(235) – O OLEIRO

 O OLEIRO

Quem é o oleiro? “Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz Jeová. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel” (Jr. 18:6). O oleiro é o fabricante de vasos de barro. Sendo assim, se o vaso sai  bonito, é o oleiro que tem bom gosto. Se o vaso é feio, o oleiro é que não sabe fazer vasos bonitos. O problema não é do barro, mas tão somente do oleiro. Ilustremos o fato. Um governador encomenda uma ponte de concreto a uma firma construtora. Depois de pronta, a ponte desaba. O governador processa a firma construtora. Esta, por sua vez, põe a culpa no engenheiro encarregado da obra. O engenheiro diz que os cálculos estão corretos, mas a empresa usou material de terceira. Ninguém assume a culpa pelo desastre.

No caso de Israel, Jeová assume o desastre, pois afirma que é o oleiro, isto é, o autor da destruição dos dois reinos. Jeremias profetizou no tempo do profeta Ezequiel, quando o reino de Judá foi levado cativo para a Babilônia; Israel há 130 anos já tinha sido levado para a Assíria. Foi o fim do reino de Jeová (Ex. 19:6; Is. 43:15; Ez. 20:33). Há dois mil e seiscentos anos se desfez o reino. O reino de Jeová não só acabou historicamente, mas moral e espiritualmente. Ezequiel declarou: “Houve duas mulheres, filhas de uma mesma mãe. Estas prostituíram-se no Egito; prostituíram-se na sua mocidade; ali foram apalpados os seus peitos. Os seus nomes eram Aola, a mais velha, e Aoliba, sua irmã; e foram minhas, e tiveram filhos e filhas; e, quanto aos seus nomes, Samaria é Aola, e Jerusalém é Aoliba. E prostituiu-se Aola, sendo minha; e enamorou-se dos amantes, os Assírios” (Ez. 23:2-5). “Vendo isto sua irmã Aoliba, corrompeu o seu amor mais do que ela, e as suas devassidões foram maiores do que as de sua irmã” (Ez. 23:11).

Depois que os dois reinos estavam corrompidos e destruídos, Jeová declara: “Eu sou o oleiro e vós o barro”. Depois que a ponte caiu, o engenheiro se apresenta publicamente, e canta bem alto: Eu sou o autor dessa desgraça. Jeová se orgulha dos escombros do seu reino? Paulo revela que o reino de Israel é vaso feito para a perdição. “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para a honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição” (Rm. 9:21-22). O povo de Israel, ou melhor, o reino de Israel foi criado para a perdição por Jeová. E Jeová declara que os criou para a sua glória? (Is. 43:7). É por isso que Paulo revela que o ministério da morte e da condenação veio em glória (II Co. 3:7-9).

Analisemos a história de Israel desde o princípio para ver como o oleiro modelou os vasos para perdição.

O padrão moral do Egito era semelhante ao de Sodoma e Gomorra (Ap. 11:8). Jeová formou o seu povo a partir da descendência de Abraão (Gn. 12:1-2; 22:16-18). Levou a descendência de Abraão para o Egito. Por que? Não havia lugar melhor? Ezequiel revela que Israel se prostituiu no Egito (Ez. 23:1-3).O povo ficou no Egito por 400 anos se prostituindo. Foi formado neles o espírito da prostituição (Os. 5:4). Dos 400 anos passados no Egito, pelo menos 200 foram escravizados. A servidão era tão pesada que os filhos de Israel clamavam de desespero e cansaço. Quem provocou essa servidão cruel por tanto tempo? Foi Jeová, pois no Salmo 105:23-25 está escrito que Jeová mudou o coração dos egípcios para que aborrecessem Israel. Sendo assim o oleiro queria a escravidão. Jeová estava preparando no seu povo o espírito de escravidão. Jeová falou, dizendo: “Eu sou Jeová teu Deus que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão” (Ex. 20:2). E Jeová levou o seu povo até o monte Sinai, e lá de cima ditou as suas leis do meio das trevas (Dt. 4:10-14; 5:22-24).

