(380) – O JURAMENTO

O JURAMENTO

         Que é juramento? Na carta aos Hebreus temos a explicação: “Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, como não tinha outro maior por quem jurasse, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente, abençoando te abençoarei, e multiplicando te multiplicarei. E assim esperando com paciência, alcançou a promessa. Porque certamente os homens juram por alguém superior a eles, e o juramento para confirmação é, para eles, o fim de toda a contenda. PELO QUE, QUERENDO DEUS MOSTRAR MAIS ABUNDANTEMENTE A IMUTABILIDADE DO SEU CONSELHO AOS HERDEIROS DA PROMESSA, SE INTERPÔS COM JURAMENTO; PARA QUE POR DUAS COISAS IMUTÁVEIS, NAS QUAIS É IMPOSSÍVEL QUE DEUS MINTA” (Hb. 6:13-18).

As duas coisas imutáveis são: a palavra que sai da boca de Deus, e o juramento feito por Deus. Fica claro que uma palavra falada por Deus pode ser mudada, mas uma palavra ou promessa, feita com juramento não pode ser mudada, ainda que os que vão receber as promessas não sejam dignos dela. É a imutabilidade do conselho de Deus, como lemos no texto de Hebreus acima citado.

Para Jeová, o juramento é algo tão sério, e expõe a risco os que juram, que ele adverte os homens, dizendo: “NÃO JUREIS FALSO PELO MEU NOME, POIS PROFANARÍEIS O NOME DO VOSSO DEUS: EU SOU JEOVÁ” (Lv. 19:12).

Não precisa nem jurar. Basta fazer um voto: “Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. O que votares, paga-o. Melhor é que não votes do que votes e não pagues. Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne, nem digas diante do anjo que foi erro; por que razão se iraria Deus contra a tua voz, de sorte que destruísse a obra das tuas mãos?” (Ec. 5:4-6).

Um juramento é coisa tão séria e perigosa que Jesus dá uma ordem contrária à de Jeová, que disse: “A JEOVÁ TEU DEUS TEMERÁS, E A ELE SERVIRÁS, E PELO SEU NOME JURARÁS” (Dt. 6:13). Jeová anuncia a criação de um novo céu e de uma nova terra, onde os que lá entrarem serão benditos no Deus da verdade; e aquele que jurar na terra, jurará pelo Deus da verdade; porque já estão esquecidas as angústias passadas, e estão encobertas aos olhos de Jeová (Is. 65:160-17).

Vejamos o mandamento de Jesus, contrário ao de Jeová: “Ouviste o que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás os teus juramentos a Jeová. Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande rei; nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. SEJA, PORÉM, O VOSSO FALAR: SIM, SIM; NÃO, NÃO; PORQUE O QUE PASSA DISTO É DE PROCEDÊNCIA MALIGNA” (Mt. 5:33-37). Jesus está afirmando que o juramento tem procedência maligna. BEM! Jeová entregou Jó à Satanás para sofrer a perda dos rebanhos, da fazenda, das casas, e também dos dez filhos que morreram (Jó 1:13-21). E quem deu a idéia a Jeová para fazer tamanha monstruosidade para com o justo Jó? Foi Satanás, que tentou a Jeová, dizendo: “Porventura não o cercaste tu de bens a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e o seu gado está aumentando na terra. Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema de ti na tua face! E disse Jeová a Satanás: Eis que tudo quanto tem está na tua mão” (Jó 1:10-12). O que Jeová fez foi de procedência maligna, pois partiu de Satã. E mais outra vez, o mal de Satanás, isto é, a peçonha da serpente, entrou fundo no coração de Jeová, que acabou entregando o corpo de Jó para ser macerado (Jó 2:1-7). Todo o mal é de procedência maligna, inclusive o juramento.

