(233) – O ANJO DA GUARDA – II

233 – O ANJO DA GUARDA – II

 

A fé católica é de que as crianças tem um anjo da guarda, para proteger do mal e de Satanás, mas o texto do Salmo 34:7 se refere a adultos, pois diz: “O anjo de Jeová acampa- se ao redor dos que o temem, e os livra”. Esse temor usado pelo salmista é produzido pelo conhecimento que alguém tem sobre Jeová; por isso, Salomão disse: “O temor de Jeová é o princípio da sabedoria, e a ciência do santo a prudência” (Pv. 9:10). Ora, toda a criança é curiosa e imprudente porque não tem nenhuma sabedoria, e assim, o Sl. 34:7 se refere a adultos fiéis a Jeová, isto é, o anjo de Jeová só guarda os seus propínquos. Jeová não é deus bom para  todos, mas somente para o seu povo Israel. E, portanto, deus tribal e não universal. Vejamos se o anjo de Jeová guarda os que Jeová escolheu para si:

  1. Adão e Eva não são os primeiros seres humanos criados por Jeová há seis mil  anos, pois a ciência prova que o homem está na terra há milhões de anos. Mas Adão e Eva são os primeiros humanos criados particularmente para Jeová, por isso Adão é figura do Messias carnal que haveria de vir ao mundo, conforme Romanos 5:14. Também Adão é figura de Israel, conforme Oséias 6:7. Sendo Adão e Eva os primeiros que Jeová formou para começar a sua linhagem, deveriam ser guardados pelo anjo de Jeová, mas não foram. A serpente entrou no Jardim de Jeová e os contaminou. E a mesma serpente contaminou o povo de Israel depois que o reino estava estabelecido, e lá pelo ano 830 antes de Jesus Cristo, quando Oséias profetizou ligando Adão a Israel. Nem o anjo guardou e nem Jeová. Adão e Eva, sem ciência e sem sabedoria alguma, portanto como crianças, foram devorados espiritualmente por Satanás sob os olhos condescendentes do anjo protetor.
  2. Abel é citado no Novo Testamento como homem de fé, em Hebreus 11:4. O sangue de Abel é figura do sangue dos sacrifícios e holocausto oferecidos a Jeová no templo de Salomão. E o anjo de Jeová não guardou Abel das mãos assassinas de seu irmão Caim (Gên. 4:1-8). João revela que Abel era filho de Deus e Caim era filho do diabo. As obras de Abel eram justas, mas o anjo de Jeová não o guardou (1 Jo. 3:10-12). O mais estranho no assassinato de Abel é que o justo não foi guardado, nem pelo anjo, e nem por Jeová (Gên. 4:13-15).
  3. Abraão é o maior nome do Velho Testamento. Jeová o chama de amigo. “Mas tu, ó Israel, servo meu, tu Jacó, a quem elegi, semente de Abraão, meu amigo” (Isaías 41:8). Abraão foi o homem a quem Jeová jurou abençoar e multiplicar (Gên. 22:16-18). Sarai, mulher de Abraão, era de grande formosura. Houve fome na terra, e Abraão desceu ao Egito (Gên. 12:10). Quem produz a fome? Jeová (2 Sam. 21:1). Os príncipes de Faraó gabaram a beleza de Sara a Faraó, e ela foi tomada para o harém. Abraão, por medo aconselhara-a dizer que era sua irmã. Sarai foi possuída por Faraó por tempo suficiente até Abraão enriquecer às custas da mulher (Gên. 12: 15,16). Uma coisa é certa. O anjo de Jeová não guardou Sarai da prostituição, e assim não guardou Abraão e a sua casa.
  4. Jacó teve doze filhos, sendo oito das mulheres, Léa e Raquel, e quatro das servas Bila e Zilpa. Léa deu os primeiros quatro filhos a Jacó. Seus nomes são: Rubem, Simeão, Levi e Judá (Gên. 29:32-35).Rubem, o primogênito, cometeu incesto com Bila, concubina de Jacó (Gên. 35:22). Diná, filha de Jacó, foi violada por Siquém, filho de Hamor, o heveu. Os irmãos se enfureceram. Então o pai de Siquém foi a Jacó pedir que Diná se casasse com seu filho, e oferecer amizade entre os dois povos. Siquém se propôs a pagar o dote que pedissem. Os filhos de Jacó impuseram a eles a circuncisão ordenada por Jeová em Gên. 17:13,14. Hamor e Siquem aceitaram, e assim todos os varões foram circuncidados. Ao terceiro dia, quando a dor era mais violenta, Simeão e Levi, irmãos de Diná, tomaram cada um da sua espada, entraram afoitamente na cidade e mataram todos os machos, e mataram também Hamor e Siquém (Gên. 34:1-29). Jacó então disse aos filhos assassinos: “Tendes-me turbado fazendo-me cheirar mal entre os moradores desta terra, entre os cananeus e perizeus, sendo eu pouco povo em número: ajuntar-se-ão e me destruirão” (Gên. 34:30). A promessa de Jeová a Jacó: “Eis que estou contigo, e te não deixarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque te não deixarei até que haja feito o que te tenho dito” (Gên. 28:15). Os cananeus e perizeus que habitavam a terra antes de Jacó chegar, vendo o crime de Simeão e Levi, ficaram inimigos de Jacó. Uma coisa é verdade. O anjo de Jeová não guardou Diná da desonra, não guardou Jacó do medo e da angústia, e não guardou uma multidão de siquenistas convertidos ao judaismo. Pobre Jacó, angustiado pelo ato incestuoso de Bila, porque o anjo de Jeová não guardou, como também não guardou Diná. Ruben perdeu a primogenitura para José e seus dois filhos.
  5. Judá, o último dos primeiros quatro filhos de Jacó também cometeu incesto com a nora, de nome Tamar. A casa de Jacó estava sendo destruída por causa do sexo desordenado (Gên. 38:6-26). O que se entende por guardar? Evitar que morra? Evitar que sofra angústia também. E a angústia é castigo de Jeová. Ao ver a casa desonrada, Jacó vivia angustiado (Jer. 30:7). A angústia de Jacó pode ser sentida em Gên. 37:34-36; 42:36-38. Textos que provam que a angústia vem de Jeová. “Enviou sobre eles sua ira ardente, fúria, verberação e aflição. Delegações de anjos trazendo calamidades”(Sl. 78:49). Tradução inglesa de 1961. “Descarregou o ardor da sua cólera, indignação, furor, tribulação, um esquadrão de anjos de desgraça” (Sl. 78:49). Edição claretiana de 1960. “Atirou para o meio deles, quais mensageiros de males, o ardor da sua ira, furor, indignação e angústia” (Sl. 78:49). João Ferreira de Almeida- Edição Revista e corrigida. Jeová pelejou contra o Egito com esquadrão de Anjos do Mal. Na edição de Almeida está traduzido “mensageiro”, porque anjo é mensageiro. Existem muitos textos que falam da angústia mandada por Jeová.

Jacó passou a vida em angústia e aflição. Começou com o propósito  de Esaú  de assassiná-lo. Então Isaque, seu pai, ordenou que fosse para a casa de seu tio Labão (Gen. 28:1,2). Na casa de Labão trabalhou como escravo durante 20 anos. Passado esse tempo, fugiu de Labão com os filhos e as mulheres. Labão o perseguiu irado (Gen. 31:22-24). Ao retornar teria que enfrentar a fúria  de Esaú. Com medo buscou a benção de Jeová  numa luta durante a noite, pois a benção lha traria  consolo e esperança (Gen. 32:22-28). Começou então  a angústia pelo mau comportamento  dos filhos de Léia. Por fim, seu filho predileto não volta, pois seus irmãos o venderam como escravo, tudo dentro do projeto de Jeová, oculto a Jacó.

E o varão Jacó, abençoado com a descendência com promessa de ser guardado de todo o mal, ao chegar no Egito, disse a Faraó: “Tenho cento e trinta anos; poucos e maus foram os anos da minha vida” (Gen. 47:9).

Foi preciso que o Deus Pai enviasse seu Filho Unigênito ao mundo para revelar o seu amor, pois Deus é amor (I Jo. 4:7,8).

Jesus trouxe aos homens  a paz de Deus. Paulo disse: “E a paz de Deus, que excede  todo o entendimento, guardara os vossos corações  e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Fp. 4:7). E para que os homens pudessem sentir alívio das aflições e angústias vindas de Jeová e seus anjos, Jesus, com a sua vida e sua obra, revelou a natureza do Pai. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação” (2 Cor. 1:3,4). E o Pai salva a todos os homens do jugo das maldições impostas por Jeová em Dt. 28:15-68; 1 Tim. 4:10.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

ABIP – ASSOCIAÇÃO BÍBLICA INTERNACIONAL DE PESQUISA

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