(272) – O AMOR DE DEUS – II

O AMOR DE DEUS 2

A Bíblia revela que há um amor falso, que é o amor só de palavras. O apóstolo João diz: “Meus filhinhos, não amemos de palavra nem de língua, mas por obra e em verdade” (I Jo. 3:18). O amor verdadeiro é amor de palavras e obras. Esse é o amor de Deus Pai. O mesmo João também disse: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16). Deus declarou o amor acompanhado de obras. Só palavras não provam nada. As obras provam. Paulo disse: “O amor seja não fingido” (Rm. 12:9). Amor só de palavras é amor fingido. Há maridos que confessam amar a esposa, mas têm amantes. Outros maltratam a mulher. Há pais que dizem amar os filhos, mas estes sentem pavor dos pais pela sua tirania. O amor não ofende. “Pais, não provoqueis a ira a vossos filho” (Ef. 6:4). Ora, se Deus é Pai, segue as normas do bom senso. Jesus assim falou: “Se vós sendo maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem” (Mt. 7:11). Repetimos a pergunta feita anteriormente: o amor que Cristo revelou aos homens da parte de Deus Pai era conhecido antes dele encarnar? Se o amor que Jesus confessou pelos homens existia antes dele encarnar, o primeiro a conhecer e revelar esse amor foi justamente Jeová, pois dizem que ele é o pai de Jesus e Deus Pai é amor. E, se conhecia, teria de praticar as obras do amor, ou o amor não era verdadeiro, e Jeová seria um ser estranho a Cristo. Vejamos: (I Jo. 4:8-10).