Moisés subiu ao monte Sinai para receber a lei das mãos de Jeová, e lá ficou quarenta dias. O povo, em baixo, imaginou que Moisés sumira, pediu a Arão que fabricasse um deus. Arão pediu os braceletes e pendentes de ouro, e fabricou o bezerro de ouro. O povo adorou o bezerro, dizendo: Este é o deus que nos tirou do Egito. E o povo assentou-se a comer e a beber; depois levantou-se para folgar. Jeová, cheio de ira, diz a Moisés: Este povo é obstinado; agora deixa-me, que o meu furor se acenda contra eles, e os consuma; e eu farei de ti uma grande nação (Ex. 32:1-10). Moisés, com a prudência de procedência benigna, diz: “Não se acenda a tua ira contra o teu povo que tiraste da terra do Egito com grande poder, porque os egípcios vão dizer: Para mal os tirou, para matá-los e destrui-los. Torna-te da tua ira e arrepende-te deste mal contra o teu povo. Lembra-te de Abraão, Isaque, e Jacó, e do juramento que lhes fizeste, dizendo: Multiplicarei a tua semente” (Ex. 32:11-14). E Jeová se arrependeu do mal irrefletido que ia fazer, pois era de procedência maligna.

Sobre o juramento de multiplicar a semente de Abraão como as estrelas do céu, de numerosa que seria (Gn. 15:1-6), Moisés escreveu, por mandado de Jeová, no capítulo das maldições da lei, o seguinte:“Se não tiveres cuidado de guardar todas as palavras desta lei, que estão escritas neste livro, para temeres este nome glorioso e terrível, Jeová teu deus, então Jeová fará maravilhosas as tuas pragas, e as pragas da tua semente, grandes e duradouras pragas, e enfermidades más e duradouras; e fará tornar sobre ti todos os males do Egito, de que tu tiveste temor, e se apegarão a ti. Também Jeová fará vir sobre ti toda a enfermidade e toda praga, que não estão escritas no livro desta lei, ATÉ QUE SEJAS DESTRUÍDO. E FICAREIS POUCOS HOMENS, EM LUGAR DE HAVERDES SIDO COMO AS ESTRELAS DOS CÉUS EM MULTIDÃO; porquanto não destes ouvido à voz de Jeová teu deus” (Dt. 28:58-62).

Ora, como lemos na carta aos Hebreus, no início deste estudo, o juramento foi feito baseado na imutabilidade do conselho de Deus, e não na instabilidade do comportamento humano. Ao mudar a promessa feita a Abraão com juramento, fica configurada a procedência maligna do juramento de Jeová. Não dá para crer num deus, que até em matéria de juramento é mentiroso.

Jeová estava irado contra o seu povo porque, guiando-os em todo caminho, ia adiante deles, de noite numa coluna de fogo para alumiar o caminho, e de dia numa coluna de nuvem; e o povo murmurava pela falta de água e comida. Então Jeová irou-se contra eles. O texto diz: “Ouvindo pois Jeová a voz das vossas palavras, indignou-se e jurou, dizendo: Nenhum dos homens desta maligna geração verá esta boa terra que jurei de dar a vossos pais” (Dt. 1:34-35). Este segundo juramento, de procedência maligna, que anulou o primeiro, de procedência benigna, prova coisas à respeito de Jeová:

1.   Prova que Jeová não conhece o futuro.

2.   O segundo juramento torna falso o primeiro, e assim Jeová profana o próprio nome (Lv. 19:12).

3.   Todo juramento é maligno, pois o primeiro, feito a Abraão, anulado, de benigno passou a maligno, e o segundo era já de natureza maligna. Para Jeová, essas coisas são naturais. Violar juramento não tem problema. Ele é o Todo poderoso. O profeta Malaquias diz: “E agora, ó sacerdotes, este mandamento vos toca a vós. Se o não ouvirdes, e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz Jeová dos exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e já as tenho amaldiçoado. Eis que eu corromperei a vossa semente, e espalharei esterco sobre os vossos rostos” (Ml. 2:1-3).

Davi, em oração, diz a Jeová: “Agora, pois, foste servido abençoares a casa do teu servo, para que esteja perpetuamente diante de ti; porque tu, Jeová, a abençoaste, e ficará abençoada para sempre” (I Cr. 17:27). Isto não é verdade, pois a casa de Davi se extinguiu em Jesus Cristo, que não casou, e não deu continuidade na linhagem de Davi. Jesus Cristo é o primeiro da nova criação, e por isso chamado de último Adão, prova que as coisas da velha acabaram (Lc. 16:16; 4:17-21; Rm. 10:4). Em Cristo acabou a lei e os profetas; acabou o Velho Testamento e o velho concerto, ficando só a história. Em Cristo acabou a primeira criação e começou uma nova, que é a do Pai.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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