(718) – O REINO DE CRISTO

“E o verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e verdade” (Jo.1:14). Quando se fez carne, passou a ser deste mundo; sentiu fome, sentiu sede, sentiu dor, sofreu, foi tentado: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb.4:15). Antes de encarnar, ele estava na glória com Deus e disse: “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo.17:5). Deus, o Pai, não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta: “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tg.1:13). Jesus, deixou de ser Deus ao se fazer carne por amor a nós. Mas, pouco antes de partir deste mundo Ele disse a Pilatos: “O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu Reino não é daqui” (Jo.18:36). Ao dizer isto, Cristo renuncia ser o Messias de Iahweh segundo a carne; renuncia o trono de Davi; renuncia a carne com as suas tentações, renuncia o sacerdócio levítico. Cristo havia consumado a obra que Ele veio fazer. Ele estava voltando para o Pai. Cristo renunciava a lei e os profetas pois, Lucas disse: “A Lei e os Profetas duraram até João; desde então é anunciado o Reino de Deus, e todo homem emprega forças para entrar nele” (Lc.16:16). O Reino de Deus não faz parte do Velho Testamento. O Reino, que faz parte deste mundo, é o reino de Iahweh; que acabou no ano 587 AC, quando Nabucodonosor destruiu a fogo a cidade de Jerusalém e o templo de Salomão, e levou em cativeiro o povo que habitava em Jerusalém. Até hoje, não foi restaurado o reino de Iahweh. A única coisa que resta é o Muro das Lamentações e os religiosos judeus vão lá chorar, porque esperam o ‘Mashia Bem Yucef’ (Messias filho de José). Mas, o Messias, só foi Messias na carne: “Varões irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura. Sendo pois ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto dos seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu trono, nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no hades, nem a sua carne viu a corrupção. Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que agora vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio disse: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos por estrado de teus pés. Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel, que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (At.2:29-36). Citamos mais textos para provar que Cristo só era Messias de Israel, segundo a carne. Quando deixou a carne, deixou também de ser Messias de Israel: “Porque eu mesmo poderia desejar ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes, segundo a carne; que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas. Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito, eternamente. Amem!” (Rm.9:3-5). “Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos – Jesus Cristo, Nosso Senhor” (Rm.1:3-4). Cristo, ao ressuscitar, não era mais o mesmo: “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, afim de que demos fruto para Deus. Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte. Mas, agora, estamos livres da lei, pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvarmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra” (Rm.7:4-6).

Vejam, quanto Cristo falou quando disse: Meu Reino não é deste mundo. O importante e que Cristo vai falar: “Mas, agora, vou para ti e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos. Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (Jo.17:13-14).

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

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