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(176) – A ONISCIÊNCIA

A ONISCIÊNCIA

 

O que é onisciência? Esta palavra se deriva de duas palavras latinas, “OMNES” que significa “tudo”, e “SCIENTIA”, que significa “conhecimento”, isto é, Deus tem todo o conhecimento. Deus conhece tudo. E porque conhece tudo, Deus produz os melhores resultados possíveis através dos melhores meios possíveis. Estas definições não se concretizam na história de Israel, pelos meios usados por Jeová. O seu método para aperfeiçoar seu povo foram as pestes, pragas, matanças, fome e sede, cativeiros, e os dois reinos se corromperem totalmente. O reino do norte desapareceu com o cativeiro assírio há dois mil e setecentos anos, e o reino do sul, isto é, Judá, desapareceu com o cativeiro babilônico há dois mil e seiscentos anos aproximadamente. No livro de Judas, verso cinco, lemos que Jeová salvou seu povo Israel da terra do Egito, mas depois destruiu os que não creram. Os que não creram foram todos, com exceção de dois, Josué e Caleb. Se eram incrédulos porque os salvou? A impressão que temos é que Jeová não sabia que eles eram incrédulos.

Jeová contempla tudo o que se passa na terra. “Os olhos de Jeová estão em todo o lugar, contemplando os maus e os bons” (Pv. 15:3). Ele viu Caim matar Abel e o repreendeu (Gn. 4: 8-10). E Jeová lhe disse:“A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a Terra” (Gn. 4:10).  Quando Jesabel mandou matar Nabote para lhe roubar a vinha e dar ao marido, Jeová falou a Elias: “Vai encontrar-te com Acabe, diz-lhe: Porventura não mataste e tomaste a herança? No lugar onde os cães  lamberam o sangue de Nabote, os cães lamberão e teu sangue” (I Rs. 21:18-19). Vamos ler um trecho da lei de Jeová: “Quando, na terra que te der Jeová teu deus para possuí-la se achar algum morto, caído no campo, sem que se saiba quem o matou” (Dt. 21:1). Na continuação do texto, Jeová ordena que seja sacrificada uma bezerra em um vale áspero. Degolada a Bezerra, os anciãos daquela cidade, na presença dos sacerdotes, lavarão as mãos sobre a cabeça da bezerra degolada, dizendo: “Nossas mãos não derramaram este sangue, e nossos olhos não viram o crime.” O sangue da bezerra fez expiação, e o assunto foi encerrado (Dt. 21:1-9). Jeová sabia ou não sabia quem era o assassino. Se sabia encobriu o crime fazendo-se cúmplice. Ou será que não sabia? Há trechos na Bíblia que deixam claro que Jeová não conhece tudo, logo não vê tudo. Mencionemos alguns.

Jeová apareceu a Abraão, e fez referência à corrupção de Sodoma e Gomorra. E disse-lhe: “Descerei agora e verei se com efeito tem praticado segundo este clamor, que é vindo até mim; e se não, sabê-lo-ei” (Gn.18:21). Jeová confessa de maneira insofismável que queria saber a verdade, e para tanto tinha de descer até  o local. Neste trecho não se trata de onisciência, mas de fiscalização. Jeová não vê tudo, logo não é onipresente, ainda que afirme ser. “Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? Diz Jeová. Porventura não encho eu o céu e a terra? (Jr. 23:24). Vejamos outro caso. O rei Ezequias foi curado de mortal enfermidade. O filho de Baladã, rei da Babilônia, sabendo da doença de Ezequias, e também da milagrosa cura, enviou presentes ao rei de Judá. Ezequias, sensibilizado, abriu as portas aos mensageiros, e lhes mostrou a casa do tesouro, a prata, o ouro, as especiarias, os melhores ungüentos.  Nada deixou sem mostrar (II Rs. 20:12-15). Jeová, o deus das vinganças, reprovou essa atitude do rei Ezequias, e lhe disse: “Todos os teus tesouros serão levados para Babilônia, e até a teus filhos, tomarão para serem eunucos no paço da Babilônia” (II Rs. 20:16-18). E Jeová, desconfiando das intenções de Ezequias, o desamparou, para tentá-lo, e para saber tudo o que  havia no seu coração (II Cr. 32:31). Fica assim bem provado que Jeová não é onisciente, pois não conhecia o coração de Ezequias. Só iria saber o pensamento de Ezequias  pelas obras da revolta.

Temos um outro caso mais grave. É o caso do povo de Israel. Este povo estava cativo no Egito e sob jugo de ferro. Jeová enviou Moisés a Faraó com a seguinte mensagem. “Assim diz Jeová: Israel é meu filho, meu primogênito” (Ex. 4:22). Com grandes e poderosas pragas tirou o seu filho primogênito do Egito, para levá-lo a uma terra de liberdade e fartura, de ribeiros d’água, de trigo e cevada, e de vides, e figueiras, e romeiras; terra  de oliveiras onde abundam azeite e mel (Dt. 8:7-10). Mas Jeová não conhecia o coração do seu filho primogênito, pois não é onisciente, e oprimiu o povo para saber o que não sabia. O texto diz assim: “E te lembrarás de todo o teu caminho, pelo qual Jeová teu deus, te guiou no decerto estes quarenta anos, para te humilhar, e te tentar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os mandamentos ou não” (Dt. 8:2). Tirou do Egito um povo que amava o Egito, mas ignorando esse amor, os chamou de filho primogênito. Para libertá-los matou os primogênitos do Egito, inclusive o primogênito de Faraó (Ex. 12:29-30). E depois matou no deserto o seu próprio filho primogênito (Ex. 4:22; Nm. 14:28-29; Jd. 5). Quando dizemos que matou seu filho primogênito, nos referimos ao povo que saiu do Egito, um milhão de pessoas, ou mais. Somente dois se salvaram (Nm. 14:30).

Jeová não conhece o que o homem tem no seu coração, pois não é onisciente. Um caso escabroso foi o do rei Salomão, filho de Davi. Este rei propôs em seu coração edificar uma casa para Jeová, mas este deus não permitiu, alegando que Davi tinha derramado muito sangue (I Cr. 22:7-8). Jeová falou a Davi, dizendo: “Eis que o filho que de ti nascer será homem de repouso; porque repouso lhe hei de dar de todos os seus inimigos em redor. Portanto Salomão será o seu nome, e ele me será por filho, e eu a ele por pai; e confirmarei o trono do seu reino para sempre (I Cr. 22:9-10). Paz, nem Salomão, nem Israel tiveram, do modo que Jeová falou que teriam, sem conhecer o futuro, pois não é onisciente  nem onipresente (I Rs. 11:23-25). Foi Jeová que deu o nome a Salomão, e o amou desde o ventre (II Sm. 12:24; I Cr. 22:9). E, tendo certeza de que Salomão seria o maior rei, lhe deu sua sabedoria divina (I Rs. 3:12). E prometeu confirmar o reino nas mãos de Salomão eternamente (I Cr. 22:10). Mas saiu tudo ao contrário. Salomão usou a sabedoria de Jeová para saquear o povo (I Rs. 12:4, 11). Salomão, sensual e voluptuoso, se uniu a todas as mulheres. Foram ao todo mil, moabitas, amonitas, edonitas, sidônitas e heteias; além da filha de Faraó. Todas eram mulheres proibidas por Jeová (I Rs. 11:1-3). E Salomão foi corrompido pelas mulheres, e Salomão apostatou da fé (I Rs. 11:4-8). E, em vez de confirmar o reino nas mãos de Salomão, Jeová, como castigo, dividiu-o em dois, acabando assim o reino de Israel (I Rs. 11:12).

Jesus Cristo é diferente de Jeová, pois conhece o coração dos homens (Jo. 2:23-25). Jesus conhece os pensamentos dos homens (Mt. 9:4; Lc. 5:22; Lc. 6:8; Lc. 9:47).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(175) – A IMAGEM DE DEUS – V

A IMAGEM DE DEUS – V

 

“E  disse deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou deus o homem à sua imagem; à imagem de deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn. 1:26-27). Este é o homem criado por Elohim. Este homem tinha duas naturezas: ANIMAL E INTELECTUAL.

A pergunta que se faz é a seguinte: O homem criado em Gn. 1:26-27 é de natureza celeste ou terrestre? Se é de natureza celeste é imagem e semelhança de Deus, mas se é de natureza terrestre não pode ser imagem e semelhança de Deus, pois o homem, para ser imagem e semelhança de Deus tem  de  ter características celestiais, ainda que em miniatura. Só Jesus Cristo teve as duas naturezas na encarnação. Se o homem tivesse as duas, seria igual a Jesus, mas não é.

Os animais criados em Gn. 1:20-21, lemos que são alma vivente, que no hebraico é NEFESH HAIÁ. O homem de Gn. 2:7 é também NEFESH HAIÁ. Esta é a natureza animal do homem. Mas em Gn. 2:7, o homem recebeu também NISHMAT HAIM, que o diferencia dos animais, e é traduzido por  “soprar mais vida”. Na Bíblia lemos FÔLEGO DA VIDA”. No livro de Jó lemos que esse fôlego da vida, ou soprar mais vida, está ligado à inteligência do homem; a parte racional. “Na verdade há um espírito no homem, e a inspiração do todo poderoso (El  Shaday) os faz entendidos.” O  Nishmat haim do  homem é sua parte racional, que o diferencia dos animais e Jó nos diz: “Quem não entende por todas estas coisas que a mão de Jeová fez isto? Que está na sua mão  a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda a carne humana?” (Jó 12:9-10). Ora, o espírito da carne é a inteligência do homem, e todos tem inteligência. O homem natural não tem o Espírito Santo, por isso Paulo declara: “Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus”(I Co. 2:11-12).

E Jó continua dizendo: “Eu, ouvi a repreensão que me envergonha, mas o espírito do meu entendimento responderá por mim” (Jó 20:3). Os homens são guiados pela própria inteligência e entendimento, que estão no cérebro, isto é, fazem parte da natureza animal do homem. Os animais são irracionais, e o homem é racional porque pensa e aprende. A própria Bíblia afirma que ao morrer o homem, com ele perece os pensamentos. “Sai-lhes o espírito, e eles tornam-se em sua terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos” (Sl. 146:4).

Se a parte espiritual do homem natural é a parte intelectual, e a parte intelectual perece, pois está ligada a parte física, não há nada de celestial no homem natural, e assim não pode ser imagem e semelhança de Deus. O homem natural mata quando quer e não mata quando não quer. Rouba quando quer e não rouba quando não quer. Quando decide fazer o mal, o faz pela razão, e isso é o livre arbítrio. Não peca quando interessa não pecar, mas havendo interesse peca. Esse comportamento é próprio dos homens em geral. A prova disso é que os cristãos afirmam estar sujeitos ao pecado, afirmando que não há quem não peque  (Ec. 7:20). Paulo chama este tipo de homem por Velho Homem. O Velho Homem é o descendente de Adão e Eva. Todos são animais intelectuais segundo a Bíblia. Os antigos cristãos, chamados pais da Igreja, que viveram nos primeiros três séculos, afirmavam que o homem era hílico e psíquico. O hílico é o carnal e animal, e o psíquico é o racional, que consegue limitar os excessos quando convém.

O novo homem só vem a luz através de Cristo. “Assim, se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo” (II Co. 5:17). Se algum cristão deixa-se guiar pelo próprio entendimento, isto é, decide o que é pecado e o que não é, decide o que é certo e o que é errado, esse cristão é igualzinho ao velho homem vindo do primeiro Adão e nada tem de celestial.

Paulo afirma que o velho homem tem de ser crucificado com Cristo para desfazer o corpo de pecado(Rm. 6:6). O novo homem está espiritualmente assentado nos lugares celestiais em Jesus Cristo (Ef. 2:5-6). Como entender o novo homem assentado nos lugares celestiais? É o cristão, cujos interesses são os mesmos de Jesus Cristo, isto é, não perder tempo correndo atrás das coisas deste mundo, pois isso é o que fizeram sempre os homens velhos. O novo homem corre atrás dos tesouros celestiais (Mt. 6:19-24).

Quando esse novo homem não peca quando não convém, como faz o velho homem, é igual ao velho homem. O novo homem está acima do pecado como o sol está acima da terra, por isso Jesus o chama de luz do mundo (Mt. 5:14-16). Há cristãos que não pecam em público, mas pecam em particular. O novo homem não permite que o ladrão lhe roube a alma no oculto e às escondidas.

O novo homem recebe uma terceira natureza. É o homem espiritual por excelência. Esse homem espiritual não se mistura com a corrupção deste mundo porque já está ressuscitado espiritualmente.“Portanto, se já ressuscitaste com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à dextra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em Glória” (Cl. 3:1-4) . E continuando, Paulo diz: “Mas agora despojai-vos também de tudo; da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes. Não mintais uns aos outros,  pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl. 3:8-10).

Se para ser imagem e semelhança de  Deus Pai, o homem tem de ser criado por Jesus  Cristo , recebendo uma natureza semelhante a de Cristo (Gl. 2:20;  Ef. 4:13; Rm. 8:29) , o primeiro Adão era imagem e semelhança, mas não de Jesus nem do Pai. Convém lembrar que Adão e Eva tinham concupiscência antes de pecar , pois desejaram o fruto maligno (Gn. 3:1-6).Paulo encerra o assunto com a seguinte explicação: “Assim está também escrito :O primeiro homem, Adão foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o animal; depois o espiritual . O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o senhor, é do céu . Qual o terreno , tais são também os terrenos; e qual o celestial, tais também os celestiais. E assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem  do celestial” (I Co. 15:45-49).

Por esta explicação de Paulo , o primeiro homem criado era imagem das coisas terrenas , e assim não podia ser a imagem de Deus . A imagem de Deus surgiu em Cristo Jesus .

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

 

(174) – A IMAGEM DE DEUS – IV

  A IMAGEM DE DEUS – IV 

       “E disse deus: Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus; e sobre o gado, e sobre toda a terra. E criou deus o homem a sua imagem; a imagem de deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn. 1:26-27). Como a Bíblia é um livro alegórico e figurado, aceitar as coisas ao pé da letra é perigoso. Deus disse: “Abrirei a minha boca numa parábola; proporei enigmas da antigüidade” (Sl. 78:2). A palavra de Deus, isto é, a Bíblia, está oculta em mistério. Paulo disse: “Falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para a nossa glória” (I Co. 2:7). Paulo revela que Hagar é o monte Sinai e também a Jerusalém da terra, enquanto Sara é a Jerusalém do céu. Ismael simboliza os filhos da carne que são escravos, e Isaque simboliza os espirituais, isto é, nascidos do Espírito Santo, cuja carne foi mortificada. Tudo isto está em Gl. 4:21-31 e Rm. 8:13. Jesus nunca falou literalmente, mas só por parábolas. “Tudo isto disse Jesus por parábolas, e nada lhes falava sem parábolas” (Mt. 13:34).

É claro que a narrativa da criação de Gênesis, capítulo um, está envolvida em mistério, pois a terra não poderia ser criada no terceiro dia e o sol no quarto dia, pois a erva do terceiro dia só vinga com a luz do sol, e está escrito que a terra produziu erva no terceiro dia antes de haver sol (Gn. 1:11-17).

Assim sendo, a narrativa da criação do homem também não é literal. O homem não pode ter sido criado à imagem e semelhança de Deus, pois só Jesus Cristo é imagem de Deus, e neste caso o homem seria igual a Jesus (Hb. 1:3). O homem é carne e Jesus se fez carne por amor. Mas a teologia, tanto católica Romana como protestante, defendem com unhas e dentes que o capítulo dois de Gênesis, isto é, a história de Adão e Eva, são uma explicação mais extensa e detalhada sobre a criação do homem e da mulher. Supondo que essa é a verdade, e que o Adão dos capítulos dois e três é o primeiro homem criado por Deus, nos deparamos com o primeiro problema. Em Gn. 1:26-27 , Adão e Eva foram na mesma hora criados à imagem e semelhança de Deus. Essa imagem só pode ser espiritual e não física, pois Deus é Espírito (Jo. 4:24), e havendo falha espiritual o homem não é imagem de Deus. Adão caiu por ser espiritualmente defeituoso, logo não poderia ser imagem de Deus. Em Gn. 3:1-6 , Adão e Eva eram espiritualmente cegos, pois não discerniam entre o bem e o mal, e por isso foram seduzidos pela serpente, provando com isso não ser imagem de Deus. De mais a mais, os dons de Deus são sem arrependimento, e o homem não poderia perder a imagem e semelhança, mas perderam, logo esse dom não foi dado por Deus, isto é, o Pai de Jesus Cristo, mas por um outro mais parecido com o homem, isto é, capaz de odiar, perseguir, fazer o mal, guardar ira por séculos, fazer acepção de pessoas e vingar nos inocentes pecados dos pais, etc.

A serpente lhes disse: “No dia em que comerdes da árvore da ciência sereis como deus sabendo o bem e o mal.” Antes de comer não conheciam nem o bem nem o mal, e assim não eram imagem e semelhança de Deus. Pois eram irracionais e irresponsáveis como crianças. Depois que comeram o fruto maldito, os olhos do entendimento, que estavam fechados, se abriram, isto é, discerniram entre o bem e o mal, e coseram aventais para cobrir as vergonhas (Gn. 3:7). O próprio Jeová declarou, dizendo: “Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente, Jeová o lançou fora do jardim para lavrar a terra de que fora tomado” (Gn. 3:22-23).

O homem só ficou semelhante a Jeová deus depois que comeu do fruto proibido, pois o próprio Jeová declarou essa verdade. Quando Adão e Eva ficaram semelhantes a Jeová, se tornaram pecadores culpados e foram condenados. É fácil concluir que, se para ficarem semelhantes a deus, Adão e Eva comeram do fruto maligno, e ao comer se tornaram réus de juízo, o deus a quem eles ficaram semelhantes também é réu. Este fato pode ser comparado da seguinte forma: Se um servo, cometendo uma falta digna de punição, fica igual ao patrão, é óbvio que o patrão também cometeu faltas dignas de punição. E esse patrão, ao condenar o servo se fez mil vezes mais culpado.

Pela narrativa bíblica, ser como deus é comer da árvore da ciência, e comer da árvore da ciência é pecado mortal, e cometendo pecado mortal ficaram como deus, esse deus é rei de pecado mortal.

O Evangelho da graça, revelado por Paulo, consiste em deixarmos de ser semelhantes a Jeová pelo pecado consciente, para sermos semelhantes a Jesus Cristo, deixando de pecar, por isso João diz: “E bem sabeis que Jesus se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu” (I Jo. 3:5-6). E Paulo nos diz:“Quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito do vosso sentido; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef. 4:22-24). O velho homem a quem Paulo se refere é o velho Adão, cuja justiça e santidade não eram verdadeiras antes de pecar.

Também a verdadeira imagem de Deus só vem através de Cristo, logo aquela imagem não era a verdadeira. Paulo continua ensinando. “Mortificai os vossos membros, que estão sobre a terra; a prostituição, a impureza, o apetite desordenado, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vem a ira de Jeová sobre os filhos da desobediência; nas quais também em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas. Mas agora despojai-vos também de tudo; da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca. Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl. 3:5-10).

 Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(173) – A IMAGEM DE DEUS – III

A IMAGEM DE DEUS – III

 

No sexto dia foram criados o homem e a mulher. E disse deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou deus o homem à sua imagem; à imagem de deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn. 1:26-27).

            Pela lógica e pela razão, o homem não pode ser imagem e semelhança de deus.

1-      O homem é carne vinda do pó, e Deus é espírito. “E formou Jeová deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego de vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn. 2:7). “Então Jeová deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma de suas costelas e cerrou a carne em seu lugar” (Gn. 2:21).

2-      O homem é feito de matéria visível, e Deus é espírito invisível. “deus é Espírito, e importa que os que o adoram, o adorem em espírito e verdade” (Jo. 4:24). “Jesus é imagem do deus invisível” (Cl. 1:15). “Ora, ao rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus seja honra e glória para todo o sempre” (I Tm. 1:17).

3-      O homem é mortal e Deus é imortal. “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver; ao qual seja honra e poder sempiterno, Amém” (I Tm. 6:16). “Que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites? (Sl. 8:4). “Quem pois és tu, para que temas o homem, que é mortal, ou o filho do homem que se tornará em feno? (Is. 51:12).

