(152) – A TRINDADE – II

A TRINDADE – II

 

A Trindade é um grande mistério, pois sendo três pessoas com funções diferentes, são uma só em essência; “Porque três são os que testificam no céu: O Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um” (I Jo. 5:7). Este texto é considerado espúrio, pois não se encontra no grego, mas considerando que as Escrituras foram produzidas pelo Espírito Santo, esse texto não estaria na Bíblia (II Pd. 1:21). De mais a mais, ficou fartamente provado no primeiro estudo a realidade da trindade (Mt. 28:19). Como dizíamos, são três funções diferentes, apesar de serem um. É a unidade e inseparabilidade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

  • - No Espírito Santo está a imensidade (At. 2:2-4). O maravilhoso é que, sendo o Pai a eternidade, o Filho tem a eternidade do Pai (Jo. 5:21, 26). E da mesma forma a vida está no Espírito Santo (Rm. 8:11). Assim também, a imensidade e a simplicidade são a substância dos três.
  • - No Pai está a caridade, pois o Pai é amor (I Jo. 4:7-8). No Filho está a liberalidade, pois através do Filho nos dá todas as coisas (Rm. 8:31-32). No Espírito Santo está a qualidade, pois do Pai não vem coisa ruim ou danosa (Tg. 1:17; Gl. 5:22). E de forma inexplicável, mas real, a caridade, a liberalidade, e a qualidade, estão presentes no Pai, no Filho, e no Espírito Santo; e o que é mais extraordinário, estas três coisas fazem parte do homem nascido de novo, isto é, nascido do Pai (I Jo. 4:7-8), nascido do Filho (Jo. 1:12-13), e nascido do Espírito Santo (Jo. 3:3-6). E é por isso que Jesus disse: “Para que todos sejam um, como tu, o Pai, o és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo. 17:21).
  • - O Pai se apropria da unidade (Ef. 4:6). O Filho se apropria da verdade (Jo. 14:6). O Espírito Santo se apropria da bondade, pois no Espírito está o amor (Rm. 5:5; 15:30). Assim que, a unidade se apropria do Pai, que é a origem de todas as coisas. A verdade se apropria do Filho, que procede do Pai como Verbo, e a bondade se apropria do Espírito Santo, que procede de ambos como amor, e dom. Ao Pai só convém enviar; o Filho é enviado pelo Pai; e envia o Espírito Santo; e o Espírito Santo é enviado pelo Pai e pelo Filho. Mas como o Filho subiu para o Pai após a ressurreição, deixando o Espírito Santo em seu lugar, o Espírito Santo também envia, pois no livro dos Atos dos apóstolos lemos: “E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Paulo para a obra a que os tenho chamado” (At. 13:2). “Olhai pois por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vós constitui bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele resgatou com o seu próprio sangue” (At. 20:28).

Vamos estudar pelas Escrituras a eternidade da Trindade. O Pai é eterno, pois Paulo disse: “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível” (I Tm. 6:16). O Filho é coeterno com o Pai, pois Jesus declarou: “E agora glorifica-me tu, o Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo. 17:5). E o Espírito Santo também é eterno pois é o sopro de Deus. “E, havendo dito isto, assoprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (Jo. 20:22). Ora, o sopro de Jesus é o Espírito Santo, que procede do Pai, como falou Jesus: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito da verdade” (Jo. 14:16-17).

Vamos analisar se a trindade governa este mundo. Ao que parece, pelas Escrituras, a Trindade não governa este mundo pelos seguintes motivos:

O governo deste mundo está nas mãos de Satanás. “E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Darte-ei a ti todo este poder e a sua glória, PORQUE A MIM ME FOI ENTREGUE, E DOU-O A QUEM QUERO” (Lc. 4:5-6).  E Jesus não negou a declaração do diabo ao rejeitar a oferta. João declara que o governo deste mundo está nas mãos do maligno (I Jo. 5:19) (Bíblia de Jerusalém). Quando uma pessoa crê em Jesus Cristo, os olhos se abrem, sai das trevas e do poder de Satanás. Este foi o ministério que Paulo recebeu de Jesus, quando lhe disse: “Levanta-te e põe-te sobre os teus pés, porque te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda; livrando-te deste povo, e dos gentios a quem agora te envio, para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres a luz, e do poder de Satanás a Deus; afim de que recebam a remissão dos pecados, e a sorte entre os santificados pela fé em mim” (At. 26:16-18). A Trindade vai passar a governar a pessoa libertada, por isso Jesus disse:“Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt. 28:19). Quando Jesus diz: “Todo o poder me foi dado no céu e na terra”, não está assumindo o governo deste mundo, mas esta declarando que pode libertar o homem do dono deste mundo (Mt. 28:18). As igrejas que pregam a prosperidade material, pedem bens materiais ao Pai e a Jesus, como se eles detivessem poder sobre as coisas deste mundo, e recebem do deus deste mundo, pois Jesus manda não buscar esses bens em Mt. 6:19-21. Como Jesus declarou peremptoriamente que não é deste mundo em Jo. 8:23, e também que os seus discípulos também não são deste mundo em Jo. 15:19 e 17:16, a única maneira de provarmos que somos de Jesus é não buscar as coisas deste mundo. Temos de vencer o mundo com a fé (I Jo. 5:4).

Há uma coisa enganando os cristãos. Se a Trindade não está no governo deste mundo; e se Jesus manda não buscar as riquezas materiais (Lc. 14:33), e se Paulo ao renunciar tudo, declarou que o que renunciava era esterco (Fl. 3:3-8), como explicar que Jeová se declarou deus deste mundo em Is. 43:12-13 ? Declarou que é o rei deste mundo (Sl. 47:2-8), e declarou que é o deus do ouro e da prata; e declara que é o deus da guerra, pois é o senhor dos exércitos. Se a Trindade não governa este mundo e Jeová governa, está sentado no trono de Satanás, ou Satanás está a sua direita.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

 

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