(281) – MANANCIAL – III

MANANCIAL 3

         1- Da mesma maneira que uma árvore boa não dá maus frutos, e uma árvore má não dá bons frutos, assim também de uma fonte de água doce não sai água amargosa. No Novo Testamento o Espírito Santo só comunica a vida. Jesus disse: “O Espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida” (Jo. 6:63). E Paulo, apóstolo, confirma pelo seu testemunho:“Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz” (Rm. 8:6). “Porque se viverdes segundo a carne morrereis; mas se pelo Espírito mortificares as obras do corpo, vivereis” (Rm. 8:13). O Espírito Santo não só comunica a vida, mas também ressuscita os que estão mortos, segundo o ensino do grande apóstolo: “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm. 8:11). O Espírito Santo, no Novo Testamento, não só comunica a vida, e não só ressuscita os mortos, mas também faz com que os que crêem em Jesus Cristo se transformem em fontes de água viva. O Senhor Jesus falou: “Quem crê em mim, como diz a escritura, rios d’água viva correrão do seu ventre. E isto disse ele do Espírito Santo que haveriam de receber os que nele cressem” (Jo. 7:38-39).

No Velho Testamento era totalmente diferente. O espírito de Jeová dava a morte, pois quando o espírito de Jeová se apoderava de Sansão, este matava os filisteus: “O espírito de Jeová tão possantemente se apoderou dele, que desceu aos asquelonitas, e matou deles trinta homens” (Jz. 14:19).Ler também Jz. 15:14-16. Como de um mesmo manancial não sai água doce e água amargosa, o espírito que se apoderou de Sansão não é o mesmo Espírito de Jesus.

2- No Novo Testamento, a função principal do Espírito Santo é promover a comunhão entre o povo de Deus, como disse Paulo: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com vós todos” (II Co. 13:13). E a comunhão entre irmãos é tão importante, que aquele que não tem comunhão com algum irmão, o sangue de Cristo não purifica dos pecados (I Jo. 1:6-7). No Velho Testamento, o espírito de Jeová promovia dissensão: “Enviou Jeová um mau espírito entre Abimeleque e os cidadãos de Siquem; e os cidadãos de Siquem se houveram aleivosamente contra Abimeleque” (Jz. 9:23).Como de uma mesma fonte não sai água doce e água amargosa, é fácil concluir que o espírito de Jeová não é o mesmo Espírito de Cristo.

3- No Novo Testamento, o Espírito Santo é fonte inexaurível de amor. Leiamos o que diz o apóstolo dos gentios: “A esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm. 5:5). O apóstolo João nos diz: “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (I Jo. 4:8). Quando o homem busca a Deus, o Pai, que em essência é amor, pelo seu espírito derrama do seu amor no coração do homem, para que este seja participante da sua natureza, e pratique também as obras do amor de Deus: “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós” (I Jo. 4:12). No Velho Testamento, Jeová derramava espírito perverso: “Jeová derramou no meio deles um perverso espírito; e eles fizeram errar o Egito e toda a sua obra como o bêbado quando se revolve no seu vômito” (Is. 19:14). Ora, como de um mesmo manancial não sai água doce e água amargosa, aquele espírito de Jeová não é o mesmo de Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

4- No Novo Testamento o Espírito Santo é aliado aos fracos e sujeitos ao pecado e os ajuda nas suas fraquezas: “E também da mesma maneira o Espírito ajuda as nossas fraquezas, porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm. 8:26). No Velho Testamento o espírito de Jeová era adversário: “Então temerão o nome de Jeová desde o poente, e a sua glória desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o espírito de Jeová arvorará contra ele a sua bandeira” (Is. 59:19). Isaías, o profeta, falando de Israel, disse:“Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu espírito santo; pelo que se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles” (Is. 63:10). É claro que o espírito de Jeová reflete o que Jeová é, e faz: “E eu pelejarei contra vós com mão estendida, e com braço forte, e com ira, e com indignação e grande furor” (Jr. 21:5). Como de uma mesma fonte não sai água doce e água amargosa, o espírito de Jeová não é o mesmo do Pai.

5- No Novo Testamento, o Espírito Santo de Deus, o Pai, é o Espírito de liberdade: “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade” (II Co. 3:17). É óbvio que este Senhor é Jesus, pois ele mesmo disse: “Se pois o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo. 8:36). A quem Jesus se dirigia? Aos religiosos fariseus (Jo. 8:13). Jesus estava declarando que eles eram escravos e precisavam ser libertos. Se recebessem o Espírito Santo seriam livres. Qual era a escravidão dos Judeus? O concerto da lei de Jeová. Paulo explica: “Dizei-me, os que quereis estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei? Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre, todavia o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas o que era da livre por promessa. O que se entende por alegoria; porque estes são os dois concertos; um do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Hagar. Ora, esta Hagar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde a Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós” (Gl. 4:21-26). O concerto do Sinai é o concerto de Jeová, que continua gerando escravos até hoje, pois quem precisa de lei para não agir errado é escravo. A isso Paulo chama de Espírito de Escravidão: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito Santo de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebeste o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Abba, Pai” (Rm. 8:14-15).

Não negamos que Jeová também enviava um bom espírito para fazer o bem. Neemias declarou: “E deste o teu bom espírito para os ensinar” (Ne. 9:20). Mas o espírito era também mau (Is. 19:14; 59:14; 63:10). Como de um  mesmo manancial não se bebe água doce e água amargosa, concluímos que o projeto de Jeová não era o mesmo de Jesus e do Pai. No Velho Testamento há muita água amarga, água de fel, água envenenada, água da escravidão e do inferno, por isso o Velho Concerto é chamado de concerto da morte e da condenação (II Co. 3:6-9). Mas Jesus Cristo liberta o homem desta prisão.

 

Pastor: Olavo Silveira Pereira

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