(080) – AS PRAGAS DE “DEUS”

 

Praga é coisa do demônio. Só o maligno fica inventando pragas para atormentar os cativos. As maldições e as pragas nos fazem lembrar das masmorras onde os presos são torturados pelos carrascos até a morte.

Lemos na Bíblia que Deus é bom. Disse Jesus a um moço rico: “Porque me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus” (Mt. 19:17). Na Epístola Universal de S. Tiago, lemos: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg. 1:17). Deus, o Pai, só manda o que é bom, e o que pode auxiliar, curar e salvar. O texto revela que Deus não muda e nem sofre variações, isto é, Deus sempre mandou e continuará mandando boas dádivas. Mandou o Filho para salvar e com ele mandou a graça para todos os homens (Tt. 2:11). Mandou o Espírito Santo para auxiliar, ensinar, guiar, interceder, revelar e encher de amor e virtude  (At. 2:38; Rm. 5:5; 2 Tm. 1:7; Rm. 8:26).

Cristo, por sua vez, sendo a imagem expressa do Pai, só fez o bem, só curou e salvou, e também não muda. “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb. 13:8). Nem Jesus nem o Pai perdem tempo ocupados em infernizar a vida dos pecadores, atormentá-los com pragas e pestes mortais. Ambos estão empenhados em salvar os perdidos. Uma ocupação à altura da misericórdia divina.

Finalmente, quem se ocupa das pragas? Pasmem os leitores. As pragas não nasceram na mente perversa do diabo, nem são obras malignas dos demônios. Todas quantas pragas existem neste mundo, e são milhões e milhões, surgiram na mente criadora de Jeová.  Leiamos alguns textos. “PORQUE ESTA VEZ ENVIAREI TODAS AS MINHAS PRAGAS SOBRE O TEU CORAÇÃO, E SOBRE OS TEUS SERVOS, E SOBRE O TEU POVO, PARA QUE SAIBAS QUE NÃO HÁ OUTRO COMO EU EM TODA TERRA” (Ex. 9:14). Jeová declara que as pragas todas são dele, e não há outro que se igual a ele nesse ministério das pragas.

As pragas de Jeová não ensinam, só atormentam. “Então dirá a geração vindoura, os vossos filhos, que se levantarem depois de vós, e o estranho que virá de terras remotas, vendo as pragas desta terra, e as suas doenças, com que Jeová a terá afligido…” (Dt. 29:22). “E porei esta cidade em espanto e por assobio; todo aquele que passar por ele se espantará, e assobiará; por causa de todas as suas pragas” (Jr. 19:8). Se o povo não pratica o mal, não é por virtude, mas por pavor, por que a capacidade que Jeová tem de atormentar é infinita. “E, se andardes contrariamente para comigo, e não me quiserdes ouvir, trar-vos-ei pragas sete vezes mais, conforme os vossos pecados” (Lv. 26:21). E Jeová acha maravilhosas as suas pragas. “Então Jeová fará maravilhosas as suas pragas, e as pragas da tua semente, grandes e duradouras pragas, e enfermidades más e duradouras” (Dt. 28:59).

Se as pragas foram criadas por Jeová, ele é o senhor das moscas e não Belzebu. A palavra Belzebu vem de Baal Zebut (Senhor das Moscas). Mas é Jeová o senhor das moscas, pois mandou essa praga no Egito (Ex. 8:20-21). E a mosca é transmissora de todo tipo de germes e doenças. Jeová é o criador dos piolhos, pois mandou essa praga também no Egito (Ex. 8:16). As úlceras são também invenção de Jeová, tanto a benigna como a maligna (Ex. 9:8-9).

Foram dez as pragas, e a última foi assim: “E Jeová disse a Moisés: Ainda uma praga trarei sobre Faraó, e sobre o Egito; depois vos deixará ir daqui” (Ex. 11:1). Essa última praga foi a morte dos primogênitos. Jeová criou as pragas que destroem as plantações. O profeta Joel, falando da restauração de Israel, promete: “E as eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de mosto e de óleo, restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto, e a locusta, e o pulgão, e a aruga, o meu grande exército que enviei contra vós” (Jl. 2:24-25; 1:4). Este formidável exército era mandado quando alguém não pagava o dízimo. Quando o cidadão pagava, pondo em dia sua situação financeira com Jeová, este diz: “E por causa de vós repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; e a vide do campo vos não será estéril diz Jeová dos exércitos” (Ml. 3:11). É uma taxa paga ao chefe, para não ser assaltado pelos bandidos. Se estamos na graça do Deus Pai, não precisamos pagar dez por cento para ficar livre de assaltos. Ler Mt. 3:8-11.

Uma das pragas do acervo de Jeová era a lepra: “Quando tiverdes entrado na terra de Canaã, que vos hei de dar por possessão, e eu enviarei a praga da lepra a alguma casa” (Lv. 14:34). Jeová mandava a praga da lepra e os sacerdotes faziam sacrifícios de expiação (Lv. 14:48-52; 14:18-21). Miriã, irmã de Moisés, por ter se rebelado, ficou leprosa (Nm. 12:9-10). “Guarda-te da praga da lepra, e tem grande cuidado de fazer conforme a tudo o que te ensinarem os sacerdotes levitas; como lhes tenho ordenado, terás cuidado de o fazer. Lembra-te do que Jeová teu deus fez com Miriã” (Dt. 24:8-9). Geazi, servo de Eliseu, o profeta, ficou leproso por ter tomado presentes de Namã, general sírio. O que agrava o conceito de que Jeová é bom, é o fato da lepra passar a toda a posteridade de Geazi (2 Rs. 5:21-27). Outro que Jeová feriu com lepra foi o rei Uzias, por se exaltar, e entrar no templo para queimar incenso. Quando ele estava diante do altar, ficou leproso (2 Cr. 26:16-21).

Jesus faz uma referência aos leprosos de Israel. “E muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Namã, o siro” (Lc. 4:27). Não eram purificados porque era praga de Jeová: E no Novo Testamento Jesus limpava particularmante os leprosos (Mt. 11:5). Só de uma feita, Jesus curou dez leprosos (Lc. 17:11-19). Como essa praga de Jeová era muito grande em Israel, Jesus deu poder para os apóstolos curarem os leprosos de Jeová: “Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidades dos samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; e indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios” (Mt. 10:5-8).

A pergunta que fazemos ao terminar este estudo é:

A boa dádiva do Pai das luzes era mandar a lepra, ou foi curar os leprosos? É preciso lembrar que pragas nunca converteram ninguém. “E os homens foram abrasados com grandes calores, e blasfemaram o nome de deus, que tem poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para lhe darem glória” (Ap. 16:9). As pragas não são boas dádivas, mas curar e libertar delas é boa dádiva do Pai das luzes.

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

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