(184) – O PACTO

O Pacto

 

Que é um pacto? É um contrato entre duas pessoas. Podem pactuar no bom sentido ou no mau. Pactuar com rebeldes. Pactuar com o crime  é encobri-lo. Um pacto ou aliança envolve muitos sentidos, e também o religioso, ou no sentido comercial. Por exemplo: duas pessoas contratam a venda e compra de um terreno. Se o comprador não tem recursos para cumprir o contrato, o vendedor, por força da lei, executa o contrato, e o comprador perde a posse do bem adquirido. O próprio terreno é a garantia do vendedor, e o comprador perde a quantia paga de acordo com o contrato. Não cabe ao vendedor, além de resgatar o imóvel, tomar vingança do devedor, que já perdeu tudo; o bem adquirido e os pagamentos feitos. Se o vendedor é grileiro e vende terras que não lhe pertencem, pode ser processado e preso como ladrão e estelionatário. Exige-se por lei, que um comprador esteja à altura do bem que pretende adquirir. Por exemplo: alguém foi comprar um carro. A sua ficha não foi aprovada porque sua renda mensal é insuficiente.

A história de Israel tem lances extraordinários. O povo estava sofrendo pesado jugo no Egito. Jeová se revelou a Moisés, e lhe disse: “Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito” (Ex. 3:7). E Jeová, pela mão de Moisés, feriu o Egito com pragas malignas e destruidoras. E foram tantas que Faraó deixou o povo sair com grande despojo. Chegados ao pé do Monte Sinai, Jeová obrigou o povo  de Israel a firmar um pacto, isto é, um contrato, no qual o povo se obrigava a cumprir a lei e os estatutos de Jeová. Esse pacto foi selado com sangue (Ex. 24:1-8). O cumprimento deste contrato entre deus e o homem, o pagamento para entrar na posse da terra prometida, CANAÃ foi: “Porque Jeová teu Deus te mete numa terra boa , terra de ribeiros de água, de fontes, e de abismos, que saem dos vales e das montanhas; terra de trigo e cevada, e de vides, e figueiras, e romeiros; terra de oliveiras, abundante de azeite e mel; terra em que comerás o pão sem escassez, e nada te faltará nela; terra cujas pedras são ferro, e de cujos montes cavarás cobre” (Dt. 8:7-10). O não cumprimento da lei seria a quebra do pacto ou contrato, e o povo perderia a terra e a vida (Dt. 8:19-20).  O povo não cumpriu a sua parte do contrato não obedecendo a lei e os estatutos de Jeová.

Com a quebra do pacto, o povo perdeu o direito à terra de Canaã. Israel, que era o reino do norte foi transportado cativo para a Assíria no ano 720 antes de Cristo (II Rs. 17:15-23). Cento e vinte anos depois, o reino de Judá foi invadido pelos caldeus. A narrativa bíblica diz assim: “Porque Jeová fez subir contra eles o rei dos caldeus, o qual matou os seus mancebos à espada, na casa do seu santuário, e não teve piedade nem dos mancebos, nem das donzelas, nem dos velhos, nem dos decrépitos. E todos os vasos da casa de deus, grandes e pequenos, e os tesouros da casa de Jeová, e os tesouros do rei e dos seus príncipes, tudo levou para a Babilônia. E queimaram a casa de Jeová, e derrubaram os muros de Jerusalém, e todos os palácios queimaram a fogo, destruindo também todos os seus preciosos vasos. E os que escaparam da espada levou para a Babilônia; e fizeram-se escravos dele, e de seus filhos, até ao tempo do rei da Pérsia” (II Cr. 36:17-20). Israel não cumpriu o contrato feito com Jeová, perdeu tudo o que Jeová deu. Viviam em cativeiro no Egito, e foi restaurado o cativeiro novamente, agora na Assíria e na Babilônia.

