(155) – A CONFISSÃO

    A CONFISSÃO

           Que é confissão? Existem dois sentidos para a palavra “confissão”. O primeiro é a declaração dos próprios erros ou culpas. O segundo é a profissão de fé religiosa, ou declaração de fé. Um cristão confessa o catolicismo romano e outro cristão confessa o protestantismo. São duas confissões diferentes. Vamos ver isso praticamente. Nos evangelhos, chegando Jesus às partes de Cesaréia, interrogou os discípulos, dizendo: “Que dizem os homens ser o Filho do homem? Uns disseram: João Batista, outros Elias, e outros Jeremias ou um dos profetas. E disse-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou? Pedro então disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Esta foi a confissão de Pedro (Mt. 16:13-17).  Quando Jesus ressuscitou dos mortos, apareceu milagrosamente aos discípulos, que estavam numa sala de portas fechadas. Tomé não se achava presente com os discípulos, e estes lhe disseram depois:“Vimos o Senhor”. Mas Tomé respondeu: “Eu não creio. Se eu não ver o lugar dos cravos e não puser o dedo no lugar dos cravos e não meter a minha mão no seu lado traspassado, de maneira nenhuma crerei. Oito dias depois, os discípulos estavam reunidos, e Tomé com eles. Jesus apareceu novamente, e disse a Tomé: Tomé, põe o teu dedo nas minhas mãos; e chega a tua mão e põe no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. Tomé disse: Senhor meu e Deus meu.” Esta foi a confissão de Tomé (Jo. 20:10-28).

Saulo era o grande perseguidor dos cristãos, e tinha cartas com permissão para prender e matar. No caminho de Damasco, uma luz do céu o cegou, e caindo por terra, ouviu a vós de Jesus, dizendo: “Saulo, Saulo, porque me persegues? Saulo perguntou: Quem és? E Jesus disse: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Paulo, tremendo e atônito, disse: Senhor que queres que eu faça?” Esta foi a confissão de Paulo. De perseguidor atroz, passou a servo (At. 9:1-6).

Vejamos a confissão no Velho Testamento. Jeová se revelou a Israel no Egito através de Moisés, que foi o seu mediador. Chamou Moisés ao Monte Sinai e lhe deu mandamentos e estatutos. O próprio Jeová escreveu as tábuas da lei (Dt. 9:10-20). Quando Moisés desceu pela segunda vez, trazendo outras tábuas da lei, intermediou um concerto entre Jeová e o povo. Nesse concerto, Jeová leu as palavras da lei e os estatutos. Então o povo respondeu dizendo: “Todas as palavras que Jeová tem falado, faremos” (Ex. 24:1-3). Esta foi a confissão do povo. Então os mancebos mataram bezerros, e o sangue foi espargido pelo altar e sobre o povo (Ex. 24:4-8). Pois este povo que confessou a Jeová morreu no deserto por ter murmurado. Qual foi a murmuração?  Medo, pois os dez espias infamaram a terra (Nm. 14:1-3; 14:21-23). No Novo Testamento lemos que Jeová jurou que eles  jamais teriam descanso (Hb. 3:17-19). As pessoas que não ouviam a voz de Jeová passavam a ser odiadas por este deus, e se mais tarde se arrependessem, não eram aceitos jamais; e Jeová zombava da sua oração e do seu clamor (Pv. 1:23-28; Is. 65:12; Mq. 3:4). A indagação que fazemos é: Os que confessam a Jeová como deus e salvador estão garantidos se são inocentes e justos? — Vejamos: Jeová incitou a Davi para numerar o povo, e foi prontamente atendido, pois Davi era obediente. Irado com Davi, porque obedeceu, Jeová mandou um anjo que matou de peste setenta mil almas. Davi então repreende esse deus destruidor dizendo: “Quem pecou fui eu. Estas ovelhas são inocentes destrói a mim e a casa de meu pai” (II Sm. 24:1; 24:15-17). Em setenta mil inocentes que morreram, quantas viúvas ficaram sofrendo e quantos órfãos. Em outra ocasião, quando Davi adulterou com Bat-Seba, Jeová o perdoou, mas não perdoou a criança que acabara de nascer (II Sm. 12:14). O mais grave é que Urias, marido de Bat-Seba era justo e puro. Pois Jeová protegeu a adúltera e permitiu que o marido santo morresse (II Sm. 11:2-17).

Os crentes em Jeová não têm garantia nenhuma. Se der um acesso de ira, Jeová mata todo mundo. Quando Davi levou a arca de Jeová para Jerusalém, esta foi colocada num carro novo. Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe guiavam o carro. No caminho, junto à eira de Nacom, o carro pendeu e a arca escorregou. Para que esta não caísse, Uzá segurou com a mão, pois era zeloso. Então a ira de Jeová se acendeu contra ele, e ali morreu por imprudência. Ninguém está seguro, dos que confessam a Jeová (II Sm. 6:1-7). Os justos, no Velho Testamento, são somente os israelitas fiéis e observadores da lei de Jeová. Isso é o que ensina o Salmo primeiro. E Jeová garante a vida dos justos (Pv. 10:11, 16, 30). Jeová ama os justos (Sl. 146:8). Quando Jeová se enche de furor destruidor, mata os justos juntamente com os ímpios. E os justos são os que confessam a Jeová como deus e permanecem fiéis de acordo com a lei. Leiamos o que diz o profeta Ezequiel da parte de Jeová: “Filho do homem, dirige o teu rosto contra Jerusalém, e derrama as tuas palavras contra os santuários, e profetiza contra a terra de Israel, e dize a terra de Israel: Assim diz Jeová: Eis que sou contra ti, e tirarei a minha espada da bainha, e exterminarei do meio de ti o justo e o ímpio. E, por isso que hei de exterminar do meio de ti o justo e o ímpio, a minha espada sairá da bainha contra toda a carne” (Ez. 21:2-4). Quando Jesus avisou dizendo: “Na vossa fuga diante do mal que virá, ai das grávidas e das que amamentam, pois haverá tal aflição qual nunca houve desde o princípio do mundo até agora”,  Jesus faz referência ao furor de Jeová contra o seu povo (Mt. 24:15-21).

Quando Jesus veio a este mundo, sua missão gloriosa foi revelar o Pai e o seu amor infinito. Os sacerdotes e os príncipes, os fariseus e os saduceus, enfim todo o povo juntamente com eles, confessavam a Jeová como único deus. Mas Jesus lhes disse: “Não me conheceis a mim nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis ao Pai” (Jo. 8:19). João Batista testificou o seguinte:“Deus nunca foi visto por ninguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o fez conhecer” (Jo. 1:18).

O conhecimento do Pai depende do conhecimento de Cristo. É impossível conhecer o Pai sem conhecer primeiro a Cristo, pois Jesus é a imagem expressa do Pai (Hb. 1:3). O que o Filho é, também é o Pai. Jesus declarou ser manso e humilde (Mt. 11:28).  Jeová é iracundo, e furioso e vingativo (Dt. 32:22-25; Na.1:2; Sl. 7:11). Jesus amou os seus discípulos até o fim (Jo. 13:1). A ira de Jeová caiu sobre o seu povo até o fim (I Ts. 2:16). Com estes e outros atos de fúria Jeová se deu a conhecer ao seu povo, sem ser através de Jesus (Ez. 20:5). “Por meio da peste, e do sangue, de saraiva de grandes pedras, fogo e enxofre, me farei conhecer aos olhos de muitas nações” (Ez. 38: 22-23). O Pai se deu a conhecer através do amor do Filho (Jo. 15:13; Rm. 8:31-34).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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