4-      O homem é pecador e Deus é santo. “Na verdade, que não há justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque” (Ec. 7:20). “Mas como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (I Pd. 1:15). O apóstolo Paulo descarta a possibilidade do homem não pecar, dizendo: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço” (Rm. 7:18-20);

5-      Deus é absolutamente verdadeiro, mas os homens são mentirosos. Paulo declara: “Sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso” (Rm. 3:4).

6-      Deus é imutável e o homem é volúvel e mutável. “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg. 1:17). Paulo tinha um companheiro de missão, cujo nome era Demas, e dele diz o seguinte na carta aos colossenses:“Saúda-vos, o médico amado, e Demas” (Cl. 4:14). Na epístola a Filemon, lemos: Saúdam-te Epafras, meu companheiro de prisão em Cristo Jesus. Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus cooperadores” (Fm. 23-24).Mais tarde, escrevendo a Timóteo, Paulo confessa: “Porque Demas me desamparou, amando o presente século” (II Tm. 4:10). Entre os apóstolos temos diversos casos de mudanças. Judas traiu a Jesus, vendendo-os por trinta moedas. Tomé foi incrédulo na ressurreição (Jo. 20:24-25). Pedro negou vergonhosamente ser discípulo de Cristo (Mt. 26:69-75). E Pedro negou, depois de ter afirmado que nem a morte o faria negá-lo (Mt. 26:35). Se quisermos, poderemos citar dezenas e dezenas de homens que sendo de Deus, depois voltaram atrás.

7-      “Disse eu no meu coração: É por causa dos filhos dos homens, para que Deus possa prová-los e eles possam ver que são em si mesmos como os animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais; a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para um lugar; todos são pó, e todos ao pó tornarão. Quem adverte que o fôlego dos filhos dos homens sobe para cima, e que o fôlego dos animais desce para baixo da terra?” (Ec. 3:18-21). Se o homem animal é a imagem de Deus, os animais também são, pois o homem é igual aos animais.

Mas diz a Escritura que o homem foi criado à imagem e semelhança de deus (Gn. 1:26-27). Como isso é impossível, o homem só pode ser imagem de um deus parecido com ele.

1-      O homem foi criado um pouco menor do que os anjos, logo só poderia ser imagem de anjo, pois os anjos estão sujeitos ao pecado. “Porque se deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias de escuridão, ficando reservados para juízo” (II Pd. 2:4; Sl. 8:5).

2-      Se o homem foi vencido por Satã antes de pecar, nunca foi imagem (Gn. 3:1-6).

3-      Se para ser como deus precisava comer da árvore da ciência, não era imagem e semelhança (Gn.  3:22).

4-      Se ao ficar como deus, após comer o fruto proibido se tornou indigno de comer da árvore da vida, o deus do qual era imagem, não era perfeito (Gn. 3:22-24).

5-      Os dons de Deus, o Pai são sem arrependimento, isto é, o que Deus dá não tira, mesmo que o homem peque, pois o dom não é merecimento do homem mas de Cristo pela graça. Sendo assim, sendo o homem imagem e semelhança de Deus, não a perderia com a queda. O Novo Testamento, entretanto, revela que em Cristo o homem nascido de novo é criado à imagem e semelhança de Jesus Cristo. Isto está em Cl. 3:5-10. Quem era imagem e semelhança era o velho homem, e não é o velho que se torna novamente imagem. O novo é uma nova criação, e assim temos dois homens. O velho foi criado a imagem e semelhança de deus pela desobediência. O novo homem, criado em Cristo, é imagem sem a desobediência. Leiamos Paulo. “Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscência do engano, e vos renoveis no espírito do vosso sentido, e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef. 4:24). O velho homem foi para a cruz.

Havendo duas imagens, uma das duas não é verdadeira, pois a justiça e santidade do velho homem não era verdadeira antes do pecado.

Paulo explica também que o velho homem tem origem na terra, e o novo tem origem no céu.“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é o primeiro o espiritual, senão o animal; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrenos; e qual o celestial, tais são também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (I Co. 15:45-49).

            O primeiro foi criado a imagem de Jeová, que o criou (Is. 45:12). O segundo é criado à imagem de Jesus Cristo, se crê em Jesus, de fato. “Quem está em Cristo, nova criatura é” (II Co. 5:17). “Porque somo feitura sua, criados em Jesus Cristo para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef. 2:10; Rm. 8:29).

 

 Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(172) – A IMAGEM DE DEUS – II

A IMAGEM DE DEUS – II

 

Jeová deus feria os povos com pragas terríveis e destruidoras, que chamava de seus exércitos. Enviava nuvens de gafanhotos, os pulgões nas verduras, as lagartas, enfim, uma infinidade de pragas, que hoje, os defensivos agrícolas não conseguem exterminar (Jl. 2:26). Feria também com pestes  malignas que dizimavam populações inteiras. Jeová usava todos os recursos malignos de destruição contra seu próprio povo: “Males amontoarei sobre eles, as minhas setas esgotarei contra eles. Exaustos serão de fome, comidos de carbúnculo e de peste amarga; entre eles enviarei dentes de feras, com ardente peçonha de serpentes do pó” (Dt. 32:23-24). Era uma guerra desigual entre um deus todo poderoso contra homens falidos e indefesos que Jeová chamava de vermes (Jó 25:6). Jeová matava indiscriminadamente velhos, moços, virgens e mães com crianças de peito. Essa ordem foi dada a Saul por Jeová: “Vai, pois, agora, e fere Amaleque, e destrói totalmente a tudo o que tiver, e não lhes perdoes; porém matarás desde o homem até a mulher, desde os meninos até aos de mama, desde os bois até as ovelhas, desde os camelos até aos jumentos” (I Sm. 15:3). Essa mesma ordem foi dada a Moisés e a Josué (Nm. 16:27; Dt. 2:34; Dt. 3:6; Js. 6:21). Os inocentes eram mortos junto com os culpados e os justos com os injustos. “Dize a terra de Israel: Assim diz Jeová: Eis que eu sou contra ti, e tirarei a minha espada da bainha, e exterminarei do meio de ti o justo e o ímpio. E porque hei de exterminar do meio de ti o justo e o ímpio, a minha espada sairá da bainha contra toda a carne” (Ez. 21:3-4). Há um provérbio que diz: “Cesteiro que faz um cesto, faz um cento.” Que quer isso dizer? Um soldado sob as ordens de Jeová, ao entrar em Canaã, chegava numa casa. O pai na porta para proteger a família, é logo despedaçado e morto. O soldado entra e vê uma mãe agarrada aos filhinhos, tendo um no peito. O soldado em obediência ao seu deus, degola as crianças agarradas a mãe, e por último atravessa o ventre rasgando-lhe as carnes. Depois de três ou quatro casas, esse soldado perdeu de tal maneira a consciência e a piedade, que foi transformado num animal.

Nos nossos dias, um convertido ao cristianismo, ouvindo a mensagem do amor infinito e insondável de Deus Pai manifestado em Jesus Cristo, ao ler o Velho Testamento, fica chocado com aqueles crimes hediondos contra a vida humana, pergunta: Porque Deus era tão duro, cruel e insensível antes de Jesus, e agora é tão amoroso e misericordioso? A explicação é sempre a mesma. Os homens eram maus e duros como pedra. O neófito, isto é, novo convertido, prossegue perguntando. Como aconteceu isso? A resposta é: Foi na queda de Adão. A serpente enganou Eva e ela pecou comendo da árvore da ciência. Todos herdaram o pecado e ser tornaram maus e perversos. O neófito pergunta de novo. Hoje existem homens maus e perversos? Claro que existem, respondem os doutores. Por que depois de Cristo existe graça e perdão para os maus e perversos mediante a conversão, e antes de Cristo não existia? Deus ama os que nasceram depois de Cristo, e não amava os que existiram antes? Antes tratava com ira e furor, e depois passa a tratar com bondade e amor? E o neófito continua perguntando: Por que Deus, sendo tão sublime, reagia contra o mal com o mesmo mal? Não estaria Deus sendo duro e perverso matando crianças no colo das mães? O provérbio diz: “Duro com duro não dá bom muro.” Violência gera violência. A repressão é como água represada. Um dia estoura a barricada das proibições. A lei proíbe mas não educa. O professor da Bíblia continua dando explicações, dizendo: São mistérios de Deus. Paulo disse: “Ninguém saiba mais do que convém saber” (Rm. 12:3). Quando os homens se tornaram mais capazes e mais racionais Deus enviou seu Filho com a mensagem do amor (Jo. 3:16-17). O neófito pergunta: O senhor está declarando que aceita a teoria da evolução das espécies defendida por Jean Batiste Lamark? (1.744 a 1.829) No seu livro “ORIGEM DAS ESPÉCIES”,  publicado em 1.859, ele afirma que só os mais aptos sobrevivem; por uma seleção natural segue-se o aperfeiçoamento. As mutações genéticas surgem do uso e desuso e a transmissão de caracteres adquiridos. É a lei da adaptação. Se é assim, o homem não foi criado a imagem de Deus, mas essa imagem foi borrada pelo pecado de Adão e Eva, e na plenitude dos tempos Deus enviou o seu Filho para regenerar os homens, salvando-os. O neófito continua, dizendo: Só mais duas perguntas. As penitenciárias estão superlotadas de homens que são verdadeiros monstros. Estupradores de crianças, fratricidas, homicidas e parricidas, tarados, serial kilers, corruptores frios e insensíveis, sem nenhum sentimento humano. São verdadeiras bestas. Estes têm chance da salvação, mas os que viveram antes de Cristo não tiveram, inclusive muitos justos, como a história registra, e também a Bíblia? Resposta. “As coisas encobertas são para Jeová, nosso deus, porém as reveladas são para nós e para nossos filhos” (Dt. 29:29). Por último, o neófito pergunta: Não é verdade que os menos capazes e os menos dotados merecem maior cuidado e especial atenção? O Evangelista Lucas nos revela que Deus é benigno até para os ingratos e maus (Lc. 6:35). Sendo assim, porque Deus, que é o Pai das luzes, e doador dos dons perfeitos, tratava tão cruelmente aqueles pobres necessitados, que em vez de receber amor recebiam condenação? Não poderia acontecer que algum usurpador, tomando o lugar de Deus tratasse os pecadores tiranicamente, e Deus só permitiu isso para que os anjos com o seu chefe rebelde e satânico, materializassem o seu mal com obras, para poderem ser julgados pelos homens, como diz Paulo em I Co. 6:3 ?

Não poderia acontecer que Deus, o Pai, não se manifestou aos homens antes de Cristo para não ser confundido com o usurpador? Uma coisa Jesus falou quando lhe chamaram de bom Mestre. “Bom? Bom não sou eu, bom é o Pai.” E Jesus disse mais: Eu vim para revelar o Pai. “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o filho o quiser revelar” (Mt. 11:27). “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo. 14:9). “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo. 14:6).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(171) – A IMAGEM DE DEUS I (Gn. 1:26-27)

A IMAGEM DE DEUS I (Gn. 1:26-27)

 

Jeová destruiu toda a humanidade no dilúvio, homens, mulheres e crianças de peito também. Só escapou Noé e sua família. Uns trezentos anos depois, quatro cidades pecadoras foram destruídas a fogo por Jeová, fora as doenças e pragas que precederam a destruição, pois adiante dele vai a peste e não a misericórdia (Hb. 3:5).  As quatro cidades foram Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim. Todas destruídas com ira e furor, isto é, não havia amor pelas almas perdidas (Dt. 29:22-24). A ira e o furor de Jeová não são exclusivos dos povos bárbaros, mas são reservados também para o seu povo de Israel.

Tendo Jeová libertado o povo de Israel do cativeiro egípcio, se desgostou com o seu povo no caminho, embora Paulo tenha afirmado que o amor não se ofende, não busca os seus interesses, não se irrita, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, (I Co. 13:4-7) e cheio de ira e furor destruiu a todos no deserto ((Nm. 14:26-37). Ao condená-los à morte, Jeová falou: “Quarenta anos estive desgostoso com esta geração, e disse: É um povo que erra de coração, e não tem conhecimento dos meus caminhos. Por isso jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso” (Sl. 95:10-11). Morreram sem apelação mais de um milhão de pessoas. Os egípcios foram tratados por Jeová com enormes pragas e pestes.

Os que se convertem ao cristianismo, movidos pelo amor do Deus Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, e cheios do amor do Pai, derramado pelo Espírito Santo (Rm. 5:5; 15:30), ao lerem as atrocidades cometidas por Jeová contra velhos, mães, e crianças, perguntam: Por que Deus era tão cruel, e agora é tão bom? Por que antes de Jesus Cristo, Deus era cheio de ódio e furor, e agora é cheio de amor? Deus muda? No Novo Testamento lemos: “Toda a boa dádiva e todo o Dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg. 1:17). O deus do Velho Testamento deixa a gente aterrorizado e com medo.

Os crentes, orientados pelos teólogos, respondem: Deus não tinha outra maneira de agir com os homens, tal era a sua brutalidade assassina. O homem era tão animal e cruel, que só obedecia pela violência. Folheando as páginas do Velho Testamento, vamos encontrar uma resposta diferente. Segundo as Escrituras, o primeiro homem deste mundo foi Adão, e a primeira mulher chamada-se Eva. Este casal gerou dois filhos: Caim e Abel. Vejamos o que a Bíblia diz de Abel, que viveu há seis mil anos.“Esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio; que nos amemos uns aos outros. Não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E porque causa o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas” (I Jo. 3:11-12).

O apóstolo João revela que as obras de Abel eram justas, logo não eram obras de um bruto, mas de um ser equilibrado e bom. Na carta aos Hebreus lemos: “Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunhos de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala” (Hb. 11:4). Abel era um varão cheio de fé e humildade, coisas que os brutos não conhecem. Pela vida de Abel podemos concluir que desde o princípio deste mundo existem maus e bons, justos e injustos, bondosos e cruéis, mansos e violentos como Caim e Abel. O discurso dos teólogos não convence quem estuda a Bíblia. Eles querem acobertar atrocidades cometidas em público por aquele deus.

O justo sendo assassinado pelo injusto. A morte de Abel, não resistindo a inveja de Caim, forma um quadro tão sublime, que seu sangue derramado é figura do sangue de Cristo, isto é, ambos são cordeiros sem mácula. “E a Jesus, o Mediador de uma Nova Aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o sangue de Abel” (Hb. 12:24). Afirmar que os homens eram animais irracionais e brutos é cegueira do fanatismo religioso.

Temos outro exemplo antes do dilúvio, cujo nome é Enoque. Este varão andou com Deus trezentos anos. Se um bruto andar com Deus deixa de ser bruto para ser anjo, pois a companhia de Deus são os anjos.

O dilúvio ocorreu no ano 1656 depois de Adão, ou 2344 anos antes de Cristo. Pois no ano 522 depois de Adão, isto é, 1134 anos antes do dilúvio, nasceu Enoque. Na época de Enoque, o comportamento do gênero humano era assustador, mas não era tanto como hoje, pois não havia cinema pornô, nem vídeos pornô, nem alucinógenos, nem era oficializado o matrimônio entre dois gays ou duas lésbicas; também não havia tantos pedófilos e tarados; e esse foi o motivo do dilúvio universal, pois essas coisas eram reprovadas por Jeová. Nesse ambiente de trevas totais, Enoque anda com Deus trezentos anos (Gn. 5:22). Hoje, os cristãos andam com o mundo e não com Deus, logo Enoque põe no bolso qualquer cristão moderno. No livro aos hebreus lemos a respeito de Enoque: “Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus” (Hb. 11:5).

Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, deixou escrito o seguinte: “E destes, profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos, para fazer juízo contra todos e condenar entre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele” (Jd. 14-15). Enoque foi um grande profeta e anjo de Deus, como não se vê hoje. Um homem altamente espiritual e santo. Tanto a vida de Abel como a de Enoque clamam contra essa teoria insensata de que os homens eram brutos e animais, e só podiam ser tratados com violência. Hoje existe mais brutalidade do que no início, pois se os entendidos afirmam que o Evangelho da graça de Deus foi manifestado quando os homens atingiram um grau de amadurecimento racional e espiritual adequados a revelação do amor de Deus; a culpa e a condenação tem de ser maiores pois o mal praticado é mais consciente, a malícia é maior e a perversidade não tem limites.

Mas como Deus é amor, e enviou o seu Filho unigênito para salvar a todos, em meio a este caos de trevas morais e espirituais, em meio a guerras fratricidas, no meio de ódio, corrupção e apostasia, não destrói nem mata os pobres homens, mas pela boca de Paulo nos diz. “ONDE ABUNDOU O PECADO SUPER ABUNDOU A GRAÇA” (Rm. 5:20).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(170) – A FORMOSURA DE JEOVÁ

A FORMOSURA DE JEOVÁ

 

“Dai a Jeová a glória devida ao seu nome; adorai a Jeová na beleza da sua santidade” (Sl. 29:2) Davi queria contemplar a formosura de Jeová (Sl. 27:4). A formosura de Jeová é perfeita. “O deus poderoso, Jeová, falou e chamou a terra desde o nascimento do sol até ao seu acaso. Desde Sião, a perfeição da formosura, resplandeceu deus” (Sl. 50:1-2).

Que tipo de formosura será a de deus? Física ou espiritual? É claro que é espiritual, pois deus é espírito. Que vem a ser formosura espiritual? Pedro responde. “O enfeite delas não seja no exterior, no frisado dos cabelos, no uso das jóias de ouro, na compostura dos vestidos; mas o homem encoberto no coração; no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus” (I Pd. 3:3-4).  A beleza interior é a que Deus valoriza, ama, e diz que é preciosa. Sendo assim, a formosura de Deus é mansidão, humildade, paciência, caridade, misericórdia, pureza, bondade, amor, perdão, graça, etc, etc. Como são muitos os textos que falam da beleza e da formosura de Jeová (Sl. 27:4; Sl. 29:2; Sl. 50:2; Sl. 96:9-10; I Cr. 16:29), vamos conhecer, pela Escritura Sagrada, os detalhes dessa formosura.

A ira de Jeová é uma das facetas da sua formosura. E para que ninguém fique sem contemplar essa pérola do seu caráter divino, ele se ira todos os dias (Sl. 7:11).  Jeová não deu reis a Israel com amor, mas com ira que é mais bonito. “Dei-te um rei na minha ira, e tirei-te no meu furor” (Os. 13:11).  Moisés disse que Jeová é misericordioso e piedoso, tardio em iras, e grande em benevolência (Ex. 34:6). Se sendo tardio em iras Jeová se ira todos os dias, como seria se se irasse de pronto? Quando a ira de Jeová se acende, ele fumega e não perdoa, manda sobre o tal toda a maldição, e apaga o seu nome de debaixo do céu (Dt. 29:20).  Nesse quadro de formosura, a ira de Jeová acende um fogo que arde até o mais profundo do inferno, para consumir a terra (Dt. 32:22).  Todos os cristãos que acham formosa a ira, e também se iram por qualquer coisa, ficam extasiados a contemplar a formosura da ira do seu deus Jeová.

Outro detalhe da formosura de Jeová é a vingança. Um juiz justo pune o infrator na medida da gravidade do crime. Com Jeová é diferente. Ele tem fome de vingança, e guarda ira contra seus inimigos. “Jeová é um deus zeloso e que toma vingança; Jeová toma vingança e é cheio de furor; Jeová toma vingança contra os seus adversários, e guarda ira contra os seus inimigos” (Na. 1:2). Quando há ódio por uma pessoa (coisa indigna de deus),  Jeová não se satisfaz com vingar-se do desgraçado, mandando pragas e pestes, e depois matando: Para poder saciar a sede de vingança continua matando os filhos. Foi o caso de Saul. Jeová se encheu de tal furor contra esse rei, que o matou com mais três de seus filhos (I Sm. 28:19; 31:6). Mas à morte de Saul, Jônatas, Abinadabe e Malquisua, não apagaram a sede de vingança. Após trinta anos da morte de Saul, Jeová exigiu a morte de mais sete de seus filhos, que foram enforcados. O texto termina dizendo que depois da morte dos sete inocentes, Jeová se aplacou para com a terra. Todos os cristãos que também tomam vingança dos que os ofendem, acham lindo o que Jeová faz; e pensam: “Eu sou de Jeová, e ele vai tomar vingança contra os meus adversários.” Quanta formosura.

