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(107) – O BERÇO DO CRISTIANISMO 3 – O CÂNON

 

A palavra Cânon é uma forma latina da palavra Kanon, que no grego significa cana, uma vara usada para medir. Para os cristãos passou a significar regra ou medida. O Cânon das escrituras é o conjunto de livros considerados inspirados por Deus e sagrados. O Cânon do Novo Testamento só foi formado a partir do ano 300 d.C., e foi baseado nas citações dos mais ilustres conhecedores das Escrituras, varões de renome no meio cristão da época inicial. Citaremos os nomes destes varões e alicerces da Igreja nascente.

1. Clemente de Alexandria: reconheceu catorze epístolas paulinas (incluindo Hebreus); omitiu Tiago, II Pedro e III João.

2. Orígenes: cita todos os livros, com exceção de Tiago e Judas.

3. Clemente: bispo de Roma, 95 d.C., cita como canônicos – I Pedro, Mateus, Lucas, Romanos, I e II Coríntios, Hebreus e I Timóteo.

4. Policarpo: bispo de Smirna e discípulo de João citou muitos livros do Novo Testamento.

5. Taciano: No ano 160 d.C., escreveu uma harmonia entre os 4 Evangelhos.

6. Justino: o mártir escreveu as apologias (defesa) do Evangelho, e citou Atos dos Apóstolos, Efésios, Colossenses e Apocalipse de João.

7. Irineu:  130 a 200 d.C. cita a maioria dos livros do Novo Testamento.

* No ano 210 d.C. surgiu a versão siríaca do Novo Testamento, que era quase completa.

8. Hipólito: que viveu no ano 170 d.C. citou os 27 livros do Novo Testamento como autênticos. Tinha dúvidas quanto ao livro de Hebreus.

9. Eusébio Panfílio:  315 d.C. citou todos os livros do Novo Testamento, mas afirma que há contestação da parte de alguns a respeito de Tiago, Judas, II Pedro, II e III João, e Apocalipse.

10. Cirilo de Jerusalém: 340 d.C. citou todos os livros menos o Apocalipse.

11. Concílio de Laodicéia: 364 d.C. citou todos os livros do Novo Testamento, menos o Apocalipse.

12. Gregório Nazianseno: 375 d.C. citou todos menos o Apocalipse.

13. Anfilóquio de Icônio: 380 d.C. citou todos, mas afirmou que a maioria exclui o Apocalipse.

14. Filástrio de Bréscia: 380 d.C. citou todos os livros do Novo Testamento. Mencionou 13 epístolas de Paulo e a epístola aos Hebreus. Afirma que muitos negavam a canonicidade do Apocalipse.

15. Marcion: 120 d.C. citou Lucas, Romanos, I e II Coríntios, Efésios, Gálatas, Colossenses e Filemon. Marcion foi considerado herege por não crer que Jeová é o pai de Jesus Cristo. Enquanto o Pai é cheio de amor, Jeová é cheio de ódio (Sl. 7:11;  I Jo. 4:7-8).

Três coisas chamam a nossa atenção na vida de Marcion. A primeira é que, sendo respeitado pelos profundos conhecimentos que tinha da Escritura sagrada, suas citações foram usadas para formar o Cânon do Novo Testamento. A segunda é sobre os seus juízes e algozes, os que mais perseguiram Marcion, revelando no seu comportamento total ausência de misericórdia, recomendada no Novo Testamento. “Porque o Juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia” (Tg. 2:13). E Jesus disse: “Não julgueis para que não sejais julgado, porque com o Juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que medirdes sereis medidos” (Mt. 7:1-2).

Há certos problemas que são de Deus e não do homem, por isso Gamaliel exortou os saduceus e os príncipes dos sacerdotes quando intentaram matar os apóstolos: “Varões israelitas, acautelai-vos a respeito do que haveis de fazer a estes homens, porque antes destes dias levantou-se Teudas, dizendo ser alguém: a este se ajuntou o número de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada. Depois deste levantou-se Judas, o Galileu, nos dias do alistamento, e levou muito povo após si; mas também este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos. E agora digo-vos: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus” (At. 5:35-39).

A terceira é que no ano 144 depois de Cristo, a Igreja já tinha adotado ideias que foram combatidas por Lutero na reforma produzida pelas 95 teses afixadas na porta da Igreja de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517. E que ideias foram estas? Os que condenaram Marcion criam que Maria havia ressuscitado, assentando-se ao lado do Pai, para interceder pelos pecadores. Criam também que Maria salva. Estabeleceram o culto aos mortos, o culto aos anjos, e que Maria era a mãe de Deus. Como pode alguém reparar no argueiro que está no olho do irmão, sem perceber as enormes traves do próprio olho? (Mat. 7:3-4)

Além de Marcion, houve um outro cristão, considerado herege, porém seu nome é citado na formação do Cânon do Novo Testamento. Seu nome é Basilides, que pregou entre os anos 120 e 145 d.C. Basilides foi professor em Alexandria e escreveu alguns livros. Para ele o mundo criado em caos (Gn. 1:1-2) é obra do demiurgo, que procura imitar a Deus. Não mencionamos detalhes de sua doutrina, que pode ser achada pela internet (http:www.iponet.es/casinada)

 

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

 

Bibliografia: Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

Cristologia Gnóstica – B.A.C.

(106) – O BERÇO DO CRISTIANISMO 2

 

O início do cristianismo e da Igreja foi conturbado por fora e por dentro. Por fora a perseguição romana e a sinagoga instigada pelos sacerdotes de Jeová, e por dentro os conflitos doutrinários. Os cristãos judaizantes queriam forçar os gentios a circuncidar-se e andar conforme a lei. Paulo era frontalmente contra. “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura” (Gl. 6:15). “O velho testamento foi por Cristo abolido” (2 Co. 3:14). Ensinava aos judeus que estavam entre os gentios a apartarem-se de Moisés, dizendo-lhes que não deviam circuncidar-se (At. 21:21,28). Chamava o concerto da lei de ministério da morte e da condenação em 2 Co. 3: 6-9. Ensinava que a lei era coisa de anjos (Gl. 3:19).

No início da Igreja tudo era novo, e os cristãos oravam e estudavam de dia e de noite na esperança de descobrir verdades ocultas. Paulo disse “Falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos tempos dos séculos” (1 Co. 2:7).

Nesse cenário surge Marcion, nascido no fim do primeiro século ou início do segundo, filho do Bispo de Sinope. Tornou-se comerciante e viajava com frequência à Roma por motivo de negócios. Em Roma se comportou como um cristão fervoroso, contribuindo com grandes somas de dinheiro para a manutenção da obra. Escreveu um livro intitulado “ANTÍTESES”, onde expunha idéias teológicas que chocavam com a opinião oficial. Sua obra foi inteiramente destruída, e o que sabemos, foi pelo que escreveu Tertuliano em suas refutações, em cinco volumes (160 a 240). Marcion, em sua doutrina, fazia diferença entre o Deus supremo, oculto, inacessível, bom, perfeito, inefável e incompreensível, etc., e outro a quem também chamavam Deus, ainda que não era propriamente, mas é o demiurgo. Este é em realidade uma espécie de anjo ou potência sobrenatural inferior (primeiro na escala descendente) e se denomina a si mesmo como único Deus. O Deus desconhecido, o Deus da bondade e da salvação, só pode ser conhecido em Jesus (Jo. 8:19). Este deus vingativo os judeus chamavam Jeová (Yahvé). Marcion rechaçava este deus por sua crueldade — era amante dos holocaustos sangrentos e ordenava as matanças humanas (Na. 1:2-15; 14:2; Gn. 6:7; Ex. 12:23,29 etc.). O Deus Pai é Espírito, e Jeová é alma (Am. 6:8 e Jo. 4:24). Para Marcion um era o Cristo, Filho do verdadeiro Deus, aparecido em Cafarnaum nos tempos de Tibério, e outro, o Messias, filho do criador, que deveria vir, mas não veio. O Messias ou Cristo animal, puro homem, da família de Davi, destinado somente ao povo israelita, que os arrancaria da diáspora para dar-lhes unidade e poder sobre todos os reinos deste mundo. Seu reino seria marcado pela violência (Sl 2:6-9). Este Messias terreno nunca veio e não se cumpriram as profecias. Paulo explica que o Messias, o Filho unigênito do Pai, não foi gerado na encarnação, mas na ressurreição (Rm. 1:3-4). O próprio Jesus Cristo negou ser o Messias judeu afirmando que o seu reino não era deste mundo (Jo. 18:36). Marcion provou que o deus do Velho Testamento era néscio, pois não era onisciente, atributo indispensável ao Deus verdadeiro. Jeová desceu até Sodoma para ver se a corrupção reinante era verdade ou  não (Gn. 18:20-21). Jeová levou Israel ao deserto, e o tentou, para saber o que estava no coração do povo, se guardariam os mandamentos ou não (Dt. 8:2). O rei Ezequias mostrou aos mensageiros do rei da Babilônia os tesouros da casa de Jeová, e Jeová o desamparou para saber o que havia no seu coração (2 Rs. 20:12-14; 2 Cr. 32:31). Se Jeová sabia que Jó, em suas impiedosas provações, ia permanecer fiel, foi cruel e sádico, entregando-o nas mãos de Satanás para prová-lo (Jó 1:6-21; 2:1-9).

Marcion separava os dois testamentos. A lei e os profetas se caracterizavam pelo temor, não pela justiça rigorosa, não pelo amor, pela misericórdia e benignidade, pelo exterior e sensível, não pelo interior e espiritual; por um nacionalismo provinciano, não pelo universal. Um era o deus de Israel, e outro o Deus de todos  (Ef. 4:6)“A lei e os profetas duraram até João Batista, desde então é anunciado o reino de Deus.” (Lc. 16:16). O reino de Deus não faz parte do Velho Testamento, segundo Lucas. O Novo Testamento nos trouxe uma dispensação totalmente nova: novo Deus, novo Filho, novo Espírito, nova Igreja, nova lei. Jeová cegou Israel com o Velho Testamento, pois os hebreus, continuadores do Velho Testamento e antigo regime, presos a Moisés e aos profetas, não tiveram olhos para crer em Jesus Cristo e seu Evangelho. O choque entre os dois testamentos, entre Jeová e o Deus bom, teve lugar entre os filhos de Jeová, escribas e fariseus, e o filho de Deus. A bondade e a misericórdia foram crucificadas com Jesus, e triunfou o aparato da antiga justiça (Jo. 12:37-41).

Marcion é considerado o maior herege do início da Igreja. Os cristãos do século um e dois se tornaram adversários de Marcion e conseguiram queimar e destruir tudo o que ele escreveu. O que sabemos a seu respeito, nos veio pelas refutações de Tertuliano. Está provado que quem combate uma doutrina, o faz com uma ótica particular, que não corresponde à realidade. Temos um exemplo atual. De 1950 para cá, explodiu o movimento pentecostal, que assustava os cristãos tradicionais com o Batismo no Espírito Santo, curas, profecias e línguas estranhas. As três denominações evangélicas que dominavam o cenário protestante no Brasil se opuseram violentamente, orientados pelos pastores, todos diplomados em teologia. Desencadearam uma guerra contra os avivados. Este que escreve este documentário foi convidado a se retirar da Igreja Batista que frequentava, a não ser que negasse as profecias, línguas estranhas, curas e batismo com Espírito Santo. Eram escritos artigos contra os pentecostais nas revistas evangélicas. Parecia uma inquisição. Passaram-se 50 anos, e hoje os batistas tradicionais estão de braços dados com os batistas pentecostais. Isto prova que a teologia estava errada. O mesmo fato irá acontecer novamente, pois os crentes estabeleceram como base da salvação crer em Jeová. Se uma pessoa crê em Jesus e não crê em Jeová é herege e apóstata, mas na Bíblia não está escrito que quem tem o Pai tem o Filho. O que está escrito é que quem tem o Filho tem também o Pai. Marcion, por exemplo, seus seguidores tinham um padrão moral elevadíssimo, apartando-se do mundo, pois esperavam a volta de Jesus nos seus dias, e este mundo está condenado ao fogo, conforme 1 Ts. 5:1-8; 2 Pd. 3:7-13. Repudiavam os prazeres terrenos, vivendo em jejum e oração e não aceitavam segundas núpcias, mas porque não aceitavam o irado Jeová, foram excomungados como hereges. Hoje, os que condenam Marcion só tocam Rock, são viciados em futebol, cinema e televisão, tomam pílula  anticoncepcional e se divorciam para contrair novas núpcias. Jesus ensinou que, antes de repararmos o argueiro do olho do nosso próximo, devemos reparar a trave do nosso olho (Mt. 7:3).

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

Bibliografia – Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira

Cristologia Gnóstica  Volume 1 – B A C

http: www.iponet.es/casinada

(105) – O BERÇO DO CRISTIANISMO 1

Jesus Cristo é realmente o Filho unigênito do Deus Pai e o único mediador entre Deus e os homens como disse Paulo em 1 Tm. 2:3-5; assim Paulo negou Moisés como mediador. Jesus Cristo afirmou que só Ele revela quem é o Pai, em Mt. 11:27. Neste texto Jesus declara que quem quiser conhecer o Pai tem de ir a Ele, Jesus. Em João 14:6-10 Jesus reafirma que fora dEle ninguém pode conhecer o Pai. Se o Pai se desse a conhecer antes de Cristo vir a este mundo, faria do Filho um mentiroso.

Como Jeová se manifestou antes de Jesus, os religiosos da época, crentes no seu deus, não creram em Jesus. Os fariseus conhecedores do Velho Testamento, os saduceus e os escribas, guiados pelos príncipes e sacerdotes do templo, acusavam Jesus de falso e endemoninhado. Desde o início a implantação da Igreja e do Novo Testamento foram rechaçados. Jesus era chamado de Belzebu pelos patrícios (Mt. 10:21-25). Após a crucificação e ressurreição do Senhor, as perseguições continuaram por fora, mas por dentro, a Igreja era conturbada por ajustes e desajustes entre os cristãos e os próprios apóstolos. Quando aconteceu a conversão do Centurião Cornélio e todos estavam reunidos, os crentes da circuncisão com os apóstolos resistiam a Pedro, pois Cornélio e os outros eram gentios e não judeus (At. 11:1-18). Os cristãos judaizantes queriam forçar os gentios convertidos a circuncidar-se e seguir Moisés. Diz a Bíblia que houve grande contenda; mas Pedro e Tiago, cheios do Espírito Santo, conseguiram acalmar os ânimos e eximir os gentios cristianizados da lei e da circuncisão (At. 15:1-29).

Os apóstolos Paulo e Pedro não concordavam no ministério. Pedro, numa hora, estava com os gentios, e noutra, com os judeus, e Paulo lhe resistiu na cara. Lemos isso na carta aos Gálatas 2:6-14. A conturbação se alastrava.Valentim, um cristão nascido no Egito, foi para Roma no ano 140 depois de Cristo, quarenta e cinco anos depois da morte do apóstolo João, e fundou uma seita em que explicava a origem da criação de forma esquisita. Foi três vezes excomungado pela Igreja. As crueldades e vinganças de Jeová levaram-no a concluir que o Deus supremo cheio de amor nada tem a ver com Jeová, mas que este deus iracundo foi o demiurgo dos gregos, o criador deste mundo tenebroso, e se manifestou aos hebreus como o todo poderoso Jeová, prometendo um reino terreno e eterno, e um messias que haveria de reinar sobre as nações com vara de ferro. Valentim teve muitos seguidores notáveis e sua doutrina durou vários séculos. Nasceu no ano de 85, quando muitos apóstolos viviam, e morreu no ano de 160 d.C.

Ptolomeu, o mais importante da escola italiana de Valentim, escreveu uma “Carta a Flora” onde discute a inspiração da lei mosaica, provando que esta não era de origem exclusivamente divina, baseado em João 1: 17 no qual João afirma que a verdade e a graça não estão na lei. Heracleon, outro discípulo de destaque de Valentim, iniciou uma aproximação com a opinião ortodoxa. Irineu nos deixou uma descrição de sua doutrina, pois os escritos originais foram destruídos. Na sua doutrina, há três classes de homens: o material, homem da esquerda, que perece pela necessidade. O psíquico, designado da direita, encontrando-se no meio do espiritual e do material, e pode inclinar para a matéria ou para o espiritual, que será aperfeiçoado pelo psíquico.

Florino foi outro discípulo de Valentim. Pelo que informou Irineu, defendia que Deus é responsável pelos males deste mundo.

Bardejanes, também da escola de Valentim, nascido em Edesa, convertido no ano de 216 D.C. Escreveu o livro “Diálogos Sobre o Destino”. Escreveu também 150 hinos para propagar a doutrina.

Harmônio, filho de Bardejanes, continuou a obra de seu pai; seus hinos eram cantados até o século V.

Teodoto, da escola oriental de Valentim, discutia as seguintes questões: “O que éramos? Em quem temos sido convertidos? O que é a geração? O que é a regeneração?”  Nas respostas Teodoto explica que o homem tende substancialmente à união com o Deus verdadeiro e perfeito, mas como está exilado num mundo imperfeito que o aprisiona e oprime por meio de forças malignas (Ef. 2:2-3), é arrastado ao mal. Seu livro predileto era o Evangelho de João. Tudo que sabemos a seu respeito, sua doutrina e ensinos, se encontram nos escritos de Clemente de Alexandria. Os valentinianos todos consideravam Jeová como Cosmocrator, o criador da matéria corruptível e deste mundo tenebroso, um abismo e morada dos demônios (Gn. 1:1-2). Para eles o Deus Pai, bom, habita na luz inacessível (1 Tm. 6:16). Além de Valentim, houve outros cristãos que se destacaram por não crer em Jeová. Cerinto foi um judeu convertido ao cristianismo, no tempo apostólico do primeiro século. Pregava sua mensagem no tempo do imperador romano Domiciano, filho de Vespasiano e irmão de Tito, lá pelos anos 81 a 96. Foi o primeiro teólogo judeu que ensinou a distinção entre Deus supremo e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo e o demiurgo Jeová, criador da matéria corruptível. Era um cristão judaizante como os de Atos 15 e os da Galácia. O apóstolo João morreu no ano 95, quando Cerinto estava no auge do seu ministério, e quando o templo foi destruído por Tito, filho de Vespasiano no ano 70 d.C.

No livro “Evangelhos Apócrifos” lemos a história do imperador Tito que reinou de 79 a 81 d.C., sob o título “Vingança do Salvador”, dizendo que este homem tinha câncer no rosto. No porto da Líbia conheceu um ismaelita de nome Natan, a quem perguntou se conhecia algum medicamento para cura do câncer. Natan lhe falou dos milagres de Jesus e de como curou Verônica do fluxo de sangue (Lc. 8:43-48). Tito creu e na mesma hora sarou do câncer. Pediu a Natan que o batizasse. Evangelizado por Natan e tendo tomado consciência das atrocidades cometidas contra Cristo pelos religiosos e sacerdotes, decidiu vingar a morte do Salvador. Mandou cartas a Vespasiano, seu pai, que reinou de 69 a 79 D.C. Este, atendendo a seu filho, organizou um exército e marcharam juntos contra Jerusalém destruindo totalmente o templo dos assassinos dos Filho de Deus. Este relato se acha no livro “Los Evangelhos Apócrifos” da Editora B A C, páginas 513 e 532, onde são revelados detalhes impressionantes sobre a destruição do templo.

 

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

Bibliografia: “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” e http: www.iponet.ebs/casinada.

