(365) – PROEZAS DE JEOVÁ – I

PROEZAS DE JEOVÁ 1

         Qual a definição de proeza? Proeza é façanha, e façanha é um ato heróico, ato admirável. Proeza é também procedimento censurável. Quando um garoto rebelde põe fogo no capim seco, e o fogo se alastra e queima também árvores frutíferas, alguém diz: “Isso é proeza de fulano”.

Há um texto no livro de Atos dos Apóstolos que chama a atenção. Paulo curou um varão coxo desde o ventre, e as multidões, maravilhadas, chamavam Paulo de Mercúrio (deus da eloqüência), e a seu companheiro Barnabé de Júpiter (pai dos deuses). Um sacerdote de Júpiter, trouxe então um touro para  sacrifício. Paulo e Barnabé, pularam no meio da multidão, e clamaram, dizendo: “Varões, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões, e vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, e a terra, e o mar, e tudo quanto há neles; O QUAL NOS TEMPOS PASSADOS DEIXOU ANDAR TODAS AS GENTES EM SEUS PRÓPRIOS CAMINHOS” (At. 14:8-16). O que estava Paulo ensinando? Que cada povo fazia a sua própria história. Noé teve três filhos, a saber: SEM, CÃO E JAFÉ. De Sem surgiram os Elamitas, os Persas, os Assírios, os Árabes, os Lídios, os Arameanos, e os Hebreus. De Jafé surgiram os Sumerianos, os Citas, os Medas, os Jônios, os Ibérios, os Moscovitas, os Trácios, e outros. De Cão surgiram os Africanos, os Egípcios, os Líbios, os Cananeus, os Amorreus, os Jebuseus, os Heteus, os Filisteus, os Babilônios, etc. Todos estes povos se desenvolveram, alguns tornando-se em grandes reinos. Pelo que lemos no livro de Atos dos Apóstolos, Deus nunca interferiu na história dos povos da antigüidade.

Deus tem um reino (Mt. 12:28; Jo. 3:3). Esse reino não é aqui na terra, pois Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo” (Jo. 18:36). Os reinos deste mundo são de Satanás, que declarou a Jesus essa verdade: “E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu. E Jesus disse: Vai-te Satanás” (Lc. 4:5-8). Paulo declara que o reino de Deus está acima dos céus: “Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (II Co. 5:1). “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp. 3:20). “O Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial” (II Tm. 4:18). “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós” (I Pd. 1:3-4).

Ora, se o reino de Deus não é neste mundo, e se os reinos deste mundo estão nas mãos de Satanás, é claro que Deus não iria interferir nos reinos deste mundo, para não entrar em luta contra Satanás. A glória de Deus não aumenta, entrando em luta contra Satanás, mas aumenta quando o cristão, que é menor que esse anjo caído, o vence, e pisa-lhe a cabeça (Tg. 4:7; Rm. 16:20; I Jo. 2:14).Quando Satanás vence o cristão, levando-o a pecar, a glória de Deus é lançada por terra. Resistir às tentações de Satanás, aumenta a glória de Deus e de Jesus, que nos comprou dele (I Co. 6:19-20; Tg. 1:12).

Deus, o Pai, só entrou neste mundo através de Jesus Cristo, que estabeleceu a sua Igreja para vencer Satanás e destruir o seu reino, pelo poder de Jesus Cristo (Mt. 16:18). A chegada do reino de Deus através de Cristo e da Igreja, também não interfere na história dos reinos deste mundo, pois os que crêem em Jesus vão herdar o reino de Deus nos céus (Mt. 25:34). E os cristãos, durante a sua peregrinação neste mundo, são mais fiéis, mais responsáveis, mais honestos, e mais produtivos. A interferência de Deus neste mundo tem por objetivo mudar o destino dos homens depois desta vida, e não mudar ou intervir na história dos reinos deste mundo. É por isso que Jesus disse: “O REINO DE DEUS NÃO VEM COM APARÊNCIA EXTERIOR” (Lc. 17:20-21).

