(449) – O SANTO DE ISRAEL – V

O  SANTO  DE  ISRAEL  5

Jesus disse: “Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (Jo. 12:46). A luz desfaz as trevas, e a santidade desfaz a imundícia. É Jesus que nos santifica, pois o homem não tem condições de se santificar. Como a vontade de Deus é a nossa santificação, e o homem não pode santificar-se, Deus, o Pai, enviou seu Filho para nos santificar. E Jesus disse: “Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo, na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” (Hb. 10:9-10). E mais: “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições, o príncipe da salvação deles. Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos” (Hb. 2:10-11).

No Novo Testamento, é sempre Deus que santifica: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (I Ts. 5:23). E Paulo acrescenta mais: “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade” (II Ts. 2:13). Registramos as três formas de santificação do Novo Testamento. A santificação operada pelo Filho, isto é, Jesus Cristo, através da oblação de seu corpo; a santificação operada por Deus Pai, operada pela palavra, pois Jesus disse: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo. 17:17); e a santificação do Espírito Santo, que habita no cristão, enchendo-o de virtude (At. 1:8), enchendo-o de amor (Rm. 5:5), guiando (Jo. 16:13), abrindo nossos olhos (Ef. 1:17-18), regenerando (Tt. 3:5), mudando a nossa natureza (I Co. 6:10-11) e habitando em nós (I Co. 6:19-20).

Jeová, o santo de Israel (Lv. 19:2; 20:26), cujo nome é santo, pois Isaías disse: “Porque assim diz o alto e sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é santo: Num alto e santo lugar habito” (Is. 57:15), ordena aos filhos de Israel, dizendo: “Santos sereis, porque eu, Jeová vosso deus, sou santo” (Lv. 19:2). Que condições tinha o povo de Israel de ser santo? Nenhuma, pois Jeová exigia santidade do valor pessoal de cada um. Era mandamento, mas o mesmo Jeová declarou que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque (Ec. 7:20).

Se no Novo Testamento, que o cristão é santificado pelas três pessoas da trindade, os teólogos, pregadores e cristãos afirmam categoricamente que é impossível ser santo, que chance teria quem viveu antes de Cristo? Nenhuma. O agravante é que Jeová não mexia um dedo para levar um israelita a santificar-se; apenas exigia. Quando o justo pecasse uma vez, o profeta de Jeová declara: “Mas, desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniqüidade, fazendo conforme todas as abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as suas justiças que tiver feito não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, neles morrerá” (Ez. 18:24).

Há agravantes na justiça do santo de Israel, em relação aos homens carnais, pois não havia homens espirituais no Velho Testamento. Jesus disse a Nicodemos: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino dos céus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer de novo, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo, que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo. 3:3-6). No Velho Testamento não havia novo nascimento, e todos eram carnais, por isso não podiam deixar de pecar (I Rs. 8:46). E quando pecavam, em vez de receber auxílio para não pecar, eram entregues aos desejos de seus corações: “Mas o meu povo não quis ouvir a minha voz; Israel não me quis, pelo que eu os entreguei aos desejos dos seus corações, e andaram segundo os seus próprios conselhos” (Sl. 81:11-12). Na epístola aos romanos a narrativa é mais violenta: “Porquanto, tendo conhecido a deus, não o glorificaram como deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Pelo que também deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; pois mudaram a verdade de deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o criador, que é bendito eternamente. Amém. Pelo que deus os abandonou às paixões infames” e etc. (Rm.1:21-26). Em vez de amparar, Jeová entregava à corrupção, e endurecia para que não se convertessem: “Por que, ó Jeová, nos fazes desviar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração, para que te não temamos? Faze voltar, por amor dos teus servos, as tribos da tua herança” (Is. 63:17). Jeová, tudo o que fez, o fez por amor de si mesmo, e não por amor aos seus servos (Is. 48:9-11; Ez. 20:8-9). Jeová, o santo de Israel, não os salvou da opressão egípcia por amor a eles, mas por amor do seu nome (Sl. 106:8). Queria ser famoso… Queria ser adorado pelos homens… Queria ser glorioso neste mundo…

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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