 

(104) – AS LEIS DA GUERRA

As leis das guerras entre os povos primitivos eram terríveis. Uma cidade era sitiada pelos exércitos inimigos um ano, dois anos, até que o povo ficasse enfraquecido pela fome e pela sede. Então os muros da cidade eram arrombados, tudo queimado a fogo, os varões passados a fio de espada, os príncipes, e os nobres, e os que escapassem da morte eram acorrentados nas galés para remar até morrer, ou afundar com o navio. Então os reis e generais voltavam vitoriosos, trazendo o rei, a rainha e os filhos acorrentados, carros carregados de ouro e prata, especiarias, e tudo o que tem valor. As mulheres faziam parte do despojo para os soldados, e vinham atrás. A glória do rei era aclamada com cânticos e danças durante o desfile macabro. Para o general romano Pompeu, ao voltar das conquistas, dois dias eram poucos para o desfile glorioso; na frente iam cartazes que continham os nomes das nações onde triunfou, e eram: o reino do Ponto, a Armênia, a Capadócia, a Paflagônia, a Média, a Cólquida, as Hiberianas, as Albânias, a Síria, a Sicília, a Mesopotâmia, a Fenícia, a PALESTINA, a JUDÉIA, a Arábia; foram conquistados mil castelos, novecentas cidades e fortes; oitocentos navios de corsários. Em dinheiro, oito milhões de escudos, ouro, prata, anéis e jóias, sem contar o que havia distribuído aos soldados. Nesse desfile magnificente estavam o filho de Tigranes, o rei dos judeus, Aristóbulo, a irmã de Mitridates com cinco de seus filhos, algumas damas da Cítia, os reféns das hiberianas e das Albânias e do rei dos comagenos, e um sem número de troféus. Este foi o terceiro triunfo de Pompeu, pois obteve três grandes triunfos. A primeira vez na África, a segunda na Europa e a terceira na Ásia. Conquistou o mundo com menos de 34 anos. Eram essas as leis das guerras, tanto dos outros povos como as dos romanos e gregos.

Era de se esperar que Jeová, o rei da glória e da santidade (Is. 42:8; Lv. 19:2), criasse algo novo, novas leis, novos princípios compatíveis com a sua glória e santidade (Is. 57:15). Jeová falou: “As primeiras coisas são passadas, e novas coisas vos anuncio” (Is. 42:9). “Desde agora te faço conhecer coisas novas e ocultas, que nunca conheceste” (Is. 48:6). Vamos saber uma das coisas novas anunciadas por Jeová:

Jeová é o deus da guerra, por isso se intitula “O Senhor dos Exércitos” (Ex. 15:3; I Sm. 17:45). Jeová tem um livro secreto com o nome dos reis que odeia para fazer-lhes guerra. “Pelo que se diz no livro das guerras de Jeová” (Nm. 21:14). Certamente no livro secreto de Jeová estavam os nomes dos sete reis cananeus que deveriam ser destruídos por Israel. “Porquanto de Jeová vinha, que os seus corações se endurecessem, para sair ao encontro de Israel na guerra, para os destruir totalmente, para se não ter piedade deles; mas para os destruir a todos, como Jeová tinha ordenado a Moisés” (Js. 11:20). Nesse livro dos jurados de morte estavam os amalequitas. “Porquanto jurou Jeová; haverá guerra de Jeová contra Amaleque de geração em geração” (Ex. 17:16). Os anjos de Jeová são todos guerreiros. De uma feita, um anjo matou 185.000 assírios (2 Rs. 19:35). É Jeová que promove as guerras. Jeová trouxe os exércitos assírios conquistando todos os reinos e chegando à Israel, os levou cativos (Is. 8:7, 8). Foi Jeová quem levantou Nabucodonosor na guerra, e entregou nas suas mãos todas as nações como escravas tributárias (Jr. 27:3-8). Foi Jeová quem levantou os medos e persas contra os caldeus para destruí-los totalmente (Is. 13:13-19).

         Jeová considerava  o reino de Judá como o seu martelo e arma de guerra. Com o seu povo Jeová pretendia despedaçar as nações e seus reis (Jr. 51:20). O Messias de Jeová devia reinar dobre os reinos deste mundo com vara de ferro, despedaçando-os (Sl. 2:8-9).  Jeová, como deus guerreiro e violento, estabeleceu as leis da guerra para o seu povo. Inicialmente Jeová exorta o seu povo a não temer o inimigo, mesmo sendo em maior número, pois Jeová vai à frente do exército para garantir a vitória (Dt. 20:1-4). No Novo Testamento lemos que Deus, o Pai de Jesus Cristo, nunca se envolveu com tais guerras (At. 14:15-16). No Velho Testamento havia quatro situações que desobrigavam um homem de ir à guerra: o que edificou casa e não a consagrou, o que plantou uma vinha e ainda não colheu frutos, o que desposou uma mulher e não a recebeu, e por último, os covardes e medrosos, para não influenciar mal os outros (Dt. 20:5-8).

         “Quando o exército de Jeová, isto é, Israel, cercarem alguma cidade, proporá a paz. Se a tal cidade aceitar as condições de paz, e abrir as portas, todo o povo desta cidade será tributário e servo (Dt. 20:9-11). Porém, se ela não fizer paz contigo, mas antes te fizer guerra, então a sitiarás, e Jeová teu deus a dará na tua mão; e todo o varão que houver nela, passarás a fio de espada, salvo somente as mulheres, e as crianças, e os animais; e tudo o que houver na cidade, todo o seu despojo, tomarás para ti; e comerás o despojo dos teus inimigos, que te deu Jeová teu deus” (Dt. 20:9-14).

Analisando por alto, esta lei  foi dada por um deus que “não faz acepção de pessoas” (Dt. 10:17). Se a cidade aceita a paz, é escravizada e paga tributo. Se não aceita a paz, Jeová entrega a cidade para ser saqueada, e todos os varões são passados a fio de espada?

E esse deus é amor, como lemos em 1 Jo. 4:7-8???

É fácil perceber que Jeová deu ao seu povo uma lei semelhante à dos povos bárbaros, dominadores, tirânicos e cruéis.

Comparando com o Novo Testamento, o plano do verdadeiro Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo não é roubar, matar e destruir (Jo. 10:10), mas salvar a todos em todo o universo (Mc.16:15-16).

No Velho Testamento as mulheres, as virgens e as crianças faziam parte do despojo. Era uma verdadeira feira de almas humanas, como se não tivessem sentimentos. As leis de guerra de Jeová são mil vezes inferiores às dos homens, pois os homens são meio animais e selvagens, mas Jeová se intitula deus. O pior é que João afirma no seu Evangelho que o amor de Deus é tão grande, tão imenso, que enviou seu unigênito Filho para salvá-los e não para condená-los (Jo. 3:16-17). 

 

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

 

(103) – O REI SALOMÃO

Salomão, por direito, não devia se assentar no trono de Davi. Como aconteceu isso? Pela lei de Jeová, o primogênito herdava o trono: “Quando um homem tiver mulheres, uma a quem ama, e outra a quem não ama, e a amada e a aborrecida lhe derem filhos, e o filho primogênito for da aborrecida, será que, no dia em que fizer herdar a seus filhos o que tiver, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, adiante do filho da aborrecida que é o primogênito; mas ao filho da aborrecida reconhecerá por primogênito, dando-lhe dobrada porção de tudo quanto tiver porquanto aquele é o primogênito da sua força, o direito da primogenitura seu é” (Dt. 21:15-17).

Davi teve dez filhos, a saber: Amnom, Daniel, Absalão, Adonias, Sefatias, Itreão, Simeia e Sobabe, e Natã e Salomão. Estes últimos quatro foram os filhos de Bat-Seba, mulher de Urias, o Heteu, com que Davi cometeu adultério e homicídio, pois para se livrar de Urias, marido de Bat-Seba, mandou matá-lo. Davi teve mais nove filhos, afora os filhos das concubinas. Esta genealogia se acha em 1 Cr.3:1-9.

Os três primeiros filhos de Davi haviam morrido (Amnom, Daniel e Absalão). O quarto, Adonias, pela lei de Jeová, era o legítimo sucessor de Davi para subir ao trono. Salomão era o décimo da linhagem, e não tinha chance nenhuma de se tornar rei. Como Davi estava já velho e próximo da morte, Adonias, o legítimo herdeiro do trono, começou a reinar. Lemos isto em 1 Rs. 1:1-11. Bat-Seba, mãe de Salomão, apoiada por Natã, o profeta, compareceu diante de Davi, e disse: “Senhor meu, tu juraste à tua serva, por Jeová teu deus, dizendo: Salomão, teu filho, reinará depois de mim, e ele se assentará no meu trono” (1 Rs.1:17-18). Então Davi, para cumprir o seu juramento em nome de Jeová, mas em desobediência à lei, coloca injustamente Salomão no trono, e este, com a sabedoria de Jeová, para garantir o trono, mata seu irmão Adonias (1 Rs. 2:24-25). Se foi Jeová quem predestinou Salomão para ser o rei, não havia necessidade de assassinar o próprio irmão para se garantir. A eleição divina de Salomão se deu assim: “Quando teus dias forem completos; e vierem a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti a tua semente, que sair das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre” (2 Sm. 7:12-13). “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e a minha benignidade não desviarei dele, como a tirei daquele que foi antes de ti” (1 Cr. 17:13). “Teu filho Salomão, ele edificará a minha casa e os meus átrios, porque o escolhi para filho, e eu lhe serei por pai” (1 Cr. 28:6). O nome SALOMÃO, que se traduz por “pacífico”, foi colocado por Jeová: “Eis que o filho que te há de nascer será homem de repouso; porque repouso lhe hei de dar de todos os seus inimigos em redor. PORTANTO SALOMÃO SERÁ O SEU NOME, e paz e descanso darei a Israel nos seus dias” (1 Cr. 22:9). É evidente que, sendo estas predições feitas por Jeová antes do nascimento de Salomão, o adultério com Bat-Seba foi programado por Jeová, inclusive o assassinato de Urias, o heteu. O fato de Davi não ter subido à guerra contra os filhos de Amom, e o fato de o grande rei estar distraído pelo terraço da casa real, e o fato de Bat-Seba estar se exibindo nua perto do terraço, tudo isto somado à predestinação antecipada de Salomão, evidenciam uma manobra sobrenatural para o adultério de Davi. Ora, Jeová se declara deus, e como tal, onisciente, isto é, conhecia todas as coisas antes que acontecessem. São três os maiores atributos de Deus: onipotência, onipresença e onisciência. Deus pode tudo, Deus está presente em todos os acontecimentos do seu povo, e Deus sabe todas as coisas antes que aconteçam. Ler Is. 14:27; 43:13 e Jr. 23:23-24. Foi Jeová que declarou: “Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou deus, e não há outro deus, não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam” (Is. 46:9-10).

Três coisas fantásticas aconteceram envolvendo o rei Salomão:

1- O juramento de Davi. Qualquer leitor da Bíblia percebe que o adultério foi armado pela própria Bat-Seba, exibindo-se nua diante do rei. É fácil perceber que ela, ao se entregar ao rei exigiu o juramento. O preço que Davi pagou antes do pecado foi alto, pois quebrou a lei de Jeová despojando o primogênito de seus direitos, e se submeteu aos caprichos de uma mulher ambiciosa e carnal.

2- Em caso de impedimento ou morte de Adonias, Sefotias deveria reinar; depois dele Itreão; em seguida os filhos de Bat-Seba; Simeia, Sobabe, Natã, e por fim Salomão, o mais novo e décimo da linhagem.

3- Salomão, o predestinado, cheio da sabedoria de Jeová, saqueou o povo com impostos extorsivos. Após sua morte, o povo compareceu diante de seu filho Roboão, que reinava, com o seguinte clamor: “Teu pai agravou o nosso jugo; agora, pois, alivia tu a dura servidão de teu pai, e o seu pesado jugo que nos impôs, e nós te serviremos” (1 Rs. 12:4). Roboão, perverso e corrupto, pois não recebeu nenhuma educação de Salomão, seu pai, ocupado demais com suas mil mulheres e com a exploração do povo, deu a seguinte resposta ao povo oprimido: “Meu pai vos carregou dum jugo pesado, ainda eu aumentarei o vosso jugo; meu pai vos castigou com açoites, porem eu vos castigarei com escorpiões” (1 Rs. 12:11; 1 Rs. 14:20-24).

Para evitar a divisão do reino de Israel, sua corrupção e destruição, Jeová, o todo poderoso (El Shaday), só tinha que fazer uma coisa: colocar como rei em lugar de Davi, Adonias, que detinha o lugar de primogênito. Mas elegeu a Salomão, sabendo que o mesmo ia se corromper na velhice. O autor portanto, da divisão do reino em dois, e da destruição de ambos é Jeová; e foi quem deu o nome a Salomão (1 Cr. 22:9). A tradução desse nome é “pacífico”. Jeová profetizou que Salomão teria paz e repouso, mas Salomão nunca teve paz. O próprio Jeová levantou adversários a Israel e a Salomão. O primeiro foi Hadade, o edomeu  (1 Rs. 11:14-22). O segundo foi Rezom, que foi inimigo de Israel por todos os dias de Salomão (1 Rs. 11:23-25). Jeroboão foi o terceiro (1 Rs. 11:26). Jeremias revela o plano secreto de Jeová para destruir Israel — “Fez Jeová o que intentou; cumpriu a sua palavra que ordenou desde os dias da antiguidade; derrubou e não se apiedou; fez que o inimigo se alegrasse por tua causa, exaltou o poder dos teus adversários” (Lm. 2:17).   

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(102) – O NOVO HOMEM

A Bíblia fala de dois homens: o velho homem e o novo homem. Este velho homem não é o decrépito ou senil, ou ancião de dias. O velho homem é o criado por Jeová, e o novo homem é o criado por Jesus Cristo. São, portanto, duas criações, uma carnal e outra espiritual. De Adão até Jesus a vida estava no sangue — “Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas” (Lv. 17:11). “A carne, porém, com sua vida, isto é, com o seu sangue, não comereis” (Gn. 9:4). A partir de Jesus a vida não está mais no sangue, mas no Espírito. “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Jesus Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito, que em vós habita” (Rm. 8:11). O velho homem procede de Adão e Eva, e é mortal. O novo homem procede do último Adão, Jesus Cristo, e é imortal. O apóstolo João registrou as palavras de Jesus: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo. 5:24). Este milagre só é possível a partir de Jesus: “Mas a todos os que o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos quais creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo. 1:12-13)Cristo dá poder ao cristão para se despojar das coisas do velho homem de Jeová: “Quanto ao trato passado, despojai-vos do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito do vosso sentido, e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef. 4:22-24). Paulo nos diz: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co. 5:17).

Jeová declara que criou o homem velho carnal: “Eu fiz a terra, e criei nela o homem; eu o fiz” (Is. 45:12). “Eu fiz a terra, o homem, e os animais que estão sobre a face da terra, pelo meu grande poder” (Jr. 27:5 etc.). Poderíamos pensar que essa criação foi antes da queda, mas Jeová forma o mau e velho homem depois da queda de Adão. Vejamos o que Jeová afirma. Moisés disse a Faraó: “Assim diz Jeová: Israel é meu filho, meu primogênito” (Ex. 4:22). Jeová afirma que formou Israel, o primogênito, desde o ventre: “Assim diz Jeová; teu redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou Jeová que faço todas as coisas” (Is. 44:24). “Assim diz Jeová, que te criou e te formou desde o ventre” (Is. 44:2). Jeová declara-se o autor da maldade do seu povo, que ele próprio criou: “Eu sabia que eras prevaricador desde o ventre” (Is. 48:8). E afirma que essa criação maléfica era atual. “Agora são criadas, e não desde então, e antes deste dia não as ouviste” (Is. 48:7). O salmista diz: “Deus é Jeová: que nos deu a luz” (Sl. 118:27).

Em segundo lugar Jeová afirma que forma o coração de todos os homens, tanto maus como bons — “Jeová olha desde os céus e está vendo a todos os filhos dos homens; da sua morada contempla a todos os moradores da terra. ELE É QUE FORMA O CORAÇÃO DE TODOS ELES; que contempla todas as suas obras” (Sl. 33:13-15). Depois afirma que o coração dos homens é enganoso? “Enganoso é o coração, mais que todas as coisas, e perverso” (Jr. 17:9). “Um coração perverso se apartará de mim; não conhecerei o homem mau” (Sl. 101:4). “O perverso de coração nunca achará o bem” (Pv. 17:20). Formou o mau coração no seu próprio povo, e ainda ordena a Isaías que endureça para não se converter (Is. 6:10).

Em terceiro lugar, foi Jeová que formou o espírito do velho homem carnal. “Peso da palavra de Jeová sobre Israel; Fala Jeová; o que estende o céu, e que funda a terra, e o que forma o espírito do homem dentro dele” (Zc. 12:1; Is. 42:5). O fato é atual e não antes da queda de Adão. E esse espírito do homem velho, formado por Jeová, não entende as coisas de Jesus e do Pai, pois o apóstolo Paulo diz: “Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1 Co. 2:11). “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura” (1 Co. 2:14).

Como fica? Jeová forma nos homens um espírito contrário e avesso a Deus; depois vem Jesus e coloca um Espírito que faz o homem entender as coisas de Deus? Jeová era contrário à salvação?

O Pai de Jesus age de outra forma: “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o Espírito de sabedoria e de revelação, tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos, etc.” (Ef. 1:17-18).

Jó afirma que neste mundo, antes de Jesus, tudo estava nas mãos de Jeová e não na mão do diabo. “Quem não entende por todas estas coisas que a mão de Jeová fez isto. Que esta na sua mão a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda a carne humana?” (Jó 12:9-10).

Jeová é quem dirige os passos dos homens, bons ou maus  (Pv. 20:24).  Jeová é quem faz o ímpio — “Jeová fez todas as coisas para os seus próprios fins, e até o ímpio para o dia do mal” (Pv. 16:4). O Deus Pai de Jesus jamais faria tamanha crueldade. Só um demônio maligno criaria um homem perverso e depois o condenaria. É sadismo.

O Pai de Jesus quer todos os homens perfeitos, como diz Paulo: “Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória desse mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória; a quem anunciamos, a todo homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria, para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo” (Cl. 1:27-28). “E estais perfeitos nele que é a cabeça de todo o principado e potestade” (Cl. 2:10).  O projeto de Jesus e do Pai é criar um homem novo e perfeito, e essa criação parte do velho homem criado por Jeová.  “Quanto ao trato passado, despojai-vos do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito do vosso sentido, e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef. 4:22-24). 

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(101) – O PODER DE JEOVÁ

       “Porque Jeová dos exércitos o determinou; quem pois o invalidará? e a sua mão estendida está; quem pois a fará voltar atrás?” (Is.14:27)

Com estas palavras Jeová está afirmando que não há nenhum outro poder atuando no planeta terra. E faz uma outra declaração pela boca de Moisés: “Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum Deus comigo; eu mato e faço viver, eu firo e eu saro; e ninguém há que escape da minha mão” (Dt. 32:39). Jeová deus estava afirmando, que neste mundo tenebroso, as obras dos espíritos malignos, dos demônios, dos anjos caídos e de Satanás só eram possíveis debaixo de suas ordens, por isso disse: “Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, Jeová, faço todas estas coisas” (Is. 45:7). Analisemos suas obras:

1.     É Jeová que faz a ferida e a sara (Os.6:1). “Ele faz a chaga e ele mesmo a liga; ele fere e suas mãos curam” (Jó 5:18). Fica assim provado que Satanás não faz feridas nem chagas em ninguém. Quem faz tudo isso é o próprio Jeová.

2.     É Jeová quem envia as pragas mortíferas e as tira. Os espias enviados a Canaã, que ao voltar infamaram a terra, morreram de uma praga enviada por Jeová (Nm. 13:1-8; 13:32-33; 14:37). Quando lemos sobre a rebelião de Coré, Datã e Abirão em Nm. 16:1-3, além da terra abrir a sua boca e aquelas famílias descerem vivas ao sepulcro, além de morrerem os 250 homens que seguiram os três rebelados, Jeová mandou uma praga que matou 14.700 israelitas (Nm. 16:29-35; 49-50).  Fica assim provado que Satanás não envia pragas mortíferas, nem tem poder para tirá-las. Tudo vem de Jeová. E se Satanás tivesse poder sobre estas coisas, Jeová fazia parte do mesmo time de Satanás.

