(458) – A CARNE – I

A  CARNE  1

No Novo Testamento lemos que Deus é Espírito, e que só pode ser adorado em espírito (Jo. 4:24). O texto deixa claro que a adoração em espírito é a verdadeira. Outro texto esclarecedor de João, diz:“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo. 1:12-13). Neste texto, vemos de maneira insofismável, que Deus, o Pai de Jesus Cristo, não gera filhos na carne, mas só no Espírito. Esse nascimento do Espírito se dá pela fé em Cristo. O mesmo Jesus é que disse: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer de novo, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, na pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo. 3:3-6). Se o que é nascido do Espírito é filho de Deus, conforme Jo. 4:24, o que é nascido da carne é filho de outro.

Jesus declarou que a nossa carne para nada serve, e para nada aproveita. Se nada aproveita da carne humana, é lixo que não pode ser reciclado (Jo. 6:63). Paulo revela que na carne não habita bem algum(Rm. 7:18). E o mesmo Paulo afirma que a carne e o sangue são corrupção, e que a corrupção não pode herdar o reino de Deus (I Co. 15:50). Quando Paulo diz que isto que é corruptível deve se revestir de incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir de imortalidade, está se referindo à nossa carne (I Co. 15:53). Ainda que o santo seja puro e sem pecado, a sua carne se corrompe com o tempo. A carne é matéria tão imunda, que na epístola universal de São Judas, lemos: “Salvai alguns arrebatando-os do fogo; tende deles misericórdia com temor, aborrecendo até a roupa manchada da carne” (Jd. 23). Há pessoas que gozam de perfeita saúde, e no entanto exalam odores insuportáveis da sua carne. As indústrias de desodorante ganham fortunas para eliminar ou disfarçar os odores da carne humana. Muitos divórcios acontecem por um cônjuge não suportar os odores do outro. A Bíblia revela que o que tanto atrai os sexos são concupiscências da imundícia da carne (II Pd. 2:10). Em relação só a epiderme, existem inúmeras doenças, que pela falta de uma higiene pessoal diária, se manifestam como micoses, sarnas, alergias, coceiras, frieiras, assaduras, urticárias, feridas, erisipelas, impinges, câncer de pele, e dermatoses em geral.

Para um homem chegar à presença de Deus, o Pai, tem de nascer de novo (Jo. 3:3-6), tem de ser nova criatura, isto é, tem de ser criado em justiça e santidade. Paulo diz: “Quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito do vosso sentido; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef. 4:22-24). Esta carne de que somos feitos, tem de passar pela regeneração, isto é, isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revista de imortalidade, para chegar a Deus. Essa incorruptibilidade começa antes da ressurreição pela palavra de Deus. Pedro diz: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (I Pd. 1:23). A semente corruptível é a lei do mandamento carnal. Na carta aos hebreus, lemos que Jesus é um sacerdote que não foi feito segundo a lei do mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível (Hb. 7:15-16); e essa virtude da vida incorruptível é o evangelho da incorrupção. Paulo diz: “Mas o homem encoberto no coração; no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus” (I Pd. 3:4). Paulo completa, dizendo: “Participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus, que nos salvou, e nos chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos; e que é manifesta agora pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho” (II Tm. 1:8-10). E Pedro declara que, no fim deste mundo, narrado com detalhes em II Pd. 3:7-14, o verso catorze diz: “Pelo que, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz”.

Pois somos surpreendidos com a declaração de Jeová, que fez por boca de Jeremias: “Eu sou o deus de toda a carne” (Jr. 32:27). Jeová é o deus da carne corruptível? E Jeová aceita adoração de carne corrupta? (I Sm. 1:3; I Cr. 16:29; Sl. 99:9). Isaías diz que toda a carne adora a Jeová (Is. 66:23). Jeová convive com a carne em estado de corrupção (Gn. 18:1-8). E Jeová habita com a carne corruptível (Ed. 2:68; Sl. 135:21).

E o povo com o qual Jeová habitava, foi comparado por ele mesmo a Sodoma e Gomorra (Is. 1:8-11).

É só pensar um pouco…

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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