  1. Jeová nunca ensinou o amor verdadeiro. Ele disse: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Lv. 19:18). Este ensinamento não é perfeito, pois as pessoas são diferentes umas das outras. Por exemplo: Um homem tem negócios fora da lei, para ganhar mais. É obvio que vai ensinar ao amigo a quem ama. Outro anda com mulheres de vida fácil e convida o amigo a quem mais ama para desfrutar das noites de prazer. É claro que existem raras exeções. O homem não serve de medida para o amor; mas leiamos as qualidades do amor, segundo Paulo: “O amor é sofredor, é benigno, o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (I Co. 13:4-7).
  2. “O amor é sofredor”, isto é, quem ama, sofre, para que o objeto do seu amor não sofra. Pedro declarou: “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelas injustiças, para levar-nos a Deus” (I Pd. 3: 18)“Por que Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios” (Rm. 5:6)“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si(Is. 53:4). Jeová se deleitava em fazer sofrer. Ele mesmo disse: “Assim como Jeová se deleitava em fazer-vos bem e multiplicar-vos, assim se deleitará em destruir-vos e consumir-vos” (Dt. 28:63). “Jeová te ferirá com tísica e com febre, e com quentura, e com ardor, e com secura, e com destruição de sementeira, e com ferrugem; e te perseguirão até que pereças” (Dt. 28:22). “Jeová te ferirá com úlceras do Egito, e com hemorróidas, e com coceira, de que não possas curar-te” (Dt. 28:27). E tudo isso feito com deleite.
  3. “O amor é benigno”. Que quer dizer benigno? Bondoso; favorável; complacente; suave; brando. Tudo isso o que Jeová não é. Ele disse: “Males montarei sobre eles, as minhas setas esgotarei sobre eles. Exaustos serão de fome, comidos de carbúnculo (ANTRÁS), e de peste amarga; e entre eles enviarei feras, com ardente peçonha de serpentes do pó. Por fora devastará a espada, e por dentro o pavor; ao  mancebo juntamente com a virgem, assim a criança de mama como ao homem de cãs” (Dt. 32:22-25).O que confunde a cabeça do leitor da Bíblia é que Jeová elogia a si mesmo, dizendo: “Por que com amor eterno te amei, também com amorável benignidade te atraí” (Jr. 31:3). Que é benignidade? É a qualidade do benigno. O conceito de benignidade e de benigno para Jeová é diferente dos nossos conceitos. Para nós é ser bondoso, favorável, complacente, brando. Para Jeová matar todos os primogênitos do Egito é ser benigno (Sl. 136:10). Matar e destruir os exércitos de Faraó, é ser benigno (Sl. 136:15). Para Jeová ferir e matar grandes reis de varias nações é ser benigno ( Sl. 136:17-20).
  4. “O amor não trata com leviandade” (I Co. 13:4). Que é leviandade? Falta de prudência; falta de juízo; irreflexão. Leviano é o imprudente, precipitado, displicente. Foi falta de prudência de Jeová colocar o homem no jardim junto com a serpente. É mais provável que houve astúcia. A queda do homem era inevitável e ansiosamente esperada. Não se larga uma criança para brincar com uma cobra. Caída a raça humana, Jeová fechou o caminho da árvore da vida, afim de que ninguém pudesse achá-la (Gn. 3:22-24). A exegese de Gn. 3:15, de que a semente da mulher é Cristo, e a mulher é Maria é católica romana, que afirma ser Maria a mãe de Deus. Jesus dá uma versão diferente em (Mt. 13:34-43). Para Jesus, a semente da mulher são os filhos do reino e a semente de Satanás são os filhos do maligno. Paulo confirma esta verdade afirmando que os filhos do reino, que são a Igreja militante, pisarão a cabeça da serpente (Rm. 16:20). Se não é Jesus quem vai pisar a cabeça da serpente, Gn. 3:15 não fala dele. No livro de Jó lemos que os antidiluvianos foram levados antes do seu tempo, de modo que houve precipitação e imprudência da parte de Jeová trazendo o dilúvio (Jó 22:15-16). Jeová queimou a fogo as cidades de Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim; e Jesus declara que serão novamente julgados em Mt. 11:23-24. E Jesus afirmou que, se naquelas cidades se operassem os sinais operados em Cafarnaum, não teriam sido destruídos. Por que Jeová não operou obras de Jesus lá? Agiu precipitadamente e levianamente matando pessoas que poderiam ser salvas.
  5. “O amor não se ensoberbece” (I Cr. 13:4). Os humildes não se ofendem, só os soberbos, pois soberba é orgulho, altivez, presunção. O soberano se julga importante; mais importante que os outros, ao contrário de Jesus, manso e humilde de coração (Mt. 11:29). Jeová se ofende facilmente, ao se sentir provocado pelos homens. “Disse Jeová a Moisés: Até quando me provocará ente povo no deserto? Com pestilência os ferirei; e farei de ti um povo maior e mais forte que este” (Nm. 14:11-12). Moisés intercedeu pelo povo e exigiu que Jeová os perdoasse, no que foi atendido, pois disse:“Conforme a tua palavra os perdoei” (Nm. 14:11-20). Mas não perdoou e os matou no deserto (Nm. 14:28-32). Como  Moisés protegesse o povo de Israel, um povo sofrido pela longa escravidão egípcia, povo rude e despreparado por causa da humilhação e jugo dos egípcios, Jeová se ofendeu com Moisés, pois ele próprio declarou: “Também Jeová  se indignou contra mim por causa de vós, dizendo: Também tu não entrarás lá. Josué, filho de Num, que está em pé diante de ti, ele entrará” (Dt. 1:37-38).

Quem era Moisés? Jeová vai dizer quem era Moisés para Mirian e Arão, seus irmãos: “Ouvi agora as minhas palavras: se entre vós houver profeta, eu, Jeová, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele. Não é assim com meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, e de vista, e não por figuras, pois ele vê a semelhança de Jeová” (Nm. 12:6-8). Pois Jeová não só se ofendeu com Moisés, como também fechou-lhe a porta de entrada no seu repouso. Sim, pois Canaã é o repouso de Jeová. Na carta aos hebreus lemos: “Mas com quem se indignou por quarenta anos? Não foi por ventura aos que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? E a quem jurou que não entrariam no seu repouso senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade” (Hb. 3:17-19). Moisés foi tratado por Jeová como incrédulo. Se Canaã é figura do céu, Moisés está perdido. Como pode Jeová agir assim com seu maior servo? O problema é que a soberba endurece a tal ponto, que os amigos mais íntimos, e os servos mais fiéis, são tratados como inimigos quando defendem algum desgraçado de Jeová. O verdadeiro Deus Pai de Jesus, salva os desgraçados de Jeová; e não culpa seus servos por erro algum. Isso diz Paulo em I Tm. 4:10.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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