3.     É Jeová que assola e mata por meio de pestes mortíferas e destruidoras. No primeiro livro das Crônicas de Israel, quando Davi, incitado pelo próprio Jeová, enumerou o povo, Jeová mandou uma peste medonha que matou 70.000 homens de Israel, seu povo amado. O pior é que ao lermos sobre a tragédia, está escrito que a peste é a espada de Jeová, isto é, a peste é a arma predileta de Jeová (1 Cr. 21:12-14). É por isso que o profeta Habacuque revela que onde Jeová vai, envia na frente a peste (Hb. 3:5). Damos alguns textos complementares: Lv. 26:25; Dt. 32:24; Sl. 106:29-30; Is. 14:11; Jr. 24:10; 27:8. Os profetas de Jeová profetizaram aos reinos deste mundo a guerra, o mal, e a peste (Jr. 28:8). E há dezenas e dezenas de outros textos. Nunca foi escrito que Satanás manda pestes mortíferas. Ele não tem poder sobre estas coisas, pois vem tudo de Jeová.

4.     As maldições – O maldito é o aborrecido, odiado, abominado e condenado. Maldição é o ato de lançar pragas malignas contra a pessoa odiada. Era de se esperar que o diabo, ou Satanás, o odioso, lançasse as maldições, e Jeová deus as anulasse por ser contrário a Satã, mas não é assim. Todas as maldições contidas no Velho Testamento vem da boca de Jeová. “Se não deres ouvido à voz de Jeová teu deus, para não obedeceres os seus mandamentos, e os seus estatutos, então sobre ti virão todas estas maldições, e te alcançarão. Maldito serás tu na cidade, e maldito serás no campo. Maldito o teu cesto e a tua amassadeira. Maldito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e a criação das tuas vacas, e os rebanhos das tuas ovelhas. Maldito serás ao entrares e ao saíres, Jeová mandará sobre ti a maldição, a turbação e a perdição em tudo que puseres a tua mão para fazer, até que sejas destruído…” (Dt. 28:15-20). “A maldição de Jeová habita na casa do ímpio, mas a habitação do justo será abençoada” (Pv. 3:33). O diabo não lança maldição sobre ninguém, nem tem poder sobre essas coisas. Só Jeová tem poder para lançar as terríveis e pestíferas maldições descritas no Velho Testamento, que é o concerto da morte e da condenação (2 Co. 3:6-9). Ninguém deve culpar o diabo das maldições que padece.

5.     Os males deste mundo – Este mundo está infestado de males. O mal está em todas as coisas: nos negócios, na política, nas sociedades, nas escolas, nas cidades, no campo. São as bebidas, o fumo, as drogas, a prostituição, os crimes, roubos, mentiras, traições, cobiças, invejas, taras, loucura, psicopatias, psicoses, esquizofrenias, paranoias, etc, etc. Quem será o autor de todos esses males? O diabo? Jeová se proclama o autor do mal e dos males. “Eu, Jeová, crio o mal” (Is. 45:7). É Jeová que pronuncia o mal contra uma pessoa ou um reino (Jr. 11:17). É Jeová quem forja o mal contra um reino ou pessoa, ou família (Jr. 18:11). Jeová se coloca contra para fazer o mal e não para fazer o bem. “Eis que eu velarei sobre eles para mal e não para o bem” (Jr. 44:27). “Porque pus o meu rosto contra esta cidade para mal e não para bem, diz Jeová” (Jr. 21:10).  Estas declarações de Jeová são totalmente contrárias a João 3:16 1 Tm. 2:3-4 que falam do amor salvador do Pai. Em Amós 3:6 lemos: “Sucederá algum mal a cidade, e Jeová não o terá feito?” É óbvio que numa cidade há males causados pelos homens, males causados por demônios e males causados pelo próprio diabo, mas Jeová, neste texto assume a paternidade de todos os males, isto é, os seus, os dos demônios, os dos homens perversos e os de Satanás. Jeová, o deus que sabe criar o mal, assume qualquer tipo de mal, essas mortes e assassinatos das grandes cidades, os estupros, os latrocínios, as traições, tudo que é maligno e destrói.

6.     O Pai de Jesus Cristo revela uma característica diferente e oposta a de Jeová. “Toda a boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg. 1:17). Isto quer dizer que toda boa obra, toda bondade, todas as boas dádivas da caridade, que são feitas neste mundo tenebroso, revelam a existência do Pai, e o Pai assume a paternidade de todo bem que alguém faça, ainda que não conheça a Jesus Cristo, por isso, até um copo d’água dado a um cristão terá seu prêmio na eternidade (Mt. 10:42). O mal, que Satanás impôs a Jó, teve a aprovação de Jeová, por isso Jó declara que foi El Shaday o autor — “Porque as frechas de El Sahday estão em mim, e o seu ardente veneno o bebe o meu espírito; Os terrores de deus se armam contra mim” (Jó 6:4).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

 

(100) – O PODER DO DIABO

 

         Terá o diabo algum poder? Parece que o diabo é destituído de poder. Vejamos o que a Bíblia revela sobre o poder do diabo. Na carta de Tiago lemos: “Sujeitai-vos pois a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg.4:7). Este texto nos revela três coisas:

1.   O homem pode resistir ao diabo.

2.   Quando o homem resiste, o diabo foge.

3.   O homem é mais forte que o diabo. Fantástico!

O diabo, tido como o anjo rebelde que derrubou um terço dos anjos, e que sujeitou todos os homens a uma escravidão maléfica, pecaminosa e mortal, é mais fraco que o homem, e foge do mesmo. O homem se deixa enganar pelo diabo porque gosta. Quando tiver motivo para resistir, resiste, e o diabo foge. E qual é o motivo? É o conhecimento de Jesus Cristo, por isso Tiago diz: “Sujeitai-vos pois a Deus”. O apóstolo João declara: “Pais, escrevo-vos, porque conhecestes aquele que é desde o princípio. Mancebos, escrevo-vos, porque vencestes o maligno” (1 Jo.2:13). O homem só é dominado pelo diabo porque se entrega, por isso Paulo avisa dizendo: “Não deis lugar ao diabo” (Ef.4:27). O diabo é um anjo caído, é destituído de poder. Então, às ocultas, arma ciladas para os que entram nas veredas deste mundo. “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” (Ef.6:11). Só os fracos e covardes armam ciladas. O diabo é o tentador e enganador. Adão e Eva poderiam ter resistido. Eva caiu porque creu na mentira do diabo. “Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada , caiu em transgressão” (1 Tim.2:14).

1.   Este mundo está infestado de espíritos malignos. De onde surgiram estes espíritos? Os espíritos perversos procedem de Jeová. “Jeová derramou no meio dele um espírito perverso” (Is.19:14). “Jeová pôs o espírito de mentira na boca de todos estes teus profetas, e Jeová falou mal contra ti” (1 Rs.22:23). “O espírito maligno da parte de Jeová  veio sobre Saul” (1 Sm.19:9). “Assim diz Jeová: tua mulher se prostituirá na cidade” (Am.7:17). Estes textos provam que os maus espíritos procedem todos de Jeová e não do diabo. Todos os espíritos malignos e perversos saem de Jeová. Ora, lemos em Zacarias 12:1 que Jeová forma o espírito dentro das pessoas. Sendo assim, todos os homens perversos, mentirosos, malignos e prostitutos, são obra das mãos de Jeová. O diabo participa obedecendo ordens unicamente.

2.   Quando lemos em At.26:18 que Cristo abriu os olhos do pecador, e das trevas o converteu à luz, e do poder de Satanás à Deus, pensamos que o diabo é o autor das trevas, mas não é assim. O autor das trevas é Jeová. “Eu formo a luz, eu crio as trevas” (Is.45:7). Jeová se manifesta nas trevas, e não na luz. Quando ditou os dez mandamentos no monte Sinai, o fez do meio das trevas (Dt.4:10-11; 5:23). Havia trevas e tempestade quando Jeová falava (Hb.12:18). Jeremias confessa que Jeová o fez andar em trevas e não na luz (Lm.3:1-2). Jó se queixa de Jeová com estas palavras: “O meu caminho ele entrincheirou, e não posso passar, e nas minhas veredas pôs trevas” (Jó 19:8). O povo de Israel saiu do Egito pela mão de Moisés, e perambulou em trevas por séculos e séculos. “O povo que andava em trevas viu uma grande luz.” (Is.9:2). Indubitavelmente, as trevas onde se ocultam os demônios servem de esconderijo para Jeová deus. “Fez das trevas o seu lugar oculto” (Sl.18:11). Satanás e Jeová habitam na mesma casa, mas casa feita por Jeová.

3.   As feras devoradoras e as serpentes venenosas não são enviadas pelo diabo, mas sim por Jeová. “Males amontoarei sobre eles, as minhas setas esgotarei contra eles. Exaustos serão de fome, comidos de carbúnculo e de peste amarga; e entre eles enviarei dentes de feras, com ardente peçonha de serpentes do pó” (Dt.32:23-24). “E aconteceu que, no princípio da sua habitação ali, não temeram a Jeová; e mandou entre eles leões, que mataram alguns deles” (2 Rs.17:25).

4.   O evangelista Lucas declara que Cristo veio apregoar liberdade aos cativos, e dar vistas aos cegos, a por em liberdade aos oprimidos; a anunciar o ano aceitável do Senhor (Lc.4:19). Esta declaração baseia-se em Isaías 61:1. Ao lermos estes trechos da Escritura entendemos que esses males são produzidos pelo diabo, mas não. O autor das cegueiras e dos cativeiros sempre foi Jeová deus. Jeremias nos revela essa verdade“Eu fiz a terra, o homem e os animais que estão sobre a face da terra, pelo meu grande poder, e com o meu braço estendido, e a dou àquele que me agrada em meus olhos. E agora eu entreguei todas estas terras na mão de Nabucodonozor, rei da Babilônia, meu servo. E todas as nações o servirão a ele, e a seu filho, e ao filho de seu filho. E acontecerá que, se alguma nação e reino não puserem o seu pescoço debaixo do jugo do rei de Babilônia, visitarei com espada, e com fome, e com peste essa nação, até que a consuma, diz Jeová.” (Jr.27:5-8). Jeová entregou ao cativeiro seu próprio povo (Jz.3:8; 4:1-3; 6:1 etc.; 2 Rs.17:20-21; 2 Cr.36:17-20). Quem não tem misericórdia dos seus próprios filhos, não tem misericórdia de ninguém, logo, o Deus que vai ter misericórdia de todos não é Jeová, mas o Pai de Jesus Cristo (Rm.11:32). E Jesus liberta da mão de Jeová e não do diabo.

5.   Quem promove as guerras fratricidas e assassinas não é o diabo, mas Jeová, o deus das guerras, como disse Moisés em Ex.15:3; 1 Sm.17:47; Nm.21:14; Jr.51:11-25, etc. Não é o diabo o Senhor dos exércitos, mas Jeová.

6.   Este mundo se divide em dois grupos – os ricos e os pobres. No Brasil, a miséria produz favelas em todas as cidades. Milhões de crianças abandonadas pela miséria dos pais estão pelas ruas, na escola do crime e do roubo. Na África, milhares de pessoas morrem de fome, e quem é que produz a pobreza? Jeová. “Jeová empobrece e enriquece, abaixa e levanta” (1 Sm.2:7). Não é  o diabo o pai da pobreza e da miséria, pois Jeová declara que é o criador do mal, e o autor da miséria. Quando Satanás tirou as riquezas de Jó, o fez enviado por Jeová (Jó 1:6-21). E Jó declarou quem foi o autor da sua miséria e do seu flagelo, dizendo: “Jeová deu, Jeová o tirou, bendito seja o nome de Jeová” (Jó 1:21). Jeová enriqueceu Salomão empobrecendo o povo, que após a morte do rei opressor se dirigiu ao filho que subiu ao trono, dizendo: “Teu pai agravou o nosso jugo; agora pois, alivia a dura servidão de teu pai, e o seu pesado jugo que nos impôs, e nós te serviremos” (1 Rs.12:4). O diabo não é o pai da exploração dos pobres pelos ricos, etc. Não tem esse poder.

 

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

(099) – A IMPUTAÇÃO DO PECADO 2

 

No estudo nº 15 desta série tratamos da imputação do pecado aos homens quando não havia lei, e da não imputação, no tempo da graça, quando os homens estavam debaixo da lei de Jeová, dada por Moisés, que era o mediador entre os homens e seu deus.

Neste estudo trataremos do modo de imputação, isto é, como e quando é imputado o pecado, pois entre o Velho e o Novo Testamento há diferenças gritantes.

No Velho Testamento de  Jeová o juízo era imediato, seguindo-se a morte e destruição, e no Novo Testamento, que é o tempo da graça, o juízo será depois do fim deste mundo, e após a ressurreição da carne. Jesus disse: “Os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” (Jo.5:29). E o apóstolo João diz: “Deu o mar os mortos que nele havia, e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada uma segundo as suas obras” (Ap.20:13). Detalhando o assunto, o juízo de Jeová era com a carne, provocando a morte da mesma. “Porque, com o fogo e com a sua espada entrará Jeová em juízo com toda a carne; e os mortos de Jeová serão multiplicados” (Is.66:16). O Pai, entretanto, anunciou pela boca de Paulo: “Deus tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos ressuscitando-o dos mortos” (At.17:31).

A diferença é enorme. Jeová julgava, e imputava o pecado, a morte ou destruição sumariamente, e pessoalmente! O Pai entregou tudo nas mãos do Filho, que executará o juízo na eternidade. “Conjuro-te pois diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos na sua vinda e no seu reino” (2 Tm.4:1). O apóstolo João diz: “O pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo” (Jo.5:22).

No juízo sumário de Jeová era tirada do pecador qualquer chance de arrependimento. No juízo de Cristo, os pecadores têm a vida toda para pensar, escolher, e voluntariamente crer e se arrepender, pois Cristo, o último Adão, morreu na cruz pelos pecadores que Jeová pretendia destruir. Jesus foi o último da linhagem de Adão que morreu pelas mãos de Jeová, por isso Isaías diz: “Todavia a Jeová agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” (Is.53:10). O profeta Zacarias disse: “Ó espada, ergue-te contra o meu pastor e contra o varão que é o meu companheiro, diz Jeová dos exércitos; fere o pastor e as ovelhas se dispersarão” (Zc.13:7).

A obra de Jeová acabou com a morte de Jesus Cristo, e com o fim de acabar o plano de salvação do Pai, por isso está escrito que “as ovelhas se dispersarão”. A obra do Pai começa com a ressurreição de Jesus, como disse Paulo: “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos a fim de que demos frutos para Deus” (Rm.7:4). O Cristo que morreu era um, mas o Cristo que ressuscitou é outro, por isso Paulo disse: “Daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, contudo agora já o não conhecemos deste modo” (2 Co.5:16).

Vamos agora dar exemplos que comprovem as duas doutrinas. Comecemos pelo Velho Testamento. Jeová imputou o pecado aos antediluvianos e os destruiu a todos: homens, mulheres e crianças, não dando nenhuma chance de arrependimento (Gn.6:7-13). Se um homem tinha um animal assassino, que matasse alguém, esse homem morria com o animal (Ex.21:29). O juízo, condenação e morte eram imediatos. Os adivinhos e encantadores eram apedrejados até a morte (Lv.20:27). Quem entregasse seu filho para ser queimado no altar de Moloque — deus dos filhos de Amon — era apedrejado e morto na hora (Lv.20:2). Qualquer dos filhos de Israel que blasfemasse do nome de Jeová também era morto por apedrejamento (Lv.24:16). O adultério era punido com a morte de ambos (Lv.20:10-13, 17; Dt.22: 23-24). Se Jeová estivesse no comando da Igreja, pouca gente sobraria. Os idólatras eram todos mortos a pedradas (Dt.13:6-10). Os israelitas eram proibidos pela lei de fazer qualquer obra no sábado. Quem violasse o sábado era morto a pedradas. Um pobre coitado foi flagrado apanhando lenha no sábado, e por isso foi apedrejado e morto (Nm.15:32-36). Quando um filho era desobediente e rebelde, o pai o entregava aos varões da cidade para que fosse apedrejado (Dt.21:18-21). Também o filho que amaldiçoasse o pai e a mãe era morto (Lv.20:9). Em muitos casos um pecava, e toda a família era apedrejada e morta, como aconteceu com Acã, que na guerra tomou do despojo e com ele morreram filhos, esposa e animais (Js.7:19-25). Jeová nunca deu chance a ninguém que tivesse cometido uma falha. A arca de Jeová ficou na casa de Abinadabe 20 anos (1 Sm.7:1-2). Após esse tempo, estando Davi no trono, mandou trazer a arca de Jeová para Jerusalém, para colocá-la na tenda que construíra. Os filhos de Abinadabe, Uzá e Aiô, iam andando aos lados do carro, com todo o zelo e amor. O carro pendeu, e Uzá, vendo que a arca ia cair, segurou com a mão. Jeová o matou na hora (2 Sm.6;1-7). Jeová matava homens, famílias e reinos sumariamente.

No Novo Testamento, Deus, o Pai, não imputa pecado a ninguém. “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados” (2 Co.5:19). O Pai quer dar chance a todos porque quer salvar a todos. “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (At.17:30). O que complica o entendimento das escrituras é que a lei de Jeová continua, pois só os de Cristo não estão debaixo da lei (Rm.6:14).  Jeová continua condenando e matando, e Jesus Cristo continua resgatando das maldições de Jeová os que crêem, por isso João diz: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado” (Jo.3:18).

 

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

(098) – OS DOIS CONCERTOS

        Na Bíblia encontramos dois concertos ou alianças entre Deus e os homens. No Velho Testamento, o concerto foi estabelecido por Jeová com Israel tendo como mediador Moisés. “Moisés tomou o livro do concerto, e o leu aos ouvidos do povo, e eles disseram: Tudo o que Jeová tem falado faremos, e obedeceremos. Então tomou Moisés aquele sangue, e espargiu-o sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue do concerto que Jeová tem feito convosco sobre todas estas palavras” (Ex.24:7-8). Este concerto de Jeová com Israel tinha como prêmio a terra de Canaã. “E também estabeleci o meu concerto com eles, para dar-lhes a terra de Canaã, a terra de suas peregrinações” (Ex.6:4). Os desobedientes foram privados de entrar em Canaã, e morreram no deserto (Nm.14:29-35). Jeová promete fazer um Novo Concerto por boca de Jeremias, o profeta. “Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz Jeová: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu deus, e eles serão o meu povo” (Jr.31:33). No verso 31 Jeová diz: “Eis que dias veem, diz Jeová, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá” (Jr.31:31). Que concerto novo era este? Era a remoção dos cativeiros, e isto dito pelo próprio Jeová: “Eis que os trarei da terra do norte, e os congregarei das extremidades da terra; e com eles os cegos e aleijados, as mulheres grávidas e as de parto juntamente; em grande congregação virão para aqui. Virão com choro, e com súplicas os levarei; guia-los-ei aos ribeiros de águas, por caminho direito em que não tropeçarão; porque sou um pai para Israel e Efraim e o meu primogênito. Ouvi a palavra de Jeová, ó nações, e anunciai-as nas ilhas de longe, e dizei: Aquele que espalhou Israel o congregará e o guardará, como o pastos ao seu rebanho, porque Jeová resgatou a Jacó…” (Jr.31:8-11). Fica então bem claro, que o retorno de Israel à Palestina era o cumprimento deste segundo concerto. Israel voltou e se constituiu em nação no ano de 1948, logo, o segundo concerto se realizou sem reconstrução do templo, sem sacerdotes e sacrifícios como foi prometido em Ez.40 a 44.

