(364) – SALOMÃO

SALOMÃO

         Neste mundo tenebroso onde vivem os homens, em luta constante contra a miséria e a fome, em luta contra pestes, pragas e maldições, em luta contra os próprios homens, cujos corações são fontes de maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias, segundo a declaração do próprio Senhor Jesus (Mt. 15:19-20); sim, neste mundo de crimes, mentiras, enganos, injustiças, escravidão, etc., existem alguns sortudos, bafejados pela sorte. Os mais bem aventurados de todos são aqueles que são os escolhidos por Jeová desde o ventre. Mencionaremos alguns:

Isaías, o profeta, um dos quatro maiores foi chamado desde o ventre. Ele mesmo o declara, dizendo: “Ouvi-me, ilhas, e escutai vós, povos de longe: Jeová me chamou desde o ventre, desde as entranhas da minha mãe fez menção do meu nome” (Is. 49:1). E disse mais Isaías: “E agora diz Jeová, que me formou desde o ventre para seu servo” (Is. 49:5).

Outro grande profeta, que profetizou quando o reino de Jeová, digo melhor, o reino de Judá foi levado para o cativeiro babilônico, assim falou: “Veio a mim a palavra de Jeová, dizendo: Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta” (Jr. 1:4-5). Este foi Jeremias, filho de Hilquias, o sacerdote.

Outro que foi chamado desde o ventre foi Davi, filho de Jessé, que escreveu o salmo vinte  e dois, e disse: “Tu és o que me tiraste do ventre, o que me preservaste estando ainda nos seios da minha mãe. Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu deus desde o ventre da minha mãe” (Sl. 22:9-10).

Houve mais predestinados quando ainda estavam no ventre da sua mãe, mas citaremos só mais um: SALOMÃO. Quem é Salomão? O quarto filho de Bate-Seba, a mulher com quem Davi cometeu um vergonhoso adultério, sabendo que era casada com um dos seus trinta e sete valentes (II Sm. 11:3-6; 23:39). Como a adúltera concebeu, Davi mandou buscar Urias, que estava no exército de Israel, pelejando contra os filhos de Amom (II Sm. 11:1, 6-8). Davi tentou forçar Urias a se deitar com a mulher para dizer que o filho era de Urias, mas este não entrou em casa. Passou a noite do lado de fora. Vendo que seus esforços eram inúteis, pois Urias era justo e santo, Davi deu ordem a Joabe, capitão do seu exército, que levasse Urias ao lugar mais aceso da batalha, e lá o abandonasse. O plano deu certo; a traição triunfou, e Urias, justo, morreu. E Davi casou com Bate-Seba, que teve cinco filhos. O primeiro morreu pelo pecado do pai, o que é uma aberração (II Sm. 12:13-14).

Como dissemos, Salomão foi o quinto filho de Bate-Seba (I Cr. 3:5). Salomão foi o décimo na linhagem do trono, conforme I Cr. 3:1-5. Nenhum dos que o precederam foi o predestinado desde o ventre. Só Salomão. Citemos as profecias. Jeová falou a Davi dizendo: “Eis que o teu filho que te nascer será homem de repouso; porque repouso lhe hei de dar de todos os seus inimigos em redor. Portanto Salomão será o seu nome, e paz e descanso darei a Israel nos seus dias. Este edificará casa ao meu nome, e ele me será por filho, e eu a ele por pai; e confirmarei o trono do seu reino sobre Israel, para sempre” (I Cr. 22:9-10). (Ler também I Cr. 28:4-5).

Jeová amou Salomão, quando ainda estava no ventre de sua mãe (II Sm. 12:24). E Salomão nasceu, cresceu, se tornou um jovem sábio e prudente, pois a sabedoria habita com a prudência. Quando se assentou no trono, após a morte de Davi, seu pai, orou a Jeová, dizendo: “Agora, pois, ó Jeová meu deus, tu fizeste o teu servo reinar em lugar de Davi meu pai. E sou ainda menino pequeno nem sei como sair, nem como entrar. E teu servo está no meio do teu povo que elegeste; povo grande que nem se pode contar, nem numerar, pela sua multidão. A teu servo, pois, dá um coração entendido para julgar o teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal; porque, quem poderia julgar a este teu tão grande povo? E disse-lhe Jeová: Porquanto pediste esta coisa, e não pediste para ti riquezas, nem pediste a vida dos teus inimigos, mas pediste para ti entendimento para ouvir causas de juízo, eis que fiz segundo as tuas palavras. Eis que te dei um coração tão sábio e entendido, que antes de ti teu igual não houve, e depois de ti teu igual não levantará. E também até o que não pediste te dei, assim riquezas como glória” (I Rs. 3:7-13). Jeová prometeu três coisas a Salomão: Paz (I Cr. 22:9); Sabedoria; riqueza e glória (I Rs. 3:12-13).

