(066) – OS CAMINHOS DE JEOVÁ

         “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz Jeová. Porque, assim como os céus são mais altos do que a Terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos” (Is. 55:8-9).

Os homens sempre foram bárbaros e hostis, e por consequência, guerreiros. As guerras traduzem a vontade de domínio ou o espírito vingativo que os homens têm. Por outro lado, uma população é heterogênea. Alguns são hostis e outros são mansos; uns são ousados e outros são tímidos; uns são gananciosos e outros são resignados. Este fato embaraçava os planos de um monarca ambicioso de poder, glória e riquezas. Foram então inventados deuses terríveis e guerreiros, que puniam os infiéis e premiavam os fiéis. O Valhala era um palácio glorioso onde os heróis mortos em batalha eram servidos  pelas Valquírias, segundo a mitologia. As Valquírias eram deusas guerreiras. Os deuses eram guerreiros e participavam das guerras ativamente.

Conta a mitologia grega que, quando os gregos velejavam para Tróia afim de recuperar Helena, mulher de Menelau, rei de Esparta, que fora raptada pelo troiano Páris, os deuses tomaram partido nesta guerra. Zeus, o todo poderoso chefe dos deuses do Olimpo, tentou afastar da batalha sua família em desavença, mas sua mulher, Hera, que favorecia os gregos, usou subtilíssimos perfumes que fizeram Zeus adormecer. Quando o rei dos deuses acordou, olhou para o campos de batalha e os troianos tinham sofrido pesadas baixas.

Cada povo tinha os seus deuses, e eram todos guerreiros. Na Índia, o deus da guerra era Indra, senhor dos deuses, dos ares e do raio. No Egito, Anta era a deusa da guerra, tinha em uma mão uma clava e na outra uma lança e um escudo. Ariman, deus persa, era o princípio de todos os males e criador de desgraças, pestes, males e enfermidades. O deus grego da guerra era Ares, o centro do seu culto era a Trácia. Ares identifica-se com Marte, deus da guerra, romano. Também havia deusas da guerra na Grécia e em Roma. Minerva era a deusa itálica da guerra, enquanto Palas presidia as batalhas na Grécia. Na Escandinávia, Tor, o deus da guerra, era o deus trovão, cujo ruído vinha do seu carro de guerra puxado por dois bodes, nos dias de tempestade. Um de seus inimigos era a serpente, Midgard, que provocava as tempestades. Tor era tido como filho de Odim  e Friga e habitava o Asgard, lugar de repouso da raça no céu. Odim, por sua vez, era o deus da guerra dos povos germânicos e trazia na mão uma enorme lança, o Gungnir, cujo golpe nenhuma força poderia aparar. Eram muitíssimos os deuses e muitas as  guerras.

Nas guerras, os vencedores passavam ao fio da espada os guerreiros. O povo era escravizado, as cidades saqueadas e as mulheres entregues aos soldados como prêmio. Era uma devastação infernal. Os príncipes e reis eram conduzidos acorrentados no retorno do exército, junto com os despojos, enquanto a multidão aclamava os vencedores.

Em meio a esse caos tenebroso de guerras, domínio, saques, violências, escravidão e crimes, surge mais um deus da guerra, cujo nome era Jeová. Moisés o define assim: “JEVOÁ É VARÃO DE GUERRA; JEOVÁ É O SEU NOME” (Ex. 15:3). Davi o define com as seguintes palavras: ”E saberá toda esta congregação que Jeová salva, não com espada, nem com lança; PORQUE DE JEOVÁ É A GUERRA, e ele vos entregará na nossa mão” (1 Sm. 17:47). E Jeová, o deus de todas as guerras, declarava guerra eterna contra um povo, coisa que os outros deuses nunca fizeram. “Jurou Jeová que haverá guerra de Jeová contra Amaleque de geração em geração” (Ex. 17:16).

Jeová tinha um livro secreto onde estavam assinaladas as nações malquistas para futuras guerras. “Pelo que se diz nos livros das guerras de Jeová; contra Vaebe em Sufa, e contra os ribeiros de Arnom” (Nm. 21:14). Israel foi a nação eleita por Jeová, não para salvar as nações, nem tampouco para ensiná-las no caminho do amor, mas foi eleita essa nação para despedaçar as nações. “Israel é a tribo da sua herança; Jeová dos exércitos é o seu nome, tu és o meu martelo e minhas armas de guerra, e contigo despedaçarei as nações, e contigo destruirei reis. Contigo despedaçarei o cavalo e seu cavaleiro; e contigo despedaçarei o carro e o que vai nele. Contigo despedaçarei o homem e a mulher; e contigo despedaçarei o velho e o moço; e contigo despedaçarei o mancebo e a virgem; e contigo despedaçarei o pastor e o seu rebanho; e contigo despedaçarei o lavrador e a sua junta de bois; e contigo despedaçarei os capitães e magistrados, e pagarei a Babilônia, e a todos os moradores da Caldéia toda a sua maldade” (Jr. 51:19-24). Aqui Jeová está em guerra contra a Babilônia de quem disse: “E agora eu entreguei todas estas nações na mão de Nabucodonozor, rei da Babilônia, meu servo” (Jr. 27:6).

Jeová guerreou contra todos os povos. Contra os filisteus, moabitas, amonitas, edomitas, siros, assírios, elamitas, árabes, caldeus, guerreou contra Tiro e Sidon (Ez. 27:26-28). Guerreou contra seu povo Israel.

Jeová se sentia glorificado na guerra. Quando Jeosafá estava em guerra com os filhos de Amon, e juntamente com o povo orou a Jeová, este disse: “Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão, pois esta peleja não é vossa, mas minha” (2 Cr. 20:15).

O que surpreende o leitor do Velho Testamento é Jeová ter dito: “Os meus pensamento não são os vossos pensamentos, nem os meus caminhos os vossos caminhos”. Isto não é verdade, pois naquele tempo os reis só pensavam em guerra e Jeová também.

Jesus revelou um Deus diferente, cheio de amor e perdão, manso e humilde, salvador de todos e com uma marca inconfundível: A PAZGraça e paz de Deus vosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (Rm. 1:7). “Se for possível, quando estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Rm. 12:18). “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm. 14:17). “Deus chamou-nos para a paz” (1 Co. 7:15). “Vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco” (2 Co. 13:11). “E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Fl. 4:7).

Autoria: Pr. Olavo Silveira Pereira 

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