(017) – JEOVÁ E AS MULHERES

A mulher, no tempo do Velho Testamento e diante dos olhos de Jeová, o Deus misericordioso, não tinha nem vontade própria. Se fizesse voto a Jeová, e o pai proibisse, o voto não tinha valor. A casada também tinha de ter o voto aprovado pelo marido, ou perdia o valor, isto é, a mulher não era livre espiritualmente, pois o voto era feito a Jeová. Isto está em Nm.30:1-16.

A lei de Jeová reduzia a mulher a objeto de uso, isto é, o dono do objeto, pai ou marido, fazia da mulher o que quisesse. Uma mulher amava o esposo, mas este achando na mulher algo feio, mandava embora com carta de repúdio (Deut.24:1-4). A coisa feia não era sexo, pois a moça tinha de casar virgem sob pena de apedrejamento (Dt. 22:13-21).

Como a mulher era objeto, um pai, usava a filha como prêmio pela valentia de um amigo. Quando Calebe conquistou a terra dos Anaquins, lançou um desafio aos soldados dizendo: “Quem ferir a Quiriate-Séfer, e a tomar, lhe darei a minha filha Acsa por mulher”. Calebe não perguntou se ela ao menos nutria simpatia por alguém. Tinha de aceitar a determinação do pai, ainda que o vencedor fosse um gorila. Otniel feriu Quiriate-Séfer e ganhou Acsa por mulher (Js.15:13-17).

A mulher tinha tão pouco valor aos olhos do Deus Jeová, que Amnom, filho primogênito de Davi, inflamado de desejos por sua irmã Tamar, a violentou, e a Bíblia relata que Amnom, depois do ato de estupro, a aborreceu tanto que a enxotou porta a fora (2 Sm.13:1-17).  Davi soube e passou por cima pois mulher não tinha valor. Depois de dois anos, Absalão tomou vingança do irmão matando-o (2 Sm.13:21-29).

Jacó amou Raquel e pagou por ela sete anos de trabalho para Labão, pai de Raquel. Na noite de núpcias, ao clarear do dia, percebeu que se deitara com Leia e não com Raquel. Labão lhe disse: “Na nossa terra não casa a menor antes da primogênita. Eu te darei Raquel e Leia por 14 anos de trabalho”.

Leia foi moeda de pagamento, pois mulher não tinha valor algum, e casava sem amar o esposo (Gn.29:18-27). Quando Ló hospedou dois anjos, e os sodomitas intentaram abusar sexualmente dos anjos, Ló lhes disse: “Eis aqui minhas duas filhas virgens; fora vo-las trarei, e fareis delas o que quiserdes, mas nada façais aos meus hóspedes” (Gn.19:1-8). Mulher era usada para negócio ou como arma de proteção. Ló, para proteger os anjos entregou as filhas! Caso semelhante aconteceu a um levita que andava peregrinando com sua concubina. Passando pela terra de Benjamim e sendo já tarde, sentaram-se na praça. Um velho os viu e os convidou a pernoitar em sua casa. Um bando de benjamitas corruptos e sodomitas, cercaram a casa e exigiram que o velho lhes entregasse o levita para abusarem dele. O velho lhes disse: “Eis aqui minha filha virgem e a concubina do levita. Fazei delas o que quiserdes”. A concubina do levita foi abusada toda a noite e morreu pela manhã. Estes fatos todos provam que mulher não tinha valor algum no período da lei de Jeová. Era objeto de prazer, escrava para trabalho e objeto de troca (Jz.19). Salomão teve mil mulheres, trezentas delas eram concubinas, isto é, mulheres para o deleite carnal (1 Rs.11:3).

Abrão amava Sara, sua mulher, e no entanto, para se proteger entregou-a a Faraó como amante ou concubina. Faraó fez bem a Abrão por amor de Sara, de maneira que Abrão enriqueceu (Gn.12:11-16). A intimidade entre Abrão e Jeová era tanta que Jeová o chamava de amigo (Is.41:8). Se a mulher tivesse algum valor aos olhos de Jeová, este teria protegido Sara da prostituição. O fato é que todas as violências possíveis, no campo espiritual, moral ou físico eram impostos às mulheres. A mulher era desprezada, humilhada, pisada e violentada sob as vistas do Deus Jeová, Santo, misericordioso e perfeito.

Um filho contumaz e rebelde era entregue pelo pai para ser apedrejado publicamente (Dt.21:18-21). Se alguém apanhasse lenha no sábado era também apedrejado, e tudo por ordem de Jeová (Nm.15:32-36). Se alguém adorasse um ídolo era apedrejado e morto (Dt.13:6-10). Jeová era um Deus exigente, inflexível e duro em questões de menor valor que a alma humana, e colocava a mulher numa posição inferior, servil e humilhante como já dissemos.

Em todas as nações em volta de Israel, a mulher era inferiorizada em relação ao homem, e Jeová, sendo Deus, usava a mesma medida injusta em relação as mulheres?

Jesus Cristo veio a este mundo e colocou a mulher num estado de igualdade no matrimônio, libertando a mulher daquele jugo escravagista (Mt.19:3-9). Pastores, presbíteros e diáconos, só poderiam exercer o cargo sendo maridos de uma só mulher. Davi teve 17. Se Jeová fosse um com Jesus, teria feito 1500 anos antes o que Jesus fez.

Jesus teria feito o que o Pai faria se estivesse na terra no tempo de Jeová. Se Jeová não fez, nada tem a ver com Jesus ou com o Deus Pai, que não são discriminadores. Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo.10:30). Nem Jesus nem o Pai podiam concordar com as barbaridades cometidas contra as mulheres como fazia Jeová.

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

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