Arquivos

(057) – SOL E CHUVA

Jeová se autodenomina SOL. “Porque Jeová Deus é um Sol e escudo; Jeová dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão” (Sl. 84:11). É Jeová que regula a luz do Sol, da lua, e das estrelas deste mundo. “Assim diz Jeová, que dá o Sol para a luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para a luz da noite, que fende o mar, e faz bramir as suas ondas; Jeová dos Exércitos é o seu nome” (Jr. 31:35).

Como Jeová era inimigo de Faraó e do Egito, e se declarou o Deus de Israel, fazia resplandecer a luz para Israel, mas para os egípcios havia escuridão e trevas totais. “Então disse Jeová a Moisés: Estende a tua mão para o céu, e virão trevas sobre a terra do Egito, trevas que se apalpem. E Moisés estendeu a sua mão para o céu, e houve trevas espessas em toda a terra do Egito por três dias. Não viu um a cara do outro, e ninguém se levantou do seu lugar por três dias. Mas todos os filhos de Israel tinham luz em suas habitações” (Ex. 10:21-23).

Após a morte dos primogênitos, vencido Faraó pela fúria destruidora de Jeová, deixou que os israelitas partissem do Egito, levando também despojos de prata e ouro, e também vestidos (Ex. 12:31-36). Jeová, porém, endureceu o coração de Faraó mais uma vez, e assim, influenciado por Jeová, Faraó com seus exércitos partiram atrás dos israelitas afim de destruí-los (Ex. 14:4,17). Jeová queria ser glorificado pelo crime de matar todo o exército de Faraó no mar, enquanto Israel marchava na sua fuga em direção ao mar Vermelho. Jeová interveio da seguinte forma: “E o anjo de Deus, que ia adiante do Exército de Israel, se retirou e ia atrás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles, e ia entre o campo dos egípcios e o campo de Israel; e a nuvem era escuridão para aqueles, e para estes esclarecia a noite; de maneira que em toda a noite não chegou um ao outro” (Ex. 14:19-20).

Como lemos acima, Jeová é um Sol, e sua luz é espiritual e não física. E Jeová habitava no meio do seu povo Israel (Nm. 5:1-3). Sendo Jeová o próprio Sol, não dá para entender como o seu povo andava em trevas. “Tal como a que se assenta nas trevas e sombra da morte, presa em aflição e em ferro” (Sl. 107:10). “Esperamos pela luz e só há trevas; pelo resplendor, mas andamos na escuridão. Apalpamos as paredes como cegos; sim, como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros, somos como mortos” (Is. 59:9-10). Esse mistério do Sol não iluminar precisa ser explicado. Mas Jeová promete tirar a luz do Sol dos maus profetas. “Portanto se vos fará noite para que não haja profecia, e haverá trevas, para que não haja adivinhação” (Mq. 3:5-6). Por causa do mal do seu povo, Jeová retirou o Sol no meio da sua história. “Pôs-se o seu Sol sendo ainda dia” (Jr. 15:9). O Sol espiritual de Israel se pôs, isto é, Jeová abandonou o seu povo. “Então Jeová me disse: Chegou o fim do meu povo Israel; daqui por diante nunca mais passarei por ele” (Am. 8:2). “E fá-los-ei em pedaços uns contra os outros, e juntamente os pais com os filhos, diz Jeová; não perdoarei nem pouparei, nem terei deles compaixão, para que os não destrua” (Jr. 13:14). “Pelo que Jeová rejeitou toda a semente de Israel, e os oprimiu, e os deu nas mãos dos despojadores, até que os tirou de diante da sua presença, porque rasgou Israel da casa de Davi” (2 Rs. 17:20-21).

O Sol de Jeová é particular, de um grupo de preferidos. “Mas para vós, que temeis o meu nome nascerá o Sol da Justiça, e salvação trará debaixo das suas asas; e saireis, e crescereis como bezerros no cevadouro” (Ml. 4:2). Texto confuso, pois Jesus nasceu para salvar todos os pecadores, e Jeová afirma que nasceria para os seus fiéis.

Falemos da chuva.

Jeová é quem manda a chuva. “Ele é que cobre o céu de nuvens, que prepara a chuva para a terra, e que faz produzir a erva sobre os montes” (Sl. 147:8). “Temamos agora a Jeová nosso Deus, que dá a chuva, a temporã e a tardia, a seu tempo” (Jr. 5:24). As chuvas de Jeová são, porém, reservada só para os fiéis. “Se andardes nos meus estatutos, e guardardes os meu mandamentos, e os fizerdes, então eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo” (Lv. 26:3-4). Jeová promete livrar no futuro as suas ovelhas e abençoá-las: “E a elas, a aos lugares ao redor do meu outeiro, eu porei por bênção, e farei descer a chuva a seu tempo; chuvas de bênçãos serão” (Ez. 34:26). Esta bênção seria futura. No presente, a realidade era outra. Jeová retirava a chuva do seu povo por causa dos pecados. “Guardai-vos, que o vosso coração não se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos inclineis perante eles, e a ira de Jeová se acenda contra vós, e feche ele os céus, e não haja água, e a terra não dê a sua novidade, e cedo pereçais na boa terra que Jeová vos dá” (Dt. 11:16-17). Depois de novecentos anos Jeremias diz: “Levanta os teus olhos aos altos, e vê: onde não te prostituíste? Assim manchaste a terra com as tuas devassidões e com a tua malícia, pelo que foram retiradas as chuvas, e não houve chuva tardia” (Jr. 3:2-3)“Além disso, retive de vós a chuva, faltando ainda três meses para a ceifa; e fiz chover sobre uma cidade, e sobre outra cidade não fiz chover; sobre um campo choveu, mas o outro, sobre o qual não choveu, se secou” (Am. 4:7).

O incrível é que Jeová promete uma restauração para Judá, um tempo em que ele, Jeová, será rei em toda a terra. Todas as nações subirão de ano em ano, para adorarem o rei, isto é, Jeová. Se alguma não subir a Jerusalém para adorar Jeová, ele reterá a chuva (Zc. 14:9-17).

E o Pai do Senhor Jesus Cristo? Qual a sua atitude em relação aos maus e aos bons? Jesus o declara: “Eu, porém vos digo: Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai Celestial que está nos céus; PORQUE FAZ QUE O SEU SOL SE LEVANTE SOBRE MAUS E BONS, E A CHUVA DESÇA SOBRE JUSTOS E INJUSTOS” (Mt. 5:44-45). Isto acontece do ponto de vista literal. E espiritualmente, qual a vontade do Pai de Jesus?

Em Mt. 5:45 lemos que o Pai faz que o SEU SOL se levante sobre todos. O Sol espiritual do Pai não é Jeová, mas Jesus; e este Sol é para todos, maus e bons. Os maus estão mortos nos pecados e os bons estão vivos. “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá: e todo aquele que vive, e crê em mim nunca morrerá” (Jo. 11:25-26). Jesus veio a este mundo para salvar os maus e pecadores (1 Tm. 1:15).“Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão” (Jo. 5:25).

O Pai ama aqueles que Jeová matava e rejeitava (Jo. 3:16). O Pai quer todos salvos, especialmente os perdidos. Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tm. 2:3-4).

Diferente de Jeová que preparava uns para perdição, e outros para a salvação (Rm. 9:21-23).

 

Autor: Pastor Olavo S. Pereira

(056) – O JUSTO JUIZ

“Jeová é a rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos juízo são. Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é” (Dt. 32:4).  Jeová também se declara o Deus deste mundo. “De Jeová é a terra e a sua plenitude; o mundo e os que nele habitam” (Sl. 24:1).  Jeová é também o juiz deste mundo. “Exalta-te tu, que és juiz da terra; dá o pago aos soberbos” (Sl. 94:2).

“Ele é Jeová nosso Deus; os seus juízos estão em toda a terra” (Sl. 105:7).  “Porque Jeová é o nosso juiz; Jeová é o nosso legislador; Jeová é o nosso rei; ele nos salvará” (Is. 33:22).  “Mas, ó, Jeová dos Exércitos, justo juiz, que provas os rins e o coração” (Jr. 11:20).  “Mas Deus é o juiz; a um abate, e a outro exalta (Sl. 75:7).

Ficando assim provado pela Bíblia que Jeová é o juiz deste mundo, é óbvio que, sendo Deus, tem de ser justo juiz para com os homens. Em Rm.3:23 lemos que todos pecaram e destituídos foram da glória de Deus. Essa destituição foi tão grande que Jeová declara que o destino final dos homens é o mesmo dos animais: “Disse eu no meu coração: É por causa dos filhos dos homens, para que Deus possa prová-los, e eles possam ver que são em si mesmos como os animais.  Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais; a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para um lugar; todos são pó, e todos ao pó tornarão. Quem adverte que o fôlego dos filhos dos homens sobe para cima, e que o fôlego dos animais desce para baixo da terra? Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; porque quem o fará voltar para ver o que será depois dele?” (Ec. 3:18-22). “Não há justo, nenhum sequer” (Rm. 3:10). 

1.  Jeová, o oleiro, toma barro da mesma massa, e fabrica um vaso para honra e outro para desonra (Rm. 9:21). Houve injustiça, pois não se dá prêmios diferentes a iguais Jeová é juiz injusto.

2.  Paulo afirma que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus (Rm. 14:12).  Se a responsabilidade é pessoal, pode um Deus justo matar o filho pelo pecado do pai? Davi cometeu um vergonhoso adultério, e deveria morrer por apedrejamento (Lv. 20:10). Mas Davi não foi apedrejado; quem morreu foi a criança, ferida por Jeová (2 Sm. 2:15-19). Jeová é juiz injusto.

3.  Pode um Deus justo responsabilizar uma geração pelo pecado de outra? O povo judeu, no cativeiro babilônico, assim falou: “Nossos pais pecaram, e já não existem; nós levamos as suas maldades. Servos dominam sobre nós; ninguém há que nos arranque da sua mão. Com perigo de nossas vidas trazemos o nosso pão, por causa da espada do deserto. Nossa pele se enegreceu como um forno, por causa do ardor da fome. Forçaram as mulheres em Sião, as virgens na cidade de Judá…”  (Lm. 5:7-11). Esse é o método injusto do juiz de toda a terra. “Preparai a matança dos filhos por causa da maldade dos pais” (Is. 14:21).

4.  Se Deus é Pai, e é amor, e acima de tudo, justo, como lança maldições hereditárias pelo pecado de um homem? O caso foi assim: Namã, o siro, era leproso. Pela palavra do profeta Eliseu, se banhou sete vezes no Jordão e foi curado. Para expressar sua gratidão, Namã ofereceu presentes, que Eliseu não aceitou. Geazi, servo de Eliseu, fora da vista do profeta, seguiu atrás de Namã, e pediu presentes. Voltava feliz Geazi com as dádivas, quando apareceu Eliseu e lhe disse da parte de Jeová. “A lepra de Namã se apegará a ti e a tua semente para sempre. Então , saiu Geazi, de diante de Eliseu, leproso.” A sua descendência foi injustamente atingida por Jeová (2 Rs. 5:1-27).

5.  Os aleijados, os castrados e os bastardos eram rejeitados por Jeová para sempre, ainda que tivessem valor. Como pode um juiz, que se diz justo, cometer tamanha injustiça? Pois Jeová declarou isso em Dt. 23:1-2.

6.  Jeová, que se intitulava Deus, e Deus justo, reto e verdadeiro, não poderia se agradar do perverso. Nabucodonosor era mau e perverso, e se tinha na conta de um deus, tal era a sua jactância. Mandou construir uma estátua toda de ouro de uns trinta metros. Quem não se prostrasse diante da estátua do rei, era lançado numa enorme fornalha de fogo (Dn. 3:1-15). Pois Jeová se agradou de Nabucodonosor e lhe entregou todos os reinos da terra (Jr. 27:5-6). E ainda chamou Nabucodonosor de servo. E Nabucodonosor é figura de Satanás (Is.14:4-15).  Seguindo o raciocínio e a lógica da figura, Jeová se agradou de Satã, seu servo, e lhe entregou todos os reinos do mundo. Quem declara isso é o próprio Satanás: “E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero” (Lc. 4:5-6). Jeová afirma que tudo o que acontece debaixo do céu obedece a sua vontade (Is. 14:27; 43:13). Foi, portanto, injusto ao entregar tudo a Satanás.

7.  Há justiça num deus que deseja o mal para o seu povo? “Fala agora aos homens de Judá, e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Assim diz Jeová: Eis que estou forjando mal contra vós, e projeto um plano contra vós…” (Jr. 18:11). “Eu pus o meu rosto contra esta cidade para mal, e não para bem, diz Jeová” (Jr. 21:10).  Um deus justo faz justiça e não o mal. E não passa o tempo forjando males.

8.  Jeová afirmou a Abraão que por amor a dez justos, pouparia uma cidade toda (Gn. 18:23-33). Mil e duzentos anos depois, declara pela boca de Ezequiel que vai matar juntamente o justo com o ímpio (Ez. 21:1-4). Fica assim provado que Jeová é juiz injusto, pois fala uma coisa e faz outra, e ainda mentiu a Abraão. São dois defeitos graves no caráter de Jeová.

Já o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, não julga a ninguém, pois constituiu Jesus como único juiz justo  (Jo. 5:22; At. 17:31). O Pai não destrói ninguém, portanto não destruiu a humanidade no dilúvio, pois quer que todos se salvem  (1 Tm. 2:3-4). Deus, o Pai, é amor, e o amor não se ofende (1 Jo. 4:7-8; 1 Co. 13:4-7).  Glória, pois, ao Pai!

 

Autor: Pastor Olavo S. Pereira

(055) – O ZELO DE JEOVÁ

      Conheci um casal. No começo do casamento era um mar de rosas. Com o tempo, o marido passou a maltratar a esposa, ofender com palavras e agredir fisicamente. A esposa suportou muitos anos, até que, convencida de que o esposo não mudaria de atitude, abandonou o lar. Após algum tempo o marido a procurou propondo reconciliação. Ela disse: — Jamais voltarei. Você não vai mudar. Eu não acredito; — e não voltou, apesar das promessas maravilhosas.

O leitor vai conhecer a história mais fantástica deste mundo. Chama-se essa história: O ZELO DE JEOVÁ. É uma história assombrosa, e começa assim: “Jeová, como poderoso sairá, como homem de guerra despertará o zelo; e fará grande ruído, e sujeitará os seus inimigos” (Is.42:13). Jeová era homem de guerra, e era zeloso pelas suas guerras,  por que? Porque de Jeová é a guerra (1 Sm.17:47).

Assim diz o Senhor Jeová: “Certamente no fogo do meu zelo falei contra o resto das nações” (Ez.36:5). Jeová é contra as nações gentílicas (Ez.36:6-7). Tão diferente do Deus Pai de Jesus, que é a favor de todos. “Se Deus é por nós, quem será contra nós” (Rm.8:31).

O zelo de Jeová é vingativo e injusto. “Até quando, Jeová ? Indignar-te-ás para sempre? Arderá o teu zelo como fogo? Derrama  o teu furor sobre as nações que te não conhecem, e sobre os reinos que não invocam o teu nome, porque devoraram a Jacó, e assolaram as suas moradas” (Sl.79:5-7). É injusto derramar furor sobre pessoas que não nos conhecem, e no Novo Testamento lemos que Deus, o Pai, não leva em conta os tempos da ignorância (At.17:30). No Velho Testamento, Jeová ganhava o respeito das nações pelo terror e não pelo amor. “Neste dia começarei a por um terror e um temor de ti diante dos povos que estão debaixo do céu” (Dt.2:25). O amor de Cristo produz amor nos outros. “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo.13:34). Jeová aterrorizou Jó (Jó 6:4), aterrorizou o Salmista (Sl.88:15-16), aterrorizou os povos cananeus (Ex.25:27; Dt.2:25), aterrorizou Israel, seu povo (Lev. 26:16).

“O nome de Jeová é zeloso” (Ex.34:14). Quem lê esta passagem se engana ao pensar que o zelo de Jeová é para cuidar, defender e proteger.  Na realidade, o seu zelo é para destruir e consumir. “Porque Jeová o teu Deus é um fogo que consome, um Deus zeloso” (Dt.4:24). E consome o pai, o filho, o neto e o bisneto. “Não te encurvarás as imagens nem as servirás, porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem” (Ex.20:4-5). Que tem o filho, o neto e bisneto e o tataraneto a ver com o pecado do ancestral?

O zelo de Jeová é uma ira destruidora. “Jeová vosso Deus é um Deus zeloso no meio de ti; para que a ira de Jeová teu Deus se não acenda contra ti, e te destrua de sobre a face da terra” (Dt.6:15).

O zelo de Jeová é não perdoar os pecados, mas para fazer o mal. “Não podereis servir a Jeová, porquanto é Deus santo, é Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão e os vossos pecados. Se deixardes a Jeová, e servirdes a deuses estranhos, então se tornará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de fazer bem” (Js.24:19-20).

O zelo de Jeová é o zelo ávido de vingança, e por isso fica remoendo a ira até o momento de se vingar. “Jeová é um Deus zeloso e que toma vingança; Jeová toma vingança e é cheio de furor. Jeová toma vingança contra os seus adversários, e guarda ira contra os seus inimigos” (Na.1:2).

É tanto o zelo vingativo de Jeová, que aborreceu o seu próprio povo, a menina dos seus olhos (Dt.32:10).  “Pois lhe provocaram a ira com os seus altos, e despertaram-lhe o zelo com as suas imagens de escultura. Deus ouviu isto e se indignou, e sobremodo aborreceu a Israel” (Sl.78:58-59). A ira, o furor, e o zelo de Jeová foram tão grandes, que desamparou o tabernáculo, sua morada entre os homens, deu a sua força ao cativeiro, e deu a sua glória na mão do inimigo (Sl.78:60-61). Jeová encolerizado fez o que disse que não faria: “Eu sou Jeová; este é o meu nome; A MINHA GLÓRIA POIS A OUTREM NÃO DAREI” (Is.48:11). Um homem encolerizado perde a razão, mas um Deus agir como homem não se pode admitir.

Falemos do zelo específico de Jeová para com o seu povo Israel. “Com deuses estranhos o provocaram a zelos; com abominações o irritaram” (Dt.32:16). Leiamos a reação de Jeová: Porque um fogo se acendeu na minha ira, e arderá até o mais profundo do inferno, e consumirá a terra com a sua novidade. Males amontoarei sobre eles, as minhas setas esgotarei contra eles. Exaustos serão de fome, comidos de carbúnculo e de peste amarga; e entre eles enviarei dentes de feras, com ardente peçonha de serpentes do pó. Por fora devastará a espada, e por dentro o pavor; ao mancebo, juntamente com a virgem, assim a criança de mama como ao homem de cãs” (Dt.32:22-25). E o comportamento de Jeová jamais mudou para melhor. O mal é sua arma predileta. “Porque pus o meu rosto contra esta cidade para mal e não para bem” (Jr.21:10). “Jeová vigiou sobre o mal, e o trouxe sobre nós” (Dn.9:14).

Há na Bíblia uma referência ao zelo de Jesus. “Estava próxima a festa da Páscoa, e Jesus subiu a Jerusalém, e achou no Templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. E, tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do Templo, também os bois e ovelhas, e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas, e disse: Não façais da casa de meu pai casa de venda. E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorará” (Jo.2:13-17). Qual a diferença do zelo de Jeová e o zelo de Jesus? Jeová, no seu zelo, matou os pecadores e queimou o templo a fogo (2 Cr.36:14-20). Jesus, no seu zelo, expulsou os pecadores para conservar o templo.

