(253) – COERÊNCIA – IX

COERÊNCIA – IX

 

Y Jesus Cristo tem um reino que já estava preparado desde a fundação do mundo (Mt. 25:34). Um reino de amor (Cl. 1:13). Reino de paz e alegria (Rm. 14:17). E o reino de Jesus não é deste mundo onde vivemos (Jo. 18:36). E é um reino de justiça (II Pd. 3:13). Esse reino de glória, não é na terra, mas é celestial (II Tm. 4:18). No reino de Jesus Cristo, que é também o reino de Deus, não haverá crimes nem criminosos. Não haverá mentira nem mentirosos, nem inveja, nem soberba, nem egoísmo, crueldade, taras, homicídios, anormais; não haverá ladrões, traidores, vinganças, maldições, nem prisões, nem hospitais, nem bebidas, drogas, fumantes. Não haverá mais guerras nem terroristas. Não haverá bactérias, virus, germes de qualquer espécie; sífilis, enfartes, nem pontes de safena. Não haverá serpentes venenosas, nem aranhas, nem escorpiões, etc. O reino de Cristo nada tem a ver com este mundo.

Y Quem governava este mundo antes de Jesus encarnar? Jeová! Ele disse: “Minha é a terra, e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam” (Sl. 24:1). Esta palavra não tem o sentido de autoria como criador, mas de posse, como dominador. Jeová governa este mundo através dos anjos (Sl. 103:19-22; I Rs. 22:19-23).

Y Jeová se declarou rei deste mundo (Sl. 47:2-8; Is. 43:15; Sl. 22:28; 99:1; 96:10). Durante o seu reinado Jeová ordenava matanças e saques (Js. 6:19-21; 11:18-20; Dt. 2:33-34). O caso do rei Saul é gritante. Jeová ordenou a Saul que matasse Agague, rei dos amalequitas, povo odiado por Jeová há 400 anos; e ordenou também a morte dos homens, mulheres, meninos e meninas, e crianças de peito, tudo. Saul não matou Agague e se tornou maldito de Jeová; e por isso foi rejeitado e condenado à morte com seus filhos (I Sm. 15:1-8; I Sm. 28:18-19; I Sm. 31:1-2). E este juízo veio pela boca de uma feiticeira (I Sm. 28:6-19). Os anjos de Jeová são matadores como ele. (II Rs. 19:35; I Cr. 21:14-17). É interessante notar que Jesus despojou os anjos na cruz. (Cl. 2:14-15). Os anjos querem afastar os cristãos do amor de Deus (Rm. 8:38-39). E Jesus estabeleceu a Igreja para julgar os anjos assassinos de Jeová, durante seu reinado (I Co. 6:1-3).

Y A indagação é a seguinte: Por que o verdadeiro Deus, que é justo, permitiu essas atrocidades? Por que Deus esperou pelo espaço de quatro mil anos até a interferência de Jesus Cristo para despojar os anjos? Ora, a descida de Cristo foi o juízo deste mundo (Jo. 12:31; 16:11). O príncipe deste mundo, a quem Jesus se referia, era um anjo, logo, a vinda de Cristo foi o juízo dos anjos. Os anjos eram submissos a Jeová, mas não a Cristo (Sl. 103:19-22; I Pd. 3:22). Deus, o Pai, estaria esperando até hoje, se Cristo não descesse do céu, pois Cristo é o autor e consumador da fé (Hb. 12:2). Cristo desceu porque quis. O Pai é amor, e o amor não faz guerra, não mata, não condena nem se vinga. O amor só salva e faz o bem. Deus permitiu as atrocidades e as guerras de Jeová (Ex. 15:3; Nm. 21:14; I Sm. 18:17; 25:28), porque o mal e a soberba dos anjos dominadores tinha de se manifestar em obras injustas e perversas. Cristo veio na hora certa e no apogeu dos reinos conquistadores deste mundo. Cada reino era governado por um anjo. O anjo Miguel é o príncipe de Israel (Dn. 10:21; 12:1). Os persas e os gregos, cada um tinha o seu príncipe, isto é, um anjo (Dn. 10:20). O anjo do reino da Pérsia pelejou contra o profeta Daniel (Dn. 10:13). Jesus despojou os anjos, como vimos acima, e as guerras continuam? E são mais técnicas e violentas? Quando Cristo veio a este mundo, foi revelado que a obra dos anjos não foi aprovada. Jesus estabeleceu a Igreja, para continuar sua obra, e a Igreja, a partir do terceiro século começou a comandar as guerras. Parece que os anjos não se submeteram a Cristo, e ainda seduziram a Igreja. Os cânticos  espirituais nas Igrejas só falam de guerras e conquistas. É claro que os anjos serão condenados pelas obras injustas que praticaram, e também os homens serão julgados pelas obras (Ap. 20:11-15; Jo. 5:28-29). E os dois grupos, de anjos e de homens, receberão o mesmo destino, pois no Evangelho de Mateus, lemos: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos” (Mt. 25:41). E por que o destino dos homens maus será o mesmo dos anjos maus? Porque os anjos pecadores são do diabo (II Pd. 2:4). E os homens pecadores também são do diabo; quem afirma isso é o apóstolo João. “Quem comete pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou; para desfazer as obras do diabo” (I Jo. 3:8).

