – O RESGATE DOS PRIMOGÊNITOS

O Primogênito é o primeiro filho e o primeiro entre os irmãos. Jesus foi o primogênito de Maria (Mt. 1:24-25). Jesus teve quatro irmãos, fora as irmãs (Mt. 13:55-56). O primogênito do pai é o primeiro filho. Depois de nascido o primogênito do pai, cada mulher tinha o seu primogênito. Bat Seba teve quatro filhos para Davi. Siméia foi o primogênito, depois Sobate, Natã e Salomão, o caçula, mas o primogênito de Davi foi Amnon, filho de Ainoã (1 Cr. 3:15). Se a esposa que gerou o primogênito não gerasse mais filhos, esse filho seria unigênito, ainda que o pai tivesse muitas esposas com muitos filhos. Foi o caso de Abraão. Sara só teve um filho, que é chamado de unigênito, apesar de Abraão ter mais sete filhos de outras duas mulheres (Gn. 16:1-4; 25:1-2; Hb. 11:17).

A linhagem de um homem era contada pelo primogênito, por isso que a força de um homem estava no primogênito (Dt. 21:15-17). Se morria o primogênito, estava cortada a linhagem e a força do tal homem.

A última praga que Jeová descarregou sobre o Egito foi a morte de todos os primogênitos, tanto de homens como de animais: “E aconteceu, à meia noite, que Jeová feriu a todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se assentava em seu trono, até o primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais” (Ex. 12:29). Diz a Escritura que o pranto e o clamor do Egito foi mui grande (Ex. 12:30).

O valor dos primogênitos vinha de Jeová. O povo de Israel foi chamado por Jeová de filho primogênito (Ex. 4:22). Assim sendo, podemos entender que para salvar o seu primogênito, Jeová matou todos os primogênitos do Egito.

Era tanto o valor dos primogênitos, que Jeová os tomou para si. “Santifica-me todo o primogênito, o que abrir toda a madre entre os filhos de Israel, de homens e animais; porque meu é” (Ex. 13:2). “Apartarás para Jeová tudo o que abrir a madre, de homens e de animais; os machos serão de Jeová. Porém tudo o que abrir a madre da jumenta, resgatarás com cordeiro, e se o não resgatares, cortar-lhes-ás a cabeça; mas todo o primogênito do homem entre teus filhos resgatarás. Se acontecer no futuro, que teu filho pergunte, dizendo: Que é isto? Dir-lhe-ás: Jeová nos tirou com mão forte do Egito, da casa de servidão, porque sucedeu que, endurecendo-se Faraó, para não nos deixar ir, Jeová matou a todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito do homem até o primogênito de Faraó; por isso eu sacrifico a Jeová os machos de tudo o que abre a madre; porém a todo primogênito de meus filhos eu resgato” (Ex. 13:12-15). O texto deixa claro que, não havendo o resgate, os primogênitos serão sacrificados a Jeová, pois pertencem a ele. Este caso assemelha-se ao da circuncisão. Todo macho era circuncidado por estatuto perpétuo. “O filho de oito dias, pois será circuncidado, todo o macho nas vossas gerações; o nascido na casa e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua semente. E estará o meu concerto na vossa carne por concerto eterno. E o macho com prepúcio, cuja carne do prepúcio não estiver circuncidada, aquela alma será extirpada dos seus povos, quebrou o meu concerto” (Gn. 17:12-14). No caso do resgate é igual. Se o pai não resgatar o filho, quebrou o concerto de Jeová. O primogênito será degolado diante de Jeová. ‘O Antigo Testamento Interpretado’ de R.N. Champlin, afirma que os primogênitos eram sacrificados a Jeová. Também, o ‘Vocábulo de Teologia Bíblica’ da Editora Vozes, comenta que, pelas escavações de Gezer e de Taannak, chegou-se a conclusão que o costume bárbaro de imolação de crianças existia também em Israel. Jeová não só aceitava sacrifícios humanos, como também os exigia, pois exigiu de Abraão o sacrifício de seu filho Isaque (Gn. 22). Aceitou o sacrifício da filha Jeftá (Jz. 11). Aceitou o sacrifício de sete filhos de Saul, para aplacar sua ira. Este caso é digno de nota. Saul havia morrido há mais de trinta anos, mas o ódio de Jeová e a sede de vingança aumentavam. Saul estava no inferno, nas mãos de Satanás, e seus filhos estavam nas mãos de Jeová, que mandou três anos de fome sobre Israel. Davi consultou a Jeová, e este lhe disse: É por causa de Saul, que mandou matar os gibeonitas. Davi consultou os gibeonitas, e estes lhe pediram sete filhos de Saul para sacrificarem a Jeová. Estes sete infelizes foram enforcados diante de Jeová (2 Sm. 21:9). O texto termina dizendo que a ira e a sede de vingança passaram, e Jeová se acalmou (2 Sm. 21:14).