Se alguém é apreciador da ira, do furor, e da vingança, atributos que compõem a glória de Jeová, e quiser afirmar que Jeová não pediu os sete filhos de Saul, dizendo que Jeová não aceita sacrifícios humanos como Moloque, basta ler o capítulo vinte e cinco do livro de Números, quando Jeová ordenou a Moisés, dizendo: “Toma todos os cabeças do povo, e enforca-os a Jeová diante do Sol, e o ardor da ira de Jeová se retirará de Israel” (Nm. 25:4).

A terceira faceta da formosura de Jeová é cravar setas nas pessoas por motivos diversos. Jeová obriga o povo a fé. Ninguém escolhe ou opta. A religião é imposta pela força. Davi, no Salmo sete, nos diz: “Se o homem se não converter, Jeová afiará a sua espada, já tem armado o seu arco, e está aparelhado; e já para ele preparou armas mortais, e porá em ação as suas setas inflamadas” (Sl. 7:12-13). Se existe formosura em lançar setas inflamadas, então satanás também é formoso, pois Paulo diz: “Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno” (Ef. 6:16).  O que parece é que Jeová e Satã têm a mesma formosura, pois os dois passam o tempo irados e cheios de furor, são vingativos e atiram setas inflamadas.

Davi confessa que as frechas de Jeová se cravaram nele (Sl. 38:2). Existem muitos textos sobre as frechas de Jeová: Sl. 21:12-13 – Jeremias diz: “Armou o seu arco, e me pôs como alvo à frecha. Fez entrar nos meus rins as frechas da sua aljava.” (Lm. 3:12-13; Ez. 5:16) “Males amontoarei sobre eles, as minhas setas esgotarei contra eles” (Dt. 32:23). “Embriagarei as minhas setas de sangue, e a minha espada comerá carne” (Dt. 32:42). O pobre Jó assim falou: “Porque as frechas do Todo Poderoso estão em mim, e o seu ardente veneno o bebe o meu espírito. Os terrores de deus se armam contra mim” (Jó. 6:4). Deus, o Pai só tem amor e não ardente veneno. Quem tem ardente veneno é a serpente, e também El Shaday, o Todo Poderoso. Esta é uma das maiores belezas da formosura de Jeová, e os que o imitam se deleitam nessa formosura tenebrosa derramada sobre um homem fiel, sincero, justo e puro, segundo palavras do mesmo Jeová (Jó 1:8).

Jeová é o deus zombador. Ele diz: “convertei-vos pela minha repreensão; eis que abundantemente derramarei sobre vós o meu espírito e vos farei saber as minhas palavras. Mas porque clamei, e vós recusastes, e rejeitastes todo o meu conselho, também eu me rirei na vossa perdição, e zombarei vindo o vosso temor como assolação, e vindo a vossa perdição como tormenta, sobrevindo-vos aperto e angústia, então a mim clamarão, mas eu não responderei; de madrugada me buscarão e não me acharão” (Pv. 1:24-28).

“Porque se amotinam as gentes, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos se mancomunam contra Jeová, e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. Aquele que habita nos céus se rirá; Jeová zombará deles. Então lhes falará na sua ira, e no seu furor os confundirá” (Sl. 2:1-5). Os zombadores acham lindo a zombaria e o desprezo de Jeová, e pensam agradar a Deus zombando e desprezando os que não pensam da mesma forma.

Jesus, entretanto, sendo de incomparável beleza, que é a formosura do amor do Pai, renunciou a glória eterna, fazendo-se semelhante aos homens, para que, pela morte na cruz, salvasse os malditos de Jeová, procurou esconder a beleza debaixo de uma aparência física feia, mas não conseguiu (Is. 53:2-5).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(169) – VENDEDOR DE ESCRAVOS

VENDEDOR DE ESCRAVOS

 

A escravidão é a condição mais miserável e aviltante do homem. O escravo nunca tem razão porque não tem direitos. Escravo não tem lar nem família. Não tem dignidade nem vontade. É como um animal de carga e sem remuneração.

Após o descobrimento do Brasil as incursões dos franceses e ingleses obrigaram o governo português a colonizar o Brasil. Não havia mão de obra, e a maneira mais prática e barata era trazer mão de obra escrava, para que colonos portugueses se animassem a mudar para a nova terra. Em 1.550, dez por cento da população portuguesa era de escravos africanos.  Começa então o tráfico, que na época era uma atividade comercial como outra qualquer. Ia-se aos chefes das tribos, em geral nas costas do Golfo da Guiné. Os traficantes os selecionavam como gado, pois os negros eram considerados objetos, máquinas. Eram transportados em navios negreiros, sem o mínimo de higiene, amontoados em porões imundos. Grande parte morria durante a viagem. Terminada a longa travessia desembarcavam os escravos em Recife, em Salvador ou no Rio de Janeiro, onde eram leiloados em praça pública.  Os compradores eram cruéis, pois o escravo tinha de dar lucro. Viviam em senzalas. Os desobedientes eram corporalmente castigados. Os instrumentos de castigo eram o bacalhau, palmatória, tronco, açoite, chibata. O ferro em brasa era usado nos mais rebeldes. Os condenados ao tronco ficavam até três dias expostos ao sol e a chuva em jejum. A chibata era uma vara comprida para flagelar. O açoite era formado de um cabo de madeira de cuja ponta saiam diversas tiras de couro com nós nas pontas.

Em Roma os escravos eram tirados dos povos conquistados. Uma grande parte era condenada às galés, navios movidos a vela e remos. Acorrentados remavam até a morte. Muitos condenados eram de linhagem nobre. Todos os povos da antiguidade escravizavam os vencidos. Entre os anos 1.347 e 1.389, reinava um poderoso monarca, sultão dos turcos. Marchou contra Tamerlão, rei dos tártaros, com um exército de 400.000 homens à cavalo, e outro tanto à pé. Este rei foi vencido pelos exércitos de Tamerlão, o tártaro, e fundador do segundo império mongol. De manhã Bajazeto era o rico e poderoso sultão dos turcos, à tarde, vencido, foi transformado em escravo, e a humilhação imposta por Tamerlão era que, em todas as refeições Bajazeto era colocado debaixo da mesa e obrigado a roer os ossos com os cães. E toda vez que Tamerlão montava em seu cavalo, Bajazeto era colocado de quatro e servia de estrado para que o seu senhor montasse no cavalo. Por muitos anos viveu assim Bajazeto, até que de paixão e tristeza, morreu. Isso é a escravidão.

O povo e os reis de Israel foram reduzidos a essa condição miserável e aviltante, não pela vontade dos conquistadores, mas pela vontade do seu deus Jeová, pois Jeová aprovava a escravidão, como mostramos no folheto de nº 157. “Quando te chegares a uma cidade para combatê-la, apregoar-lhe-ás a paz, e será que se te responder em paz, e te abrir, todo o povo que se achar nela te será tributário e te servirá” (Dt. 20:10-11). “E quanto ao teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das gentes que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas” (Lv. 25:44-46). A escravidão envolve acepção de pessoas, e Jeová afirmou que não faz acepção, logo mentiu. Moisés disse: “Jeová vosso deus é o deus dos deuses, e senhor dos senhores, o deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas” (Dt. 10:17).

Jeová obrigou o seu povo à escravidão, entregando-os aos caldeus. Vamos transcrever um trecho do livro das Lamentações de Jeremias. “A nossa herdade passou a estranhos, e as nossas casas a forasteiros. Órfãos somos, sem pai, nossas mães são como viúvas. A nossa água por dinheiro a bebemos, por preço vem a nossa lenha. Os nossos perseguidores estão sobre os nossos pescoços; estamos cansados e não temos descanso” (Lm. 5:2-5). “Servos dominam sobre nós; ninguém há que nos arranque da sua mão. Com perigo de nossas vidas trazemos o nosso pão, por causa da espada do deserto. Nossa pele se enegreceu como um forno, por causa do ardor da fome. Forçaram as mulheres em Sião, as virgens nas cidades de Judá. Os príncipes foram enforcados pelas mãos deles; as faces dos velhos não foram reverenciadas. Aos mancebos obrigaram a moer, e os moços tropeçaram debaixo da lenha. Os velhos não têm assento na porta, os mancebos já não cantam. Cessou o gozo do nosso coração; converteu-se em lamentação a nossa dança” (Lm. 5:8-15).

            Concordamos em que haja castigo para o filho rebelde. Mas no caso de Israel, foram entregues a uma cruel escravidão, e a um jugo de corrupção e não de reeducação. O verso onze relata que as mulheres e as virgens eram o pasto dos corruptores. Se alguém quiser defender os atos desse deus cruel, vingativo e despótico, nós citamos o Salmo 44, que diz: “TU NOS ENTREGASTE COMO OVELHAS PARA COMER, E NOS ESPALHASTE ENTRE AS NAÇÕES. TU VENDES POR NADA O TEU POVO, E NÃO AUMENTAS A TUA RIQUEZA COM O SEU PREÇO” (Sl. 44:11-12). O salmista, nesta declaração, afirma que Jeová não queria educar o seu povo, e sim pisar, flagelar, corromper e destruir. Vendeu de graça e não teve lucro nenhum, isto é, não visava lucro espiritual. Era puro sadismo. Jeová mesmo falou, dizendo: “Desamparei a minha casa, abandonei a minha herança; entreguei a amada da minha alma na mão dos seus inimigos” (Jr. 12:7). “Pelo que Jeová rejeitou a toda a semente de Israel, e os oprimiu, e os deu na mão dos despojadores, até que os tirou de diante da sua presença, porque rasgou a Israel da casa de Davi” (II Rs. 17:20-21). E o mesmo planejou para Judá e Jerusalém. “Também a Judá hei de tirar de diante da minha face, como tirei a Israel, e rejeitarei esta cidade de Jerusalém que elegi, como também a casa de que disse: Estará ali o meu nome” (II Rs. 23:27).

            O Pai de Jesus e verdadeiro Deus quer salvar todos os pecadores, todos os maus, ladrões, assassinos e prostitutas, mentirosos e idólatras, enfim todos. “Quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (I Tm. 2:4). “Deus é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis” (I Tm. 4:10). E como o Pai faz isso? Mandando para o cativeiro? Ferindo com pestes e pragas? Não. Jesus salva a todos de graça, pois pagou na cruz a dívida. Paulo disse: “Esta é uma palavra fiel e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores” (I Tm. 1:15).

            Jesus Cristo veio para libertar de toda escravidão.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(168) – COMO CONHECER A DEUS

COMO CONHECER A DEUS

 

A pergunta é a seguinte: Deus, o criador de todas as coisas, Deus, que é a causa de tudo o que existe, pode de alguma maneira ser conhecido fora de Jesus Cristo? Para os cristãos Deus só pode ser conhecido em Jesus Cristo. Deus não será conhecido através de Cristo, mas em Jesus Cristo. Alguns textos provam essa verdade.

         “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito que está no seio do Pai, esse o fez conhecer” (Jo. 1:18). Este foi o testemunho de João Batista. Esse testemunho põe em cheque as aparições de Deus no Velho Testamento. Jeová apareceu para Abraão em Gn. 17:1. Apareceu para Isaque e para Jacó. (Gn. 26:2-4; 28:10-17). E o próprio Jeová afirma que apareceu para esses três varões em Ex. 6: 2-3. João Batista se enganou ou Jeová não é o Deus Pai de Jesus? O apóstolo João confirma o testemunho de João Batista com as seguintes palavras: “Ninguém jamais viu a Deus” (I Jo. 4:12).  E Jesus Cristo endossa as duas declarações dizendo: “Vós nunca ouvistes a sua voz nem vistes o seu parecer” (Jo. 5:37).E o apóstolo Paulo, com chave de ouro, fecha o assunto, declarando: “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver” (I Tm. 6:16). Ou anulamos o Novo Testamento para ficar com Jeová como sendo o Pai, fazendo mentirosos, João Batista, João apóstolo, o grande apóstolo Paulo e o próprio Jesus; ou seremos ministros do Novo Testamento, deixando atrás o que envelheceu. Mas não foi Paulo que fechou o assunto, e sim o próprio Jesus, quando revelou o mistério: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece  o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt. 11:27). É uma questão de lógica. Uns ficam com Jeová, que se revelou a si mesmo sem o Filho, fazendo-o mentiroso, e outros ficam com Jesus, excluindo Jeová do plano da salvação. Que Jeová se deu a conhecer está claro nos seguintes textos: “Eu me dei a conhecer a Israel na terra do Egito” (Ez. 20:5). “Fez notórios os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel” (Sl. 103:7). “Dentre os que me conhecem, farei menção de Raabe e de Babilônia” (Sl. 87:4). “Jeová é conhecido pelo juízo que fez” (Sl. 9:16). “Mas o que se gloriar glorie-se nisto, em me conhecer e saber que eu sou Jeová, que faço beneficência, juízo e justiça na Terra” (Jr. 9:24). “Portanto, eis que lhes farei conhecer, desta vez lhes farei conhecer a minha mão e o meu poder; e saberão que o meu nome é Jeová” (Jr. 16:21). “Conhecido é deus em Judá, grande é o seu nome em Israel” (Sl. 76:1).

         E Jesus Cristo declara: “Aquele que me enviou é verdadeiro, o qual vós não o conheceis” (Jo. 7:28). “Disseram-lhe pois: Onde está teu Pai? Jesus respondeu: Não me conheceis a mim nem a meu Pai. Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai” (Jo. 8:19).

         Como dissemos, Jesus não é conhecido através do Pai, isto é, temos de conhecer a obra de Jesus para conhecer a obra do Pai; temos de nos beneficiar do amor de Jesus para sermos beneficiados pelo amor do Pai; temos de ouvir as palavras de Jesus, para ouvir as do Pai (Jo. 17:8). Jesus explica o mistério: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto. Disse-lhe Filipe: Mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou a tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim, vê o Pai, não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim é  quem faz as obras” (Jo. 14:6-11).

Sendo assim, Deus não pode ser conhecido pela lei de Jeová, mas pela fé  em Cristo, pois pela lei o homem conhece o pecado, e não a Deus (Rm. 3:20; 3:28). Pela lei o homem conhece a morte e Deus é vida (Ez. 18:4; Jo. 17:3). O amor de Cristo nos introduz no amor do Pai pelo Espírito Santo (Jo. 15:13; Rm. 5:5;  I Jo. 4:7-8). A lei de Jeová não é perfeita, e assim não pode revelar o Pai. “Porque o precedente mandamento é abrogado por causa da sua fraqueza e inutilidade, (Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou), e desta sorte é introduzida uma melhor esperança pela qual chegamos a Deus” (Hb. 7:18-19).

         Pelas pragas Deus poderá ser conhecido? Jamais. Deus só pode ser conhecido pelo amor (I Jo. 4:7-8). Jeová ficou conhecido pelas pragas do Egito, pelas pestes mortíferas, coisa que Satanás também faz. Pois ambos concordaram em ferir Jó de lepra e desgraça (Jó 1:6-12; 2:1-7).

E pelas obras? Será Deus conhecido pela obra da criação do Universo? No Salmo 19 lemos: “Os céus manifestam a glória de deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl. 19:1). Mas a criação material é cheia de coisas imperfeitas. Pelo que vemos aqui na Terra, dá para supor que há imperfeição fora da Terra. Por exemplo, a Terra é minada por uma infinidade de animais predadores e venenosos. As serpentes, as aranhas, sapos, escorpiões, lacraias, morcegos , e milhares de outros seres que apavoram os homens. Além disso este mundo é infestado por germes e micróbios, causadores de enfermidades mortais. Vírus e bactérias que têm assolado a humanidade. Um mundo cheio de vermes não pode levar os homens ao conhecimento de Deus. Aquilo de Rm. 1:20, se refere a Jeová, o demiurgo deste mundo, e não ao Pai de amor, de luz, de bondade e justiça.

Que é que vemos em Jesus? A perfeição de todas as coisas, e nessa perfeição está o Pai. Em Jesus poderemos chegar ao conhecimento pleno de Deus e dos porquês desta criação.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(167) – A CHAGA

A CHAGA

         Chaga é ferida aberta. Os cravos produziram chagas nas mãos e nos pés de Jesus. Na linguagem poética da literatura, chaga é dor moral (Esta saudade é chaga que não se cura). Por o dedo na chaga é ferir o orgulho de alguém, ou o seu ponto fraco. Todo gozador vive pondo o dedo nas chagas das pessoas, e por isso se tornam antipáticos e indesejáveis.

Na linguagem figurada das Escrituras sagradas, chaga é defeito moral (Lc. 16:19-20). “Ai da nação pecadora, do povo carregado de iniquidade, da semente de malignos, dos filhos corruptores;  deixaram Jeová, blasfemaram do santo de Israel, voltaram para traz. Porque seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda cabeça está enferma e todo o coração fraco. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, nem ligadas, nem nenhuma delas amolecida com óleo” (Is. 1:4-6).

A Escritura aplica a palavra chaga também para dor moral: “Ai de mim, por causa do meu quebrantamento! A minha chaga me causa grande dor;  eu havia dito: Certamente isto é enfermidade que eu poderei suportar” (Jr. 10:19). O profeta Jeremias, entretanto, usa a palavra chaga, de forma mais incisiva  para o pecado de Israel: “Portanto lhes dirás esta palavra. Os meus olhos derramem lágrimas de noite e de dia, e não cessem; porque a virgem, filha do meu povo, está ferida de grande ferida, e de chaga mui dolorosa” (Jr. 14:17)“Porque assim diz Jeová: Teu quebrantamento é mortal, a tua chaga é dolorosa” (Jr. 30:12). O rei Davi, depois que cometeu um adultério e um homicídio doloso, pois matou o marido para poder casar com a mulher adúltera, assim se expressou: “As minhas iniquidades ultrapassam a minha cabeça; como carga pesada são demais para as minhas forças. As minhas chagas cheiram mal e estão corruptas, por causa da minha loucura” (Sl. 38:4-5).

Os cristãos estão absolutamente convencidos de que as Escrituras, tanto do Novo como do Velho Testamento, são infalíveis, isto é, sendo toda a Escritura, de capa a capa, palavra de Deus, não há erros, nem contradições. É tudo verdade que não pode ser tocada pelo dedo do homem. Baseados nesta convicção teológica e universal, transcrevemos os seguintes textos: “Vinde, tornemos para Jeová, porque ele despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará” (Os. 6:1)“Eis que bem aventurado é o homem a quem deus castiga; não desprezes, pois, o castigo do Todo-Poderoso. Porque ele faz a chaga, e ele mesmo a liga; ele fere, e as seus mãos curam” (Jó 5:17-18). Toda as chagas, sejam de que tipo for, são produzidas por Jeová, com o objetivo profilático. O método usado por Jeová para extirpar o mal do seu povo era produzir chagas dolorosas. Por incrível que pareça, declarando-se Jeová o deus todo poderoso, as chagas foram muitas, mas nunca houve cura. O povo não cometia atos reprováveis por  medo ou pavor, e não porque estava curado. Repressão não cura criminosos.

É o próprio Jeová que confessa o fracasso do seu método: “Porque a sua chaga é incurável, porque chegou até Judá; estendeu-se até a porta do meu povo, até Jerusalém” (Mq. 1:9)“Não há cura para a tua ferida; a tua chaga é dolorosa. Todos os que ouvirem a tua fama baterão as palmas sobre ti; porque, sobre quem não passou continuamente a tua malícia” (Na. 3:19).

O problema não é de Israel mas de Jeová, que afirmou que é o autor das chagas, para com isso curar o mal do povo. PORQUE TE RESTAURAREI A SAÚDE, E TE SARAREI AS TUAS CHAGAS, DIZ JEOVÁ” (Jr. 30:17).

