(229) – O APÓSTOLO PAULO – I

O APÓSTOLO PAULO – I

Os fariseus eram uma das principais seitas dos Judeus, e de grande influência sobre o povo. Insistiam no cumprimento rigoroso da lei e das tradições. Existiam dois grupos de fariseus. Os hipócritas e os sinceros e fiéis.

Antes da sua conversão a Cristo, seu nome era Saulo (no hebraico Shaul). Após a conversão, seu nome foi mudado para Paulo. Shaul vem da mesma raiz hebraica sheol, que se traduz por morte, inferno, sepultura. O nome grego Paulo quer dizer pequeno, pois se considerava o menor dos apóstolos  (I Cor.15:9).

Paulo faz a sua confissão religiosa antes de conhecer Jesus Cristo como Filho de Deus, o Pai. “Se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu. Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus, segundo a lei, fui fariseu, segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível”(Fp. 3: 4-6). Paulo era sincero e extremamente rigoroso em matéria de religião. “ A minha vida, pois, desde a mocidade, qual haja sido, desde o princípio, em Jerusalém, entre os da minha nação, todos os judeus o sabem, sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita na nossa religião, vivi  fariseu” (At. 26:4,5).

Paulo confessa também, que, como bom judeu, fiel a seus princípios religiosos, perseguia a Igreja de Deus. “Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a Igreja de Deus e a assolava. E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais”. Gál. 1: 13,14. Como todo israelita zeloso da sua religião e fiel  ao seu deus, de nome Jeová, Paulo procurava por todos os meios combater, destruir e eliminar da face da terra a seita dos nazarenos (Atos 24: 5). E continua sua confissão: “Quanto a mim, sou varão judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zelador de Deus, como todos vos hoje sois. E persegui este caminho até a morte, prendendo e metendo em prisões, tanto varões como mulheres, como também o suma sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos anciões; e, recebendo destes cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer manietados para Jerusalém aqueles que ali estivessem, afim de que fossem castigados” (At. 22:3-5). E continua sua tenebrosa confissão, dizendo: “Bem tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus nazareno devia eu praticar muitos atos; o que também fiz em Jerusalém. E, havendo recebido poder dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam, eu dava o meu voto contra eles. E, castigando- os muitas vezes pelas sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui” (At. 26:9-11).

Essa fúria odiosa e perseguidora vinha do deus a quem Paulo servia quando ainda era Saulo. “Porque um fogo se acendeu na minha ira, e arderá até o mais profundo do inferno, e consumirá a terra com a sua novidade, e abrasará os fundamentos dos montes. Males amontoarei sobre eles, as minhas setas esgotarei contra eles. Exaustos serão de fome, comidos de carbúnculo (antraz) e de peste amarga; e entre eles enviarei dentes de feras, com ardente peçonha de serpentes do pó. Por fora devastará a espada, e por dentro o pavor; ao mancebo, juntamente com a virgem, assim à criança de mama, como o homem de cãs” (Deut. 32:22-25).Esse espírito odioso de Jeová passou para seus servos. O rei Davi, tão justo e bondoso recebeu esse espírito. “Não aborreço eu, ó Jeová, aqueles que te aborrecem, e não me aflijo pelos que se levantam contra ti? Aborreço- os com ódio completo; tendo- os por inimigos” (Sl. 139 21,22). É o espírito de Jeová; passando para os seus fiéis servos. O espírito santo de Jeová não é a favor dos homens como no Novo Testamento, mas é contra. “Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu  Espírito Santo; pelo que se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles” (Is. 63:10). Sansão recebia o poder de matar quando o espírito de Jeová se apoderava dele (Jz. 14:19; 15:14,15). A unção trazia o espírito de Jeová sobre o eleito. “Então Samuel tomou o vaso de azeite, e ungiu-o no meio dos seus irmãos; e desde aquele dia em diante o espírito de Jeová se apoderou de Davi” (1 Sam. 16:13). Jeová mandou Elias ungir  Hazael rei sobre a Síria, ungir Jeú rei sobre Israel, e ungir Elizeu profeta em seu lugar. Os três receberam pela unção o poder de matar pelo espírito de Jeová (1 Reis 19:15-17). Jeová, então, pela boca do profeta Oséias, diz: “Por isso os abati pelos profetas; pela palavra da minha boca, os matei” (Os. 6:5).

Quando Saulo teve um encontro pessoal com o Senhor Jesus Cristo, o espírito assassino e perseguidor de Jeová saiu, e pela imposição das mãos de Ananias recebeu o Espírito Santo do Pai (At. 9:17,18). Paulo mudou de senhor e mudou de vida e de nome. De perseguidor furioso e fiel a Jeová, mudou para o servo humilde e perseguido de Jesus. O ódio saiu, e o seu coração transbordou do amor de Cristo que vem pelo Espírito Santo, conforme Romanos 5:5 e 15:30. O antigo matador agora dava a vida pelos que perseguia (At. 21:10-14; 14:19; 1 Cor. 15:31).

O religioso fiel e zeloso da lei, que perseguia e matava seguindo o exemplo de Elias, Elizeu, Jeú, Davi, Sansão, Samuel e tantos outros que obedecem a Jeová, agora, em obediência a Jesus Cristo e cheio do Espírito Santo do Pai, rejeitou toda aquela bagagem espiritual herdada dos pais. Não é fácil se desligar de conceitos e tradições. Paulo compara essa conquista com uma crucificação tão dolorosa como a de Jesus e declarou: “Os que são de Cristo crucificaram a carne com suas paixões e concupiscência” (Gal. 5:24).

Paulo conseguiu essa façanha. “Já estou crucificado com Cristo, e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim, e a vida que agora vivo na carne vivo- a na fé do Filho de Seus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gal. 2:20). Paulo estava tão convencido de sua antiga fé em Jeová e de sua lei, que nos legou a seguinte confissão: “Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem pela lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” (Fp. 3:8-9). É preciso notar que Paulo não disse: Sofri a perda de todas as, mas disse: Sofri a perda de todas estas coisas. Quais coisas? As que Paulo se refere neste capítulo. Para Paulo, ser circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu  de hebreus; fariseu segundo a lei; tudo esterco, tudo lixo, tudo tradição que não leva a nada, tudo soberba. Paulo, quando Cristo entrou no seu coração, deixou de ser deste mundo, deixou de ser carnal, e nos diz: SEDE MEUS IMITADORES, COMO TAMBÉM EU SOU DE CRISTO (1 Cor. 11:1).

 

Autoria: PASTOR OLAVO SILVEIRA PEREIRA

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