Voltando ao primogênitos, o preço pago para resgatá-los era de cinco ciclos de prata (Nm. 3:46-47). Havia o siclo de prata (Lv. 5:15; 27:3). Havia também o siclo de ouro (Gn. 24:22; Jz. 8:26). No capítulo sete do livro de Números, que trata das ofertas, há dezenas de citações sobre os siclos de prata e de ouro.

Pois bem, o apóstolo Pedro, falando do resgate das nossas almas, assim se exprime:  “E, se invocais, por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação. Sabendo que não foi com  coisas corruptíveis como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1 Pd. 1:17-19).

O que nos assusta nesta declaração de Pedro é ele chamar de tradição vã, isto é, sem nenhum valor, aquilo que para Jeová era de valor tão alto que, desobedecido, era punido com a morte. O fato é que o ouro e a prata resgatavam a alma para Jeová, mas não resgatavam para o Pai. Só Cristo resgata com o seu sangue precioso; o resto é coisa vã, sem valor, ritual de tradição para enganar o povo crédulo.

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(110) – O MILÊNIO 2

Jesus, falando sobre o fim deste mundo cão, o faz com as seguintes palavras: “Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem. Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias. E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” (Mt. 24:27-31).

Jesus continua no mesmo contexto dizendo: “Porém daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas unicamente meu Pai. E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos — assim será também a vinda do Filho do homem” (Mt. 24:36-39). Note-se que esta é a segunda vinda de Cristo, pois a primeira foi na encarnação e na manjedoura. Nesta segunda vinda, ao comparar com o dilúvio, todos os homens são destruídos e mortos, e só Noé e sua família se salvam. Com isto, Jesus está explicando, que depois da sua volta, ninguém fica vivo neste mundo. É portanto o fim de tudo. Não haverá vida na terra para um reino milenar; e quando Jesus diz que, dois estando numa cama, um será levado e outro deixado; dois estando no campo, um será levado e outro deixado, os que são deixados, são deixados mortos como aconteceu no dilúvio (Mt. 24:40-44). No momento em que Jesus recolhe os seus escolhidos, os rejeitados são condenados e mortos.

Continuando o sermão profético, Jesus diz: “E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt. 25:31-34). “Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos” (Mt. 25:41). Jesus esclarece que, no momento do arrebatamento da Igreja, nessa mesma hora, serão lançados no fogo eterno os maus. E termina o texto dizendo: “E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna” (Mt. 25:46).

Lucas, o evangelista, reforça esta mesma doutrina. “E interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior” (Lc. 17:20). “Como o relâmpago ilumina desde uma extremidade inferior do céu até à outra extremidade, assim será também o Filho do homem no seu dia, mas primeiro convém que ele padeça muito, e seja reprovado por esta geração. E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos” (Lc. 17:24-27).

Lucas também afirma que na hora em que Jesus retira deste mundo os salvos, todos os que ficaram são consumidos. E Lucas continua: “Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló; comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos; assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar” (Lc. 17:28-30). As palavras de Jesus, registradas por Lucas, deixam claro que, no momento em que Jesus retirar deste mundo a sua Igreja, vai descer fogo do céu para consumir a terra e seus habitantes. Não vai ficar ninguém para contar a história, ou para reinar por mil anos. Pedro descreve esse dia com cores vivas: “Mas os céus e a terra que agora existem, pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo” (2 Pd. 3:7).

E para provar que na volta de Jesus será o Juízo do mundo e da Igreja simultaneamente, Jesus falou pela boca de Lucas: “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar. E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra. Vigiai pois em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer e de estar em pé diante do Filho do homem” (Lc. 21:33-36). O que podemos entender das declarações de Jesus, é que os salvos não serão arrebatados e ressuscitados mil anos antes, mas os não salvos e os filhos da perdição serão colhidos na mesma hora, e é feita a separação. Jesus conta uma parábola para explicar essa verdade.