Vamos analisar como Jeová produz as chagas. José, filho de Jacó, afirma que tudo o que aconteceu na sua vida, foi feito por Jeová: “Deus me enviou diante da vossa face, para conservar a vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento. Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, como regente em toda a terra do Egito” (Gn. 45:7-8). Ora, os dez irmãos de José, por inveja, queriam matá-lo, mas por interferência de Rubem, o venderam como escravo a uns ismaelitas, que o levaram ao Egito, e o venderam a Potifar, eunuco de Faraó e capitão da guarda (Gn. 37:11, 20-21; 37:26-27; 39:1). Sendo assim, a inveja e ódio dos irmãos de José foi obra de Jeová. José, como senhor do Egito, mandou buscar seu pai Jacó, e toda a família, em número de setenta almas (Gn. 46:26-27). A família de Jacó se multiplicou no Egito, e absorveu os vícios e os pecados do Egito, isto é, o povo se corrompeu. Estava assim formada a chaga. Havia uma outra chaga, A dor da escravidão. Jeová então se propõe a curar as duas chagas. Com a libertação curaria a dor da alma e com a lei curaria a corrupção. E para tanto, enviou Moisés para a realização de tão grandiosa obra. Com o poder de produzir pragas e pestes, dado por Jeová, Moisés conseguiu libertar o povo de Israel, mas também conseguiu que os egípcios se tornassem inimigos de deus para sempre. Moisés levou o povo ao pé do Monte Sinai, e lá Jeová falou a Moisés dizendo: “Fala aos filhos de Israel, e dizei-lhes: Eu sou Jeová, vosso deus, Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem farás segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos. Fareis conforme os meus juízos, e os meus estatutos guardareis”(Lv. 18:2-4). Pois bem. Israel não deixou os costumes da terra do Egito, e ainda mais se corrompeu em Canaã, pois os cananeus deixados lá por Jeová, eram todos sodomitas (Jd. 5; Is. 1:10) que diz: “Ouvi a palavra de Jeová, vós príncipes de Sodoma, e vós povo de Gomorra. Ezequiel detalha o que Israel aprendeu no Egito: “Filho do homem, houve duas mulheres, filhas de uma mesma mãe. Estas prostituíram-se no Egito; prostituíram-se na sua mocidade. E os seus nomes eram: Aolá, a mais velha, e Aolibá, sua irmã; e foram minhas, e tiveram filhos e filhas; e, quanto a seus somes, Samaria é Aolá, e Jerusalém Aolibá” (Ez. 23:3-8).

Jeová fez a chaga e não conseguiu curar. A única solução que Jeová achou foi entregar o seu povo às suas devassidões, e na mão dos amantes. Israel se prostituiu com os filhos da Assíria, e por isso foi entregue aos Assírios para sempre (Ez. 16:28, 39; II Rs. 17:20-23; Ez. 23:7-9).

Judá, isto é, Aolibá, se enamorou dos caldeus, e descobriu diante deles as suas devassidões (Ez. 23:15-18). Então Jeová entregou Judá aos babilônicos (Ez. 23:28). O apóstolo Paulo refere-se ao fato, dizendo: “Pelo que deus os abandonou às paixões infames” (Rm. 1:26). No Salmo 81 lemos: “O meu povo não quis ouvir a minha voz, e Israel não me quis, pelo que eu os entreguei aos desejos de seus corações” (Sl. 81:11-12).

Jeová faz as chagas, mas não conseguiu curar como prometeu ao seu povo e não teve outra saída senão entregá-los ao vício e aos amantes, e isto com ódio e vingança.

Se acontecesse de Jeová formar outro povo sem as chagas, não houve cura, pois o povo é outro. Os que tinham chagas foram destruídos e corrompidos.

Quem tem poder para curar chagas chama-se Jesus Cristo. Paulo, que foi curado, disse: “Quem está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas passara, eis que tudo se fez novo” (II Co. 5:17).

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(166) – CULTO A BAAL

CULTO A BAAL

         Sabemos que Baal é o supremo deus dos cananeus, que habitavam em Canaã antes de Israel. Quando Jeová chamou Abraão e lhe fez a primeira promessa, o tirou de Harã e o levou à terra da promessa, isto é, Canaã. Ao chegar lá, Abraão viu a terra e Jeová lhe disse: “À tua semente darei esta terra.” E o texto diz: “E estavam os cananeus na terra” (Gn. 12:1-7). Quem eram os cananeus? Eram os descendentes de Cão, o filho que viu a nudez de seu pai Noé, que lançou uma maldição sobre Canaã, filho de Cão e portanto seu neto. A maldição lançada por Noé foi tão grande,que os cananeus, descendentes de Cão, foram todos sodomitas. “E foi o termo dos cananeus desde Sidom, indo para Gerar, até Gaza; indo para Sodoma e Gomorra e Admá e Zeboim, até Lasa. Estes são os filhos de Cão, segundo as suas famílias” (Gn. 10:19-20; 9:20-25).

Sendo os cananeus sodomitas e sendo Baal o seu grande deus, os cultos à Baal eram impúdicos e anormais. Leiamos o profeta Jeremias: “Porque segundo o número das ruas de Jerusalém, levantaste altares à impudência, altares para queimares incenso a Baal” (Jr. 11:13). Esses cultos impúdicos eram praticados nos terraços das casas de Jerusalém e Jeová trouxe Nabucodonozor para destruir a fogo a cidade santa. Jeremias prediz: “E os caldeus, que pelejam contra esta cidade, entrarão nela e porão fogo a esta cidade, e queimarão as casas sobre cujos terraços queimaram incenso a Baal” (Jr. 32:29).

Pois bem, os moabitas, descendentes de Ló, eram adoradores de Baal. Moabe, filho da primogênita de Ló, nasceu de um incesto, coisa comum em Sodoma, onde habitou Ló (Gn. 19:31-38). Os cultos dos moabitas, em homenagem a Baal eram feitos nos moldes de Sodoma, donde saiu sua mãe.

Balaque, rei dos moabitas, os descendentes de Ló, temeu Israel ao tomar conhecimento das vitórias sobre os amorreus e chamou o feiticeiro Balaão para amaldiçoar Israel, para assim poder vencê-los. Enviou mensageiros a Balaão, que lhe disseram: “Vem pois agora, rogo-te, amaldiçoa-me este povo, pois mais poderoso é do que eu; para ver se o poderei ferir” (Nm. 22:6). Balaão era servo de Jeová e tinha o poder de abençoar ou amaldiçoar e pediu que os mensageiros esperassem, pois ia consultar a Jeová(Nm. 22:6-8). Jeová deu ordem a Balaão para não amaldiçoar a Israel (Nm. 22:12). Balaque, tendo notícia de que Balaão se negou a amaldiçoar a Israel, enviou príncipes com promessas de honrarias. Balaão, pela segunda vez respondeu, dizendo: “Ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e ouro, eu não poderia traspassar o mandado de Jeová, meu Deus” (Nm. 22:18). Balaão era realmente servo de Jeová e obediente. Mas pela segunda vez consultou o seu deus Jeová, que lhe disse: “Se aqueles homens vierem te chamar, levanta-te, vai com eles, todavia farás o que eu te disser” (Nm. 22:20). Balaão foi com eles, e abençoou a Israel em vez de amaldiçoar, conforme o que Jeová lhe falou (Nm. 23:5-10). Balaque se irritou com isso, e Balaão lhe disse: “Eu só falo o que Jeová põe na minha boca” (Nm. 23:11-12). Diante da insistência de Balaque, Jeová mandou por Balaão outro recado. Balaão disse: “Eu recebi ordem de abençoar, pois Jeová tem abençoado e eu não posso revogar. Contra Jacó não vale encantamento” (Nm. 23:18-23).

Pela terceira vez Balaque tenta incitar Balaão a amaldiçoar a Israel. Então o espírito de Jeová se apoderou de Balaão e este profetizou a bênção (Nm. 24:1-9). Balaque se encheu de ira e disse: “Sai da minha presença.” Vendo Balaão que Balaque se tornou seu inimigo, lhe sussurrou aos ouvidos: Se você, ó rei, fizer os filhos de Israel, participar de um culto impúdico à Baal,  a maldição de Jeová cairá sobre eles, e tu os vencerás. Isto não está na Escritura, mas Moisés disse: “Eis que estas foram as que, por conselho de Balaão, deram ocasião aos filhos de Israel de prevaricar contra Jeová em Peor”(Nm. 31:16). No Apocalipse lemos que o conselho foi prostituição (Ap. 2:14).

Vejamos o que aconteceu pelo mau conselho de Balaão: “E Israel deteve-se em Sitim, e o povo começou a prostituir-se com as filhas dos moabitas. E convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses e o povo comeu e inclinou-se aos deuses, juntando-se pois Israel em Baal-Peor, a ira de Jeová se acendeu contra Israel” (Nm. 25:1-3). Em meio à orgia sexual que tomou conta do povo, Jeová deu ordem a Moisés para enforcar todas as cabeças do povo à Jeová, e assim sua ira se acalmaria. Então Moisés disse aos juízes de Israel: “Cada um mate os seus homens que se juntaram em Baal-Peor” (Nm. 25:4-5). É claro que as pessoas eram enforcadas à Jeová para que sua fúria sanguinária se aplacasse. Além desses enforcamentos Jeová mandou uma praga que matou vinte e quatro mil (Nm. 25:9). Em meio a essa desgraça, veio um israelita trazendo uma mulher midianita perante os olhos da congregação. Vendo isso, Finéias, filho de Eleazar, o filho de Arão, o sacerdote, tomou uma lança e foi após o varão israelita na tenda, e os atravessou a ambos pela barriga. O nome da mulher midianita era Cosbi, filha de Zur, cabeça do povo, entre os midianitas. Isto agradou tanto a Jeová que parou a praga, e Jeová fez um concerto eterno com Finéias e sua descendência (Nm. 25:6-15).

Qual é a moral de toda esta história? Balaão era fiel e obediente à Jeová, mas sugeriu a Balaque o envolvimento dos israelitas com as moabitas pelo culto impúdico à Baal e isso tornou o povo maldito, pois Jeová troca bênção em maldição a toda a hora (Dt. 23:5; Ml. 2:2-3).

Os cristãos fiéis e obedientes como Balaão, que têm o cuidado de obedecer Jeová em tudo e têm o dom de abençoar ou amaldiçoar, como Balaão tinha, e só amaldiçoam quando acham que é vontade de Jeová, estes cristãos, os que se prostituem no culto à Baal, assistindo novelas pornográficas, vídeos pornográficas, ou se prostituem praticando sexo pecaminoso, ou adultério para os casados, ou fornicação dos solteiros, todos estão condenados à morte como aconteceu em Baal-Peor. E quem vai condená-los, matá-los e metê-los no inferno? O Deus Pai de Jesus? Nunca, pois ele quer salvar a todos(I Tm. 4:10). E o Pai enviou o Filho, não para condenar, mas para salvar (Jo. 3:17). E Jesus afirmou que essa é a vontade do Pai (Jo. 6:38). Quem vai condenar e afligir eternamente é Jeová, pois Cristo veio para libertar os homens da escravidão da corrupção para a glória dos filhos de Deus, e os que não deixarem libertar, permanecendo escravos do império da carne, permanecem debaixo da condenação de Jeová (Jo. 3:18). “Aquele que crê no Filho de Deus tem a vida eterna, mas aquele que não crê, não verá a vida, mas a ira do deus Jeová permanece sobre ele” (Jo. 3:36). São os que prestam culto à Baal.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(165) – BAAL

BAAL

 

Quem é Baal? É o supremo deus dos cananeus, correspondendo a Bel, deus dos babilônicos. Tanto Baal como Bel se traduzem por senhor. O Baal cananeu era chamado Baal Semain, isto é, Senhor do céu. Baal era, no tempo de Josué, o deus sol, responsável pela germinação e crescimento da lavoura, o aumento dos rebanhos e a fecundidade das famílias. Em Êxodo 23:26 Jeová, o deus dos hebreus, promete multiplicar o seu povo. “Não haverá alguma que aborte, nem estéril na tua terra.” A função de zelar pela fecundidade das famílias. O culto a Baal foi adotado pelos israelitas, especialmente pela licenciosidade dos seus ritos. Balaque, rei dos moabitas e inimigo de Israel, tentou alugar o feiticeiro Balaão para amaldiçoar Israel, e não o conseguindo, promoveu um culto a Baal, regado a sexo, no qual caíram os israelitas (Nm. 25:1-9). No tempo do rei Acabe e de Jezabel, o culto imoral a Baal permeou quase toda a nação de Israel. “Então disse Elias ao povo: Eu só fiquei por profeta de Jeová, e os profetas de Baal são quatrocentos e cinqüenta homens” (I Rs. 18:22).  Em toda a nação de Israel, que no tempo de Elias não devia ter menos de vinte milhões de pessoas, somente sete mil eram fiéis a Jeová, isto é, toda a nação adorava Baal e lhe prestava culto, menos sete mil (I Rs. 19:18).

Jeová tinha muitos nomes, a saber:

Jeová-Jiré  (O Senhor proverá) – Gn. 22:8-14

Jeová-Nissi (Jeová é a minha bandeira) – Ex. 17:15

Jeová-Shalom (Jeová é a paz)

Jeová-Samá (Jeová está ali)

Jeová-Tsidkenu (Jeová é a nossa justiça)

Baal também tinha muitos nomes, a saber:

Baal Zefom (Senhor da vigilância) – Ex. 14:2, 9 e Nm. 33:7

Baal Berite (Senhor da aliança) – Jz. 8:33

Baal Gade (Senhor da fortuna) – Js. 11:17

Baal Hamom (Senhor da multidão) Ct. 8:11

Baal Hanã – (Senhor da gentileza)

Havia uma guerra entre Jeová e Baal. Jeová proibindo e Baal oferecendo. Baal satisfazia os apetites sensuais do povo, e Jeová perseguia e matava os seguidores de Baal. Dezoito milhões adoravam Baal e sete mil somente adoravam Jeová. Somente sete mil não participavam dos cultos orgíacos de Baal. Nessa guerra de preferências, Jeová perdeu para Baal. Todo o povo de Israel, que eram milhões e milhões pertenciam a Baal. Jeová só conseguiu sete mil fiéis. Ora, Jeová se declarou o todo poderoso(Gn. 17:1). Ninguém escapa da sua mão (Dt. 32:39). O que Jeová determina, ninguém pode mudar (Is. 14:27). Ninguém pode impedir os planos de Jeová (Is. 43:13).

Só que Jeová afirmou que Israel é sua herança (Dt. 32:9; I Sm. 10:1; Sl. 68:9; Sl. 74:2; Jr. 10:16; Jr. 51:19; Jl. 3:2;  Mq. 7:14). A herança de Jeová passou para as mãos de Baal. O todo poderoso não conseguiu reter a sua herança. Perdeu tudo. O ouro de Jeová, que era o seu povo, se transformou em barro de Baal. “Os preciosos filhos de Sião, comparáveis a ouro puro, como são agora reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro” (Lm. 4:2) A prata de Jeová se tornou em escoria (Is. 1:22), prata rejeitada(Jr. 6:30). “A casa de Israel se tornou para mim em escória; todos eles são bronze e estanho, e ferro, e chumbo no meio do fogo; em escória de prata se tornaram” (Ez. 22:18) e a escória de Jeová é a riqueza e a herança de Baal. O deus vivo foi vencido pelo deus morto. El Shaday, o Todo poderoso, que diz encher o céu a terra (Jr. 23:24) perdeu sua herança eterna para o ídolo, que tem boca mas não fala, tem olhos mas não vê, tem pés mas não anda, tem ouvidos mas não ouve (Sl. 115).

Tudo isso não teria peso nenhum se Jeová não tivesse falado com voz de trovão, que ninguém pode mudar o que determinou (Is. 14:27). Bradou com voz de muitas águas que nada escapa das suas mãos poderosas e divinas. E com voz retumbante declarou: “Operando eu, quem impedirá?” Is. 43:13

Pois Baal, o ídolo de pau e de pedra, inventado pela cegueira e ignorância dos povos bárbaros, mudou tudo, destruindo os propósitos de Jeová. A vitória foi tão grande, que o deus Jeová não teve outro recurso senão destruir e matar o seu povo: Assim, Baal ficou com as almas e Jeová com os cadáveres. Talvez por isso Isaías escreveu: “E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda carne a adorar perante mim, diz Jeová. E sairão, e verão os corpos mortos dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu bicho nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará, e serão um horror para toda a carne” (Is. 66:23-24).

E Baal, no silêncio eterno do deus que não fala nem ouve, e nem anda, talvez pense pela cabeça dos homens, dizendo: “Mas as almas são minhas. Jeová que fique com a carne podre.”

Se considerarmos que Jeová é realmente o deus todo poderoso, e tudo que acontece neste mundo obedece a seus desígnios, então Baal foi instrumento de Jeová para destruir Israel, pois Baal era mais popular que Jeová: “E acontecerá naquele dia, diz Jeová, que me chamarás meu marido; e não me chamarás mais: Meu Baal” (Os. 2:16). No reino de Judá havia altares nos terraços das casas, nas ruas de Jerusalém, e em todos os lugares e cidades: “Porque, segundo o número das tuas cidades, foram os teus deuses, ó Judá, e segundo o número das ruas de Jerusalém, levantaste altares a impudência, altares para queimares incenso a Baal” (Jr. 11:13). “E os Caldeus, que pelejam contra esta cidade, entrarão nela, e porão fogo a esta cidade, e queimarão as casas sobre cujos terraços queimaram incenso a Baal” (Jr. 32:29).

Nada disto teria acontecido se Jeová tivesse cumprido a promessa de lançar fora as nações idólatras (Ex. 34:24; 33:2; Dt. 7:1; Lv. 18:24; 20:23).  “Com varão te não deitarás, como se fosse mulher; abominação é. Nem te deitarás com algum animal, para te contaminares com ele; nem a mulher se porá perante algum animal, para ajuntar-se com ele. Com nenhuma destas abominações vos contaminareis, porque em todas estas coisas se contaminaram as gentes que eu lanço fora de diante da vossa face” (Lv. 18:22-24).

Pois Jeová garantiu que ia lançar fora aquelas nações idólatras e corruptas, e não cumpriu a promessa. “ESTAS SÃO AS NAÇÕES QUE JEOVÁ DEIXOU FICAR, PARA POR ELAS PROVAR A ISRAEL. CINCO PRÍNCIPES DOS FILISTEUS, E TODOS OS CANANEUS, E SIDÔNIOS, E HEVEUS QUE HABITAVAM NAS MONTANHAS DO LÍBANO, DESDE O MONTE DE BAAL-HERMOM, ATÉ A ENTRADA DE HAMATE” (Jz. 3:1-3).Jeová deixou Baal ficar em Canaã. Isso dá o que pensar, sendo ele o Todo poderoso.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(164) – OS DEUSES

OS DEUSES

        Jeová sempre se declarou único deus: “Há outro deus além de mim? Não, não há outra rocha que eu conheça” (Is. 44:8). “Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra; porque eu sou deus, e não há outro” (Is. 45:22).“Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou deus, e não há outro deus, não há outro semelhante a mim” (Is. 46:9). O rei Davi declarou: “Porque tu és grande e operas maravilhas; só tu és deus” (Sl. 86:10).

Os outros deuses dos povos eram todos obra das mãos dos homens, madeira e pedra, que não vêem nem ouvem, nem comem nem cheiram (Dt. 4:28). O Salmo 115 fala da pobreza espiritual dos povos idólatras, cujos deuses são obra das mãos dos homens. O pai de Abraão chamava-se Tera, e era idólatra (Js. 24:2). Segundo algumas tradições, Tera fabricava ídolos. No livro das tradições de Israel, há uma muito interessante. Abraão não concordava com a idolatria de seu pai. Um dia entrou no templo e derrubou o ídolo. O caso foi descoberto e o povo queria matá-lo pelo crime. Abraão disse: Ponham um prato de comida diante desse deus durante a noite. Se ele comer, ele é vivo. Se não comer não é deus. No dia seguinte foram todos ao templo e o prato estava vazio. Os inimigos de Abraão se prepararam para matá-lo. Então ele disse: Olhem para o chão. De quem são as marcas destes pés? Abraão, logo à noite tinha espalhado farinha de trigo nos corredores do templo, e os pés dos sacerdotes ficaram marcados. Abrão ficou livre.