Y O último ponto a ser analisado, é que Jeová, o deus e rei deste mundo, não é diferente dos deuses dos povos pagãos. Todos os povos da antigüidade tinham um deus de guerra. Marte  era o deus da guerra dos romanos. Minerva ou Palhas, era a deusa da guerra. Assim como Roma e Grécia, cada povo tinha o seu deus da guerra. Gastaríamos folhas e folhas enumerando-os. Jeová, porém, era o deus da guerra de Israel. E era o mais poderoso, por isso se auto denominava EL SHADAY. Jetro, sogro de Moisés, exclamou “Agora sei que Jeová é maior que todos os deuses” (Ex. 18:11). Eram todos os deuses da guerra, e Jeová no meio deles disputava a primazia. E para mostrar sua grandeza, fazia guerra aos deuses. Qualquer israelita que prestasse culto a outro deus, era apedrejado até a morte (Dt. 13:6-15). Alguém dirá: Mas naquele tempo Jeová não podia agir diferente. O problema não é o pecado do povo, pois nenhum se salvou, mas era a vaidade de Jeová em se auto-promover usando os cegos como capacho; aliás, ele cegava, para depois usar como capacho (Is. 6:10). Se apedrejando os idólatras algum se salvasse, valeria a pena o apedrejamento. O problema do rei Jeová, é que ele perseguia o desafeto com males terríveis (Dt. 32:22-26). E Jeová, o todo poderoso, vigiava o mal (Dn. 9:14). Jeová nunca vigiou para o bem, mas só para o mal (Jr. 44:27). Ninguém foi capaz de escapar da fúria de Jeová(Am. 9:1-5). Jeová é vingativo e guarda rancor (Na. 1:2). Jeová não pratica a piedade e a misericórdia(Jr. 13:13-14; Jr. 14:11-12; Ez. 8:18). A incoerência está em que Jeová se auto-afirma misericordioso e piedoso (Ex. 34:6-7).

Jesus, porém revelou um Deus diferente, cheio de amor e de perdão. (João 3:16,17). O apóstolo João declarou que Deus é todo feito de amor.(1 Jo 4:7,8). Paulo esclarece que o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (1 Cor.13:7). Este não é o caso de Jeová, que fechou os ouvidos dos filhos de Ely porque os queria matar. (1 Sam.2:22 a 25). E matou Uzá, que por zelo tentou segurar a arca que estava caindo. (2 Sam.6: 1 a 7). Com fogo do céu matou os sacerdotes, filhos de Arão, porque trouxeram incenso estranho. (Lev. 10: 1 a 3). Jeová, para cumprir Ex.34: 6,7, devia aconselhar o profeta Elias a não buscar a morte daqueles 102 soldados, para cumprir Ex.34:6,7. Mas não o fez. Incoerência.

 

Autoria: Pastor Olavo Silveira Pereira

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