Comecemos pela riqueza. Jeová declarou dar a Salomão riqueza, mas não deu. A riqueza que Salomão recebeu veio de impostos pesados, isto é, jugo pesado sobre o povo. Expliquemos: Após a morte de Salomão, o povo falou a Roboão, seu filho, dizendo: “Teu pai agravou o nosso jugo; agora, pois, alivia tu a dura servidão de teu pai, e o seu pesado jugo que nos impôs, e nós te serviremos” (I Rs. 12:4).Roboão lhes respondeu: “Assim que, se meu pai vos carregou dum jugo pesado, ainda eu aumentarei o vosso jugo; meu pai vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões” (I Rs. 12:11). A Bíblia é clara. Salomão recebia anualmente 666 talentos de ouro, além do dos negócios, dos contratos, e dos reis da Arábia (I Rs. 10:14-15). 666 talentos de ouro são vinte e seis milhões de quilos de ouro tirados do sangue do povo pela grande sabedoria de Salomão. E Roboão, seu filho, confirmou essa verdade (I Rs. 12:14-15). Quanta sabedoria teve Salomão e que exemplo deu a seu filho para reinar em seu lugar.

É preciso notar que a sabedoria dada a Salomão por Jeová, era terrena, pois Jeová a comparou com a sabedoria de homens (I Rs. 3:12). Os outros reis cobravam impostos, Salomão cobrou muito mais, pois cobrou em nome de Jeová, e povo dava por temor das maldições da lei.

A tenebrosa sabedoria de Salomão, o levou à lubricidade, à voluptuosidade, à luxúria e à lascívia, pois casou com setecentas mulheres princesas, para fazer paz com reinos vizinhos, e teve mais trezentas concubinas, estas, escolhidas para deleite carnal; e todas mulheres estranhas, moabitas, amonitas, hetéias, sidônias, etc.; exatamente as que Jeová tinha proibido aos hebreus de unir-se a elas(I Rs. 11:1-3). Fica assim provado, que a sabedoria dada a Salomão por Jeová, era terrena, animal e diabólica (Tg. 3:13-17).

A coisa não fica por ai; as mil mulheres de Salomão lhe perverteram o coração, e o levaram à idolatria mais baixa, pois que adorou e seguiu a Astarote, deusa dos sidônios, e seguiu a Milcom, abominação dos amonitas, edificou um alto a Quemós, abominação dos moabitas diante de Jerusalém, e também a Moloque, abominação dos filhos de Amom, onde eram queimadas a fogo as crianças, e Jeová tinha proibido sob pena de morte (Lv. 18:21; 20:2-3). Pois Salomão chegou a esse extremo de estupidez, com a sabedoria dada por Jeová. E os filhos dos reis de Israel foram queimados vivos na boca do Moloque de Salomão (II Cr. 28:1-3; II Rs. 21:6).

E tem mais: O nome Salomão se traduz por pacífico. Jeová prometeu a Davi que durante o reinado de Salomão haveria paz total (I Cr. 22:9). Isso não se cumpriu, pois levantou adversários a Salomão e à Israel (I Rs. 11:14-23). E está escrito que estes dois adversários atormentaram a Salomão por todos os seus dias (I Rs. 11:25).

O maior mal causado pela sabedoria de Jeová, dada a Salomão, foi a divisão do reino de Israel em dois: “Disse Jeová a Salomão: Porquanto houve isto em ti, que não guardaste o meu concerto e os meus estatutos que te mandei, certamente rasgarei de ti este reino, e o darei a teu servo” (I Rs. 11:11). E Jeová, nos dias de Roboão, dividiu o reino de Israel em dois. Dez tribos deu a Jeroboão, filho de Nebate, e as tribos de Judá e Levi ficaram com Roboão (I Rs. 12:20).

Certamente Jeová sabia que o reino dividido não subsiste (Mt. 12:25). Se é assim, por quê dividiu? Porque queria destruir, e destruiu: “E disse Jeová: Também a Judá hei de tirar de diante de minha face, como tirei a Israel, e rejeitarei esta cidade de Jerusalém que elegi, como também a casa de que disse: Estará ali o meu nome” (II Rs. 23:27). Ora, Jeová afirma mil vezes que é deus, então tinha de saber que o reino dividido ia acabar. E Jeová mesmo destruiu os dois reinos, tendo poder para não destruir, pois disse a Israel: Vocês são o barro, eu sou o oleiro (Jr. 18:1-5).

No Apocalipse lemos que o número da besta é 666. Ora, um homem, que tendo recebido a sabedoria de Jeová, conseguiu fazer tanto mal ao reino de Israel, a ponto de destruí-lo, só podia ter o número da besta (Ap. 13:18; I Rs. 10:14).

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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