(395) – O VERBO

O  VERBO

         O apóstolo João, cheio do Espírito Santo, disse: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo. 1:1-4).

É claro que o texto fala de Jesus Cristo, que é a luz e a vida para os homens. E também, em Jesus Cristo estão todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Cl. 2:3). E João declara também que o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e verdade (Jo. 1:14).

Examinando a Teologia Sistemática de Charles Hodge, no capítulo que trata da divindade de Cristo, na página 377 está escrito que o Jeová do Velho Testamento é o Verbo de Deus, e a ele se atribuem a subexistência e as perfeições divinas (Sl.33:6, 107:20, 119:89, 147:18; Is.40:8). Estes são os textos cuidadosamente escolhidos como base para essa conclusão. Estes textos tratam da PALAVRA. É óbvio que, se Jeová é o Verbo manifestado no Velho Testamento, ele e Jesus Cristo são a mesma pessoa, e se são a mesma pessoa fazem as mesmas obras e tem o mesmo propósito. Analisemos alguns pontos sobre esse sistema teológico:

I.  Jesus, o Verbo, é luz, e luz da vida; e luz verdadeira que alumia a todo homem que vem ao mundo (Jo. 1:9). Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo. 8:12). A luz que Cristo é, arranca os que crêem, das trevas. A luz que Cristo é, é tão poderosa, que todos os que são tocados por ela se transformam em luz. Mateus diz à respeito dos que crêem em Cristo: “Vós sois a luz do mundo: não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos os que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt. 5:14-16).

Sendo Jeová o Verbo, deveria agir da mesma maneira, mas Davi, seu fiel e amado filho disse: “Jeová fez das trevas o seu lugar oculto; o pavilhão que o cercava era a escuridão das águas e as nuvens do céu” (Sl. 18:11). Pode a luz se ocultar nas trevas? Que é a escuridão das águas? É a maldade dos homens, pois águas são povos (Ap. 17:15). E Isaías diz: “Os ímpios são como o mar bravo, que se não pode aquietar, e cujas águas lançam de si lama e lodo” (Is. 57:20). Essas são as águas que cercam o pavilhão de Jeová. Em vez da luz eliminar as trevas como Jesus faz, Jeová está envolto em trevas. Mas a teologia afirma que Jeová é o Verbo; e Jeová criou um povo para a sua glória. Esse povo é Israel, do qual Jeová é rei(Is. 43:1, 7, 15). E sobre Israel, diz ainda Isaías: “O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz” (Is. 9:2). A luz resplandeceu, mas as trevas não a compreenderam (Jo. 1:5). Este texto está revelando que o povo de Jeová é treva, e treva tão densa, que não entende e nem discerne a luz das trevas. Como pode a luz reinar sobre as trevas, e as trevas continuarem a ser trevas? O caso é que Jeová gosta das trevas. Salomão declarou:“JEOVÁ DISSE QUE HABITARIA NAS TREVAS” (I Rs. 8:12).

Mas o que é habitar nas trevas? É habitar neste mundo, e este mundo é envolvido em trevas. O salmo 104, falando da criação, e diz: “Lançou os fundamentos da terra, para que não vacile em tempo algum. Tu as cobres com o abismo” (Sl. 104:5-6). Mas havia trevas sobre a face do abismo desde o inicio da criação (Gn. 1:2). E o abismo, que é este mundo, não só é coberto de trevas, mas também é a morada dos mortos. Paulo revela o seguinte: “A justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo). Ou: Quem descerá ao abismo? (isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo)” (Rm. 10:6-7).

E Davi, mais uma vez, declara os projetos futuros de Jeová, dizendo: “Porque Jeová elegeu a Sião; desejou-a para a sua habitação, dizendo: Este é o meu repouso para sempre; aqui habitarei, pois o desejei” (Sl. 132:13-14). Ora, o povo hebreu não crê em Jesus Cristo até hoje, portanto está em trevas, e é trevas, pois está escrito na Bíblia: Mas Deus, o Pai, habita na luz inacessível, ao qual nenhum dos homens viu nem pode ver (I Tm. 6:16).

II.  João disse: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo. 1:1). O Verbo, que é Jesus, é Deus, por isso João diz: “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (I Jo. 5:20). E o Verbo é a nosso favor, e de tal maneira, que deu a sua vida para salvar os pecadores (I Tm. 1:15). E isto fez segundo a vontade de Deus, porque Jesus e Deus, o Pai, são um em essência e em propósito (Gl. 1:4; Jo. 10:30). Assim podemos dizer como Paulo: “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará com ele todas as coisas?” (Rm. 8:31-32). Jesus Cristo está de tal maneira a nosso favor que é nosso advogado, se depois de salvos pecarmos (I Jo. 2:1-2). Cristo está de tal forma do nosso lado, que pagou o mais alto preço para nos comprar do opressor (I Co. 6:19-20).

Se Jeová é o Verbo, como pode ser contra?

* Jeová era contra Moabe (Is. 16:13-14; Jr. 48:1). E Jeová era contra os filhos de Amom (Jr.49:1). E quem são os moabitas e amonitas? São os filhos de Ló, que se tornaram malditos de Jeová, porque Ló habitou em Sodoma (Gn. 19:34-38; Dt. 23:3-4).

* Jeová como Verbo, era contra os caldeus, habitantes da Babilônia (Jr. 50:1, 11, 17). Como pode ser isso? Jeová usou os caldeus para executar o seu juízo sobre as nações, e entregou todas a Nabucodonosor. Declara que Nabucodonosor era agradável a seus olhos e que era seu servo, e de tal modo, que a nação que a ele não se submetesse, o próprio Jeová os destruiria com pragas, pestes e espada (Jr. 27:4-8). Jeová era contra? E destruiu Babilônia? (Is. 13:13-22). Este Verbo não é o mesmo do Novo Testamento. Não vamos continuar citando as dezenas de reinos e nações que Jeová era contra. Foram todas.

* Jeremias diz: Jeová é contra as nações, e vai matar os homens, que se estenderão de uma extremidade a outra da terra, e serão como esterco sobre a terra (Jr. 25:30-33; Is. 66:16).

* Mas o que nos assusta e assombra, é que Jeová é contra o povo que criou para a sua glória. O povo que declarou amar (Is. 43:6; Os. 11:1). “Por isso assim diz o senhor Jeová: Eis que eu, sim, eu, estou contra ti; e executarei juízos no meio de ti aos olhos das nações” (Ez. 5:8). Jeová se tornou contra Moisés, o maior profeta, o maior servo, que o serviu quarenta anos de dia e de noite, e não permitiu que entrasse no seu repouso, que é figura do reino celestial de Deus. Jeová, além de condenar Moisés, ainda o entregou nas mãos de Satanás (Dt. 34:1-6; Jd. 9). Mas o Verbo verdadeiro, que é Jesus Cristo, mandou buscar Moisés no inferno, e o ressuscitou, e ele apareceu vivo no monte da transfiguração (Lc. 9:29-31).Na carta aos Hebreus lemos que Moisés creu em Cristo, por isso foi contra Jeová (Hb. 11:23-27). Se Jeová é Verbo, é um Verbo ligado a Satanás, que o incitou a atormentar, afligir e assolar a Jó, o homem mais justo que havia na terra (Jó 2:3).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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