(198) – A COERÊNCIA DE DEUS – II

A coerência de Deus

 

Parte 2

Coerência é ligação entre idéias expostas; conexão; harmonia. Deus é absoluto, perfeito, reto, justo e coerente nas suas leis, nos seus propósitos, nas suas obras e nos seus atos. Por outro lado, incoerência é falar uma coisa e proceder de outra maneira. É agir de uma forma numa ocasião e de outra forma em outra ocasião. É julgar por um critério numa situação e com um outro critério numa outra ocasião.

Leiamos a palavra de Moisés sobre Jeová: “… porque apregoarei o nome de Jeová; dai grandeza ao nosso deus. Ele é a rocha cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos juízo são. Deus é verdade e não há nele injustiça; justo e reto é” (Dt. 32:3-4).

Pela declaração de Moisés, Jeová, o deus dos hebreus, é perfeito em todas as suas obras. No entanto, há passagens que põem em dúvida a perfeição e a coerência de Jeová:

  1. Na lei de Jeová está escrito: “Os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos pelos pais. Cada qual morrerá pelo seu pecado” (Dt. 24:16). Porém, o profeta Isaías fala outra coisa: “Preparai a matança dos filhos por causa da maldade de seus pais, para que não se levantem e possuam a terra e encham o mundo de cidades, porque me levantarei contra eles, diz Jeová dos exércitos” (Is. 14:21-22). A prova que Jeová mata os filhos por causa do pecado dos pais está em Davi, o amado de Jeová. Davi pecou cometendo um adultério e um homicídio. Jeová então pronunciou a sentença: “Todavia, porquanto com este feito deste lugar a que os inimigos de Jeová blasfemem, também o filho que te nasceu certamente morrerá” (II Sm. 12:14-18). Neste caso não se vê coerência em Jeová.
  2. As “Sagradas Escrituras” do Velho Testamento têm de ser infalíveis, ou então não podem ser consideradas “sagradas”. Davi declarou acercas de Jeová: “É ele que perdoa todas as tuas iniqüidades e sara todas as tuas enfermidades” (Sl. 103:3). Mas Jeová não perdoa e nem sara “todas”. Não perdoou a Davi, por exemplo. Através de Jeremias, diz Jeová cheio de fúria: “Fá-los-ei em pedaços uns contra os outros, e juntamente os pais com os filhos, diz Jeová; não perdoarei nem pouparei, nem deles terei compaixão, para que os não destrua” (Jr.13:14). O profeta Ezequiel é ainda mais contundente, dizendo: “Pelo que também eu procederei com furor; o meu olho não poupará, nem terei piedade. Ainda que gritem aos ouvidos com grande voz, eu não os ouvirei” (Ez. 8:18). Há muitos outros textos afirmando que Jeová não perdoa (Ez. 5:11-12; Dt. 29:20; II Rs. 24:3-4, etc.). Além disso, contrariando o que diz o Salmo 103:3, Jeová não cura todas as enfermidades. O profeta Naum diz:“Não há cura para a tua ferida; a tua chaga é dolorosa”. (Na. 3:19). A respeito de Israel, o profeta Miquéias declara: “Porque a tua chaga é incurável” (Mq. 1: 1-9). Agora fala o profeta Jeremias:… “De todo tu rejeitaste a Judá? Ou aborrece a tua alma a Sião? Porque nos feriste e não há cura para nós?” (Jr. 14:19). Portanto, não há coerência também aqui.
  3. Isaías disse: “Deixe o ímpio o seu caminho e o homem maligno os seus pensamentos e se converta a Jeová, que se compadecerá dele; torne para o nosso deus porque grandioso é em perdoar” (Is. 55:7).Porém, Salomão falou de forma diferente, da parte de Jeová: “….Mas porque clamei e vos recusastes; porque estendi a minha mão e não houve quem desse atenção. Antes rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão; então eu me rirei na vossa perdição e zombarei vindo o vosso temor. Vindo como assolação o vosso temor e vindo a vossa perdição como tormenta, sobrevindo-vos aperto e angústia, então a mim clamarão, mas eu não responderei; de madrugada me buscarão mas não me acharão” (Pv.1:24-28). Jeová é incoerente, pois primeiro disse que se compadeceria e depois manda enfermidades mortais e sem cura (Dt. 28:22, 27, 60 e 61).
  4. Jeová proibiu o seu povo Israel de casar com mulheres estranhas: “…Quando Jeová te tiver introduzido na terra a qual vais possuir e tiver lançado fora muita gente diante de ti, os heteus, os girgazeus, os amorreus, os cananeus, os periseus, os heveus e os jebuzeus, sete povos mais numerosos e mais poderosos do que tu; e Jeová as tiver dado diante de ti para as ferir, totalmente as destruirás. Não farás com elas concerto nem terás piedade delas nem te aparentarás com elas; não darás as tuas filhas aos seus filhos e nem tomarás as suas filhas para teus filhos” (Dt. 7:1-3). Essa proibição está também em Ez.34:15-16 e Js. 23:12-13. De forma incoerente, porém, Jeová diz o seguinte em outra ocasião:“Quando saíres à peleja contra seus inimigos e Jeová os entregar nas tuas mãos e tu deles levares prisioneiros e tu entre os presos vires uma mulher formosa à vista, e a cobiçares e a queiras tomar por mulher, então a trarás para a tua casa; e ele a rapará a sua cabeça e cortará suas unhas e despirá o vestido do seu cativeiro e se assentará na tua casa e chorará seu pai e sua mãe um mês inteiro; e depois entrarás a ela e tu serás seu marido e ela será tua mulher. E será que, se não te contentares com ela, a deixarás ir à sua vontade” (Dt. 21:10-14). Portanto, para Jeová não há casamento. O homem toma uma mulher, usa à vontade, enjoa e dá-lhe um pontapé. Alem de incoerência, essa atitude revela também uma grande injustiça para com aquela mulher.
  5. Na lei de Jeová estava escrito que se o marido achasse alguma coisa feia na esposa, poderia mandá-la embora, dando-lhe uma carta de repúdio. Se aquela mulher ser casasse com outro marido, não poderia mais tornar ao primeiro, pois já estava contaminada. Isto seria abominação para Jeová, como diz Dt. 24:1-4. Ora, Abrão era marido de Sarai e por medo dos egípcios, devido ao fato de Sarai ser formosa, ordenou que ela dissesse que era sua irmã. Faraó então a tomou por mulher por longo tempo; o suficiente para Abrão enriquecer. Depois que Abrão enriqueceu, Jeová feriu Faraó com pragas. Faraó então devolveu Sarai a Abraão, a qual pelo critério da lei já estava contaminada. Se Jeová pretendia ferir a Faraó, porque não o fez antes que Sarai fosse contaminada, preservando-a para Abrão?  Jeová tem duas medidas ou será que permitiu a contaminação de Sarai a pretexto de enriquecer o traído Abrão? Será que antes de dar a Lei, Jeová pensava de uma forma e depois de dar a Lei começou a pensar de outra forma? Não há coerência! Acontece que em Gênesis 20 lemos que Abrão seguiu aquele mesmo exemplo, usando um  artifício mentiroso com Abimeleque, rei de Gerar, o qual quis também tomar Sarai como esposa. Desta vez, no entanto, Jeová não permitiu e apareceu em sonho a Abimeleque, dizendo-lhe: “Se tocares em Sarai és um homem morto”. Os comportamentos diferentes de Jeová nas duas ocasiões confirmam sua incoerência. Primeiro, apoiou a mentira de Abrão para com Faraó e depois não apoiou a outra atitude semelhante para com o rei Abimeleque. Permitiu que Faraó contaminasse Sarai pelo adultério e proibiu Abimeleque de tocá-la, depois que já havia sido contaminada.

Um deus incoerente assim jamais poderia ser o pai de Jesus. Nem tampouco o Filho, embora digam por aí que Jeová é Jesus. Acontece que Jesus não é incoerente como Jeová tantas vezes revelou ser. Aliás, se Jeová fosse Jesus, quem seria o Pai a quem Jesus orava?

Autoria Pastor Olavo S. Pereira

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