No livro aos Hebreus, capítulo 8, o autor do livro faz referências a estes dois concertos de Jeová com o seu povo, isto é, Israel (Hb.8:8-10). Muitos cristãos confundem este segundo concerto de Jeová com o concerto de Jesus Cristo. O de Jeová era o retorno a Canaã, portanto é um concerto terreno. O concerto de Jesus Cristo não é terreno. O concerto de Jeová, por ser terreno, se baseava em coisas materiais e temporais, ao passo que o concerto de Jesus Cristo é puramente espiritual e eterno. Comparando as bases destes dois concertos, poderemos perceber que os de Jeová nada têm a ver com o de Jesus.

1-   O concerto de Jeová incluía a lei, cuja obediência credenciava para herdar a terra da promessa por longos anos de vida, ao passo que no concerto de Cristo não entra a lei de Jeová. Ouçamos as palavras do apóstolo Paulo: “Mas agora estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito e não na velhice da letra” (Rm.7:6). Na carta aos Hebreus lemos que a lei de Jeová foi fraca e inútil, e que nada aperfeiçoa (Hb.7:18-22).

2-   O concerto de Jeová foi feito com os homens. Obedecendo e cumprindo a lei, o homem garantia a vida e a herança (Lv.18:5; 26:24-25). Jeová afirma que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque (Ec.7:20; 1 Rs.8:46). “A alma que pecar essa morrerá” (Ez.18:4, 24-26). Se não há homem justo que nunca peque, Jeová não poderia fazer concerto ou pacto com o homem. Isso seria condená-lo ao inferno fatalmente. Isso seria predestinar o homem à condenação e à morte inexoravelmente, pois não há homem que não peque, e só não pecando o homem garante a vida na carne e a herança terrena.

O concerto do Pai não é feito com o homem, mas com Jesus. A garantia do cristão não está na própria perfeição, mas na perfeição de Cristo, isto é, Cristo faz tudo por nós e nós apenas cremos e confiamos. Explicando melhor: Eu não me santifico para poder me salvar, mas sou salvo para poder me santificar (2 Ts.2:13). O cristão não faz as obras boas de Deus para obter a graça, mas o cristão recebe a graça de Deus para depois fazer as obras boas de Deus (Ef.2:8-10). Cristo é o fiador do concerto do Pai; se o cristão não pode pagar, Jesus paga (Hb.7:22).

3-   No concerto de Jeová, como dissemos, é impossível ao homem não pecar, logo, é impossível a salvação (Ec.7:20; 1 Rs.8:46; Ez.18:4).  No concerto do Pai, com Jesus, o cristão pode não pecar. “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar porque é nascido de Deus” (1 Jo.3:9). “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca, mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca” (1 Jo.5:18). E o apóstolo João vai mais longe: “E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu” (1 Jo.3:5,6). João afirma que quem comete pecado não o viu nem o conheceu? Sim, pois quem comete pecado é do diabo (1 Jo.3:8).  Se quem comete pecado é do diabo, e no Velho Testamento lemos que não há homem que não peque, todos eram do diabo.

4-   O concerto de Jeová foi o concerto da morte e da condenação, mas o concerto de Cristo é o da vida e: “Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual nos fez também capazes de ser ministros dum novo testamento, não da letra, mas do espírito, porque a letra mata, e o espírito vivifica” (2 Co.3:5-6). Neste concerto de Jeová o homem tem vida, e o concerto lhe garante a morte, pois não há homem que não peque. No concerto de Cristo, o homem tem a morte, mas passa para a vida. Ouçamos as palavras de Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo.5:24).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(097) – O REINO DO DIABO

 

Uma das três tentações do diabo para seduzir Jesus foi oferecer-lhe os reinos deste mundo, se Jesus prostrado o adorasse. Jesus silenciou diante dessa declaração, o que nos leva a crer que realmente o diabo é o rei deste mundo. E Jesus respondeu: “Vai-te Satanás” (Lc.4:5-8) .

Quem entregou os reinos deste mundo a Satanás? Claro que foi o dono. E quem é o dono? Davi revela: “De Jeová é a Terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl.24:1). Jeová não somente se declara dono da Terra, do mundo e dos homens, mas também se declara rei absoluto. “Jeová reinará eterna e perpetuamente” (Ex.15:18). “Alegrem-se os céus, tremam as nações” (Sl.99:1). “Porque o reino é de Jeová, e ele domina entre as nações” (Sl.22:28). “Dizei entre as nações: Jeová reina; o mundo também se firmará para que não se abale” (Sl.96:10). “Porque Jeová altíssimo é tremendo e rei grande sobre toda a Terra” (Sl.47:2). “Deus reina sobre as nações; Deus se assenta sobre o trono da sua santidade” (Sl.47:8).

Por todos estes textos fica provado que não foi Adão que entregou este mundo e seus reinos na mão de Satanás, pois três mil anos depois de Adão, lemos nos profetas e nos salmos que Jeová reina. É Jeová que faz estremecer as nações. “Moabe está destruído, e subiu das suas cidades, e os seus mancebos escolhidos desceram a matança, diz o rei, cujo nome é Jeová dos exércitos” (Jr.48:15). Jeová entregou os reinos deste mundo a Satanás. Este por sua vez ofereceu para Jesus que os não aceitou, pois este mundo não tem conserto. E Jesus declarou: “O meu reino não é deste mundo” (Jo.18:36).

O rei de Babilônia é figura do diabo, e vamos prová-lo. Isaías, o profeta, disse: “Então proferirás este dito contra o rei de Babilônia, e dirás: Como cessou o opressor!” (Is.14:4). O rei de Babilônia era Nabucodonosor e a profecia foi dita contra ele. Continuando a leitura no mesmo capítulo: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações” (Is.14:12). Esta profecia é dirigida ao rei da Babilônia e a Satanás, pois o rei de Babilônia é figura de Satanás. Sendo assim, Nabucodonosor, que foi rei de Babilônia, é figura do diabo, e Jeová se agradava dele.

Jeová declarou: “Eu fiz a terra, o homem, e os animais que estão sobre a face da Terra, pelo meu grande poder, e com o meu braço estendido, e a dou aquele que me agrada a meus olhos. E agora eu entreguei todas estas terras na mão de Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo; e ainda até os animais do campo lhe dei, para que o sirvam.  E todas as nações o servirão a ele, e a seu filho, e ao filho de seu filho, até que também venha o tempo da sua própria terra, quando muitas nações e grandes reis se servirão dele. E acontecerá que, se alguma nação e reino não servirem o mesmo Nabucodonosor, rei de Babilônia, e não puserem o seu pescoço debaixo do jugo do rei de Babilônia, visitarei com espada, e com fome, e com peste essa nação, diz Jeová, até que a consuma” (Jr.27:5-8). Ora, sendo Nabucodonosor figura do diabo, e sendo agradável aos olhos de Jeová, fica claro que o diabo agrada a Jeová, e assim como Jeová entregou todos os reinos na mão do rei de Babilônia, entregou também ao diabo, com lemos em Lc.4:5-8.

Se Jeová foi capaz de entregar o homem mais reto e sincero que havia no mundo, temente a Deus, e que se desviava do mal, nas mãos de Satanás para flagelá-lo, é capaz de coisas ainda piores, como por exemplo, entregar todos os reinos deste mundo nas mãos do diabo. Moças virgens, anciãos honrados, crianças inocentes, tudo entregue nas mãos do diabo. É preciso notar, que, nesta frase: “todos os reinos do mundo”, inclui-se também  o Reino de Israel, que era o reino de Jeová (Ex.19:6; Is.43:15), que diz: “Eu sou Jeová, vosso santo, criador de Israel, vosso rei.”

Quando Jesus curou um endemoninhado cego e mudo, os fariseus diziam: “Este não expulsa demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios, Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como pois subsistirá o seu reino? E se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é consequentemente chegado a vós o reino de Deus” (Mt.12:22-28). A impressão que fica nesta declaração de Jesus é que o reino de Satanás estava implantado em Israel, e que ele, Jesus, veio libertá-los, estabelecendo o reino de Deus. A declaração de Jesus fica mais clara quando termina dizendo: “Como pode alguém entrar na casa do homem valente, e furtar os seus bens, se primeiro não manietar o valente, saqueando então sua casa?” (Mt.12:29).

Jesus expulsava demônios dos seus patrícios, que compunham a casa do valente. A conclusão final deste estudo é que o reino de Satanás veio pelas mãos de Jeová, enquanto que o reino de Deus Pai veio por intermédio de Jesus.

 

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

(096) – JÓ

O livro de Jó é o mais antigo livro da Bíblia. A pessoa de Jó existiu realmente, pois o próprio Jeová atesta sua existência em Ez.14:14. No Novo Testamento, Tiago cita Jó (Tg. 5:11). A vida de Jó, entretanto, constitui uma parábola, isto é, uma alegoria, e isto foi declarado pelo próprio Jó, capítulos 27:1 e 29:1. Alegoricamente, os padecimentos de Jó assemelham-se aos de Jesus Cristo, e assim poderemos concluir que Jó foi uma figura de Jesus.

Passemos a essas comparações para comprovar essa verdade:

1- Jó foi formado por Deus no ventre da mãe: “Aquele que me formou no ventre não o fez também a ele? Ou não nos formou do mesmo modo na madre?” (Jó 31:15). Jesus foi formado no ventre de Maria pelo próprio Deus: “E disse o anjo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo” (Mt.1:20).

2- Jó e Jesus eram príncipes. “O número dos meus passos lhe mostrará; como príncipe me chegaria a ele” (Jó 31:37). E sobre Jesus lemos em At.5:31: “Deus com a sua destra o elevou a príncipe e Salvador…”

3- Sobre a boca de Jó lemos: “Não falarão os meus lábios iniquidades, nem a minha língua pronunciará engano” (Jó 27:4). Sobre a boca de Jesus, o apóstolo Pedro declara: “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1 Pd.2:22).

4- Deus testemunhou de Jó: “A minha testemunha está no céu, e o meu fiador nas alturas” (Jó 16:19). E Jesus declarou: “E o Pai, que me enviou, ele mesmo testemunhou de mim” (Jo.5:37).

5- Zofar repreende a Jó dizendo: “Pois tu disseste: A minha doutrina é pura, e limpo estou aos teus olhos” (Jó 11:4). E Jesus disse aos fariseus: “A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” (Jo.7:16).

6- Jó declara não haver pecado. “Quantas culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado” (Jó 13:23). Jesus desafiou os fariseus dizendo: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (Jo.8:46)

7- Jó declara nunca haver repousado: “Nunca estive descansado, nem sosseguei, nem repousei, mas veio sobre mim a perturbação” (Jó 3:27). E disse Jesus: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt.8:20).

8- A vestidura de Jó:  “Cobria-me de justiça, e ela me servia de vestido” (Jó 29:14). A vestidura de Cristo: “E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos” (Ap.19:8).

9- A comida de Jó: “Do preceito dos seus lábios nunca me apartei, e as palavras da sua boca prezei mais do que o meu alimento” (Jó 23:12). A comida de Jesus Cristo: “Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo.4:34).

10- Jó abandonado pelos íntimos: “Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem deveras me estranharam. Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim” (Jó 19:13-14). Jesus, abandonado pelos íntimos, na hora crucial: “Então todos os discípulos, deixando-o, fugiram” (Mt.26:56).

11- Jó é entregue na mão dos pecadores: “Entrega-me Deus ao perverso, e nas mãos dos ímpios me faz cair” (Jó 16:11). Jesus é entregue nas mãos dos homens: “Achando-se eles na Galiléia, disse-lhes Jesus: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão, e ao terceiro dia ressuscitará” (Mt.17:22-23; 26:45).

12- Jó fazia sacrifícios pelos filhos: “De madrugada oferecia holocaustos, porque dizia: Por ventura pecaram meus filhos” (Jó 1:5). O apóstolo Paulo disse: “Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Co.15:3).

 13- Os pés de Jó foram para o cepo: “Também pões os meus pés em cepos, e marcas os sinais dos meus pés” (Jó 13:27; 33:11). E sobre Jesus Davi profetizou: “Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou, traspassaram-me as mãos e os pés” (Sl.22:16).

14- Zombaram de Jó: “Os meus amigos zombaram de mim” (Jó 16:20). Zombaram de Jesus. “Os principais dos sacerdotes, com os escribas, diziam uns para os outros, zombando: Salvou os outros, e não pode salvar-se a si mesmo” (Mc.15:31). “E os homens que detinham Jesus zombavam dele, ferindo-o” (Lc.22:63).

15- Cuspiram no rosto de Jó: “Abominam-me, e fogem para longe de mim, e no meu rosto não se privam de cuspir” (Jó 30:10). Jesus foi cuspido no rosto. “Então cuspiram-lhe no rosto, e lhe davam punhadas, e outros o esbofeteavam” (Mt.26:67).

16- Jó profetizava sua ressurreição após a morte: “Agora me deitarei no pó, e de madrugada me buscarás, e não estarei lá” (Jó 7:21). E Jesus ensinava os discípulos, e dizia: “O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-lo-ão, e ressuscitará ao terceiro dia” (Mc.9:31).

Sendo Jó figura de Jesus, tiramos as seguintes conclusões:

1- Jesus foi entregue pelo Pai como preço de resgate para salvar os perdidos (1 Pd. 1:18-19). Jeová entregou Jó nas mãos de Satanás porque duvidou da fidelidade de Jó, e confessou ter errado (Jó 1:6-12; 2:3)

2- A família de Jesus são os seus discípulos (Mt.12:47-49). Jeová entregou a família de Jó nas mãos de Satanás, que os matou. Se Jeová fosse o pai de Jesus, a Igreja, que é a família de Jesus, estaria entregue nas mãos de Satanás para destruição total.

3- Jó acusava Jeová de o ter ferido com setas venenosas: “Porque as frechas de El Shaday estão em mim, e o seu ardente veneno o bebe o meu espírito” (Jó 6:4). Jesus sempre teve comunhão plena com o Pai e nunca acusou o Pai, como Jó fez com Jeová.

4- Jeová colocou trevas no caminho de Jó (Jó 19:6-8).  Jesus é luz (Jo. 8:12; 12:46).

5- Todos os filhos de Deus, o Pai de Jesus, morrem, mas voltarão com a ressurreição (1 Ts.4:16-17; 1 Co.15:51-55). Os filhos de Jó morreram e não ressuscitaram. Jeová concedeu outros filhos no lugar.

6- Sendo Jó figura de Jesus, o tratamento dado a Jó por Jeová não é igual ao tratamento que o Pai deu a Jesus, logo são pessoas opostas.

 

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

(095) – OS SERVOS DE JEOVÁ

Pode alguém servir a Deus? Parece que não, ainda que as pessoas creiam que servem. Os cristãos dizem: Eu sou servo de Deus. Paulo, porém diz o seguinte: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens, NEM TAMPOUCO É SERVIDO POR MÃOS DE HOMENS, como que necessitando de alguma coisa” (At.17:24-25). Paulo esclarece que os cristãos servem a Jesus Cristo. “Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus” (Fp.1:1). “Sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis” (Cl.3:24). Quem serve a Jesus está indiretamente servindo a Deus, pois Jesus disse: “Ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo.14:6). Ninguém pode servir a Deus diretamente, sem a mediação de Cristo por causa do pecado. Para servirmos a Deus temos de ser libertados do pecado. “Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna” (Rm.6:22). O homem carnal e pecador não pode servir a Deus. Para servir a Deus o homem tem de nascer de novo e ser uma nova criatura em Cristo. Essa nova criatura, entretanto, sem Jesus, não pode servir a Deus, pois Jesus é a porta para o Pai. Paulo apóstolo disse: “Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão é a cabeça da mulher, e Deus é a cabeça de Cristo” (1 Co.11:3).  Paulo está revelando três coisas:

1. Deus não é cabeça dos homens, mas sim Cristo, por isso o homem não pode servir a Deus diretamente, mas indiretamente através de Jesus.

2.  Cristo não é cabeça de mulher, mas sim o varão, por isso a mulher não serve a Cristo diretamente, mas através do varão (marido, pai, ou pastor). Na sequência, Paulo afirma que a mulher que ora ou  profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua própria cabeça, isto é o marido, pai, ou pastor (1 Co.11:5).

3.  Por último, Deus é cabeça de Cristo, isto é, Jesus é o servo do Deus vivo e verdadeiro, e o serve, por isso que Cristo nunca pecou (1 Pd.2:21-22). João descreve o serviço de Jesus Cristo com as seguintes palavras: “E a vida eterna é esta; que te conheçam, a ti só, como único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem enviaste. Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” (Jo.17:3-4).

A respeito dos homens, a Bíblia diz: “Sempre seja Deus verdadeiro e todo o homem mentiroso” (Rm.3:4). “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer” (Rm.3:10).  Sendo assim, dá para entender, agora, o que Paulo diz: “Deus não é servido por mãos de homens” (At.17:24, 25).

Encontramos no Velho Testamento um quadro totalmente inverso ao do Novo Testamento. Moisés serviu a Jeová quarenta anos, desde a saída do Egito, com as pragas que Jeová enviou por seu intermédio, até o momento de entrar em Canaã (Js.1:2; Dt.34:5).  No entanto Moisés pouco sabia a respeito de Jesus (Hb.7:12-14). As igrejas cantam nos seus hinos que vão entrar na Canaã celestial. Se Canaã é figura do céu, Moisés lá não vai entrar, como lemos em Dt.1:34-37; 4:21. Jesus disse que o que for desligado na terra será desligado no céu (Mt. 18:18).  Quem condenou Moisés foi Jeová, e esta não é a nossa posição. O profeta Samuel servia a Jeová no templo desde criança (1 Sm.2:11; 7:15-17). Mas Samuel não conheceu Jesus, e servia a Jeová sem nascer de novo!!!

Salomão servia a Jeová (1 Cr.28:9). Era amado por Jeová (2 Sm.12:24). Foi predestinado por Jeová (1 Rs.8:17-21). Adotado como filho de Jeová  (1 Cr.28:6). Até o nome foi dado por Jeová (1 Cr.22:9-10). E no entanto Salomão foi um homem lascivo e carnal, pois teve 700 mulheres e 300 concubinas (1 Rs.11:3). E eram todas abomináveis a Jeová, pois eram idólatras e impuras (1 Rs.11:1-2).   E este exército de sensualidade corrompeu Salomão, que se tornou o maior idólatra da história de Israel. Pois este homem servia a Jeová, e lhe construiu o templo. Salomão não conheceu a Jesus Cristo. Cristo nunca foi cabeça de Salomão, mas Jeová era, contrariando 1 Co.11:3.

Os sacerdotes levitas serviam no templo, pois foram escolhidos por Jeová para esse ministério glorioso (Nm.1:47-53). Foram separados, purificados, e consagrados para o serviço de Jeová no templo (Nm.8:5-14). Os levitas pertenciam a Jeová. Mas como Jeová podia ser cabeça dos levitas se eles não conheceram a Cristo? Lemos na Carta aos Hebreus: “Porque mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz mudança de lei. Porque aquele de quem estas coisas se dizem pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu no altar. Visto ser manifesto que nosso Senhor Jesus Cristo procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou em sacerdócio” (Hb.7:12-14). Está escrito nestes versos que os levitas não serviram a Jesus, logo Jesus não era sua cabeça. Mas serviam a Jeová, e eram todos propriedade particular de Jeová, sem passarem pelas mãos de Jesus (Jo.1:12-13). As obras de Jeová no Velho Testamento não se coadunam com a obra do Pai no Novo Testamento. Disse Jesus: “A obra de Deus é está. Que creiais naquele que ele enviou” (Jo.6:29).

