(385) – RIQUEZA DO VELHO TESTAMENTO

RIQUEZA DO VELHO TESTAMENTO

O Velho Testamento é riquíssimo em parábolas e alegorias (Sl. 78:2); é rico em façanhas: O pastorzinho Davi, vencendo o gigante com sua funda; Sansão derruba com os braços o templo de Dagom; José se torna governador do Egito; Jacó luta com Deus e prevalece, recebendo a benção. Moisés com uma vara faz prodígios e liberta o povo de Israel do jugo egípcio. Gideão com 300 homens vence um formidável exército de midianitas. No Velho Testamento foram vistos anjos subindo e descendo dos céus. Homens foram arrebatados aos céus, sem terem seus corpos glorificados pela incorruptibilidade (I Co. 15:51-53).Grandes campeões, grandes patriarcas, grandes profetas houve no Velho Testamento; mas muita coisa não havia:

1. Lá não havia o reino de Deus, o Pai: “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo homem emprega forças para entrar nele” (Lc. 16:16). Este texto deixa claro que a lei e os profetas nada falavam do reino de Deus. Como não falavam se Jeová formou um reino no Sinai?(Ex. 19:6). E ele, Jeová, era o rei (Is. 43:15; 44:6). Mas Jesus e o Pai são um, e fazem parte do mesmo reino, e Jesus declarou a Pilatos: “O meu reino não é deste mundo” (Jo. 18:36), logo, o reino de Jeová não era o de Jesus. Alem do mais, Paulo declara: “O reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm. 14:17). O reino de Israel, que é o reino de Jeová, era um reino onde imperava a injustiça (Ez. 21:2-4); era um reino de guerra e não de paz (Js. 11:18-20; Ex. 15:3; Nm.21:14), e era um reino de pranto e não de alegria, pois a alegria só viria após a restauração, o que não aconteceu até hoje (Jr. 31:8-16). Vemos que no Velho Testamento não havia o reino de Deus, o Pai.

2. No Velho Testamento não havia salvação, pois lá era o ministério da condenação (II Co. 3:6-9). Jeová, em Adão, condenou toda a humanidade à morte (Rm. 5:12). Através de Noé condenou os antediluvianos(II Pd. 2:5). Pela mão dos anjos condenou à subversão as cidades de Sodoma e Gomorra (II Pd. 2:6).Condenou o sumo sacerdote Ely, e toda a sua descendência, por causa de seus maus filhos Hofni e Finéias (I Sm. 3:14). Por causa do pecado de Salomão dividiu o reino em dois (I Rs. 11:11-12, 35-36). Depois por causa dos pecados dos dois reinos, os condenou a destruição final: “E disse Jeová: Também a Judá hei de tirar de diante da minha face, como tirei a Israel, e rejeitarei esta cidade de Jerusalém que elegi, como também a casa de que disse: Estará ali o meu nome” (II Rs. 23:27). E pelas mãos de Nabucodonosor, seu servo, que lhe agradava aos olhos, queimou a fogo o templo e a cidade, e o povo transportou para Babilônia (Jr. 27:5-6; II Cr. 36:19-20). E este foi o fim do reino de Israel.     O Novo Testamento é o ministério da salvação, e não da condenação, pois Deus, o Pai, que ama os perdidos, enviou seu Filho Jesus Cristo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (Jo. 3:16-17). No verso 18, lemos: “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado”. E Paulo revela que Deus, o Pai, quer que todos se salvem; logo não condena ninguém (I Tm. 2:3-4). A salvação de Jeová foi tirar o povo de Israel do Egito e levá-los para o deserto e à morte. A salvação de Jesus é tirar, pelo novo nascimento, os espirituais, deste mundo, e levá-los para o reino de Deus, nos céus (Jo. 3:3-6; Ef. 2:10; I Pd. 1:3-4).

