(315) – DEUS DA GLÓRIA – II

DEUS   DA   GLÓRIA   2

            Segundo o conceito humano, o que é glória? É honra, fama, celebridade adquirida por grandes obras; feitos importantes; talentos, virtudes, etc. Glória artística: Leonardo Da Vince, célebre pintor e autor do quadro “A ceia de Cristo”, foi também escultor, arquiteto, físico, engenheiro, escritor e músico. Nasceu em 1452 e morreu em 1519. Até hoje sua glória não se apagou. Seu contemporâneo Miguel Ângelo, pintor, escultor, arquiteto e poeta italiano  pintou a cúpula de São Pedro, de Roma. Também pintou a capela Sixtina. Essas pinturas se conservam até hoje. Nasceu vinte e três anos depois de Leonardo. Na poesia, Luiz de Camões, o mais ilustre poeta português, nascido em 1524, na cidade de Coimbra, na vida secular foi um fracasso. Depois dos 50 anos foi amargurado por enfermidades e miséria, e faleceu aos 56 anos. Sua grande obra foi “As Lusíadas”. Escreveu poesias notáveis, e seu brilho nestes quinhentos anos não se apagou. A Grécia produziu homens de grande glória. Sócrates se distinguiu na filosofia, isto é, a noção do bem como efeito essencial da inteligência e da ciência. Viveu de 468 a 400 AC. Exerce grande influência até hoje nas faculdades de direito e filosofia. Platão foi discípulo de Sócrates e escreveu “Os Diálogos”, onde divulga os pensamentos do mestre. A filosofia de Platão é a expressão mais alta do idealismo, e aproxima-se muitas vezes das idéias cristãs. Seu brilho é imenso. O discípulo de Platão, Aristóteles, é o maior pensador da história humana. Viveu de 384 a 322 AC. Seu gênio abrangeu todas as ciências de seu tempo. Suas obras mais importantes foram: “A Retórica”, “A Poética”, “Dois Tratados de Moral”, “A Política”, “A História dos Animais”, “A Física”, “Os Meteoros”, “O Céu”, “A Metafísica”, etc. Na Idade Média, Aristóteles era oráculo dos filósofos e dos teólogos. São Tomaz de Aquino, que viveu no século XII, na sua famosa “Suma Teológica”, no tratado sobre os anjos, faz oitenta citações de Aristóteles. Este grande pensador foi o primeiro a provar a diferença entre alma, corpo e espírito com uma clareza assombrosa.

Vamos agora falar do maior homem que viveu neste mundo: Jesus Cristo e sua glória. Jesus é o Senhor da Glória (I Co. 2:8; Tg. 2:1). Não só Senhor, mas também é o Pai da glória (Ef. 1:17). Como vimos no estudo número um, o pai é o que dá origem, o que traz à luz a glória. Jesus é o Deus da glória.

A maior glória de Jesus não é exibir a glória. Ao nascer, escolheu uma família pobre, e em uma estrebaria, entre animais sua mãe lhe deu à luz. Passou a infância no anonimato. Quando se manifestou ao seu povo depois do batismo de João, disseram: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele” (Mc. 6:3). Jesus era um pobre carpinteiro de mãos calejadas. O profeta Isaías assim o descreve: “Era desprezado, e o mais indigno entre os homens; homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum” (Is. 53:3). “Como pasmaram muitos à vista dele, pois o seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua figura mais do que os outros filhos dos homens” (Is. 52:14). Com aquele seu aspecto decidiu ir até Jerusalém, e mandou mensageiros diante de sua face; e indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos para lhe prepararem pousada, mas não o receberam, porque o seu aspecto era como de quem ia à Jerusalém, isto é, aspecto de andarilho pobre (Lc. 9:51-53).

Jesus poderia, se quisesse, nascer em berço rico, pois era o Messias enviado ao mundo para restaurar Israel. Por que então agia dessa forma? Estaria Jesus querendo ensinar aos discípulos que tudo neste mundo é falso? Pedro parece que aprendeu, pois disse“Porque toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem coma a erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor” (I Pd. 1:24).Neste mundo tudo é passageiro, por isso Paulo disse: “Os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa” (I Co. 7:31). Tiago e João aproximaram-se de Jesus, e lhe disseram: “Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda” (Mc. 10:37). Jesus disse-lhes: “Sabeis que os que julgam ser príncipes das gentes delas se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas; mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal. E qualquer que entre vós quiser ser o primeiro será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc. 10:42-45). Paulo descreve o sentimento de Jesus Cristo com as seguintes palavras: “De sorte que haja entre vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp. 2:5-8).

Jesus foi tão diferente de nós, os homens. Os homens buscam ser alguém, buscam sucesso, estatus; buscam posições eminentes; buscam riquezas; buscam o conhecimento, a ciência, a fama, méritos, coisas que Cristo não buscou. Jesus disse: “Eu não busco a minha glória” (Jo. 8:50). Jesus fazia milagres e prodígios extraordinários. É claro que a divulgação dos milagres traria fama. Para evitar a fama Jesus proibia que divulgassem as curas. Um leproso foi curado da lepra. Jesus disse-lhe: “Olha, não digas nada a ninguém”. Mas o leproso começou a divulgar, e Jesus teve de sair da cidade, e se esconder no deserto (Mc. 1:40-45).

Ao mesmo tempo em que Jesus escondia-se da fama e do prestígio, apresentava-se publicamente de forma humilde e paupérrima. E do mesmo modo que não buscava glória (Jo. 8:50), também não recebia glória dos homens (Jo. 5:41). E por que não recebia? Porque os homens são volúveis. O discípulo de hoje apunhala amanhã (Jo. 2:23-25). Pela profecia, o Messias, rei de Israel, entraria em Jerusalém montado num jumentinho (Zc. 9:9). E Jesus entrou dessa maneira. O povo estendia seus vestidos pelo caminho, e muitos cortavam os ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho, e o seguiam clamando: “Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor; Hosanas nas alturas” (Mc. 11:1-11). Pois bem. Os mesmos que aplaudiam, persuadidos pelos anciãos e príncipes dos sacerdotes, exigiram a crucificação de  Jesus  (Mt. 27:15-25).  E   o   mudo   cordeiro   foi  levado  ao  matadouro

(Is. 53:7).

A maior glória de Jesus foi não buscar a glória, e nem receber glória. Jesus buscou a pobreza, pois queria dar exemplo da renúncia dos bens deste mundo, que são falsos e ilusórios. Mas há uma coisa que Jesus buscou com todas as forças e potências da alma: Foi buscar a glória de outro. Sim! De Deus Pai. Ele declarou: “Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória, mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça” (Jo. 7:18). Na oração sacerdotal disse: “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumando a obra que me deste a fazer” (Jo. 17:4).Jesus só vai se manifestar em glória, na sua volta e no arrebatamento da Igreja. Paulo disse: “Quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem” (II Ts. 1:10). E outra vez: “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl. 3:4).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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