Jeová não era servido apenas por Salomão, Davi, Gideão, Sansão e os levitas, mas era servido por estranhos. Era servido pelos Assírios, um povo corrupto e abominável (Is.8:7-8; 10:12-15). Jeová era também servido pelos caldeus, pois chama Nabucodonosor de servo. “E agora eu entreguei todas estas terras na mão de Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo” (Jr.27:6). E diz porque entregou: “Eu fiz a terra, o homem, e os animais que estão sobre a face da terra, pelo meu grande poder, E A DOU AQUELE QUE ME AGRADA AOS OLHOS” (v.5). Nabucodonosor agradava aos olhos de Jeová? Mas Nabucodonosor não se converteu a Jesus Cristo e não nasceu de novo. Nabucodonosor destruiu Judá, queimou o templo de Deus, e destruiu Jerusalém, e agradou aos olhos de Jeová? (2 Cr.36:17-20).

Nabucodonosor, o ímpio perverso, servia a Jeová; mas o Pai não é servido por mãos de homens, nem nunca será. Os cristãos nascidos do Espírito Santo, esses servem a Jesus Cristo, mas nunca ao Pai de Jesus. A conclusão que se pode chegar é que Jeová entrou no projeto de Deus, cegou os profetas do Velho Testamento e também o povo de Israel para que não enxergassem que estavam sendo enganados. Os verdadeiros cristãos, entretanto sabem que o Pai nunca se revelou aos homens, a não ser através de Jesus que disse: “Estou a tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (Jo.14:9). Disse mais Jesus aos religiosos do seu tempo: “Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai” (Jo.8:19).

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(094) – ESCOLA DE JEOVÁ

Escola é o lugar onde se aprendem coisas boas ou más, úteis ou inúteis, edificantes ou destruidoras. O problema está nos alunos e não nos mestres. Para um aluno mal educado e preguiçoso não há professor bom. Jeová afirma ser quem forma o espírito dentro do homem (Zc.12:1). “É ele que forma o coração de todos eles” (Sl.33:15). O entendimento e a razão estão no espírito. “Na verdade, há um espírito no homem, e a inspiração do Todo Poderoso os faz entendidos” (Jó.32:8). “Eu ouvi a repreensão que me envergonha, mas o espírito do meu entendimento responderá por mim” (Jó.20:3). Jeová, como deus, pelos seus mandamentos e estatutos, e por suas obras e seu exemplo, vai formando o espírito dos que creem.

O coração é a sede dos afetos. Todos os que creem em Jeová, têm seus afetos gerados na matriz que é o próprio Jeová. Todos os homens são gerados em duas regiões.

1. No entendimento pela palavra e pelo conhecimento.

2. No coração são gerados os afetos e as obras.

Quando o espírito, isto é, o entendimento está corrompido, as obras e os afetos são imundos. Quando o entendimento é puro, as obras são edificantes. O entendimento do homem deve governar seus afetos e suas obras. Citamos como exemplo Jesus Cristo. Jesus foi manso e humilde para que aprendêssemos a mansidão e a humildade (Mt.11:29). Jesus renunciou tudo por amor aos perdidos (2 Co.8:9). Jesus, sendo em forma de Deus, humilhou-se a si mesmo e aniquilou-se, sendo obediente até a morte (Fl.2:5-8). Cristo amou a ponto de morrer pelos que amava (Jo.15:13). Jesus só fez o bem e curou os oprimidos do diabo (At.10:38). Jesus nunca pecou nem enganou ninguém como exemplo para nós (1 Pd.2:21-22). Jesus é o modelo perfeito, e Paulo disse: “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo” (1 Co.11:1). O apóstolo Paulo define a escola de Jesus com as seguintes palavras: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos, e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros; se algum tiver queixa contra o outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também” (Cl.3:12-13). Segundo o ensinamento de Paulo, Jesus Cristo vai sendo formado dentro do Cristão, isto é, na mente e no coração (Gl.4:19) a ponto de chegarem todos à medida da estatura de Cristo, a varão perfeito (Ef.4:13).

Analisemos a escola de Jeová no Velho Testamento:

1.  Todos os adoradores de Jeová andam atrás do ouro e da prata, pois Jeová é o deus do ouro e da prata (Ag.2:8; Pv.10:22). Esquecem que Jesus foi pobre e reprovou o ouro e a prata (Mt.8:18-20; 6:19-20).

2.  Jeová ensinava a vingança e o ódio. Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (Ex.21:24-25). Jesus foi contra essa escola da vingança (Mt.5:38-45).

3.  Jeová ensinava a não perdoar com seu exemplo. “E fá-los-ei em pedaços uns contra os outros, e juntamente os pais com os filhos, diz Jeová; não perdoarei, nem pouparei, nem terei deles compaixão, para que os não destrua” (Jr.13:14; Dt.29:20; Js.24:19).

4.  Jeová, com suas obras más, ensinava o mal. “Porque pus o meu rosto contra esta cidade para mal, e não para bem, diz Jeová” (Jr.18:10). “Eis que velarei sobre eles para mal e não para bem, e serão consumidos” (Jr.44:27). Os males com os quais Jeová assolava seu povo eram a espada dos inimigos que ele próprio trazia (Jr.27:5-8). A fome que Jeová mandava era tanta que as mães piedosas assavam e comiam os próprios filhos (Lm.4:10). Jeová profetizou esta maldição na lei (Dt.28:53). A peste podia ser a negra, a bubônica, ou outras que Jeová ficava forjando nas suas vinganças (Dt.28:6).

5.  Jeová é o Deus da guerra, por isso é chamado o Senhor dos Exércitos. Foi Jeová que chamou o rei da Assíria contra Israel. Lemos isso em 2 Rs.17. O rei da Assíria se ensoberbeceu pelas conquistas, e Jeová declara que a Assíria era o machado, e quem manejava o machado era ele, Jeová (Is.10:12-15).  Foi Jeová quem trouxe Nabucodonosor para destruir Judá (Jr.25:9-12). Foi Jeová quem levantou os medos contra a Babilônia, aos quais chamou de santificados, para destruir, matar, violentar mulheres e despedaçar crianças (Is.13:3-18). Foi Jeová quem ensinou Davi a guerrear e a matar (2 Sm.22:35-43).

6.  As maldições de Jeová eram tantas, perto de sessenta, só no livro de Dt.28 — “A maldição de Jeová habita na casa do ímpio, mas a habitação do justo ele abençoa” (Pv.3:33). Ninguém era poupado. Davi, assolado pelas maldições de Jeová, clamou: “Tire de sobre mim a tua praga; estou desfalecido pelo golpe da tua mão” (Sl.39:10). Davi aprendeu a lançar maldições, e amaldiçoou Joabe por ter matado Abner. “Nunca, na casa de Joabe, falte quem tenha fluxo, nem quem seja leproso, nem quem se atenha ao bordão, nem quem caia à espada, nem quem necessite de pão” (2 Sm.3:29). O grande profeta Eliseu, seguiu a escola de Jeová amaldiçoando quarenta e dois meninos, que foram despedaçados por duas ursas (2 Rs.2:23-24). O profeta Jeremias lançou terríveis maldições contra seu povo, pois essa é a espada de Jeová. “Entrega seus filhos a fome e à espada, as mulheres sejam roubadas dos filhos, e fiquem viúvas; e seus maridos e mancebos sejam feridos de morte” (Jr.18:18-21).

7.  Jeová educava para que seus servos não tivessem caridade nem piedade. A Samuel Jeová disse: “Até quando terás dó de Saul havendo-o eu rejeitado?” (1 Sm.16:1). A Jeremias Jeová ordenou dizendo: “Tu pois não ores por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração, nem me importunes, porque eu não te ouvirei” (Jr.7:16). Na frente Jeová diz: “Não ores por este povo para bem” (Jr.14:11). Com isto estava incitando Jeremias a amaldiçoar.

Os profetas de Jeová eram todos matadores (Os.6:5). Os grandes líderes foram matadores. Davi foi matador (1 Sm.18:7). Sansão foi um grande matador, Gideão também. Elias foi não só matador, mas ungia os outros para matar (1 Rs.18:40; 19:15-17). Esta é a escola de Jeová: Escola da destruição, do ódio, das maldições, pestes e mortandades.

A escola de Jesus é a escola do amor e do perdão. Os servos de Jesus andam pelos valados, pelas cidades, pelos campos, levando o amor e o perdão do Pai, a salvação aos pecadores e perdidos, curando doentes e libertando os cativos. Cada cristão deve pensar, ponderar e escolher a melhor escola, pois são de autores diferentes. Ou iguais a Jeová ou iguais a Jesus.

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(093) – OS DOIS TESTAMENTOS

Existem dois testamentos na Bíblia. O Velho Testamento e o Novo Testamento. “Semelhantemente tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lc.22:20).  “E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era transitório, mas os seus sentidos foram endurecidos, porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do Velho Testamento, o qual foi por Cristo abolido” (2 Co.3:13-14).

O Velho Testamento foi estabelecido por Jeová através de Moisés como mediador. “Para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita, e foi posta pelos anjos nas mãos de um mediador” (Gl.3:19).

O Novo Testamento foi estabelecido pelo Pai através de Jesus como mediador. “E a Jesus, o mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala melhor que o de Abel” (Hb.12:24).

O que complica a validade do Velho Testamento é que Paulo não considerou Moisés como mediador entre Deus e os homens. “Porque há um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Tm. 2:5). Com esta afirmação Paulo negou a divindade de Jeová.

Todo testamento envolve os bens do testador. Um filho é herdeiro de seu pai e também participa em vida dos bens. Com a morte do pai ou de outro parente chegado, entra na posse integral da herança. O testamento de Jesus é completamente diferente do de Jeová. No Velho Testamento de Jeová as promessas eram terrenas. O capitão Josué, depois de introduzir o povo na terra prometida, disse: “…vós bem sabeis, que nenhuma só palavra caiu de todas as boas palavras que falou de vós Jeová vosso deus; todas vos sobrevieram…” (Js.23:14). Sobre a multiplicação do povo no Egito, Estevão disse: “Aproximando-se, porém, o tempo da promessa que Deus tinha feito a Abraão, o povo cresceu e se multiplicou no Egito” (At.7:17). Todas as bênçãos e promessas tinham como centro Canaã, pois o reino de Jeová é terreno (Ex. 19:6).

Comecemos pelo reino de Jesus Cristo. Quando este mundo foi fundado, já existia, por isso Jesus disse: “Vinde, benditos de meu Pai, e possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt.25:34).  Esse reino não é Canaã, e não estará em Canaã. “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo” (Jo.18:36). Paulo revela que é celestial e não terreno, dizendo: “O Senhor me livrará de toda má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial” (2 Tm.4:18). O apóstolo Pedro declara que a herança dos cristãos é no céu. “Temos uma herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós” (1 Pd.1:4). Esse reino é eterno (2 Pd.1:1). Pois bem. Os cristãos autênticos já participam dos bens eternos antes de entrarem na posse integral do reino de Deus, que é a sua herança final.

1- Já têm vida eterna. “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, TEM A VIDA ETERNA, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo.5:24). Participam no presente de um bem futuro. Ora, no Velho Testamento imperava a morte. “Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só — Jesus Cristo” (Rm. 5:17). “Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce a sepultura nunca tornará a subir” (Jó 7:9). “Antes que me vá, para nunca mais voltar, à terra da escuridão e da sombra da morte” (Jó 10:21). Para Jó, a morte era o fim. O Velho Testamento foi o ministério da morte. “Deus nos fez capazes de ser ministros dum Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito, porque a letra mata, mas o Espírito vivifica. E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras…” (2 Co.3:6-7). A herança de Jeová era a morte. “A alma que pecar essa morrerá” (Ez.18:4). O povo que Jeová libertou do Egito com grandes promessas, morreu no deserto (Nm.14:28-30). No livro de Judas lemos (não o Judas Israelita) “Mas quero lembrar-vos que, havendo Jeová salvo um povo, tirando-o do Egito, destruiu depois os que não creram” (Jd.5). No reino de Cristo impera a vida.

2- Os cristãos desfrutam da bênção total do Evangelho. “E bem sei que, indo ter convosco, chegarei com a plenitude da bênção do Evangelho de Cristo” (Rm.15:29).  Que é a plenitude da bênção do Evangelho? É a libertação das maldições da lei de Jeová no Velho Testamento. Todos aqueles que são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque escrito está: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei para cumpri-las” (Gl.3:10). “Mas Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós… Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo…” (Gl.3:13-14). Dá para perceber que, para que os cristãos desfrutem da bênção, precisam antes ser libertos das maldições da lei de Jeová. Se Jeová fosse o Pai de Jesus, o Filho teria que desfazer as obras malignas do Pai, o que seria absurdo. O Deus Pai é amor (1 Jo.4:7-8). Do Deus Pai só vem o que é bom (Tg.1:17).

3- No Velho Testamento, todos bebiam do cálice de Jeová. Que cálice é esse? “Porque na mão de Jeová há um cálice, cujo vinho ferve, cheio de mistura, e dá a beber dele; certamente todos os ímpios da terra sorverão e beberão as suas fezes” (Sl.75:8).  Deus, o Pai de amor, daria um cálice de fezes para os pecadores sorverem? Nunca. O Deus Pai, no seu infinito amor, deu um outro cálice. “Porventura o cálice da bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo?” (1 Co.10:16).

O cálice que o Pai deu a todos foi o sacrifício do seu unigênito Filho, para salvar os pecadores. No Velho Testamento os pecadores bebiam as fezes do cálice de Jeová, mas no Novo Testamento os pecadores bebem num cálice o sangue do Cordeiro de Deus. “Jesus tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lc.22:20).

Pelas coisas horríveis que os filhos de Jeová desfrutavam nesta vida, podemos ter uma ideia da herança final. O povo de Israel herdou escravidão, destruição e cativeiros. O livro das Lamentações alerta isso com cores vivas e dramáticas. Aquele pobre povo sempre chorou e até hoje chora no muro das lamentações. O povo de Israel nunca teve paz (Jr.6:14; 8:11). “Espera-se a paz e não há bem; o tempo da cura e eis terror” (Jr.8:15). Os profetas que profetizaram paz eram falsos (Jr.14:13-14). Já no Novo Testamento a paz e a alegria reinam. “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm.14:17).

Que contraste. No tempo de Jeová só havia pranto e angústia, e no tempo de Jesus, paz e alegria. E aqueles condenados não conheciam o caminho da paz (Is.59:8). Não conheciam a Jesus, que é o caminho da paz, e por isso eram destruídos e vendidos. E como podiam conhecer o caminho da paz se Jeová os cegou? (Is.6:10). Jeová os cegou e depois disse: “Trazei o povo cego que tem olhos, e os surdos que tem ouvidos” (Is.43:8).

Jesus, pelo seu Espírito Santo, abre os olhos dos gentios para que creiam, e vejam as coisas do reino de Deus (Ef.1:17-18). Mas aqueles que Jeová cegou, nem mesmo Jesus pode abrir os olhos, tal foi o tamanho da maldição. “E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele” (Jo.12:37). Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: “Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, afim de que não vejam com os olhos, e compreendam com o coração, e se convertam, e eu os cure” (Jo.12:40). Mas o apóstolo Paulo nos diz: “Os seus sentidos foram endurecido. Porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do Velho Testamento, o qual foi por Cristo abolido” (2 Co.3:14). O Velho Testamento não pode ser desfeito, e até hoje existe. O que Cristo aboliu foram os efeitos maléficos: as pragas e maldições, as condenações e desgraças, as guerras e vinganças, males pestes, os sacrifícios inúteis, etc. Cristo revelou que o Pai jamais faria aquilo, dizendo. “As obras que eu faço, não sou eu, mas o Pai que está em mim” (Jo.14:9-11).

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira 

(092) – O INJUSTO JUIZ

 Juiz injusto é cruel, mentiroso, ladrão, impiedoso, perverso e desumano. Juiz tem de ser justo. Entre os homens, se o juiz é humano e pratica uma injustiça, fica sujeito a ser caçado o seu diploma. Entre os homens existem alguns juízes injustos, mas o Juiz supremo é justo, e o seu nome é Deus Pai.

Se é Deus, tem de ser justo. Se é injusto não é Deus, mas impostor, pois se Deus cometesse alguma injustiça seria igual aos homens. O apóstolo Paulo declara: “Seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso” (Rm.3:4).

No Velho Testamento lemos muitos textos revelando que Jeová é o juiz deste mundo. Jeftá, o gileadita, antes de guerrear contra os filhos de Amom, que ameaçavam Israel, disse: “Tampouco pequei contra ti! Porém tu usas mal comigo em pelejar contra mim. Jeová, que é juiz, julgue hoje entre os filhos de Israel e entre os filhos de Amom” (Jz.11:27). No Salmo 94:1-2, lemos: “Jeová Deus, a quem a vingança pertence, mostra-te resplandecente. Exalta-te tu, que és juiz da terra; dá o pago aos soberbos”. O profeta Isaías declara: “Porque Jeová é o nosso juiz; Jeová é o nosso legislador. Jeová é o nosso rei” (Is.33:22). O profeta Jeremias confirma dizendo: Mas, ó Jeová dos exércitos, justo juiz, que provas os rins e o coração, veja eu a tua vingança sobre eles” (Jr.11:20). E Jeremias termina este texto dizendo: “Sim, assim diz Jeová dos exércitos: Eu os punirei; os mancebos morrerão à espada,  os seus filhos e as suas filhas morrerão de fome, e não haverá deles um resto, porque farei vir o mal sobre eles” (Jr.11:22-23). Um juiz justo não anda tomando vingança como fazem os bandidos, e também não condena os inocentes filhos a morrer pela espada, e também as crianças a morrer de fome. Um juiz justo aplica a lei aos culpados e não aos inocentes.

Leiamos a lei de Jeová, no que tange ao adultério: “O homem que adulterar com a mulher de outro, certamente morrerão o adúltero e a adúltera” (Lv.20:10). “Quando um homem for achado deitado com mulher casada com marido, então ambos morrerão. Assim tirarás o mal do meio de Israel” (Dt. 22:22). E a morte era por apedrejamento, e durou até o tempo de Jesus Cristo, isto é, mil e seiscentos anos, pois Jesus não condenou a adúltera que ia ser apedrejada (Jo.8:1-11). Neste ponto Jesus não foi um com Jeová, mas foi um com o Pai.

Vamos analisar o adultério de Davi: Davi tinha um soldado valente, tão valente que era um dos trinta e sete, como se acha registrado em 2 Sm.23:8-39. Urias está neste último verso – 39. A mulher de Urias, de nome Bat-Seba, tomava banho ao lado do palácio real, e Davi a viu nua, e apreciou a sua formosura. Urias morava ao lado do palácio do rei Davi, e podemos depreender que era um dos seus íntimos. Davi mandou buscar a bela Bat-Seba. Os seus criados lhe avisavam dizendo: “Bat-Seba é mulher de Urias”. Davi, entretanto, cego pelo desejo se deitou com a mulher de um dos seus íntimos valentes, que arriscavam suas vidas para preservar a vida do rei. Bat-Seba  concebeu, e Davi armou um plano para que Urias fosse tido por pai da criança, e Bat-Seba concordou com tudo. Trouxeram Urias do campo de batalha, e Davi lhe concedeu que dormisse com a esposa. Urias se deitou à porta da casa real e não desceu a sua casa. Avisado Davi do fato, mandou embebedar Urias, para fazê-lo deitar-se  com a esposa, mas Urias não entrou em sua casa. Davi então ordenou a Joabe, seu capitão, que levasse Urias ao mais aceso da batalha, e o abandonasse. Assim morreu Urias, o heteu, traído por aquele a quem defendia. Davi, vitorioso, trouxe Bat-Seba ao palácio e a desposou na maior cara dura. Tudo isto se encontra no capítulo onze de 2 Samuel.

Jeová, o justo juiz, manda imediatamente, que Natã, o vidente, declare a Davi as consequências do seu perverso ato, pois o sexo é capaz de corromper até o homem que tinha um coração igual ao de Deus.

