(298) – DRAGÃO – IX

DRAGÃO 9

O Jardim do Éden

         Vamos tratar de um Jardim do Éden diferente do jardim de Gn. 2:8-15. Leiamos a Escritura Sagrada: “E sucedeu, no ano undécimo, no terceiro mês, ao primeiro do mês, que veio a mim a palavra de Jeová, dizendo: Filho do homem, dize a Faraó, rei do Egito, e à sua multidão: A quem és semelhante na tua grandeza? Eis que a Assíria era um cedro no Líbano, de ramos formosos, de sombrosa ramagem e de alta estatura, e o seu topo estava entre os ramos espessos. As águas o fizeram crescer, e o abismo o exalçou; as suas correntes corriam em torno da sua plantação, e ela enviava os regatos a todas as árvores do campo. Por isso se elevou a sua estatura sobre todas as árvores do campo, e se multiplicaram os seus ramos, e se alongaram as suas varas, por causa das muitas águas que enviava. Todas as aves do céu se aninhavam nos seus ramos, e todos os animais do campo geravam debaixo dos seus ramos, e todos os grandes povos se assentaram à sua sombra. Assim era ele formoso na sua grandeza, na extensão dos seus ramos, porque a sua raiz estava junto às muitas águas. OS CEDROS NÃO O PODIAM ESCURECER NO JARDIM DE DEUS; AS FAIAS NÃO IGUALAVAM OS SEUS RAMOS, E OS CASTANHEIROS NÃO ERAM COMO OS SEUS RENOVOS; NENHUMA ÁRVORE DO JARDIM DE DEUS SE ASSEMELHOU A ELE NA SUA FORMOSURA. FORMOSO O FIZ COM A MULTIDÃO DOS SEUS RAMOS; E TODAS AS ÁRVORES DO EDEN, QUE ESTAVAM NO JARDIM DE DEUS, TIVERAM INVEJA DELE” (Ez. 31:1-9)

O profeta Ezequiel está revelando que houve outro Jardim do Éden 2.406 anos depois de Adão e Eva? Como pode ser isso? Transcrevemos o texto acima como está na Bíblia. O Jardim do Éden de Gênesis capítulo dois é apenas uma pálida figura, formada com elementos reais; porém Ezequiel nos revela detalhes do verdadeiro Jardim do Éden. O profeta, no capítulo trinta e um, fala especificamente do rei da Assíria, que destruiu o reino de Israel, levando o povo para o cativeiro (II Rs. 17:6). O profeta faz uma comparação de Faraó com o rei da Assíria.

Ezequiel declara que a Assíria era um cedro do Líbano, de ramos formosos, de sombrosa ramagem e de alta estatura (Ez. 31:3). Depois revela que era também uma árvore do Jardim do Éden, entre as outras, que tinham inveja da sua glória (Ez. 31:9). Sendo assim, quando Jeová fez brotar de terra toda árvore agradável à vista e boa para comida, em figura falava dos reinos deste mundo (Gn. 2:9).Também, quando Jeová disse a Adão: “De todas as árvores do jardim comerás livremente”, mostrava em figura que o seu povo podia desfrutar de todos os reinos, de sua cultura, de seus bens, de suas riquezas; somente da árvore da ciência do bem e do mal não poderia comer (Gn. 2:16-17). Comparando Faraó com o rei da Assíria, Jeová revelou que era também uma grande árvore. É claro que Babilônia, Pérsia, Grécia, Roma, etc. eram todas árvores. Continuando a decifrar o enigma de Jeová (Sl.78:2), Ezequiel diz sobre o reino assírio: “As águas o fizeram crescer, o abismo o exalçou” (Ez. 31:4). Águas são povos (Is. 17:13; Ap. 17:15). O abismo é a morada de Satanás, e é aqui na terra (Ap. 20:1-3).