Jeová deu o primeiro mandamento do decálogo. “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex. 20:3). Na realidade não eram deuses, mas ídolos de fantasia humana para explorar a boa fé do povo cego. A verdade é que os homens têm uma natureza mística, e a religião os acompanha desde tempos imemoriais. Os espertalhões sempre existiram também para explorar a boa fé dos incautos; esses formavam uma casta sacerdotal que conduzia o povo, e os explorava e corrompia. Jeová, o deus de Israel, tinha como escopo da sua missão acabar com a idolatria. Daí a razão do primeiro mandamento. O segundo diz: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, Jeová teu deus, sou deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos” (Ex. 20:4-6). O castigo da idolatria era a morte por apedrejamento (Ex. 22:20; Dt. 8:19; 13:6-10). O ódio que Jeová devotava ao idólatra era tão grande, que além de morrer por apedrejamento, havia uma maldição sobre a descendência até a terceira e quarta geração, como lemos no segundo mandamento.

O método usado por Jeová para erradicar a idolatria, se baseava em cinco pontos.

1º) Proibição sob pena de morte por apedrejamento.

2º) Vingança sobre a descendência até a terceira ou quarta geração (Ex. 20:4-5; Dt. 13:6-10; 17:3-5).

3º) Promessa de premiar a fidelidade (Dt. 7:9).

4º) Desmoralizar os outros deuses ou ídolos (I Rs. 18:27).

5º) Promover-se através dos profetas e dos salmistas. Moisés falou: “Jeová, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em louvores, obrando maravilhas? (Ex. 15:11).“Jeová vosso deus é o deus dos deuses, e o senhor dos senhores, o deus grande, poderoso e terrível” (Dt. 10:17)“Grande é Jeová, e digno de louvor, mais tremendo do que todos os deuses” (Sl. 96:4)“Tu Jeová, és o altíssimo em toda a Terra; muito mais elevado do que todos os deuses” (Sl. 97:9). Na sua guerra contra os ídolos (deuses), Jeová se media com aqueles deuses. Ao tirar o povo do Egito, declarou: “Eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei a todos os primogênitos na terra do Egito, desde os homens até os animais; e sobre todos os deuses do Egito farei juízos; eu sou Jeová” (Ex. 12:12). No livro de Númeroslemos: “Enterrando os egípcios os que Jeová tinha ferido entre eles, a todo o primogênito, e havendo Jeová executado os seus juízos nos seus deuses” (Nm. 33:4). Estas duas narrações juntas provam que o juízo de Jeová sobre os deuses do Egito foi matar todos os primogênitos, tanto dos homens como dos animais. Por que Jeová cometeu esse crime contra vítimas inocentes? Os animais não têm entendimento, e entre os primogênitos dos homens havia muitas crianças inocentes. O motivo é simples: Os sacrifícios faziam parte da religião dos povos. Os primogênitos dos animais eram oferecidos em sacrifício aos deuses nos cultos, pois as primícias são para os deuses. “E o sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente a cidade, trazendo para a entrada da porta touros e grinaldas, queria com a multidão sacrificar” (At. 14:13). Isto acontecia nos dias de Paulo e Pedro. A carne desses sacrifícios era vendida nos açougues (I Co. 8:4-7). Também era costume sacrificar os primogênitos para aplacar a ira dos deuses. Os cananeus, que habitavam a terra prometida, tinham este costume, e Israel o adotou. “Acaz, rei de Judá, queimou seu filho em sacrifício aos deuses, segundo as abominações dos gentios, que Jeová não lançou fora conforme a promessa” (II Rs. 16:3; Ex. 34:23-24; Lv. 18:24; Dt. 7:1)“Estas são as nações que Jeová deixou ficar em Canaã, para por elas provar a Israel. Cinco príncipes dos filisteus, todos os cananeus, os sidônios e os heveus” (Jz. 3:1-8). Destruindo os primogênitos, o povo não podia sacrificar aos seus deuses. Este foi o juízo sobre os deuses.

Conclusão deste estudo:

  1. Atrás daqueles ídolos de pau e pedra, que, como disse Jeová, não andam, não falam, não ouvem, etc, estavam diabos e demônios, como disse Moisés. “Com deuses estranhos o provocaram a zelos; sacrifícios ofereceram aos diabos, e não a deus” (Dt. 32:16-17)“Nunca mais sacrificarão os seus sacrifícios aos demônios, após aos quais eles se prostituem” (Lv. 17:7-9). O interessante é que Jeová reclamava para si aqueles sacrifícios (Lv. 17:9; Dt. 32:17). Jeová se igualava aos demônios e aos diabos que estavam por trás dos ídolos, aceitando os mesmos sacrifícios abomináveis. Jeroboão, filho de Nebate fez dois bezerros de ouro, e pôs um em Betel e outro em Dã, para afastar o povo do templo em Jerusalém (I Rs. 12:26-30). Atrás destes bezerros havia demônios (II Cr. 11:14-15). Jeová nunca conseguiu extirpar a idolatria de Israel. E por quê? Os demônios não ameaçavam e Jeová ameaçava. Os demônios não se vingavam e Jeová se vingava. Os demônios não lançavam maldições como Jeová. Pela violência não se consegue nada, e Jeová perdeu a guerra contra os demônios. A única solução foi destruir seu próprio povo (II Rs. 17:16-21; 23:26-27).
  2. Jeová odiava os egípcios e não os queria salvar (Gn. 15:13-14; Ex. 4:21; 12:29; 14:27-28). A glória de Jeová foi destruir os egípcios (Ex. 15:1-7). A pergunta é a seguinte: Se Jeová não queria salvar os egípcios, porque executou juízos sobre os seus deuses? (Ex. 12:12). Demagogia. O objetivo era promover-se matando formigas. Quando a arca de Jeová foi tomada pelos filisteus, e colocada junto a Dagom, deus dos filisteus, no dia seguinte Dagom estava caído. Jeová então feriu os filisteus com hemorróidas, e encheu a cidade de ratos. A pergunta é a mesma. Por que Jeová desmoralizou o deus dos filisteus se os não queria salvar? A resposta é: Queria promover-se. Queria revelar sua glória destruidora e odiosa sem nenhum propósito salvador. Pura demagogia (I Sm. 5:1-12; 6:4), Jeová criava o temor pelo terror (Dt. 2:25; 11:25; Jr. 7:15; I Cr. 21:30).
  3. Os sacrifícios da lei de Jeová eram uma réplica dos outros povos, e Jeová os aceitava (Ex. 20:24; Dt. 12:11; Dt. 32:17; Nm. 25:4). Sacrifícios que Deus, Pai de Jesus, não aceitou  (Hb. 10:4-8).

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(163) – A EXTINÇÃO

A EXTINÇÃO

A doutrina do Velho Testamento sobre a vida humana era a extinção, isto é, a morte apagava não só a vida física, mas também a espiritual. No livro de Jó lemos: “Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir” (Jó 7:9). Quem deu este conceito foi o próprio Jó, servo de Jeová. Davi concordou com Jó, dizendo a Jeová: “Poupa-me, até que tome alento, antes que me vá, e não seja mais” (Sl. 39:13). E Jó, na sua atroz agonia, depois de perder todos os filhos, e tudo quanto possuía, e ainda ferido da cabeça aos pés com a praga da lepra com autorização de Jeová, falou:“Antes que me vá, para nunca mais voltar, à terra da escuridão e da sombra da morte” (Jó 10:21). “Porque decorridos poucos anos, eu  seguirei o caminho por onde não tornarei” (Jó 16:22).

A doutrina da extinção do homem na morte física começa a tomar forma na voz dos profetas e dos salmistas. O castigo final de Jeová para os ímpios era a extinção total. “BROTAM OS ÍMPIOS COMO A ERVA, E FLORESCEM TODOS OS QUE PRATICAM A INIQUIDADE, MAS PARA SEREM DESTRUÍDOS PARA SEMPRE” (Sl. 92:7). Esse pensamento era tão sólido na mente dos profetas que Isaías declara:“MORRENDO ELES NÃO TORNARÃO A VIVER,  FALECENDO, NÃO RESSUSCITARÃO; POR ISSO OS VISITASTE E DESTRUISTE, E APAGASTE TODA A SUA MEMÓRIA” (Is. 26:14). Esta profecia é para os gentios. O verso treze esclarece. Mas para Israel havia esperança de ressurreição (Is. 26:19). O profeta Jeremias profetiza contra a Babilônia, dizendo: “E embriagarei os seus príncipes, e os seus sábios, e os seus capitães, e os seus magistrados, e os seus valentes; e dormirão um sono perpétuo, e não acordarão, diz o rei, cujo nome é Jeová dos exércitos” (Jr. 51:57). Estas duas profecias , tanto a de Isaías como a de Jeremias, entram em choque frontal com as palavras de Jesus no evangelho de João: “Todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz do Filho de Deus. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” (Jo. 5:28-29). Para Jeová os maus não ressuscitam e para Jesus os maus ressuscitam? O Velho Testamento não concorda com o Novo Testamento, e o deus do Velho Testamento não concorda com o Deus do Novo Testamento. Salomão era profeta de Jeová (I Rs. 8:27; At. 7:47-48). Como profeta, Salomão pronunciou a palavra profética de deus, e essa palavra não pode ser anulada, pois Jesus diz: “Se a lei chamou deuses aqueles a quem a palavra de deus foi dirigia (e a Escritura não pode ser anulada) (Jo. 10:35).

Sendo Salomão profeta, não foi ele que falou, mas Jeová, o deus da lei e dos profetas. E profetizou dizendo: “Deus julgará o justo e o ímpio, porque há um tempo para todo intento e para toda a obra. Disse eu no meu coração: É por causa dos filhos dos homens, para que Deus possa prová-los, e eles possam ver que são em si mesmos como os animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais; a mesma coisa lhes sucede; COMO MORRE UM, ASSIM MORRE O OUTRO, TODOS TÊM O MESMO FÔLEGO; E A VANTAGEM DOS HOMENS SOBRE OS ANIMAIS NÃO É NENHUMA, PORQUE TODOS SÃO VAIDADE. TODOS VÃO PARA UM MESMO LUGAR; TODOS SÃO PÓ, E TODOS AO PÓ TORNARÃO. QUEM ADVERTE QUE O FÔLEGO DOS FILHOS DOS HOMENS SOBE PARA CIMA, E QUE O FÔLEGO DOS ANIMAIS DESCE PARA BAIXO DA TERRA? ASSIM QUE TENHO VISTO QUE NÃO HÁ COISA MELHOR DO QUE ALEGRAR-SE O HOMEM NAS SUAS OBRAS, PORQUE ESTÁ É A SUA PORÇÃO; PORQUE QUEM O FARÁ VOLTAR PARA VER O QUE SERÁ DEPOIS DELE?” (Ec. 3:18-22).

Não me consta que cães vão ressuscitar, nem ratos, nem cobras e lagartos. E, se os homens são exatamente iguais aos animais como declarou Salomão, o profeta, os homens estavam fadados a extinção por Jeová, desde o princípio. Quando Adão foi expulso do paraíso; Jeová sentenciou o seu futuro, dizendo: “Porquanto deste ouvidos a voz da tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também, te produzirá, e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; PORQUANTO ÉS PÓ, E EM PÓ TE TORNARÁS” (Gn. 3:17-19). Pó, na linguagem do Velho Testamento, é extinção total, por isso Jó, no seu infortúnio declarou: “Se eu olhar à sepultura como a minha casa, se nas trevas estender a minha cama, se à corrupção clamar: Tu és meu pai; e aos bichos: vós sois minha mãe e minha irmã; onde estaria então agora a minha esperança? Ela descerá até os ferrolhos do Sheol (inferno), quando juntamente no pó teremos descanso” (Jó 17:13-16). No Velho Testamento, o descanso estava no pó, que era o fim do homem. No Novo Testamento, o descanso está em Jesus, que é a vida eterna (Mt. 11:29).

Jesus Cristo revelou o grande e imensurável amor de Deus, o Pai, dizendo: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16). A palavra perecer deste verso, no grego é APOLIME, e se traduz por extinção. A tradução correta deveria ser: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não seja extinto, mas tenha a vida eterna.” Sendo assim, o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo se colocou contra Jeová  e contra a extinção dos homens. E Jesus, disse: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a  vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo. 5:24). Nesta passagem Jesus se coloca contra a doutrina da extinção de Jeová, e declara que o Pai, que O enviou também é contra.

O plano de Jeová para o seu próprio povo é descrito por Moisés assim: “Falou-me mais Jeová assim dizendo: Atentei para este povo, e eis que ele é povo obstinado; deixa-me que os destrua, e apague o seu nome de debaixo do céu” (Dt. 9:13-14). Isto é muito diferente do Pai, que enviou o seu Filho Unigênito para morrer na cruz pelas nossas obstinações.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(162) – VASOS DE HONRA

VASOS DE HONRA 

 

No Velho Testamento lemos que Jeová, o deus do Velho Testamento é quem forma o espírito de todos os homens dentro deles (Zc. 12:1). É por isso que Moisés e Arão o chamaram de deus dos espíritos de toda a carne (Nm. 16:22). Baseado nesta realidade, Moisés pediu a Jeová que, como o deus que forma o espírito, isto é, o caráter bom ou mau dos homens, colocasse sobre Israel um líder a altura do reino de Jeová, para que o povo de deus não fosse como ovelhas que não tem pastor (Nm. 27:15-17). Jó revela que está na mão de Jeová a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda a carne humana (Jó 12:9-10). Revela também que o entendimento de todos os homens, maus e bons, é inspiração de Jeová. Para provar isto, o próprio Jeová declara que é o oleiro, e como tal, dá a forma que quer ao barro (Jr. 18:1-6). Paulo nos diz o seguinte: “Não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? (Rm. 9:21).

Pois bem. Jeová, o oleiro, falou a Davi, dizendo: “Quando teus dias forem completos e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti a tua semente, que sair das tuas entranhas e estabelecerei o teu reino. Este edificará uma casa ao meu nome e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai e ele me será por filho” (II Sm. 7:12-14;  I Cr. 17:11-14). O nome do filho de Davi, eleito por Jeová como vaso de honra, foi nome escolhido por Jeová, Salomão, que quer dizer pacífico. Este vaso de honra confirmaria o reino de Davi para sempre (I Cr. 22:9-10). Jeová declara também que escolheu Salomão para ser seu filho (I Cr. 28:6).

Pois bem, Salomão foi o pior rei de Israel, pois com a sabedoria dada por Jeová, escravizou o povo e lhe impôs um jugo de ferro, pois estabeleceu impostos pesadíssimos para manter a pompa do trono e a ostentação política (I Rs. 12:4). Quando seu filho Roboão reinou em seu lugar, o povo cansado reclamou do jugo maligno imposto por Salomão. Roboão, seguindo o exemplo do pai, e o conselho dos irresponsáveis, disse: “Meu pai vos castigou com um jugo pesado, ainda eu aumentarei o vosso jugo; meu pai vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões” (I Rs. 12:11).

Salomão, com a sabedoria dada por Jeová, desfrutou dos prazeres da carne como ninguém, pois tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas. Com a sabedoria divina, dada por Jeová, deixou-se corromper pelas mil mulheres estranhas que o acariciavam (I Rs. 11:1-9). Salomão foi o maior idólatra de todos os reis de Israel. Foi, portanto, vaso de desonra, pois por sua culpa o reino foi dividido, ficando para a descendência de Davi apenas Judá e os levitas. Ouçamos as palavras do juízo de Jeová sobre Salomão: Pois que houve isto em ti, que não guardaste o meu concerto e os meus estatutos que te mandei, certamente rasgarei de ti este reino e os darei a teu servo. Todavia nos teus dias não o farei, por amor de Davi teu pai; da mão de teu filho o rasgarei”  (I Rs. 11:11-12).

            Jeová prometeu a Davi que Salomão seria vaso de honra e não de desonra. Salomão foi predestinado por Jeová, e Jeová é quem forma o caráter das pessoas. Isso foi também o que Paulo afirmou em Rm. 9:21. Se Jeová, o oleiro, o todo poderoso oleiro, declarou que Salomão edificaria o templo da sua glória, afirmou ser o pai de Salomão, e a este, seu filho querido (II Sm. 12:24), lhe deu sabedoria divina, (I Rs. 3:12). A sua sabedoria alcançou todos os povos da época (I Rs. 4:29-34). Se este vaso de honra se tornou em vaso de desonra, se Salomão, o pacífico, perdeu a paz com o oleiro, fica provado que o todo poderoso, El Shaday,  não tem poder sobre o barro e quando afirmou isso faltou com a verdade.

Sobre Israel, Jeová, o oleiro, assim se pronunciou: “A todos os que são chamados pelo meu nome, eu os criei para a minha glória; eu os formei, sim, eu os fiz” (Is. 43:7)“Mas agora, diz Jeová que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi, chamei-te pelo teu nome, tu és meu” (Is. 43:1)“Quando passares pelas águas estarei contigo e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti” (Is. 43:2)“Jeová criou e formou Israel para a sua glória e aconteceu o contrário, pois rejeitaram os seus estatutos e o seu concerto, que fizera com os seus pais, como também os seus testemunhos; e andaram após a vaidade, e ficaram vãos, como também após as nações, que estavam em roda deles, das quais Jeová lhes tinha dito que não fizessem como elas. E deixaram todos os mandamentos de Jeová seu deus e fizeram imagens de fundição, dois bezerros, e fizeram um ídolo no bosque, e se prostraram perante todo o exército do céu, e serviram a Baal. Também fizeram passar pelo fogo a seus filhos e suas filhas, e deram-se a adivinhações, e criam em agouros; e venderam-se para fazer o mal aos olhos de Jeová, para o provocar a ira” (II Rs. 17:15-17).

Como aconteceu isso com o povo, se Jeová afirmou ser o oleiro e Israel o barro, sendo a forma moral de Israel dada por Jeová?  Fica evidente que, se Jeová faz um vaso para sua honra e glória, e o vaso se torna vaso de ira, escândalo, vergonha e corrupção, o oleiro não tem poder nenhum.

No Salmos lemos que Jeová mudou o coração dos egípcios para que odiassem Israel, o que de fato aconteceu (Sl. 105:23-25). Sobre o mal Jeová tem todo poder, mas sobre o bem não tem, pois preparou o seu povo para ser bom, mas saiu perverso. Jeremias diz: “Eu mesmo te plantei como vide excelente, uma semente inteiramente fiel; como pois te tornaste para mim uma planta degenerada? (Jr. 2:21).

O único que pode tornar o homem bom é Jesus Cristo. E como? O que crê nele é sepultado e ressuscitado com ele em vida. É uma nova criatura, onde não existem os sinais da velha criação, maculada por Jeová e a sua lei (Cl. 2:12; II Co. 5:17). É o homem criado em verdadeira justiça e santidade (Ef. 4:22-24).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(161) – PRINCIPADOS E POTESTADES

PRINCIPADOS E POTESTADES

Que quer dizer principado? É um pequeno estado independente, cujo soberano tem o título de príncipe. E potestade o que é? É a autoridade constituída. Aquele que tem poder para exercer certas funções.

A Bíblia faz referência a dois tipos de potestades. As do Céu e as da Terra. Vejamos as da Terra, na carta de Paulo a Tito: “Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam e estejam preparados para toda a boa obra. Que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda a mansidão para com todos os homens” (Tt. 3:1-2). Na carta aos Romanos, Paulo entra mais fundo no assunto: “Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há, foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são um terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade. Faze o bem e terás o louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para o teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz mal” (Rm. 13:1-4).

Agora os principados e potestades do céu: “Revesti-vos de toda armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Ef. 6:11-12).

Os principados e potestades da Terra têm domínio sobre os homens, tanto os cristãos como os não cristãos; e Paulo recomenda submissão total como se essas potestades fossem o próprio Deus (Rm. 13:1-4). Em relação aos principados e potestades do céu, (anjos com autoridade e poder), Paulo ordena que coloquemos a armadura espiritual, e entremos em luta mortal com esses principados e potestades. É interessante notar que todos os homens deste mundo estão debaixo da autoridade dos anjos, isto é, principados e potestades. O profeta Daniel faz referência a eles. Havia um príncipe angelical sobre os persas (Dn. 10:13). Havia também um príncipe sobre o governo da Grécia (Dn. 10:20). Os judeus estavam sob a autoridade do arcanjo Miguel (Dn. 10:21; 12:1).