Natã dita a sentença: “Por que, pois, desprezaste a palavra de Jeová, fazendo o mal diante dos seus olhos? A Urias, heteu, feriste a espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa. Eis que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei ao teu próximo, o qual se deitará  com tuas mulheres perante este Sol, porque tu fizeste isto em oculto, mas eu o farei perante os olhos de todo Israel” (2 Sm.12:9-12). Davi, ouvindo estas palavras, confessou contrito os seus pecados, e Natã disse: “Também Jeová traspassou o teu pecado” (2 Sm.12:13). Jeová passou por cima do adultério de Davi, que era o criminoso, e matou a criança, a inocente vítima do justo juiz. Registremos o texto: “Todavia, porquanto com este feito deste lugar a que os inimigos de Jeová blasfemem, também o filho que te nascer morrerá”. E Jeová feriu a criança que a mulher de Urias dera a Davi (2 Sm.12:14-15). Esta atitude de Jeová não foi justa, pois pela lei do próprio Jeová, o adúltero Davi deveria ser apedrejado. Acontece que Davi era predestinado e ungido de Jeová, e estes são protegidos. A lei é só para os menos privilegiados. Coisas do “justo juiz”.

Bat-Seba também era adúltera e deveria ser apedrejada até a morte, como aconteceu a todos os adúlteros por 1.600 anos. Jeová, o justo juiz, preservou a adúltera Bat-Seba, e em seu lugar permitiu a morte injusta e criminosa de Urias, o varão leal e fiel, que, incitado por Davi a se deitar com a mulher, respondeu: “A arca, e Israel, e Judá ficam em tendas; e Joabe meu senhor estão acampados no campo de batalha; e hei de eu entrar na minha casa, para comer e beber, e para me deitar com minha mulher? Pela tua vida, e pela vida da minha alma, não farei tal coisa” (2 Sm.11:11). O esposo nega-se a deitar com a esposa por fidelidade ao rei, e é condenado, enquanto o lobo, que devora a sua casa na sua ausência é perdoado? Um deus que protege culpados e condena à morte os justos e os inocentes não merece ser honrado como Deus. Pois este juiz injusto foi mais longe: tomou as dez concubinas de Davi e as entregou a Absalão, o filho traidor e devasso. Para provar é só ler 2 Sm.12:11; 16:22-23. Pergunta-se: Que tinham as dez concubinas de Davi com o seu pecado para serem desonradas em público? (2 Sm.20:3).

Absalão agiu mal por vingança, pois sua irmã Tamar foi estuprada por Amnon, primogênito de Davi. E Tamar era moça virtuosa e pura, mas foi uma inocente vítima da vingança do injusto juiz deste mundo (2 Sm.13:1-22).

Jeová, o justo juiz, escolheu Salomão para reinar em lugar de Davi. Mas Salomão foi o décimo na linhagem hierárquica real. O legítimo herdeiro do trono foi Adonias, filho de Hagite, o quarto na linhagem de Davi (1 Cr.3:1-5). Seis herdeiros do trono foram passados para traz para que Salomão, o homem que ia dividir o reino de Israel, subisse ao poder. O que agravou a situação foi a lei da primogenitura dada por Jeová (Dt. 21:15-17). Essa lei garantia os direitos dos primogênitos. Jeová, o justo juiz, passou por cima da própria lei, anulando-a, e colocou injustamente Salomão no trono.  Salomão matou seu irmão Adonias, portanto foi fraticida (1 Rs.2:23-24)

Jesus Cristo, ao salvar os homens, torna-os primogênitos. Sim, todos serão primogênitos do Pai, pois terão coroas iguais, e se tornam,  pela graça, iguais a Cristo (Rm.8:29; Hb.12:22-23).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(091) – A VONTADE DE DEUS PAI NÃO É CONDENAR

“A vontade do Pai que me enviou é esta; que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia” (Jo.6:39). E o apóstolo Paulo revela mais ainda sobre a vontade do Pai, dizendo: “Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm.2:3-4).

Se Deus, o Pai, quer que todos se salvem, não condena a ninguém, pois condenar e matar é tirar a chance de arrependimento para a salvação. E Pedro disse: “Deus é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham ao arrependimento” (2 Pd.3:9). O apóstolo João faz uma espantosa revelação: “Porque Deus enviou seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo.3:17).

Ora, se Deus quer que todos se salvem, e enviou seu Filho para salvar os condenados, e não para condenar, é óbvio que nunca condenou ninguém, pois Jesus declarou em João 10:30: “Eu e o Pai somos um”. Paulo afirma que a condenação vem do diabo (1 Tm.3:6). Como poderia Deus, o nosso Pai, matar como o diabo mata e destruir como o diabo destrói? Diz Tiago: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg. 1:17).

A condenação vem do Velho Testamento pela vontade de Jeová, o deus da lei. Jeová condenou todos os homens à morte por causa do pecado de Adão. Lemos isso em Rm. 5:12. Mais tarde, 1.656 anos depois, destruiu, isto é, matou toda a humanidade no dilúvio universal (Gn. 6:7). No Novo Testamento, em Hb. 11:7, lemos que Noé condenou os antediluvianos, mas foi Jeová, e não Noé. Salomão declarou que Jeová condena os ímpios salvando o justo (1 Rs.8:32). Jesus declara que não veio salvar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento (Mt. 9:13). A ação e a obra de Jesus é contrária à de Jeová, mas é a mesma do Deus Pai, logo, Jeová não é o Pai de Jesus, mas o usurpador. O Pai não condena a ninguém. “Porque Deus enviou seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo.3:17).

A lei de Jeová só condenava e matava (Jo.7:51). Os sacerdotes da lei tinham no peito o peitoral do juízo, e condenavam o pecador (Dt.25:1; Ex.28:30). Os sacerdotes  de Jeová mataram o justo Jesus Cristo (Mt.27:20). O apóstolo Paulo chama o ministério do Velho Testamento de ministério da condenação (2 Co.3:9). Neste texto Paulo revela que o ministério da condenação veio em glória. Declaração estranha. A explicação vem do próprio Jeová, que endureceu o coração de Faraó e do seu exército para entrarem no mar atrás de Israel, e assim matá-los para revelar a sua glória (Ex.14:4, 17; 15:3-6). É fantástico, mas a glória de Jesus era salvar da morte, e a glória de Jeová era matar.

A grande verdade é que Deus, o Pai, quer que todos se salvem, como dissemos no princípio (1 Tm.2:3-4). Mas Jeová não quer que ninguém se salve. Vamos provar esta verdade com a própria Bíblia. Jeová não queria a salvação dos egípcios, pois endureceu seus corações para que não cressem em Moisés. “E disse Jeová a Moisés: Quando voltares ao Egito, atenta que faças diante de Faraó todas as maravilhas que tenho posto na tua mão; MAS EU ENDURECEREI O CORAÇÃO DE FARAÓ, PARA QUE NÃO DEIXE IR O MEU POVO” (Ex.4:21).

Se Faraó cresse em Moisés, seria também de Jeová, ele e os egípcios, mas Jeová não queria a conversão de Faraó, nem a sua salvação, ao contrário do Pai, que quer que todos os homens se salvem. Por diversas vezes o coração de Faraó se enterneceu diante das medonhas pragas, mas Jeová continuava a endurecê-lo. Isto é falta de amor às almas dos perdidos. Jeová endureceu sete vezes o coração de Faraó (Ex.10:1,20,27; 11:10; 14:4,8,17). Jeová, na última praga, matou todos os primogênitos do Egito. É claro que havia muitas crianças primogênitas, mas Jeová não tem piedade. Quem mata uma criança, tira-lhe a opção de vida e tira-lhe a chance de salvação. O método de Jeová era matar as crianças, isto é, condená-las antes que tivessem entendimento para buscarem a Deus. “Preparai a matança dos filhos, por causa dos pecados dos pais” (Is.14:21). Jeová declarou não ter piedade (Jr.13:14; Ez.8:18).

Jeová não queria a salvação dos cananeus, pois  lhes endurecia o coração para depois matá-los. “Mas Siom, rei de Hesbom, não nos quis deixar passar por ele, porquanto Jeová teu deus endurecera o seu coração” (Dt.2:30). E a ordem de Jeová era matar, e saquear e destruir. Homens, mulheres e crianças eram assassinados (Dt.2:33-35). Quando Josué ia introduzir Israel em Canaã, lemos o seguinte: “Não houve cidade que fizesse paz com os filhos de Israel, senão  os heveus, moradores de Gibeão; por guerra as tomaram todas, porquanto de Jeová vinha, que seus corações endurecessem, para saírem ao encontro a Israel na guerra, para os destruir totalmente, para não se ter piedade deles, como Jeová tinha ordenado a Moisés” (Js.11:19-20). A condenação dos egípcios e dos cananeus não vinha dos pecados deles, mas da falta de compaixão de Jeová.

Jeová não queria a salvação dos caldeus. Usou Nabucodonozor e o colocou como rei das nações, e depois destruiu os caldeus usando os medos. Lemos isso em Jr.27:5-8. O interessante é que Nabucodonozor era servo de Jeová e era agradável aos seus olhos. Depois Jeová destruiu totalmente os babilônicos (Is.13:13-22). Crianças e mulheres grávidas sendo despedaçadas. Jeová não queria salvar ninguém. Era inimigo dos Assírios (2 Rs.11:25-27). Era inimigo dos Moabitas (Jr.48:15). Inimigo dos Amonitas (Jr.49:2). Inimigo de Edom (Jr.49:10). Inimigo de Damasco (Jr.49:24-27). Inimigo dos Elamitas  (Jr.49:36-38). Neste texto Jeová põe o seu trono em Elão para destruir. Jeová era inimigo dos habitantes de Tiro (Ez.26:2-4). Era inimigo de Sidom (Ez.28:21-23). Era inimigo do monte de Seir, onde habitavam os descendentes de Esaú, irmão de Jacó (Ez.35:2-4).

Jeová era,  por incrível que pareça, inimigo do seu próprio povo. Quem declara isso é o profeta Jeremias. “Devorou Jeová todas as moradas de Jacó, e não se apiedou, profanou o reino e os seus príncipes” (Lm.2:2). “Armou o seu arco como inimigo, firmou a sua destra como adversário, e matou todo o que era formoso à vista. Tornou-se Jeová como inimigo e devorou a Israel” (Lm.2:4-5). E Jeová jurou na sua ira que não entrariam no seu repouso (Sl.95:8-11).

Mas o Pai quer que todos se salvem (1 Tm.2:3-4). E para tanto enviou o seu Filho, não para condenar o mundo, mas para salvar o mundo (Jo.3:17).  E reconciliou pela cruz de Cristo a todos, no céu e na Terra, provando assim que não condena ninguém (2 Co.5:19; Cl.1:20-21). O Pai quer que todos sejam salvos, mas Jeová quer que todos sejam condenados.

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(090) – A MEDIDA DO DEUS PAI

 

Muitas pessoas, ao lerem as Escrituras, se convencem de que Jeová é o Deus Pai, pelos seguintes fatos: os justificados por Jeová no Velho Testamento são citados no Novo Testamento como justos.

Abel ofereceu sacrifício agradável a Jeová, e é citado como justo exatamente por isso (Gn. 4:3-7; Hb. 11:4). É preciso deixar claro que o sacrifício de Abel é figura, não do sacrifício de Cristo, mas sim dos sacrifícios da lei de Jeová, dada ao povo por Moisés.  O texto diz: “E a Jesus, o mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o sangue de Abel” (Hb. 12:24). Este texto esclarece que Abel era figura dos sacrifícios da Velha Aliança, e por isso, o sangue de Cristo é superior. Mas Abel é citado como justo.

Enoque, o sétimo depois de Adão, andou com Deus trezentos anos pela fé, e por isso foi trasladado vivo para o céu (Gn 5:22-24; Hb.11:5). Não está escrito que Enoque andou com Jeová, mas sim com Deus. A teologia tem andado às voltas com duas linguagens diferentes nos livros de Moisés. A linguagem Eloísta e a linguagem  Javista, que não são iguais. Em segundo lugar, Jesus afirma que nunca ninguém subiu ao céu, logo, não se sabe para onde foi Enoque (Jo. 3:13). Se Enoque subiu vivo para o céu, como o apóstolo Paulo afirma que homem nenhum viu a Deus, nem poderá ver jamais? (1 Tm. 6:16). Fica assim provado que os heróis do Velho Testamento chegaram a Jeová, mas não ao Deus Pai, do qual Jesus disse: “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo. 14:6).

O terceiro grande homem do Velho Testamento foi Noé, que foi divinamente avisado das coisas que não se viam, isto é, chuva e dilúvio, e para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo de então, e foi  feito herdeiro da justiça que é segundo a fé (Gn. 6:7, 14; Hb.11:7). Quem condenou os antediluvianos foi Jeová, e Noé foi o instrumento, mas Paulo afirma que até a lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado não havendo lei (Rm. 5:13). Por esta declaração de Paulo, foi injusta a condenação no dilúvio, pois os pecados não podiam ser imputados. É claro que o Deus Pai de Jesus não imputou aqueles pecados, nem condenou as almas. Paulo ainda revela que Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, e não lhes imputando os seus pecados (2 Co. 5:19). É preciso  entender que a cruz de Cristo reconciliou todos, desde Adão, pois se reconciliou os homens só depois de Jesus, seria injusto. E o Pai quer que todos se salvem (1 Tm. 2:3-4). No livro de Jó lemos que os antediluvianos foram levados antes do tempo, isto é, antes do único e verdadeiro juízo de Cristo conforme Atos 17:30-31 (Jó 22:15).  Jeová matava as pessoas sem lhes dar chance de arrependimento (Gn. 38:6-10; 1 Sm. 2:25; 2 Sm. 6:5-8; Lv. 10:1-2).

Se lermos com atenção a história dos grandes homens de Deus do Velho Testamento, vamos descobrir que todos tinham falhas graves. Davi, por exemplo, que tinha um coração igual ao de Jeová (At. 13:22), é acusado pelo próprio Jeová de adúltero, assassino e sanguinário (2 Sm.12:9-10; 1 Cr. 22:8). Salomão, filho de Davi, foi assassino, lascivo e idólatra (1 Rs. 11:1-3,4-8; 2:33-34,44-46,24-25). Salomão não foi um homem de paz, como significa o seu nome. Sendo, os escolhidos de Jeová, homens carnais e pecadores, não podiam ser confirmados como justos no Novo Testamento.

Por outro lado, os maus do Velho Testamento, como Caim, Esaú, os irmãos de José, e outros, do mesmo modo, não serão confirmados no Novo Testamento como perdidos por suas más obras.

Para provar que os escolhidos de Jeová no Velho Testamento, não são confirmados como justos no Novo Testamento, citaremos algumas passagens bem explícitas e claras. “Quem crê em Cristo não é condenado, mas quem não crê já está condenado; porquanto não crê no nome do Unigênito Filho de Deus” (Jo. 3:18). Este texto deixa claro que para Jesus, antes do Novo Testamento estavam todos condenados. “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” (Rm. 5:18). A lei de Jeová foi chamada por Paulo de ministério da condenação (2 Co. 3:6-9). Isto quer dizer que os justos não eram justos, os santos não eram santos, os salvos não eram salvos, e os eleitos não eram eleitos, pois estavam todos condenados. No Novo Testamento lemos que todos estavam condenados. Os que creram em Jesus como Abraão, Moisés, Davi e outros, Cristo justificou na cruz (Gl. 4:4).

Assim como as salvações no Velho Testamento não eram reais (Judas 5), assim também as condenações também não eram reais e verdadeiras. Sodoma e Gomorra, por exemplo, foram destruídas a fogo e enxofre por Jeová, deixando-nos a impressão que foram condenados, mas Jesus esclarece que não foram, em Mt. 11:32, 34, pois estão esperando o juízo verdadeiro de Cristo.

Outro exemplo foi a salvação de Israel  e a condenação de Faraó e dos egípcios. Na realidade nem os israelitas foram salvos e nem  os egípcios foram condenados. Os dois povos estão guardados para o único juízo, pois Deus, o Pai, é Senhor de todos, tanto israelitas como egípcios, tanto judeus como gentios (Rm. 3:29).

No livro de Atos dos Apóstolos lemos: “Deus tem determinado um dia, em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou; e disso deu certeza a todos ressuscitando-o dos mortos” (At. 17:31).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(089) – A ÁRVORE DA CIÊNCIA

 

“E Jeová Elohim (Elohim = Deuses) fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal” (Gn. 2:9). A palavra ciência ou conhecimento, no hebraico, é DAAT, conhecer sexualmente, ou ter relações sexuais. Jeová Elohim (Jeová Deuses) proibiu Adão de comer do fruto da árvore do conhecimento sexual, pois se comesse morreria (Gn. 2:17). Essa proibição foi feita antes de haver mulher, e assim fica provado que não é lícito ao homem conhecer sexo antes do matrimônio. Para Jeová Elohim, quem pratica sexo fora do casamento morre. No Novo Testamento, também, sexo fora do matrimônio mata (1 Co. 6:10; Mt. 19:10; Ap. 21:8; 22:15; Gl. 5:19-21).

Sendo assim, comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal são duas maneiras de praticar sexo.

1-    O bem é a virgindade juvenil e o mal é a fornicação, pois fornicação é sexo praticado entre solteiros. “Os incrédulos, os abomináveis, os homicidas, e os fornicários, etc., a sua parte será no lago de fogo e enxofre” (Ap. 21:8).

2-    O bem é a continência ou domínio próprio, o mal é a frouxidão de costumes. “Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito” (Jd. 19; Gl. 5:22).

3-    O bem é o pudor e o recato; o mal é a falta de vergonha e o deboche amoral e escandaloso. “As mulheres se ataviem com traje honesto, com pudor e modestia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos” (1 Tm. 2:9). No tempo do apóstolo Paulo, as meretrizes usavam tranças.

4-    O bem é o homem dominar a fúria da carne, e o mal é ser escravo das paixões carnais desenfreadas. “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras da carne, vivereis” (Rm. 8:13). Paulo declarou: “Eu subjugo o meu corpo e a reduzo a servidão, para que pregando aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado” (1 Co. 9:27).

5-    O bem é o respeito ao próximo; o mal é a sedução corruptora. “Estes são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias, carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências” (2 Tm. 3:6). “Mas tenho contra ti, que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam” (Ap. 2:20).

6-    O bem é o respeito próprio, e o mal a masturbação e a lascívia. “Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (1 Co. 3:16-17).

7-    O bem são os bons costumes; o mal é a corrupção de costumes. “Não vos enganeis; as más conversações corrompem os bons costumes. Vigiai justamente e não pequeis; porque alguns de vós ainda não têm o conhecimento de Deus, digo-o para vergonha vossa” (1 Co. 15:33-34).

8-    O bem são os frutos do Espírito; o mal são as obras da carne. “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, bebedices, glutonarias, homicídios, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio (Gl. 5:19-23).

9-    O bem é o matrimônio santo; o mal o matrimônio imundo. “Venerado seja entre vós o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão a prostituição e aos adúlteros Deus os julgará” (Hb. 13:4).

10-   O bem é a prole; o mal é o aborto criminoso. “E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Salvar-se-á, porém, dando a luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, na caridade e na santificação” (1 Tm. 2:14-15).

11-   O bem é o matrimônio; o mal é a prostituição e a fornicação. “Bom seria que o homem não tocasse em mulher, mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido” (1 Co. 7:1-2).

12-   O bem são os filhos recebendo instrução no lar; o mal são os bastardos largados na rua. “Disse Jeová a Oséias: Vai, toma uma mulher de prostituição, e filhos de prostituição, porque a terra se prostituiu, desviando-se de Jeová” (Os. 1:2).

13-   O bem é a castidade conjugal, e o mal é o divórcio. Que é castidade? Castidade é pureza. A mulher virgem está em estado de castidade. No matrimônio santo os cônjuges permanecem em estado de castidade. Essa castidade está simbolicamente nas alianças. O matrimônio santo é o casamento de virgens que permanecem em estado de castidade. Essa castidade conjugal é rompida pelo divórcio ou pelo adultério. Disse Jesus: “Qualquer que repudiar sua mulher, deixando de lado a prostituição (pornéia), e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada, comete adultério também” (Mt. 19:9). Existem duas virgindades: do corpo e do espírito. A verdadeira é a do espírito, que vem à luz na nova criatura pelo novo nascimento, através da fé em Jesus Cristo. “Se alguém está e  Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co. 5:17).

