(223) – O PAI

O PAI

 

O apóstolo João esclarece um ponto da doutrina do Novo Testamento, que é muito importante, dizendo: “Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; e aquele que confessa o Filho, tem também o Pai” (1 Jo. 2:23). Para João é impossível chegar ao Pai sem primeiro confessar o Filho, por isso Jesus disse: “Qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus” (Mat. 10:32-33). O povo de Israel confessava Jeová como Deus diretamente, sem a intermediação de Jesus, chamando-lhe de Pai. “Mas agora, ó Jeová, tu és o nosso Pai; nós o barro, e tu o nosso oleiro; e todos nós obra das tuas mãos” (Is. 64:8); Jeová se declara pai de Israel. “O filho honrará o Pai, e o servo ao seu senhor; e se eu sou pai, onde está a minha honra? (Ml. 1:6). Moisés declarou: “Filhos sois de Jeová vosso a Deus” (Dt. 14:1). E Jeová também declarou: “Ouvi, ó céus, e prestai ouvidos, tu ó terra, porque fala Jeová: Criei filhos, e exalcei-os, mas eles prevaricaram contra mim” (Is. 1:2). Não nos interessa o argumento falso de que Jesus é Jeová, pois Jeová se declarou ser o Pai, e o povo de Israel se dirigia a ele como pai sem a mediação de Jesus. E Jesus é taxativo ao dizer: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo. 14:6). Como Jesus não foi revelado no Velho Testamento, o caminho para o Pai estava fechado. O povo de Israel chamava de pai um deus que não era o Pai, e Jeová os chamava de filhos sem que eles confessassem primeiro a Jesus Cristo. “Mas, a todos que o receberam (Jesus), deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos quais crêem no seu nome” (Jo. 1:12). Paulo, o apóstolo dos gentios, fala: “Como me foi este mistério manifestado pela revelação; pelo que, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito Santo” (Ef. 3:3-5). “O mistério que estava oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifestado aos seus santos; aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória” (Cl. 1:26-27). Se Jesus era mistério oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, ninguém tinha acesso a ele para confessá-lo, e assim chegar ao Pai. Sendo assim, os israelitas confessavam Jeová como Pai, mas essa confissão não era verdadeira; e Jeová os chamava filhos, porém Deus, o Pai de Jesus, só teve filhos através da confissão de Cristo, dizendo: “Pai, estes são os teus filhos.”

Cabe uma pergunta. Por que, sem Jesus, ninguém chega ao Pai? Em primeiro lugar, Jeová deu a lei, mas Paulo diz: “Nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm. 3:20). A lei separa de Deus, e jamais une, pois produz inimizade entre o homem e Deus. Novamente, Paulo esclarece: “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” (Ef. 2:15-16). E na carta aos hebreus, lemos: “Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade, (Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou), e desta maneira é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus” (Hb. 7:18-19). A melhor esperança é a carne e o sangue de Cristo. “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hb. 10:19-20). O verbo encarnado, que deu a vida pelos pecadores culpados, e ressuscitou para nossa justificação, é a única porta de acesso ao Pai, por isso ninguém chegou ao Pai antes de Cristo, e depois de Cristo ninguém chegará sem primeiro confessá-lo como Salvador (I Tm. 1:15; Rm. 4:25; Jo. 14:6; At. 4:12). O povo de Israel confessava como Deus e Pai, um ser truculento, vingativo, egoísta, amante de si mesmo, que matava inocentes pelo pecado dos pais, cujo método de educação era mandar pestes, pragas e maldições medonhas. Com isso fica provado que não conheciam a Deus, pois Deus é amor (I Jo. 4:8). Como Jesus durante o tempo do seu ministério só praticou boas obras, perdoou pecadores e culpados, curou enfermos, libertou cativos dos demônios, alimentou os famintos, perdoou a todos. Transbordando de bondade e compaixão, dizia sempre: “Não me conheceis a mim nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim também conheceríeis a meu Pai” (Jo. 8:19). Para conhecer o Pai, primeiro temos de conhecer Jesus. Como as obras de Jesus no Novo Testamento foram totalmente diferentes das obras de Jeová no Velho Testamento, os judeus não aceitando Jesus como o Messias de Deus, com isso provaram não conhecer nem a Jesus Cristo e nem o Pai: “Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou a tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido Filipe? Quem me vê a mim, vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras” (Jo. 14:8-10). Jesus está ensinando cinco princípios desse grande mistério.

  1. O Deus Pai não se revela aos homens a não ser através de Jesus, que nos diz:”Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt. 11:27). Foi Moisés que revelou Jeová.
  2. O Deus Pai não se revela aos homens a não ser em Jesus Cristo. “Deus nunca foi visto por ninguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o fez conhecer” (Jo. 1:18). Deus, o Pai, não está fora de Cristo, mas dentro, por isso Jesus disse. “Ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo. 14:6).
  3. O Pai não realiza obra nenhuma a não ser através de Jesus. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. TODAS AS COISAS FORAM FEITAS POR ELE, E SEM ELE NADA DO QUE FOI FEITO SE FEZ” (Jo. 1:1-3).
  4. Jesus, é o autor e consumador da fé (Hb. 12:2)“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder. Havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se a destra da majestade nas alturas” (Hb. 1:3).
  5. O Pai é manso e humilde como o Filho (Mt. 11:29); por isso Jesus e o Pai são um (Jo. 10:30). O Pai não se glorifica a si mesmo como Jeová (Is. 42:8; 48:11). É Jesus quem glorifica o Pai, pois Deus não recebe glória dos homens (Jo. 5:41; Jo. 17:4), onde se lê: “Eu glorifiquei-te na Terra, tendo consumado a obra que  me deste a fazer.”
  6. Se fora de Jesus ninguém pode conhecer o Pai, pois o Deus Pai só pode ser conhecido através das boas obras de Jesus, e as obras de Jeová não são as mesmas obras de Jesus, segue-se que o Pai nunca esteve no Velho Testamento, por isso Paulo declara: “Aquele que tem, ele só a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver” (I Tm. 6:16).
  7. Jeová se dava a conhecer através de suas gloriosas obras. As pragas do Egito foram os sinais de Jeová (Ex. 10:1). A serpente satânica e a lepra são os sinais de Jeová (Ex. 4:2-7). Jeová se deu a conhecer através de obras tenebrosas, e Cristo revelou o Pai através de obras luminosas e piedosas. Vamos transcrever a forma de Jeová se dar a conhecer: “Eu contenderei com ele por meio da peste e do sangue; e uma chuva inundante, e grandes pedras de saraiva, fogo, e enxofre farei cair sobre ele, e sobre suas tropas, e sobre os muitos povos que estiverem com ele. Assim eu me engrandecerei e me santificarei, e me farei conhecer aos olhos de muitas nações, e saberão que eu sou Jeová”  (Ez. 38:22-23). Jesus só revelou o amor do Pai, e a graça do Pai.

autoria: PASTOR OLAVO SILVEIRA PEREIRA

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