3. No Velho Testamento não havia paz. Jerusalém se traduz por ‘herança da paz’, mas não conheceu a paz. Jeremias diz: “Porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à avareza; e desde o profeta até o sacerdote, cada um usa de falsidade. E curam a ferida da filha do meu povo levianamente, dizendo: Paz, Paz; quando não há paz” (Jr. 6:13-14). “Espera-se a paz, e não há bem; o tempo da cura, e eis o terror” (Jr. 8:15).Jeremias queixou-se a Jeová, dizendo: “Ah Senhor Jeová! verdadeiramente trouxeste grande ilusão a este povo e a Jerusalém, dizendo: Tereis paz; pois a espada penetra-lhe até à alma” (Jr. 4:10). O próprio Jeová era inimigo de Israel. Jeremias o declara nas suas lamentações: “Como cobriu Jeová de nuvens na sua ira a filha de Sião! derribou do céu à terra a glória de Israel, e não se lembrou do escabelo de seus pés, no dia da sua ira. Devorou Jeová todas as moradas de Jacó, e não se apiedou; derribou no seu furor as fortalezas da filha de Judá, e as abateu até a terra; profanou o reino e os seus príncipes. Cortou no furor da sua ira toda a força de Israel; retirou para trás a força da sua dextra de diante do inimigo; e ardeu contra Jacó, como labareda de fogo que tudo consome ao redor. ARMOU O SEU ARCO COMO INIMIGO, FIRMOU A SUA DEXTRA COMO ADVERSÁRIO, E MATOU TUDO O QUE ERA FORMOSO À VISTA” (Lm. 2:1-4).

Jesus Cristo trouxe a paz sobre todos os aspectos: Primeiramente com Deus (I Co. 1:3). Trouxe a paz interior (Fp. 4:7). Trouxe a paz entre gentios e judeus (Ef. 2:14-18). Se é assim, porque Jesus disse:“Não cuideis que eu vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada” (Mt. 10:34). Quando alguém se convertia à Cristo, que era odiado pelos judeus, seus familiares ficavam seu inimigo (Mt. 10:35-36).

4. No Velho Testamento não havia vida eterna. No livro de Jó, lemos: “Lembra-te de que a minha vida é como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem. Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os teus olhos estarão sobre mim, mas não serei mais. Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce a sepultura nunca tornará a subir” (Jó 7:7-9). “Antes que me vá, para nunca mais voltar, à terra da escuridão e da sombra da morte” (Jó 10:21). “Mas, morto o homem, é consumido; sim, rendendo o homem o espírito, então onde está? Como as águas se retiram do mar, e o rio se esgota, e fica seco, assim o homem se deita, e não se levanta; até que não haja mais céus não acordará nem se erguerá do seu sono” (Jó 14:10-12). “Não confieis em príncipes, nem em filhos de homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito, e eles tornam em sua terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos”. (Sl. 146:3-4). “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tão pouco eles têm jamais recompensa, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento” (Ec. 9:5). Agora fala Salomão para rematar o assunto: “Disse eu no meu coração: É por causa dos filhos dos homens, para que Deus possa prová-los, e eles possam ver que são em si mesmos como animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso também sucede aos animais; a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para o um lugar; todos são pó, e todos ao pó retornarão. Quem adverte que o fôlego dos filhos dos homens sobe para cima, e o fôlego dos animais desce para baixo da terra?” (Ec. 3:18-21). O reino de Jeová era constituído de mortos, pois a morte só cessou a partir de Cristo, por isso Jeová é o deus dos mortos.

O Deus Pai é o único que possui a vida eterna (I Tm. 6:16). O Pai passou para seu Filho unigênito a vida e a ressurreição (Jo. 5:21, 26). Assim os que crêem na palavra de Jesus Cristo, e crêem naquele que o enviou, não entram em condenação, mas passam da morte para a vida (Jo. 5:24).

Assim, quem crê em Jeová, e se entrega a ele, permanece na morte; somente os de Jesus Cristo tem a vida eterna. O próprio Pai testifica isso em I Jo.5:9-13.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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