(474) – O REI E O PAI – V

O  REI  E  O  PAI  5

Quando, lendo o Velho Testamento, encontramos passagens em que Jeová destoa do Novo Testamento em relação ao Pai de Jesus Cristo, os adoradores de Jeová vão logo dizendo: Deus é soberano. Damos exemplos: Para castigar o pecado do seu povo, Jeová submeteu todos a uma fome tão violenta, que as mães piedosas foram obrigadas a cozinhar os filhinhos recém nascidos para servirem de alimento (Lm. 4:10). A resposta é sempre a mesma: Deus é soberano. Quando Jeová, cheio de ira contra seu povo, mata indiscriminadamente justos e injustos, logo dizem: Deus é soberano (Ez. 21:2-4). Pela lei de Jeová, quando um homem e uma mulher, ambos casados, cometem adultério, devem morrer apedrejados. Davi cometeu um adultério com Bate-Seba, mulher de Urias, o heteu, um dos seus trinta e sete valentes (II Sm. 11:1-5). Pela lei, ambos deveriam ser apedrejados, mas como Davi era escolhido por Jeová para sentar no trono, em lugar do rejeitado Saul, Jeová poupou a Davi, o culpado, e matou a criança recém nascida fruto do pecado, porém inocente (II Sm. 12:13-18). Jeová também perdoou a adúltera Bate-Seba, e permitiu que o próprio Davi mandasse matar a Urias, o inocente e fiel servo (Lv. 20:10; II Sm. 11:14-17; 23:39).

Que um rei humano e carnal cometa esses tipos de crime, compreende-se, pois é homem, e como homem é cruel, pecador e injusto. Mas um deus, que a Bíblia declara que é justo e reto (Dt. 32:3-4), um deus que afirma ser santo (Lv. 19:2; Is. 57:15), não dá para aceitar, pois Deus é Pai, e um pai não submeteria seus filhos amados a tais suplícios. Como dissemos nos estudos anteriores, Jeová se sente glorificado como rei: “Dizei entre as nações: Jeová reina; o mundo também se firmará para que se não abale. Ele julgará os povos com retidão” (Sl. 96:10). “Jeová reina; tremam as nações; ele está entronizado entre os querubins; comova-se a terra” (Sl. 99:1).

O Pai é diferente, pois é glorificado quando um pecador sai da morte. Maria, irmã de Lázaro, disse a Jesus: Senhor, é já o quarto dia que ele está morto. Jesus lhe respondeu, dizendo: Não te hei dito que se creres verás a glória de Deus? (Jo. 11:39-40). Estêvão, cheio do Espírito Santo, antes de ser apedrejado pelos servos de Jeová, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus (At. 7:55-59). Quando um pecador se converte a Cristo, e é libertado da servidão da corrupção, passa para a liberdade da glória dos filhos de Deus (Rm. 8:21). “Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que, concordes, e a uma voz, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para a glória de Deus Pai” (Rm. 15:5-7). Quando nós, os cristãos, de diferentes denominações, nos recebemos em amor, como Cristo também nos recebeu, Deus, o Pai, é glorificado. Quando Deus, o Pai, pelo Espírito Santo, nos abre a boca para falar dos mistérios da sabedoria de Deus, o mesmo Deus, nosso Pai, nos está comunicando a sua glória (I Co. 2:7).

Deus não é glorificado quando se assenta num trono para julgar os povos, mas foi glorificado quando Jesus se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau (Gl. 1:4-5). Deus, o Pai, não foi glorificado quando toda a humanidade foi destruída pelas águas do dilúvio (Gn. 6:5-7),nem também quando Jeová matou os exércitos de Faraó no mar Vermelho (Ex. 14:16-18; 27-31). Mas Deus Pai, é glorificado quando toda língua confessa que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai (Fp. 2:9-11). Os gentios eram excluídos e desarraigados do reino de Jeová (Sl. 10:16), mas quando, no Novo Testamento, os gentios se convertem a Deus Pai, e Jesus habita neles pela fé, Deus é glorificado, pois para com Deus não há acepção de pessoas (Rm. 3:29; Cl. 1:26-27).

A grande verdade é que Jeová não reparte a sua glória, pois é o rei da glória (Sl. 24:7-10; Is. 42:8). Mas no Novo Testamento, Deus, o Pai, repartiu a sua glória com Jesus Cristo. É o apóstolo Pedro que nos conta isso: “Porquanto ele recebeu de Deus Pai glória e honra, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu filho amado, em quem me comprazo” (II Pd. 1:17; Mt. 17:5). Até aqui, tudo bem, pois Jesus e o Pai são um (Jo. 10:30). Mas Jesus repartiu a glória de Deus com todos os discípulos. Assim disse o Senhor Jesus: “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” (Jo. 17:22). E Pedro declara que essa glória é o Espírito Santo. O texto diz: “Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus” (I Pd. 4:14). E sobre essa glória vinda do céu, Paulo diz: “Ora, o Senhor é Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (II Co3:17-18). E Jesus revela que nós, os cristãos genuínos, temos o poder de comunicar a glória de Deus a todos os homens: “Vós sois a luz do mundo: não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte. Nem se acende a candeia e se coloca debaixo de um alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt. 5:14-16).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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