Sendo submissos aos principados e potestades da Terra, os cristãos estão indiretamente submissos aos anjos (principados e potestades), que estão no governo de tal nação  e dirigem as autoridades terrenas. Ora, os anjos estão a serviço de Jeová. “Jeová tem estabelecido o seu trono nos céus e o seu reino domina sobre tudo. Bendizei a Jeová, anjos seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens, obedecendo a voz da sua palavra” (Sl. 103:11-12). Nabucodonozor, que era um querido servo de Jeová, concluiu o seguinte, quando sarou da sua loucura: “Ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonozor, levantei os meus olhos ao céu e tornou-me a vir o meu entendimento e eu bendisse o altíssimo e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno e cujo reino é de geração a geração. E todos os moradores da Terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e com os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão e lhe diga: Que fazes?” (Dn. 4:34-35; Jr. 27:5-6).As autoridades celestiais, os principados e potestades, são adversários da Igreja, ou melhor, dos cristãos (Ef. 6:11-12). O diabo é adversário número um da Igreja e no Apocalipse lemos que o diabo e seus anjos batalham contra o povo de Deus (Ap. 12:7-10). Não é difícil perceber que o diabo ou Satanás faz parte dos principados e potestades que estão a serviço de Jeová, conforme o Sl. 103:11-12. O diabo é, com toda certeza, uma potestade ou príncipe estabelecido por Jeová para destruir a Igreja. Paulo disse: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, podem nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus” (Rm. 8:38-39). E Jesus disse: “O príncipe deste mundo se aproxima e nada tem em mim” (Jo. 14:30). Cristo despojou os principados e potestades: “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo” (Cl. 2:14-15).

Como os anjos estão a serviço de Jeová, são contra a Igreja, Jeová é contra a Igreja. Alguém se espanta com esta declaração? Pois Jeová foi contra o seu povo Israel como adversário. Aqui vão alguns textos: Is. 63:10; Lm. 2:1-5; 2:17.

Vejamos as potestades e principados terrenos. Eram todos inimigos da Igreja. Nero imperador romano (em 64 d.C), matou milhares de cristãos e entre eles Paulo e Pedro. Domiciano (96 d.C) trucidou outros tantos milhares. Neste reinado João foi exilado para Patmos. Trajano (98 a 117 d.C), continuou a matança, nas suas mãos morreu Simão, irmão do Senhor Jesus, bispo de Jerusalém, e que foi também crucificado em 107 d.C. Inácio, bispo de Antioquia, foi lançado às feras (110d.C). Os romanos exigiam que a pessoa amaldiçoasse a Cristo. Se não o fizesse era esquartejado ou lançado às feras. Foram dezenas de milhares de mártires. Marco Aurélio (161 a 180 d.C), cruel e bárbaro, usava a decapitação como meio mais rápido. Justino, o mártir, morreu sob sua mão. Blandina, uma escrava de porte pequeno, foi supliciada dias e só dizia: “sou cristã”. Sétimo Severo (193 a 211 d.C), os mártires eram diariamente queimados, crucificados ou degolados. Décio (249 a 251 d.C), decidiu exterminar o  cristianismo. Multidões pereceram no seu governo debaixo de cruéis torturas. Valeriano, que sucedeu a Décio no trono, e o superou em crueldade, também tentou extinguir o cristianismo (253 a 260 d.C). Diocleciano, foi o último perseguidor e o mais severo. Foi tão feroz que lhe deram o título de ‘besta apocalíptica’.

Se Deus, o Pai, foi quem estabeleceu os principados e potestades, tanto no céu como na terra e estes principados agem de acordo com a sua vontade, então Deus, o Pai de Jesus é o perseguidor, matador e destruidor dos cristãos. Mas Paulo revela que Deus, o Pai de Jesus quer salvar a todos (I Tm. 2:3-4; 4:10). Pedro confirma essa palavra (II Pd. 3:9). E o apóstolo João afirma que Deus, o Pai, é todo feito de amor (I Jo. 4:7-8).

Já que da mesma fonte não pode jorrar água doce e água amargosa, somos obrigados a crer que Jeová é o adversário cruel da Igreja, e Satanás está a seu serviço, como príncipe reinante em lugar de Jeová. Cremos também que o Pai só pode ser visto em Cristo, não através de Cristo, por isso disse: “Se vós me conhecêsseis a mim também conheceríeis a meu Pai (Jo. 8:19). “Quem me vê a mim, vê o Pai; como dizes: mostra-nos o Pai?” (Jo. 14:9). E João disse: “Deus nunca foi visto por alguém, O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o fez conhecer” (Jo. 1:18). Por isso Tomé disse: “Senhor meu e Deus meu” (Jo. 20:28). E disse mais: “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (I Jo. 5:20) 

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(160) – OS DOIS SENHORES

   OS DOIS SENHORES

 

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mt. 6:24).  Com esta frase Jesus assegura que existem dois senhores. E o falso tem tanto poder como o verdadeiro, ou mais. Não se vê ninguém correndo atrás de Deus numa cidade, mas todos correm atrás do dinheiro. Existem grandes Igrejas, mas todas servindo a Mamom. E os cristãos cegos, aprendem nessas Igrejas a servir Mamom. Esse povo todo está servindo a dois senhores, pois vai à Igreja com o fim de ficar rico, e afirma que é salvo por Jesus Cristo. É óbvio que há Igrejas boas, e só Jesus sabe quais são.

Quando Paulo afirma que há um só Senhor, exclui Mamom. “UM SÓ SENHOR, UMA SÓ FÉ, UM SÓ BATISMO” (Ef. 4:5). Acontece que Jesus Cristo não era Senhor antes da crucificação, morte e ressurreição. Leiamos o texto de Paulo. “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que, Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Fl. 2:5-11). Jesus, antes da cruz, não era nem príncipe nem Salvador. Pedro declarou: “O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro. Deus, com a sua dextra o elevou a príncipe e salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados” (At. 5:30-31). O mesmo Pedro afirma que Jesus, antes da cruz, não era Senhor nem Messias. “Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a este Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo (Messias)” (At. 2:36).

Jesus não era Senhor e Salvador no Velho Testamento, de acordo com os textos acima citados, mas Jeová era. “Eu sou Jeová, e fora de mim não há salvador” (Is. 43:11; 45:21). Jesus não era Juiz no tempo em que Jeová era. Leiamos o que o apóstolo Pedro escreveu: “A este, ressuscitou Deus ao terceiro dia, e fez que se manifestasse, não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus antes ordenara; a nós, que comemos e bebemos juntamente com ele, depois da ressurreição dos mortos. E nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído Juiz dos vivos e dos mortos” (At. 10:40-42). Em referencia a Jeová citamos: Sl. 94:1-2; 75:7; 50:6; Gn. 18:23-25.  Jeová não foi elevado ao cargo de juiz, mas declara que sempre foi. Se Jesus foi constituído, houve tempo em que não era, logo são dois personagens de dois cenários diferentes. O Velho e o Novo Testamento. Pois bem. O deus do ouro e da prata sempre foi Jeová, pois ele mesmo o declara. “Minha é a prata e meu é o ouro, disse Jeová dos exércitos” (Ag. 2:8).

A palavra Mamom  quer dizer riqueza, no Grego. E foi Jeová que tirou de Labão, sogro de Jacó, as riquezas, e as deu a Jacó (Gn. 31:16).  Moisés declara que é Jeová quem dá poder para se adquirir riqueza (Dt. 8:18). Jó declara que Jeová é o deus das riquezas materiais. “Se te converteres ao Todo Poderoso, serás edificado; afasta a iniquidade da tua tenda. Então amontoarás ouro como pó, e o ouro de ofir como pedras dos ribeiros. E até o Todo Poderoso te será por ouro, e por prata amontoada. Porque então te deleitarás no Todo Poderoso, e levantarás o teu rosto para Deus” (Jó. 22:23-26).

Jeová aprova o saque. Seu povo Israel guerreava com outros povos, e os saqueava com a bênção de Jeová. Josué falou ao povo, depois que entrou em Canaã: “Voltai-vos às vossas tendas com grandes riquezas, e com muitíssimo gado, com prata, e com ouro, e com metal, e com ferro, e com muitíssimos vestidos, reparti o despojo de vossos inimigos” (Js. 22:8). Davi, o grande rei, sobre este assunto, assim se expressou: “Riquezas e glória vêem de diante de ti” (I Cr. 29:12).  Jeová confirmou o reino na mão de Jeosafá; e teve riquezas e glória em abundância (II Cr.17:5). De onde vinha a riqueza que Jeová deu a Jeosafá? Do saque. “E vieram Jeosafá e o seu povo para saquear os seus despojos, e acharam neles fazenda e cadáveres em abundância, assim como vasos preciosos, e tomaram para si tanto, que não podiam levar mais; e três dias saquearam o despojo, porque era muito” (II Cr. 20:25). E aquele lugar foi chamado, o vale de Beraca, cuja tradução é, vale da bênção (II Cr. 20:26).

Ana, mulher de Elcana cantou profeticamente, dizendo: “Jeová empobrece e enriquece, abaixa e também exalta” (I Sm. 2:7).  Salomão declarou: “O rico e o pobre se encontraram; a todos os fez Jeová” (Pv. 22:2).

O deus das riquezas do Novo Testamento é Mamom, e o deus das riquezas do Velho Testamento é Jeová. Qualquer cego pode ver que Jeová e Mamom são a mesma pessoa, pois Mamom não existia no Velho Testamento, e Jeová afirma que não há outro deus agindo com ele (Dt. 32:39). Pela boca de Isaías Jeová afirma que fora dele não há deus (Is. 45:5). Mas Paulo declara que há um outro, dizendo:“O deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos” (II Co. 4:4).

O fato é que Jesus não está associado nem a Jeová e nem a Mamom, pois nasceu pobre, viveu pobre, e afirmou que o evangelho é para os pobres (Mt. 11:5).  E mandou um rico que queria ir para o céu vender tudo o que tinha e distribuir entre os pobres (Mt. 19:16-24). Um outro que queria ficar muito rico, Jesus chamou de louco e condenou à morte (Lc. 12:16-21). Um outro rico que não teve caridade com um pobre, morreu e foi para o inferno, pois era adorador e servo de Mamom.  Uma coisa é clara no Novo Testamento: Jesus não proíbe a riqueza, mas adverte que o seu veneno é mortal.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

 

(159) – O MINISTRO DO PECADO

O MINISTRO DO PECADO

O ministro do pecado é um deus cuja doutrina tem como base o pecado. Em todos os cultos se fazem sacrifícios pelos pecados. Como o pecado faz parte da imperfeição dos homens, esses sacrifícios, que continuamente se oferecem são também imperfeitos (Hb.10:1-2). Onde há ministros do pecado, há também, cada ano, comemoração pelo pecado (Hb. 10:3).

O apóstolo Paulo declarou: “Como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens,  por isso que todos são pecadores” (Rm. 5:12). Com esta declaração Paulo revela que onde há pecado, há morte, e nunca a vida, pois o salário do pecado é a morte (Rm. 6:23). Para que o dom  gratuito de Deus, que é a vida eterna, reine, é preciso que o pecado seja extirpado da vida do cristão. Por isso Paulo afirma que para sermos servos da justiça devemos ser libertados do pecado (Rm. 6:18). O que nos parece, é que, quem é libertado do pecado, não é mais escravo do pecado, isto é, não peca mais contra a própria vontade, por isso Paulo diz:“Porque a lei do espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” (Rm. 8:2). Se algum teólogo ou doutor afirmar que o verso dois de Rm. 8 não faz parte do original grego, porque é ministro do pecado, citamos João, que diz: “Bem sabemos que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca, não o viu nem o conheceu” (I Jo. 3:5-6). E rematamos com as palavras do apóstolo João, dizendo: “Quem comete pecado é do diabo” (I Jo. 3:8). Quem peca se faz servo do diabo, e quem não peca se faz servo de Cristo. É isto que está emRm. 6:16-18.

No Velho Testamento, durante o ministério do pecado e da morte, o pecado tinha muito peso contra a vida. A alma que pecasse morria sem misericórdia (Ez. 18:4; Hb. 10:28). Não havia apelação. Quando o povo estava às porta da terra prometida, Acã lançou mão do despojo, e tomou para si uma boa capa babilônica, duzentos siclos de prata e uma cunha de ouro. O deus Jeová logo o acusou, e foi condenado a morte; e com ele foram condenados ao apedrejamento seus filhos, suas filhas, e a seus bois, e a seus jumentos, e as suas ovelhas, e a sua tenda, e a tudo quanto tinha; todo o Israel os queimaram a fogo, e os apedrejaram com pedras (Js. 7:20-21, 24-25).

Nadabe e Abiú, filhos do Sumo Sacerdote Arão, puseram incenso nos incensários, e trouxeram fogo estranho perante a face de Jeová. Então saiu fogo de diante de Jeová e os matou na hora, e sem apelação (Lv. 10:1-2).

Um israelita menos avisado foi  achado apanhando lenha no dia de sábado,  coisa proibida por Jeová na lei. O caso foi levado por Moisés a Jeová, que disse: Seja apedrejado até a morte (Nm. 15:32-36).

Coré, bisneto de Levi, juntou-se a Datz e Abirão, e mais duzentos e cinqüenta varões de nome, dos escolhidos de Israel, e juntos se rebelaram contra Moisés e Arão. Estes três varões, com suas mulheres, filhos e crianças desceram vivos ao sepulcro, pois Jeová abriu a terra e os tragou vivos, Também saiu fogo de diante de Jeová e consumiu os duzentos e cinqüenta varões maiorais dentre o povo. O povo reclamou desta matança e Jeová mandou uma praga que matou catorze mil e setecentas pessoas. E só parou porque Moisés e Arão fizeram expiação pelos pecados do povo. Se não fosse isso, Jeová mataria milhões. Há muito mais casos no Velho Testamento. Como não houvesse apelação, e o salário do pecado fosse a imediata morte, os sacrifícios pelos pecados eram muito importantes. E os sacerdotes podiam ser chamados de ministros do pecado (Hb. 5:1-4; 10:1-4). Eram tantos os sacrifícios diários que o cheiro do açougue ia longe. Eram milhares de ovelhas, bezerros, pombos, carneiros, etc., sacrificados diariamente.

Pois bem, Jesus Cristo morreu na cruz pelos pecadores, segundo Paulo que disse: “Esta é uma palavra fiel e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (I Tm. 1:15)“Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi, que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (I Co. 15:5). Agora Pedro fala: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça” (I Pd. 2:24). E o sacrifício de Cristo não se repete diariamente como no Velho Testamento. “E assim, todo sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados. Mas este (Jesus), havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à dextra de Deus”(Hb. 10:11-12).

Se os cristãos continuam pecando como os israelitas, o sacrifício de Cristo também não tira os pecados, pois não houve nenhuma mudança no caráter dos cristãos. Todos são farinha do mesmo saco. Se o cristão, após a conversão, continua pecando à sombra da cruz, faz de Jesus Cristo ministro do pecado. Leiamos o que Paulo declarou: “POIS SE NÓS, QUE PROCURAMOS SER JUSTIFICADOS POR CRISTO, NÓS MESMOS TAMBÉM SOMOS ACHADOS PECADORES; É PORVENTURA CRISTO MINISTRO DO PECADO? DE MANEIRA NENHUMA” (Gl. 2:17).

Se no Velho Testamento, os pecadores eram inapelavelmente mortos, e no Novo Testamento, Cristo acoberta os pecados, pois a voz corrente dos crentes e dos pastores é: “EU PECO E SOU SALVO”, Jesus Cristo é ministro do pecado. É mais ou menos como o policial que protege o ladrão assaltante. É a corrupção das autoridades.

Se a injustiça de Deus é tão grande, que os pecadores que pecavam antes de Cristo eram condenados, e os pecadores de Cristo são salvos, os cristãos são sete vezes piores do que os não cristãos. E se o quadro da cristandade é esse, porque Paulo afirma que “quem está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas passaram, e tudo se fez novo” (II Co. 5:17), se cristão peca, não é nova criatura, e Paulo se enganou. Por que Paulo diz: “Que quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso sentido; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef. 4:22-24). E Paulo define as coisas que não podem fazer parte da vida do cristão: “Mortificai pois os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o apetite desordenado, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;  NAS QUAIS TAMBÉM EM OUTRO TEMPO ANDASTES, QUANDO VIVÍEIS NELAS. Mas agora despojai-vos também de tudo; da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca. Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl. 3:5-10).

Se os cristãos continuam pecando depois do novo nascimento, tudo é velho e não houve novo nascimento, pois todos os vícios acima citados constituem o corpo do pecado, que não foi desfeito (Rm. 6:6). Paulo se enganou, e o Espírito Santo não santifica ninguém. Os cristãos desse naipe são frutos podres, como eram os filhos de Jeová no Velho Testamento (Is. 1:2-4; Dt. 32:17-25).

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(158) – O TODO PODEROSO

O TODO PODEROSO

 

Que é Todo Poderoso? É o que pode tudo. É o que tem poder sobre todas as coisas, tanto as boas como as más, pois se não tem poder sobre o mal não é todo poderoso. Jeová se apresentou em pessoa para Abraão, dizendo: “Eu sou o deus todo poderoso; anda em minha presença e sê perfeito” (Gn. 17:1).Todo poderoso na língua hebraica é SHADAY, e deus todo poderoso é EL SHADAY.

El Shaday, ou o Todo Poderoso, assim se definiu: “Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum Deus comigo; eu mato e eu faço viver, eu firo e eu saro; e ninguém há que escape das minhas mãos” (Dt. 32:39). “Porque Jeová dos exércitos o determinou; quem pois o invalidará?  E a sua mão estendida está; quem pois a fará voltar atrás? (Is. 14:27). Com estas duas declarações Jeová, o todo poderoso El Shaday está garantindo o futuro do seu povo Israel. Ele disse: “Porque a porção de Jeová é o seu povo; Jacó é a corda da sua herança” (Dt. 32:9).  “Assim diz Jeová que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu” (Is. 43:1). “Eu sou Jeová, que vos santifica” (Ex. 31:13). Repetiu as mesmas palavras em Lv.20:8  Ezequiel repete, dizendo: “Lhes dei os meus sábados, para que servissem de sinal entre mim e eles; para que soubessem que eu sou Jeová que os santifica” (Ez. 20:12). Também Jeová disse a Jeremias: “Desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras. E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas. Como o vaso, que ele fazia de barro, se quebrou nas mãos do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos seus olhos fazer. Então Jeová falou: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz Jeová. Eis que tomo o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, o casa de Israel” (Jr. 18:2-6).Isaías disse: “Mas agora, ó Jeová, tu és o nosso pai; nós o barro e tu nosso oleiro; e todos nós obra das tuas mãos” (Is. 64:8).

Se Jeová se declara Todo Poderoso, dizendo que nenhum deus poderia interferir na sua obra, e declara também que criou e formou Israel para sua glória, e ainda afirma que é ele que santifica o seu povo, Israel deveria ser o melhor povo deste mundo, o que não acontece. Israel se corrompeu e se prostituiu contra a vontade do oleiro. Na realidade, o oleiro que formou Israel foi o diabo, por isso Jesus lhes disse: “Vós tendes por pai o diabo” (Jo. 8:44). Ou o oleiro foi o diabo, e neste caso Jeová fala que é o Todo Poderoso mas não é, ou Jeová trabalhou para satanás, fabricando vasos de perdição. Paulo registrou o seguinte: “O oleiro, isto é, Jeová, tem poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra. E que direis, se Jeová, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparando para a perdição, para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou” (Rm. 9:21-23). Só Jeová tem poder para operar no comportamento das pessoas, por isso, Isaías declarou: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?” (Is. 43:13).

Na realidade, satanás não tem poder nenhum; apenas se aproveita da situação, ou melhor, o surfista Satanás sabe correr as ondas.