“O reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes, e, estando cheia, a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. Assim será na consumação dos séculos; virão os anjos, e separarão os maus dentre os justos. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mt. 13:47-50).

Parece que, quando Jesus voltar, não vai ficar ninguém para última semana de Daniel 9:24-27. Parece também que o anti-Cristo já está reinando, e os cristãos já tem o sinal na mão e na testa (Ap. 13:16-17). Parece que os cristãos dos últimos dias já estão debaixo da operação do erro (2 Ts. 2:9-12). O que nos parece, e a prudência aconselha, é que nós, os cristãos, devemos estar prevenidos, isto é, vivendo na prática da caridade, sendo santos em toda a maneira de viver, tendo crucificado o mundo e a carne, e vivendo uma vida mais celestial que terrena (Mt. 24:42; I Pd. 4:8; Cl. 3:12-14; I Pd. 1:15; Gl. 5:24; 6:14; Cl. 3:1-3).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(109) – O MILÊNIO

O milênio é uma palavra usada para os mil anos em que Satanás estará preso; tempo em que os mártires reinarão sobre a Terra antes da segunda vinda de Cristo (Ap. 20:1). No verso seis lemos que são bem aventurados os que têm parte na primeira ressurreição. Isto pressupõe uma segunda ressurreição para juízo (Ap. 20:11-15). Estes textos deixam claro que os salvos ressuscitarão antes do milênio, e os passíveis de condenação ressuscitarão por último. No meio das duas ressurreições os santos reinarão com Cristo durante mil anos com vara de ferro (Ap. 2:26-27; 12:5; 19:15).

Vejamos o que Jesus ensinou sobre a sua volta. “Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou Joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem então joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Quereis pois que vamos arrancá-lo? Porém ele lhes disse: Não; para que ao colher o joio não arranques também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: COLHEI PRIMEIRO O JOIO, E ATAI-O EM MOLHOS PARA O QUEIMAR; MAS O TRIGO AJUNTAI-O NO MEU CELEIRO” (Mt. 13:24-30).

Se foi João, o apóstolo, que escreveu o apocalipse, parece que tem opinião diferente de Jesus, pois afirma que os maus só serão colhidos após mil anos, depois dos justos, e Jesus explica que primeiro vai colher os maus. Os comentários do grego citam muitos pais da Igreja nos primeiros quatro séculos que não aceitavam o Apocalipse como canônico, talvez por algumas discordâncias. O fato é que, se o joio é colhido antes do trigo, acabaram as indagações dos milenistas, pré-milenistas e pós-milenistas. Ao explicar a parábola do trigo e do joio Jesus diz: “O que semeia a boa semente é o Filho do homem; o campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; o inimigo que o semeou é o diabo: E A CEIFA É O FIM DO MUNDO; e os ceifeiros são os anjos. ASSIM COMO O JOIO É COLHIDO E QUEIMADO NO FOGO, ASSIM SERÁ NA CONSUMAÇÃO DESTE MUNDO. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidades, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mt. 13:37-43). Jesus está explicando que, por ocasião do fim deste mundo, colhe primeiro os maus e lança-os no inferno, e depois os justos entram na glória.

Paulo concorda com Jesus. Vejamos seu ensinamento sobre a ressurreição dos santos: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão da noite; pois que, quando disserem: Há paz e segurança; então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão, MAS VÓS, IRMÃOS, JÁ NÃO ESTAIS EM TREVAS, PARA QUE AQUELE DIA VOS SURPREENDA COMO LADRÃO” (1 Ts. 4:16-17; 5:1-4). Aqui Paulo explica que no momento da destruição deste mundo, a Igreja será arrebatada, com a ressurreição dos salvos. Na Segunda carta aos Tessalonicenses 1:7-10, o grande apóstolo dos gentios transmite a mesma ideia.

Pedro também concorda com Jesus e com Paulo. Leiamos seu ensino. “Mas os céus e a terra que agora existem, pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios” (2 Pd. 3:7). “Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a Terra, e as obras que nela há, se queimarão. Havendo pois de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade, AGUARDANDO, E APRESSANDO-VOS PARA A VINDA DO DIA DE DEUS, EM QUE OS CÉUS EM FOGO SE DESFARÃO, E OS ELEMENTOS ARDENDO SE FUNDIRÃO?” (2 Pd. 3:10-12).

