(231) – O AUXÍLI0

231 – O  AUXÍLI0

         PERGUNTA-SE: Deus necessita do auxílio do homem? No Novo Testamento está escrito que Deus não necessita de auxílio. O evangelista Lucas escreveu o seguinte: “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da Terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas” (At. 17:24-25). Quem necessita de ajuda é o homem e não Deus. Paulo afirma que o cristão não sabe pedir como convém, e por isso o Espírito Santo intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Rm. 8:26). Tiago, na sua epístola universal, diz: “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tg. 4:3). E o apóstolo João nos recomenda pedir conhecendo primeiro a vontade de Deus, para podermos receber (I Jo. 5:14). Como é Deus quem supre todas as nossas necessidades reais e necessárias, devemos conhecer primeiro a sua vontade, para depois pedirmos. Jesus ensina a pedirmos o pão nosso de cada dia. Quem se empolgar e pedir uma padaria, pode não receber  (Mt. 6:9-11). Há cristãos que prometem dar o dízimo se Deus lhes der  uma cadeia de padarias. A grande verdade é que Deus não necessita do auxílio do homem. Este é que é o pobre e necessitado. Se Deus necessitasse auxílio, o homem seria o socorro de Deus, mas é o contrário.

E o deus revelado no Velho Testamento? Será que ele necessitava ser socorrido pelos homens? Absurdo, pois nos Salmos, lemos: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Sl. 46:1). “Elevo os meus olhos para os montes, de onde me virá o socorro? O meu socorro vem de Jeová, que fez o céu e a terra. Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não tosquenejará. Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel. Jeová é quem te guarda, Jeová é a tua sombra a tua direita. O Sol não te molestará de dia nem a lua de noite. Jeová te guardará de todo o mal; ele guardará a tua alma. Jeová guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre” (Sl. 121:1-8). Noutro Salmo lemos:“Não há rei que se salve com a grandeza de um exército, nem o homem valente se livra pela muita força. O cavalo é vão para a sua segurança; não livra ninguém com a sua grande força. Eis que os olhos de Jeová estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia; para livrar as suas almas da morte, e para os conservar vivos na fome. A nossa alma espera em Jeová, ele é o nosso auxílio e nosso escudo” (Sl. 33:16-20). Jeová sempre agiu sem ajuda de ninguém. Ele mesmo o declara: “Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum Deus comigo; eu mato e eu faço viver, eu firo e eu saro, e ninguém há que possa fazer escapar da minha mão” (Dt. 32:39). Jeová apareceu para Abraão e disse-lhe: “Eu sou o Deus todo-poderoso” (Gn. 17:1). Quem é todo-poderoso só pode auxiliar e nunca ser auxiliado; só pode socorrer e nunca pode ser socorrido. Depois que o povo de Israel entrou em Canaã, Jeová os exortou, dizendo.“Não se eleve o teu coração e te esqueças de Jeová teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão; que te guiou por aquele grande e terrível deserto de serpentes ardentes, e de escorpiões, e de secura, em que não havia água, e tirou água para ti da rocha do seixal; que no deserto te sustentou com maná,  que teus pais não conheceram; para te humilhar, e para te provar, para no teu fim te fazer bem; e digas no teu coração: A minha força e a fortaleza do meu braço, me adquiriu este poder” (Dt. 8:14-17).Quando o homem se vangloriava de algo, Jeová se irava. Quando Senaqueribe, rei dos assírios, invadiu Judá, ameaçou o rei Ezequias, e blasfemou de Jeová, este mandou Isaías declarar a Ezequias, que ia pelejar contra Senaqueribe e seus exércitos. Esta história está no II livro dos Reis de Israel, capítulos 18 e 19. Na mesma noite, o anjo de Jeová feriu a 185.000 assírios. Senaqueribe, vencido, voltou para Nínive. Desolado e prostrado diante de seu deus Nisrogue, seus dois filhos, Adrameleque e Sareser, o assassinaram. (2 Rs. 19: 35 a 37).

Realmente, Jeová não necessita do auxílio do homem; por isso está escrito nos Salmos: “Dá-nos auxílio na angústia, porque vão é o socorro do homem” (Sl. 60:11; 108:12). Pois se o homem não pode auxiliar o próprio homem, como se julga com autoridade e poder para socorrer Jeová? Jeová destruiu a humanidade toda no dilúvio (Gn. 6:7-8). Jeová destruiu as cidades de Sodoma e Gomorra com fogo e enxofre (Gn. 19:24-25). Jeová não aceita o auxílio do homem. Como poderia Jeová aceitar o auxílio do homem, se este estava sob maldição desde o Jardim do Éden? Aceitaria Jeová  o auxílio do pó? “No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes a terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó, e em pó te tornarás” (Gn. 3:19). Aceitaria Jeová auxílio da erva da terra? “Tu os levas como corrente d’água; são como um sono; são como a erva que cresce de madrugada; de madrugada cresce e floresce; à tarde corta-se e seca, pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados” (Sl. 90:5-7). Aceitaria Jeová auxílio dos vermes?  “Como, pois, seria justo o homem perante Jeová, e como seria puro aquele que nasce de mulher? Olhe, até a lua não resplandece, e as estrelas não são puras perante os seus olhos. E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um bicho” (Jó 25:4-6). Aceitaria Jeová o auxílio dos imundos? “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido. Fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem. Jeová olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia alguém que tivesse entendimento e buscasse a deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um” (Sl. 14:1-3). Aceitaria Jeová o auxílio de defuntos? Paulo nos revela que antes de Jesus Cristo estavam mortos espiritualmente todos os homens. “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Rm. 5:12).

         O Senhor Jesus Cristo, o Deus encarnado (I Jo. 5:20), quando um discípulo se prontificou a segui-lo, mas precisava sepultar o pai que havia morrido, lhe disse: “Segue-me, e deixa aos mortos sepultar os seus mortos” (Mt. 8:21-22).

         É inacreditável, é inaceitável, mas o fato é que Jeová não só aceitava o auxílio dos que desprezava, mas exigia sob pena de maldição. Havia uma cidade, de nome Meroz, cujos habitantes não auxiliaram Israel no combate contra Sísera. O anjo de Jeová então bradou desde os céus, dizendo:“Amaldiçoai a Meroz, diz o anjo de Jeová, acremente amaldiçoai os seus moradores; porquanto não vieram em socorro de Jeová, em socorro de Jeová e com seus valorosos” (Jz. 5:23). É estranho e paradoxal, que um deus que provocou um dilúvio para destruir a humanidade; destruiu a fogo e enxofre Sodoma, Gomorra e as cidades circunvizinhas; que matou centro e oitenta mil assírios num momento, necessitasse do auxílio de vermes imundos e malditos.

O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias, e o Deus de toda a compaixão(II Co. 1:3), enviou o seu Filho unigênito para salvar a todos os condenados à morte por Jeová desde Adão, todos os vermes e imundos, todos os malditos de Jeová. Paulo, o apóstolo dos gentios declarou:“Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo. Que é Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis” (I Tm. 4:10).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

ABIP – ASSOCIAÇÃO BÍBLICA INTERNACIONAL DE PESQUISA

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