Em segundo lugar, Jesus não falava do templo de pedra, mas do templo do seu corpo. A referência ao templo de Jerusalém foi como ilustração. Cristo quis ensinar que o templo verdadeiro, isto é, o nosso corpo, é usado para negócio. Os valores espirituais do homens são leiloados nos lupanares e nas casas de banquetes. Em último lugar, Jesus falou da sua ressurreição quando disse: “Derrubai este templo, e em três dias o levantarei” (Jo.2:19). Jesus ensinou que a função dele é preservar o templo do corpo do cristão, porém, se o cristão conspurca o templo do Espírito Santo, não vai ressuscitar fisicamente com Cristo. Quando Jesus expulsou do templo de Jerusalém os bois, as ovelhas, e os pombos, quis ensinar que aqueles sacrifícios eram inúteis, pois está escrito: “É impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados” (Hb.10:4). Também aqueles sacrifícios exigidos por Jeová não eram aceitos pelo Pai. “Sacrifício e oferta, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram, os quais se oferecem segundo a lei. Então disse: Eis aqui venho para fazer, ó Deus, a tua vontade, tira o primeiro para estabelecer o segundo” (Hb.10:8-9).

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(054) – DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

      Jeová proibiu diversas vezes que seu povo usasse dois pesos e duas medidas. “Na tua bolsa não terás diversos pesos, um grande e um pequeno. Na tua casa não terás duas sortes de efa, uma grande e uma pequena. Peso inteiro e justo terás; efa inteira e justa terás; para que se prolonguem os teus dias na terra que te dará Jeová teu deus” (Dt.25:13-15). “Balança enganosa é abominação para Jeová; mas o peso justo é o seu prazer” (Pv.11:1). “Duas espécies de peso, e duas espécies de medida, são abominação para Jeová, tanto uma coisa como outra” (Pv.20:10, 23).

Jeová foi exigente com o seu povo. “Ouvi agora isto, vós, chefes da casa de Jacó, e vós, maiorais  da casa de Israel, que abominais o juízo e perverteis tudo o que é direito, edificando a Sião com sangue, e a Jerusalém com injustiça. Os seus chefes dão as sentenças por presentes, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam em Jeová, dizendo: Não está Jeová no meio de nós?” (Mq.3: 9-11)“Ouvi agora isto, vós que anelais o abatimento do necessitado, e destruis os miseráveis da terra, dizendo: Quando passará a lua nova, para vendermos o grão? E o sábado para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo a efa, e aumentando o siclo, e procedendo dolosamente com balanças enganadoras, para comprarmos o pobre por dinheiro, e os necessitados por um par de sapatos? e depois venderemos a casca do trigo, Jurou Jeová pela glória de Jacó: Eu não me esquecerei de todas as suas obras para sempre!” (Am.8:4-7).

É assombroso que Jeová cobre a integridade de caráter do seu povo quando ele, que se declara deus justo, use dois pesos e duas medidas. Moisés definiu o caráter de Jeová com as seguintes palavras: “Ele é a rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos juízo são. Jeová é a verdade, e não há nele injustiça, justo e reto é” (Dt.32:4). “O tempo e a sorte pertencem a todos” (Ec.9:11).

“O rico e o pobre se encontraram; a todos os fez Jeová” (Pv.22:2). Se o tempo e a sorte pertencem a todos, porque Jeová fez um rico e outro pobre? Usou duas medidas diferentes a dois homens iguais. Falando de riqueza, leiamos mais dois versos: “Quanto ao homem, a quem Deus deu riquezas e fazenda, e lhe deu poder para delas comer, e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho; isto é dom de deus” (Ec.5:19)“Um homem a quem deus deu riquezas, fazenda e honra, e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja, mas Deus não lhe dá poder para daí comer, antes o estranho lho come; também isto é vaidade e má enfermidade” (Ec.6:2). Jeová usou dois pesos e duas medidas para com estes ricos.

Um caso flagrante em que Jeová usa dois pesos e duas medidas é o de Salomão. Leiamos o mandamento de Jeová em primeiro lugar: “Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás” (Lv.19:13). Pois bem, as riquezas de Salomão foram arrancadas da pele do pobre povo. E eram 666 talentos de ouro. Quando Salomão morreu, o povo, cansado de ser oprimido e saqueado por Salomão, suplica ao novo rei, filho de Salomão, que aliviasse a dura servidão de impostos: “Teu pai agravou o nosso jugo; agora, pois, alivia a dura servidão de teu pai, e o seu pesado jugo que nos impôs, e nós te serviremos” (1 Rs.12:4). É estarrecedor! Jeová proíbe oprimir e roubar o pobre, mas ensinou Salomão esse método abominável (1 Rs.3:13).

Falando de Salomão, falemos de idolatria. Na lei, Jeová ordena apedrejar até a morte a pessoa que incita o irmão a servir outros deuses. A recomendação de Jeová é para não ter piedade do tal (Dt.13:6-11). Pois bem: Maior idólatra do que Salomão não existiu, mas não foi apedrejado, por amor a Davi. Francamente! Jeová usa dois pesos e duas medidas (1 Rs.11:1-12).

Falemos de adultério. “O homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera” (Lv. 20:10). Davi, o ungido de Jeová, foi tomado de paixão carnal por Bate-Seba, mulher de Urias, o heteu, um de seus trinta valentes. Mandou buscá-la e praticou adultério. Ela engravidou e Davi mandou matar a Urias. Crime hediondo. Pois é de pasmar. Jeová perdoou, pois Davi era seu predileto (2 Sm.11:1-17; 2 Sm.12:13). Como pode um Deus fazer isso? E depois castiga o povo que segue a sua escola?

Vamos registrar o pior caso, que  desclassifica Jeová como Deus. Paulo, o apóstolo, declara pelo Espírito Santo: “PORQUE TODOS PECARAM E DESTITUÍDOS ESTÃO DA GLÓRIA DE DEUS” (Rm.3:23). Todos, são todos: assírios, caldeus, persas, gregos, romanos, hebreus; todos são iguais e debaixo da mesma condenação desde Adão. “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação” (Rm.5:18). Ora, se todos estão condenados e todos são pecadores (Rm.5:12), é absurdo que Jeová tenha escolhido Israel e rejeitado o Egito. E ainda declara que fez distinção entre os dois povos. “É para que saibais que Jeová fez diferença entre os egípcios e os israelitas” (Ex.11:7). O cúmulo dos dois pesos e duas medidas é que Jeová predestina uns para a perdição e outros para a glória (Rm.9:21-24).

O Deus Pai de Jesus Cristo é diferente. Quer que todos se salvem (1 Tm.2:3-4). Ordenou a graça trazendo salvação a todos os homens (Tt.2:11). Reconciliou todos consigo (2 Co.5:19). Ama a todos, inclusive os pecadores e inimigos (Rm.5:8-10).

O apóstolo João assim testifica do Pai: “E a vida eterna é esta; que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo. 17:3).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(053) – O TUTOR

Que é um tutor? É a pessoa responsável, legalmente constituída para tutelar alguém, em geral menores de idade ou irresponsáveis. A diferença entre o tutor e o tutelado é enorme. Na ausência do pai, o tutor, se quiser, pode corromper a criança por interesse, pois o tutor não é o pai.

O aio é o preceptor de meninos, como as aias são preceptoras de meninas, e preceptor é aquele que dá preceitos e instruções. É o mestre, o mentor das crianças. Curador é aquele que, por decisão judicial, administra os bens e dirige pessoas não habilitadas, isto é, menores de idade ou loucos, débeis mentais, etc.

Israel, no início da sua história, era criança aos olhos de Jeová  — “Quando Israel era menino, eu o amei” (Os. 11:1).  Paulo, apóstolo, confirma que Israel era menino — “Digo, pois, que todo o tempo que o herdeiro é menino em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo; mas está debaixo de tutores e curadores até o tempo determinado pelo Pai” (Gl. 4:1-2).

Quem foram os tutores e curadores de Israel? Israel era a vinha de Jeová — “Porque a vinha de Jeová dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias” (Is. 5:7).  O sacerdócio levítico, estabelecido por Jeová, não poderia compor os tutores ou curadores, pois eram iguais ao povo, sendo da mesma massa e cometendo os mesmos pecados — “Porque tanto o profeta, como o sacerdote, estão contaminados; até na minha casa achei a sua maldade, diz Jeová” (Jr. 23:11).  Os profetas e sacerdotes não eram melhores que o povo, e os tutores ou curadores têm de ser superiores aos tutelados. Os tutores e curadores não podiam ser homens, pois Jeová disse: “Jeová olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia alguém que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um” (Sl. 14:2-3). Nenhum homem pode ser tutor ou curador de outro homem, seu igual. Se os tutores de Israel fossem os sacerdotes ou os reis, Jeová estaria condenando o seu povo a perdição, pois “um cego, guiando a outro cego, ambos cairão no abismo” (Mt. 15:14). Por outro lado, Jeová estaria fazendo uma distinção violenta e injusta, pois no Novo Testamento, o tutor dos filhos de Deus é o Espírito Santo. É o Espírito Santo quem ensina todas as coisas (Jo. 14:26). Põe as palavras na boca dos crentes neófitos (Mt. 10:19-20). O Espírito Santo guia (Rm. 8:14; Jo. 16:13). O tutor, na ausência do pai, estabelece padrões de comportamento, isto é, leis apropriadas para instrução do tutelado. Foi o Espírito Santo que deu os novos mandamentos do Novo Testamento (At. 1:2).

Lá, No Velho Testamento, quem ensinava era o próprio Jeová, e não o Espírito Santo; e quem punha as palavras na boca era Jeová. “Disse Jeová a Moisés: Quem fez a boca do homem? Ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, Jeová? Vai pois agora, e eu serei com a tua boca, e te ensinarei o que hás de falar” (Ex. 4:11-12).  “Então disse Jeová a Moisés: Sobe a mim no monte e fica lá; e dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para os ensinar”(Ex. 24:12). “A ti te foi mostrado para que soubesses que Jeová é deus. Desde os céus te fez ouvir a sua voz, para te ensinar” (Dt. 4:35-36). “Assim diz Jeová, o teu redentor, o santo de Israel: Eu sou Jeová, o teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar” (Is. 48:17).  Jeová era o guia de Israel: “Assim só Jeová o guiou, e não havia com ele deus estranho” (Dt. 32:12). “E os guiaste de dia por uma coluna de nuvem, e de noite por uma coluna de fogo, para os alumiares no caminho por onde haviam de ir” (Ne. 9:12).“Amarás pois a Jeová teu deus, e guardarás os seus preceitos, e os seus estatutos, e os seus juízos, e os seus mandamentos, todos os dias. E hoje sabereis que falo, não com vossos filhos, que o não sabem, e não viram a instrução de Jeová vosso Deus, a sua grandeza, a sua mão forte, e o seu braço estendido” (Dt. 11:1-2).

Tudo o que no Novo Testamento é feito pelo Espírito Santo, no Velho Testamento foi feito por Jeová. Ora, o Espírito Santo procede do Pai; o Pai não iria fazer pessoalmente obra inferior a do Espírito Santo. A lei e os preceitos de Jeová não aperfeiçoaram (Hb. 7:19). E por isso foi abrogada, isto é, anulada por ser inútil (Hb. 7:18). Foi mudada a lei e foi mudado o sacerdócio (Hb. 7:12). Foi mudado o testamento (Hb. 9:15), pois o Velho Testamento foi abolido por ser transitório (2 Co. 3:13-14).

O apóstolo Paulo revela que os israelitas estavam nas mãos de tutores e curadores até a vinda de Jesus Cristo, mas era Jeová o tutor, e o tutor não é o Pai (Gl.4:1-3). E o que agrava a atuação de Jeová, é que com todos os preceitos, mandamentos, juízos e estatutos, o povo estava reduzido à servidão e debaixo dos primeiros rudimentos do mundo. Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, teria forçosamente de dizer que Israel estava debaixo dos cuidados do Pai, e não debaixo de tutores. O tutor jamais cuidará tão bem quanto o pai. Mas foi Jeová que guiou e ensinou o povo, logo foi tutor, e assim, não é nem o Pai e nem Jesus, mas um mau tutor, pois o povo se corrompeu e se perdeu, pois só o remanescente será salvo (Rm. 9:27).

Sendo Jeová tutor, e não o próprio Pai, nem o Filho, só poderia ser anjo. Vejamos a declaração de Estevão: “Este é aquele Moisés que disse aos filhos de Israel: O Senhor vosso Deus vos levantará entre vossos irmãos um profeta como eu; a ele ouvireis. Este é o que esteve entre a congregação no deserto, COM O ANJO QUE LHE FALAVA NO MONTE SINAI” (At. 7:37-38). Esta declaração de Estevão se refere a Ex. 19:19, onde se lê: “Moisés falava, e Deus lhe respondia em vós alta.”

Como o Pai estabeleceu o tempo para enviar ao mundo o seu Filho unigênito, e ninguém vai ao Pai a não ser através de Jesus, o tutor que veio antes, fez-se passar pelo Pai, enganando o povo (Gl. 4:1-4; Jo. 14:6).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(052) – O CAMINHO DE DEUS

Deus , o Pai, só tem um caminho, e Jesus declara ser esse caminho. “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo. 14:6).  Esta declaração de Jesus equivale a dizer que religião não conduz a Deus, isto é, não é caminho. A lei de Moisés não é caminho para Deus (Rm. 3:20; Hb. 7:18-19). A caridade ou boas obras, também não são caminho para o Pai (Ef. 2:8-10). Nossas justiças nada valem (Tt. 3:4-7). SÓ JESUS CRISTO LEVA O HOMEM A DEUS, POR ISSO ELE É O CAMINHO. Não há outros caminhos.

O que pode deixar o leitor da Bíblia um tanto confuso, é que Jeová afirma ter muitos caminhos. “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz Jeová” (Is. 55:8). “E virão muitos povos, e dirão: Vinde e subamos ao monte de Jeová, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine o que concerne aos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei…” (Is. 2:3). “Todavia me procuram cada dia, tomam prazer em saber os meus caminhos…” (Is. 58:2).

Se Jesus afirmou que só há um caminho, porque Jeová afirmava serem muitos? Moisés disse: “Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos juízo são” (Dt. 32:4).

Jó, o injustamente despojado de tudo, e também dos filhos, nos diz no seu lamento: “Sabeis agora que Jeová é o que me transtornou, e com sua rede me cercou. Eis que clamo: VIOLÊNCIA! Mas não sou ouvido; grito: SOCORRO! Mas não há justiça. O meu caminho ele entrincheirou, e não posso passar; e nas minhas veredas pôs trevas. Da minha honra me despojou, e tirou-me a coroa da minha cabeça. Quebrou-me de todos os lados, e eu me vou; e arrancou a minha esperança, e fez inflamar contra mim a sua ira, e me reputou para consigo como a um de seus inimigos. Juntas vieram as suas tropas, e prepararam contra mim o seu caminho…” (Jó 19:6-12).  Se  Jó, a quem Jeová chamou reto e sincero, e temente a Deus, foi pego na rede de Jeová, sofreu violências, andou em trevas, desonrado, todo quebrado, sem esperança, etc., nós todos estamos perdidos e desgraçados. Alguém dirá: Isso foi no Velho Testamento. Agora é o tempo da graça de Jesus. Nós pensamos: Deus mudou? Era insensível e hoje é amor? (Jó 1:1; I Jo. 4:7-8).

Analisemos o caminho percorrido por Jeová na vida de Davi. Este varão, apesar de ter um coração como o de Jeová, cometeu alguns pecados graves. Seduziu a mulher de um dos seus trinta valentes. Armou um plano diabólico para matar o marido, soldado fiel. Por último, enviou uma carta a Joabe, chefe do exército, com o plano para matar Urias. E quem levou a carta? O próprio Urias. Que crime hediondo! Consumado o crime, Davi foi para a alcova com a mulher de Urias. Davi merecia morrer, como Jeová fazia com outros pecadores (1 Sm. 13:14; 2 Sm. 11:1-17).

O caminho usado por Jeová não foi castigar Davi, mas torturar Davi, pois revelou a Davi que seria o autor de uma série de desgraças sobre sua família. “A espada não se apartará jamais da tua casa” (2 Sm. 12:10).  Jeová levantou Absalão contra seu pai Davi. Davi fugiu para não matar o filho, que, assentado no trono, praticou incesto público com as mulheres do pai (2 Sm. 16:22). Este ato impúdico, foi o caminho de Jeová para castigar Davi. “Assim diz Jeová: Eis que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei ao teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol” (2 Sm. 12:11). Jeová também despertou a cobiça de Amnom, primogênito de Davi, por sua irmã Tamar. Este varão, enlouquecido pelo desejo, violentou a própria irmã, que era também irmã de Absalão. Este, ofendido, matou Amnom e depois despojou do trono o próprio pai. Por fim, Joabe, capitão de Davi, matou Absalão. Davi, como fez Jó, acusou Jeová de o ter rejeitado, pois Salomão, o escolhido de Jeová, foi a causa da destruição do reino. Fez parte, portanto, da vingança de Jeová contra Davi. Vamos transcrever a declaração de Davi: “Mas tu rejeitaste e aborreceste; tu te indignaste contra o teu ungido. Abominaste o concerto do teu servo; profanaste a sua coroa, lançando-a por terra. Derribaste todos os seus muros; arruinaste as suas fortificações. Todos os que passam pelo caminho o despojam; tornou-se o opróbrio dos seus vizinhos. Exaltaste a destra dos seus adversários. Também embotaste o fio da sua espada, e não o sustentaste na peleja, deitaste por terra o seu trono” (Sl. 89:38-44).

Citaremos a seguir alguns caminhos de Jeová:

1.  medo e o temor, que segundo Jeová é o princípio da sabedoria (Pv. 9:10; 14:27). Jeová aterroriza para despertar o temor. Aterrorizou Davi (1 Cr. 21:30). Aterrorizou Arão matando seus dois filhos diante de seus olhos (Lv. 10:1-3). Moisés ficou aterrorizado com a visão tenebrosa do monte Sinai (Hb. 12:20-21).

2.  As trevas eram um dos caminhos prediletos de Jeová. Deus é luz, e nele não há trevas (1 Jo. 1:5). Jeová habitava entre seu povo (Nm. 5:3). Como pôde Jeová habitar no meio do seu povo e permanecerem eles em trevas? (Is. 9:2; Sl. 107:6-10). Se Deus é luz e Jeová é deus, como pôde se ocultar nas trevas? (Sl. 18:11). Jeová pôs trevas no caminho de Jó (Jó 19:8). Fez Jeremias andar em trevas e não na luz (Lm. 3:1-2). Jeová cegou o seu povo para que andasse em trevas (Is. 6:10; Is. 59:9-10).

3.  Jeová tem o seu caminho na tormenta e na tempestade (Na. 1:3). Apareceu a Jó do meio de um redemoinho (Jó 38:1). Jeová desceu no monte Sinai. O Sinai fumegava em fogo. O fumo subia como um forno (Ex. 19:18). Do seu nariz sai fogo, da sua boca sai fogo, carvões saem dele (Sl. 18:8; 50:3; Jr. 25:32-33).

4.  Jeová tem seus caminhos no mal. “Porque Jeová dos Exércitos, que te plantou, pronunciou contra ti o mal” (Jr. 11:17) – “Assim diz Jeová: Eis que estou forjando mal contra vós, e projeto um plano contra vós” (Jr. 18:11). “Porque pus o meu rosto contra esta cidade para o mal e não para bem, diz Jeová” (Jr. 21:10). “Eis que eu velarei sobre eles para mal, e não para bem; e serão consumidos todos os homens de Judá; a espada e a fome, até que se acabem de todo” (Jr. 44:27).

5.  Jeová tem seus caminhos nas maldições  (Dt. 28:15-68).

6.  Jeová tem seus caminhos na falta de amor e caridade. Repreendeu Samuel por ter dó de Saul (1 Sm. 16:1). Proibiu Jeremias de orar pelo seu povo (Jr. 11:14). Em outra ocasião proibiu o profeta de orar para bem (Jr. 14:11-12). Como Jeová aborrecia seu povo, exigia que o pobre Jeremias também os aborrecesse (Sl. 78:58-59). Há muitos outros caminhos de Jeová; todos maléficos. 

