(494) – O PASTOR FERIDO

O    PASTOR    FERIDO

Jesus Cristo permaneceu incógnito trinta anos, e então veio da Galiléia ter com João, junto ao Jordão para ser batizado por ele (Mt.3:13). Assim se manifestou Jesus para realizar sua grande obra. Em seguida foi tentado por Satanás quarenta dias (Mt.4:1-11). Vitorioso, Jesus saiu a escolher os doze apóstolos. Pergunta-se: Por que Jesus escolheu doze apóstolos? Resposta: Porque Israel tinha doze tribos; um apóstolo para cada tribo. Quando Jesus sentasse no trono de Davi, teria doze ministros para governar com ele. Mateus, que pregou o evangelho do reino, relata as palavras de Cristo: “Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel” (Mt.19:28). Jesus só seria messias de Israel segundo a carne, segundo a profecia feita pela boca de Davi (At.2:30). Paulo confirma essa profecia, dizendo que Cristo só era de Israel e dos pais segundo a carne, não segundo o espírito (Rm.9:3-5). Quando Jesus morreu, os doze apóstolos o abandonaram. Por quê? Porque a morte de Cristo, sua prisão sem reação, revelava fraqueza. Era o fim do messias segundo a carne. Nenhum dos doze apóstolos esperava uma vida diferente da vida na carne. Jesus lhes disse: “Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão” (Mt.26:31). Lucas conta que, no dia da ressurreição, dois discípulos iam para a sua aldeia; Jesus se aproximou e disse: “Que palavra trocais entre vós, e por que estais tão tristes?” Eles contaram a Jesus tudo sobre a sua morte, porque não o reconheceram. Então disseram: “E nós esperávamos que fosse ele quem remisse a Israel; mas agora, é já o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram” (Lc.24:21). Eles estavam completamente alheios sobre o mistério da graça, que só foi revelado a Paulo anos depois (Ef.3:1-5).

Para os apóstolos, que estavam com os olhos fechados para a pregação de Jesus (Lc.18:31-34), a sua morte na cruz foi o fim do reino do messias prometido por Jeová. Jesus lhes disse: “Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos cada um para a sua parte; e me deixareis só; mas não estou só, por que o Pai está comigo” (Jo.16:32). E quem matou Jesus? Zacarias responde:“Ó espada, ergue-te contra o meu Pastor e contra o varão que é o meu companheiro, diz Jeová dos Exércitos; fere o pastor, e as ovelhas se dispersarão” (Zc.13:7). O Cristo crucificado era o maldito de Jeová (Dt.21:22-23). Por quê? Porque rejeitou sentar no trono de Davi quando disse: “O meu reino não é deste mundo” (Jo.18:36).

Davi profetizou que o Cristo, segundo a carne,sentaria no seu trono (At.2:30). Essa promessa foi feita também a Maria, que o gerou na carne (Lc.1:30-33). A profecia não se cumpriu, pois o Cristo ressuscitado era outro: “Assim, meus amados irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, afim de que demos fruto para Deus” (Rm.7:4). O apóstolo Paulo confirma isto, dizendo: “Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e ainda que também tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, contudo agora já o não conhecemos segundo a carne” (II Co.5:16). O Cristo segundo a carne era Salvador só de Israel; mas o Cristo ressuscitado é Salvador de todos(At.13:22-23; Mt.28:19). Antes da morte a ordem era para pregar só aos judeus (Mt.10:5-6). Depois da ressurreição, a ordem era para pregar a toda criatura (Mc.16:15-16).

Os cristãos pensam que foi Deus, o Pai, quem matou Cristo, porque assumiu nossos pecados. Ele não assumiu, e sim morreu por eles; é diferente. Quem matou foi Jeová, por vingança, porque não aceitou sentar no trono de Davi segundo a carne (Zc.13:7). Antes da morte Jesus era filho de Davi, segundo a carne; ressuscitado passou a ser Filho de Deus Pai, segundo o Espírito de santificação (Rm.1:3-4). E Jesus nos faz filhos de Deus quando cremos nele (Jo.1:12-13).

 

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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