Paulo, no Novo Testamento, revela que o pacto feito entre Jeová e Israel no monte Sinai, era o concerto da escravidão. Diz assim o texto: “Dizei-me, os que quereis estar debaixo da lei; não ouvis vós a lei? Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre. Todavia o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas o que era da livre por promessa. O que se entende por alegoria; porque estes são os dois concertos; um, do monte Sinai; gerando filhos para a servidão, que é Hagar. Ora, esta Hagar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde a Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos” (Gl. 4:21-25). As palavras do grande apóstolo são claras. O concerto do Sinai é o pacto da escravidão. Para que o povo aceitasse essa servidão escravagista, Jeová os preparou no Egito por mais de duzentos anos. Paulo diz aos cristãos de Roma: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor (Rm. 8:15). O projeto de Jeová foi bem arquitetado, quando levou Jacó e sua família ao Egito. Formar escravos. Jeová queria um povo escravo, e reinava pela violência, pois escravo não tem vontade própria. E infundia o medo e o temor pelas ameaças das maldições.

Jeová testou o povo no deserto por quarenta anos (Dt. 8:2-3). O povo murmurou e se queixou. Jeová mudou os planos, pois havia prometido expulsar os povos cananeus (Lv. 18:24-25; 20:23; Dt. 11:23). “Nisto conhecereis que o Deus vivo está no meio de vós, e que de todo lançara de diante de vós aos cananeus, e aos heveus, a aos heteus, e aos perizeus, e aos girgaseus, e aos amorreus, e aos jebuseus” (Js. 3:10). Vendo que o espírito de escravidão não estava formado, Jeová deixou na terra as seguintes nações: “Cinco príncipes dos filisteus, todos os cananeus, e sidônios e heveus (Jz. 3:1-5). Jeová declarou: “Este povo traspassou o meu concerto, por isso não desapossarei mais de diante deles a nenhuma das nações” (Jz. 2:20-21).

O povo desobedeceu e fez o mal, então Jeová por sete vezes os entregou a escravidão num total aproximado de 150 anos. O período dos juizes foi de 348 anos, dos quais 150 como escravos de povos sodomitas. Cansados desse jugo maligno, o povo pediu a Samuel, o último juiz, um rei humano (I Sm. 8:1-7). Jeová disse a Samuel: “Não é a ti que te rejeitam, mas a mim, para eu não reinar sobre eles” (I Sm. 8:7). Esta declaração de Jeová prova que durante o período de Juízes esteve reinando. E como reinava? Entregando o seu povo na mão dos reinos corruptos de Canãa, para que o espírito de escravidão se consolidasse. O povo cansado de sofrer como escravo, prefere um homem como rei, no lugar do deus Jeová. Este, ofendido, e sendo o oleiro, guiou o seu povo até a extinção dos dois reinos. O lema de Jeová é, quem não se submete, morre (Sl. 7:11-13).

Quinhentos e oitenta e sete anos após o cativeiro babilônico, nasce Jesus Cristo, o Messias prometido. Não aceita sentar no trono para implantar o reino da escravidão debaixo da lei, declarando que o seu reino não é deste mundo (Jo. 18:36), e ensinando que o seu reino não é aqui na terra (Jo. 14:2-3).

A obra de Cristo é outra, pois disse: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo. 8:32). Jesus Cristo veio libertar os cativos e oprimidos (Lc. 4:18-19). O povo Judeu teve a sua chance de escapar do jugo de Jeová e da lei. Paulo esclarece o assunto na carta aos Gálatas. “Estai pois firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão. Eis que, eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei. Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído” (Gl. 5:1-4).

 

Autoria: PASTOR OLAVO SILVEIRA PEREIRA

ABIP – ASSOCIAÇÃO BÍBLICA INTERNACIONAL DE PESQUISA

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