O Pai é todo feito de amor (1 Jo. 4:7-8). Exige que amemos como ele amou (Mt. 5:43-48). Todo o Dom perfeito e toda boa dádiva procedem do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação (Tg. 1:17). O Pai amou tanto os perdidos, os pecadores, os cativos de Satã, que enviou seu unigênito Filho. “Porque Deus enviou seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo. 3:17).   

Este é o caminho infalível de Deus: Jesus. 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(051) – AS PROMESSAS

Todas as promessas se encontram no Velho Testamento. “Os israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei; e o culto, e as promessas” (Rm. 9:4). “As promessas foram feitas a Abraão e à sua posteridade” (Gl. 3:16). Foram dois tipos de promessas. As de Jeová se cumpriram no Velho Testamento e as de Jesus Cristo se cumpriram no Novo Testamento. As de Jeová eram temporais e carnais, mas as de Jesus são espirituais e eternas.

Comecemos pelas promessas de Jeová:

  • Foram feitas só para Israel, excluindo os outros povos. “Porque povo santo és a Jeová teu Deus; Jeová teu Deus te escolheu, para que fosses seu povo próprio, de todos os povos que sobre a terra há” (Dt. 7:6). “Quem há como o teu povo Israel, única gente na terra, a quem Deus foi remir para seu povo” (1 Cr. 17:21).
  • Jeová prometeu multiplicar a descendência de Abraão. “Farei a tua semente como o pó da terra; de maneira que se alguém puder contar o pó da terra, também a tua semente será contada” (Gn. 13:6). Esta promessa se cumpriu no Egito, onde os israelitas se multiplicaram. “Aproximando-se porem, o tempo da promessa que deus tinha feito a Abraão, o povo cresceu e se multiplicou” (At. 7:17).
  • Jeová prometeu a Abraão a terra de Canaã como herança eterna. “E te darei a ti, a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão” (Gn. 17:8).
  • Jeová prometeu estabelecer um reino em Canaã. “E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo” (Ex. 19:6). E Jeová foi o rei de Israel. “Eu sou Jeová, vosso santo, criador de Israel, vosso rei” (Is. 43:15).
  • As promessas de Jeová, todas, se cumpriram no Velho Testamento: “Palavra alguma falhou de todas as boas palavras que Jeová prometeu à casa de Israel; tudo se cumpriu” (Js. 21:45). Salomão confirma isso em I Rs. 8:56.

O grande problema das promessas de Jeová é que são sim e não. Nada é absoluto. Jeová fazia suas promessas com juramento e as trocava em maldição. Vejamos: “Agora, sacerdotes, este mandamento vos toca a vós. Se o não ouvirdes, e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz Jeová, enviarei maldição contra vós, E AMALDIÇOAREI AS VOSSAS BENÇÃOS, E JÁ AS TENHO AMALDIÇOADO” (Ml. 2:1-2). O que Jeová planta, ele mesmo arranca (Jr. 45:4).

  • Jeová salvou Israel do Egito, e depois os matou no deserto (Jd. 5). As promessas de Jeová eram todas sim e não.
  • Salomão foi predestinado por Jeová. “Eis que o filho que te há de nascer será homem de repouso; porque repouso lhe hei de dar de todos os seus inimigos em redor. Portanto Salomão será o seu nome, e paz e descanso darei a Israel nos seus dias. Este edificará casa ao meu nome, e ele me será por filho, e eu a ele por pai; e confirmarei o trono do seu reino sobre Israel, para sempre” (1 Cr. 22:9-10). No entanto, o reino não foi confirmado para sempre. Salomão pecou e Jeová mudou o que havia prometido. “Pelo que disse Jeová a Salomão: Pois que houve isto em ti, que não guardaste o meu concerto e os meus estatutos que te mandei; certamente rasgarei de ti este reino, e o darei ao teu servo” (1 Rs. 11:11). E dez tribos foram dadas a Jeroboão. Não se cumpriu a promessa de Jeová. Jeová predestinou Salomão e não sabia que ele ia se corromper? O fato é que Jeová promete uma coisa e faz outra.
  • Jeová criou Israel para sua glória. “Mas agora, assim diz Jeová que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu” (Is. 43:1). “A todos que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória; eu os formei” (Is. 43:7). Este povo foi obra das mãos de Jeová. “Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? Diz Jeová: Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel” (Jr. 18:6). E depois, deixando a impressão que falhou na sua obra, Jeová declara: “Chegou o fim sobre o meu povo de Israel; daqui por diante nunca mais passarei por ele” (Am. 8:1). E disse Jeová: “Põe-lhe o nome de Lo-Ami; porque vós não sois o meu povo, nem eu serei vosso Deus” (Os. 1:9). E o próprio Jeová destroi o povo que criou para sua glória. “Pelo que Jeová rejeitou a toda a semente de Israel, e os oprimiu, e os deu nas mãos dos despojadores, até que os tirou de diante da sua presença” (2 Rs. 17:28).
  • Jeová confessa que dá e tira do justo, sem motivo algum  (Jó 1:6-21; 2:1-3). 

 

AS PROMESSAS DE JESUS:        

Estas promessas não são terrenas, pois Jesus declarou que seu reino não é deste mundo, e Ele também não (Jo. 18:36; 8:23). 

  • Jesus prometeu a vida eterna. “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna” (Jo. 3:36). — Prometeu e deu.
  • Para selar sua promessa, Jesus deu sua vida na cruz. A morte de Cristo reconciliou os homens com Deus de forma irreversível, porque não há mais imputação do pecado. “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nos a palavra da reconciliação” (2 Co. 5:19). Isso é a graça de Deus Pai. “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt. 2:11).
  • Cristo prometeu o Espírito Santo. “Eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai porem, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc. 24:49). “Quem crê em mim, como diz a escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.  E isto disse ele do Espírito que haveriam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo não existia, por Jesus não ter sido glorificado” (Jo. 7:38-39). Nas traduções lemos “PORQUE O ESPÍRITO SANTO AINDA NÃO FORA DADO mas no grego está escrito que NÃO EXISTIA, logo, o Espírito Santo do Pai não estava no Velho Testamento. O Espírito Santo do Pai é intercessor (Rm. 8:26). É ensinador (Jo. 14:26). É guia (Rm. 8:14; Jo. 16:13). É amor (Rm. 5:5).

O Espírito Santo do Velho Testamento era inimigo e pelejava contra Israel (Is. 63:10). O Espírito de Jeová era guerreiro  (Is. 59:19). Era homicida (Jz. 14:19; 15:14-16). O Espírito de Jeová é o espírito da ira (1 Sm. 11:6). Este espírito de Jeová nada tem a ver com o Espírito Santo prometido por Jesus.

Para terminar, Paulo revela que todas as promessas de Deus Pai são SIM.  “Porque o Filho de Deus, Jesus Cristo, que entre vós foi pregado por nós, NÃO FOI SIM E NÃO; MAS NELE HOUVE SIM. PORQUE TODAS QUANTAS PROMESSAS HÁ DE DEUS, SÃO NELE SIM, E POR ELE O AMEM, PARA A GLÓRIA DE DEUS” (2 Co. 1:19-20).

As promessas de Cristo são superiores as de Jeová. “Mas agora alcançou ele mistério tanto mais exlente, quanto é mediador dum melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas” (Hb. 8:6).

Ou os homens ficam com as promessas de Jeová e se tornarão vassalos de Israel (Is. 60:9-12; 61:1-6),  ou aceitam as promessas de Jesus e vão morar na casa do Pai  (Jo. 14:1-4).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(050) – SEMELHANTE AO ALTÍSSIMO

Existiu um anjo soberbo e altivo, que se exaltou a si mesmo a ponto de pretender ser igual ao Deus altíssimo, criador de tudo e que habita na luz inacessível. O profeta Isaías revela as pretensões desse anjo com as seguintes palavras: “tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, da banda dos lados do norte. Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Is. 14:13-14).

A cristandade, em geral, crê que esse anjo presunçoso é Satanás. Essa tradição não é convincente, pois Satanás quer dizer adversário, e o Deus altíssimo é a favor de todos, como diz Paulo: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm. 8:31). Deus ama os pecadores: “Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5:8).

A obra de Satanás sempre foi perversa desde o início: “Quem comete pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio” (1 Jo. 3:8). Ora, se o Diabo sempre pecou, nunca fez nada parecido com Deus; nada semelhante a Deus. Semelhante é análogo; parecido; conforme, etc. Deus não peca e o diabo peca desde o princípio, logo não são semelhantes. João nos dá outra pista: “Vós tendes por pai o diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.”  (Jo. 8:44).

Este texto, proferido pelo próprio Jesus esclarece o assunto:

1. Quem mente se torna filho do diabo, porque se faz semelhante a ele. Ora, o Pai é a verdade e o diabo é mentiroso desde o princípio, logo, o diabo nunca pretendeu ser semelhante ao Deus Pai.

2. O diabo sempre foi homicida e nunca mudou, e assim não quis ser semelhante a Deus.

3. O diabo é acusador e sempre acusou e enganou (Ap. 12:9). O diabo poderia pretender, como adversário, destruir ou vencer a Deus, para assentar-se no seu trono, mas o texto de Isaías é claro: “SEREI SEMELHANTE AO ALTÍSSIMO” (Is. 14:14).

De quem falava Isaías na sua profecia? Jesus veio a este mundo para revelar o Deus Pai. “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai: e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o filho o quiser revelar” (Mt. 11:27). “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo. 17:3). “Eu lhes fiz conhecer o teu nome” (Jo. 17:26).

O apóstolo Paulo afirmou que antes de Jesus e da Igreja, nenhum anjo jamais conheceu a multiforme sabedoria de Deus. “A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do Evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação  do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou, para que agora, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus” (Ef. 3:8-10).

Jeová incumbiu Moisés de fazer conhecido o seu nome (Ex. 3:15). Sendo Jesus o único que revela o Pai e o nome do Pai, Moisés foi enganado. Jesus declarou: “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo. 14:6). Mas os israelitas foram a Jeová através de Moisés. Não há dois caminhos e dois mediadores (1 Tm. 2:3-5). Quando Paulo diz: “Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens”, está revelando que o Deus que Moisés revelou não é verdadeiro, pois se Moisés revelou um, e mil e seiscentos anos depois Jesus revelou outro, com obras diferentes, existiriam dois Deuses. Paulo, porém, nega o Deus de Moisés, quando diz: “Porque há um só Deus e um só mediador” (1 Tm. 2:5).

Quando Jesus disse: “Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho”, exclui os anjos desse conhecimento. Jeová, entretanto, faz conhecidos seus planos e projetos através de Moisés. “Fez notórios os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel” (Sl. 103:7). Qual o plano  e quais os caminhos? O projeto de Jeová era dar para os descendentes de Abraão a terra de Canaã eternamente (Gn. 13:14-15; 17: 8). E nesse projeto ninguém herdaria junto em igualdade de condições. No projeto de Jeová, os estrangeiros seriam servos. “E haverá estrangeiros que apascentarão os vossos rebanhos; e estranhos serão os vossos lavradores, e os vossos vinheiros. Mas vós sereis chamados sacerdotes de Jeová, e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis a abundância das nações” (Is. 61:5-6).

O plano de Deus Pai de Jesus é outro. A herança não é da terra (Jo 14:1-4), tanto judeus como gentios são chamados para o reino de Deus através de Jesus. “Concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei. É porventura Deus somente dos judeus?  E não o é também dos gentios? Também dos gentios certamente. Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão” (Rm. 3:28-30).

No plano de Jeová, Canaã foi tomada com violência pela guerra e pela espada. “Não houve cidade que fizesse paz com os filhos de Israel senão os heveus; por guerra a tomaram todas, porquanto de Jeová vinha, que os seus corações  endurecessem, para saírem ao encontro de Israel na guerra, para as destruir totalmente e sem piedade, como Jeová tinha ordenado a Moisés” (Js. 11:19-20). No plano do Pai, Cristo uniu todos em paz, pela cruz. E que, havendo por ele feito a paz, pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus” (Cl. 1:20).

No projeto de Jeová, os que entraram na posse da herança foram mais tarde para o cativeiro sob maldição. No plano de Cristo, os que entram não saem mais, pois os dons de Deus são sem arrependimento, não como os de Jeová (Rm. 11:29) Na restauração de Israel, a herança seria hereditária, pois haverá morte (Ez. 37:21-25; Jl. 3:20; Am. 9:15; Is. 65:7-25). No reino dos céus a herança é eterna, pois Cristo confere a vida eterna. “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna” (Jo 3:36).

Os dois planos para o homem são tão diferentes, que o de Jeová não cabe como figura do de Cristo. O que parece é que Jeová ignorava o plano de Cristo e elaborou um projeto no plano terreno, uma sombra, isto é, algo que não tem definição clara, uma obra com o objetivo de se assemelhar com a de Cristo, mas diferente, pois o plano do Pai estava oculto em mistério até o tempo de Paulo (Ef. 3:1-10).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(049) – O MALIGNO

“Misericordioso e piedoso é Jeová; longânimo e grande em benignidade” (Sl. 103:8). “Piedoso e benigno é Jeová, sofredor e grande em misericórdia” (Sl. 145:8-9).

Que quer dizer benigno? Bondoso, benévolo, favorável, brando, não perigoso.

E o contrário, maligno, quer dizer: propenso ao mal, malicioso, nocivo, maléfico, maldoso, etc.

Os dois textos acima afirmam que Jeová é benigno e misericordioso. Misericórdia é compaixão, piedade, perdão. A benignidade é uma qualidade da alma que está sempre pronta a perdoar e a se compadecer.

Mas Jeová não esquece o pecado de alguém, e não pretende esquecer, logo não é benigno. “Pelo que, ainda que te laves com salitre, e amontoes sabão, a tua iniquidade estará gravada diante de mim, diz o Senhor Jeová” (Jr. 2:22). Jeová também não perdoa: “Portanto, tão certo como eu vivo, diz o Senhor Jeová; pois que profanaste o meu santuário com todas as tuas coisas detestáveis e com todas as tuas abominações, o meu olho te não perdoará” (Ez. 5:11). Logo, conclui-se que Jeová não é benigno. Jeová também não tem piedade: “Pelo que também eu procederei com furor; o meu olho não poupará; nem terei piedade. Ainda que me gritem aos ouvidos com grande voz, eu não os ouvirei” (Ez. 8:18). Se Jeová não está disposto a ouvir o clamor do povo, não é benigno. Também não aceitou a oração do profeta Jeremias em favor do povo: “Tu pois; não ores por este povo, nem levantes por ele oração ou clamor, nem me importunes, porque eu não te ouvirei” (Jr. 7:16). E Jeová declara ao profeta que não vai perdoar, mas vai matar os pais, e também os filhos. “E fa-los-ei em pedaços uns contra os outros, e juntamente os pais com os filhos, diz Jeová; não perdoarei nem pouparei; nem terei deles compaixão, para que os não destrua” (Jr. 13:14).

Quem está pronto para matar e despedaçar com furor não é benigno. Se Jeová está furioso e pronto para despedaçar; se não quer perdoar e nem quer se compadecer, não é Jesus e nem o Pai, pois o Pai estava tão ansioso para salvar os homens, que não poupou o seu unigênito Filho (Rm. 8:31-32). E o Pai quer que todos se salvem (1 Tm. 2:3-4). Jeová não estava forjando a salvação. “Assim diz Jeová dos Exércitos, Deus de Israel: Eis que eu ponho o meu rosto contra vós para mal, e para desarraigar todo Judá” (Jr. 44:11). “Fala agora aos homens de Judá, e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Eis que estou forjando mal contra vós, e projeto um plano contra voz” (Jr. 14:11-12). Quem faz projetos malignos não é benigno. Jeová jamais estaria pensando no plano de salvação. Sua idéia fixa era destruir e matar. “Disse-me Jeová: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não seria a minha alma com este povo; lança-os de diante da minha face, e saiam. E será que, quando disserem: Para onde iremos? dir-lhe-ás: ASSIM DIZ JEOVÁ: OS QUE PARA A MORTE, PARA A MORTE; OS QUE PARA A ESPADA, PARA A ESPADA; OS QUE PARA A FOME, PARA A FOME; E OS QUE PARA O CATIVEIRO, PARA O CATIVEIRO” (Jr. 15:1-3).

Se alguém ouviu falar, ou leu na Bíblia que Jeová é benigno, suas obras provam o contrário.

Jeová toma vingança dos adversários, cheio de furor, e guarda ira contra os seus inimigos, logo não é benigno, mas maligno (Na. 1:2,6). Jeová atormenta seu povo com enfermidades malignas. “Jeová te ferirá com úlceras malignas nos joelhos e nas pernas, de que não possas sarar, desde a planta do teu pé até ao alto da cabeça” (Dt. 28:35). “Jeová te ferirá com as úlceras do Egito, com hemorróidas, e com sarna, e com coceira, de que não possas curar-te” (Dt. 28:27). O Deus que faz estas coisas não é benigno, mas maligno, pois ao ferir com enfermidades más, se iguala a Satanás, que também é maligno (Lc. 13:10-16). Também Jeová fica inventando pragas e enfermidades que não estão escritas na lei (Dt. 28:61). Ora, quem se ocupa em inventar pragas e pestes malignas é maligno. Demais, essas pestes e essas pragas não tinham o objetivo de corrigir, mas de destruir. “Também Jeová fará vir sobre ti toda enfermidade e toda a praga que não está escrita no livro desta lei, até que sejas destruído” (Dt. 28:61). Quem se deleita em destruir seu próprio povo, é maligno (Dt. 28:63).

Não é benigno quem coloca espírito maligno em quem aborrece. “E o espírito de Jeová se retirou de Saul, e o atormentava um espírito maligno da parte de Jeová” (1 Sm. 16:14 – Bíblia Thompson). Quem é benigno não atormenta ninguém, mas Jeová atormentava. “Porei sobre vós o terror, a tísica e a febre ardente, que consumam os olhos e atormentem a alma” (Lv. 26:16).

O benigno não atira setas inflamadas contra o homem. “Se o homem se não converter, Jeová afiará a sua espada; já tem armado o seu arco, e já para ele preparou armas mortais, e porá em ação as suas setas inflamadas” (Sl. 7:12-13). Paulo, apóstolo, nos revela que essas setas inflamadas são do maligno. “Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar os dardos inflamados do maligno” (Ef. 6:16). Davi foi atingido pelos dardos de Jeová: “Jeová, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor, porque as tuas frechas se cravaram em mim” (Sl. 38:1-2). Jó também. “Porque as frechas de El Shaday estão em mim, e o seu ardente veneno o bebe o meu espírito” (Jó 6:4).

Os salvos por Jesus podem vencer o maligno (1 Jo. 2:14). E é claro que o maligno não é o diabo, pois este foge dos cristãos. “Sujeitai-vos pois a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg. 4:7). Todo aquele que é gerado por Deus, o maligno não lhe toca. “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca, mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo puro, e o maligno não lhe toca” (1 Jo. 5:18). E Jesus vigia para não sermos tocados. “Mas fiel é o Senhor, que vos confortará, e guardará do maligno” (2 Ts. 3:3).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(048) – QUEM FERIU HERODES AGRIPA?

“E num dia designado, vestindo Herodes as vestes reais, estava assentado no tribunal, e lhe fez uma prática. E o povo exclamava: Voz de Deus, e não de homem. E no mesmo instante, feriu-o o anjo do Senhor, porque não deu glória a Deus, e comido de bichos, expirou” (At. 12:21-23).

É claro que o anjo estava a serviço de alguém, pois lemos: “Anjo do Senhor”. Quem feriu Herodes para ser comido de bichos? Jesus não foi, pois João diz: “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo. 3:17). Jesus não veio para julgar o mundo, mas para salvar o mundo (Jo. 12:47). Jesus não se contradiz. Seria o Pai quem mandou o anjo ferir Herodes? Que diz Paulo sobre o Deus Pai? “Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem”, inclusive Herodes, logo não poderia ter matado quem quer salvar. O Espírito Santo também não foi, pois Jesus só salva e o Espírito ficou em seu lugar (Jo. 14:16, 18).