14-  O  problema dos homens e das mulheres é que ninguém busca o bem e ninguém faz o bem, como está escrito: “Não há justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem  um só” (Rm. 3:10-12). Como Paulo poderia afirmar isso se todos buscassem o bem? O problema é que todos buscam o bem particular, que prejudica o próximo. O bem particular é egoísta. Não sofre com a dor alheia. Disse o pensador grego Aristóteles: “O bem comum é mais sublime que o bem particular”. O Bem que um homem faz, é para conquistar algo. Robespierre, advogado francês, era contra a pena de morte e defendia com unhas e dentes os infelizes condenados. Chegando ao poder, impôs o regime do terror e foi o maior matador de inocentes. Caiu do poder e morreu no cadafalso, onde enviava suas vítimas. O bem de todos só aparece quando alguém renuncia o particular. Isso fez Jesus, que sendo rico se fez pobre, para que, pela sua pobreza enriquecêssemos (2 Co. 8:9). Paulo entendeu o que é a salvação e disse: “Sede meus imitadores, como eu também sou de Cristo” (1 Co. 11:1). Um matrimônio só  é perfeito quando os cônjuges estão submetidos a Deus. Só existe respeito e pureza no coração onde Jesus habita.

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(088) – ONISCIÊNCIA DE DEUS

         Deus sabe tudo?  O que é onisciência? É saber todas as coisas a um só tempo, e é saber todas as coisas antes que aconteçam, logo, a onisciência inclui a presciência. A onisciência é atributo unicamente divino.

A parapsicologia, ou ciência dos psicofenômenos, é o estudo da percepção extra sensorial. Inclui a telepatia e a clarividência. A telepatia é a percepção dos objetos e acontecimentos distantes, inatingíveis pelos órgãos sensoriais normais; a clarividência é o conhecimento direto do estado mental de outra pessoa sem que esta se comunique.

Existem pessoas dotadas de percepção extra sensorial que conseguem ler o pensamento de outros. Há outros que captam fatos acontecidos a distância. Estes são telepatas.

Pois bem,  se um homem é capaz destes fenômenos paranormais, Deus, que é absoluto, sabe tudo sem que ninguém se comunique com ele, e sabe tudo a infinitas distâncias. Jeová disse: “Sou eu apenas deus de perto e não deus de longe? Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? Diz Jeová: Porventura não encho eu o céu e a terra?” (Jr. 23:23-24). Jeová se contradiz quando desceu do céu para saber “in loco” se havia realmente corrupção em Sodoma e Gomorra (Gn. 18:20-21). Alguém entendido na Bíblia vai dizer: Jeová usou essa linguagem por causa dos homens. Não é verdadeira esta hipótese. Jeová disse: “Descerei agora, e verei se, com efeito, tem praticado essas coisas”.

Sendo Jeová deus, e como tal, onisciente, sabendo antecipadamente as coisas que vão acontecer, pois declarou: “Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam” (Is. 46:9-10). E Jeová humilhou a Israel e o tentou durante quarenta nos, “para saber o que estava no coração do povo, se guardaria os mandamentos ou não” (Dt. 8:2). Um doutor dirá: foi para que Israel soubesse que iria ser infiel. Então, por que Jeová não disse: É para que vós saibais que o vosso coração é infiel. Tanto no caso de Sodoma, como no caso do deserto, não era o povo que precisava saber, mas Jeová. O texto é claro e não admite interpretações.

Temos outro caso gritante. No ano 722 A.C. o reino do norte, isto é, as dez tribos, foram dizimadas por Salmaneser, rei da Assíria. O reino de Israel foi transportado para a Assíria. Nessa época, Ezequias reinava sobre Judá, e Bene-Hadade, outro rei da Assíria, veio contra Judá para destruí-la, como aconteceu com Israel. Nesse tempo, o rei da Babilônia enviou embaixadores com cartas e presentes. Ezequias então lhes mostrou seus tesouros, nada ocultando (2 Rs. 18:9-11; 20:12-13). Jeová desconfiou de Ezequias. Diz o texto bíblico: “Contudo, no negócio dos embaixadores dos príncipes da Babilônia, que foram enviados a ele, e perguntaram acerca do prodígio que se fez naquela terra, Deus o desamparou, para tentá-lo para saber tudo o que havia no seu coração” (2 Cr. 32:31). Com estes três casos, fica definitivamente provado que Jeová não é presciente nem onisciente. Jeová não sabe o que o homem tem no coração.

O caso mais flagrante é o de Abraão. Este homem era tão íntimo de Jeová, que era chamado de amigo. “Mas tu, ó Israel, servo meu, tu Jacó, a quem elegi, semente de Abraão, meu amigo” (Is. 41:8; 2 Cr. 20:7). Um amigo, a gente conhece na intimidade. Pois Jeová tentou Abraão para saber o que tinha no coração. O caso foi assim: Jeová pediu a Abraão o sacrifício de seu único filho. Abraão não titubeou. Levantou de madrugada, albardou o jumento, tomou a seu filho Isaque e a lenha para o holocausto, e acompanhado de dois servos partiu para o lugar determinado por Jeová. Ajeitou a lenha sobre as pedras, colocou o filho em cima do altar, e levantou o cutelo para imolar o filho. Então o anjo de Jeová bradou desde os céus, dizendo: “Abraão, Abraão, não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único” (Gn. 22:1-12). Caso este estranho, pois Jeová não conhecia que Abraão o temia, pois disse: “AGORA SEI”, isto é, antes não sabia. Antes a dúvida sobre a fidelidade de Abraão o atormentava a ponto de submetê-lo a tão terrível prova.

Quem antes não sabia, não é onisciente nem presciente, atributos divinos. Com isso fica provado que Jeová não é o Deus absoluto, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, mas mais um entre os deuses deste mundo, como disse Paulo em 1 Co. 8:5-6. Jeová é deus antropomórfico.

Dizem que, Jeová pedindo a vida de Isaque em sacrifício, é figura do sacrifício de Cristo na cruz. Neste caso seria Jeová o autor e consumador da fé, mas lemos que é Jesus o autor e consumador da fé em Hb. 12:2. Jesus disse: “Por isso o Pai me ama, porque dou a minha vida, para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou” (Jo. 10:17-18). Na figura de Abraão, quem ia tirar a vida de Isaque era Jeová. A figura não cabe no plano de Cristo. Lá, na figura, Jeová pediu e o Pai entregou, como lemos em Rm. 8:32. Quem entrega, entrega a outro que pede, e o outro que pediu se chama Jeová (Gn. 22:1-2, 12).

Com Jesus a coisa é diferente. Jesus não precisa tentar ninguém para saber o que existe no coração. “E estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome. Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia; e não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem” (Jo. 2:23-25). Quando Judas planejava entregar Jesus, Jesus sabia dos seus planos secretos, e lhe disse: “O que fazes, faze-o depressa” (Jo 13:27). Em outra ocasião, no princípio do seu ministério, Filipe convidou Natanael para conhecer a Jesus. “Jesus então lhe disse: Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo. Natanael, assustado, disse: Donde me conheces tu?” (Jo. 1:47-48a). E o seguiu.

Deus, para ser Deus, tem de ser onisciente e presciente. E Jesus é Deus, o Deus verdadeiro (1 Jo. 5:20).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(087) – A PESTE

         Que é peste? É a doença febril, epidêmica e altamente contagiosa, que causa uma grande mortalidade. Os agentes transmissores das pestes são, em geral, os insetos hematófagos, que se alimentam de sangue; moscas, mosquitos, borrachudos, pernilongos, pulgas, percevejos, barbeiros, etc.

A peste bubônica, por exemplo, que dizimou quase toda população européia no século XIV, é produzida pelos ratos de esgoto. O rato, além da peste bubônica transmite o micróbio da disenteria amebiana, da tularemia, da salmonelose, da raiva, e de muitas outras, ao todo 35. Morreram 25 milhões de pessoas, que eram amontoadas em valas comuns, pois não havia tempo para enterrá-las. A peste negra, surgida em 1348, chamada peste atrocíssima, matava de mil a duas mil pessoas por dia. Surgiu no oriente, e por via terrestre invadiu o Turquestão, a Pérsia, a Arábia e a Ásia Menor, antes de chegar à Rússia e à Marselha, Constantinopla, e às cidades italianas de Messina, Siena e Florença. Só em Avinhão houve 150.000 mortos. Ao todo, 25 milhões.

A gripe espanhola de 1918, começava com dor de garganta, febre e fortes dores nas costas. No dia 7/9/1918 apareceu um soldado com a gripe. No dia 18 já haviam 600 e no dia 20 já 1.600 estavam contaminados com o vírus. Esta gripe causou a morte de 548.452 americanos, 500.000 mexicanos, 44.000 canadenses. Depois foi para a África, América do Sul, Labrador, Japão, etc.. Ao final, no mundo todo foram 21 milhões de pessoas.

Hoje, com o avanço da ciência, a descoberta da penicilina e outros medicamentos modernos, as pestes são controláveis. Antigamente, qualquer peste dizimava populações inteiras, homens, mulheres e crianças. Vamos enumerar uma lista de algumas doenças infecciosas:

AS CAUSADAS POR VÍRUS – resfriado, gripe, raiva, poliomielite, febre amarela, sarampo, varíola.

AS CAUSADAS POR BACTÉRIAS – gonorréia, difteria, tétano, febre tifóide, tuberculose, lepra, peste bubônica.

AS CAUSADAS POR PARASITAS – amebíase, malária, doença de chagas, doença do sono, teníase, cisticercose, esquistossomose, ancilostomose.

Estas foram algumas, pois existem às centenas. Pois bem. Lendo as páginas do Velho Testamento, encontramos a seguinte declaração de Jeová a Faraó, rei do Egito, por ocasião do êxodo: “Porque agora tenho estendido a minha mão, para te ferir a ti e ao teu povo com peste, para que sejas destruído da terra” (Ex. 9:15). E isto aconteceu porque Jeová elegeu Israel e rejeitou o Egito, dois povos iguais quanto a prática do mal, mas diferentes no coração de Jeová. Passados 40 anos de peregrinação sem rumo no deserto, tempo este, que Jeová confessa que usou para humilhar e tentar o seu povo, doze espias são mandados para espiar a terra prometida. Na volta, dez deles infamaram a terra (Nm. 13:31-33). O povo todo chorou e murmurou (Nm. 14:1-2), mas Jeová, cheio de ira, esqueceu as promessas feitas, e disse: “Com pestilência os ferirei, e os rejeitarei” (Nm. 14:12). Qual peste? Cóleras mortais? Peste negra? Peste bubônica? Habacuque, o profeta, declara que a peste é uma espécie de bandeira de Jeová: “Adiante dele, ia a peste, e raios de fogo sob seus pés” (Hc. 3:5). Davi enumerou o povo de Israel, incitado pelo próprio Jeová, segundo a narração de Samuel (2 Sm. 24:1). Mas no livro de 1 Crônicas 21:1, lemos que foi Satanás. Jeová condenou a atitude de Davi, que ele mesmo tinha ordenado, e mandou o vidente Gade dizer: Escolhe para ti: “Ou três anos de fome, ou três meses te consumas diante de teus adversários, e a espada de teus inimigos te alcance, ou que três dias a espada de Jeová, isto é, a peste na terra, e o anjo de Jeová destruam todos os termos de Israel” (1 Cr. 21:12). Incrível, a espada de Jesus Cristo é a palavra do Evangelho que cura e salva, mas a espada de Jeová é a peste que destrói e mata. E a peste matou setenta mil homens. “Mandou pois Jeová a peste a Israel; e caíram de Israel setenta mil homens” (1 Cr. 21:14). Setenta mil inocentes, segundo as palavras do mesmo Davi (1 Cr. 21:16-17).

O remédio de Jeová para o pecado de seu povo eram pestes e pragas, e não graça, amor e perdão. Entre as cinquenta maldições lançadas por Jeová, a da peste é uma delas. “Jeová te fará pegar a pestilência, até que te consuma da terra a que passa a possuir” (Dt. 28:21). Jeová era vidrado nas pestes, e vivia repetindo ameaças. “Porque trarei sobre vós a espada, que executará a vingança do concerto; e ajuntados estareis nas vossas cidades; então enviarei a peste entre vós, e sereis entregues na mão do inimigo” (Lv. 26:25).

Hoje, os homens se convertem olhando para a cruz, e veem ali o amor infinito de Deus, que entregou seu Filho unigênito para expiar os nossos pecados. Lá no Velho Testamento, Jeová mandava a peste para que o seu povo se convertesse. “Se eu cerrar os céus, e não houver chuva, ou se eu enviar os gafanhotos que consumam a terra, ou se eu enviar a peste entre meu povo; e, se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus caminhos maus, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2 Cr. 7:13-14).

Aquele pobre povo vivia perdido e confuso. Ou eram entregues na mão do inimigo em cativeiros para serem corrompidos pelos cananeus sodomitas (Jz. 2:14-15, 3:7-8, 3:12-14, 4:1-2, 6:1, 10:6-7, etc.), ou eram feridos com pestes. “Porque um fogo se acendeu na minha ira, e arderá até ao mais profundo do inferno, e consumirá a terra com a sua novidade, e abrasará os fundamentos dos montes. Males amontoarei sobre eles, as minhas setas esgotarei sobre eles. Exaustos serão de fome, comidos de carbúnculo e de peste amarga; e entre eles enviarei dentes de feras, com ardente peçonha de serpentes do pó” (Dt. 32:22-24). Além das pestes e pragas, Jeová mandava feras do campo. Quando Coré, Datã e Abirão conspiraram contra Moisés, Jeová fez abrir a terra, e desceram vivas ao sepulcro aquelas famílias, tanto mulheres como velhos e crianças inocentes. Era uma barbárie (Nm. 16:1-2, 27-33). Para os duzentos e cinquenta dos maiorais da congregação, saiu fogo de Jeová e os consumiu, porque seguiram Coré, Datã e Abirão. O povo então murmurou contra estas matanças impiedosas e injustas. Como resposta, Jeová mandou então uma praga que matou mais 14.700 (Nm. 16:41-50).

Entretanto, Deus, o Pai, revela o seu verdadeiro caráter: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que  nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16). Jesus disse: “O Pai é benigno até para com os ingratos e maus” (Lc. 6:35). O Pai amava os pecadores no tempo em que Jeová os destruía. “Porque Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5:8).

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(086) – PERFEIÇÃO CRISTÃ

 

         Existem dois testamentos: O Velho Testamento e o Novo Testamento. O Velho é de Jeová e o Novo é de Jesus Cristo. Há diferenças gritantes entre os dois testamentos. No Velho Testamento o homem é desvalorizado ao máximo e no Novo é valorizado astronomicamente. Jeová insiste em provar que o homem é pecador, baixo, infiel, imundo e incapaz de se levantar do pó. “Na verdade, que não há homem justo sobre a Terra, que faça o bem e nunca peque” (Ec. 7:20). Em 1 Rs. 8:46 Salomão afirma que não há homem que não peque. “Jeová olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia alguém que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um” (Sl. 14:2-3; Sl. 53:2-3). “Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce de mulher? Até a lua não resplandece, e as estrelas não são puras aos seus olhos. E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um bicho” (Jó 25:4-6). “Não sejas como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento” (Sl. 32:9). Assim, os homens todos foram colocados dentro de um regime de escravidão, condenação e morte (2 Co. 3:6-9).

Cristo desce a este mundo tenebroso, liberta os homens, resgata-os das maldições, e transforma-os em filhos de Deus, para fazer as obras de Deus. “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo. 8:36). “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gl. 3:13). “Mas a todos que o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome” (Jo. 1:12). “Porque somos feitura sua, criados em Jesus Cristo para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef. 2:10). E Jesus lhes diz: “Vós sois a luz do mundo” (Mt. 5:14). “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens,  para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt.  5:16).

Quais foram os homens de quem Jesus falou estas palavras? Os justos? Os fiéis? Os misericordiosos? Absolutamente não. Jesus disse: “Não necessitam de médico os sãos, mas sim os doentes, porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento” (Mt. 9:12-13). Paulo vai mais longe: “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são” (1 Co. 1:27-28).

Para provar que há valores nos homens, Deus pega os piores, aqueles que no Velho Testamento eram sumariamente mortos, sem misericórdia, por seus vícios e por sua inutilidade, e faz deles seus ministros.

Em última análise, Jesus pega homens cheios de defeitos e vícios, e os coloca no caminho da perfeição (Hb. 6:1). E fique claro que a lei de Jeová não aperfeiçoa ninguém por ser fraca e inútil (Hb. 7:18-19).

A lei está enferma pela carne e produz no homem paixões pecaminosas e mortais (Rm. 8:3; 7:5).

  • Tiago revela que as várias tentações provam a fé, para que o cristão seja perfeito e completo, isto é, quem, ao ser tentado, cai em pecado, jamais será perfeito e completo (Tg. 1:2-4). Quem resiste as tentações chega à perfeição.
  • Tiago nos dá uma outra coordenada no caminho da perfeição. “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal varão é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo” (Tg. 3:2-3). Aqui, Tiago ensina que quem não refreia a língua não refreia também o corpo.
  • O apóstolo Paulo diz: “Toda a Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda boa obra” (2 Tm. 3:16-17).
  • Paulo continua ensinando a perfeição: “Revesti-vos pois, como eleitos de Deus, santos, e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra o outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de caridade, que é o vínculo da perfeição” (Cl. 3:12-14).
  • É evidente que esse processo de aperfeiçoamento só é possível se Cristo habitar no cristão para controlar seus sentimentos, seus impulsos, seus pensamentos e suas ações. “O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos; aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória; deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória;  a quem anunciamos, admoestando  a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo” (Cl. 1:26-28). “Jesus disse: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo. 14:23). Paulo, o mais perfeito cristão, disse: “Estou crucificado com Cristo, e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20).
  • Paulo crê que todos os cristãos serão perfeitos. “Até que todos cheguemos a unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, A VARÃO PERFEITO, À MEDIDA DA ESTATURA COMPLETA DE CRISTO” (Ef. 4:13).
  • Temos duas considerações a fazer. Jesus fez as obras daquele que o enviou (Jo. 9:4). Jesus teria de confirmar as condenações de Jeová para concordar com ele, mas desfez tudo o que Jeová fez: tirou a lei e as maldições, tirou a condenação, e elevou os homens a condição de seus irmãos (Rm. 8:29). João e Tiago quiseram confirmar as obras de Jeová fazendo descer fogo do céu para matar os homens, mas Jesus os repreendeu dizendo: “Vós não sabeis de que espírito sois, porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (Lc.  9:51-56). Em segundo lugar, se Cristo estivesse lá, no lugar de Jeová, não teria matado aqueles cento e dois inocentes, que estavam a serviço do rei, pois condenou a atitude de Elias e a mortandade executada inutilmente por Jeová (2 Rs. 1:9-12). No livro de Jó lemos que os antediluvianos foram levados antes do tempo, isto é, se Jesus estivesse lá, não os teria destruído (Jó 22:15-16).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(085) – MAMOM

A palavra grega Mamom se traduz por riqueza. Em Mat. 6:24 lemos a palavra Mamom, e no rodapé da página está a tradução. A riqueza é um deus para muitos cristãos. Quando Jesus diz: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamon”  (Mt. 6:24), Jesus está ensinando que quem ama o dinheiro despreza a Deus. Um moço rico queria herdar o reino de Deus. Jesus lhe perguntou se guardava os mandamentos. Ele respondeu que desde criança era fiel na guarda dos mandamentos. Jesus, para prová-lo no amor a Deus, disse-lhe: “Falta-te uma só coisa. Vai, vende tudo que tens, reparte entre os pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me”. O moço, por amor ao dinheiro e ao conforto material, desprezou a Deus afastando-se. Achou que deixar a riqueza para ser salvo era um pedido absurdo. Aquele jovem rico preferiu ficar com Jeová, o Deus do ouro e da prata (Mt. 19:16-23; Ag. 2:8).