Segundo o ensino de Paulo, de Pedro e de Jesus, na hora do fogo, os ímpios não passam pelo fogo, mas os santos passam. E é o fim deste mundo cão. Não haverá sete anos de Anti-Cristo, nem vara de ferro, nem milênio com reinado de terror sobre os pecadores.

Em 1 Co. 3:11-15, lemos: “Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará, na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta, e o fogo provará qual seja o obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra que alguém fez se queimar, sofrerá detrimento, mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo.”

O profeta Daniel, no capítulo 3 do seu livro nos mostra uma fantástica figura da volta de Cristo em fogo. Nabucodonozor fez uma estátua de ouro de uns 24 metros de altura, para que os povos de todas as nações se ajoelhassem diante dela. Nabucodonozor é figura do diabo, e o ouro, das riquezas que o diabo dá. Lá, todos se dobravam diante da estátua, do mesmo modo que hoje todos se curvam diante do dinheiro, e por isso adoram Satanás. Sadraque, Mesaque e Abdenego, amigos de Daniel, não se ajoelharam diante da estátua. Era uma afronta muito grande ao rei, pelo que o forno de fogo foi aquecido sete vezes mais, e os três rapazes foram atados e lançados na fornalha. Nabucodonozor, espantado, gritou: “Não lançamos nós três homens atados no fogo? Eu porém vejo quatro homens soltos que estão passeando no meio do fogo; e o aspecto do quarto é semelhante ao filho dos deuses.” Esses três moços simbolizam os salvos das três raças que povoam a Terra: A caucásica, a mongólica e a etiópica.

O importante é estar preparado para o fim deste mundo, para subir com os santos, e não ficar teologando sobre teorias de homens.

 

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

(108) – DISCRIMINAÇÃO RACIAL

 

O que é racismo? Doutrina ou maneira de ser que afirma a superioridade de certas raças humanas, e manifesta-se por um desprezo em relação à raças consideradas inferiores. Por exemplo: Uma nação se desenvolve mais que outra, e por isso passa a considerar a outra inferior. Os brancos e os negros só são diferentes na cor, pois na inteligência e no espírito são iguais. Como os brancos da Europa e da América se desenvolveram muito, e os africanos permaneciam numa sociedade primitiva, foram considerados seres inferiores e transformados em escravos. Eram transportados em navios e vendidos como animais. Trabalhavam sem salário e sem liberdade, debaixo de açoites, flagelos e linchamentos.

Nos EUA, antes da Guerra de Secessão, os estados do norte tinham quatro milhões de escravos. Os estados do sul, ao todo onze, sendo mais agrícolas, se opuseram à ideia da abolição da escravatura. A Guerra durou cinco anos. A abolição foi exatamente no ano de 1863, à medida em que o Norte se lançou para vencer essa Guerra separatista, sob a presidência de Abraão Lincoln, que foi assassinado.

A discriminação racial é tão abominável, que em todas as nações tiveram de extinguir esse comércio. Só na cidade de Liverpool, na Inglaterra, havia dois mil navios negreiros. O historiador Roscol, que era desta cidade, levantou a sua voz contra este mercado de sangue em 1781. William Pitt, estadista inglês, pronunciou em 1793, no parlamento, um admirável discurso de duas horas, no qual pintou pateticamente os horrores do tráfico da escravatura. O movimento abolicionista tomou forma na Europa. Em 1792, 16 de maio, a Dinamarca aboliu o tráfico dos negros em suas colônias. No congresso continental, feito em Filadélfia em 1774, foi condenado o comércio de escravos. Em 1780, a Pensilvânia tinha pronunciado a libertação dos negros nascidos posteriormente à declaração da independência. Pouco depois os estados do norte e do centro dos EUA proibiram introduzir novos. Começou então o contrabando. Após as proibições, cresceu na Europa o comércio de negros.

Em 1817, na Inglaterra, esse comércio se tornou crime capital. Em 1831, o governo pronunciou a libertação imediata de todos os escravos da coroa. Em 1º de agosto de 1834 foi abolida a escravatura na Inglaterra. A França, a Áustria e a Rússia tardaram a por em execução o fim da escravatura, que já tinha sido proposta no congresso de Viena, em 20 de dezembro de 1841. No México, os navios traficantes eram confiscados, e os capitães punidos com dez anos de prisão. No Brasil, a princesa Isabel, no dia 13 de maio de 1888, extinguiu a escravidão.

A escravidão acabou, mas ficou o preconceito racial e a discriminação. Nos EUA, a discriminação já dura 135 anos. Os negros não eram aceitos em restaurantes e hotéis dos brancos. Seus filhos não podiam entrar nas escolas dos brancos.

