(295) – DRAGÃO – VII

DRAGÃO 7

NABUCODONOSOR 2

 

Como vimos no estudo “DRAGÃO 6”, Nabucodonosor é mais um dragão, além de Faraó e da vara de Jeová, que Moisés usou para realizar as dez pragas do Egito (DRAGÃO 5)“Nabucodonosor, rei de Babilônia, me devorou, pisou-me, fez de mim um vaso vazio, como dragão me tragou” (Jr. 51:34). O dragão é satanás. “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo, e satanás, que engana todo o mundo, ele foi precipitado na terra, e os seus anjos com ele” (Ap. 12:9). Na história do rei Nabucodonosor está figurada toda a história da elevação e queda de Satanás, o anjo do mal, criado por Jeová (Gn. 3:1). O profeta Daniel é quem nos conta com todos os detalhes.

No capitulo dois do livro de Daniel, lemos a história do primeiro sonho de Nabucodonosor, que nada tem a ver com a realidade histórica do seu reino, cujos feitos foram; a expulsão dos egípcios da Ásia; anexou a Síria, conquistou o reino de Judá, fazendo-o tributário; embelezou a Babilônia cercando-a de grandes muralhas, e construiu os famosos jardins suspensos. Mas passemos ao sonho:

Ao acordar sabia que tinha sonhado, mas não lembrava. Perturbado chamou os magos, astrólogos e encantadores, porém nenhum deles conseguia adivinhar o sonho. Ele queria saber o sonho e a interpretação, e eles garantiam interpretar se o rei lhes contasse o sonho. Encolerizado, o rei decretou a morte dos sábios. Estes por sua vez, buscaram Daniel e seus três amigos para serem mortos também.

Daniel pediu a Arioque, capitão da guarda do rei, e encarregado de mata-los, que poderia resolver o assunto. O rei aguardou mais um dia. À noite foi revelado o sonho a Daniel, que entrou na presença do rei e falou, dizendo: “Há um Deus nos céus que revela os segredos; ele fez saber ao rei o que há de acontecer nos últimos dias: Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estátua. Esta estátua, que era grande e cujo esplendor era excelente, estava em pé diante de ti; e a sua vista era terrível. A cabeça da estatua era de ouro fino, o seu peito e os seus braços de prata,; o seu ventre e suas coxas de cobre; as pernas de ferro; os seus pés em parte de ferro e em parte de barro. Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou. Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, e o cobre, a prata e o ouro, os quais se fizeram como pragana das eiras do estio, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra que feriu a estátua, se fez um grande monte, e encheu toda a terra” (Dn. 2:31-35). E Daniel deu a interpretação do sonho dizendo: “Tu, ó rei, és rei dos reis, pois o deus do céu te tem dado o reino, o poder, e a força, e a majestade. E onde quer que habitem filhos de homens, animais do campo, e aves do céu, ele os entregou na tua mão, e fez que dominasses sobre todos eles: TU ÉS A CABEÇA DE OURO. E depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu; e um terceiro reino, de metal, o qual terá domínio sobre toda a terra. E o quarto reino será forte como o ferro; pois, como o ferro esmiúça e quebra tudo, como o ferro quebrantará e esmiuçara. E quanto ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro de oleiro, e em parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo haverá nele alguma coisa de firmeza do ferro, pois que viste o ferro misturado com barro de lodo. Ferro porque uma parte do reino será forte, e lodo porque outra parte será frágil” (Dn. 2:37-43). “Mas nos dias destes reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído, e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre. Da maneira como viste que do monte foi cortada uma pedra sem mãos, e ela esmiuçou o ferro, o cobre, o barro, a prata e o ouro, o deus grande fez saber ao rei o que há de ser depois disto” (Dn. 2:44-45).

Na tradicional interpretação, a cabeça de ouro é Nabuodonosor, rei da Babilônia (Dn. 2:37). O segundo reino que se levantou, simbolizado no peito e braços de prata, foram ao Medos e os Persas, cujo rei Ciro destruiu Babilônia] (Dn. 2:32; 2:39; Is. 45:1). O terceiro reino, simbolizado no ventre e nas coxas de bronze da estátua, é o império grego, cuja cabeça foi Alexandre Magno, que conquistou as nações pelos anos 330 AC (Dn. 2:32). O quarto e último reino foi o império romano, com pernas de ferro, e pés de ferro misturado com barro (Dn. 2:33; 2:40). É preciso notar que estes quatro grandes reinos formavam um só corpo vivo, sendo que historicamente, Ciro, o persa, destruiu a Babilônia no ano 538 AC. Mais tarde, 330 AC. Alexandre Magno, rei da Macedônia, conquistou o mundo, e o império Medo Persa deixou de existir. Esses quatro reinos não podiam formar um corpo fisicamente; mas no plano espiritual sim. Ora, Nabucodonosor é o dragão, e o dragão é satanás (Jr. 51:34; Ap. 12:9). Como Satanás disse a Jesus que todos os reinos do mundo lhe foram entregues (Lc. 4:5-8). Os quatro reinos da profecia de Daniel formavam a cabeça e o corpo de Satanás. Como em Lc. 4:5-8, satanás declarou a Jesus que recebeu todos os reinos do mundo e a sua glória, e os dá a quem quer, foi ele que formou o império babilônico, e deu glória a Nabucodonosor. Depois tirou de Nabucodonosor e deu a Ciro, o persa; depois tirou dos medos e persas e deu a Alexandre, o Grande; e depois levantou o império romano, o maior e mais feroz de todos. No sonho da estátua de Nabucodonosor como a cabeça de ouro, Jeová estava interessado em mostrar a glória de Satanás reinando sobre os reinos deste mundo, por isso Daniel profetizou, dizendo: “TU ÉS REI DOS REIS” (Dn. 2:37). Como era rei dos reis, se Ciro destruiu o reino babilônico. A interpretação teológica se fundamenta unicamente no plano material e histórico, esquecendo do plano espiritual. Ora, a história, no plano temporal, era forjada por Jeová, que deu todos os reinos primeiramente a Nabucodonosor, figura de Satanás (Jr. 27:5-8). Sendo Nabucodonosor figura de Satanás, o dragão, foi Jeová quem entregou todos os reinos a Satã (Lc. 4:5-8).

Outro ponto a ser considerado nesta profecia de Daniel, é o reino levantado por Deus, que jamais seria destruído (Dn. 2:44). Ora, o reino de Deus já existia antes de Cristo nascer neste mundo (Mt. 25:34). E este reino de Deus, revelado aos homens por Jesus Cristo, não é deste mundo (Lc. 16:16; Jo. 18:36). Não é deste mundo porque é espiritual e invisível, cujas armas não são materiais e carnais, mas sim espirituais (II Co. 10:3-5). A poderosa arma do reino de Deus é o amor (Jo. 13:34; Rm. 13:8-10; Cl. 1:12-13; Ef. 3:14-21; I Jo. 3:14-15). Essa arma nos é dada por Deus para vencer todas as batalhas (Rm. 5:5; 15:30).

Ora, a profecia de Daniel se situa no plano unicamente temporal e histórico, declarando que o reino eterno levantado por Deus iria esmiuçar e consumir todos os outros reinos, o que não aconteceu. E iria esmiuçar também o ferro, o cobre, o barro, a prata e o ouro, o que também não aconteceu, pois nunca os cristãos apreciaram e buscaram prata e ouro tanto quanto hoje. Daniel, portanto, profetizou do reino de Satanás, que é deste mundo. Cristo vai tirar deste mundo uns poucos para o seu reino (II Tm. 4:18).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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