A pergunta de ordem jurídica que se faz é a seguinte: Além de perder a posse da terra prometida voltando para um cativeiro pior, é justo que deus, isto é, Jeová, execute uma vingança cruel de extermínio por pragas, pestes e execuções sumarias? Lembramos aqui do grande holocausto, que custou a vida de mais de seis milhões de Judeus na última grande guerra (1939 a 1945). Caberia uma vingança de deus na quebra desse pacto? É justo que nessa vingança morram de forma humilhante os pais, e também as inocentes crianças? Jeová assim se expressa: “Porque trarei sobre vós a espada, que executará a vingança do concerto e ajuntados estareis nas vossas cidades; então enviarei a peste entre vós, e sereis entregues na mão do inimigo” (Lv. 26:25). “Porque comereis a carne de vossos filhos, e a carne de vossas filhas comereis” (Lv. 26:29). A cidade ficava sitiada com o exército inimigo ao redor e acabava a comida. A fome ia aumentando a tal ponto, que um filho era sacrificado para que os irmãos continuassem vivendo. O que torna este caso tenebroso, é que essa antropofagia era forjada por Jeová. Já estava escrito na lei escrita por Moisés, pois era plano de Jeová, o piedoso (Dt. 28:53-58). Jeremias, o profeta, revela que é Jeová quem obriga este ato horripilante de antropofagia (Jr. 19:9). Ezequiel também se refere a essa atrocidade (Ez. 5:8-11).

A segunda pergunta que fazemos é: é justo que deus, o criador, a sabedoria eterna, o todo poderoso, a luz inacessível, faça um contrato de igual para igual com o homem? Seria o mesmo que um homem fazer um contrato com uma pulga, ou com um raminho de erva.

Vamos ver o conceito que Jeová faz do homem para ver se há fundamento num pacto de igual para igual, para que a culpa do perdedor seja punida com vingança e ódio eterno. Seria o homem tão responsável espiritualmente que seu pecado seja indigno de perdão? “Pelo que, ainda que te laves com salitre, e amontoes sabão, a tua iniquidade estará gravada diante de mim, diz Jeová” (Jr. 2:22). Quem é o homem para Jeová?

1-      O homem é pó. “Jeová conhece a nossa estrutura. Lembra-se que somos pó” (Sl. 103:14).

2-      “Tu reduzes o homem a destruição, e dizes: Volvei, filhos dos homens, porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite tu os levas como corrente d’água; são como um sono; são como a erva que cresce de madrugada; à tarde corta-se e seca” (Sl. 90:3-6).

3-      Os homens são como gafanhotos. “Ele está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos” (Is. 40:22).

4-      Os homens são iguais aos animais, diz Jeová pela boca de Salomão: “Disse eu no meu coração: É por causa dos filhos dos homens, para que deus possa prová-los, e eles possam ver que são em si mesmos como os animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais; a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma. Todos vão para um mesmo lugar; todos são pó, e todos ao pó tornarão” (Ec. 3:18-20).       

5-      Os homens no conceito de Jeová, são bichos ou vermes. “Como pois, seria justo o homem perante deus, e como seria  puro aquele que nasce de mulher? Olha, até a lua não resplandece, e as estrelas não são puras aos seus olhos. E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um bicho” (Jó 25:4-6). Sendo este o conceito que Jeová faz do homem, foi maligno o pacto feito com os vermes. Foi um laço para matá-los  e destruí-los. Foi por isso que a morte reinou desde Adão até Jesus (Rm. 5:17). Porque Jeová procurou destruir os homens? Porque queria evitar que o homem se levantasse através de Cristo para julgar os anjos, e herdar o reino eterno de Deus com Jesus (I Co. 6:1-3; II Tm. 2:12). Deus, o Pai, não criou o homem para ser um verme e um escravo, mas  para reinar com Cristo eternamente.

 

No Novo Testamento não há pacto nem contrato. Há graça (Tt. 2:11). Há resgate pago com o sangue de Jesus (Jo. 1:18-19). O sangue de Jesus nos resgata também das maldições de Jeová (Gl. 3:10, 13).Agora existe a bênção do Evangelho, e salvação gratuita (Rm. 13:29). Agora, em Jesus, Deus, o Pai,  nos cria novamente para uma vida de incorrupção (Tg. 1:18;  II Co. 2:17; Ef. 4:22-24).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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