(428) – A JUSTIÇA DA LEI DE JEOVÁ – I

A JUSTIÇA DA LEI DE JEOVÁ I

A Bíblia faz referência a duas justiças. Uma no Velho Testamento, e outra no Novo Testamento. A justiça da lei de Jeová, e a justiça da fé em Jesus Cristo. Estas duas justiças são incompatíveis. Não há nenhuma relação entre as duas. A justiça da lei consiste na observância dos mandamentos de Jeová, dados no monte Sinai. Disse Jeová: “Os meus estatutos e os meus juízos guardareis; os quais, fazendo-os o homem, viverá por eles; eu sou Jeová” (Lv. 18:5). Sobre este assunto o profeta Ezequiel diz: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” (Ez. 18:20). Fica assim provado que a justiça da lei dependia da observância e obediência à lei de Jeová.

A justiça da fé não inclui a obediência à lei a aos estatutos de Jeová, mas crer no sacrifício de Cristo na cruz por amor dos pecadores. Essa é a justiça da fé, que exclui as obras da lei. Na lei, os méritos são do homem; na fé os méritos são de Cristo Jesus.

Jeová diz: “Na verdade, que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque” (Ec. 7:20). E Paulo confirma: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm. 3:23). E no Velho Testamento, os pecadores eram todos mortos. Jeová disse: “Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá” (Ez. 18:4). Era, portanto, impossível ao israelita ser justificado pela lei de Jeová.

Paulo, comparando as duas justiças, disse: “Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que é pela fé. Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não chegou à lei da justiça. Por quê? Porque não foi pela fé, mas como pelas obras da lei; tropeçaram na pedra de tropeço” (Rm. 9:30-32).

Analisemos alguns pontos da lei de Jeová:

1Está escrito na lei: “Eu visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem” (Ex. 20:5). Em decorrência dessa determinação da lei, Isaías diz: “Preparai a matança para os filhos por causa da maldade de seus pais” (Is. 14:21). Mas no livro de Deuteronômio está escrito: “Os pais não morrerão pelos filhos nem os filhos pelos pais; cada qual morrerá pelo seu pecado” (Dt. 24:16). Onde está a verdade: Em Ex. 20:5 ou em Dt. 24:16. Onde está a justiça?

2. Na lei está escrito: “Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva” (Ex. 20:17). No livro de Deuteronômio lemos outra coisa: “Quando saíres à peleja contra os teus inimigos, e Jeová teu deus os entregar nas tuas mãos, e tu deles levares prisioneiros, e tu entre os presos vires uma mulher formosa à vista, e a cobiçares, e a queiras tomar por mulher, então a trarás para a tua casa” (Dt. 21:10-12). Ou Jeová tem dois pesos, ou faz acepção?

3. Jeová diz na sua lei: “A nudez da mulher de teu irmão não descobrirás; é a nudez de teu irmão” (Lv. 18:16). Nos livros da lei Jeová ordena outra coisa: “Quando alguns irmãos morarem juntos, e algum deles morrer, e não tiver filho, então a mulher do defunto não se casará com homem estranho de fora; seu cunhado entrará a ela, e a tomará por mulher, e fará a obrigação de cunhado para com ela” (Dt. 25:5). No livro de Levíticos proíbe descobrir a nudez do irmão, e no livro de Deuteronômio ordena descobrir a nudez do irmão morto para que o filho que nascer seja filho do defunto? (Dt. 25:5-6). Se o filho era tão importante por que Jeová o Todo poderoso El Shaday o deixou morrer sem gerar filhos, e assim cria um fato para quebrar a própria lei? Onde está a justiça da lei?

4.  No decálogo, o sexto mandamento diz: “Não matarás” (Ex. 20:13; 31:18; Dt. 9:10). E, como está nos textos citados, os mandamentos foram escritos pelo dedo do deus Jeová. Mas, por outro lado, no livro de Deuteronômio, na segunda lei de Jeová, lemos: “Quando te incitar teu irmão, filho da tua mãe, ou teu filho, ou tua filha, ou a mulher do teu seio, ou o teu amigo, que te é como a tua alma, dizendo em segredo: Vamos e sirvamos a outros deuses que não conhecestes, nem tu nem teus pais; dentre os deuses dos povos que estão em redor de vós, perto ou longe de ti, desde uma extremidade da terra até à outra extremidade; não consentirás com ele, nem o ouvirás, nem o teu olho o poupará, nem terás piedade dele, nem o esconderás; mas certamente o matarás; a tua mão será a primeira contra ele, para o matar; e depois a mão de todo o povo; e com pedras o apedrejarás, até que morra” (Dt. 13:6-10). Matarás, ou não matarás? Qual o critério de justiça? Não poderia o irmão fiel tentar ganhar o irmão desviado como Jesus ordena no evangelho de Mateus? “Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra será desligado no céu” (Mt. 18:15-18).

Jeová, além de dar dois mandamentos contrários, coisa que compromete os princípios mais elementares da justiça, ainda obriga um irmão a assassinar friamente seu irmão, ou seu filho, ou sua filha, sem lhe dar nenhuma chance de arrependimento. É por isso que a lei foi revogada (anulada), por causa da sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nada aperfeiçoou) Hb. 7:18-19.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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