(477) – OS DOIS JUGOS – II

OS  DOIS  JUGOS  2

Existem, como dissemos, dois testamentos: o Velho e o Novo. No Velho Jeová foi cabeça e no Novo Jesus é o cabeça. Paulo diz: “Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos, e qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dos mortos, e pondo-o à sua direita nos céus, acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro; e sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Ef. 1:18-23).

No Velho Testamento tudo era sombra, pois Paulo diz: “Ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Cl.2:16, 17). “Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelo mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” (Hb.10:1). Sombra é sombra, não é nem imagem.

No Novo Testamento tudo é luz. Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo. 8:12). Comparemos as coisas das trevas com as da luz:

  1. Jeová ordena: “Aborrecerás o teu inimigo (Mt. 5:43)”. Eu, porém, vos digo, diz Jesus: “Amai a vossos inimigos, bendizei aos que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mt. 5:44). Jesus, não só exige muito mais que Jeová, como também vai contra as ordens tenebrosas desse deus odioso.
  2. Jeová põe o mundo no coração dos homens (Ec. 3:11). Jesus, entretanto, revela que o mundo o odeia, porquanto testifica que as suas obras são más (Jo. 7:7). O apóstolo João, o mais íntimo de Cristo, diz: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (I Jo. 2:15-17). Colocar o mundo no coração dos homens é colocar concupiscência, logo Jeová coloca a concupiscência no nosso coração, é o que revela João. E Tiago nos diz: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que se fizer amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus” (Tg. 4:4). Se Jeová fosse Jesus ou fosse o Pai, ao por o mundo no coração dos homens, os faria seus inimigos, o que seria absurdo, logo, Jeová é amigo de Satã.
  3. Jeová apóia a cobiça carnal, pois disse na lei: “Quando saíres à peleja contra os teus inimigos, e Jeová teu deus os entregar nas tuas mãos, e tu deles levares prisioneiros, e tu entre os presos vires uma mulher formosa à vista, e a cobiçares, e a queiras tomar por mulher, então a trarás para a tua casa, etc.” (Dt. 21:10-14). Mas Jeová, na lei, proíbe a cobiça (Ex. 20:17). Se proíbe cobiçar as mulheres dos patrícios, e apóia a cobiça aos estranhos, faz acepção de pessoas(At. 10:34). O deus de Moisés e o Deus de Pedro não são os mesmos. Jesus, entretanto, declara que a cobiça carnal leva infalivelmente ao inferno (Mt. 5:27-30).
  4. Jeová tolerava o pecado de alguns, e não tolerava de outros. Davi adulterou com Bate-Seba, mulher de Urias, o heteu, e pela lei deveriam ambos ser apedrejados: “Também o homem que adulterar com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera” (Lv. 20:10). Jeová, neste caso, cometeu três pecados:

a) Quebrantou a própria lei não matando os criminosos.

b) Em lugar do adúltero Davi, seu escolhido, matou o filho, fruto do adultério (II Sm. 12:14-20).

c) E em lugar da adúltera Bate-Seba, Jeová deixou morrer Urias, seu fiel marido e um dos 37 valentes de Davi (II Sm. 11:14-17; 23:39). O que agrava o pecado de Davi, é que o próprio Urias levou a carta que o condenava à morte. Que crueldade! E Jeová permitiu tal coisa? Claro, pois Jeová manda exterminar criancinhas de peito (Dt. 32:22-25). Jesus não tolera o pecado, por isso João, o apóstolo mais chegado a Jesus, diz: “Quem comete o pecado é do diabo” (I Jo. 3:8). E diz mais: “Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu” (I Jo. 3:6). A peneira de Cristo é tão fina, que quem deixa de fazer o bem vai para o inferno (Mt. 25:41-46). Antes da conversão, éramos escravos do pecado, mas agora fomos libertados do pecado (Rm. 6:18). Somos novas criaturas, nascemos de novo, crucificamos a carne (Gl. 5:24). Paulo recomenda em Cl. 3:9-10: “Não mintais uns aos outros pois já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”.

Por que há uma diferença tão grande entre os varões da velha aliança, e os varões da nova aliança? Entre os de Jeová e os de Cristo?

  1. Os de Jeová eram escravos da lei, da carne e do pecado (Gl. 4:21-25). Os de Jesus Cristo são libertados da escravidão (Gl. 5:1-4), da carne (Gl. 5:24) e do pecado (I Jo. 3:9).
  2. Os da velha aliança hão de herdar a terra e o inferno (Sl. 37:29). Os santos herdarão o céu (I Pd. 1:3-4).
  3. Os de Jeová são deste mundo (Sl. 24:1). Os de Cristo não são deste mundo, e só estão aqui como peregrinos e forasteiros para pregar as boas novas do evangelho (Hb. 11:13-16).

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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