É Jeová que enriquece. “Antes te lembrarás de Jeová teu Deus, que ele é o que te dá poder para enriquecer” (Dt. 8:18). A palavra “riqueza”, deste texto, se encontra na Bíblia Thompsom, Vida Nova, Bíblia de Jerusalém, conforme o grego. A tradução de Almeida não está fiel ao original. “E quanto ao homem, a quem Jeová deu riquezas e fazenda, e lhe deu poder para delas comer….”  (Ec. 5:19). “Um homem a quem Jeová deu riquezas, fazenda e honra, e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja, mas Jeová não lhe dá poder para daí comer… “ (Ec. 6:2). “Jeová enriquece e empobrece, abaixa e também exalta” (1 Sm. 2:7). “O rico e o pobre se encontraram; a ambos fez Jeová” (Pv. 22:2). Jeová revelou a Abraão o cativeiro egípcio de 430 anos, e que depois dos juízos de Jeová sairiam com grande fazenda (Gn. 15:13-14). Ao sair do Egito 430 anos depois, os israelitas o despojaram (Ex. 3:19-22; 12:35). Levaram a prata e o ouro do Egito para em seguida fabricar o bezerro de ouro. O próprio Abrão foi enriquecido no Egito. O preço que pagou foi entregar Sarai, sua mulher, que se tornou amante de Faraó. Este, por amor de Sarai, enriqueceu Abrão, com a bênção de Jeová (Gn. 12:10-16).

A herança de Jeová era riqueza material: “O pecado de Judá está escrito com um ponteiro de ferro, com ponta de diamante, e gravado na tábua do seu coração” (Jr. 17:1). “Ó minha montanha do campo! A tua riqueza e todos os teus tesouros darei por presa, e também os teus altos por causa do teu pecado. Assim por ti mesmo te privarás da tua herança que te dei” (Jr. 17:3-4).

O povo de Israel aprendeu a amar o ouro e a prata com Jeová. Quando Josué destruiu Jericó, o saque do ouro e da prata iam para os tesouros de Jeová. “Porém toda a prata e todo o ouro, e os vasos de metal, e de ferro, são consagrados a Jeová;  irão ao tesouro de Jeová” (Js. 6:19). Logo a seguir, no verso 21, Jeová deu ordem para matar a fio de espada, desde o homem até a mulher, desde o menino até o velho. As vidas não tinham valor para Jeová; o ouro e a prata tinham grande valor. Os livros de história Universal classificam o povo de Israel como bandoleiros nômades que viviam do saque. Era tão importante para Jeová a riqueza, que um dos seus castigos consistia em trazer uma nação guerreira para saquear o seu povo rebelde. “Também darei toda a fazenda desta cidade, e todo o seu trabalho, e todas as suas coisas preciosas; sim, todos os tesouros dos reis de Judá entregarei na mão dos seus inimigos, e saqueá-los-ão, e levá-los-ão  ao rei da Babilônia” (Jr. 20:5). “A tua fazenda e os teus tesouros entregarei sem preço ao saque; e isso por todos os teus pecados” (Jr. 15:13).

Jeová promete, por boca de Isaías, o profeta, num futuro não muito distante, restaurar o reino de Israel, que seria a luz dos povos. Então todos os reis viriam louvar a Jeová em Jerusalém, e trariam presentes: multidão de camelos e dromedários, trariam ouro e incenso, ovelhas e carneiros. Os filhos dos estrangeiros edificariam os muros da cidade e os reis seriam todos servos de Israel. E Jeová faz uma ameaça: “A nação ou reino que não te servirem perecerão e serão assoladas” (Is. 60:3-12). Com toda a certeza podemos afirmar que Jeová não é o deus dos gentios como o Pai de Jesus (Rm 3:29). O profeta Zacarias acrescenta algo tenebroso sobre o assunto: “E acontecerá que se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém para adorar o rei, Jeová dos Exércitos, não virá sobre ele a chuva. E, se a família dos egípcios não subir, virá sobre eles a praga com que Jeová ferirá as nações” (Zc. 14:18-19). Sem dúvida nenhuma, o projeto de Jeová era oposto ao de Jesus Cristo.

Segundo as palavras de Eliú, no livro de Jó, lemos: “Se te converteres ao Todo Poderoso (Shaday), serás edificado; afasta a iniquidade da tua tenda. Então amontoarás ouro como pó, e ouro de Ofir como pedras do ribeiro. E até o Todo Poderoso te será por ouro, e por prata amontoada” (Jó 22:23-25).

No Velho Testamento, a glória vinha com as riquezas, por isso a riqueza vem antes. O rei Davi, abençoado por Jeová, morreu cheio de dias, riqueza e glória (1 Cr. 29:28). Jeová deu riquezas e glória a Salomão (1 Rs. 3:13). O ouro que Salomão recebia todos os anos era de 666 talentos de ouro (1 Rs. 10:14). Não devemos esquecer que 666 é o número da besta (Ap. 13:18). Jeová abençoou Josafá, rei de Judá, com riquezas e glória  (2 Cr. 17:5; 18:1). Jeová enriquecia os justos. “Louvai a Jeová. Bem aventurado o homem que teme a Jeová, que nos seus mandamentos tem prazer. A sua descendência será poderosa na Terra; a geração do justo será abençoada. Fazenda e riqueza haverá na sua casa” (Sl. 112:1-3). Os amigos de Jó o acusavam de ser grande pecador, pois se fosse justo não teria ficado da miséria (Jó 22:5-11).

Uma coisa confunde as pessoas. A primeira é que Satanás se autodenomine dono dos reinos deste mundo, seu poder e sua glória, e das riquezas obviamente. É Jeová ou Satanás quem dá ouro, prata e riquezas?  A segunda coisa que confunde, é que Jesus e o Pai nunca deram riquezas materiais a ninguém, pois lemos: “Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino?” (Tg. 2:5). Jesus afirmou que um rico apegado a riqueza é insensato e louco, e por isso, condenado (Lc. 12:13-21). Ora, se a bênção de Jeová é a riqueza (Pv. 10:22),  a maldição de Jeová é a pobreza; se a bênção do Pai é a pobreza, sendo maldição a riqueza, Jeová e o Pai são adversários. E Jeová e Satanás são amigos.

 

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(084) – O TEMPO (Isaías 9: 6)

Quando começa a eternidade? No princípio? No meio? No fim? Na eternidade não há tempo, logo não há fim nem princípio. O tempo é um disco que gira em rotação eterna. O princípio da eternidade, que está fora do tempo, pode ser colocado em qualquer época do tempo, nesse disco. Ou no fim, ou no princípio, ou no meio.

Ora, o tempo, na história, divide-se em duas partes. Antes e depois de Cristo, logo a eternidade começa em Cristo (Hb. 7:3). Em Ap. 13:8 e Hb. 1:10, temos a revelação desse mistério. Neste texto João revela três coisas:

1.     Tudo começou na cruz: a criação do mundo, do homem e do tempo.

2.     Se o mundo foi fundado por Cristo na cruz, ele é o início da eternidade.

3.     O mundo foi fundado em Cristo fora do tempo, assim a eternidade não começa no tempo, mas fora do tempo, tem princípio, mas fora do tempo (Ap. 1:8, 2; 2 Pe. 3:8). “O dia” é o dia de Cristo (Jo. 8:56). O dia de Cristo está em Gn. 2:4. A primeira criação foi feita em sete dias e a segunda em um dia. A primeira começou no céu e a segunda na Terra (Is. 65:17 e Ap. 21:1).

Paulo chama plenitude dos tempos o início da eternidade (Gl. 4:4; Ef. 1:10). Em Ef. 1:10, as coisas do Céu são as eternas e as da Terra as temporais. Em 1 Pe. 1:20 lemos que a fundação do mundo foi feita depois do tempo, como está em Ap. 13:8, logo, Cristo é o princípio da eternidade, pois o mundo foi fundado em relação a eternidade de Cristo e não em relação ao tempo (Pv. 8:22-26; Jó 38:4-6; Hb. 1:2; João 1:1-3).

O Reino eterno do Senhor Jesus foi preparado desde a fundação do mundo como está em Ap. 13: 8, logo, Jesus é o princípio da eternidade (Mt. 25:34).

Em Fp. 2:10 temos a eternidade em Cristo. O futuro está nos céus. O presente está na Terra. O passado nos que morreram e estão debaixo da terra.

Cristo é o princípio da eternidade porque nele foram criadas todas as coisas (Cl. 1:16). Por ele foram criadas todas as coisas (Jo. 1:3; Cl. 1:17). Para ele foram criadas todas as coisas (Hb. 1:2-3). A palavra HOJE  designa a eternidade de Cristo (Hb. 3:13; 4:7)Hoje foi no Êxodo. Hoje foi com o ladrão na cruz . Hoje é o tempo da Igreja. Hoje será até o fim do mundo (Hb. 13:8).

 

VEJAMOS PRATICAMENTE

Ef. 1: 4  => Entramos na eternidade com Cristo mediante a fé e o batismo.

1 Ts. 4:16-17  => Paulo afirma que na vinda de Cristo, os vivos não precederão os mortos, mas em Cl. 3:1-3 e Ef. 2:5-6 afirma o contrário. A resposta é que a ressurreição  se dará daqui a 100 ou 1.000 anos, mas quem está em Cristo, entrou na eternidade antes do tempo, pela ressurreição espiritual, isto é, um fato futuro é trazido para o presente em Cristo, logo, Cristo é o princípio da eternidade (Jo. 5:24; 3:36;  1 Jo. 5:9-12).

Ter vida eterna é sair do tempo e entrar na eternidade. Assim, os servos de Deus entram na eternidade para conhecer e revelar as coisas do tempo como Is. 7:14; Dn. 9:24; 12:1-4; 2 Co. 12:3-4; Ap. 4:1-3; 7:9-17. O crente é senhor do tempo (Js. 10:2-14; 1  Pe. 1:10).

O juízo final se dará no fim dos tempos (Ap. 20:11-15), quando todos serão julgados, e também os salvos que estão no livro da vida (Ap. 20:15). Os de Jesus já foram julgados no batismo e sepultados com Cristo (Rm. 8:1). Ora, o juízo que se dará no fim é trazido para a cruz de Cristo, logo, Jesus é o princípio da eternidade, pois os salvos já entram na posse da vida, embora seus nomes sejam mencionados no juízo final no livro da vida. Dimas, o bom ladrão, será julgado no fim, mas entrou na glória no princípio (Ap. 1:8; Fp. 4:3).

No tempo, nenhum cristão chegará à estatura de Cristo, mas só na eternidade (Fp. 3:20-21; 1 Jo. 3:1). Paulo afirma, porém, que podemos chegar à estatura completa de Cristo (Ef. 4:13). Como pode ser isso? Os que saem do tempo e entram na eternidade com Cristo pela fé, se tornam iguais a Jesus, antes do tempo (Rm. 4:17).

O que há no tempo? Ambições, cobiça, mutações, paixões, carne, pecados, lutas, guerras, sensações, luxúria, movimento, trevas, etc. Fora do tempo não há essas coisas (Ec. 9:5-6). O que o tempo dá, o tempo tira. Onde está Babel? Egito? Faraó? Assíria, Grécia, Roma, etc? Onde está Platão, Aristóteles, Herodes, César, Napoleão, Hittler, etc? O tempo engoliu.

Os que saíram do tempo pela fé são eternos (Lc. 13:28; 9:28-31; Sl. 90:1-8).

Os incrédulos estão presos no tempo e os salvos libertos do tempo. Sendo assim, os tempos são determinados por Jesus, a Igreja e os santos (Gn. 1:14-16; 2 Rs. 20:9-11). Os tempos podem ser mudados por causa dos santos (Mt. 24:12). Se os perdidos estão submetidos ao tempo, e os de Jesus têm domínio sobre o tempo, o rei de Dn. 7:25 é um poder religioso (Ap. 13:6-8).

Quem está condenado, está eternamente no tempo (Jd. 6), porque está na eternidade e sofre os danos do tempo. O diabo foi expulso do céu e lançado no tempo com seus anjos (Ap. 12:12; Mt. 8:28-29). Os demônios, no tempo, temem o futuro. Quem está fora do tempo nada teme (Mt. 6:25; 1 Jo. 4:18).

A salvação é eternidade fora do tempo, porque foram esquecidas as angústias passadas (Is. 65:16-17).

Os crentes carnais estão entre o tempo e a eternidade. E darão conta dos males do tempo (Ec. 3:15; Mt. 7:16-20). Não estão no tempo e nem na eternidade.

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(083) – JEOVÁ NÃO É O PAI

Os que creem ser Jeová o único deus verdadeiro, alegam que não há no Novo Testamento argumentos que provem o contrário. Apresentamos neste estudo diversas provas que deixam bem claro não ser Jeová o Deus verdadeiro.

1.     Jeová elegeu Moisés como mediador entre deus e os homens (Ex. 3:12-18). Paulo, entretanto, afirma que só há um mediador entre os homens e Deus, Jesus Cristo, homem (1 Tm. 2:5). Jesus  é mediador de um melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas (Hb. 8:6). Sendo Moisés o mediador do Velho Concerto,  aquele não era o do Pai, e Moisés foi mediador entre homens e anjos, e não entre Deus e os homens (Gl. 3:19). É óbvio que Paulo está revelando que Jeová não é o Pai, mas um falso Deus.

2.     Jeová se declarou o rei deste mundo e de Israel nas seguintes passagens bíblicas: Sl. 47:2, 7-8;  22:28; 96:8-10; 99:1; 1 Cr. 16:31; Jr. 10:7; Is. 43:15. Ora, Jesus e o Pai são um, isto é, o que o Pai é, Jesus é igualmente. Mas Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo” (Jo. 18:36; 10:30). Sendo assim, Jeová  era de baixo e Jesus de cima, como  lemos em Jo. 8:23.  Jesus estava revelando que Jeová não é o Pai.

3.     Jeová se manifestou  em trevas no monte Sinai (Dt. 4:11-12; 5:22-24). “O povo estava em pé de longe; Moisés, porém, se chegou às trevas onde Jeová estava” (Ex. 20:21). Jesus se manifestou em luz sobre um monte (Mt. 17:1-2). Quem se achegasse a Jesus se achegava à luz e não às trevas (Jo. 8:12; 12:46). E João afirma que no Pai não há trevas nenhumas (1 Jo. 1:5). É claro que tanto Jesus como João estavam revelando que Jeová é o anjo das trevas, ou a potestade das trevas de Cl. 1:12, 13.

4.     Jeová gerava filhos da carne, como está registrado em Ez. 16:20; 23:37; Dt. 28:53; Sl. 127:3. Jeová gerou Isaque, Esaú e Jacó, Sansão, etc. (Gn. 21:1-2; 25:19-23; Jz. 13:3-5). E esses nascidos da carne eram filhos de Jeová, como lemos em Dt. 14:1; 32:18-20; Is. 1:2; 30:9; 63:7-8, etc.   Paulo, entretanto, revela que os nascidos da carne não são filhos de Deus (Rm. 9:8). João ensinou, da parte de Deus Pai o seguinte: “Mas a todos quantos receberam a Jesus, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; os quais crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo. 1:12-13). E Jeová se declarou “o deus da carne” em Jr. 32:27. Sendo assim, os filhos de Jeová não são os filhos do Deus Pai; nem os filhos de Deus são filhos de Jeová. Os de Deus são espírito e os de Jeová são carne (Jo. 3:8). É evidente que Jeová não é o Pai e nem Jesus, mas um deus estranho.

5.     Jeová ditou pessoalmente os dez mandamentos, como diz Moisés em Dt. 4:10-14. E o povo viu a Jeová (Ex. 24:9-11). E Jesus afirmou que o seu povo nunca viu nem ouviu a Deus em Jo. 5:37. Abraão viu a Jeová (Gn. 18:1-7). Isaías viu a Jeová (Is. 6:1-3, 5). E Paulo afirma que nenhum homem jamais viu a Deus, nem pode ver (1 Tm. 6:16). É claro que Paulo estava revelando que o que Abraão e os outros viram, não se tratava do Pai, mas de um usurpador.

6.     Jeová mandou Moisés dizer a Faraó, rei do Egito: “Deixa ir o meu povo para que me sirva”. Esta frase é repetida sete vezes (Ex. 4:23; 7:16; 8:1,20; 9:1,13; 10:3). Jeová fazia questão de ser servido pelos homens. Os levitas formaram uma casta sacerdotal para servir a Jeová. No livro de Malaquias, o último profeta do Velho Testamento, lemos: “Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a deus, e o que não serve” (Ml. 3:18). Pois Paulo declara peremptoriamente que Deus não é servido por mãos de homens, em At. 17:23, 25. Paulo está revelando que aquele que é servido por mãos de homens não é o Deus verdadeiro. O povo de Israel pensava servir a Deus servindo a Jeová, mas Paulo acrescenta: “Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus, ou antes, sendo conhecidos de Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?”  (Gl. 4:8-9).

7.     Jeová só tinha uma família. “És povo santo a Jeová teu deus, e Jeová te escolheu, de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu povo próprio” (Dt. 14:2). “De todas famílias  da terra a vós somente conheci” (Am. 3:2). Paulo, para esclarecer que Jeová não é o Pai, nos diz: “Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família no céu e na terra toma o nome” (Ef. 3:14-15).

8.     Jeová se declara o leão devorador de Israel. “Serei pois, para eles como leão; como leopardo espiarei no caminho. Como urso que tem perdido seus filhos, os encontrarei, lhes romperei as teias do seu coração; E ALI  OS DEVORAREI COMO LEÃO” (Os. 13:7-8). Há mais passagens nas quais Jeová se denomina leão (Os. 5:14; Lm. 3:10; Am. 3:4-6, 8; Os. 11:10). Pedro, magistralmente, desvenda o mistério do leão Jeová. “Vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda ao derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pd. 5:8).

9.     Por duas vezes Elias ordenou, e desceu fogo do céu que matou cento e dois soldados. O fogo veio de Jeová, como aconteceu em Sodoma e também aos filhos de Arão (Gn. 19:24; Lv. 10:1-2). João e Tiago quiseram repetir a façanha, mas Jesus os repreendeu dizendo: Vós não sabeis de que espírito sois”. Com isto, Jesus revela que o seu espírito não é o mesmo de Jeová. E disse mais: “Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las”. Com estas palavras Jesus declara que Jeová foi e é o destruidor das almas (Lc. 9:51-56). Jesus não poderia ser mais claro nesta revelação.

10.    Jeová sempre buscou  a própria glória, coisa feia para um deus, pois, se para o homem exaltar-se é revelar soberba, para Deus, que é modelo, não pode exaltar-se a si próprio. Jesus nasceu humilde e num estábulo, e sempre foi pobre e desprezado (Is. 52:14; 53:2-3). Jesus não tinha onde reclinar a cabeça de tão pobre (Mt. 8:20). E Jesus declarou: “EU NÃO BUSCO A MINHA GLÓRIA; há quem a busque” (Jo. 8:50). E disse mais: “Se eu testifico de mim mesmo o meu testemunho não é verdadeiro” (Jo. 5:31). Jeová não fez outra coisa senão testificar de si mesmo e buscar a própria glória (Is. 43:11, 13; 45:5; Dt. 32:39; Is. 14:27). E sobre a própria glória lemos: Is. 43:7; 42: 8; Is. 48:11. Jeová falava tanto do seu nome, da sua glória e do seu poder, e Jesus rebate com as seguintes palavras, para quem tem olhos ver: “Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória, mas o que busca a glória daquele que o enviou, ESSE É VERDADEIRO, e não há nele injustiça (Jo. 7:18). 

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira