(246) – O REI DA GLÓRIA – I

246 – O REI DA GLÓRIA – I

 

 

Quem é o Rei da Glória? O salmista Davi pergunta, e ele mesmo responde, dizendo: “O rei da glória é Jeová forte e poderoso, Jeová poderoso na guerra” (Sl. 24:8-10). Uma corrente teológica afirma que Jesus Cristo é o mesmo Jeová dos exércitos, e o senhor da guerra (Ex. 15:3; I Sm. 18:17). Mas não existe no Novo Testamento nenhum verso afirmando ou declarando isso. Cristo não pregou glória durante sua passagem por este mundo. Ele, Jesus, disse: “Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória, mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça” (Jo. 7:18). Analisemos o texto mencionado.

         Quem fala de si mesmo busca sua própria glória. Ora, Jeová falava de si mesmo, logo buscava a sua própria glória. Vejamos alguns textos. “Eu sou Jeová; este é o meu nome; a minha glória pois a outro não darei” (Is. 42:8). Veremos agora que Jeová faz tudo pensando nele mesmo. “Por amor de mim, por amor de mim o farei, porque como seria profanado o meu nome? E a minha glória não a darei a outrem” (Is. 48:11). Jeová era obcecado por fama e glória entre os homens. “E porei entre eles um sinal, e os que dele escaparem enviarei às nações, a Tarsis, Pul, e Lude, frecheiros, a Tubal e Javã, até as ilhas de mais longe, que não ouviram a minha fama, nem viram a minha glória, e anunciarão a minha glória entre as nações” (Is. 66:19). Ezequiel, que profetizou sessenta  ou setenta anos depois de Isaias, assim falou: “E chegando as nações para onde foram, profanaram o meu santo nome, pois se dizia deles: Estes são o povo de Jeová, e saíram da sua terra. Mas eu os poupei por amor do meu santo nome, que a casa de Israel profanou entre as nações para onde foi. Dizei portanto à casa de Israel: Assim diz o senhor Jeová: Não é por vosso respeito que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome, que profanaste entre as nações para onde vós fostes” (Ez. 36:20-22). A forte impressão que estes textos deixam é que Jeová usava o seu povo Israel para conseguir fama e glória, mas não os amava. No Novo Testamento, João declara que Deus, o Pai, ama tanto os perdidos, que entregou o seu unigênito Filho para resgatá-los da condenação (Jo. 3:16; Rm. 5:8-10; I Jo. 4:10). No Novo Testamento não lemos nenhuma passagem que diga que Deus se ama. Tanto que, tudo o que faz, faz por amor do seu nome. Lá no Velho Testamento deus se amava muito, e não amava os homens; no Novo Testamento, Deus ama os homens mais do que a si mesmo. É por isso que o salmista disse: “Levantai, ó portas as vossas  cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o rei da glória. Quem é este  rei da glória? Jeová dos exércitos, ele é o rei da glória” (Sl. 24:9-10). Lá, Jeová se projetava a si mesmo e comparava os homens aos animais (Ec. 3:18-21). Os homens eram comparados por Jeová a vermes (Jó 25:4-6). E Jeová fazia questão que sua glória fosse manifestada no meio das bestas feras humanas, e no meio dos vermes da podridão? É muito estranho!

Depois de 40 anos de peregrinação no deserto, o povo de Israel acampou, e Moisés designou doze homens, um de cada tribo, para espiar a terra de Canaã.  Dez deles infamaram a terra, desencorajando o povo, que começou a murmurar novamente. Jeová, então disse: “Todos os homens que viram a minha glória e os meus sinais, que fiz no Egito e no deserto, e me tentaram estas dez vezes, e não obedeceram a minha voz, não verão a terra de que a seus pais jurei” (Nm. 14:22-23). Qual foi a glória de Jeová, revelada no Egito? Transformar a vara em serpente venenosa? Qual foi a glória? As águas do Nilo transformadas em sangue e matando os peixes, produzindo podridão e fedentina? (Ex. 7:10; 10:2). Produzir podridão e fedor produz glória? Depois da praga das rãs, veio a dos piolhos (Ex. 8:17). Há glória em encher de piolhos os homens, crianças, e animais? Em seguida veio a praga das moscas. Moscas comuns, moscas azuis, moscas verdes; as terríveis varejeiras. Que grande glória. “Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o rei da glória. Quem é este rei da glória?” (Ps. 24:7). Jeová. Que escola fantástica. É por isso que os cientistas de hoje estão inventando gazes venenosos de todo o tipo para destruírem-se uns aos outros. O professor é bom, e os alunos também. No Novo Testamento está escrito que Deus é amor, mas os egípcios só receberam o ódio de Jeová. Este deus mudou o coração dos egípcios de bons para maus (Sl. 105:23-25), para que odiassem a Israel. E depois, para completar, lhes endureceu o coração para não crerem nele mesmo, porque queria matá-los. E matou a todos os primogênitos do Egito—de homens e de animais. Este grande rei da glória tem uma grande folha de serviços em prol da humanidade.

  1. Para Jeová, a glória consistiu em destruir a humanidade pelas águas do dilúvio. O recurso de matar para extinguir o mal, os homens têm. Mas Jeová tem mais recursos. É o que afirma em Dt. 32:39; Is. 14:27 e 43:13. Em Ezequiel 11:19 e 36:25-27, Jeová declara que pode mudar os homens, de maus para bons. Se é assim, por que os mata? Por que os destrói? Por que destruiu a fogo os sodomitas? (Gn. 19:24-25). Pois Jesus não os destrói; antes muda seus corações, de maus para bons, como lemos em I Co. 6:10-11.
  2. Jeová é glorificado na prática do mal. Jeová se arrepende do bem que promete fazer, e passa a forjar males, isto é, criar novas formas de tormento. Lemos isso em Jr. 18:10-11. Esses tormentos estão figurados nas águas de fel que deu a beber a seu povo (Jr. 8:14; 9:15). Deu a beber fezes em cálices (Sl. 75:8). Deu esse cálice ao seu povo Israel (Is. 51:17). Jeová usou Nabucodonosor e a Babilônia, torturando os cativos do seu povo, como um cálice de ouro (Jr. 51:7). Levantai, ó portas as vossas cabeças, e entrará o rei da glória. Um deus usar os bárbaros métodos, usados pelos homens até o dia de hoje, é baixar do céu ao inferno. Nos homens esse uso é vergonha; e em Jeová é glória?
  3. Jeová prometeu vingar-se da desobediência do seu povo servindo-lhe a carne de seus próprios filhos num banquete macabro. Lemos isso em Dt. 28:53. Lemos a mesma ameaça em Levítico 26:28-29. O profeta Jeremias faz referência ao hediondo projeto (Jr. 19:6-9). Por último, o profeta Ezequiel lembra ao povo judeu o que já havia acontecido a Israel (II Rs. 6:24-31). O rei da glória, Jeová, ia ordenar o banquete antropofágico também no reino de Judá; e depois ia espalhá-los pelos quatro ventos (Ez. 5:8-10).
  4. O Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, por não suportar mais a tantas e tão bárbaras atrocidades, enviou o seu único Filho a este mundo tenebroso, para servir a todos os homens um novo tipo de banquete; o banquete da misericórdia, no qual a carne de seu Filho é servida na ceia. E Jesus diz pela boca de João, o apóstolo do amor. “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu dou é a minha carne, que eu dei pela vida do mundo” (Jo. 6:51).

autoria: PASTOR OLAVO SILVEIRA PEREIRA

ABIP – ASSOCIAÇÃO BÍBLICA INTERNACIONAL DE PESQUISA

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