Sendo El Shaday quem forma o caráter das pessoas, e não havendo nenhum outro poder capaz de interferir, mudar ou estragar o que Jeová faz, ao eleger Israel por povo seu, ninguém, no céu e na terra tinha poder para interferir. “Filhos sois de Jeová vosso deus; não vos dareis golpes, nem poreis calva entre vossos olhos por causa de algum morto, porque és povo santo a Jeová teu deus, e Jeová te escolheu de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu povo próprio” (Dt. 14:1-2).  Deu estatutos e leis para que o povo fosse santo, pois essa era a vontade do oleiro, o todo poderoso. Mas a sua vontade não se realizou no seu povo, como se Jeová não fosse o oleiro que afirmou ser. O que nos espanta, é que Jeová tem poder para mexer no caráter das pessoas, pois mudou o coração dos egípcios para que aborrecessem e odiassem Israel (Sl. 105:23-25). Os egípcios eram simpáticos para com Israel por causa de José, mas Jeová os tornou odiosos. Quando Faraó se comovia a ponto de libertar o povo, Jeová, o Todo Poderoso, endurecia o coração (Ex. 4:21). Foi Jeová que formou o coração de Ismael para ser adversário dos irmãos (Gn. 16:11-12).

A maravilha é que, querendo a bondade, fidelidade e santidade do seu povo, não o conseguiu, pois o povo se corrompeu. Jeová bradou: “Eu mesmo te plantei como vide excelente, uma semente inteiramente fiel; como pois te tornaste para mim uma planta degenerada, de vide estranha?” (Jr. 2:21). O oleiro falhou, ou está formando um povo degenerado. Parece que Jeová estava interessado em corromper a Israel, pois Isaías disse: “Porque, Jeová, nos fazes desviar dos teus caminhos. Porque endureces o nosso coração, para que te não temamos?” (Is. 63:17).

A conclusão a que chegamos, é que o Todo Poderoso Jeová tem todo poder sobre o mal, mas não tem poder sobre o bem, pois mudou o coração dos egípcios para serem maus, e não teve poder para mudar o coração do povo de Israel para serem bons. Ao contrário, fazia errar o seu povo. Vejamos. É Jeová que forma o espírito dos homens dentro deles (Zc. 12:1).  Jó afirma que o espírito de toda carne humana, e também suas almas, estão todos na mão de Jeová (Jó 12:9-10).  Mas os homens são maus desde a infância. Isso lemos em Gn. 6:21. Jeová declara que os homens todos são maus (Sl. 14:2-3). Isto nos leva a entender que o espírito que Jeová forma dentro do homem é mau. Fica assim provado que Jeová é o Todo Poderoso para fazer o homem mau, mas não para fazê-lo bom. A prova é que destruiu toda a humanidade no dilúvio porque eram maus, e não tendo poder para mudar seus corações, destruiu-os.

Jeová mesmo confessa que todo mal que possa acontecer, vem dele (Am. 3:6).

O Todo Poderoso tem tanto poder sobre o mal, que o próprio satanás, pediu autorização a El Shaday para fazer a mal a Jó, pois não quis assumir sozinho um mal tão infame. Isto lemos em Jó. 1:6-12 e 2:1-7.

A prova de que Jeová tem todo poder sobre o mal está em Jr. 18:11: “Fala aos homens de Judá, e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Assim diz Jeová: Eis que estou forjando um mal contra vós.” E a prova que Jeová não tem poder sobre o bem está em Rm. 8 que diz: “Porque a criação ficou sujeita a vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm. 8:20-21).

Esta libertação vem através de Jesus, que recebeu todo o poder, do Pai, após a ressurreição (Mt. 28:18). E Jesus não faz o mal, mas só o bem (Jo. 15:13).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(157) – O ESCRAVISMO

O ESCRAVISMO

 

Escravismo é o sistema de governo dos escravistas,  isto é, daqueles que defendem a escravidão e a escravização. Escravismo é o mesmo que escravagismo. Escravocracia refere-se ao poder e domínio dos escravocratas. Escravocrata é o escravo possuidor de escravos. É o escravo com poder sobre outros escravos. Todo sistema, político ou religioso, onde existe escravidão e escravização, é perverso e diabólico, pois ferem frontalmente os três direitos inalienáveis do homem: A VIDA,  a LIBERDADE, e a CONQUISTA DA FELICIDADE.

Jesus Cristo não é escravagista ou escravista. Na sua pregação dizia: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo. 8:32). Isto dizia ele aos judeus religiosos, os escribas e fariseus, que conheciam de cor o Velho Testamento. João, no seu Evangelho, diz: “A lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo. 1:17). Jesus e João se referiram à verdade como se não existisse verdade na lei e no Velho Testamento. Convém lembrar que a lei e o Velho Testamento fazem parte do Velho Concerto, e nada têm a ver com as profecias sobre Jesus.

O ministério de Jesus foi e é ministério de libertação, pois todos os homens são escravos de quatro maneiras diferentes:

  1. Os homens são escravos do pecado, pois não podem deixar de pecar. Lemos isso em Jo. 8:32-35e Rm. 6:17-18.
  2. Os homens são escravos de Satanás e das trevas, e por isso são oprimidos. Paulo explica essa escravidão com as seguintes palavras: “Noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Ef. 2:2-3). E Jesus veio para libertar do diabo e seus espíritos malignos (At. 26:18).
  3. Os homens são escravos da lei, isto é, não fazem o mal porque a lei proíbe, e não por bondade. Não é a virtude que os move, mas o temor e o medo. No caso dos Judeus, sendo escravos da lei, são escravos de Jeová que a promulgou. Assim também os muçulmanos, que por temor de Alá não fazem o mal; ou os budistas, etc. (Ez. 18:4).
  4. Os homens são escravos da carne, de seus apetites e desejos, de suas paixões e concupiscências, que os levam à morte espiritual. Paulo diz: “Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, obravam em nossos membros para darem fruto para a morte” (Rm. 7:5). “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito, mortificardes as obras da carne, vivereis” (Rm. 8:13). 

Pois bem. O Espírito de Cristo leva o cristão a crucificar a carne, e assim é completamente libertado dela (Gl. 5:24). Cristo nos liberta das maldições da lei, na cruz (Gl. 3:13; Rm. 6:14). Cristo liberta o homem de Satanás como lemos em  At. 26:18, e Cristo liberta o cristão de maneira total. Cristo é abolicionista, pois acaba com todo tipo de escravidão. O Espírito Santo que Jesus derramou sobre os discípulos em Atos II , é chamado por Paulo de Espírito de liberdade (II Co. 3:17).

No Velho Testamento, Jeová é escravagista. Levou a descendência de Abraão ao Egito para ser escrava, e anunciou a Abraão antecipadamente em Gn. 15:13-14. O plano era preparar Israel na política escravagista, para escravizar futuramente outros povos. Dando as leis da guerra por Moisés, Jeová declarou: “Quando te chegares a uma cidade para combatê-la, apregoar-lhe-ás a paz, e será que se te responder em paz, e te abrir, todo o povo que se achar nela te será tributário e te servirá” (Dt. 20:10-11). “Se porém, ela não fizer paz contigo, mas antes te fizer guerra, então a sitiarás, e Jeová teu deus a dará na tua mão, e a passarás a fio de espada.” Este é o espírito escravagista de Jeová. Escravidão ou morte. Não é o espírito de Jesus Cristo e do Pai. Jeová apoiava a escravidão, pois na lei lemos que o escravo trabalhava para o israelita como escravo (Ex. 23:12). No livro de Levíticos está escrito que o israelita não pode ser escravo em Israel (Lv. 25:38-42). A respeito de outras raças, Jeová declara: “E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das gentes que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas. Também os comprareis dos filhos dos forasteiros, que peregrinam entre vós, deles e de suas gerações que estiverem convosco, que tiverem gerado na vossa terra; e vos serão por possessão. E possuí-los-eis por herança para vossos filhos depois de vós, para herdarem a possessão; perpetuamente os fareis servir, mas sobre vossos irmãos, os filhos de Israel, não vos assenhoreis deles com rigor” (Lv. 25:44-46).

Quando Israel entrou em Canaã, chefiados por Josué, os cananeus que habitaram no meio dos efraimitas eram tributários e escravizados, de acordo com os ensinamentos recebidos no Egito, e a gosto de Jeová (Js. 16:10). Os manassitas fizeram o mesmo com os cananeus (Js. 17:13). Zebulom também não expulsou os cananeus, fazendo-os escravos e tributários (Jz. 1:28-30). Aser e Naftali seguiram a política escravagista de Efraim, Manassés e Zebulom, conforme a vontade de Jeová (Jz. 1:31-33).. A tribo de Dã e de José agiram do mesmo modo com os amorreus (Jz. 1:34-36). A política Israelita era escravagista porque o seu deus também era, e ordenou na lei que agissem desse modo. Salomão, que recebeu de Jeová toda sabedoria e ciência, submeteu os heteus, os amorreus, os perizeus, os heveus e os jebuzeus, fazendo-os tributários e servos (II Cr. 8:7-8).

Quando o povo de Israel se virava para os ídolos, Jeová invertia a escravidão, entregando o seu povo na mão dos escravos tributários, que por vingança usava da maior crueldade (Jz. 2:13-15). Israel ficou escravo de Cusã-Rizataim, rei da Babilônia, por oito anos, a gosto de Jeová (Jz. 3:8). Depois Jeová os entregou a Eglom, rei dos moabitas por dezoito anos (Jz. 3:12-14). Jeová os entregou mais tarde a Jabim, rei de Canaã por vinte anos (Jz. 4:1-3). Foram sete cativeiros perfazendo 111 anos. A pergunta que fazemos a esse deus truculento, é que, se entregar o rebelde na mão dos criminosos, ele será curado? A experiência humana tem provado que o que conviveu com os perversos se corrompe. Jeová, sendo deus, não sabia disso? Quando um pai quer corromper sua filha, obriga-a a andar com prostitutas. Isto é o que fazia Jeová com Israel. Jesus Cristo fez o contrário, trazendo a graça sobre todos os que estavam predestinados a escravidão da corrupção (Rm. 8:19-23).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(156) – ANJO DE LUZ

                  ANJO DE LUZ

 

O apóstolo Paulo se refere a este personagem, dizendo:“Satanás se transforma em anjo de luz” (II Co. 11:14). Satanás é o acusador dos cristãos no céu  (Ap. 12:10).É o pai da mentira (Jó 8:44;  II Ts. 2:9). É o adversário dos santos (I Pd. 5:8). É quem arma ciladas para derrubar os cristãos (Ef. 6:11; II Tm. 2:26). São tantas as ocupações maléficas de satanás, que não sobra tempo nem espaço para se transformar em anjo de luz. Mas se Paulo, o maior apóstolo, afirmou, nós aceitamos e cremos.

Que é anjo de luz? É o portador da luz. Lúcifer é o portador da luz, e satanás é o príncipe das Trevas (At. 26:18; Ef.6:12). Quem é o portador da luz? É Jesus, que declarou: “Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça em trevas.” (Jo. 12:46). E Jesus é também a estrela da manhã, pelas palavras do apóstolo Pedro (II Pd. 1:19).  O próprio Senhor Jesus Cristo afirma que é  a resplandecente estrela da manhã  (Ap. 22:16).

O título de estrela da manhã foi dado a Nabucodonosor, rei da Babilônia pelo profeta Isaías (Is. 14:12). Os cristãos, a partir do terceiro século, convencionaram aplicar Is. 14:12 a satanás, e assim, Nabucodonosor é uma figura de satanás, mas isto é pura interpretação teológica baseada em Lc. 10:18 e Is. 14:12. Lucas narra que Jesus viu satanás cair do céu na terra, e em Is. 14:12 está escrito que a estrela da manhã caiu do céu.

Satanás transformando-se em anjo de luz, é satanás transformando-se em Jesus Cristo.  As obras de satanás são perversas e tenebrosas, mas como os cristãos querem riquezas, casas e carrões, ele vem distribuindo estas coisas.

Os que as recebem glorificam a Jesus , mas quem dá é o diabo. Jesus não pode dar essas coisas, pois a esses ordenou que não buscassem as riquezas deste mundo, e as outras que já as tinham, mandou dar aos pobres para poder entrar no céu (Mt. 6:19-24; Mt. 19:16-25). Se Jesus não dá essas coisas mas aparece outro Jesus que é especialista em aquinhoar os mundanos com tais obséquios, este tal só pode ser o diabo, e assim satanás se transforma em anjo de luz. Satanás ofereceu para Jesus poder, glória e riqueza, explorou sua fome e sua vaidade na hora da necessidade, pois estava no deserto em jejum por quarenta dias. Satã apareceu como anjo de luz para socorrê-lo. Se Jesus aceitasse teria de adorá-lo como Deus. O texto bíblico diz assim: “E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares , tudo será teu ” (Lc. 4:5-8).

O próprio Jesus advertiu os apóstolos de que seria precedido, na sua vinda, por falsos cristos.“Acautelai-vos, que ninguém vos engane; porque muitos virão em meu nome,  dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos” (Mt. 24:4-5).  “ Se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito, porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mt. 24:23-24).

O cristão sincero, mas que crê de forma errada, isto é, crê no falso cristo, está garantido em sua fé? Pode um cristão cheio do Espírito Santo crer de forma errada? Jesus explicou que no seu campo, isto é, na igreja, existe o joio e o trigo. O joio a que Jesus se refere é uma planta muito parecida com o trigo quando ainda nova, mas depois de crescida é complemente diferente, e é venenosa. Tanto o joio como o trigo são os cristãos. O cristão neófito ainda tem vícios, pois não atingiu maioridade espiritual, mas busca a perfeição com todas as suas forças, ao passo que o joio é o cristão sincero, mas que não crê na perfeição espiritual e assim se torna um veneno para a sã doutrina. Somente quando as duas plantas amadurecerem e se tornarem diferentes, é que podem ser separadas. Isso se dá na ceifa. O joio são os cristãos alimentados por satanás transfigurado em anjo de luz. O trigo são os cristãos que aborrecem este mundo, aborrecem a carne com suas paixões e concupiscência, como Paulo,  que crucificou a carne(Gl. 2:20), e crucificou o mundo com suas ilusões e fantasias (Gl. 6:14). E Paulo ensinava que o verdadeiro cristão segue seu exemplo. “Os que são de cristo crucificam a carne com suas paixões e concupiscências.” (Gl. 5:24) .

É possível ter toda a fé e se perder? Paulo disse: “Ainda que eu tivesse o dom de profecia , e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que eu tivesse toda a fé, de maneira nenhuma tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria” (I Co. 13:2). Tudo que trata dos nossos direitos nesse mundo, tudo que está ligado aos nossos interesses pessoais neste mundo, tudo deste mundo que enche nossos olhos, tudo o que satisfaz os desejos da carne, tudo o que é elevado entre os  homens, todas estas coisas procedem de satanás transfigurado em anjo de luz, e conduzem multidões de cristãos para o inferno. É por isso que Jesus disse: “Nem todo aquele que me diz: Senhor! Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor! Senhor! Não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? Então vos direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt. 7:21-23). Eram cristãos, trabalharam em nome de Jesus, mas para o anjo de luz .

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

 

(155) – A CONFISSÃO

    A CONFISSÃO

           Que é confissão? Existem dois sentidos para a palavra “confissão”. O primeiro é a declaração dos próprios erros ou culpas. O segundo é a profissão de fé religiosa, ou declaração de fé. Um cristão confessa o catolicismo romano e outro cristão confessa o protestantismo. São duas confissões diferentes. Vamos ver isso praticamente. Nos evangelhos, chegando Jesus às partes de Cesaréia, interrogou os discípulos, dizendo: “Que dizem os homens ser o Filho do homem? Uns disseram: João Batista, outros Elias, e outros Jeremias ou um dos profetas. E disse-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou? Pedro então disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Esta foi a confissão de Pedro (Mt. 16:13-17).  Quando Jesus ressuscitou dos mortos, apareceu milagrosamente aos discípulos, que estavam numa sala de portas fechadas. Tomé não se achava presente com os discípulos, e estes lhe disseram depois:“Vimos o Senhor”. Mas Tomé respondeu: “Eu não creio. Se eu não ver o lugar dos cravos e não puser o dedo no lugar dos cravos e não meter a minha mão no seu lado traspassado, de maneira nenhuma crerei. Oito dias depois, os discípulos estavam reunidos, e Tomé com eles. Jesus apareceu novamente, e disse a Tomé: Tomé, põe o teu dedo nas minhas mãos; e chega a tua mão e põe no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. Tomé disse: Senhor meu e Deus meu.” Esta foi a confissão de Tomé (Jo. 20:10-28).

Saulo era o grande perseguidor dos cristãos, e tinha cartas com permissão para prender e matar. No caminho de Damasco, uma luz do céu o cegou, e caindo por terra, ouviu a vós de Jesus, dizendo: “Saulo, Saulo, porque me persegues? Saulo perguntou: Quem és? E Jesus disse: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Paulo, tremendo e atônito, disse: Senhor que queres que eu faça?” Esta foi a confissão de Paulo. De perseguidor atroz, passou a servo (At. 9:1-6).

Vejamos a confissão no Velho Testamento. Jeová se revelou a Israel no Egito através de Moisés, que foi o seu mediador. Chamou Moisés ao Monte Sinai e lhe deu mandamentos e estatutos. O próprio Jeová escreveu as tábuas da lei (Dt. 9:10-20). Quando Moisés desceu pela segunda vez, trazendo outras tábuas da lei, intermediou um concerto entre Jeová e o povo. Nesse concerto, Jeová leu as palavras da lei e os estatutos. Então o povo respondeu dizendo: “Todas as palavras que Jeová tem falado, faremos” (Ex. 24:1-3). Esta foi a confissão do povo. Então os mancebos mataram bezerros, e o sangue foi espargido pelo altar e sobre o povo (Ex. 24:4-8). Pois este povo que confessou a Jeová morreu no deserto por ter murmurado. Qual foi a murmuração?  Medo, pois os dez espias infamaram a terra (Nm. 14:1-3; 14:21-23). No Novo Testamento lemos que Jeová jurou que eles  jamais teriam descanso (Hb. 3:17-19). As pessoas que não ouviam a voz de Jeová passavam a ser odiadas por este deus, e se mais tarde se arrependessem, não eram aceitos jamais; e Jeová zombava da sua oração e do seu clamor (Pv. 1:23-28; Is. 65:12; Mq. 3:4). A indagação que fazemos é: Os que confessam a Jeová como deus e salvador estão garantidos se são inocentes e justos? — Vejamos: Jeová incitou a Davi para numerar o povo, e foi prontamente atendido, pois Davi era obediente. Irado com Davi, porque obedeceu, Jeová mandou um anjo que matou de peste setenta mil almas. Davi então repreende esse deus destruidor dizendo: “Quem pecou fui eu. Estas ovelhas são inocentes destrói a mim e a casa de meu pai” (II Sm. 24:1; 24:15-17). Em setenta mil inocentes que morreram, quantas viúvas ficaram sofrendo e quantos órfãos. Em outra ocasião, quando Davi adulterou com Bat-Seba, Jeová o perdoou, mas não perdoou a criança que acabara de nascer (II Sm. 12:14). O mais grave é que Urias, marido de Bat-Seba era justo e puro. Pois Jeová protegeu a adúltera e permitiu que o marido santo morresse (II Sm. 11:2-17).

Os crentes em Jeová não têm garantia nenhuma. Se der um acesso de ira, Jeová mata todo mundo. Quando Davi levou a arca de Jeová para Jerusalém, esta foi colocada num carro novo. Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe guiavam o carro. No caminho, junto à eira de Nacom, o carro pendeu e a arca escorregou. Para que esta não caísse, Uzá segurou com a mão, pois era zeloso. Então a ira de Jeová se acendeu contra ele, e ali morreu por imprudência. Ninguém está seguro, dos que confessam a Jeová (II Sm. 6:1-7). Os justos, no Velho Testamento, são somente os israelitas fiéis e observadores da lei de Jeová. Isso é o que ensina o Salmo primeiro. E Jeová garante a vida dos justos (Pv. 10:11, 16, 30). Jeová ama os justos (Sl. 146:8). Quando Jeová se enche de furor destruidor, mata os justos juntamente com os ímpios. E os justos são os que confessam a Jeová como deus e permanecem fiéis de acordo com a lei. Leiamos o que diz o profeta Ezequiel da parte de Jeová: “Filho do homem, dirige o teu rosto contra Jerusalém, e derrama as tuas palavras contra os santuários, e profetiza contra a terra de Israel, e dize a terra de Israel: Assim diz Jeová: Eis que sou contra ti, e tirarei a minha espada da bainha, e exterminarei do meio de ti o justo e o ímpio. E, por isso que hei de exterminar do meio de ti o justo e o ímpio, a minha espada sairá da bainha contra toda a carne” (Ez. 21:2-4). Quando Jesus avisou dizendo: “Na vossa fuga diante do mal que virá, ai das grávidas e das que amamentam, pois haverá tal aflição qual nunca houve desde o princípio do mundo até agora”,  Jesus faz referência ao furor de Jeová contra o seu povo (Mt. 24:15-21).