Quem feriu Herodes foi o anjo de Jeová pelos seguintes motivos:

O anjo de Jeová era contra os egípcios – Ex. 14:19-20

O anjo de Jeová era contra os cananeus – Ex. 33:2

O anjo de Jeová era contra os assírios – 2 Rs. 19:35

O anjo de Jeová não perdoa ninguém – Ex. 23:20-21

O anjo de Jeová é perseguidor e não defensor – Sl. 35:5

O anjo de Jeová se tornou inimigo do seu próprio povo – Is. 63:9u10

O anjo de Jeová aterroriza os servos de Deus – 1 Cr. 21:30

O anjo de Jeová amaldiçoa – Jz 5:23

O anjo de Jeová se transfigura em Satanás – Nm. 22:32

Todos estes fatos aconteceram antes de Jesus nascer, isto é, antes da graça. Os atos do anjo de Jeová são atos de Jeová, por isso o anjo de Jeová anuncia as obras de Jeová, como aconteceu com Moisés em Ex. 3:1-8, e também com Gideão: “Então o anjo de Jeová veio e assentou-se debaixo do carvalho que está em Ofra, que pertencia  a Joás, abiezrita; e Gideão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o salvar dos midianitas. Então o anjo de Jeová lhe apareceu e lhe disse: Jeová é contigo varão valoroso” (Jz. 6:11-12).

Jeová era o matador dos homens, pois os condenou à morte em Gn. 3:17-19 e Rm. 5:12. Não é de estranhar que o seu anjo seja também matador. Com referência aos que morreram comidos por vermes antes de Jesus nascer, a história registra os seguintes nomes: o filósofo grego Acasto, filho de Pélias morreu comido de bichos; o poeta Alemane, também gregoe o filósofo Ferécides, morreram comidos por vermes; Calístenes, o filósofo, e o jurisconsulto Múcio, também acabaram os seus dias comidos de bichos (Vida de Homens Ilustres de Plutarco 4: 451); Feretina, rainha de Cirene, cidade de Simão, cireneu, morreu devorada por vermes em vida; Herodes magno (39 a 4  a.C.), que construiu em quarenta e seis anos o templo de Jerusalém, rei cruel, que num acesso de ciúmes mandou matar sua mulher Mariana com seus três filhos. Foi também quem mandou matar todas as crianças de dois anos para baixo, numa tentativa de eliminar Jesus, morreu comido de bichos em vida, com todo o merecimento. Seu neto, Herodes Agripa, que mandou degolar Tiago, irmão de João (At. 12:2). Este é o rei do nosso texto inicial, que por não dar glória a Deus, morreu comido de bichos (At. 12:21-23).

Quem tinha predileção para ferir as pessoas no ventre, era Jeová. Jeorão, filho de Jeosafá, reinou em lugar de seu pai. Era porém perverso, pois matou seus seis irmãos à espada. Também, por ter casado com a filha do maligno rei Acabe, andou nos maus caminhos de Acabe. Jeová então o feriu no ventre: “E depois de tudo isto Jeová  o feriu nas entranhas com uma enfermidade incurável. E sucedeu que, depois de muitos dias, ao fim de dois anos, as entranhas saíram-lhe para fora, e morreu desta má enfermidade” (2 Cr. 21:18-19).

No Segundo livro de Macabeus, está registrada a forma pela qual morreu Antíoco Epifânio, oitavo governador da casa de Selêncidas (175- 164 a.C.) I Mac. 1:10. Excitou grande irritação do povo judeu por roubar as alfaias do templo, e levantando no Santo dos Santos a estátua de Júpiter. Proibiu a circuncisão, destruiu todos os livros sagrados e ordenou o sacrifício de suínos, ultrajes que provocaram a revolta dos macabeus. O mais ofendido de todos foi Jeová, que o feriu no ventre, “e morreu  comido de bichos, e ainda vivendo, lhe caíam as carnes em pedaços no meio das dores, sendo também tão hediondo o fétido cheiro que dele saía, que ninguém suportava” (2 Mac. 9:9).

Tudo isto lembra Is. 66:22-24, onde no novo céu e nova terra Jeová vai expor ante os olhos dos seus escolhidos os cadáveres de seus desafetos sendo comidos de bichos em meio a um fogo eterno que não se apaga. Fica assim provado que quem feriu Herodes Agripa foi Jeová, pelas mãos do seu anjo, e se o anjo de Jeová está matando no Novo Testamento, as maldições da Lei de Jeová estão em pleno vigor, e Jeová está atuando  com furor e ira.

Se Jeová está atuando desta maneira, ele não é o Pai de Jesus, pois o Pai de Jesus entregou tudo nas mãos do Filho (Jo. 3:3; 3:35).

O Pai reconciliou todos os pecadores consigo na cruz, não imputando pecado a ninguém (2 Co. 5:19). Mas Jeová imputou a Herodes Agripa. Fica assim provado também, que os salvos por Jesus Cristo são resgatados das maldições da lei e de Jeová; os outros estão expostos a essas pragas, pestes e maldições como aconteceu com Herodes.

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(047) – OS CONSELHEIROS DE DEUS

Paulo, apóstolo, cantou um hino de adoração ao Deus verdadeiro, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. E começa assim: Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus!  Quão insondáveis são os teus juízos, e quão inescrutáveis os teus caminhos!  Porque quem compreendeu o intento do Senhor?  ou quem foi seu conselheiro?  Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória pois a ele eternamente. Amém” (Rm. 11:33-36). Neste cântico Paulo revela que as riquezas de Deus são sabedoria e ciência. Os  caminhos de Deus inescrutáveis, e os seus juízos insondáveis, isto é, não há ninguém no céu e na terra que possa compreender ou ponderar. Por isso ninguém pode ser seu conselheiro. Ora, um conselheiro participa à altura do assunto em questão. Se houvesse um conselheiro, este poderia contribuir com alguma idéia genial ou algum plano maravilhoso, e por isto seria recompensado. Paulo, no entanto, deixa claro nas entrelinhas, que ninguém foi conselheiro de Deus e ninguém deu nada para Deus para ser recompensado.

Como exemplo, citamos a salvação. Se alguém fosse salvo pelas obras, daria primeiro a Deus para receber a recompensa da salvação, mas Paulo desfaz essa ilusão: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef. 2:8-9). O único que deu a Deus foi Jesus Cristo. “E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrífício a Deus” (Ef. 5:2). “Graça e paz da parte de Deus Pai e da de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus, nosso Pai” (Gl. 1:3-4). Mas Jesus e o Pai são um (Jo 10:30).

Jeová, no Velho Testamento, recebia conselhos dos anjos e pedia conselhos aos anjos. Jeová queria matar o rei Acabe, que era mau. Então assentou-se no seu trono, e todo o exército do céu estava reunido à sua direita e à sua esquerda. E disse Jeová: “Quem induzirá a Acabe, que suba a guerra em Ramote Gileade? E um dizia de uma maneira e outro de outra”. Os anjos estavam sendo conselheiros de Jeová. Então saiu um espírito, e se apresentou diante de Jeová, e disse: “Eu o induzirei”. E Jeová lhe disse: “Com que?” E disse ele: “Eu sairei, e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas. E disse Jeová: tu o induzirás e ainda prevalecerás; sai e faze assim” (1 Rs. 22:19-22). Jeová aceitou de um anjo um conselho maligno, pois aceitou a mentira, e ordenou ao anjo que executasse o plano maquiavélico. O que nos assusta é o texto seguinte: “Agora, pois, eis que Jeová pôs o espírito da mentira na boca de todos estes teus profetas, e Jeová falou mal contra ti (1 Rs. 22:23). A guerra aconteceu, e Acabe, receoso de morrer, colocou um disfarce. Durante a peleja, um soldado disparou uma flecha por acaso e sem rumo, e esta feriu o rei Acabe, de Israel (1 Rs. 22:29-35). Na realidade não houve peleja, pois morto o rei Acabe, cada um voltou ao seu lugar (1 Rs. 22:36).

Ora, Jeová só queria matar Acabe, e tinha poder para matá-lo como fez com Uzá (2 Sm. 6:3-7). Jeová não precisava se valer da mentira para matar Acabe. Então porque se valeu da mentira? Para declarar de alto e bom som que está envolvido em todas as mentiras contidas no Velho Testamento.

Pior do que o caso de Acabe, foi o caso de Jó. Jeová aceitou o conselho de Satanás. Diz a Escritura que Jó era “sincero, reto, temente a Deus e desviava-se do mal. Vindo, porém, um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante Jeová, veio também Satanás entre eles”. Jeová dialogou com Satã e exaltou as qualidades de Jó. Então Satanás tentou a Jeová alegando que a retidão de Jó era falsa, e sugeriu que Jeová tirasse tudo o que deu a Jó de bom, que este o amaldiçoaria com blasfêmias. JEOVÁ ACEITOU O CONSELHO DE SATANÁS, e disse: “Eis que tudo quanto tem está na tua mão, mas não toqueis em Jó” (Jó 1:6-12). Satanás tirou tudo que Jó tinha, lançando-o na miséria, e matou seus dez filhos. Nenhum homem, por fiel que seja a Deus, está seguro, quando Deus aceita conselhos de Satanás. Paulo, entretanto, afirma que o Deus e Pai de Jesus não teve conselheiros, logo, Jeová e o Pai não são a mesma pessoa. E se Jesus se aconselhava com o Pai, não era também Jeová, pois este nunca falou do Pai, e recebia conselhos perversos dos anjos e de Satã.  O fato é que o fiel Jó, disse: “Jeová deu, Jeová tomou: bendito seja o nome de Jeová” (Jó 1:21). Depois disso, num outro dia, apresentou-se Satanás novamente entre os filhos de Jeová, e este exaltou novamente as qualidades de Jó, e então confessou que foi tentado pelo diabo sem motivo (Jó 2: 1-7). Pobre Jó, que creu e confiou em um Deus guiado pelo pai da mentira (Jo. 8:44).

Mas Jeová, o Todo Poderoso (El Shaday), foi repreendido pelos homens quando Moisés, no Monte Sinai, recebia as leis de Jeová. O povo, embaixo, pediu a Arão que fabricasse um deus, isto é, o bezerro de ouro, com o ouro saqueado do Egito (Ex. 3:22; 12:29-36). Arão prontamente atendeu. O povo estava festejando o bezerro quando o furor de Jeová se acendeu e resolveu exterminar o povo que criou para sua glória (Is. 43:1-7; Ex. 32:10). Moisés,  ouvindo isso, suplicou a Jeová com grandes argumentos. Então Jeová se arrependeu da atitude precipitada (Ex. 32:11-14).

De outra feita, quando 12 espias foram sondar a terra, e ao voltar a infamaram, Jeová, cheio de furor, disse: “Até quando me provocará este povo? Até quando não me crerão? Com peste os ferirei, e os rejeitarei” (Nm. 14:1-12). Desta  vez Moisés não suplicou, mas chamou a atenção de Jeová para os maus juízos que os egípcios iam fazer dele, e sugere que Jeová os perdoe. Este respondeu: “Conforme a tua palavra os perdoei” (Nm. 14:20). Em outras palavras, eu aceito o teu conselho.

O pior caso aconteceu quando Davi reinava. O reino estava seguro e organizado. Os levitas e sacerdotes ordenados por Davi para o serviço do tabernáculo. Era o apogeu do trono de Davi. A ira de Jeová tornou a se acender contra Israel e incitou Davi a numerar o povo. Davi obedeceu. Jeová, como castigo enviou o seu anjo que matou 70.000 hebreus, e ainda queria destruir Jerusalém. Não havia motivo para essa matança injusta. E disse: “Eis que eu sou o que pequei; porém, estas ovelhas que fizeram? Seja a tua mão contra mim, e contra a casa de meu pai” (2 Sm. 24:17). Assim repreendeu Davi a Jeová.

Mas o Pai de Jesus não é aconselhado ou repreendido por ninguém (Rm. 11:33-36).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(046) – DEUS NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS

“Porque para com Deus, não há acepção de pessoas” (Rm. 2:11).

Pedro, fariseu zeloso e instruído na lei de Jeová, considerava imundos os estrangeiros. Entretanto, um centurião romano de nome Cornélio, era caridoso e de contínuo orava a Deus. Deus amava o centurião e queria evangelizá-lo, mas sabia que Pedro se negaria a essa tarefa. Então, lhe deu uma visão fantástica. Quando Pedro orava, “viu o céu aberto, e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, e vindo para a terra. No qual havia de todos os animais quadrúpedes e répteis da terra, e aves do céu. E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te Pedro, mata e come. Mas Pedro disse: De modo nenhum Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum ou imunda” (At.10:11-14). Esta visão se repetiu por três vezes, e Pedro entendeu que aqueles que para Jeová eram imundos, para o Pai não são, pois o sacrifício de Jesus é para todos os homens de todos os tempos. “Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1 Jo. 2:2). Deus, o Pai, não faz acepção de pessoas. Pedro entendeu isso e pregou na casa do centurião, e o Espírito Santo foi derramado sobre todos.

O Pai é de todos, por todos, e para todos. “Ouvistes o que foi dito, amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mt. 5:43-45). Deus, o Pai, quer salvar todos os homens, maus ou bons, justos ou injustos, aleijados ou perfeitos, por isso diz Paulo: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt. 2:11).

Lá no monte do Calvário haviam três cruzes. Jesus crucificado ao centro e dois malfeitores à esquerda e à direita. Aqueles dois malfeitores eram bandidos confessos (Lc. 23:39-41). Surpreendentemente, um deles olha para Jesus e diz: “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino” (Lc. 23:42). Jesus, cheio de ternura lhe respondeu: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc. 23:43). O malfeitor era criminoso condenado, tendo confessado seus crimes, mas bastou confessar a Cristo como Senhor para ser salvo. E por que foi salvo? Porque Jesus salva a todos que o confessam, sejam condenados ou não, pois para Jesus não há acepção de pessoas.

Vejamos o grande Deus Jeová do Velho Testamento. Aquele Deus se revelou a Moisés no monte Horebe como Deus de Abraão, Isaque e Jacó, dizendo: “Tenho visto a escravidão do meu povo e desci para livrá-lo da mão dos egípcios” (Ex. 3:1-8). De acordo com o Novo Testamento, onde lemos que Deus é amor, e quer salvar todos os homens, Jeová deveria enviar Moisés ao Egito para falar do seu amor e da sua salvação, o que não aconteceu. Faraó e os egípcios foram tratados como inimigos de Deus. Jeová, pelas mãos de Moisés, castigou o Egito com grandes pragas, e todas as vezes que Faraó amolecia, Jeová o endurecia (Ex. 7:3; 9:12; 10:1, 20, 27; 11:10; 14:4, 8, 17). Se não fosse o endurecimento da parte de Jeová, Faraó teria se convertido (Ex. 9:27-28, etc). A grande verdade é que o propósito de Jeová era destruir os egípcios e salvar a Israel, e sem dar nenhuma chance de salvação à aqueles. Que idéia fazem os egípcios do Deus de Israel? Um Deus injusto e discriminador. Qualquer evangelista que vá ao Egito pregar o amor de Deus será escorraçado. Para agravar a situação, Jeová declarou que fez acepção entre Israel e os egípcios. “Todo o primogênito na terra do Egito morrerá, desde o primogênito de Faraó, que se assenta com ele no seu trono, até o primogênito da serva que está detrás da mó, e todo o primogênito dos animais. E haverá grande pranto em toda a terra do Egito, qual nunca houve semelhante, e nunca haverá. Mas contra todos os filhos dos de Israel nem ainda um cão moverá a sua língua, desde os homens até os animais, PARA QUE SAIBAIS QUE JEOVÁ FEZ DIFERENÇA ENTRE OS EGÍPCIOS E OS ISRAELITAS” (Ex. 11:5-7). Jeová faz acepção de pessoas, e com um agravante: Moisés declarou na lei que Jeová não faz acepção de pessoas em Dt. 10:17. Esta declaração da lei é mentirosa, pois afirma uma coisa e Jeová faz outra.

Havia em Canaã, a terra prometida, dez povos: Queneu, Quenezeu, Cadmoneu, Heteu, Perizeu, Refains, Amorreus, Cananeus, Girgazeus, Jebuzeus (Gn. 15:19-20). Aqueles dez povos não conheciam Jeová. Deveriam ser evangelizados. Se Jeová fosse Jesus, faria isso, pois Jesus disse: “Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt. 28:19).

Aqueles povos não conheciam Jeová, e foram tratados como inimigos: “Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando houverdes passado o Jordão para a terra de Canaã, lançareis fora todos os moradores da terra diante de vós…” (Nm. 33:51-52). O que agrava o comportamento de Jeová, é que, em vez de tentar salvar aqueles povos, queria destruí-los: “Não houve cidade que fizesse paz com os filhos de Israel, senão os heveus, porquanto de Jeová vinha, que seus corações endurecessem, para saírem ao encontro a Israel a guerra, para os destruir totalmente, para se não ter piedade deles; mas para os destruir a todos, como Jeová tinha ordenado a Moisés” (Js. 11:19-20). Jeová faz acepção de pessoas, e até no meio dos seus escolhidos, pois entre os levitas, que ministravam o sacerdócio, se algum fosse aleijado ou tivesse alguma deformação, estava proibido de ministrar (Lv. 21:17-22). Qual é a culpa de uma pessoa de nascer com algum defeito físico? Nenhuma.

Para Jesus, no Novo Testamento, a coisa é totalmente diversa. Jesus convidou para participar da ceia no Reino de Deus, os perfeitos e os aleijados. Os perfeitos não quiseram e os aleijados entraram (Lc. 14:15-24). Jesus convida para o seu reino, ricos e pobres. Os ricos acham que a glória do dinheiro vale mais que o Reino de Deus, então os pobres entram e os ricos ficam de fora (Mt. 19:16-24; Tg. 2:5). Uma coisa deve ficar bem esclarecida: Jeová fazia acepção de pessoas e Jesus não, logo, não estão no mesmo barco, e Jesus disse: “Quem comigo não ajunta, espalha” (Mt. 12:30).

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

(045) – A ELEIÇÃO

Eleição pressupõe acepção e discriminação. Não estamos falando de eleições para deputados e governadores, mas da eleição como preferência. É Deus escolhendo e não o homem. Por exemplo: Abraão teve dois filhos, Ismael e Isaque, no entanto, Ismael foi rejeitado e Isaque eleito, isto é, escolhido por Deus (Gn.21:1-13). Diz o texto que Ismael zombava de Isaque. E por que? Porque Isaque, o eleito de Jeová, ficou com a bênção, sendo Ismael o primogênito. É óbvio que  Ismael se sentiu discriminado e desprezado.

Em geral, a eleição discrimina e promove a injustiça, pois tendo Abraão oito filhos ao todo, deu toda a herança a Isaque, seu preferido e eleito (Gn.25:1-5).

Jessé tinha oito filhos, mas Davi era eleito de Jeová (1 Sm.16:1-13). A eleição de Davi, por parte de Jeová, transcorreu dentro de  um critério severo de seleção. Quando Jessé colocou o seu primogênito diante do profeta Samuel dizendo: “Certamente está perante Jeová o seu ungido”(1 Sm.16:6), Jessé falou isso porque conhecia o caráter de seus filhos, e o mais velho tinha atributos para ser o eleito de Jeová. Samuel, porém, respondeu: “Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado, pois Jeová não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém Jeová olha para o coração”  (1 Sm.16:1- 7).

Davi, o eleito de Jeová, cujo coração era como o de Jeová (1 Sm.16:13-14), cometeu pecados tão baixos, que talvez os outros irmãos não teriam cometido, quais sejam: infidelidade a Jeová, sedução de uma mulher casada, ocultação do crime, traição contra um dos melhores generais, autor do plano homicida que tirou a vida do amigo fiel e leal. Uma dedução podemos tirar do acontecido: duas pessoas que tem corações iguais são capazes das mesmas obras, e foi Jeová quem declarou que Davi tinha um coração conforme o dele, e executaria a sua vontade (At.13:22). “E, quando este foi retirado, lhes levantou como rei a Davi, ao qual também deu testemunho, e disse: Achei a Davi filho de Jessé, varão conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade.”

