(142) – O MESSIAS – V

O MESSIAS –  V

 

         Sem a morte na cruz, Jesus teria vindo a este mundo inutilmente. O ponto alto da vida de Cristo foi, indubitavelmente, a morte na cruz. O próprio Senhor Jesus frisava esse ponto. “Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muito dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia” (Mt. 16:21; Lc. 18:31-33). Disse-lhes pois Jesus: “Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou, e que nada faço por mim mesmo” (Jo. 8:28). “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” (Jo. 12:32).

Na missão, vida, ministério, e glória de Cristo, tudo dependeu da cruz. Sem a morte não haveria ressurreição pela morte na cruz. Se Jesus morresse naturalmente não haveria ressurreição, e sem a ressurreição não haveria justificação dos pecadores. “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para a nossa justificação” (Rm. 4:25). Também não haveria salvação para ninguém: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados, e também os que dormiram em Cristo estão perdidos” (I Co. 15:17-18).

Vejamos o que aconteceu de glorioso na vida de Jesus depois da ressurreição, e, se  aconteceu depois da ressurreição, antes não havia.

  1. Em primeiro lugar, se Jesus não ressuscitasse, não seria o Senhor do Universo, segundo as palavras do apóstolo Paulo: “Aniquilou-se a si mesmo, tomando forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai”(Fl. 2:7-11).
  2. Se Jesus não ressuscitasse não seria o Messias, pois o apóstolo Pedro declara ao povo no dia do pentecostes: “Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo (Messias)” (At. 2:36). Se Jesus já fosse o Messias (Ungido), Pedro teria dito: “Vós crucificastes o Messias”, mas disse: “Quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.” Antes da ressurreição não era nem Senhor nem o Messias ungido.
  3. É óbvio também, que, sem a ressurreição Jesus não seria Salvador. “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência por aquilo que padeceu. E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para aqueles que lhe obedecem” (Hb. 5:5-9).
  4. O príncipe é o herdeiro do trono do rei, e Jesus só se tornou príncipe após a ressurreição, pois antes não o era. Pedro esclarece o assunto: “O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro. Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados” (At. 5:30-31). É preciso notar que este mundo já tinha um príncipe (herdeiro), e este príncipe não era Jesus, pois este não havia morrido nem ressuscitado. Como Jeová era o dono deste mundo, e também o rei deste mundo, o príncipe herdeiro de Jeová era outro e não Jesus, pois Jesus declarou: “Já não falarei muito convosco; porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim” (Jo. 14:30; Sl. 24:1; 47:2, 7-8).
  5. Jesus só se tornou Filho de Deus Pai ressuscitando dentre os mortos, como disse Paulo: “Nós vos anunciamos que a promessa que foi feita aos pais, Deus a cumpriu, a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus; como também está escrito no Salmo segundo: Meu filho és tu, hoje te gerei” (At. 13:32-33). Se Jesus se tornou filho de Deus na ressurreição, quando Maria o deu a luz não era. Ao sair do ventre de Maria era o Filho do homem, que tinha de morrer.
  6. Após a ressurreição Jesus apareceu aos discípulos e disse: “É-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mt. 28:18). Jesus não tinha todo o poder antes.
  7. “Jesus Cristo ressuscitou e está assentado a destra de Deus, tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências” (I Pd. 3:21-22). É evidente por este texto, que os anjos não se submetiam a Jesus, mas eram todos submissos a Jeová (Sl. 103:19-20). 
  8. Sem a cruz Jesus não seria o Juiz dos vivos e dos mortos (At. 10:40-42). Jesus não era Juiz antes da ressurreição (Rm. 14:9-10). Se Jesus não tinha nenhum atributo antes da ressurreição, e só os teve após a ressurreição, Jesus e Jeová não são a mesma pessoa, pois Jeová os possuía. Jeová era o Senhor (Gn. 15:2, 8; Is. 43:11).

Jeová era salvador (Is. 43:11).

Jeová tinha todo poder (Gn. 17:1).

Jeová era juiz (Gn. 18:24-25; Sl. 94:1-2).

A  restauração do reino de Israel seria obra do Messias de Jeová. O profeta Jeremias marcou o tempo dessa restauração gloriosa. O reino do norte foi levado para a Assíria no ano 722 a.C. Este reino do norte abrangia dez tribos (I Rs. 11:31-32). Sobrou o reino do sul, isto é, Judá, que foi levado para a Babilônia por Nebuzaradan, chefe o exército de Nabucodonozor, rei da Babilônia, no ano 582 a.C.  Jeremias profetizou a restauração para setenta anos mais tarde. Jer. 29: 10. O messias libertador deveria surgir no ano 512 a.C., mas não apareceu, e o reino não foi restaurado. O profeta Daniel leu a profecia de Jeremias e a confirmou (Dn. 9:1-2).

Daniel entretanto fez uma outra profecia, marcando por 490 anos o tempo do surgimento do Messias(Dn. 9:24-25). Quem deu a ordem foi Ciro, rei da Pérsia, no ano 457 a.C. – Quatrocentos e noventa anos se cumpriram na crucificação de Cristo, isto é, no ano 33 d.C.

Pilatos interrogou Jesus dizendo: És tu o rei dos judeus? A resposta de Cristo foi: “Meu reino não é deste mundo”(Jo. 18:33-36). E Jesus não assumiu o reino de Israel, subindo aos céus (At. 1: 8-11). O fato é que se passaram dois mil anos, e a profecia de Daniel não se cumpriu. Jesus Cristo vai voltar para levar com ele a sua Igreja. É o arrebatamento. Mas jamais Jesus vai assumir este mundo como messias de Jeová, pois seu reino não é aqui (II Tm. 4:12; I Pd. 1:3-4; Jo. 14:1-4). Os cristãos autênticos são peregrinos e forasteiros neste mundo (Hb. 11:13-16).

 

Autoria: Pastor Olavo S. Pereira

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