Que os brancos, em seu orgulho, vaidade e cobiça, façam discriminação entre uns e outros é aceitável por causa da maldade de seus corações. O que não se pode aceitar é que um Deus, declarado bom pelo próprio Filho (Mt. 19:16-17), todo feito de amor (1 Jo. 4:7-8), que salva todos os homens (1 Tm. 4:10), e decretou uma graça universal, portanto, perdão a todos indistintamente (Tt. 2:17), e que enviou o seu Filho para salvar a todo o que crer, isto é, preto, branco, amarelo, pobre ou rico, culto ou ignorante, escravo ou livre, idólatra, criminoso, prostituto e homicida, faça discriminação racial. Se o Pai ama a todos, amou também os egípcios que foram odiados e discriminados pelo demiurgo, ou Cosunocrator, ou príncipe das potestades do ar, que, segundo muitos dos pais da Igreja nos primeiros dois séculos, fazia acepção de pessoas, era racista, e discriminava pessoas e reinos. Para aquele deus, todos os povos e reinos eram imundos. Só o seu povo não era. “És povo santo para Jeová teu deus, e Jeová te escolheu; de todos os povos que há sobre a terra, para lhe seres o seu povo próprio” (Dt. 14:2). Israel não correspondeu aos planos de Jeová, e como castigo foi mandado para o cativeiro na Assíria em 721 a.C. Mais tarde, o reino de Judá foi para o cativeiro babilônico no ano 606 a.C.

Jeová promete restaurar os dois reinos formando um só, em Ez.37. Nessa época próxima, pois Jeremias marca 70 anos para a grande obra (Jr. 25:11; 29:10-14). O reino de Israel seria superior aos demais reinos, e os povos todos serviriam a Israel, o que evidencia discriminação divina. “Os filhos dos estrangeiros edificarão os teus muros, e os seus reis te servirão; porque no meu furor te feri, mas na minha benignidade tive misericórdia de ti” (Is. 60:10). “E haverá estrangeiros, que apascentarão os vossos rebanhos; e estranhos serão os vossos lavradores e os vossos vinheiros” (Is. 61:5). “Assim diz Jeová: Eis que levantarei a minha mão para as nações, e ante os povos arvorarei a minha bandeira; então trarão os teus filhos nos braços, e as tuas filhas serão levadas nos ombros, e os reis serão os teus aios e as suas princesas as tuas amas; diante de ti se inclinarão com o rosto em terra e lamberão o pó dos teus pés, e saberás que eu sou Jeová” (Is. 49:22-23).

No Novo Testamento lemos que o verdadeiro Deus é Pai de todos os povos, e no seu reino ninguém vai beijar os pés dos outros. “É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios certamente” (Rm. 3:29). Jeová era o Deus de Israel somente, mas o Pai é Deus de todos os homens (Ef. 4:6).

Os cristãos, inspirados no Velho Testamento e alimentando o desejo de serem superiores aos povos, fizeram uma interpretação escatológica do Apocalipse, sonhando reinar sobre os povos com vara de ferro por mil anos. Os textos básicos para esse sonho estão no Apocalipse. “E ao que vencer, e  guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações. E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vaso de oleiro; como também recebi de meu pai” (Ap. 2:26-27). “E, para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” (Ap. 5:10). “E reinaram com Cristo mil anos” (Ap. 20:4).

Se  Jesus formar um povo superior para reinar sobre os inferiores com vara de ferro, estará se igualando aos planos de Jeová.

Ponderações ajudam a esclarecer o assunto:

1-    Jesus não vai reinar neste mundo, pois declarou: “Meu reino não é deste mundo” (Jo. 18:36).

2-    Paulo afirmou que vai morar num reino celestial e não terreno (2 Tm. 4:18).

3-    Nossa pátria não é na terra, e aqui somos estrangeiros (Hb. 11:13-16).

4-    A terra é o reino de Satanás, e Deus não vai trazer o seu reino para juntar ao de Satã (Mt. 12:24-28).

5-    A Igreja é o reino de Deus entre os homens, mas apenas para arrancá-los do poder de Satanás, e levá-los ao reino da luz (At. 26:18; Cl. 1:12-13).

6-    Pedro afirma que a nossa herança está nos céus e não na terra (1 Pd.1:3-4).

 

Autoria Pastor Olavo S. Pereira