Da mesma maneira que Jeová discriminou os filhos de Jessé, escolhendo Davi, Davi também discriminou seus filhos ao colocar Salomão como rei de Israel. Em Israel o direito de reinar cabia ao primogênito. Se este morresse, havia uma escala de sucessão por idade. Vamos dar essa escala a partir de Amnon, primogênito de Davi: Amnon, Daniel, Absalão, Adonias, Seffalas, Treão, Simeia, Sobabe, Natã, Salomão; este era o décimo no direito de sucessão. Por direito, o trono pertencia a  Adonias, o quarto filho de Davi. Pois Davi, por um juramento feito a amante  Batseba, despojou Adonias, que já estava reinando, e passou por cima de mais cinco filhos  mais velhos que Salomão, que acabou injustamente como rei de Israel, e foi causador da divisão do reino. Davi escolheu mal, e Jeová também, pois foi quem elegeu Salomão (I Cr.3:1-5; 22:8-9). Jeová, elegendo Salomão, quebrou sua própria lei, e colocou como cabeça de Israel o maior idólatra e o mais carnal e lúbrico de todos. Ou Jeová não sabe o futuro, ou queria propositadamente dividir o reino para acabá-lo, pois Jesus declarou: “Todo reino dividido contra si mesmo é devastado, e toda cidade, ou casa, dividida contra si mesmo não subsistirá” (Mt.12:25).

A eleição e a preferência anulam o direito e a justiça (1 Rs.1:15-17).

A eleição e a predestinação são a marca do Velho  Testamento de Jeová. Abel foi eleito e Caim rejeitado. Jacó foi eleito no lugar de Esaú, primogênito  de Isaque (Gn.25:19-23). José, eleito entre os doze filhos de Jacó (Gn.37:1-11). Efrain, eleito em lugar de Manassés (Gn.48:17-19). E assim por diante. Como ficam as coisas no Novo Testamento? Se a eleição ou predestinação pressupõem acepção e discriminação,  pois não se pode dar prêmios desiguais a iguais, no Novo Testamento não pode haver nem eleição e nem predestinação. Vejamos :

1. A graça de Deus é total, isto é, para todos, e assim fica anulada a discriminação. “Porque a graça de Deus é manifestada trazendo salvação a todos os homens” (Tt.2:11). A  eleição, ou a  predestinação anulariam  a graça.

2. Na dispensação  da   graça, os piores, que  eram  discriminados  e rejeitados  no  Velho Testamento, são os usados  por Deus, logo, a graça anula a eleição. “Mas Deus  escolheu  as  coisas loucas  deste  mundo  para  confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para confundir as que são; para que nenhuma carne se glorie diante dele” (1 Co.1:27-29). Jeová, ao contrário, escolhia os melhores, os mais fortes, etc.

3. No Novo Testamento, a obra não é do homem, mas do Espírito Santo, e assim qualquer aleijado podia ser um gigante. Sabedoria, ciência, poder para curar, a profecia, dom de maravilhas, discernimento, etc., tudo vinha do Espírito Santo (1 Co.12:7-11). No Velho Testamento, o aleijado era proibido por Jeová de servir no templo (Lv.21:17-22).

4. E Jesus Cristo veio salvar os perdidos, não há eleição e discriminação. “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia  perdido” (Lc.19:10).

5. Se é assim, porque no Novo Testamento existe eleição? “Porque muitos são chamados, mas poucos os escolhidos” (Mt.22:14). “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?” (Rm.8:33). Mas a graça é para todos. Como fica?

QUAL É A ELEIÇÃO DA GRAÇA? (Rm.11:5-7). Não pode haver predestinação onde não há eleição. Mas Paulo afirma que há eleição. “Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição vem de Deus” (1 Ts.1:4).

A eleição dos cristãos é diferente da eleição do Velho Testamento. Vejamos:

1. Os cristãos foram eleitos para serem santos e caridosos, e não para herdar o céu (Ef.1:4).

2. Foram eleitos para padecer por Cristo e não para gozar a vida (Fp.1:29).

3. Eleitos também para sofrer tribulações, e não buscar vida de nababos (At.14:22).

4. Escolhidos para carregar a cruz até a morte (Mt.10:38; 16:24).

5. Predestinados para mortificar as sensações da carne (Rm.8:13; II Co 4:10-11).

6. Selecionados para sofrer as aflições de Jesus Cristo (Cl.1:24).

7. Predestinados para ser o que Jesus foi (Rm.8:29; e Jo.2:6; 4:17).

“Revesti- vos pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade” (Cl.3:12).

A eleição de Jeová visava um reino terreno e a eleição de Cristo visa preparar o Cristão para entrar no reino de Deus. Todos  escolhem a eleição de Jeová, e não a eleição de Jesus Cristo, pois a de Jesus é renunciar tudo neste mundo, e a de Jeová é buscar tudo o que puder. Os eleitos de Jeová obtiveram grande sucesso, mas os de Cristo foram todos perseguidos e mártires.

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

(044) – UM POUCO MENOR QUE OS ANJOS

Que vem a ser menor que os anjos ?  Menos glória. Lemos no Salmo 2: “Que é o homem mortal para que te lembres dele ? e o filho do homem para que o visites? Contudo, pouco menor que os anjos o fizeste, e de glória e de honra o coroaste” (Sl.8:4-5). Paulo afirmou que “todos pecaram, e destituídos foram da glória de Deus” (Rm.3:23).

Qual glória? Menor que os anjos.

Fica evidente que a glória que o homem perdeu era menor que a glória dos anjos.

Porque foram destituídos? Porque pecaram.

Como é imputado o pecado? Pela Lei. Ora, a lei produz pecado. “Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, obraram em nossos membros para darem fruto para a morte” (Rm.7:5). “Nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm.3:20). “É a lei pecado? De modo nenhum: mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás” (Rm.7:7). A proibição reprime o apetite, e a lei proíbe mas não ensina; obriga, mas não instrui; escraviza, mas não liberta.

Se os homens foram destituídos da glória, já estão condenados, logo já foram julgados. Todos condenados à morte e destituídos da glória. Parece que essa desgraça começou em Adão. “E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos a voz da tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também te produzirá, e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes a terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó, e em pó  te tornarás” (Gn.3:17-19).

João confirma esta condenação terrível: “Quem crê nele não é condenado: mas quem não crê JÁ ESTÁ CONDENADO; porquanto não crê no nome do Unigênito Filho de Deus” (Jo.3:18).

Desde Adão até Moisés e a lei, todos estavam condenados à morte física, mas não à morte espiritual, pois a morte espiritual é a consequência da imputação do pecado, por isso Paulo diz: “Até a lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado não havendo lei” (Rm.5:13). “A ALMA QUE PECAR, ESSA MORRERÁ” (Ez.18:4). A imputação do pecado produz a morte da alma e não do corpo. Podemos entender assim: De Adão até Moisés havia pecado, mas não havia lei, e por isso o homem não era responsável. Dessa maneira morriam todos no corpo, mas não na alma. Com o advento da lei de Jeová os homens morriam de duas maneiras. Física e espiritualmente. Um jovem quis seguir a Jesus, mas pediu permissão para sepultar seu pai que havia morrido, Jesus disse-lhe: “Segue-me tu, e deixa aos mortos sepultar a seus mortos” (Mt.8:22). Jesus quis dizer que os que morrem fisicamente serão sepultados pelos que ainda não morreram dessa forma, mas estão mortos na alma por causa do pecado imputado pela lei. Todos nascem para morrer fisicamente, e depois de responsáveis pecam e morrem espiritualmente. Morremos duas vezes. Jeová declara que os homens são como os animais, pois como morre um morre o outro, pois todos vão para o mesmo lugar, todos têm o mesmo fôlego. Todos são pó e ao pó tornarão; o homem não volta da sepultura (Ec.3:18-22). Jeová pregava a extinção com esta declaração. Este texto deixa claro que Jeová não tinha planos melhores  para os homens. A morte era o fim (Ec.9:5).

Se Jeová previa a extinção total do homem, essa extinção aconteceu em duas etapas: Primeiro a morte física a partir de Adão, e dois mil anos mais tarde a morte da alma pela imputação do pecado. Esse processo revela que Adão foi colocado no paraíso para viver e tinha o germe da vida eterna, pois foi o primeiro da linhagem de Jesus Cristo (Lc.3:23-38). Havia um plano e um propósito na obra de Jeová ao exterminar o homem, pois não havia justo que não pecasse (Ec.7:20).

Ao salvar o homem, Jesus não restitui a glória que o homem recebeu de Jeová, glória essa menor que a dos anjos. Jesus nos dá a sua própria glória (Jo.17:22; Fp.3:20-21; 1 Co.15:35-49). Ora, Jesus é infinitamente superior aos anjos. “Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles. Porque a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei?  E outra vez:  Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? E quando outra vez introduz  no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” (Hb.1:4-6). Como os salvos por Jesus, chamados santos, terão a mesma glória de Cristo, conforme Jo.17:22, todos os salvos terão uma glória maior que os anjos, por isso os salvos julgarão os anjos (1 Co.6:1-3). No Velho Testamento os anjos julgavam os homens, mas no Novo Testamento os homens julgarão os anjos, pois são como irmãos de Jesus Cristo (Rm.8:29). Os anjos não são filhos de Deus (Hb.1:5). Jesus é Filho de Deus (Jo.1:18; Rm.1:3-4). E os salvos podem se tornar filhos de Deus através de Jesus Cristo (Jo.1:12-13). Assim se tornam irmãos de Jesus (Rm.8:29).

Jeová condenou os homens à extinção, e Jesus, autor e consumador da fé, anula a extinção, confere ao que nEle crê, a vida eterna, e uma glória superior a primeira, e nos dá um outro reino superior aos reinos da Terra. “Vinde, benditos de meu Pai, e possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt.25:34). E Paulo diz: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp.3:20-21). “E o Senhor me livrará de toda má obra, e guardar-me-á para O SEU REINO CELESTIAL (2 Tm.4:18).

Domínio sobre os animais do campo, aves do céu e peixes do mar, foi a glória dada por Jeová aos homens (Sl.8:5-9). Esta é a glória da Terra e não do céu, e depois que os homens foram destituídos da glória, dominaram os animais dos mares, as grandes baleias, no campo os elefantes e leões. Os circos estão cheios de domadores de leões e elefantes. Essa glória foi uma humilhação para o homem.

Mas nós damos glória a Jesus Cristo, pois Ele nos dá uma glória celestial e não terrena.

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

(043) – O ENDURECIMENTO DE ISRAEL

“O endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado, e assim todo o Israel será salvo” (Rm.11:25-26). A impressão que o texto dá é que Deus, por amor dos gentios, e desejoso de salvá-los, endureceu o seu povo Israel, e depois que os gentios se salvem, então salvará também o seu povo.Jeová declara que nunca conheceu os povos gentílicos, senão só Israel (Am.3:1-2). Em Dt.14:2 Jeová declara que escolheu Israel entre todos os povos para ser seu povo próprio. Estas duas declarações chocam com o Sl.24:1 onde Jeová diz: “De Jeová é a Terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam”. O Egito e Faraó não eram de Jeová. José, vendido pelos maus irmãos como escravo, acabou se tornando governador do Egito. Por ocasião de uma grande fome, José mandou buscar sua família, ao todo setenta (Gn 46:26-27). No Egito, na terra de Gosen, se multiplicaram formando um grande povo. Após a morte de José, o novo Faraó os escravizou debaixo de um jugo insuportável. Jeová então desce do céu para libertar o seu povo dos que não eram seu povo, isto é, dos egípcios. O varão escolhido foi Moisés, que recebeu poder para atormentar os egípcios com pragas, ao todo dez. Foram tão terríveis as pragas que Faraó decidiu soltar o povo, mas Jeová endurecia o coração de Faraó para retê-los. Faraó não era mau, e muitas vezes propôs deixar ir o povo. Após cada praga Moisés aparecia diante de Faraó e dizia: “Deixa ir o meu povo, para que me sirva” (Ex.7:16; 8:1) etc. Mas Jeová endurecia Faraó (Ex.4:21; 7:3; 10:27; 11:10; 14:4,17). Faraó e seu povo eram gentios. Pois Jeová os endureceu e matou por pestes, pragas, saraivas e morte de todos os primogênitos. Por último afogou no mar o exército de Faraó, e salvou o seu povo, que depois iria morrer no deserto por ter coração duro. Convêm que se diga que os gentios eram abomináveis aos olhos de Jeová por causa de seus ídolos (2 Rs.16:3). No Sl.59:8 lemos que Jeová zomba dos gentios.

Esta declaração também se choca com Jo.3:16, onde lemos que o Pai ama “de tal maneira os homens que deu o seu Filho unigênito” para salvar todos os que creem. Todos, inclui gentios e judeus, pois Deus é Deus de todos, e não somente dos judeus (Rm 3:29). Jeová, porém, era Deus só de Israel, e endureceu o coração dos egípcios para salvar o seu povo, que acabou sendo morto pelo próprio Jeová no deserto (Jd. 5; Nm.14:28-37).

Jeová começa, então, um novo processo. Endurecer seu próprio povo. Isaías, numa visão fantástica, viu Jeová num trono sublime, cercado de Serafins. Pensou que ia morrer, mas um dos Serafins tocou seus lábios com um brasa do altar e o purificou. Jeová então disse: A quem enviarei? Isaías deslumbrado, respondeu: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is.6:6-8). Isaías pensou que iria salvar o seu povo pecador (Is.6:5). Mas Jeová lhe deu a missão mais tenebrosa que ele poderia imaginar: Cegar os olhos do povo, endurecer os ouvidos para não ouvir, afim de que não se convertam do seu mau caminho (Is.6:10). Pobre Isaías, que teve de cumprir tal ordem. O povo ficou cego, surdo, e com coração de pedra (Is.43:8; Jr.6:28). Por mais que o povo clamasse a Jeová, este não os ouvia. “PORQUE, Ó JEOVÁ, NOS FAZES DESVIAR DOS TEUS CAMINHOS? PORQUE ENDURECES O NOSSO CORAÇÃO?” (Is.63:17).

A incoerência está em que Jeová endureceu o seu povo para não crer e não obedecer, e depois reclamava da dureza do coração do povo (Dt.10:16; 2 Cr.30:8-9; Sl.95:8). Mas foi o próprio Jeová quem os endureceu, e cegou os profetas para que o povo não tivesse ninguém que os esclarecesse (Is.29:10-12). Jeová afirma que a destruição do reino de Israel teve como causa a dureza de coração (2 Rs.17:14-23). Uma coisa fica bem clara: Jeová endureceu os egípcios para os matar e destruir. Depois endureceu o seu povo para os matar e destruir. Aqueles milhões de almas não tinham valor para Jeová?

Sobre a obra de endurecimento de Jeová, a Bíblia revela mais casos: Jeová aborrecia Hofni e Finéias, filhos de Eli, o sacerdote, e queria matá-los, então tapou seus ouvidos para que não ouvissem a repreensão do pai. “Não, filhos meus, porque não é boa a fama esta que ouço. Fazeis transgredir o povo de Jeová. Pecando homem contra homem, os juizes o julgarão: pecando, porém, o homem contra Jeová, quem rogará por ele? Mas não deram ouvidos a voz de seus pai, por  que Jeová  os queria matar” (1 Sm.2:24-25).

Jeová proibiu que algum hebreu casasse com mulheres estranhas, isto é, dos povos de Canaã (Dt.7:1-4; Js.23:12-13; Ed.9:1-2). No entanto, o espírito de Jeová impeliu Sansão para a região dos filisteus; e lá viu uma bela mulher, que lhe agradou os olhos. Em vão seu pai suplicou para que não pecasse contra a lei de Jeová (Jz.13:25; 14:1-4). O texto termina dizendo que o pai de Sansão não sabia que isto vinha de Jeová. A sensualidade de Sansão foi obra de Jeová, que lhe endureceu a cerviz.

Jeová endureceu Roboão, para que este aumentasse o jugo sobre o povo. O que Jeová queria era dividir o reino em dois, por causa do pecado de Salomão. Absurdo. Que tem a ver o povo com o pecado de Salomão? Jeová deveria colocar talvez um rei menos sábio (1 Rs.11:29-40). Neste texto, o profeta Aías, profetizou da parte de Jeová a divisão do reino. Mais tarde, Roboão, filho de Salomão, agiu estupidamente, porque a profecia tinha de ser cumprida (1 Rs.12:15). No Velho Testamento as cartas eram marcadas marcadas.

Os povos de Canaã eram todos gentios. E Jeová os endureceu para que não deixassem Israel entrar. “Porquanto de Jeová vinha, que os seus corações endurecessem, para saírem ao encontro de Israel na guerra, para os destruir totalmente, para se não ter piedade deles, como Jeová tinha ordenado a Moisés” (Js.11:20).

Quando Israel começou a entrar em Canaã, o rei Siom se opôs com seus exércitos, mas Josué os venceu matando homens, mulheres e crianças. Quem causou esta carnificina? Jeová, que endureceu o coração do rei Siom, com intuito de destruir aquela cidade (Dt.2:30-34). Qual era o objetivo de Jeová? Aterrorizar os povos em redor (Dt.2:24-25).

Jesus, certamente, mandaria um exército de missionários para salvá-los (Mc.16:15-16). Pois Jesus veio ao mundo para salvar aos pecadores (1 Tm.1:15). E Jesus afirma que essa é a vontade do Pai (Jo.6:38-40).

Jesus é contra as matanças de Jeová, o destruidor das almas. Quando Jesus ia a Jerusalém, no caminho manda os discípulos prepararem pousada. O povo daquela aldeia não quis recebê-lo. Tiago e João disseram: “Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como fez Elias? Jesus lhes disse: Vós não sabeis de que espírito sois. Eu não vim para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (Lc.9:51-56).

Paulo, no entanto, revela que o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para não crerem no Evangelho de Jesus Cristo (2 Co.4:4). Interessante, o que Jeová fazia no Velho Testamento, o deus deste século faz hoje!

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

(042) – O ESPÍRITO DO HOMEM

Em Zacarias 12:1 está escrito que o espírito do homem é formado dentro dele por Jeová. Cada homem tem, portanto, o seu espírito peculiar e individual. E esse espírito vai sendo lentamente formado com o crescimento do corpo: “Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe, e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas havia” (Sl.139:16). O livro de Jó dá detalhes mais claros, pois diz que pelo sopro do Todo-Poderoso (Shaday) vem o entendimento do homem, isto é, Jeová  participa intimamente na formação do espírito do homem (Jó 32:8). Também, no livro de Jó está escrito que esse espírito formado por Jeová dentro do homem é que responde pelos seus atos (Jó 20:3). Dessa maneira Jeová tem na sua mão o espírito e a alma de todos os homens. Ninguém faz nada fora da vontade de Jeová: “Quem não entende por todas estas coisas que a mão de Jeová fez isto? Que está na sua mão a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda carne humana?” (Jó 12:9-10).

Assim, diz Salomão que Jeová é o autor dos maus: “Jeová fez todas as coisas para os seus próprios fins, e até o ímpio para o dia do mal” (Pv.16:4).

Esaú foi mau desde o ventre (Gn.25:19-23; Hb.12:16-17). Paulo revela que Jeová é o oleiro que fabrica maus e bons: “Ou não tem o oleiro poder sobre  o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para deshonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição?” (Rm.9:21-22). Este Deus é Jeová e não o Pai, pois preparou um povo para a perdição, mas o Pai salva a todos: “Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis” (1 Tm.4:10). Se o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo é Salvador de todos, não iria preparar um povo para a perdição.

Moisés e Arão confirmaram que Jeová é o Deus dos espíritos de toda a carne em Nm.16:22; 27:16. Havendo tantos textos revelando que Jeová é o Deus dos espíritos de toda a carne humana, fica provado que Jeová é o Deus de toda a carne: “EIS QUE EU SOU JEOVÁ, O DEUS DE TODA A CARNE” (Jr.32:27).

É assustador que Jeová seja o Deus da carne humana, e Paulo afirma que a carne é corrupção e não pode entrar no reino de Deus (1 Co.15:50). E se Jeová é o Deus de toda a carne humana, era o Deus dos sodomitas de Gn.18 e 19. Se alguém quiser negar essa verdade, saiba que Jeová afirmou que foi o oleiro que formou Israel (Jr.18:1-6). Afirmou que formou Israel desde o ventre (Is.44:1-2). Declarou que Israel era prevaricador desde o ventre (Is.48:8). Prevaricar é obrar o mal, faltar com o dever, perpetrar o mal. E foi o oleiro que fez isso, e depois os chamou de príncipes de Sodoma e povo de Gomorra (Is.1:8-12; Ez.16:46-48). Se Jeová é o Deus de Israel e Judá, e os chama de Sodoma e Gomorra, é o Deus de Sodoma e Gomorra.

O Novo Testamento traz a luz um fato assustador sobre o espírito do homem formado por Jeová, desde o princípio (Gn.2:7). É que o homem natural e com o espírito formado por Jeová, não compreende as coisas do Espírito de Deus (1 Co.2:14). E diz mais o apóstolo Paulo: O espírito do homem só sabe as coisas do homem (1 Co.2:11). Esse é o espírito do mundo (1 Co.2:12). Agora podemos entender porque foi Jeová quem colocou o mundo no coração do homem (Ec.3:11). A pergunta que se faz é a seguinte: Pode Deus colocar o mundo no coração do homem no Velho Testamento, e no Novo chamar de adúltero quem se faz amigo do mundo? (Tg.4:4). Só um Deus incoerente faz isso. Jesus e o Pai, ao contrário, agem com absoluta coerência.

Qual então é o espírito dos que creem em Jesus Cristo? Ensina Paulo, que para se tornar um cristão, o convertido é sepultado com Cristo pelo batismo na morte (Rm.6:4). O que é que morreu para ser sepultado? O corpo físico permanece o mesmo. A alma é a vida. O que é sepultado é o espírito, isto é, o que somos e pensamos. Após o batismo continuamos com corpo e alma, mas com outro espírito, o espírito de Cristo (Rm.8:9; Gl.4:19). O espírito de Cristo, é Cristo formado em nós: “Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso sentido; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus, é criado me verdadeira justiça e santidade” (Ef.4:22-24). O velho homem foi crucificado com Cristo (Gl.5:24).

No novo testamento o espirito não é mais o do homem, mas de Cristo,  a ponto de nos tornarmos quase iguais a Cristo em estatura e perfeição (Ef.4:13).

A mente de Cristo absorve a nossa mente (1 Co.2:16). A glória de Cristo se manifesta no cristão (Cl.1:27). Paulo ficou tão diferente, suas obras eram também tão diferentes, que declarou: “Não sou eu mais quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl.2:20). Cumpre-se 2 Co.5:17: “Quem está em Cristo é nova criatura, as coisas velhas passaram, eis que tudo se fez novo”.

Uma coisa tem de ser considerada. A carne de Jeová tem que ser crucificada. O espírito de Jeová tem que ser mudado. O mundo que Jeová pôs no coração do homem tem que sair (1 Jo.2:15-17). O entendimento que Jeová soprou no homem (Gn.2:7; Jó 32:8), tem que ser trocado pela mente de Cristo. Se o espírito do homem era de Jeová, porque era condenado?

Os que têm o espírito de Cristo são salvos, e glória a Jesus.

Por isso, o homem tem que se converter de Jeová para Jesus para ser salvo, como aconteceu com Paulo (At.22:3-4; Fp.3:3- 9).

 

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

(041) – SATANÁS

Satã é uma palavra hebraica. No original pronuncia-se Shatã. A tradução em português é: adversário. Muitas vezes, onde lemos na Bíblia adversário, no hebraico está escrito Satã. Por exemplo: Em 1 Reis 11 lemos a história da corrupção e queda de Salomão, e nos versos 14 e 23 está escrito adversário, mas no hebraico está escrito Satã. Como foi Jeová que levantou os dois Satãs contra Salomão, e não fica bem para Deus ser servido por Satã, os tradutores escrevem adversário. O fato é que Jeová levantou dois Satãs para atormentarem Salomão, como lemos em 1 Rs.11:25.

Todas as vezes que Satã age sem ser mandado por Jeová, os tradutores escrevem Satã, pois a intenção é fazer crer que o mal não vem de Jeová,  mas de Satanás. Em Am.3:6 está escrito que todo o mal vem de Jeová e não de Satã. Os projetos de todos os terríveis males que assolaram Israel partiram da mente de Jeová. “Eis que estou forjando mal contra vós, e projeto um plano contra vós” (Jr.18:11). Todas as vezes que Jeová envia Satanás para fazer algum mal, os tradutores colocam a palavra adversário. O rei dos moabitas, Balaque, pediu ao profeta Balaão que amaldiçoasse Israel. Este consultou a Jeová, e em obediência não atendeu a solicitação de Balaque, que tentou persuadi-lo com mais presentes. Novamente Balaão consultou Jeová, que lhe deu ordem de seguir com os emissários de Balaque, porém, submisso as ordens de Deus, Balaão se foi, e no caminho, o anjo de Jeová se colocou como adversário, porém no hebraico está escrito Satanás (Nm.22:22). É estranho  que o anjo de Jeová seja também Satanás. Quem viu o Satanás foi a jumenta de Balaão. Depois Jeová abriu os olhos de Balaão e ele viu o anjo de Jeová que lhe disse: “Porque já três vezes espancaste tua jumenta? Eis que eu sai para ser o teu Satanás” (Nm.22:32). Satanás é o anjo de Jeová. Se os tradutores deixassem a palavra Satã, os cristãos teriam chance de perceber que Satã está a serviço de Jeová.

No Velho Testamento as obras de Satanás são iguais as obras de Jeová. Vejamos: Em 2 Sm.24:1 lemos que Jeová incitou Davi ao mal. Em 1 Cr.21:1 é repetido o episódio, mas é Satanás quem incita Davi. Afinal, foi Satã ou Jeová? Foi Jeová da parte de Satã, ou foi Satã da parte de Jeová? Será que juntos incitaram a Davi? Incitar é impelir, provocar, instigar, coisa que não fica bem para Jeová, o grande Deus do Velho Testamento. Vamos analisar as obras de Satanás e de Jeová para vermos qual a relação entre ambos:

1.   Satanás é tentador – Mt.4:1; 1 Co.7:5.

2.   Satanás atira setas inflamadas contra os homens – Ef.6:16.

3.   Satanás atormenta as pessoas – At.5:16; Mt.25:41.

4.   Satanás causa enfermidades malignas – Lc.13:11-16; Jó 2:7.

5.   Satanás é o pai dos espíritos  malignos – Mc.1:23-26; Lc.11:24-26.

6.   Satanás é o devorador das almas como leão – 1 Pd.5:8.

7.   Satanás pratica o mal – Lc.4:1-8; Lc.22:31; 1 Jo.5:19.

8.   Satanás é destruidor – 1 Co.10:10.

9.   Satanás é o pai da mentira – Jo.8:44.

10. Satanás é o príncipe das trevas – At.26:18; Ef.6:12.

Vamos percorrer o Velho Testamento e ver se estas dez características próprias de Satanás existem também no grande Deus Jeová. Se existem, ficará difícil afirmar que os dois nada têm em comum. Vejamos:

1-  Jeová tentou Abraão em Gn.22:1. Também tentou seu povo no deserto: “E te lembrarás de todo o caminho pelo qual Jeová teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, E TE TENTAR, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos ou não” (Dt.8:2) – Jeová tenta.

2-  Jeová também atira com setas inflamadas. “Se o homem não se converter, Jeová afiará a sua espada; já tem armado o seu arco, e já para ele preparou armas mortíferas, e porá em ação as suas SETAS INFLAMADAS” (Sl.7:12-13).

3-  É incrível, mas Jeová também atormenta. “Porei sobre vós terror, a tísica e a febre ardente, que consumam os olhos, atormentem a alma” (Lv.26:16).

4-  Jeová fere com enfermidades malignas. “Jeová te ferirá com úlceras do Egito, com hemorróidas, e com sarna, e com coceira, de que não possas curar-te” (Dt.28:27). “Também Jeová fará vir sobre ti toda a enfermidade e toda a praga, que não está escrita no livro desta lei, até que sejas destruído” (Dt 28:61).

5-  Jeová envia espíritos malignos: “E o espírito de Jeová se retirou de Saul, e o atormentava um espírito mau da parte de Jeová” (1 Sm.16:14; 18:10; 19:9-10).

6-  Da mesma forma que o diabo é o Leão devorador revelado por Pedro, Jeová se autodenomina Leão devorador: “Serei, pois, para eles como Leão, como Leopardo espiarei no caminho. Como urso que tem perdido seus filhos, os encontrarei, lhes romperei as teias, e ALI OS DEVORAREI COMO LEÃO” (Os.13:7-8). Se Jeová é o Leão devorador, não estaria Pedro revelando sua identidade em 1 Pd.5:8?

7-  Jeová se diz autor de todo o mal. “Sucederá qualquer mal a cidade, e Jeová não o terá feito? (Am.3:6).

8-  Jeová, como Satã, é destruidor. “E disse Jeová: Destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei, desde o homem até o animal” (Gn.6:7; Dt.28:48,61).

9-  Jeová mente. Afirma que pensa o mal e não o bem (Jr.18:11; 21:10). Depois afirma que pensa o bem e não o mal (Jr.29:11). Jeová, na lei, disse que os filhos não morreriam pelos pais (Dt.24:16). Em Is.14:21 fala o contrário. Jeová mente.

10- Jeová se manifestou em trevas (Hb.12:18-21). Jeová se oculta nas trevas de Satanás (Sl.18:11).

Será que o Deus Jeová é tão pouco criativo que teve de imitar as obras de Satã ?

Por isso Jesus disse: “Aproxima-se  o príncipe deste mundo, e nada tem em mim” (Jo.14:30).

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

(040) – OS ANJOS DE DEUS

Os anjos todos obedecem ao comando de Jeová: “Vi Jeová assentado sobre o seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua mão direita e à sua esquerda” (1 Rs.22:19). O texto é claro. Todos os anjos estavam submetidos a Jeová em obediência. “Bendizei a Jeová, anjos seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens, obedecendo a voz da sua palavra. Bendizei a Jeová, todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que executais o seu beneplácito.” Sl. 103: 20-21. Os anjos são ministros de Jeová, e compõem os exércitos dos céus, louvando-o nas alturas permanentemente (Sl.148:1-2).

O diabo tentou Jesus para se atirar do pináculo do templo, para que os anjos de Jeová O guardassem, conforme o Sl.91:11-12 que diz: “Está escrito: Mandará os seus anjos, acerca de ti, que te guardem, e que te sustentem nas mãos, para que nunca tropeces com o teu pé em pedra”. Se Jesus pulasse e a profecia se cumprisse sobre os anjos, Jesus não seria o autor da salvação (Hb.12:2). Por outro lado, Jeová estaria colaborando com o diabo ao socorrer Jesus, pois o diabo queria que Jesus saltasse, e assim se tornaria submisso ao diabo. Seria uma situação cômica. Jeová guardando quem o diabo derrubou. Mas mudemos o assunto.

Os anjos de Jeová governam este mundo, governando as nações. O anjo de Israel chama-se Miguel. “Naquele tempo  se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até aquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro” (Dn.12:1). Estas palavras foram ditas a Daniel por um homem vestido de linho (Dn.10:5-6). Aquele homem, cujo rosto parecia relâmpago, disse mais: “O príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte  de mim vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia” (Dn.10:13). Este príncipe do reino da Pérsia era o anjo que governava a Pérsia. Na Grécia havia outro príncipe (Dn.10:20). Estes príncipes, com os das outras nações formam os principados e potestades que governam este  mundo tenebroso sob as ordens de Jeová, conforme Sl.103:20-21. E Paulo diz: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século” (Ef.6:12). Quem governa por traz dos anjos é o próprio Jeová, pois disse Jó:  “Na verdade, Deus não procede impiamente, nem o Todo-Poderoso perverte o juízo. Quem lhe entregou o governo da Terra?” (Jó 34:12-13). E nos Salmos: “Jeová Altíssimo é tremendo, e rei grande sobre toda a Terra” (Sl.47:2). “Porque o reino é de Jeová; e ele domina entre as nações” (Sl.22:28). “Quem te não temeria a ti, ó rei das nações?” (Jr.10:7).

Com estes textos podemos afirmar que Jeová tem seu reino neste mundo tenebroso também, mas Jesus não reina com Jeová neste mundo, conforme Jo.18:36. Os anjos reinam com Jeová e Jesus não, logo, Jesus não está com os anjos, e os anjos não estão com Jesus, pois foram submetidos após a ressurreição. “Pela ressurreição de Jesus Cristo; o qual está à destra de Deus, tendo subido aos céus;havendo-se-lhe sujeitado os anjos, as autoridades e as potências” (Ef.1:20-21; 1 Pe.3:21-22).

Os anjos que governavam com Jeová sobre este mundo não comunicavam mansidão, mas pavor. A mulher de Manoá, pai de Sansão, viu um anjo, e contou que a visão foi terribilíssima (Jz.13:6). Davi viu um anjo com uma espada na mão e ficou aterrorizado (1 Cr.21:30). Os anjos de Jeová não são mensageiros da paz, mas da guerra, pois são todos guerreiros (2 Rs.6:12-17). E o próprio Jeová se auto denomina: ‘Senhor dos Exércitos’ pois Jeová é homem de guerra e não de paz (Ex.15:3). Davi declara que a guerra é de Jeová (1 Sm.17:45-47). Jeová e seus anjos governavam por meio da atrocidade das guerras fratricidas.

Os anjos de Jeová são, portanto, destruidores das almas. Davi, por incitação de Jeová, mandou enumerar o povo, e Jeová, como castigo, mandou um anjo destruidor que matou setenta mil israelitas por meio de uma peste (2 Sm.24:15-16). Acasias, rei de Israel, caiu de uma janela e se feriu. Então mandou consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom, sobre sua cura. Jeová mandou Elias dizer ao rei, que morreria, por castigo de não ter consultado Jeová. O rei mandou um capitão e mais cinqüenta soldados buscar o profeta, dizendo: “Homem de Deus, o rei te diz: Desce. Elias respondeu: Se sou homem de Deus desça fogo do céu e te consuma a ti e aos teus cinquenta. E desceu fogo do céu e os consumiu”. O rei mandou outro capitão e mais cinquenta, e novamente o fogo do céu os consumiu (2 Rs.1:1-12). Também o anjo de Jeová destruiu cento e oitenta mil soldados assírios de uma feita (2 Rs.19:35).

Os anjos de Jeová, além de destruidores, são também acusadores. “Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem tampouco no mais interior da tua recâmara amaldiçoes ao rico, porque as aves do céu levariam a voz, e o que tem asas daria notícia da palavra” (Ec.10:20).

Os anjos de Jeová são impiedosos e não perdoam ninguém. “Eis que eu envio um anjo diante de ti para que te guarde neste caminho, e te leve ao lugar que te tenho aparelhado. Guarda-te diante dele, e ouve a sua voz, e não o provoques a ira, porque não perdoará a vossa rebelião, porque o meu nome está nele” (Ex.23:20-21).

Os anjos de Jeová são mensageiros do mal. A palavra mensageiro no hebraico é anjo. São portanto anjos do mal (Sl.78:49).

O anjo de Jeová manda o povo amaldiçoar: “Amaldiçoai a Meroz, diz o anjo de Jeová, acremente amaldiçoai os seus moradores; porquanto não vieram em socorro de Jeová com os seus valorosos” (Jz.5:23).

Os anjos de Jeová se transformam em Satanás. “Então o anjo de Jeová disse: Porque já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu saí para ser o teu Satanás, porquanto o teu caminho é perverso” (Nm.22:32).

É por isso que Jesus disse: Meu reino não é deste mundo. Jesus não reina com anjos destruidores e matadores. Jesus só quer perdoar a todos. Jesus é meigo, é manso, e não terribilíssimo. Jesus não acusa ninguém (Jo.5:45). Jesus é o mensageiro da graça, da paz e da salvação para todos. Jesus não manda amaldiçoar, antes nos resgatou das maldições de Jeová. Jesus não pode reinar com anjos que se transformam em Satanás, e ao contrário, veio para libertar do diabo e das trevas (At.26:18).

Alguém dirá: Então porque os anjos anunciaram o nascimento de Cristo? (Lc.2:8-14). O verso 11 diz que nasceu o Cristo (Messias). O libertador de Israel. Aquele que ia despedaçar as nações como a um vaso de oleiro, e as ia esmigalhar com vara de ferro (Sl.2:8-9). Mas Jesus não abraçou o método de Jeová e seus anjos. Não aceitou reinar sobre este mundo tenebroso. O seu reino é de amor (Cl.1:12-13). O reino de Cristo é celestial e não terreno (2 Tm.4:18).

E tem mais: No livro de Hebreus lemos que Deus, o Pai, nunca usou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão, que é Cristo (Hb.2:16-17). Ora, se o Pai não tomou os anjos a seu serviço, e Jeová só usou os anjos, não são a mesma pessoa. E os anjos de Jeová não participarão do reino de Cristo (Hb.2:5).

Jesus rejeitou o reino de Jeová para reinar com a Igreja nas regiões celestiais, como Abraão (Hb.11:8-10).

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

(039) – FOGO DO CÉU

Em 2 Ts.1:7-8 lemos na Bíblia, que Jesus descerá do céu, com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus, e dos que não obedecem o Evangelho. A palavra “vingança” se acha em diversas traduções: Vulgata latina, tradução brasileira, João Ferreira de Almeida, Bíblia de Jerusalém, etc. A palavra vingança contraria Jo.3:17, onde lemos que Jesus não veio para condenar. Jesus veio para salvar os perdidos (1 Tm.1:15). A expressão VINGANÇA não se coaduna com o espírito de Cristo, sua natureza amorosa, sua mansidão e bondade.

No original grego, a palavra usada por Paulo é EKEDIKHSIS, cuja tradução é PUNIR, e não vingar. Por que tantas traduções usam a palavra vingança em lugar de punição?   Porque creem que Jeová, o Deus das vinganças, é o pai de Jesus, ou o próprio Jesus. A lei do olho por olho e dente por dente, expressa o caráter vingativo de Jeová. Querem ligar Jesus a Jeová, ainda que no sermão da montanha Jesus se oponha ao caráter de Jeová (Mt.5:38-48) onde Jesus se declara contra a vingança de Jeová.

A palavra PUNIR condiz com a bondade de Cristo, pois foi constituído pelo Pai, Juiz dos vivos e dos mortos (At.10:42; 2 Tm.4:1). Punir os que não conhecem a Deus é justo, pois os que não o conhecem praticam o mal, mas tomar vingança revela ódio. Na tradução de Scofield lemos que Jesus virá para dar a retribuição, e na tradução francesa dos monges beneditinos, lemos que virá para fazer justiça. A melhor tradução para EKEDIKHSIS, é portanto, fazer justiça ou punir, mas nunca “tomar vingança”.

Quanto à expressão “Jesus descerá como labareda de fogo” (2 Ts.1:7), a linguagem é figurada. Em Mt.13:42 lemos: “Lançá-los-ão na fornalha de fogo”. Também é linguagem figurada. Deus não tem fornalha. Em Is.31:9 e 48:10, lemos que Jerusalém era uma fornalha. Labareda de fogo ou chama de fogo, é uma linguagem apropriada para o fim deste mundo (2 Pd.3:7).

Esta explicação se faz necessária porque Jeová é o Deus do fogo. Jeová mandou fogo do céu para destruir Sodoma e Gomorra. E foi fogo real, não figurado (Gn.19:24). O fogo do céu era o sinal do poder e da glória de Jeová. O rei Acabe ajuntou quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e quatrocentos profetas de Assera para um confronto com o profeta Elias. Este lhes disse: Façam um altar para Baal e coloquem um bezerro sobre ele, cortado em pedaços. Eu tomarei outro bezerro e o colocarei em outro altar. Vocês invoquem a Baal, que eu invocarei a Jeová. O deus que responder por fogo, esse é o deus verdadeiro. Depois que os profetas de Baal cansaram de invocar o seu deus inutilmente, Elias invocou a Jeová, e caiu fogo do céu e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e a água (I Rs.18:19-39). O fogo é uma das formas que Jeová usa para matar. Os filhos do Sumo Sacerdote Arão, Nadabe e Abiú, puseram fogo estranho em seus incensários, e trouxeram perante Jeová. Desceu, então, fogo do céu, e os consumiu, e morreram perante Jeová (Lv.10:1-2). Em outra ocasião, Acazias, filho de Acabe, caiu pelas grades de um quarto alto, e se feriu gravemente. Mandou então consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom, sobre sua sorte. Jeová, ofendido, ordenou a Elias que fosse ao encontro dos mensageiros de Acazias com o seguinte recado: “Não há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? Por isso, assim diz Jeová: Da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás”. E Elias se foi. Acazias, por sua vez, ofendido com Jeová, enviou cinqüenta soldados e um capitão para buscar Elias. O capitão disse: Homem de Deus. O rei diz: Desce. Elias respondeu: “Se eu sou homem de Deus, desça fogo do céu, e te consuma a ti e a teus cinqüenta. Então, fogo desceu do céu e os consumiu”. O rei tornou a enviar outro capitão, com mais cinqüenta homens. Disse o capitão: “Homem de Deus, assim diz o rei: Desce depressa. Elias respondeu: Se eu sou homem de Deus, desça fogo do céu, e te consuma a ti e a teus cinqüenta. E fogo desceu do céu e os consumiu”. Pobres capitães e pobres soldados. Se não obedecessem ao rei seriam mortos por rebelião, e obedecendo ao rei foram mortos por Jeová. Qual foi a culpa deles para morrer? Quantas viúvas e quantos órfãos ficaram na rua! Quanta desgraça! (2 Rs.1:1-12).

Jesus, próximo aos dias para a sua assunção, resolveu ir a Jerusalém, “e mandou  mensageiros diante da sua face; indo eles, chegaram a uma aldeia de samaritanos para preparar pousada”. Os samaritanos se negaram a hospedar Jesus. João e Tiago disseram ao Mestre: “Queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma?” Jesus disse: “Vós não sabeis de que espírito sois, porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salva-las” (Lc.9:51-56).

Como dissemos, Jeová é o Deus do fogo que destrói e mata ou abrasa. “Adiante dele vai um fogo que abrasa os seus inimigos ao redor” (Sl.97:2). “Por causa da ira de Jeová dos exércitos a terra se escurecerá, e será o povo como pasto do fogo; ninguém poupará a seu irmão” (Is.9:19). É o fogo da ira de Jeová (Jr.15:14). “Adiante de Jeová vai a peste, e raios de fogo sob seus pés” (Hc.3:5). A sede de consumir tudo pelo fogo é próprio de Jeová. “Eis que Jeová clamava que queria contender por meio do fogo; e consumiu o grande abismo, e também queria consumir a terra” (Am.7:4). Então o profeta Amós repreendeu Jeová dizendo: “Cessa agora”. E Jeová se arrependeu (Am.7:5-6). Este é o fogo consumidor que é Jeová (Dt.4:24).

No Novo Testamento, o fogo de Jesus é o fogo do Espírito Santo. Os batizados com Espírito Santo são enchidos com o fogo do amor pelas almas perdidas (Mt.3:11). No pentecostes, o fogo do amor de Cristo apareceu sobre as cabeças de 120 discípulos, que começaram a pregar e a testemunhar de Jesus, de tal modo, que se converteram quase três mil almas (At.2:1-41). Este é o fogo que Jesus veio lançar na terra (Lc.12:49).

O apocalipse fala, no Novo Testamento de um fogo do céu. É o fogo da besta para enganar os homens (Ap.13:11-14). O fogo que não engana a ninguém e não destrói as almas dos homens, e também desceu do céu, é o fogo da misericórdia, da compaixão do Pai, revelado em Cristo na cruz para salvar todos os homens (Tt.2:11; 1 Tm.4:10).

 

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

(038) – A HERANÇA ETERNA

Haverá uma herança eterna? A história deste mundo prova que não. As riquezas que os pais deixam para os filhos se gastam. Os reinos passam de mãos.

Creso rei da Lydia (560 A.C.) era famoso por sua riqueza. Para exibir sua felicidade estribada em ouro, mandou chamar Solon, grande pensador e legislador ateniense. Solon, depois de contemplar o luxo e a riqueza do famoso rei disse-lhe que ninguém pode se considerar completamente feliz antes da morte. Quase foi preso pelo soberbo rei. Alguns meses mais tarde, a Lydia, foi invadida por Ciro, o persa. O rei Creso foi aprisionado em Sardes, capital do seu reino e amarrado a um cepo para ser queimado vivo. Assim é este mundo.

Jesus Cristo prometeu aos seus discípulos uma herança eterna. Que herança é esta? “NA VERDADE, NA VERDADE VOS DIGO QUE QUEM OUVE À MINHA PALAVRA, E CRÊ NAQUELE QUE ME ENVIOU, TEM A VIDA ETERNA, E NÃO ENTRARÁ EM CONDENAÇÃO, MAS PASSOU DA MORTE PARA A VIDA” (Jo.5:24). Esta herança fabulosa, segundo Jesus, vinha do Deus Pai. “E A VIDA ETERNA É ESTA: QUE TE CONHEÇAM, A TI SÓ, POR ÚNICO DEUS VERDADEIRO, E A JESUS CRISTO, A QUEM ENVIASTE” (Jo.17:3).

A vida eterna torna eterno tudo o que possuímos de bom ou de mau, assim, quando o mal nos acompanha, não se chama vida, mas morte eterna.

Concedendo vida eterna, Jesus dá aos seus um reino eterno. ”Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pd.1:11). Se o reino é eterno e os herdeiros não são eternos, a herança não é eterna.

A maior herança de Jesus aos seus fieis é a vida eterna, e com a vida eterna, todos os bens são eternos: paz eterna, gozo eterno, alegria eterna, glória eterna e reino eterno. No Velho Testamento não havia herança eterna, nem reino eterno, e nem vida eterna. “Tal como a nuvem desfaz e passa, aquele que desce a sepultura nunca tornará a subir” (Jó 7:9). “Antes que me vá, para nunca mais voltar, à terra da escuridão e da sombra da morte” (Jó 10:21).

No Velho Testamento não havia promessa de vida eterna, mas de morte eterna. Estas são palavras de Salomão, que de Jeová recebeu toda a sabedoria: “Disse eu no meu coração: É por causa dos filhos dos homens, para que Deus possa prová-los, e eles possam ver que são em si mesmos como os animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais; a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim morre o outro, todos tem o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para um lugar; todos são pó, e todos ao pó tornarão. Quem adverte que o fôlego dos filhos dos homens sobe para cima, e que o fôlego dos animais desce para baixo da terra?” (Ec.3:18-21)

“Desde manhã até a tarde são despedaçados; E ETERNAMENTE PERECEM sem que disso se faça caso” (Jó 4:20).

No livro de hebreus lemos que os da fé, Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque e Jacó, não receberam as promessas. Quais promessas? Jeová prometeu salvar Noé e sua família, e salvou. Prometeu chuva e mandou chuva. Jeová prometeu um filho a Abraão e deu, além de outros, outras mulheres. Prometeu dar a terra de Canaã e deu. Prometeu abençoar seu filho e abençoou. As promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó, forma cumpridas, mas lemos que não receberam as promessas (Hb.11:13). Continuando a leitura em Hebreus 11, encontramos os nomes de José, Moisés, Raabe, Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel, e os profetas. “Todos estes morreram na fé, não alcançaram a promessa” (Hb.11:39). Tudo o que Jeová prometeu a Moisés foi cumprido, e assim com os outros. Quais as promessas que não receberam? A VIDA ETERNA E O REINO ETERNO. O reino prometido por Jeová, foi um reino terreno em Canaã. O primeiro a receber esta promessa foi Abraão. “E te darei a ti e a tua semente depois de ti, a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpetua possessão, e ser-lhes-ei o seu Deus” (Gn.17:8). O reino que Jeová prometeu também era terreno. “E vós me sereis um reino sacerdotal” (Ex.19:6). Jeová declarou: “Eu sou Jeová, vosso Santo, o criador de Israel, vosso Rei” (Is.43:15).

As palavras de Jesus vão de encontro a estas declarações de Jeová: “O meu reino não é deste mundo” (Jo.18:36). A herança de Cristo não é deste mundo. “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; o qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do  Filho do seu amor” (Cl.1:12-13).

O grande problema do concerto do Velho Testamento, é que os herdeiros foram condenados à morte, e só Jeová, o testador, continuava vivo. A lei de Jeová era o concerto. Vejamos o que o apóstolo Paulo revela: “Deus nos fez capazes de ser ministros dum Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, e o Espírito vivifica. E, se o ministério da morte gravado com letras em pedras, veio em glória, … como não será de maior a glória o ministério do Espirito?” (2 Co.3:6-8).

“Jesus é mediador de um novo testamento, para que intervindo a morte para remissão dos pecados que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna. Porque onde há testamento, necessário é que intervenha a morte do testador. Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?” (Hb.9:15-17). Ora, Jesus Cristo não é mediador do Velho Testamento, mas do Novo; e morreu pelo novo concerto e pelas novas promessas. Como ninguém morreu pelo Velho Testamento, ele se tornou nulo. Todas as promessas de Jeová se tornaram nulas. Como Jesus e o Pai são um (Jo.10:30), fica claro que o Pai participa, não do Velho Testamento, mas do Novo com Jesus. Quem permanecer com Jeová, vai herdar a morte, e quem se entregar a Jesus vai herdar a vida eterna num reino eterno.

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

(037) – COMO ENCONTRAR O PAI

O homem é um ser religioso por excelência. Desde os primórdios da humanidade encontraram-se vestígios dessa religiosidade. Os povos primitivos sempre atribuíram ao trovão uma manifestação da ira de Deus. Até na Bíblia encontramos referência de trovão como voz de Deus (Sl.77:18) . Os feiticeiros e os magos se valiam da ignorância do povo e se diziam mensageiros dos deuses. Com o tempo surgiram os sacerdotes e as sacerdotisas que serviam e ministravam nos templos. Os sacerdotes caldeus consultavam o seu deus lançando flechas, mais ou menos como o profeta Eliseu, que mandou Jeoás, rei de Israel, atirar flechas, para saber sobre o livramento dos sírios (2 Rs.13:14-19). Os romanos se guiavam pelo voo dos pássaros como mensageiros dos deuses, e todos se guiavam por sinais ou oráculos nas guerras. Cada nação ou reino tinha os seus deuses, que eram consultados antes de uma guerra. Era uma verdadeira guerra dos deuses.Sobre guerra dos deuses, podemos dizer que no Monte Olimpo, sede dos deuses gregos, o deus Saturno, soberano do Olimpo, era casado com a deusa Cibele, e pai de Júpiter, Neptuno, Plutão e Juno. Seu filho Júpiter o derrubou, tornando-se o soberano dos deuses do Olimpo, para os gregos e romanos.  Os deuses sempre foram ambiciosos e ávidos de glória e poder. Como os homens consultavam os deuses nas guerras, a impressão que fica é a de que os deuses usam nas guerras os pobres e cegos humanóides. Nas guerras, eram cometidas todas as atrocidades imagináveis e inimagináveis. Os vencidos eram pendurados em estacas, para serem comidos por abutres. Outros eram obrigados a beber azeite fervendo; em outros derramavam chumbo derretido nos ouvidos. Os nobre eram tornados escravos, e as mulheres e filhas violadas. Rios de sangue corriam. As cidades eram destruídas a fogo. Era um flagelo.

Nesse cenário bárbaro surge um Deus mais poderoso que os outros. Foi o Deus dos hebreus, que se revelou a Moisés como Jeová, o Deus dos deuses.

E Jeová, o grande e glorioso Deus dos hebreus, mandou tantas pragas, pestes e mortes no Egito que o sogro de Moisés disse: “AGORA SEI QUE JEOVÁ É MAIOR QUE TODOS OS DEUSES” (Ex.18:11). E Jeová disse a Moisés na última praga: “Eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito, desde os homens até aos animais, e sobre todos os deuses, do Egito farei juízos; eu sou Jeová” (Ex.12:12).

Os hebreus eram tão convencidos que haviam outros deuses, que os salmistas cantavam: “Tu Jeová, és o altíssimo em toda a terra; muito mais elevado que todos os deuses” (Sl.95:3; 97:9; 135:5; 138:1, etc.). Moisés revelou que Jeová é varão de guerra (Ex.15:3). “JEOVÁ É O SENHOR DOS EXÉRCITOS” (Sl.24:10; 46:7,11). Foi Jeová que trouxe Sargon, rei da Assíria, contra Israel, para os levar em cativeiro (Is.8:7-9). Foi Jeová que trouxe Nabucodonosor contra Judá e Jerusalém para os levar em cativeiro (Jr.27:1-6). E Jeová, o Senhor dos Exércitos declarou Nabucodonosor, o sanguinário e idólatra, seu servo.

O livro de Daniel relata que havia príncipes (deuses) que chefiavam as guerras: “Mas, o príncipe do reino da Pérsia se pôs de fronte de mim, vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me” (Dn.10:13). Um varão de branco fala a Daniel: “Não temas, homem mui desejado, paz seja contigo; anima-te. E, falando ele comigo, esforcei-me e disse: Fala, meu Senhor. E disse: Sabes porque eu vim a ti? Eu tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe dos gregos. Mas eu te declararei o que está escrito na escritura da verdade; e ninguém há que se esforce comigo contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe” (Dn.10:5-7; 19-21).

Como Miguel é um arcanjo (Jd. 9) fica claro que os outros príncipes são anjos ou deuses. Diante de um quadro confuso e tenebroso, em que homens, deuses, príncipes, e o próprio Jeová, estavam engalfinhados em guerras, cobiça, destruições e vinganças, Jesus criou uma forma gloriosa de revelar o Pai, sem comprometê-lo ou confundi-lo com algum deus guerreiro e implacável.

João disse: “Deus nunca foi visto por ninguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o fez conhecer” (Jo.1:18). “Ninguém jamais viu a Deus” (1 Jo.4:12).

Paulo disse: “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver” (1 Tm.6:16). E João novamente, registra as palavras de Jesus: “O Pai que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer” (Jo.5:37).

Disseram-lhe pois: “Onde está teu Pai? Jesus respondeu: Não me conheceis a mim  nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai” (Jo.8:19).

Não conhecem o Pai, nem os bons e nem os maus; nem os salvos e nem os perdidos; nem os judeus nem os gentios, e nem os cristãos. Só Jesus conhece o Pai (Mt.11:27).

Se alguém conhecesse o Pai, passaria Jesus para traz, para glorificar o Pai, mas “….não há nenhum outro nome debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At.4:12). Também o Pai é cabeça de Jesus Cristo e não dos homens (1 Co.11:3). O Pai colocou todas as coisas na mão do Filho (Jo.13:3). O Pai não julga a ninguém, mas constituiu o Filho juiz dos vivos e dos mortos (At.10:42; Jo.5:22). Ninguém recebe o Pai sem receber primeiro o Filho (Mt.10:40). Ninguém pode honrar o Pai diretamente. É honrando o Filho que se honra o Pai (Jo.5:23). Ninguém pode ser do Pai sem ser primeiro do Filho (1 Jo.2:23). E ninguém pode se tornar filho de Deus sem receber primeiro a Jesus como Salvador (Jo.1:12-13). Por isso Jesus disse: “EU SOU O CAMINHO, A VERDADE, E A VIDA. NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO POR MIM” (Jo.14:6).

A salvação é de autoria exclusiva de Jesus (Hb.12:2), pois foi Jesus quem morreu na cruz pelos pecadores. Se uma pessoa conhece o Pai, ama o Pai, obedece ao Pai e serve o Pai, e não obedece a Jesus, não se salva. É o que aconteceu  com um jovem rico em Mt.19:16-24. Por outro lado, se alguém odeia o Pai, blasfema do Pai e O desobedece, no momento que aceita o Filho, é salvo. É fácil provar, pois Paulo revela que nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho e seremos também salvos (Rm.5:10; Cl.1:24). Em Jesus Cristo, Deus não imputa pecado a ninguém (2 Co.5:19). Assim sendo, fica claro que o Pai não está fora do Filho, nem opera sem ser através do Filho, nem salva a não ser pelo Filho mas revela seu amor no Filho; ressuscita os mortos com o Filho; derrama seu  Espírito Santo por intermediação do Filho e toda criação do Pai é feita pelo Filho.

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

(036) – LEÃO DEVORADOR

O leão é o mais forte dos quadrúpedes do gênero. Vive solitário, e é animal noturno. O seu formidável rugido pode ser ouvido a quilômetros de distância. É considerado o rei dos animais. Vejamos o que a Bíblia fala a seu respeito: “O leão é destruidor”, e na linguagem do profeta Jeremias, simboliza ao rei Nabucodonosor. “Já um leão subiu da sua ramada, e um destruidor das nações; ele já partiu, e saiu do seu lugar para fazer da tua terra uma desolação, afim de que as tuas cidades sejam destruídas, e ninguém habite nelas” (Jr. 4:7). “Irei aos grandes, e falarei com eles; porque eles sabem o caminho de Jeová, o juízo do seu Deus; mas estes de comum acordo quebraram o jugo, romperam as ataduras, por isso um leão do bosque os feriu” (Jr.5:5-6). A figura ou a alcunha de leão cai muito bem na pessoa do rei Nabucodonosor, que era perverso e destruidor, e foi trazido pelo próprio Jeová para escravizar os judeus e outros povos. “E agora eu entreguei todas estas nações na mão do rei da Babilônia, Nabucodonosor, meu  servo” (Jr.27:6). O leão é comparado à serpente, isto é, ao diabo. “Pisarás o leão e o áspide; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente” (Sl.91:13). Na profecia contra Judá, lemos: “Peso dos animais do sul. Para a terra de aflição e de angústia (de onde vem a leoa e o leão ,e o basilisco, e o áspide ardente voador) levarão às costas de jumentinhos as suas fazendas, e sobre as corcovas de camelos os seus tesouros, a um povo que de nada lhes aproveitará” (Is.30:6).

O leão é comparado ao dragão. “Filho do homem, levanta uma lamentação sobre Faraó, rei do Egito, e dize-lhe: Semelhante eras a um filho de leão entre as nações, e tu foste como um dragão nos mares…” (Ez.32:2).

Nabucodonosor era leão; Faraó era leão e dragão; leão, dragão e serpente são figuras e variação do diabo. “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente chamada Diabo e Satanás, que engana a todo mundo” (Ap.12:9).

Leão é símbolo de perversidade. “A minha alma está entre leões, e eu estou entre os filhos dos homens, cujos dentes são lanças e frechas, e cuja língua é espada afiada” (Sl.57:4).

O leão bebe o sangue dos mortos. “Eis que o povo se levantará como leva, e se exaltará como leão; não se deitará até que coma a presa, e beba o sangue dos mortos” (Nm. 23:24). “Abriram contra mim as suas bocas, como um leão que despedaça, e que ruge” (Sl. 22:13). “Salva-me da boca do leão” (Sl.22:21). O leão é astuto. “Arma ciladas em esconderijos, como o leão no seu covil; arma ciladas para roubar o pobre; rouba-o colhendo-o na sua rede”( Sl.10:9).

No Novo Testamento, o Leão é o próprio diabo. “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pd 5:8).