Quando Jesus veio a este mundo, sua missão gloriosa foi revelar o Pai e o seu amor infinito. Os sacerdotes e os príncipes, os fariseus e os saduceus, enfim todo o povo juntamente com eles, confessavam a Jeová como único deus. Mas Jesus lhes disse: “Não me conheceis a mim nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis ao Pai” (Jo. 8:19). João Batista testificou o seguinte:“Deus nunca foi visto por ninguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o fez conhecer” (Jo. 1:18).

O conhecimento do Pai depende do conhecimento de Cristo. É impossível conhecer o Pai sem conhecer primeiro a Cristo, pois Jesus é a imagem expressa do Pai (Hb. 1:3). O que o Filho é, também é o Pai. Jesus declarou ser manso e humilde (Mt. 11:28).  Jeová é iracundo, e furioso e vingativo (Dt. 32:22-25; Na.1:2; Sl. 7:11). Jesus amou os seus discípulos até o fim (Jo. 13:1). A ira de Jeová caiu sobre o seu povo até o fim (I Ts. 2:16). Com estes e outros atos de fúria Jeová se deu a conhecer ao seu povo, sem ser através de Jesus (Ez. 20:5). “Por meio da peste, e do sangue, de saraiva de grandes pedras, fogo e enxofre, me farei conhecer aos olhos de muitas nações” (Ez. 38: 22-23). O Pai se deu a conhecer através do amor do Filho (Jo. 15:13; Rm. 8:31-34).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(154) – SALVOS DA IRA

SALVOS DA IRA

 

Jesus Cristo salva o homem da ira de deus ou do diabo? Do diabo não é, pois é sedutor (II Co. 11:14; Lc. 4:5-8). Vemos o exemplo de Adão e Eva (Gn. 3:1-6). Quem castiga com ira é Jeová (Gn. 3:22-24; Sl. 6:1; 38:1-2)“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar a ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu darei a recompensa, diz Jeová” (Rm. 12:19; Dt. 32:35). Ninguém se entrega ao diabo por medo, mas por prazer (II Tm. 2:25-26). Os que se entregam a Jeová, o fazem por medo, por isso está escrito: “O temor de Jeová é o princípio da sabedoria” (Pv. 1:7; 9:10; Sl. 111:10).

O método de Jeová atrair as pessoas é a ameaça. “Jeová é um deus que se ira todos os dias. Se o homem se não converter, Jeová afiará a sua espada; já tem armado o seu arco, e está aparelhado; e já para ele preparou armas mortais, e porá em ação as suas setas inflamadas” (Sl. 7:11-13).

Salvar do diabo é salvar do álcool, do fumo, das drogas, da prostituição, da mentira, da injustiça, da sodomia e do crime. Estas coisas são as obras das trevas (Ef. 5:3-8). Jesus enviou Paulo para: “Abrir os olhos, e das trevas os converter à luz, e do poder de Satanás a Deus” (At. 26:18).

 Jesus livra da ira e da condenação de Jeová os perdidos que o diabo iludiu e seduziu. Os que não aceitam a libertação de Jesus permanecem debaixo da ira de Jeová (Jo. 3:36). Jeová disse: “E com ira e com furor exercerei vingança sobre as nações que não ouvem” (Mq. 5:15). “O que estiver longe morrerá de peste, e o que estiver perto morrerá à espada, e o que ficar de resto e cercado morrerá de fome, e cumprirei o meu furor contra eles” (Ez. 6:12). Jeová guarda a ira, e o furor vai acumulando para uma cruel vingança (Na. 1:2).

A ira de Jeová continua no Novo Testamento: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas, a ira de Jeová sobre ele permanece” (Jo. 3:36). “Ninguém de maneira nenhuma vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de deus sobre os filhos desobedientes” (Ef. 5:6; Cl. 3:5; I Ts. 2:14-16). A ira de Jeová é eterna, e não dá lugar ao amor. João Batista declarou: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” (Mt. 3:7). Os maus entesouram ira para o dia da ira futura (Rm. 2:5). Jesus nos livra da ira futura (I Ts. 1:10). Fica provado que Jesus não livra da ira do diabo, e sim da ira de Jeová.

No Apocalipse lemos sobre a ira: “O tal beberá do vinho da ira de deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do cordeiro” (Ap. 14:10). Jeová vai pisar com os pés os condenados no lagar da sua ira (Ap. 14:19-20; Is. 63:3-4). No ardor da sua ira, Jeová vai derramar suas pragas, no fim deste mundo (Ap. 15:1; 16:19).

Cristo, na cruz, anulou as maldições da lei, que incluem as pragas da ira, as pestes, etc; mas Jeová vai anular o sacrifício expiatório de Cristo, e voltar com redobrada ira, furor, pestes, pragas, maldições. Se as maldições e pragas de Jeová são mais fortes que a obra de Cristo na cruz, deus não é amor, mas ira e ódio. Como então João afirma que Deus é amor? “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (I Jo. 4:7-8). O amor de Deus Pai não alcançou o Velho Testamento. Só havia ira, furor e vingança. Todos estavam mortos e condenados:“Quem crê em Jesus não é condenado; mas quem não crê já está condenado” (Jo. 3:18; Rm. 5:17).

No entanto a ira e o furor de Jeová alcançaram o Novo Testamento. Concluímos que deus não é amor, mas ira. E no fim de tudo, a ira vai triunfar sobre a obra do amor. “E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos” (Ap. 11:18; 15:1).

Por que está escrito que Deus é amor? Porque Jesus veio salvar da ira de Jeová. “Logo muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm. 5:9). Concluímos que, se para os salvos por Jesus Cristo, Jeová é amor, e para os não salvos Jeová é ira e furor, deus não tem caridade e tem duas caras. Deus faz acepção. Para os do Velho Testamento reservou ira e vingança. Para os do Novo Testamento, só os salvos gozarão do seu amor; o resto que é quase a totalidade, está debaixo da ira. Deus não é amor; pois só ama a “panela”.

Nós ficamos com João, que declarou que Deus, o Pai, é amor. E porque é amor, amou o mundo, isto é, os pecadores, e enviou o seu Filho para salvá-los (Jo. 3:16-17)“Deus, o Pai, prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5:8). Deus ama o pecador, e não sente ira por ele, mas compaixão. “Nisto está a caridade, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (I Jo. 4:10).

Jeová é o deus deste mundo, o deus da ira, do furor, da vingança e da destruição e morte (II Co. 4:4).

O Pai não é Deus deste mundo contaminado, podre, tenebroso e cruel, pois o seu reino não é aqui. Paulo sabia disso: “O Senhor Jesus me livrará de toda má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial” (II Tm. 4:18).

Pedro sabia disso: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós” (I Pd. 1:3-4). Jesus ensinou isso: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver, estejais vós também” (Jo. 14:2-3). E esse reino maravilhoso de Deus, não é reino de ira, mas de amor. “Dando graças ao Pai, que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; o qual no tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl. 1:12-13).

Só é cristão e pertence a Cristo, quem crê no Evangelho, e abandonou a ira de Jeová, passando para os braços de Deus Pai, através de Jesus (Jo. 14:6). Quem continua crendo na ira pertence a Jeová e não foi liberto por Jesus, continuando também nas mãos de Satanás.

 

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(153) – A TRINDADE III

A TRINDADE III

 

A Trindade não aparece no Velho Testamento. Os mestres da teologia afirmam que a palavra NÓS de Gn.1:26 e 3:22 é a Trindade, mas isso é interpretação humana.

No estudo A Trindade nº 2 vimos que este mundo pertence a Satanás e é governado pelo mesmo(Lc. 4:5-8; I Jo. 5:19). Jesus afirma que este mundo é o reino de Satanás em Mt.12:22-28. O mistério que envolve Jeová e Satanás ainda não foi explicado, pois sendo o conselheiro de Jeová em Jó 1:6-12 e2:1-7 foi rejeitado por Jesus, como lemos em Lc. 4:1-13 e Jo. 14:30. Sendo Jeová o dono e o rei deste mundo, entregou tudo de mão beijada a Satanás, pois o mesmo declara isto a Jesus, quando disse:“Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares tudo será teu” (Lc. 4:6-7).

A Igreja cristã, tanto católica romana, como protestante, ensina, que a Trindade criou tudo e mantém o governo sobre tudo e todos. É paradoxal. A Trindade está no governo deste mundo? Como pode ser isso se Paulo afirma que toda a criação está sujeita a uma servidão corrupta que só acabará no fim deste sistema tenebroso? (Rm. 8:19-23). Onde há rebelião geral não há governo organizado, e Paulo revela que na cruz Jesus reconciliou com Deus todas as coisas, tanto as da terra como as do céu(Cl. 1:20). Quem governava a criação era o poder maligno que a sujeitou (Rm. 8:20-23). Todos os homens e mulheres, pela Bíblia, são dirigidos por esse poder tenebroso, maligno e corruptor (Ef. 2:2-3).As evidências de que a Trindade, isto é, o Pai, o Filho, e o Espírito Santo não governam este mundo são claras e conclusivas. João declara que o governo deste mundo é de Satanás (I Jo. 5:19). Paulo diz que Cristo, ao salvar o homem, liberta-o das trevas e do poder de Satanás a Deus (At. 26:18). O próprio Senhor Jesus também tocou no assunto dizendo: “Vós sois de baixo, eu sou de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo” (Jo. 8:23).  Se Jesus nada tinha a ver com este mundo, não o governava, e assim a Trindade não governava também, pois Jesus disse. “Tudo o que o Pai tem é meu” (Jo. 16:15). E Paulo, mais uma vez, nos informa o seguinte. Que Cristo vai assumir o poder e nesse período vai haver uma guerra, na qual os inimigos que governam serão sujeitados, e só então entregará o governo a Deus o Pai (I Co. 15:23-25). Sendo assim, Deus não está no governo deste mundo, e a Trindade não governa. Jesus só recebeu todo o poder após a ressurreição para realizar a grande obra da redenção dos céus e da terra (Mt. 28:18).

A Trindade só pode estar no governo da criação, e deste mundo, sob três aspectos diferentes.

1- Sobre toda a criação a Trindade não governa porque desde o princípio houve trevas, e caos, confusão e desordem, como lemos em Gn.1:2. Como vimos, Paulo deixou claro que há um poder maligno sobre toda a criação. E esse poder é tão grande, que Paulo afirma que os salvos gemem carregados de dores, tentações, provocações, perseguições e martírios (Rm. 8:19-23). Esse arqui inimigo do bem, da justiça, do amor, e da Trindade, é chamado na Bíblia de diabo ou Satanás, mas ninguém sabe quem é. Esse poder é tão perverso que o grande apóstolo dos gentios afirma que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus, isto é, custa caro sair do poderoso governo de Satã. Esse poder do engano é tão disfarçado, que os crentes preferem o caminho largo ao estreito, pensando que estão certos (Mt. 7:13-14; At. 14:22). Esse jugo é tão tenebroso, que a maioria quer entrar pela porta estreita, luta, insiste, mas não consegue. Jesus disse: “Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lc. 13:23-24).

2- A Trindade não está no governo da criação porque o mal aumenta e nunca diminui. O consolo dos cristãos é que a Trindade governa o povo de Deus, isto é, a Igreja. Analisemos essa grande esperança dos crentes. Paulo declarou que o povo de Deus está gemendo com a criação contaminada, isto é, ainda não está sob total governo do Pai, do Filho, e do Espírito Santo (Rm. 8:22-23). A esperança da Igreja está em Mt. 28:18-19, que diz: “É-me dado todo o poder no céu e na terra, portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo.” Essa profecia de Jesus não se cumpriu, pois hoje, vivem sobre a terra mais se seis bilhões de pessoas, e somente um bilhão é de cristãos, sendo novecentos milhões de católicos e cem milhões de evangélicos. Jesus é a cabeça da Igreja (Cl. 1:18). Mas a Igreja está esmigalhada. Existem milhares de seitas diferentes e doutrinas diferentes. Não há unidade de doutrina. Este mundo pertence a Satanás (I Jo. 5:19). O mesmo João afirma que tudo o que há neste mundo não pertence a Deus, e quem busca essas coisas não pertence a Deus (I Jo. 2:15-17). Quais são as coisas deste mundo, que são a base dos que aqui vivem, mas não são do Pai?  Concupiscência da carne, isto é, desejos carnais, lacívia, luxúria, bens, fama, respeito, servos e servas, etc. Soberba da vida é julgar-se apto para conseguir e desfrutar dessas coisas. Pois bem, todas essas coisas estão hoje dentro da Igreja. É por isso que Satanás está sentado num trono dentro da Igreja.“Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás” (Ap. 2:13). Paulo afirma que a Igreja de Corinto era carnal, e por isso cheia de contendas, inveja e dissensões (I Co. 3:1-3).

Se a Trindade estivesse no governo da Igreja, esta não se tornaria carnal e mundana.

3- Só resta uma última opção. A Trindade só vai governar o mundo futuro. “Não foi aos anjos que Deus sujeitou o mundo futuro do qual falamos” (Hb. 2:4-5). Jesus ensinou dizendo: “Os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dos mortos” (Lc. 20:35).

O que podemos concluir, é que a Trindade tem governo sobre os santos, que voluntariamente se submetem a Jesus de forma total e absoluta. Vivem na esfera da graça do Filho, do amor do Pai, e da comunhão do Espírito Santo (II Co. 13:13). Não são mais deste mundo como Jesus não é (Jo. 17:14).Crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências (Gl. 5:24-25). Os que são governados pela Trindade são os que chegaram a unidade da fé, isto é, não andam fazendo guerra a irmãos de outras igrejas. Atingiram a estatura de varão perfeito, “a medida da estatura completa de Cristo, ao pleno conhecimento do Filho de Deus” (Ef. 4:13).

São estes que entram no mundo futuro, e que não vão levar para lá a soberba da salvação, nem a tirania do orgulho, nem a vaidade da teologia, pois o reino de Deus é justiça, paz, e alegria no Espírito Santo (Rm. 14:17).

O reino de Deus é o reino do amor. “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz. O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl. 1:12-13). 

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

(152) – A TRINDADE – II

A TRINDADE – II

 

A Trindade é um grande mistério, pois sendo três pessoas com funções diferentes, são uma só em essência; “Porque três são os que testificam no céu: O Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um” (I Jo. 5:7). Este texto é considerado espúrio, pois não se encontra no grego, mas considerando que as Escrituras foram produzidas pelo Espírito Santo, esse texto não estaria na Bíblia (II Pd. 1:21). De mais a mais, ficou fartamente provado no primeiro estudo a realidade da trindade (Mt. 28:19). Como dizíamos, são três funções diferentes, apesar de serem um. É a unidade e inseparabilidade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

  • - No Espírito Santo está a imensidade (At. 2:2-4). O maravilhoso é que, sendo o Pai a eternidade, o Filho tem a eternidade do Pai (Jo. 5:21, 26). E da mesma forma a vida está no Espírito Santo (Rm. 8:11). Assim também, a imensidade e a simplicidade são a substância dos três.
  • - No Pai está a caridade, pois o Pai é amor (I Jo. 4:7-8). No Filho está a liberalidade, pois através do Filho nos dá todas as coisas (Rm. 8:31-32). No Espírito Santo está a qualidade, pois do Pai não vem coisa ruim ou danosa (Tg. 1:17; Gl. 5:22). E de forma inexplicável, mas real, a caridade, a liberalidade, e a qualidade, estão presentes no Pai, no Filho, e no Espírito Santo; e o que é mais extraordinário, estas três coisas fazem parte do homem nascido de novo, isto é, nascido do Pai (I Jo. 4:7-8), nascido do Filho (Jo. 1:12-13), e nascido do Espírito Santo (Jo. 3:3-6). E é por isso que Jesus disse: “Para que todos sejam um, como tu, o Pai, o és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo. 17:21).
  • - O Pai se apropria da unidade (Ef. 4:6). O Filho se apropria da verdade (Jo. 14:6). O Espírito Santo se apropria da bondade, pois no Espírito está o amor (Rm. 5:5; 15:30). Assim que, a unidade se apropria do Pai, que é a origem de todas as coisas. A verdade se apropria do Filho, que procede do Pai como Verbo, e a bondade se apropria do Espírito Santo, que procede de ambos como amor, e dom. Ao Pai só convém enviar; o Filho é enviado pelo Pai; e envia o Espírito Santo; e o Espírito Santo é enviado pelo Pai e pelo Filho. Mas como o Filho subiu para o Pai após a ressurreição, deixando o Espírito Santo em seu lugar, o Espírito Santo também envia, pois no livro dos Atos dos apóstolos lemos: “E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Paulo para a obra a que os tenho chamado” (At. 13:2). “Olhai pois por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vós constitui bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele resgatou com o seu próprio sangue” (At. 20:28).

Vamos estudar pelas Escrituras a eternidade da Trindade. O Pai é eterno, pois Paulo disse: “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível” (I Tm. 6:16). O Filho é coeterno com o Pai, pois Jesus declarou: “E agora glorifica-me tu, o Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo. 17:5). E o Espírito Santo também é eterno pois é o sopro de Deus. “E, havendo dito isto, assoprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (Jo. 20:22). Ora, o sopro de Jesus é o Espírito Santo, que procede do Pai, como falou Jesus: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito da verdade” (Jo. 14:16-17).

Vamos analisar se a trindade governa este mundo. Ao que parece, pelas Escrituras, a Trindade não governa este mundo pelos seguintes motivos:

O governo deste mundo está nas mãos de Satanás. “E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Darte-ei a ti todo este poder e a sua glória, PORQUE A MIM ME FOI ENTREGUE, E DOU-O A QUEM QUERO” (Lc. 4:5-6).  E Jesus não negou a declaração do diabo ao rejeitar a oferta. João declara que o governo deste mundo está nas mãos do maligno (I Jo. 5:19) (Bíblia de Jerusalém). Quando uma pessoa crê em Jesus Cristo, os olhos se abrem, sai das trevas e do poder de Satanás. Este foi o ministério que Paulo recebeu de Jesus, quando lhe disse: “Levanta-te e põe-te sobre os teus pés, porque te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda; livrando-te deste povo, e dos gentios a quem agora te envio, para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres a luz, e do poder de Satanás a Deus; afim de que recebam a remissão dos pecados, e a sorte entre os santificados pela fé em mim” (At. 26:16-18). A Trindade vai passar a governar a pessoa libertada, por isso Jesus disse:“Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt. 28:19). Quando Jesus diz: “Todo o poder me foi dado no céu e na terra”, não está assumindo o governo deste mundo, mas esta declarando que pode libertar o homem do dono deste mundo (Mt. 28:18). As igrejas que pregam a prosperidade material, pedem bens materiais ao Pai e a Jesus, como se eles detivessem poder sobre as coisas deste mundo, e recebem do deus deste mundo, pois Jesus manda não buscar esses bens em Mt. 6:19-21. Como Jesus declarou peremptoriamente que não é deste mundo em Jo. 8:23, e também que os seus discípulos também não são deste mundo em Jo. 15:19 e 17:16, a única maneira de provarmos que somos de Jesus é não buscar as coisas deste mundo. Temos de vencer o mundo com a fé (I Jo. 5:4).

Há uma coisa enganando os cristãos. Se a Trindade não está no governo deste mundo; e se Jesus manda não buscar as riquezas materiais (Lc. 14:33), e se Paulo ao renunciar tudo, declarou que o que renunciava era esterco (Fl. 3:3-8), como explicar que Jeová se declarou deus deste mundo em Is. 43:12-13 ? Declarou que é o rei deste mundo (Sl. 47:2-8), e declarou que é o deus do ouro e da prata; e declara que é o deus da guerra, pois é o senhor dos exércitos. Se a Trindade não governa este mundo e Jeová governa, está sentado no trono de Satanás, ou Satanás está a sua direita.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira