(426) – SERVIDÃO DA CORRUPÇÃO – III

SERVIDÃO DA CORRUPÇÃO 3

O apóstolo Paulo faz a seguinte declaração: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou. Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Rm. 8:18-23). Neste texto lemos as seguintes revelações de caráter assustador:

1. Toda a criação está submetida a um poder maligno, tenebroso e injusto.

2. O jugo maligno a que está sujeita a criação é a VAIDADE. Que vem a ser vaidade? São as coisas vãs e fúteis. Desejo de brilhar, de atrair a admiração dos outros. Presunção ridícula, fatuidade, ostentação, vanglória. O antônimo da vaidade é a modéstia. A definição de vaidade retrata com fidelidade o mundo em que vivemos. Salomão, o sábio, disse: ‘Avel avalim, amar koelet, avel avalim, avel, avel’. Em português: “Vaidade de vaidades! diz o pregador, vaidade de vaidades! é tudo vaidade” (Ec. 1:2). O rico tem vaidade da riqueza que possui; o sábio tem vaidade da sabedoria; o rei tem vaidade do trono e do poder; o cantor tem vaidade da sua fama; o poeta do seu dom; a beleza física de uma mulher é a sua vaidade, ainda que seja ignorante; os atores teatrais são vaidosos; a moda vive da vaidade; anéis, braceletes, colares, pendentes, jóias, brincos, é tudo vaidade. Os habitantes de uma grande nação são soberbos. Um homem musculoso anda exibindo o bíceps.A vaidade é a mãe de todos os males. Um homem de grande habilidade comercial valoriza-se. O ato de valorizar-se revela vaidade, e leva a soberba. O mesmo acontece em outras áreas da atividade humana. Houve época em que a prostituta se escondia de vergonha. Agora é chique exibir-se despudoradamente.O fato é que o mundo está debaixo de um governo tenebroso e maligno de corrupção. É a servidão da corrupção que o texto de Paulo revela.

3. Nessa esfera negra de ódio, traição, guerras, pestes, mentiras, atrocidades, crimes, roubos, sodomia, lesbianismo, adultérios, pedofilia, bestialidade, vícios, drogas, sedução, ilusões e engano, não há filhos de Deus, pois Paulo diz que a criatura será libertada da servidão da corrupção para a liberdade da glória dos filhos de Deus. E a criação geme e está com dores de parto (Rm. 8:21-22).Como Deus, o Pai, não gera filhos na carne, até Jesus não havia filhos de Deus. O apóstolo João declara, a respeito da encarnação de Jesus Cristo: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo. 1:1213). Os filhos de Deus só surgiram no Novo Testamento.

4. Se a criação estava sujeita a vaidade, debaixo de uma servidão da corrupção imposta por um poder diabólico, Deus, o Pai, não estava no governo deste mundo, mesmo porque este mundo é um abismo(Sl. 104:5-6), e o abismo é a morada dos mortos (Rm. 10:6-7); e o abismo é o inferno, onde reina Satanás (Is. 14:13-15), e Deus não se senta no trono de Satanás.

Toda a cristandade de todas as denominações ouve os teólogos pregarem sobre a maior figura bíblica. Nos dias de José, no Egito, o povo de Israel se multiplicou muitíssimo. Com a morte de José, o novo Faraó impôs uma carga pesada para o povo, um jugo insuportável. Jeová apareceu a Moisés na sarça, e o enviou como libertador, com uma vara milagrosa. Com a vara, Moisés fez grandes sinais, produzindo pragas terríveis. A décima, que foi a morte dos primogênitos, liquidou com Faraó, que deixou o povo sair livre, para ir à terra de Canaã, terra abençoada e frutífera (Ex. 3:7-10).

Pregam todos os intérpretes que o Egito é a figura do mundo em que vivemos. A escravidão do povo hebreu é figura da servidão do pecado. O povo de Israel é figura dos cristãos. Moisés é figura de Jesus. Faraó é figura de Satanás, como diz Ezequiel: “Assim diz o senhor Jeová: Eis-me contra ti, ó Faraó, rei do Egito, grande dragão” (Ez. 29:3). E no Apocalipse lemos que o dragão é Satanás (Ap. 12:9). Sendo assim, da mesma forma que Israel estava submetida a Faraó, o povo de Deus, isto é, a cristandade está submetida a Satanás, e não a Deus. A figura tem de ser completa. É por isso que João declara que o mundo jaz no maligno (I Jo. 5:19). E Paulo também declara que toda a criação estava sujeita a vaidade, e a servidão da corrupção até a encarnação de Jesus. Se estava submetida ao poder satânico e às trevas, Deus não estava no governo deste mundo.

Como pode ser que Jeová tenha declarado que governa este mundo? “Porque o reino é de Jeová, e ele domina entre as nações” (Sl. 22:28). “Ele domina eternamente pelo seu poder; os seus olhos estão sobre as nações; não se exaltem os rebeldes” (Sl. 66:7). “Dizei entre as nações: Jeová reina; o mundo também se firmará para que se não abale. Ele julgará os povos com retidão” (Sl. 96:10).

Se, pela lógica, Deus não estava no governo deste mundo antes de Cristo, e Jeová afirmava governar este mundo, ou Jeová estava subordinado ao poder maligno, ou Jeová foi vencido pelo maligno, ou Jeová é o maligno. O fato é que Jeová declara que todo e qualquer mal que aconteça numa cidade, esse mal vem dele (Amós 3: 6). Como pode vir dele se toda a criação está sujeita à vaidade por um poder maligno de corrupção?

Graças a Deus, Jesus desceu do céu e disse: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mt. 4:17).

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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