(437) – MANQUEJAR – II

MANQUEJAR  2

O profeta Jeremias ouviu uma murmuração, isto é, um comentário às escondidas a seu respeito, que lhe causava terror. Havia falsas denúncias contra ele por profetizar o mal (Jr. 21:8-10). Os que não eram inimigos declarados esperavam que Jeremias pisasse na bola para caírem matando em cima dele (Jr. 20:10). Mas Jeremias não manquejou até o fim. Contamos no folheto anterior a história de Gideão, herói do Velho Testamento, que deu grandes vitórias a Israel, e julgou por quarenta anos (Jz. 8:28). Mas cometeu um pecado, e Jeová destruiu a sua casa, matando sessenta e nove filhos, não levando em conta seus préstimos (Jz. 8:27). É o próprio Jeová que declara que qualquer mal que aconteça a uma cidade, vem dele (Am. 3:6). Neste folheto vamos falar de Jefté.

Quem foi Jefté? Foi um varão valente e valoroso, apesar de ser filho de uma prostituta. O pai de Jefté era Gileade, que tinha diversos filhos de sua legítima esposa. Quando seus filhos cresceram, repeliram a Jefté, dizendo: Não herdarás em casa de nosso pai, pois és filho de outra mulher. Então Jefté fugiu de diante de seus irmãos, e habitou na terra de Tobe. E homens levianos se ajuntaram com Jefté, e saíam com ele (Jz. 11:1-3).

Aconteceu, que depois de um tempo, os filhos de Amom pelejaram contra Israel. Então os anciãos de Gileade foram buscar Jefté na terra de Tobe. Os irmãos de Jefté, que por presunção o expulsaram de casa eram uns inúteis. O único varão de valor que havia era Jefté, que fora rejeitado por ser filho de uma prostituta. Isso prova que naquele tempo, em Israel, a prostituição era normal, pois uns trezentos anos mais tarde, no tempo de Ely, o sumo sacerdote, bandos e bandos de mulheres se prostituíam na porta da tenda da congregação com os dois filhos de Ely, Hofni e Finéias (I Sm. 2:22-25, 34).

Os homens de Gileade falaram a Jefté, dizendo: “Vem, e sê-nos por cabeça, para que combatamos contra os filhos de Amom. Jefté lhes respondeu: Porventura não me aborrecestes a mim, e não me repelistes da casa de meu pai? por que, pois, agora viestes a mim, quando estais em aperto? Os anciãos disseram: Nós viemos a ti porque queremos que nos sejas por cabeça sobre todos os moradores de Gileade. Disse então Jefté aos anciãos de Gileade: Se eu for, e Jeová me der vitória sobre os filhos de Amom, então eu serei cabeça em Gileade? Eles então confirmaram, dizendo: Jeová é testemunha de que nós faremos como a tua palavra”(Jz. 11:4-10). E Jefté foi com eles. Incríveis os caminhos desta vida! Os irmãos de Jefté o repudiaram por ser filho de uma prostituta, mas não repudiaram o pai, que irresponsavelmente, por ser corrupto, gerou um filho na prostituta. Agora, o capricho do destino levanta Jefté para ser cabeça dos seus irmãos, e de todos os de Gileade.

Jefté então enviou mensageiros aos filhos de Amom para se informar das razões daquela guerra. Descobrindo que a alegação dos filhos de Amom era injusta, preparou-se para a guerra. Então o espírito de Jeová veio sobre Jefté, e atravessou ele por Gileade e Manassés, até Mizpa de Gileade (Jz. 11:29).

E Jefté votou um voto a Jeová, dizendo: “Se, totalmente deres os filhos de Amom nas minhas mãos, aquilo que, saindo da porta da minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será de Jeová, e o oferecerei em holocausto” (Jz. 11:30-31). Assim Jefté combateu os filhos de Amom, e Jeová os deu em sua mão, e os feriu com grande mortandade. Vinte cidades foram saqueadas (Jz. 11:32-33).

“Vindo, pois, Jefté à Mispa, à sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças, e era ela só a única, não tinha outro filho nem filha. E aconteceu que quando a viu, rasgou os seus vestidos, e disse: Ah! filha minha, muito me abateste, e dentre os que me turbam! Porque eu abri a minha boca a Jeová, e não tornarei atrás” (Jz. 11:34-35). Pobre Jefté. Fez um voto na certeza de que o cãozinho de estimação viesse correndo como sempre, e eis que a sua única filha, sua unigênita, veio ao seu encontro. Ele a amava tanto; daria a vida por ela, mas abriu sua boca num voto, e como ele era varão valoroso, jamais tornaria atrás. Para Abraão, Jeová-Jiré arrumou uma saída, mas Abraão não fez voto, e o voto é um contrato de palavra com Deus. A Escritura diz: “Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo, porque Deus não se agrada de tolos. O que votares, paga-o. Melhor é que não votes do que votes e não pagues” (Ec. 5:4-5). O problema dos filhos de Amom não era de Jefté, mas dos gileaditas. Eles é que deveriam fazer votos. Jeová aceitou o negócio, mas cobrou muito caro. Jeová não cobra barato as dívidas, e pediu o que de mais precioso Jefté tinha: a sua amada e preciosa filha. Jeová deu a vitória a Jefté, o problema dos gileaditas acabou; todos foram comemorar, dançar, gozar a vida, mas Jefté foi amargar e chorar a morte de sua filha, e isso até a morte. Sua filha era tão fiel a Jeová, tão submissa ao pai, e para proteger seu pai, disse: “Pai meu, abriste a tua boca a Jeová; faze de mim o que saiu da tua boca, pois Jeová te vingou dos teus inimigos, os filhos de Amom” (Jz. 11:36).

Jeová, tudo o que faz, não o faz por caridade, pois cobra muito caro tudo o que faz. Quando Davi pecou, Jeová lhe disse: “Eu te ungi rei sobre Israel, e eu te livrei das mãos de Saul. Eu te dei a casa de teu senhor, e as mulheres de teu senhor em teu seio, e também te dei a casa de Israel e de Judá, e, se isto é pouco, mais te acrescentaria. Por que desprezaste a palavra de Jeová, etc.” (II Sm. 12:7-12). Quem alega o que fez no passado está cobrando o que fez. Negócio. Só que Jeová dá um e cobra quatro. Como tudo o que faz, Jeová faz pensando em cobrar no futuro. Quando Jefté fez o voto, ficou devedor, e pagou o que não podia suportar. Quem não leva em conta o sofrimento alheio não tem caridade. Jefté fez um voto por necessidade pois os efraimitas se negaram a ajudá-lo e ele se viu em aperto (Jz. 12:1-3).

Exige a caridade que deus, que é amor, arrumasse uma saída para Jefté ficar com a filha. Jeová não proveu para Abraão? Jefté era reto, fiel; libertou o povo de Gileade; tomou sobre si a responsabilidade de salvar o povo. Por que Jeová não foi para Jefté, o Jeová-Jiré (Jeová proverá)? Porque Jeová queria intimidar o povo. E o temor a Jeová é maior que o amor que ele tem aos seus servos. Quando Jefté fez o voto não sabia que tinha caído no laço de Jeová. Manquejou. Pobre Jefté.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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