(073) – O VÉU

A Bíblia fala do véu no Velho Testamento e no Novo. No Velho Testamento temos os dois véus do templo. O primeiro separava o átrio e o tabernáculo, ou templo. O segundo separava o lugar santíssimo, chamado santo dos santos. O povo ficava no átrio ou pátio, que ficava  em volta do tabernáculo, antes de ser construído o templo, e mais tarde em volta do templo. Só os sacerdotes ultrapassavam o primeiro véu e entravam no templo para ministrar. Nenhum sacerdote podia ultrapassar o segundo véu e entrar no santo dos santos. Somente o Sumo Sacerdote podia fazê-lo, e somente uma vez por ano (Hb. 9:1-7). O véu, portanto, é sinal de separação. Separava o povo do interior do templo. O segundo véu separava os sacerdotes do lugar santíssimo. Até o Sumo Sacerdote morria se adentrasse o santo dos santos fora de hora e sem sacrifício de expiação (Lv. 16:2,3). O véu separava de quem? De Jeová.

O apóstolo Paulo faz referência a um outro véu, o do Velho Testamento. “Mas os seus sentidos foram endurecidos. Porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do Velho Testamento, o qual foi por Cristo abolido” (2 Co. 3:14). Havia um véu que tirava a visão espiritual. Para que um judeu se convertesse, o véu espiritual tinha de ser tirado. “E até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Mas, quando se converterem ao Senhor Jesus, então o véu se tirará” (2 Co. 3:15-16). A lei de Jeová, ou o Velho Testamento, colocou no coração dos judeus um véu que separa de Jesus Cristo. Lemos em Hb. 7:12 que em Cristo foi mudada a lei e o sacerdócio do Velho Testamento. Ora, Jeová promete restaurar a lei no fim dos tempos. “Porque este é o concerto que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz Jeová, porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu deus, e eles serão o meu povo” (Jr. 31:33). Este texto é repetido em Heb. 8:10. Isto equivale a dizer que Cristo tirou o véu e Jeová vai colocar de novo.  Cristo tirou o véu mudando a lei e abolindo o Velho Testamento, e Jeová promete colocar o véu, restaurando a lei e o Velho Testamento que Cristo aboliu. Quando Cristo foi crucificado, o véu do templo se rasgou de alto a baixo (Mt. 27:51). O caminho para Deus, o Pai, foi aberto para todos, e assim foi rechaçado aquele indigno sacerdócio, e aqueles sacrifícios inúteis. “Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados” (Hb. 10:4). A lei foi abrogada por causa da sua fraqueza e inutilidade, pois nenhuma coisa aperfeiçoou (Hb. 7:18-19). Acabou o templo de pedra, feito por mãos de homens, e acabou o serviço do sacerdócio levítico. Agora, tudo é novo. Pedro declara o seguinte, sobre a Igreja de Cristo: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pd. 2:9). E Jeová promete restaurar Israel, em Ez. 36:8-15. Em seguida, no capítulo 37, dá detalhes fantásticos sobre a restauração do povo. Nos capítulos 40 a 44, Jeová declara que vai restaurar o templo, o sacerdócio levítico, os sacrifícios e holocaustos do Velho Testamento e em Ez. 43:10-27, lemos detalhes sobre os sacrifícios. Isto prova que os planos de Jeová não são os mesmos de Jesus e o Pai.

O Velho Testamento foi o concerto da carne e do sangue. “Será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; E ESTARÁ O MEU CONCERTO NA VOSSA CARNE POR CONCERTO PERPÉTUO” (Gn. 17:13). A lei era e é enferma pela carne (Rm. 8:3). O mandamento era e é carnal (Hb. 7:16). Como Jeová pode fazer concerto na carne, se na carne não habita bem algum? (Rm. 7:18). “A carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção” (1 Co. 15:50). Por isso Jesus declarou que a carne para nada aproveita, em Jo. 6:63. Mas Jeová também declarou que vai criar um novo céu e uma nova terra, e toda a carne virá adorar diante dele (Is. 66:22-23). São caminhos contrários.

Como a mulher é a carne, “Assim devem os maridos amar a suas  próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne” (Ef. 5:28-29). A mulher usa véu por ser carne (1 Co. 11:6). Como o véu é sinal de separação de Deus, e Deus é Espírito, a mulher, pelo véu da carne está separada de Deus, por isso precisa de cobertura do varão. “Quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo” (1 Co. 11:3). Nem Deus, nem Jesus são cabeça da mulher, por ser a mulher carne. Eva, que era carne de Adão, o fez pecar (Gn. 2:23; 1 Tm. 2:13-14).

Cristo se fez carne (Jo. 1:14), e carne do pecado (Rm. 8:3). Cristo foi tentado na carne (Hb. 5:7; 4:15) e pelas mulheres que são carne, mas não caiu. Cristo crucificou a carne e exige que o sigamos: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mt. 16:24). Paulo disse: “Os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl. 5:24). No matrimônio deve haver amor e não concupiscência carnal, pois o leito dever ser sem mácula (Hb. 13:4). Se houver concupiscência no casamento, esta o destrói, pois Pedro disse: “Abstende-vos das concupiscências carnais que combatem contra a alma” (1 Pd. 2:11).

Para terminar o assunto do véu, para ser de Cristo, o véu tem de cair. Cristo veio, consumou a obra, e o Velho Testamento permanece com suas leis, e o povo judeu não se converte a Cristo, logo o véu está posto  até hoje sobre o coração deles (2 Co. 3:14-16) Se Jeová fosse Cristo, Cristo teria posto o véu da separação nos judeus, e não pôs, nem nos gentios. Cristo rasgou o véu da carne na cruz para entrar no santuário celestial, abrindo caminho para os cristãos (Hb. 10:19-20). Mas o véu tem de ser tirado pela conversão, isto é, o véu da carne do Velho Testamento. Os que adotam o Velho Testamento colocam no coração o véu que Cristo tirou. E há um detalhe, as mulheres continuam com o véu. E por quê? Porque a mulher quer ser carne, anda nua, mesmo estando vestida, e liberou o uso da carne de Jeová.

 

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira

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