(419) – O DEUS QUE SE REVELOU A SI MESMO

O DEUS  QUE  SE  REVELOU  A  SI  MESMO

 

Caçado por Faraó por matar um egípcio, Moisés fugiu e achou hospitalidade na casa de Jetro, sacerdote de Midiã, que veio a ser seu sogro. Depois de quarenta anos apascentava o rebanho de seu sogro, e foi ao monte de Deus, a Horebe. E apareceu-lhe o anjo de Jeová em uma chama de fogo do meio duma sarça. E a sarça não se consumia. E quando Moisés, espantado se virou para olhar com mais atenção a visão, Jeová lhe disse: Moisés, Moisés! E ele disse: Eis-me aqui. E Jeová lhe disse: Não te chegues para cá; tira os teus sapatos de teus pés, porque o lugar em que estás é terra santa. E disse: EU SOU O DEUS DE TEU PAI, O DEUS DE ABRAÃO, O DEUS DE ISAQUE, O DEUS DE JACÓ. E Moisés temeu olhar para Deus (Ex. 3:1-6).

O Senhor Jesus Cristo declarou, dizendo: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai: e ninguém conhece QUEM É o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece QUEM É o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Lc. 10:22). E Jesus veio a este mundo para revelar quem é o Pai, isto é, o Deus Verdadeiro.

A confusão é a seguinte: Se Jesus é Jeová, isto é, são a mesma pessoa, por que no Novo Testamento Jesus declara que a sua comida era fazer a vontade do Pai? (Jo. 4:34). Declara também que o Pai, isto é, Deus, é maior do que ele (Jo. 14:28). Ao ressuscitar dos mortos fez a seguinte declaração a Maria Madalena: “Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus” (Jo. 20:17). Antes de ser preso, orando no Getsêmani, Jesus em agonia atroz, ora a Deus com as seguintes palavras: “Pai, se queres, passa de mim este cálice, todavia não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc. 22:42). Aqui Jesus revela a sua submissão total ao Pai. Na carta aos Hebreus lemos que Jesus, ainda que era filho, aprendeu a obediência por aquilo que padeceu (Hb. 5:8).

Sendo Jesus o Jeová do Velho Testamento, revelou outro comportamento:

1. Jesus, sendo Jeová, não dava satisfação ao Pai, aliás, como Jeová, nega a existência do Pai. Ele disse: “Eu sou Jeová, e não há outro; fora de mim não há deus” (Is. 45:5). E continua: “Porque assim diz Jeová que tem criado os céus, o deus que formou a terra, e a fez; ele a estabeleceu, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada; Eu sou Jeová e não há outro” (Is .45:18). “não há outro deus senão eu; deus justo e salvador não há fora de mim” (Is. 45:21). Moisés registrou o seguinte a respeito de Israel: “A ti te foi mostrado para que soubesse que Jeová é deus; nenhum outro há senão ele” (Dt. 4:35).

No Novo Testamento, tudo o que Jesus fez, pediu para o Pai, submisso e humilde, e no Velho Testamento se mostra arrogante, tirando o Pai do contexto? Dizendo que fora dele não havia outro Deus certamente não tinha Pai para obedecer. Não tinha o Pai para orar como no Getsêmani. Jeová nunca disse: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo. 6:38). A impressão que dá, é que o Jesus do Velho Testamento se revelou contra o Pai, e destruía os homens sem lhe dar satisfação (Gn. 6:7).

2. Mas voltemos para as grandezas de Jeová diante da humildade de Jesus Cristo neste mundo. Jeová se manifestou com poder e glória, fazendo sinais e prodígios, mandando pragas e pestes (Nm. 14:22).Jesus se manifestou em extrema pobreza nascendo numa estrebaria (Lc. 2:4-7). Adulto, Jesus era carpinteiro pobre (Mc. 6:3; Zc. 9:9).

  • Jeová se manifestou como deus do ouro e da prata, e saqueando as nações através de guerras(Ag. 2:8; Js. 6:16-19). Jesus manda deixar as riquezas (Mt. 6:19-20).
  • Jeová reinava pela violência, com ira e vingança assassina. Ele mesmo declara isso, dizendo: “Vivo eu, diz o senhor Jeová, que com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada, hei de reinar sobre vós” (Ez. 20:33). Jesus só ensinou e viveu o amor, e declarou: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e aborrecerá o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei aos que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mt. 5:43-45). É absurdo dizer que Jesus é Jeová.
  • Jeová matava os inimigos (II Rs. 19:35-37); matava também o seu povo, os filhos de Israel, sendo inocentes (I Cr. 21:14). Davi declara que eram todos inocentes (I Cr. 21:17). Jeová matava as crianças inocentes (Is. 14:21). Cristo declarou: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino de Deus” (Mt. 19:13-15).
  • Jeová criava uma situação de miséria e fome tão violenta para castigar o seu povo, que no desespero, enlouquecidas pela fome, as mães piedosas cozinhavam os próprios filhinhos para saciar a fome (Ez. 5:8-10, 16, 17; Lm. 4:10). Jesus, cheio de amor e compaixão, disse: “Eu sou o pão da vida; se alguém comer deste pão, viverá para sempre” (Jo. 6:48-51).
  • Jeová, o deus que revelou a si mesmo, sempre foi suscetível a todos os movimentos e paixões comuns aos homens. Os homens amam uns, e odeiam outros (Ml. 1:1-3). Os homens passam tempo forjando males para destruir os que se colocam como obstáculo no seu caminho. Jeová faz o mesmo (Jr. 18:10-11). Os homens são apegados ao ouro e à prata. Jeová é mais apegado a esses metais malignos do que homens. Os homens adoram ser reis. Jeová faz questão de reinar, mesmo pela força (Ez. 20:33). Os homens fazem coisas que depois se arrependem. Jeová também faz o mal e depois se arrepende (Jr. 42:10). Os homens, quando enfurecidos, cometem crimes, próprios de quem está fora de si. Pois Jeová, quando enfurecido, declara que é fúria do inferno, atira setas cheias de veneno mortal, sai como louco brandindo a sua espada, matando a todo mundo, inclusive as crianças de peito (Dt. 32:22-25). Os homens ficam remoendo o ódio contra um desafeto por anos, e não perdoam; Jeová guarda o ódio eternamente contra uma pessoa ou um reino, e obriga a seus servos a fazerem guerra contra quem odeia por todo o sempre.

Jeová implicou com Amaleque porque pelejou contra Israel durante a jornada pelo deserto (Ex. 17:8-15). Então Jeová, cheio de furor mortal, disse: “Porquanto jurou Jeová, haverá guerra de Jeová contra Amaleque de geração em geração” (Ex. 17:16). Quatrocentos e cinqüenta anos mais tarde, ordenou a Saul que destruísse Amaleque, o povo, os animais e as crianças de peito (I Sm. 15:1-3). Que ódio infantil.

Jesus não se revelou como Deus, antes declarou que era servo de todos (Mc. 10:35-45). Jesus veio a este mundo a serviço dos pecadores, dos perdidos, dos inimigos de Deus, dos criminosos, etc. com o fim de salva-los para Deus, o Pai, que ama a todos (I Jo. 4:10; 2:1-2).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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