(435) – ANARQUISMO – III

ANARQUISMO  3

Jeová teve um sonho: Criar um reino de deus aqui na terra. É verdade que a humanidade toda está mergulhada num regime de corrupção depois da queda de Adão e Eva. Paulo, o apóstolo, reduz a um versículo a condição deste mundo: “Porque todos pecaram, e destituídos foram da glória de Deus” (Rm. 3:23). Mas Jeová pensou: “Mas eu sou o El Shaday, o Todo-poderoso” (Gn. 17:1). “Fora de mim não há deus” (Is. 44:6). “Tudo o que eu quero, eu faço, no céu e na terra” (Sl. 135:6). “Operando eu, quem impedirá?” (Is. 43:13). Jeová pensou, refletiu, e partiu para a execução.

Através de José, levou a descendência de Jacó ao Egito, à nação mais evoluída da época, e lá, por duzentos anos multiplicou o seu povo e os formou. Moisés, o varão escolhido para libertar o povo, foi instruído em toda a ciência dos egípcios (At. 7:22). Na época da libertação o povo de Israel, uns dois milhões, estavam debaixo de terrível escravidão. Jeová para mostrar seu poder, endureceu o coração de Faraó, e feriu dez vezes o Egito com pragas. Na última, a morte dos primogênitos, Faraó amoleceu, pois todo o Egito chorava. O povo saiu jubiloso, com cânticos de vitória, e as bolsas cheias de ouro (Ex. 12:33-36).

Num milagre prodigioso, o mar se abre, o povo de Israel passa a pé enxuto. Os exércitos de Faraó entraram atrás para vingar a morte dos primogênitos. Jeová entrou na peleja quebrando os carros egípcios; depois o mar se fechou enfurecido e destruiu o exército inimigo (Ex. 14:24-31). Jeová conduziu o povo ao monte Sinai, que fumegava como uma fornalha, e saia fumaça negra. O monte todo tremia(Ex. 19:18). Jeová ordenou a lei, os dez mandamentos, do meio das trevas (Dt. 4:11-13; 5:23). Nas trevas foi feito o concerto da lei.

Assim foi formado o reino de Jeová, tão meticulosamente elaborado pelo espaço de quatrocentos anos. O reino era sacerdotal: “Vós me sereis um reino sacerdotal” (Ex. 19:6). Então Jeová elegeu a tribo de Levi para ministrar sobre o povo. Os levitas eram os mediadores para fazer sacrifícios e holocaustos. Era o governo teocrático.

O povo, formado pela idolatria egípcia por duzentos anos, e moralmente corrompido pelos seus costumes, vendo que Moisés se demorava no monte, obrigou a Arão a lhes esculpir um bezerro de ouro, pois o boi Apis era a suprema expressão da divindade para os egípcios. Foi feito um culto de adoração ao bezerro (Ex. 32:4-6). O povo se despiu e começou um bacanal. Jeová ordena a Moisés descer. Ao chegar, vendo aquele quadro carnavalesco e satânico, lança das mãos as tábuas da lei e as quebra. Estava desfeito o concerto da lei, antes de começar. JEOVÁ, TOMADO DE FURIA INCONTIDA, QUER DESTRUIR O POVO (Ex. 32:10). Moisés, o mediador, intercede; Jeová se arrepende (Ex. 32:11-14).

Declara Jeová a Moisés que não subira com o povo, para não destruí-lo no meio do caminho (Ex. 33:3).Então envia um anjo em seu lugar (Ex. 33:2). Estava consumada a separação de Jeová e Israel. Jeová tem dois tipos de anjos: Os maus e os bons. O mau é o destruidor, que matou setenta mil hebreus (I Cr. 21:14-15). O que segue Israel no deserto não era bom, pois Jeová declarou: “Eis que enviarei um anjo diante de ti, para que te guarde neste caminho, e te leve ao lugar que te tenho aparelhado. Guarda-te diante dele, e ouve a sua voz, e não o provoques a ira, porque não perdoará a vossa rebelião; porque o meu nome está nele” (Ex. 23:20-21). Anjo que não perdoa é mau, pois Jesus disse: “se não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas” (Mt. 6:15). Se um homem, não perdoando é rejeitado por Deus como mau, imaginem um anjo, que foi enviado para ajudar (Sl. 34:7).

Há outro motivo maior para provar que o anjo era perverso. Jeová disse a Moisés: “Eu enviarei um anjo diante de ti, e lançarei fora os cananeus, e os amorreus, e os heteus, e os perizeus, e os heveus, e os jebuseus” (Ex. 33:2). E disse mais: Guarda o que eu te ordeno hoje; eis que eu lançarei fora de diante de ti os cananeus, ao amorreus, etc. (Ex. 34:11, 24; Dt. 7:1).

Depois que Josué introduziu o povo de Israel na terra prometida, passados quarenta anos de peregrinação, e sofrendo todo tipo de privações nas mãos do anjo, pois Jeová se apartou de Israel. Jeová tinha dito: “Segundo os dias que espiastes a terra, quarenta dias, por cada dia um ano, levareis sobre as vossas iniqüidades quarenta anos, e conhecereis o meu apartamento” (Nm. 14:34).

O povo estava ainda debaixo das ordens do anjo; o texto diz: “E subiu o anjo de Jeová de Gilgal a Boquim, e disse: Do Egito vos fiz subir, e vos trouxe à terra que a vossos pais tinha jurado, e disse: Nunca invalidarei o meu concerto convosco (Gn. 17:7). “E quanto a vós, não fareis concerto com os moradores desta terra, antes derrubareis os seus altares; mas vós não obedecestes à minha voz. Por que fizestes isto? Pelo que também eu disse: Não os expelirei de diante de vós; antes estarão às vossas ilhargas, e os seus deuses vos serão por laço” (Jz. 2:1-3).

O anjo mudou a promessa de Jeová, feita com juramento a Abraão, Isaque, e Jacó. Jeová jurou e o anjo quebrou o juramento, logo é mau e perverso. Vejamos o que aconteceu, pois Jeová concordou com o anjo: “Habitando o povo de Israel no meio dos cananeus, dos heteus, e amorreus, e perizeus, e heveus, e jebuseus, tomaram as suas filhas para si por mulheres, e deram aos filhos deles as suas filhas, e serviram aos seus deuses. E os filhos de Israel fizeram o que parecia mal aos olhos de Jeová, e se esqueceram de Jeová seu deus, e serviram aos baalins e a Asterote” (Jz. 3:5-7).

ESTAVA ESTABELECIDA A ANARQUIA. É obvio que foi um plano armado contra o povo de Deus, isto é, Israel, com o fim de destruí-lo, sob a capa do castigo. Jeová devia castigar o anjo e não o povo de Israel. Se o anjo tivesse cumprido a promessa de Jeová e expulsado os habitantes corruptos da terra, o povo de Deus não teria se corrompido.

Por outro lado, caía por terra o tão sonhado reino de deus que Jeová tão meticulosamente engendrou. E Jeová pensou: Entrou areia no meu projeto.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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