(143) – O OUTRO EVANGELHO – I

        O OUTRO EVANGELHO – I

 

Vamos ver o evangelho que Jesus pregou aos discípulos:

1) “Não ajunteis  tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e  onde os ladrões minam e roubam, mas ajuntai tesouros no céu…”.(Mt. 6:19-20). E Paulo explica qual é o tesouro que se pode ajuntar no céu: “Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos dá todas as coisas para delas gozarmos. Que façam bem, ENRIQUEÇAM EM  BOAS OBRAS, REPARTAM DE BOA MENTE, E SEJAM COMUNICÁVEIS” (I Tm. 6:17-18). Um homem rico de bens materiais, querendo ser mais rico ainda, negou- se a repartir com o próximo a sua riqueza, e construiu celeiros maiores e recebeu  de Jesus Cristo a seguinte sentença: “LOUCO, HOJE TE PEDIRÃO A TUA ALMA, E O QUE TENS PARA QUEM SERÁ? ASSIM É AQUELE QUE PARA SI AJUNTA TESOUROS E NÃO É RICO PARA COM DEUS” (Lc. 12:13-21).

2) Um jovem muito rico, querendo salvar- se, veio Jesus e disse: “Bom mestre, que bem farei, para conseguir a vida eterna? Jesus lhe respondeu: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus, se queres porém entrar na vida, guarda os mandamentos. O jovem lhe respondeu: Quais? Jesus lhe disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás o teu próximo como a ti mesmo. O jovem então, seguro de si, respondeu: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade. Que me falta ainda? Jesus lhe disse: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, e dá- o aos pobres, e terás um tesouro no céu, depois vem, e segue- me” (Mt. 19:16-21).

3) Jesus nos narra outro caso tenebroso. Um rico senhor, vestido de púrpura e linho, que passava os dias esplendida e regaladamente, esquecendo-se de um pobre mendigo que ficava à sua porta passando fome, teve um fim trágico, pois morreu e foi parar no inferno. No meio daquele tormento clamou a Deus, mas era tarde. Sua morada na eternidade foi decidida pela falta de caridade nesta vida(Lc. 16:19-25).

4) Jesus falou de maneira bem clara aos que querem segui-lo, dizendo: “Qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo” (Lc. 14:33).

5) A outro, que lhe perguntou se são poucos os que se salvam, respondeu: “Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão” (Lc. 13:23-24). Com esta resposta Jesus quis ensinar que a porta larga é o cristianismo da prosperidade material, do conforto do ouro e da prata; dos carrões de luxo, da pele bronzeada na praia, não a queimada no campo da agricultura. São tantas as crianças pobres, e as donzelas cristãs não estão com olheiras, pelo cansaço do atendimento a essas pobres crianças, mas tendo as pálpebras e as sobrancelhas pintadas, e o corpo perfumado, estão todas preparadas para os deleites sensuais, em camas fofas e almofadadas. A luxúria brota no campo não semeado pela caridade (Mt. 7:13-15).

6) Aos discípulos disse Jesus: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me; porque aquele que quiser salvar a sua vida, perder-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achar-la-á” (Mt. 16:24-25). Em outro lugar Jesus falou : “Quem  não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” (Mt. 10:38). Jesus ensinou que sem cruz não há cristianismo. O verdadeiro cristão é rejeitado como Jesus, e por fim crucificado. Paulo afirmou que cristão não deve apenas crer nele, mas padecer por ele (Fl. 1:29; I Tm. 2:11-12; Lc. 6:22-26).

7) Olhando ao redor de si, Jesus falou: “Bem aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus” (Lc. 6:20). Alguém poderá  objetar, dizendo:  E se um pobre for perverso ou ladrão. Será salvo mercê da sua pobreza? Os pobres que herdam o reino de Deus e a vida eterna são os pobres que se fizeram pobres, por amor dos pobres, tendo renunciado suas riquezas. Porém, os pobres que anseiam ser ricos, não são pobres, mas invejosos e piores que os ricos.

8) Jesus foi aborrecido por este mundo, e os seus discípulos, por não serem deste mundo como Jesus, serão aborrecidos também (Jo. 15:18-19).  Jesus disse: “Vós sois debaixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo” (Jo. 8:23). Não ser deste mundo é não desfrutar das regalias deste mundo, de seus banquetes, de suas filosofias, de seus espetáculos e fantasias.

9) No fim dos tempos, os cristãos verdadeiros serão presos e atormentados e mortos, e serão odiados por todas as gentes (Mt. 24:9).

10) Disse também, o mestre: “Se alguém vier após mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos e irmãos e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc. 14:26).

Em última análise, ser cristão é navegar contra o vento. Os ventos favoráveis neste mundo, são do diabo, pois até a Jesus Cristo o capeta quis seduzir com riqueza, poder e glória (Lc. 4:1-13).  A vida cristã é comparada por Jesus ao homem que edifica a sua casa sobre a rocha; “e desceu a chuva e correram os rios, e assopraram os ventos e combateram  àquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. Aqueles, porém, que ouviram as palavras de Jesus e não as cumpriram em suas vidas, são comparados aos insensatos que edificaram sobre a areia; e desceu a chuva, e correram os rios, e assopraram ventos, e combateram àquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda” ( Mt. 7:24-27). 

Edificar sobre a areia é construir casas de tijolo e cimento com torres; é ter jóias e reservas de ouro; é ter estabilidade neste mundo, é ter neste mundo um lugar de honra. Não renunciaram nada. Na epístola universal de São Tiago lemos: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus?” (Tg. 4:4).

Podemos fechar o assunto com duas conclusões:

1) Nos tempos apostólicos as pessoas se convertiam para ficarem pobres, serem perseguidos  e mortos, banidos das cidades, escorraçados.

2) No nosso tempo, passados estes dois mil anos, as pessoas  só se convertem se Deus lhes der: sucesso profissional, fartura, comodidade e riqueza. Um das duas conclusões produz filhos para Deus. Outra produz filhos deste mundo, e que vão desaparecer com o mundo (II Pd. 3:7). É o falso evangelho.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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