(243) – A ÚLTIMA TENTAÇÃO

243 – A ÚLTIMA TENTAÇÃO

 

Jesus passava por uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto à herdade que Jacó tinha dado a seu filho José. E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, cansado do caminho, assentou-se junto à fonte. E era quase a hora sexta. Veio uma mulher de Samaria tirar água. Jesus lhe pediu água para beber, e assim começou um diálogo entre os dois. Lá as tantas do diálogo a mulher disse: “Eu sei que o Messias, que se chama Cristo, vem; quando ele vier, nos anunciará tudo. Jesus disse-lhe: EU O SOU, EU QUE FALO CONTIGO”(Jo. 4:25-26). Jesus declarou ser o Messias profetizado e esperado. Depois de traído por Judas, os sacerdotes que o prenderam levaram-no a Pilatos, que lhe perguntou: “És tu o rei dos Judeus?” Jesus não respondeu. Jesus lhe disse: “Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo” (Jo. 18:33-37). Quando Jesus, ouvindo a confissão de Pedro, lhe entregou as chaves do reino dos céus; ordenou aos discípulos que a ninguém dissessem que ele era o Messias (Cristo, no grego) (Mt. 16:15-20). Fica assim bem provado que Jesus Cristo era o Messias prometido por Jeová—o rei que deveria libertar Israel dos cativeiros, levando-o de volta à sua terra. O reino do Messias seria o mais poderoso, e todos os reinos do mundo se submeteriam e serviriam para sempre os israelitas.

Para deixar bem claro e patente que ele, Jesus era o Messias, e para cumprir a profecia de Zacarias, Jesus mandou dois discípulos buscarem um jumentinho que nunca fora montado. Lançando sobre o jumento os seus vestidos, puseram Jesus em cima. E, indo ele, estendiam os seus vestidos. E quando já chegava perto da descida do Monte das Oliveiras, toda multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto, dizendo: Bendito o que vem em nome do Senhor; paz no céu, e glória nas alturas (Lc. 19:28-38). Mateus narra o mesmo com outras palavras. O povo estendia os seus vestidos pelo caminho, e outros cortavam ramos de árvores, e os espalhavam pelo caminho. “Dizei a filha de Sião: Eis que o teu rei aí te vem, manso e assentado sobre uma jumenta” (Mt. 21:1-8). E Jesus entrou assim em Jerusalém, e entrando no templo de Jeová, expulsou a todos os que vendiam e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas (Mt. 21:10-12). A impressão que deu é que ia assumir o trono e submeter Roma e os outros reinos, mas não o fez. Parecia que ia usar a vara de ferro, mas não. Em vez de restaurar Israel, amaldiçoou a figueira, dizendo: “Nunca mais nasça fruto de ti ” (Mt. 21:18-19). A figueira é figura de Israel. Lemos isso em Jr. 24:1-10. Ora, se Jesus entra em Jerusalém montado na jumenta, sendo  aclamado como o Messias rei, em seguida rejeita a figueira, e ela se seca até a raiz, até um cego pode concluir que o reino de Israel acabou. Hoje não há mais reino. Vejamos. No capítulo 21 deMateus, depois da narrativa acima, temos ainda a parábola dos lavradores maus, na qual Jesus conta que o lavrador (Deus Pai) manda seus servos (profetas) para receber os frutos, mas foram feridos e apedrejados. Por último mandou o seu filho dizendo: Terão respeito pelo meu filho. Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: “Este  é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da herança. E, lançaram mão dele, arrastaram-no para fora da vinha, e o mataram.” O Senhor da vinha mandou destruir os maus lavradores, e arrendou a vinha a outros, melhores (Igreja). Jerusalém foi destruída no ano setenta, o templo foi queimado, e a figueira secou para sempre.

Mais tarde, após o sermão profético, Jesus foi ao Getsêmani para orar. Afastou-se dos discípulos, pôs-se de joelhos, e orava dizendo: “Pai, se queres, passa de mim este cálice, todavia não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc. 22:42-44). Quando Jesus disse: “Faça-se a tua vontade e não a minha”, a vontade de Jesus, era diferente da do Pai. E se era diferente ele estava sendo tentado. E diz Lucas no seu evangelho que Jesus estava em agonia, e o seu suor se tornou em gotas de sangue que corriam até o chão (Lc. 22:44).

Se Jesus, ao orar, estivesse se dirigindo a Jeová, e a vontade de Jeová era que ele se assentasse no trono de Davi e restaurasse Israel, é óbvio que a vontade de Jesus, sendo diferente, era não assentar no trono de Davi. Como Jesus disse: “Faça-se a tua vontade e não a minha”, teria assumido o reino de Israel e lançado mão da vara de ferro contra a sua própria vontade. Mas como Jesus não assumiu o reino, nem assentou no trono, pois declarou a Pilatos que o seu reino não é deste mundo, Jesus não orava a Jeová, mas ao Pai, cuja vontade foi que Cristo fosse rejeitado como Messias e rei, e fosse assim crucificado, o que aconteceu. A tentação de Cristo, a última e terrível tentação, que trouxe aquela angústia atroz, fazendo com que seu suor se tornasse em gotas de sangue, era exatamente assumir a oferta de Jeová. “Pede-me e eu te darei as nações por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro” (Sl. 2:8-9).

Jesus foi rejeitado e morto pelos judeus como impostor blasfemo, e os judeus até hoje esperam o Mashiach ben Yossef (Messias filho de José). Isso me contou meu professor de hebraico, que veio de Israel para ensinar a língua aos judeus que iam repatriar. O fato é que Jesus na cruz reconciliou o mundo com o Pai, segundo Paulo. “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação” (II Co. 5:19). Como Deus estava em Cristo na cruz, reconciliando o mundo, é claro que essa era a sua vontade, que era contrária à vontade de Jeová.

A grande e última tentação, sem dúvida, era partir para o caminho mais fácil, isto é, receber das mãos de Satanás todos os reinos deste mundo e a sua glória (Lc. 4:5-8). Era mais fácil transformar pedras em pães, isto é, restaurar Israel, povo petrificado pelo mal e pela corrupção. Jesus tinha poder para isso. Também, Jesus foi levado ao pináculo do templo, que é a parte mais alta, e lá seria visto como o todo poderoso, que ao atirar-se para baixo seria sustentado pelos anjos, isto é, as miríades de anjos que reinavam com Jeová, estavam agora a serviço de Jesus, o Messias (I Rs. 22:19-20; Sl. 103:19-21). Se Jesus cedesse à tentação, e assumisse o trono de Israel, a Igreja não existiria e ninguém seria salvo, isto é, o inferno seria o destino dos homens. Mas Cristo se humilhou até a morte, e morte de cruz, pelo que, Deus, o Pai, lhe deu um nome que é sobre todo o nome, exaltando-o soberanamente, para que, ao nome de Jesus, se dobre todo o joelho, dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra (Fl.  2:5-10). E o inferno e a morte perderam a guerra (I Co. 15:55). E a morte e o inferno serão lançados no lago de fogo (Ap. 20:14). E sabem donde veio tanta vitória? De Jesus não ceder à tentação. E Jesus é caminho para nós!  (Jo. 14:6).

autoria: PASTOR OLAVO SILVEIRA PEREIRA

ABIP – ASSOCIAÇÃO BÍBLICA INTERNACIONAL DE PESQUISA

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