Se Deus, o Pai, o autor e criador de todas as coisas só entrou neste mundo através de Jesus, por isso Lucas diz: “A lei e os profetas duraram até João Batista; desde então é anunciado o reino de Deus” (Lc. 16:16), quem é aquele que fazia estremecer a terra e tremer os reinos? Que punha o mundo como um deserto, e assolava as suas cidades? Que a seus cativos não deixava ir soltos para as suas casas? (Is. 14:16-17). Todos dirão: Este é Satanás. Será? Será Satanás o deus deste mundo, que andava fazendo proezas no Velho Testamento? (II Co. 4:4).

Deus, o Pai, deixou os antediluvianos andar em seus próprios caminhos, mas Jeová interferiu, destruindo a todos (Gn. 6:7). E no livro de Jó lemos que eles foram destruídos antes do tempo (Jó 22:15-16). Esta foi uma grande proeza de Jeová, mas não do Pai.

A segundo proeza foi criação do povo de Israel: “Ouve ó Jacó, servo meu, e tu Israel, a quem escolhi. Assim diz Jeová que te criou e te formou desde o ventre, e que te ajudará” (Is. 44:1). “A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para a minha glória; eu os formei, sim, eu os fiz” (Is. 43:7). E Israel profanou o nome de Jeová (Ez. 36:20-23). E Jeová, que disse: “OPERANDO EU, QUEM IMPEDIRÁ” (Is. 43:13), teve de destruir o seu reino, pois não teve poder para criar um povo que aumentasse a sua glória: “Também a Judá hei de tirar de diante da minha face, como tirei a Israel, e rejeitarei a esta cidade de Jerusalém que elegi, como também a casa de que disse: Estará ali o meu nome” (II Rs. 23:27). Que fracasso! Mas foi uma grande proeza.

A terceira proeza foi vergonhosa. Levou a família de Jacó ao Egito com glória, pois José era o governador do Egito. E Faraó deu a melhor terra do Egito a Jacó (Gn. 47:6). Depois da morte de José, Jeová forjou uma escravidão para Israel, pois, mudou o coração dos egípcios, para que odiassem aos israelitas. Diz o texto: “Israel entrou no Egito, e Jacó peregrinou na terra de Cão. E ele multiplicou sobremodo o seu povo, e o fez mais poderoso do que os seus inimigos. MUDOU O CORAÇÃO DELES PARA QUE ODIASSEM O SEU POVO, para que tratassem astutamente o seus servos” (Sl. 105:23-25). Os egípcios se tornaram inimigos de Israel porque Jeová queria ficar famoso através das pragas e da morte dos primogênitos. Leiamos as palavras de Jeová: “E porei entre eles um sinal, e os que deles escaparem enviarei  às nações, a Tarsis, Pul, e Lude, a Tubal e Javã, até às ilhas de mais longe, que não ouviram a minha fama, nem viram a minha glória; e anunciarão a minha glória entre as nações” (Is. 66:19). Para ficar deus famoso, Jeová muda o coração do povo egípcio, tornando-o mau e perverso, para criar inimizade entre os dois povos; depois manda dez terríveis pragas para assolar o Egito; na última, mata os primogênitos, e depois trucida os exércitos de Faraó no mar, e no livro de Atos dos Apóstolos está escrito que Deus deixou nos tempos passados todas as gentes andar nos seus próprios caminhos? O comportamento de Jeová não é o mesmo do Pai de Jesus.

O que mais choca quem lê a Bíblia, é que Jeová queria ser famoso neste mundo, que o Novo Testamento condena: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que se quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tg. 4:4). Jesus não queria fama neste mundo, e proibia que divulgassem seus milagres (Mt. 9:27-31; Lc. 5:12-14). E Paulo declara que este mundo é um abismo, lugar dos mortos (Rm. 10:6-7). E o profeta Isaías declara, também, que o abismo é inferno (Is. 14:13-15). E Salomão diz que o caminho da vida é para cima, para que se desvie do inferno, que está em baixo (Pv. 15:24). E Jesus falou bem alto, dizendo: “Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo” (Jo. 8:23). Este mundo é o próprio inferno. Vejam onde Jeová faz tantas proezas para ficar famoso. E para alcançar seus objetivos lançava reinos contra reinos, matando, escravizando, destruindo. Sua filosofia é: “Os fins justificam os meios”.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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