(401) – O DEUS DAS TREVAS

O DEUS DAS TREVAS

O dicionário diz que a palavra aborrecer é: repugnância, aversão, ódio. Vejamos a sublime declaração de Jesus Cristo: “Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo, e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mt. 5:43-44).

Se Jeová fosse o Pai, Jesus estaria discordando do Pai, e dando um mandamento diferente. Se Jeová é Jesus, fica clara uma contradição, com mudança de comportamento, pois no Velho Testamento mandava aborrecer o inimigo, e no Novo Testamento manda amá-lo.

Vamos entrar mais fundo nessa história de aborrecer o desafeto, ou o inimigo. João, na sua primeira epistola universal, diz: “Aquele que aborrece a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos” (I Jo. 2:11). E João continua, dizendo: “Nós sabemos que passamos da morte para vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte” (I Jo. 3:14).

Ora, nos salmos lemos que deus Jeová aborrece os homens maus: “Destruirás aqueles que proferem mentira; Jeová aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento” (Sl. 5:6). “Jeová prova o justo, mas a sua alma aborrece o ímpio e o que ama a violência” (Sl. 11:5). Jeová aborrece e vai destruí-los (Sl. 145:20).

Diz a Escritura que Jeová libertou o seu povo Israel do jugo egípcio, e os conduziu em segurança pelo deserto, e levou-os à terra prometida, expulsou as nações corruptas, e deu a terra em herança a seu povo; mas eles voltaram atrás e não guardaram os seus testemunhos; e viraram-se para a idolatria, pelo que Jeová os aborreceu cheio de indignação e ira (Sl. 78:59). E Jeová aborreceu também, e desprezou as festas das assembléias solenes (Am. 5:21). Isaías também registra a mesma repugnância de Jeová pelo seu povo (Is. 1:14).

Vamos citar o mais escandaloso caso envolvendo o deus Jeová. Desgostoso e arrependido de ter colocado Saul como rei sobre Israel, rejeitou-o (I Sm. 16:1). O varão escolhido por Jeová foi Davi, filho de Jessé, um jovem de grande valor. Ao rejeitar Saul, Jeová disse: “Agora não subsistirá o teu reino; já tem buscado Jeová para si um homem segundo o seu coração, que seja chefe sobre o seu povo” (I Sm. 13:14).Jeová deu testemunho do valor de Davi, dizendo: “Achei a Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi. Com ele a minha mão ficará firme, e o meu braço o fortalecerá. O inimigo não o importunará, nem o filho da perversidade o afligirá. E eu derribarei os seus inimigos perante a sua face, e ferirei os que o aborrecem. E a minha fidelidade e a minha benignidade estarão com ele; e em meu nome será exaltado o seu poder” (Sl. 89:20-24). Agora vamos ler o testemunho de Davi sobre Jeová no mesmo salmo: “Mas tu rejeitaste e aborreceste; tu te indignaste contra o teu ungido” (Sl. 89:38). Como pode ser isso? Depois de tanto elogio, de tantas promessas? Algum doutor em Bíblia vai dizer: Mas Davi cometeu um adultério e um homicídio (II Sm. 12:9-12). É verdade, mas Jeová declara que não há homem justo que não peque (Ec. 7:20; I Rs. 8:46). Se todos os homens estão predestinados a pecar, por que Jeová odiou Davi por causa do pecado? O mesmo Davi relata o que Jeová fez com ele, dizendo: “Mas tu rejeitaste e aborreceste; tu te indignaste contra o teu ungido. Abominaste o concerto do teu servo; profanaste a sua coroa, lançando-a por terra. Derribaste todos os seus muros; arruinastes as suas fortificações. Todos os que passam pelo caminho o despojam; tornou-se o opróbrio dos seus vizinhos. Exaltaste a dextra dos seus adversários; fizeste com que todos os seus inimigos se regozijassem. Também embotaste o fio de sua espada, e não o sustentaste na peleja. Fizeste cessar o seu resplendor, e deitaste por terra o seu trono” (Sl. 89:38-44). Tudo isto alem de matar o filhinho recém-nascido (II Sm. 12:14). Também Jeová forjou o incesto de Amnom, primogênito de Davi, e filho de Ainoã, com sua irmã Tamar, irmã de Absalão, ambos filhos de Maaca, outra esposa de Davi. Também por vingança contaminou as dez concubinas de Davi, que Absalão seu filho possuiu sexualmente no terraço do palácio, à vista do povo (II Sm. 16:21-23). Tudo isto foi prometido a Davi por vingança contra o seu pecado em II Sm. 12:10-12.

Ora, se o apóstolo João afirma que quem aborrece o seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir, porque as trevas lhe cegaram os olhos, Jeová, que se autodenomina deus, está em trevas e anda em trevas, pois aborrece, isto é, odeia todo mundo.

É por isso que Jeová mata todo mundo. Quem aborrece é homicida (I Jo. 3:15). É por isso que o povo que Jeová libertou do Egito andava em trevas, apesar de ter diante de si, de dia uma coluna de nuvem, e à noite uma coluna de fogo (Ex. 13:21). Como pode ser que, estando Jeová com eles, andassem em trevas? Onde Jeová está só há trevas (Dt. 4:10-14; 5:22-24). E diz João que Deus é luz, e não há nele trevas, mas Jeová sempre se oculta nas trevas (Ex. 20:21; Sl. 18:11). E o povo, junto dele, andando em trevas (Is. 59:9-10).

E o lugar onde há trevas é a região da sombra da morte, isto é, a ante-sala da morte (Is. 9:2). E o povo estava tão cego de tanto andar nas trevas de Jeová, que quando a luz veio a este mundo, não a aceitaram (Jo. 1:1-5).

O deus das trevas declara: “Todas as brilhantes luzes do céu enegrecerei sobre ti, e trarei trevas sobre a tua terra, diz o senhor Jeová” (Ez. 32:8). Mas o Pai enviou a Jesus Cristo a este mundo, e Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo. 8:12).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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