Sendo o diabo o destruidor, o devorador, e figura do diabo, é de estranhar que seja instrumento nas mão de Jeová. Vejamos: O rei Jeroboão fez dois altares com dois bezerros de ouro. Um altar estava em Betel. Quando Jeroboão queimava incenso sobre o altar de Betel, Jeová mandou um profeta predizer contra o altar. Depois, Jeroboão convidou-o a ir a sua casa. O profeta não aceitou em obediência a Jeová, que lhe dissera: “Não comerás e nem beberás água neste lugar, e não voltarás  pelo mesmo caminho.”

O profeta se foi, e um outro profeta mais velho foi ao seu encontro, e convenceu-o a entrar em sua casa e comer, afirmando que recebera mandado de Jeová para convida-lo. O profeta novo creu e aceitou, e ao sair da casa do profeta velho, Jeová mandou um leão, que o matou (1 Rs.12:26-33; 13:1-26). Temos outro caso: Jeová queria repreender o rei Acabe por ter feito aliança com Bene Hadaide, rei dos Siros. Então usou um estratagema, usando um profeta para compor um enigma. O profeta disse a seu companheiro, pela palavra de Jeová: “Então um dos homens dos filhos dos profetas disse ao seu companheiro, pela palavra de Jeová: Ora fere-me. E o homem recusou feri-lo. E ele lhe disse: Porque não obedeceste à voz de Jeová, eis que, em te apartando de mim, um leão te ferirá. E, como dele se apartou um leão o encontrou e o feriu” (1 Rs.20:35-36). Temos um terceiro caso: Depois que Jeová entregou o povo de Israel para serem cativos dos assírios, seu rei trouxe gente de Babel, e de Cuta, e de Ava, e de Hamate e Sefarvaim, e os fez habitar nas cidades de Samaria, em lugar dos filhos de Israel. Esses povos,  habitando em Israel, não temeram a Jeová, pois não o conheciam. Então Jeová mandou leões que mataram alguns deles (2 Rs.17:23-25).

Jeová usou leões para matar os moabitas que escaparam da destruição de Moabe (Is.15:9). A impressão que o leitor da Bíblia tem, é que o leão é o animal de estimação de Jeová, e instrumento predileto de suas matanças inexplicáveis. Se tomar-mos por base a declaração de Pedro, que o leão é o diabo, este mata e destroi sob comando de Jeová. Foi Jeová que deu a ordem para Satanás ferir Jó e sua casa. Mas o que é de estarrecer, é que Jeová se declara leão devorador. Leiamos o texto: “Serei; pois, para eles como leão; como leopardo espiarei no caminho, como urso que tem perdido seus filhos, os encontrarei; e lhes romperei as teias do seu coração; E ALI OS DEVORAREI COMO LEÃO; as feras do campo os despedaçarão” (Os.13:7-8). Jeremias declara: “Tornou-se Jeová como inimigo; devorou Israel, devorou todos os seus palácios, destruiu as suas fortalezas…” (Lm.2:5). “Bramiu o leão, quem não temerá? Falou Jeová, quem não profetizará? (Am.3:8).

Para escapar do leão só há um caminho. Pertencer ao cordeiro. Já viram maior maravilha? Que um cordeiro livre da boca do leão? (2 Tm.4:17).

 

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

(035) – A CIRCUNCISÃO

Circuncisão é o ato de cortar a membrana externa do órgão genital masculino. O rito era executado com uma faca feita de pedra (Js.5:2-3). Esse pacto de Jeová foi estabelecido inicialmente com Abraão. “Este é o meu concerto, que guardareis entre mim e vós, e a tua semente depois de ti: Que todo macho será circuncidado” (Gn.17:10). A circuncisão era feita ao oitavo dia do nascimento do menino (At.7:8).

O valor que Jeová deu a circuncisão era tanto, que os meninos não circuncidados eram condenados a morte sem piedade. “E o macho com prepúcio, cuja carne do prepúcio não estiver circuncidada, aquela alma será extirpada dos seus povos; quebrantou o meu concerto” (Gn.17:14). A  circuncisão era um concerto eterno (Gn.17:8).

Quatrocentos anos depois do pacto feito com Abraão,  Moisés,  já com  80 anos, apascentava  o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Midian, no sopé do monte de Jeová em Horebe. O anjo de Jeová aparece a Moisés em uma  chama de fogo do meio de uma sarça e convoca para a grande tarefa de libertar o povo de Israel, que estava cativo no Egito. Moisés, então, volta ao Egito, e no caminho Jeová quis matá-lo. O texto é confuso:  “E aconteceu no caminho, numa estalagem, que Jeová o encontrou e o quis matar. Então Zípora tomou uma pedra aguda , e circuncidou o prepúcio de seu filho, e o lançou aos seus pés, e disse: Certamente me és um esposo sanguinário” (Ex.4:24-25). Quem lê o texto não sabe se era o menino ou Moisés que Jeová queria matar. De acordo com o pacto com Abraão em Gn.17:14, parece que era o filho de Moisés e Zípora que Jeová queria matar.

Vamos esclarecer pela escritura o significado da circuncisão. Os circuncidados eram uma casta de eleitos, e eram os únicos dignos de receber de Deus a revelação da Palavra (Rm.3:1-2). Paulo declara que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais (Rm.15:8). Os incircuncisos eram imundos e indignos de entrar em Jerusalém, logo a circuncisão santificava os imundos (Is.52:1). O incircunciso é o que tem coração endurecido e ouvidos fechados para ouvir a palavra de Deus e resiste ao Espírito Santo (At.7:51; Jr.6:10). O incircunciso tem boca pesada para falar. Moisés não queria aceitar a incumbência de Jeová; e se confessava incircunciso de lábios (Ex.6:12,30). O incircunciso de olhos é o malicioso no olhar, ou maligno no olhar. Jó declara que circuncidou os olhos para não cobiçar uma mulher (Jó 31:1). Nas traduções lemos:  “Fiz concerto com os meus olhos”, mas no hebraico está escrito, Brit-Hadashá (circuncidar). Os incircuncisos no órgão genital são os lascivos, voluptuosos, lúbricos, insaciáveis (Cl.2:13).

O problema da circuncisão de Jeová é que era só exterior. Saul, o ungido de Jeová, era circuncidado, mas era rebelde e afrontoso (1 Sm.15:23-24).

Acabe era circuncidado e era perverso (1 Rs.16:30). Davi, o eleito e ungido de Jeová, foi adúltero e homicida (2 Sm.11:2-18). Salomão, filho de Davi e predestinado por Jeová para ser o maior de todos os tempos e o construtor do templo onde habitaria a glória de Jeová, era circuncidado, como seu pai Davi o foi, mas era lúbrico, lascivo e insaciável no sexo, pois teve mil mulheres. Além disso foi o maior  idólatra de todos os tempos, edificando templos a todos os ídolos dos moabitas, amonitas e cananeus (1 Rs.11:1-9). E isso tudo com a grande sabedoria dada por Jeová (1 Rs.3:12).

O apóstolo Paulo, diante dessas realidades contraditórias, declara que aquela circuncisão, tão importante para Jeová, não tinha valor algum. “A CIRCUNCISÃO É NADA E A INCIRCUNCISÃO NADA É” (1 Co.7:19). Aqui Paulo compara a circuncisão com a incircuncisão. Estaria Paulo blasfemando? Olhando para o comportamento dos grandes homens do Velho  Testamento, que eram circuncidados por fora e não por dentro, isto é, na carne e não no espírito, Paulo conclui que aquela circuncisão era nada, e acrescenta: “Porque em  Jesus Cristo, nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma” (Gl.5:6). Com isto Paulo insinua que a circuncisão de Jeová, que não operava retidão de coração, não tinha virtude alguma. E se não tinha virtude, por que Jeová matava a criança que não era circundada? Matava por capricho? Por que Jeová dava tamanha importância ao que para Cristo  não tem valor? O grande apóstolo dos gentios dá o seu testemunho pessoal: “Circuncidado ao oitavo dia da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus, fariseu, segundo a lei” (Fl.3:5). E em seguida declara que ao conhecer a Cristo lançou fora todo aquele patrimônio tribal e religioso, e considerou tudo como esterco (Fl.3:8)O grande pacto da circuncisão, feito por Jeová com Abraão e descendentes, considerado por Paulo como esterco? Se Paulo estivesse no Velho Testamento seria fulminado por Jeová, ou apedrejado (Lv.24:10-16). Paulo, porém, estava coberto pelo sangue de Cristo.

Jeová era o Deus dos circuncidados, e os circuncidados, no Novo Testamento eram uma casta maligna. Diz Paulo: “Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão” (Fl.3:2). “Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão” (Tt.1:10). Para  Paulo, quem circuncidasse deixaria de pertencer a Cristo (Gl.5:2). A respeito de Deus Pai de Jesus, Paulo revela: “É porventura Deus somente dos Judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios certamente. Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão” (Rm.3:29-30). Mas Jeová era Deus só dos judeus e da circuncisão (Gn.17:13). 

 

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

(034) – A CABEÇA

Em sentido metafórico, cabeça é o que comanda. Jesus é cabeça da Igreja porque a Igreja lhe obedece e é submissa. Se uma mulher manda no marido, ela é cabeça. O matriarcado é a mulher como cabeça dos homens. O patriarcado é o homem como cabeça. Analisemos o assunto dentro da Bíblia, isto é, a história dos personagens bíblicos. Há um texto profético que deixa clara a ideia de que a mulher, no princípio, era cabeça. “Portanto deixará o varão a seu pai e a sua mãe, e apegar-se-há a sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn.2:24). Hoje, nos matrimônios, a mulher deixa o pai e a mãe e se une ao marido, mas o texto bíblico fala exatamente o contrário.Eva, por exemplo, foi cabeça de Adão, pois dialogou com a serpente e comeu o fruto proibido sem dar satisfações a Adão. E diz o texto que Eva comeu, e deu a seu marido e ele comeu com ela, isto é, Eva é que decidiu tudo (Gn.3:1-6).

Sarai também foi cabeça de Abraão, pois sendo estéril, decidiu ter filhos através de Agar, sua escrava. Abraão aceitou o comando de Sarai (Gn.16:2-4). Depois Sarai implicou com Agar e exigiu despedir Agar, o que Abraão prontamente atendeu (Gn.16:4-6). Agar saiu sem rumo, e o Anjo de Jeová a aconselhou a voltar se humilhando. Passados 14 anos, quando nasceu Isaque, Sara exigiu novamente que Agar fosse expulsa, e desta vez, Abraão, não tendo coragem para enfrentar Sara, consultou a Jeová, que respondeu dizendo: “Ouça a voz da tua mulher”, isto é, Jeová concordou em que Sara decidisse sobre o assunto. Abraão se submeteu quieto ao comando de Sara (Gn.21:9-12).

Isaque, filho de Abraão, casou com Rebeca, filha de Betuel, sobrinho de Abraão (Gn.24:15). E, incrivelmente, Rebeca foi a cabeça de Isaque, pois foi ela quem determinou a eleição de Jacó em lugar de Esaú, o primogênito (Gn.27:6-29).

Judá tinha três filhos: Er, Onã e Selá. Então tomou esposa para Er, seu primogênito, que foi morto por Jeová sem deixar filhos. Onã, o cunhado, casou com a viúva, para gerar filhos para o irmão morto, de acordo com a vontade de Jeová. Onã não quis gerar esse filho e Jeová o matou. Judá então com medo de perder o último filho, não o deu por marido a Tamar. Ela cobrava, mas Judá se negava. Então Tamar assumiu o comando do assunto, vestindo-se de meretriz e colocando-se no caminho quando Judá passava. Este entrou a ela, que concebeu. Quando Judá soube que Tamar estava grávida, quis queimá-la viva, mas ela exibiu o selo, o lenço, e o cajado que tinha tomado de Judá como pagamento. Judá baixou a cabeça reconhecendo que não era cabeça, e sim Tamar (Gn. 38:2- 26).

Dalila foi cabeça de Sansão, o carnal, pois lhe raspou a cabeça, tirando-lhe a força sobrenatural, a honra, a dignidade e a missão (Jz. 16:15-24). O fantástico da história, é que não há Sansão sem Dalila como cabeça, pois grandes líderes cristãos têm ficado cegos e em cadeias por uma mulher.

O grande rei Davi não foi cabeça. Uma mulher bonita se descobriu diante do terraço da casa real, e isso foi suficiente para a queda do Sansão espiritual de Israel. Esta mulher esperta obrigou Davi a fazer de seu filho o rei de Israel. Quando Davi, velho e no leito de morte, concordou em que Adonias, seu primogênito, começasse a reinar, Bat-Seba correu ao seu encontro a cobrar o juramento feito. Davi, inteiramente submetido a Bat-Seba, colocou Salomão como rei, contra a lei de Jeová, que determinava que o primogênito era o herdeiro de tudo (I Rs. 1:1-31; Dt. 21:15-17). Salomão declara que quem lhe deu a coroa de rei foi sua mãe e não seu pai, o que prova que Bat-Seba foi cabeça de Davi (Cant. 3:11).

Seguindo o exemplo de seu pai, Salomão, o mais sábio dos homens, teve mil mulheres, ou melhor, mil cabeças, pois suas mulheres o fizeram pecar vergonhosamente (Ne.13:26; 1 Rs.11:1-9). Vemos por estes exemplos que o destino de povos e de homens estava nas mãos das mulheres cabeças.

No Novo Testamento Jesus mudou tudo. “Vós mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos como ao Senhor, porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da Igreja; sendo ele próprio o Salvador do corpo” (Ef.5:22-23). Agora o destino da mulher está nas mãos do marido, e não mais o destino do marido nas mãos da mulher. Lá no Velho Testamento, o homem se unia à mulher passando a ser a carne da mulher (Gn.2:24). Agora a mulher passa a ser a carne do marido. “Assim devem os maridos amar suas mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo, porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à Igreja, porque somos membros do seu corpo. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério” (Ef.5:28-32).

O grande mistério refere-se a cabeça. Paulo pregou muito sobre isso. “Mas quero que saibais, que Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo” (1 Co.11:3).

Na carne a mulher sempre será cabeça com seus encantos e suas seduções. No Espírito, o homem é cabeça, mas para ser Espírito tem de crucificar a carne (Gl.5:24). Mas a carne (fêmea) peleja contra o Espírito (varão) para que não façais o que quereis (Gl.5:16-17). Paulo, porem, diz: “Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm.8:1).

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

(033) – A MORAL CRISTÃ

Os fariseus religiosos, sabendo que pela lei de Jeová era permitido o divórcio, tentaram Jesus com a seguinte pergunta: “É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” Jesus respondeu que Deus criou um homem para uma mulher, e que no matrimônio formam um corpo só. Os fariseus então disseram ironicamente: Então por que mandou Moisés dar-lhe carta de divorcio? Jesus novamente responde com autoridade divina: “Eu porem vos digo, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, cometa adultério; e o que casar com a repudiada comete adultério” (Mt.19:3-9). Cabem aqui três considerações:

1– Jesus se coloca contra o divórcio e contra a lei, excetuando-se o caso de prostituição.

2– O divórcio, sendo legal pela lei de Jeová, era ilegal para Jesus (Dt.24:1-4).

3– Estando legalmente separados pela lei, permaneciam unidos aos olhos de Deus, configurando o adultério, tanto do marido como da mulher.

A moral matrimonial do Novo Testamento difere muito da moral do Velho Testamento. Só podia ser pastor ou bispo quem tivesse tido uma só esposa, além de revelar no caráter elevado grau de virtude (1 Tm.3:1-5). Com os diáconos era o mesmo (1 Tm.3:12-13). A prostituição do corpo não era tolerada na Igreja. Paulo afirmou que o homem que se deita com a meretriz, se torna meretriz com ela (1 Co.6:15-16).

O nosso corpo foi comprado na cruz e passa a ser templo do Espirito Santo (1 Co.6:18-20). As viúvas se consagravam a Jesus e às obras de caridade da Igreja, servindo primeiramente os seus familiares, e depois a Igreja. As viúvas que não seguissem esta doutrina, eram consideradas mundanas e carnais. Paulo diz: “Não admitas as viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristo, querem casar-se; tendo já a sua condenação por haverem aniquilado a primeira fé” (1 Tm.5:4-12). Sobre a compostura dos trajes (1 Tm.2:9; 1 Pd.3:3-5).

Havia pecados graves na Igreja, tais como adultério, prostituição, incesto, etc. Um incestuoso da Igreja de Corinto, foi entregue a satanás para destruição da carne, e por que? A Igreja e o Espírito Santo não têm jurisdição sobre certas baixezas, que só o Diabo deve julgar, pois o tal deveria ser do diabo (1 Jo.3:8). A Igreja julga causas de nível mais alto (1 Co.6:2-3).

Jeová agia em coisas que a Igreja se abstem. O próprio Jeová havia proibido a um israelita casar com um cananeu (Dt.7:1-4; Ex.34:10-16). E Sansão casou com uma filha de filisteu incircunciso, apesar das proibições do seu pai; porem seu pai não sabia que Sansão era guiado por Jeová e pelo Espírito de Jeová (Jz 14:1-4; 13:25). O fato é que impelido pelo Espírito de Jeová, Sansão se uniu a uma prostituta, e mais tarde foi amante de Dalila que o destruiu. Tudo conforme os planos de Jeová  (Jz.16:1;  16:4).

Jeová aborreceu a Saul e o abandonou de tal maneira, que uma feiticeira de Endor profetizou a sua morte, e de seus filhos no mesmo dia (1 Sm.28:19; 30:1-4). E a feiticeira falou da parte de Jeová. Então Davi começou a reinar e Jeová entregou a Davi as mulheres de Saul (2 Sm.12:7-8). Muito estranho. Parece que Jeová completou sua vingança nas pobres mulheres de Saul.

O que é de estarrecer, é que mais tarde Jeová fez pior com Davi, pois entregou as mulheres estando Davi vivo. E Davi era seu servo amado e escolhido. Foi assim: Davi cometeu um adultério. Em represaria Jeová declara que vai entregar as mulheres de Davi a outro homem (2 Sm.12:10-11).

E nas mãos de quem Jeová entregou dez mulheres de Davi? Na mão de seu filho Absalão, pois foi estendida uma tenda no terraço do palácio real, e Absalão abusou das mulheres de seu pai em público (2 Sm.16:22-23). É fantástico! Aquilo que no Novo Testamento é tão grave, o pecado do incesto, coisa tão baixa que a Igreja de Corinto entregou a Satanás para castigar, é produzido por Jeová? Houve outro incesto produzido por Jeová: O de Amnom e Tamar, dois irmãos e filhos de Davi (2 Sm.13:1-19). Alguém poderá objetar dizendo: Não foi Jeová o autor. Eu respondo citando as palavras de Jeová a Davi: “Assim diz Jeová: Eis que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei ao teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol, porque tu fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel” (2 Sm.12:11-12).

Isto não é castigo, mas vingança, pois Davi foi perdoado e as mulheres e filhos foram corrompidos por Jeová. Os inocentes sofrendo pelo pecador perdoado. Desde guando um adultério se castiga com onze incestos? E também o homicídio cometido por Absalão contra Amnom, seu irmão foi arquitetado por Jeová (2 Sm.13:28).

Ora, se as mulheres de Saul foram entregues a Davi por Jeová, Davi achou normal tomar a mulher de Urias também. O padrão moral das obras de Jeová era muito baixo. Pela lei de Jeová, uma mulher divorciada do primeiro marido, ao se juntar ao segundo, ficava contaminada (Dt.24:1-4). Quando Jeová entregou as mulheres de Saul a Davi, estas ficaram contaminadas. Mais tarde Jeová toma estas mesmas mulheres contaminadas e as entrega a Absalão para coito público? Definitivamente não há padrão moral no Velho Testamento, nem mesmo nas obras de Jeová.

A Igreja de Jesus Cristo foi estabelecida em novas leis, novos padrões morais, por isso, Novo Testamento, e também novas criaturas (2 Co.5:17). Tudo novo. E Jesus disse: “Ninguém deita remendo de pano novo em vestido velho, porque semelhante remendo rompe o vestido, e faz-se maior a rotura. Nem se deita vinho novo em odres velhos; alias, rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam” (Mt.9:16-17).

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira