(451) – OS DOIS FILHOS

 OS  DOIS  FILHOS

Abraão teve dois filhos: um que era dele e outro que não era dele. Expliquemos: Jeová chamou Abraão para ser uma grande bênção, mas Sarai era estéril. Jeová manda Abraão olhar para o norte e para o sul; para o oriente e para o ocidente, e promete dar toda aquela terra à sua semente (Gn. 13:15). Os anos se passavam e Sarai continuava estéril, e cansada de esperar o milagre, diz a Abraão: Eis que Jeová me tem impedido de ter filhos. Entra pois à minha serva; porventura terei filhos dela. E entrou Abrão a Agar egípcia, e ela concebeu. (Isto se deu dez anos após a promessa – Gn. 16:1-4). Depois de vinte e cinco anos da promessa, quando Ismael, filho da escrava egípcia tinha quatorze anos e Abraão 99 anos, Sara foi fecundada por Jeová, e lhe deu um filho, cujo nome foi Isaque (Gn. 21:1-5).

Como dissemos acima, Abraão teve dois filhos, um que era seu, e outro que não era. O que era dele nasceu segundo a carne, isto é, nasceu da cópula carnal com Agar. O que não era dele, foi gerado por obra de Jeová, logo não era filho de Abraão.

O que era de Abraão, o anjo lhe pôs o nome de Ismael (Gn. 16:11).

O que não era de Abraão, Jeová deu o nome de Isaque (Gn. 17:19).

O filho legítimo de Abraão, gerado no ventre de Agar, foi rejeitado antes de nascer. Isto está em Gn. 16:4-11. E esta rejeição se concretizou mais tarde, quando Ismael, o filho carnal de Abraão, perseguia o filho carnal de Jeová (Gn. 21:9-13). Falamos filho carnal de Jeová porque Jeová gerou Isaque carnalmente no ventre carnal de Sara. Então aconteceu algo difícil de compreender:

O filho que era de Abraão foi rejeitado como não sendo filho, e mandado embora tanto por Abraão como por Jeová (Gn. 21:9-12). E o filho que era de Jeová foi tido como legitimo filho e herdeiro de Abraão. É por isso que quando Abraão ofereceu Isaque em sacrifício a Jeová, diz a Bíblia que Abraão ofereceu o seu unigênito (Hb. 11:17).

É de se notar que Abraão, após a morte de Sara, casou novamente com Quetura, e gerou mais seis filhos, alem de Ismael, cujos nomes são: Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque e Suá. Estes seis, afora os filhos das concubinas (Gn. 25:1-7). Mas Abraão deu presentes a todos os seus filhos, e o herdeiro de tudo o que tinha, foi Isaque, o que não era seu filho. Ismael também não teve herança.

O problema está em que Jeová gerou Isaque carnalmente, logo Isaque não pode ser unigênito, pois unigênito é o único gerado. No Novo Testamento lemos que Deus não gera filhos na carne. O apóstolo João escreveu: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; os quais crêem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo. 1:12-13). E se Deus na gera filhos na carne, como Jeová gerou Isaque na carne? No Novo Testamento está escrito, que todo homem gerado em carne pelos pais carnais, para ser filho de Deus tem de nascer de novo, isto é, tem de ser gerado espiritualmente pelo Espírito Santo. A história se deu da seguinte maneira: “Um certo fariseu, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus, foi ao encontro de Jesus, à noite, e disse: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus, porque ninguém pode fazer os sinais que tu fazes, se Deus não for com ele. Jesus respondendo, disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer de novo, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, na pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo. 3:1-6). Pela explicação de Jesus em Jo. 3:1-6, Isaque não podia ser unigênito de Abraão, pois foi gerado por Jeová na carne, e na carne Abraão teve o primogênito, que foi Ismael, e mais seis filhos de Quetura, afora os filhos das concubinas. E também Isaque não pode ser unigênito no espírito, porque não nasceu de novo pelo Espírito Santo.

Paulo, entretanto, dá a sua versão, para não nos deixar de cabelos brancos. Ele diz: “Dizei-me os quereis estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei? Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. Todavia o que era da escrava nasceu segundo a carne, mas o que era da livre, por promessa. O que se entende por alegoria; porque estes são os dois concertos, um, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós” (Gl. 4:21-26).

Agora eu pergunto: Foi com Agar e os ismaelitas, descendentes de Ismael, que Jeová fez concerto no Sinai? Não! Jeová fez concerto com os descendentes de Isaque no monte Sinai. Como fica? Expliquemos:

Paulo declara que as duas mulheres e seus filhos são uma alegoria. Numa alegoria, os elementos usados não são reais. Assim Agar e seu filho são um concerto, e Sara e seu filho, outro concerto. No concerto da herança terrena, que é a Jerusalém da terra, estão Agar e seus filhos, que são rejeitados. Sara e seus filhos são a herança celestial, isto é, o concerto da graça, e dos livres do cativeiro carnal deste mundo. O texto de Gl. 4:21-31explica as duas heranças.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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