Podemos entender também que os reinos deste mundo são exaltados pelo poder vindo do abismo, como aconteceu com José no Egito (Gn. 49:25). Pensando um pouco, concluímos que o abismo é o lugar dos mortos, pois Paulo disse: “Quem descerá ao abismo? (isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo)” (Rm. 10:7). Se a Assíria foi exalçada pelo poder do abismo, e Ezequiel compara Faraó a Assíria, o Egito também foi exalçado pelo abismo. Se as outras árvores do Jardim do Éden tinham inveja da grandeza da Assíria (Ez. 31:9). É também evidente e claro, que todas as árvores do Jardim do Éden eram figuras de todos os reinos deste mundo. O texto diz: “Os cedros não o podiam escurecer no jardim de Deus; as faias não igualavam os seus ramos; e os castanheiros não eram como os seus renovos; nenhuma árvore do jardim de Deus se assemelhou a ele na sua formosura. Formoso a fiz com a multidão de seus ramos; e todas as árvores do Éden, que estavam no jardim de Deus, tiveram inveja dele” (Ez. 31:8-9). Se as nações todas eram invejosas, todas eram exalçadas, ou exaltadas pelo abismo, que fazia parte do Jardim do Éden, e ninguém pensa nisso. Até Adão e Eva foram exalçados pelo poder do abismo, pois o dragão, ou a serpente, que é o diabo e Satanás, lá estava com liberdade total de ação. Sendo Satanás um anjo caído, portanto invisível, pois os olhos espirituais de Balaão tiveram de ser abertos por Jeová para que visse o anjo que o queria matar (Nm. 22:31). E satã acabou com o Jardim do Éden, pois foi o autor da condenação de Adão e Eva, autor das maldições da terra (Gn. 3:16-19). Satã causou a condenação e morte de toda a descendência de Adão, que hoje enchem o nosso miserável planeta, que está um caos, pois a ciência vive seus dias de glória, e é só guerra, drogas, comércio negro de cocaína e outros derivados, ervas venenosas, crimes, assassinatos, estupros, prostituição, sodomia, roubalheira, miséria e favelas, crime organizado, comércio de almas, comércio de órgãos, assaltos, latrocínios, violência, divórcios, filhos sem pais, isto é, bastardos, opressão, corrupção de costumes, etc., etc..

Mas voltemos ao Jardim do Éden, que é o nosso assunto. Ezequiel revela que todas as árvores do Éden, isto é, todas as nações, que fazem parte desse jardim infernal estão condenadas a destruição final, mesmo as mais gloriosas (Ez. 31:18). Todas condenadas ao inferno (Ez. 31:16-17). Ou o Jardim do Éden foi figura do inferno, ou foi figura da corrupção e condenação das nações futuras, mas jamais foi figura do céu e da glória primeira do homem criado.

TIRAMOS ALGUMAS CONCLUSÕES DO JARDIM DO EDEN QUE EZEQUIEL DESCREVEU:

1 – Parece que o Jardim do Éden era um verdadeiro inferno, pois Faraó tornou a existência do povo de Israel pior do que um inferno (Ex. 1:8-16).

O rei da Assíria mergulhou o Reino de Israel no inferno quando os levou ao cativeiro. Por último o rei Nabucodonosor fez do reino de Judá outro inferno quando queimou a fogo a cidade de Jerusalém, e também o templo de Jeová, e transportou o povo e os príncipes para Babilônia como escravos (Lm. 5).

2 – Jeová expulsou Adão e Eva do jardim, e fechou o caminho da árvore da vida. Ezequiel, entretanto, declara que todas as nações, que são as árvores do jardim, estavam dentro do Éden em plena glória 2.450 anos mais tarde?

3 – Adão e Eva foram expulsos do jardim porque pecaram, e Satanás, que pecou antes deles tinha e tem acesso livre em todo o tempo, pois até a Jesus tentou derrubar (Gn. 3:1-6; Lc. 4:5-8). Isto é uma incoerência. Por que Jeová fecha a porta para o homem, e deixa aberta para Satã? Se Satanás pecou primeiro, não deveria ter acesso livre (Jo. 8:44; I Jo. 3:8).

4 – Jeová fechou o caminho da árvore da vida para que os homens não pudessem jamais entrar (Gn. 3:22-24), mas de acordo com Ezequiel trinta e um, os homens pecadores e condenados estavam todos dentro? Como explicar isso? Contradição?

5 – Jeová fechou o caminho da árvore da vida (Gn. 3:24). E Jesus abriu a todos os que Jeová não queria dentro, isto é, os pecadores (Jo. 15:1; 14:6).

6 – Jeová colocou Adão e Eva no jardim com Satanás; Jeová colocou Israel no Egito com o dragão, que é Satanás (Ez. 29:3). Jeová colocou Israel na Assíria com o dragão (Is. 8:7; Ez. 31:2-3). Jeová colocou o reino de Judá na Babilônia, na mão do dragão (Jr. 51:34).

Com Jesus é diferente. Ele arranca os homens da mão do dragão, e os leva para as mãos de Deus Pai: Ele abre nossos olhos, das trevas nos converte à luz, e do poder de Satanás a Deus, afim de recebermos a remissão dos pecados, e a herança entre os santificados pela fé (At. 26:18).

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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